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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pitbulls on Crack - Capítulo 9 - Saudade dos Amigos e das Risadas - Por Luiz Domingues

Com a minha saída, eles ficaram chateados, é claro. Éramos uma banda unida, desde a sua criação, em janeiro de 1992, sem mudanças na formação, e isso é um fato raro para qualquer banda.
Mas apesar de ser chato, minha saída foi amena e nosso relacionamento de amizade era tão bom que eu prontifiquei-me a indicar um substituto e dessa forma, haviam dois alunos meus preparadíssimos para assumir o meu posto : Marcos Martines e Ricardo Schevano. Ambos acabaram participando, em épocas diferentes, é claro, numa continuidade que o POC teve após minha saída. Soube que fizeram shows em 1998 e 1999, mas naquela estratégia que avistava-se quando de minha saída em 1997, ou seja, uma volta às pequenas apresentações em casas noturnas do circuito underground.

O Deca abraçou a ideia do Sidharta mas permaneceu no POC, pois gostava daquela sonoridade, e mesmo com a banda voltando a um estágio anterior na carreira, não importou-se em tocar em casas pequenas e mal estruturadas, novamente. Louvo essa determinação dele, e também de Chris e Pastor, claro. Não sabia precisar a data em que a banda encerrou atividades oficialmente, pois não acompanhei mais, desde que saí em 1997, até que fui informado...
Foto do último show do Pitbulls on Crack, em 17 de janeiro de 2005, sem a minha presença naturalmente, mas contando com meu ex-aluno, Ricardo Schevano, no baixo, e usando um Rickenbacker de cor "Fireglow" igual ao meu, mas com a diferença do meu ser modelo 4003, e o dele, 4001. Foto de Patrícia Cecatti, e pertencente ao acervo de Chris Skepis  

Segundo o Chris, a banda foi mantendo-se viva até meados dos anos 2000, e fez o seu último show oficial no Manifesto Bar, de São Paulo, em 17 de janeiro de 2005, com Ricardo Schevano, meu ex-aluno, e já atuando paralelamente no "Baranga", ao baixo.
Depois disso, fiquei sabendo que o baterista Juan Pastor ingressou numa banda Punk-Rock, que fez certo barulho no underground, mas prosperou para valer foi como radialista e produtor de TV.
Ele já tinha tido uma grande ascensão na Rádio 89 FM durante os anos do POC, chegando num patamar onde tornou-se um alto funcionário administrativo, acumulando cargo como locutor e ainda por cima por ter emplacado um personagem cômico que virara Hit da rádio, o "Pepe Gonzalez", fazendo sucesso mastodôntico, visto que a rádio tinha uma audiência monstruosa, brigando no topo de cima no ranking das mais ouvidas, em todas as medições oficiais de mercado, incluso o famoso "Ibope".

Não admirava-me em nada, pois seu talento como redator de humor era natural. Era um dos três humoristas do POC que citei o tempo todo, ao longo da narrativa dessa banda. Depois vi-o em vários programas de TV, onde foi embrenhando-se até tornar-se produtor do programa "Pânico na TV", quando alimentou os atores / cômicos com muito texto engraçado, vindo de sua imaginação humorística nata. Nos dias atuais está como produtor do Programa da Sabrina Sato, na Rede Record de TV. Reencontrei-o na Rede Social Orkut, em 2010, e mesmo que falemo-nos pouco atualmente, tenho-o como um bom amigo.

O Deca, teve aquele pouco tempo com o Sidharta (já tudo devidamente relatado no capítulo dessa banda), mas encontrou-se mesmo foi no Baranga, banda onde entrou em 1999, mais ou menos, e que segue até hoje, numa carreira sólida de muitos shows e cinco CD's. Ali é feliz, tocando Rock'n Roll visceral, estilo "AC/DC", sem "frescuras", e onde extravasa toda a sua energia rocker primordial.

