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sábado, 19 de dezembro de 2015

Patrulha do Espaço - Capítulo 18 - Sou um Eterno Tripulante dessa Nave - Por Luiz Domingues

No Parque da Aclimação em São Paulo, a primeira formação da Patrulha do Espaço, clicada por Grace Lagôa, em 1977 

Soube da formação da Patrulha do Espaço, assim que anunciou-se a sua participação num festival binacional, com artistas brasileiros e argentinos, que realizar-se-ia em setembro de 1977, em São Paulo.
Seu primeiro concerto foi em grande estilo, portanto, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, num Festival de Rock Latinoamericano, quando artistas brasileiros e argentinos, dividiram o palco num show que entrou para a história do Rock brasileiro. Queria muito ter ido nesse show e de fato, nesse ano de 1977, foram raros os shows de Rock que eu perdi e eram muitos, semanais. Fiquei sabendo que o Arnaldo agarrou-se aos teclados, recusando-se a sair do palco, mesmo com os outros componentes da banda já retirando-se sob pressão dos organizadores pelo estouro de tempo de sua apresentação, e de fato, eram muitas bandas para apresentar-se naquela noite. Portanto, logo no primeiro show, a Patrulha do Espaço já iniciou sua carreira gerando história e lenda no Rock brasileiro. É bem verdade que Arnaldo Baptista havia insinuado a criação da banda anteriormente, com a formação da "Space Patrol" em 1974, junto ao Zé Brasil, futuro líder do "Apokalypsis".

Rara foto de uma "Space Patrol" anterior a formação da Patrulha do Espaço clássica, e esta mostrando-se acústica, com Arnaldo Baptista; Zé Brasil e outro componente, certamente fazendo um som na linha de Crosby; Stills & Nash, acredito

Mas como a banda não teve continuidade, e tendo ficado circunscrita a poucas apresentações, é essa formação de 1977, considerada como o ponto inicial da Patrulha do Espaço, formalmente. Em sua primeira formação, contava com Arnaldo Baptista nos teclados e voz; Rolando Castello Junior na bateria; Osvaldo "Cokinho" Gennari no baixo, e John Flavin, na guitarra.


Nesses tempos setentistas, toda a orientação artística ainda era calcada na sonoridade 1960 / 1970, certamente, sob influências óbvias e muito boas, o que era natural. Arnaldo deixou a nave ainda em 1978, mas o Junior não esmoreceu e assumiu a cabine de piloto.


Saiu também o guitarrista John Flavin, e com Eduardo "Dudu" Chermont assumindo as seis cordas, a Patrulha estabeleceu-se como power-trio, avançando por 1979 e 1980, alheio a fase terrível de derrocada do Rock brasileiro, sob ventos tenebrosos que sopravam da Europa, anunciando tempos difíceis para quem gostava da sonoridade e estética cultural / comportamental das décadas de 1960 e 1970.

Em 1980, lançou com muita ousadia, um LP independente, que era um escândalo para a época, pois a pressão das gravadoras era massacrante e um ato desses era considerado uma rebeldia inadmissível, gerando até boatos sobre elas, gravadoras, buscarem elementos jurídicos (como assim ??), para impedirem o lançamento de artistas independentes. Sai o baixista Cokinho, e entrou Sérgio Santana em seu lugar, dando prosseguimento ao trabalho.



A terceira formação da Patrulha do Espaço, entre 1981 e 1984, considerada responsável por uma das melhores fases da história da banda, opinião geral da qual concordo. Da esquerda para a direita : Rolando Castello Junior; Dudu Chermont e Sérgio Santana

Heroicamente, fazendo das tripas coração, o trio lança mais três discos, e tem uma chance de ouro ao abrir os três shows do "Van Halen" em São Paulo, no início de 1983. Abro um parêntese para destacar que quando iniciei minhas atividades com "A Chave do Sol", conheci o Junior pessoalmente ainda na metade de 1982.
No primeiro show da Chave do Sol, o Junior emprestou-nos um pedaço do equipamento de P.A. da Patrulha do Espaço, para que pudéssemos apresentarmo-nos com qualidade.


Assisti dois desses concertos do "Van Halen", e a abertura da Patrulha do Espaço foi muito boa nas duas ocasiões, arrancando aplausos da plateia de 12 mil pessoas aproximadamente, em cada noite.