E o Chris Skepis, também falo esporadicamente, embora ele viva brigando comigo porque devo-lhe uma visita, faz anos...
Depois do POC, soube que fez outra banda autoral, estilo Punk-Rock, e cujas baterista e baixista, eram duas belas garotas.
Tal banda foi batizada de "Gutter Cats", numa clara alusão ao Alice Cooper, mas posteriormente, com a saída de uma garota e entrada de um rapaz, foi rebatizada como "Final Fight"  
Em 2007, convidou-me para integrar uma banda Tributo ao Alice Cooper, artista que ambos adoramos etc. Mas minha vontade de tocar em shows cover, que nunca foi boa, estava ainda menor nessa fase, e eu declinei do convite. Soube que era um projeto amparado com uma produção legal e que os shows que realizou, foram bem produzidos, incluindo truques cênicos usados pelo Alice Cooper verdadeiro e portanto, deve ter divertido-se muito, mas não dava, simplesmente.

Por volta de 2008, convidou-me para um novo trabalho autoral, seria uma banda de Rock progressivo estilo "Gentle Giant", banda que também adoramos, ambos. Muito legal a proposta, e eu teria aceitado com prazer, mas estava com o Pedra, e não fazia sentido abraçar outro trabalho autoral em paralelo. Uma pena !
Quando entrei para o mundo digital, enfim, em 2010, ele foi um dos primeiros que descobriu-me no Orkut, e bombardeou-me de links para baixar discos pirata de artistas 1960 / 1970 que adoramos. Ele deve ter milhares de CD's baixados, assim como DVD's de shows e mesmo antes da Internet popularizar-se, sua coleção de VHS e de discos piratas de vinil, era impressionante. Tremenda figura legal, o Chris é um eterno Rocker de 15 anos de idade, e eu admiro muito essa capacidade dele, de viver 24 h. por dia, esse sonho lúdico, e isso certamente não deixa-o envelhecer, jamais.

Fora a nossa paixão mútua pelos seriados do Irwin Allen, especialmente "Lost in Space". O Robot; Will Robinson, e o Dr. Smith, são nossos ídolos em comum...
Minha última notícia sobre o POC, veio em 2011. O Deca enviou-me um E-Mail dizendo que um produtor estava oferecendo a oportunidade de bancar a produção de um show, e da gravação de um novo disco da banda, se todos os membros originais aceitassem.
O Pedra estava com suas atividades encerradas, e eu ainda não havia entrado no Kim Kehl & Os Kurandeiros, tampouco assumido com Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada, portanto, poderia até pensar na possibilidade, por que não ?

Não saí do POC por problemas particulares de relacionamento com nenhum dos três, pelo contrário, sempre dei-me bem com os três.
Mas desconfiei da história do enigmático produtor. Com 51 anos nas costas, acreditar em mecenato no Brasil já era inviável, agora, com todo o respeito : investir no POC, tantos anos depois ??
Não paguei para ver, e disse ao Deca que não estava interessado e dei-lhe o motivo, no que, ele também experiente, concordava. Bem, não aconteceu nada, como era esperado, e foi melhor assim, para ninguém frustrar-se em aventurar-se com uma proposta vinda de uma pessoa que ninguém sabia quem realmente era e pretendia.

Bem, reta final dessa etapa de meu relato sobre uma importante parte da minha carreira. Antes de encerrar o capítulo do Pitbulls on Crack, aproveito para dizer que tanto quanto diverti-me, naqueles quase seis anos em que fui membro dessa banda, diverti-me também em escrever essa história, relembrando muitas passagens, com bons momentos e também os maus, por aprendizado. O Pitbulls on Crack surgiu na minha vida num momento que era crucial para mim em três aspectos :

1) Pelo aspecto artístico, por eu estar num momento de transição da carreira. Numa primeira análise, saliento que estava há mais de dois anos sem ser membro oficial de uma banda e após embrenhar-me em diversos projetos que não lograram êxito, precisava focar novamente num trabalho autoral;

2) Numa segunda abordagem, pesava o fato de eu estar precisando de uma nova estratégia de carreira. Formar uma banda de Hard-Rock nos moldes da Chave do Sol, teria sido a solução mais lógica, mas além de querer mudar para buscar novos ares na carreira, havia a necessidade de estar antenado nas mudanças que a época apresentava. Portanto, a proposta do Pitbulls on Crack na direção do "Indie Rock", mesmo não sendo de meu agrado natural, poderia prover a necessidade que eu aventava em buscar um outro espectro artístico;

3) Não é o caso aqui para esmiuçar, mas logo no início de 1992, eu tive um problema pessoal que derrubou-me emocionalmente, e coincidiu certinho com os primeiros passos do "POC". Não nego, essa euforia inicial, e o fato dos elementos da banda serem humoristas natos, ajudou-me de uma maneira absurda a superar o problema. Eles não sabem, mas foram terapeutas ocupacionais fantásticos para sanar o meu caso. Portanto, por esse lado, tenho também um carinho pelo POC, principalmente no seu período inicial, entre 1992 e 1993.

Indo além, tenho orgulho dos primeiros momentos, pois tivemos a humildade de começarmos na estaca zero, tocando em lugares inóspitos, fazendo shows em autênticos buracos, sem estrutura.
A banda teve muitas oportunidades legais. Pensando bem, foi a banda onde estive, que mais teve chances bacanas, com apoio no Rádio; shows de multidões com produção peso pesado, apoio na TV etc.

Portanto, agradeço por cada chance que tivemos nesse sentido, ainda que isso não tenha catapultado-nos à voos maiores no mainstream. Por outro lado, fazendo a reflexão fria de consciência, ao fazermos a opção de cantar a carreira toda em inglês, automaticamente anulávamos assim as oportunidades recebidas, não é mesmo ? O Chris argumentava que para ele que morara em Londres por anos, e falava inglês com sotaque britânico perfeito, era muito mais fácil compor em inglês, e nós aceitávamos tal argumentação passivamente, sem ao menos pensar num contra-argumento.

Esse foi nosso erro, a meu ver, pois as canções eram boas, com potencial pop, e se talvez fossem formatadas em português, poderiam ter tido outra sorte. Nenhuma banda daquelas que cantavam em inglês, da cena de 1992 e com as quais tocávamos juntos, conseguiu nada com essa predisposição e de fato, quando os Raimundos chegaram ao mercado com aquele festival de palavrões e insinuações sexuais, explodiu, dizimando a chance de quem cantava em inglês. Questão de tempo para surgir Mamonas Assassinas e Baba Cósmica, para citar só duas, que atropelaram com suas escatologias infantiloides.

Por outro lado, mesmo que o POC colocasse-se como Indie, e leia-se esse tal de Indie como continuismo no Punk-Rock", eu, por meu sistema de crenças rockers, jamais faria minha parte de forma tosca. Ao criar linhas de baixo mais sofisticadas, automaticamente tirava o ranço punk das músicas e isso aproximou mais o POC do Glitter-Rock setentista.  Daí a perceberem algo setentista no som, foi um pulo e o som do POC, se nunca foi sofisticado, ao menos entre os Indies, ficou diferenciado.

Bem, infelizmente os erros estratégicos (cantar em inglês, sobretudo), fizeram com que as tantas boas oportunidades fossem perdidas e no final, a banda foi perdendo forças. Agradeço aos três amigos Chris; Deca, e Pastor, a oportunidade que deram-me, quando convidaram-me em janeiro de 1992, sendo que já haviam realizado um ou dois ensaios com um outro baixista. Ao escolherem-me, deram-me a oportunidade de passar por muitas alegrias nesses anos todos.

O Chris Skepis é um tremendo de um Rocker. Gostamos de tudo do Rock 1950 / 1960 / 1970, e só discordamos no quesito da "revolução" punk, na qual ele considera sincera e eu, uma farsa mercadológica que produziu estragos irreparáveis. Mas fora essa divergência, divertimo-nos muito falando de "trocentos" artistas que gostamos, Irwin Allen, e tantas outras coisas em comum. Em quase seis anos, só indispus-me com ele uma vez, quando irritei-me com uma questão ocorrida em 1995, mas que hoje eu sei que fora falha de comunicação, pois ele não era culpado por isso.

De resto, foram seis anos de risadas ininterruptas. É o sujeito mais bem humorado e espirituoso que conheci na vida (o Nilton César "Cachorrão", também é assim). Somos amigos, e uma hora eu vou visitá-lo. É uma vergonha (eu sei...), mas só fui conhecer o seu filho nascido em 1999, na exposição do David Bowie, em 2014, e que chama-se Brian Jones (adivinhe por que...).

O Deca é outro sujeito de espírito leve, e que tem uma capacidade de improvisar piadas, incrível. Quando juntava-se ao Chris e ao Pastor, pareciam "Gremlins" que transformavam-se em humoristas.
Como guitarrista, seu negócio é o Rock'n Roll visceral, e ao vivo, sua performance é selvagem, com qualquer coisa podendo acontecer.

Muito humano, sempre foi solícito em ajudar qualquer um, incluso eu, em qualquer circunstância. O Juan Pastor também era um humorista nato. Suas brincadeiras sempre deixavam qualquer ambiente fantasticamente leve.

Fanático pelo São Paulo FC, adorava provocar-me e naquela fase, Palmeiras e São Paulo estavam ambos com times muito fortes, e disputavam pau a pau os títulos. Graças aos seus contatos, o POC teve muitas chances, e arrisco dizer que sem ele, teria sido tudo muito diferente e mais difícil.

No ano de 2013, consegui resgatar um áudio de uma música inédita e registrada ao vivo durante um programa na 89 FM em que apresentamo-nos, e com a produção do Site / Blog Orra Meu, um promo foi para o You Tube. Trata-se da música "On the Rocks", nunca gravada oficialmente em disco, e em versão acústica. 

https://www.youtube.com/watch?v=C2eMt8SW_zo
Acima, o link para assistir no You Tube

Um agito póstumo do POC aconteceu em 2013, quando o jornalista Tony Monteiro, representando a revista Roadie Crew, propôs uma entrevista para resgatar a história da banda. Tal questionário também foi enviado ao Deca, e nós dois acabamos alimentando tal entrevista.


Matéria com o Pitbulls on Crack. Revista Roadie Crew número 183 - Abril de 2014 - Página 30. Assinada por Antonio Carlos Monteiro. Responderam pela banda : Deca e Luiz Domingues


Hora de falar das pessoas que auxiliaram-nos nesses anos todos, começando pelas que contribuíram externamente.


Em 1992...   

Tatola; Fábio Massari; Luiz; Edgard; Carolina; Ana e todo o staff da 89 FM de São Paulo.
Gastão Moreira; César Cardoso e demais amigos da MTV;
Os “freaks brothers do telhado” no primeiro estúdio onde ensaiávamos...
Benjamim, pelas filmagens psicodélicas realizadas em vários shows da fase inicial da banda, e que infelizmente foram perdidas...
Maura Cardoso pelas fotos.
As amigas Lúcia (que tornou-se esposa do Chris posteriormente, e é mãe do Brian Skepis); Yara; Sheyla, e tantas outras amigas que muito prestigiaram a banda em muitos shows nesse ano e nos posteriores.
José Reis e Luiz Gustavo, que foram nossos primeiros roadies e logo mais falarei sobre ambos mais detalhadamente.

Em 1993 :

Vagner Garcia pela gravadora Eldorado;
Tatola; Ricardo; Denise e Fábio Massari pela produção executiva do álbum coletânea, “A Vez do Brasil”, em parceria com a gravadora Eldorado.
Carlos Eduardo Miranda pela produção em estúdio; Beto Machado e Érico Rondon pela operação de mesa na captura e mixagem e todo o staff do estúdio Be Bop. Érico Rondon e Carlos Freitas pela masterização no estúdio Cia de Áudio. Rui Mendes e Michel Spitale pelas fotos e lay-out de capa / encarte e Fabio Cobiaco pela ilustração da capa.
Osmar Santos Junior e equipe da Brasil 2000 FM.

No ano de 1994...

Jefferson, empresário : grato pela tentativa...
Kuky e demais componentes do “The Pills”.
David Brasil e equipe de filmagem do clip de “Under the Light of The Moon”.
Gastão Moreira e todo staff da MTV pela produção do especial “Peso Local”.
Aos filhos do governador Luiz Antônio Fleury Filho, que criaram o festival no Ginásio do Ibirapuera.
Jason Machado, por criar o fã clube do Pitbulls on Crack e doravante mantê-lo com entusiasmo impressionante.
Meus alunos e à turma de Jason Machado pela fantástica ajuda em massacrar a 89 FM com pedidos telefônicos para tocar a nossa música “Under the Light of the Moon”
Tibet Queiroz; André “Pomba Cagni” e Eric De Haas pelas oportunidades de shows.
O amigo Ítalo Robson Marchezini, do estúdio Spectrum, onde ensaiamos com muita mordomia, de 1994 até o meu fim na banda. Fazendo um trocadilho que ele deverá entender bem : o Ítalo é um homem do Brasil...
Jerome Vonk e Alê, pelo quase acerto com a gravadora Roadrunner.
Revista Rock Brigade por incluir-nos na festa de aniversário de sua centésima edição.

No ano de 1995 :

Roy Cicala pela oferta tentadora, pena que não reunimos condições de concretizá-la, mas por algumas semanas sonhamos em alcançar através de suas mãos hábeis no manuseio dos botões de uma mesa de mixagem / gravação buscarmos a nossa Fame, fame, fame, fame, fame...
Aos meus alunos e Jason Machado, que mergulharam de cabeça no projeto do festival “Dominguestock” !
Sérgio Hinds; Rodrigo e Victor Martins e todo o staff da gravadora Velas / Selo Primal, pelo apoio inicial e que estenderia-se decisivamente pelo ano de 1996, também.
Geraldo D’Arbilly e o dono do estúdio em Santo André pela imensa boa vontade em tentar trabalhar e pela compreensão no desfecho que essa história teve. Que pena que não deu certo, Geraldo, adoraria ter trabalhado contigo e sua opinião sobre o trabalho da turma de Winwood; Capaldi & Wood marcou-me para sempre : “O Traffic é uma caixa de bombons finos”, também acho...

Em 1996 :

Ítalo Robson Marchezini; Alcir Gonçalves Lasneau; Luiz De Caro e Marquinhos Almada, pelo estúdio; camaradagem e apoio geral na produção do CD “Lift Off”.
Johnny Boy; Marcus Rampazzo; Will Carrara; Ricardo Confessori e Ivan Busic, músicos fantásticos que abrilhantaram nosso disco com suas participações especiais !
Todo o staff da gravadora Velas / Selo Primal, citando novamente Rodrigo e Victor Martins; Sérgio Hinds e acrescentando agora : Ivan Lins; Alexandre Madeira; W. Perna e demais funcionários do escritório, incluso Toni Peres Rodrigues, que já era meu amigo antes.
Marina Yoshie pelo trabalho extraordinário como webdesigner, desenhista, artefinalista e responsável por toda a concepção do visual do CD e do aparato incrível de promoção que acompanhou-o. Como se não bastasse, Marina foi, entre 1994 e 1997, uma entusiasta da banda, vendo-a ao vivo inúmeras vezes e sua frase emblemática era : “o som de vocês é contagiante”...
Meu muito obrigado aos “Monges”, uma incrível confraria que muito auxiliou-nos em ações de divulgação. Grato Emmanuel Baretto; Helder Pomaro; Nathanael; WagnerBaiacu”; Betina; “Cabelo e outros cujos nomes e apelidos não recordo-me ao certo, mas sintam-se agradecidos igualmente.
Aos meus alunos, meu famoso exército de “Neo-Hippies”, que nesse ano de 1996 em específico, trabalhou muito em ações de divulgação e na produção das latas que continham o aparato de divulgação do nosso CD, mas que na verdade desde que anunciei que entrara numa nova banda chamada Pitbulls on Crack, em janeiro de 1992, até o dia em que saí, apoiaram-nos com entusiasmo sem igual.
Meu velho amigo Carlos Muniz Ventura que tanto apoiou trabalhos anteriores que fiz (A Chave do Sol e A Chave / The Key), por mais uma vez trazer seu click para ilustrar capa e encarte de um outro disco meu, no caso o “Lift Off”.
Ao professor Wilton Azevedo por assinar um micro texto falando de Pop Art no libreto que acompanhou o Kit de lançamento do CD.
Marcelo Rossi por fotos ao vivo.
Ao bom amigo Alex (in Memorian), ex-baixista do “Proteus”, e que muito ajudou na hora decisiva da divulgação do CD.

Em 1997...

Evon Patrocínio, pela sempre boa vontade em incluir-nos no festival “Sintonia do Rock” do Centro Cultural São Paulo.
Rodrigo Hid, pela rica participação tocando piano e Mini-Moog num show no Centro Cultural São Paulo nesse ano, mas também não esquecendo sua presença no show de lançamento do disco no final de 1996.
Durante o tempo todo entre 1992 e 1997 :
O jornalista Antonio Carlos Monteiro, popular Tony Monteiro, sempre apoiou-nos de forma integral. Ele é fã confesso desse trabalho e isso muito alegra-me, pois além dele ser um crítico superb, foi um dos poucos a enxergar méritos artísticos nessa banda. Sou-lhe grato por isso !
Familiares :
Aos familiares dos componentes do Pitbulls on Crack : Maura Cardoso, esposa do Deca naquela ocasião : obrigado pelas fotos, em vários momentos, além do apoio em geral.
Aos pais do Juan Pastor : jamais esquecer-me-ei do pai do Juan Pastor, falando com aquele sotaque espanhol carregado : -"Fenomenales !! Usteds son um verdadero espetáculo !! Son mejores que los Beatles " !!!).
Eliane Aronson, esposa do Chris Skepis nessa época, e Denis Skepis (irmão do Chris).
Ana Cristina; minha irmã, e minha mãe, naturalmente...

Hora de falar dos que participaram diretamente da banda como equipe técnica :
Luiz Gustavo
Luiz Gustavo é o rapaz sentado no degrau mais baixo, isoladamente. Foto de 1994, acervo e cortesia de Jason Machado
Luis Gustavo, foi um outro aluno meu que transitou na órbita do Pitbulls on Crack, mas diretamente, atuando como roadie, desde os primórdios em 1992, até 1994. Menino humilde e bastante prestativo, tinha uma pequena experiência atuando como roadie dando suporte a bandas obscuras do circuito indie. Também foi solícito e muito útil em todos os shows que esteve conosco, portanto agradeço-lhe.
Marcos Martines
Na foto acima, Marcos Martines está viajando na poltrona da "janelinha", ao lado de Juan Pastor, em foto de 1994
Um dos meus melhores alunos em 1992, Marcos Martines trabalhou diversas vezes como roadie da nossa banda e teve participação como músico, substituindo-me em 1997, assim que deixei o Pitbulls on Crack. Nos anos 2000, tornou-se produtor de rádio, também, tendo sido assistente do Tatola na emissora Brasil 2000 FM. Toca regularmente até os dias atuais, sendo um grande músico.
Ricardo Schevano
Mesmo caso de Marcos Martines, Ricardo era meu aluno; ajudou muito em ações de divulgação; foi roadie em 1996 e 1997; e tornou-se baixista da banda no pós anos 2000, numa continuidade que não acompanhei mais. Músico excelente, hoje é proprietário do estúdio “Orra Meu” e toca nas bandas “Baranga” e “Carro Bomba”.
Antonio Peres Rodrigues, o “Toni”
Em foto de 1997, nas dependências da emissora Brasil 2000 FM de São Paulo, da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Deca e Toni Perez Rodrigues
Guitarrista & vocalista do “Essex” e irmão de meu aluno, Alexandre Peres Rodrigues, “Leco”, Toni gravitava nas minhas aulas desde 1992, mas só envolveu-se com o Pitbulls on Crack para valer no final de 1996, quando tornou-se roadie e também funcionário da gravadora Velas / Selo Primal. Tinha um jeitão de headbanger radical, mas que eu sabia que no fundo, era um tremendo de um amigo legal. Muito grato por trabalhar como roadie, e também na produção da famosa "lata"...
Jason Machado
Como agradecer uma figura como Jason Machado ?     
Ele entrou na nossa vida em 1994; comandou o fã-clube da banda; tornou-se roadie, e incentivador-mor. Meu muito obrigado por todo o empenho, de 1994 até quando saí, em 1997. Seus esforços eram incansáveis para divulgar e empurrar a banda para frente, escalando até familiares seus (a própria avó, incrível !!), para tarefas em prol da banda, caso dos históricos telefonemas disparados para a 89 FM, no ano de 1994. Como se não bastasse tudo isso, ao lado do Chris Skepis, ajudou-me muito com lembranças que escapavam-me e que acrescentei neste texto autobiográfico , além de fotos valiosas e raras que estão publicadas nos meus Blogs dois e três.
José Reis Gonçalves de Oliveira
José Reis à direita e Deca à esquerda, apontando-o, em foto de 1996
Agradeço ao José Reis Gonçalves de Oliveira, o popular "Zé Reis", meu ex-aluno e amigo eterno, por ter acompanhado desde o primeiro ensaio, todos os passos do Pitbulls on Crack. Ele foi roadie; amigo de todas as horas, ajudou-nos inúmeras vezes em vários aspectos, e deu muitas risadas conosco em camarins, coxias de teatros e outras tantas ocasiões. O murro que ele deu na boca de um inconveniente idiota que tentava vandalizar o nosso show em 1992, na casa de shows “Broadway”, ainda deve doer no maxilar daquele moleque incauto... amigo de todos os componentes, e não só meu, tornou-se um companheiro de conversas sobre Fórmula Um com o Chris, paixão mútua de ambos. Sou-lhe grato eternamente pelo apoio incondicional em diversos aspectos até extra musicais, incluso socorro mecânico em momentos de sufoco com meus combalidos bólidos nessa época.
E agora, falo dos companheiros dessa jornada de minha carreira :
Juan Pastor
O Juan Pastor também era / é um humorista nato. Suas brincadeiras sempre deixavam qualquer ambiente fantasticamente leve. Fanático pelo São Paulo FC, adorava provocar-me e naquela fase, Palmeiras e São Paulo estavam ambos com times muito fortes, e disputavam pau a pau os títulos. Graças aos seus contatos, o Pitbulls on Crack teve muitas chances, e arrisco dizer que sem ele, teria sido tudo muito diferente e mais difícil. Sou-lhe grato pelo companheirismo; dedicação; pelas inúmeras portas que abriu graças aos seus contatos e generosidade em ofertá-los. Torço para que continue sendo muito feliz ao lado da esposa, filhos e na carreira como produtor de TV e rádio na qual avançou e tornou-se muito bem sucedido.
Deca
O Deca, que tem o apelido de “Luciano” (ha ha ha), é outro amigo de espírito leve, e que tem uma capacidade de improvisar piadas, incrível. Quando juntava-se ao Chris e ao Pastor, pareciam "Gremlins" que transformavam-se em humoristas. Como guitarrista, seu negócio é o Rock'n Roll visceral, e ao vivo, sua performance é selvagem, com qualquer coisa podendo acontecer. Muito humano, sempre foi solícito em ajudar qualquer pessoa com a máxima boa vontade em qualquer circunstância. Tem uma bondade enorme, sempre foi muito solícito e solidário. Continua com tudo no seu “Baranga”, e fazendo da Fender Stratocaster, “gato e sapato”. Nem Ritchie Blackmore azucrina tanto com uma Strato como o Deca faz. Espero que essa performance ensandecida perdure por muitos e muitos anos.
Chris Skepis
O Chris Skepis é um tremendo de um Rocker. Gostamos de tudo do Rock 1950 / 1960/ 1970, e só discordamos no quesito da "revolução" punk, na qual ele considera sincera e eu, uma farsa mercadológica que produziu estragos irreparáveis. Mas fora essa divergência, divertimo-nos muito falando de incontáveis artistas que gostamos; Irwin Allen, e tantas outras coisas em comum. Em quase seis anos, só indispus-me com ele uma vez, quando irritei-me com uma questão ocorrida em 1995, mas que hoje eu sei que fora falha de comunicação, pois ele não era culpado pelo mal estar em si. De resto, foram seis anos de risadas ininterruptas. É o amigo mais bem humorado e espirituoso que conheci na vida (o Nilton César "Cachorrão", também é assim). Somos amigos, e uma hora eu vou visitá-lo. É uma vergonha (eu sei...), mas só fui conhecer o seu filho nascido em 1999, na exposição do David Bowie, em 2014, e que chama-se Brian Jones (adivinhe por que...). Falamo-nos regularmente e estou no aguardo de mais material inédito que ele está procurando em seus baús e que assim que disponibilizados, vão para os meus Blogs e You Tube, certamente. “Salvatore, Penitenziagite, stupido, stupido” !! Eis aí uma brincadeira contida no livro “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, que acompanha-nos por anos e da qual não vou explicar o significado ao leitor... código secreto nosso que nem Dan Brown saberia explicar...
Agradeço aos três amigos : Chris; Deca, e Pastor, a oportunidade que deram-me, quando convidaram-me em janeiro de 1992, sendo que já haviam realizado um ou dois ensaios com um outro baixista. Ao escolherem-me, deram-me a oportunidade de passar por muitas alegrias nesses anos todos. É isso...
Tenho uma lembrança muito forte desse período de minha vida em que trabalhei com o Pitbulls on Crack, e espero ter passado tudo ao leitor com fidedignidade. O Pitbulls on Crack foi em linhas gerais :
1) A banda onde mais dei risada na vida;
2) Minha aposta na contramão do que eu realmente gostava, mas que julguei ser a oportunidade de lutar na trincheira "adversária" e quem sabe achar uma brecha enfim num patamar do mainstream;
3) A banda em que atuei, onde mais tive oportunidades no mundo mainstream, por incrível que pareça;
4) A banda que deu-me o "click" para voltar a buscar o fio de meada perdido de meus objetivos sessenta / setentistas rompidos, indevidamente, apesar de ser uma plataforma inadequada para tal tipo de resgate. 
Espero ter dado aos fãs do Pitbulls on Crack, um painel claro do que foi a carreira da banda, ainda que sob minha particular visão, e que fique claro, trata-se de minha autobiografia e não a história oficial da banda. Muito do material de vídeo e fotos da banda, foi perdido, lamentavelmente. Mesmo assim, tenho esforçado-me para arregimentar o máximo possível e disponibilizar na Internet. Está encerrado esse relato de uma etapa de minha carreira, que escrevi com muito carinho. Daqui em diante, a história segue com a criação do projeto “Sidharta”. 

Muito obrigado ao Pitbulls on Crack !!