Em julho de 1983, A Chave do Sol realizou o show de abertura da Patrulha do Espaço num clube em Limeira, interior de São Paulo. Ficamos encantados e gratos pela oportunidade de podermos tocar para 3500 pessoas, naquela noite gelada de inverno.

Infelizmente, ao final de 1984, A Patrulha do Espaço teve um rompimento com a sua formação estável, perdendo o ótimo guitarrista, Dudu Chermont. Mas o Junior sempre foi um abnegado e não deixando a motivação cair, engendrou um novo álbum, trazendo da Argentina, Pappo Napolitano, um dos maiores guitarristas do Rock latinoamericano, e assim, em 1985, lança um novo disco, dando mostras de que a nave permaneceria em voo regular.



Apesar de ter recrutado um guitarrista monstruoso, de forte orientação Rocker 1960 / 1970 e mestre em Blues Rock, sobretudo, na figura de Norberto Napolitano, o popular "Pappo", uma lenda do Rock argentino, a Patrulha enveredou para o som pesado com o álbum "Patrulha' 85, flertando com o Hard / Heavy oitentistas

Infelizmente, a meu ver, apesar de contar com um guitarrista monstruoso, a banda enveredou por um caminho espinhoso ao tentar adequar-se ao mercado de metade dos anos oitenta, e esse disco de 1985, tem esse espírito mezzo Heavy-Metal, que desaponta-me, como fã. E assim, a banda deu uma esmorecida, e só no final dos anos oitenta, voltou com força e estilo.

Uma animadora "volta" em 1989, com Rubens Gióia, meu ex-colega da Chave do Sol assumindo a guitarra e Percy Weiss nos vocais

Recrutaram Rubens Gióia, meu ex-companheiro d' "A Chave do Sol" e como trio (eventualmente quarteto com Percy Weiss na formação), resgatando a sonoridade clássica, parecia estar voltando ao seu voo seguro, quando um duro golpe aconteceu, com o falecimento prematuro do baixista, Serginho Santana. Sem forças para continuar, Junior ainda tentou fazer uma nova formação em 1992, e assim lançou um LP, denominado "Primus Inter Pares", homenageando o baixista Sérgio Santana.


Contando com Rubens Gióia, Junior recrutou o vocalista Percy Weiss; o excelente baixista Renê Seabra e mais um guitarrista, o jovem Xando Zupo, que anos mais tarde viria a tornar-se meu companheiro no "Pedra". O disco é muito bem tocado, mas peca por dois aspectos, em minha opinião :
1) Tem arranjos puxados para o Heavy-Metal oitentista, demais para o meu gosto e;
2) Tem poucas músicas inéditas, com a maioria, composta de regravações do próprio material da Patrulha, requentando-o e maltratando-o, no sentido estético.

Depois disso, o Junior armou formações sazonais para shows, mas só em 1999 surgiu uma oportunidade de dignificar para valer, o valor dessa nave. Eu entro aí, nessa história. Mas devo retroceder um pouco para o leitor entender o contexto em eu que estava antes.

Em 1996, eu estava no "Pitbulls on Crack", uma banda de orientação "Indie Rock", basicamente, mas que tinha uma forte influência do Glitter Rock setentista. Eu já vinha há anos ensaiando reaproximar-me enfim da sonoridade e estética que tanto amo, ou seja, a das décadas de sessenta e setenta.


E o CD que lançamos em 1996, trazia em seu aparato mercadológico, toda uma aura sessenta / setentista, muito em função da pressão que exerci nas reuniões de "brainstorm" com a banda, e os marqueteiros da gravadora Primal / Velas. Mas apesar disso, o "Pitbulls on Crack" não era a plataforma adequada para eu exercer esse resgate que ansiava, em sua totalidade. Por isso, apesar de ser muito amigo dos companheiros, saí da banda e fui empenhar-me em buscar esse sonho.


Parecia uma coisa insana sair de uma banda que tinha gravadora; vídeo clips; execução radiofônica, e um nome sedimentado no underground após cinco anos e meio de trabalho, mas eu precisava buscar essa raiz primordial que motivara-me a ingressar na música e havia perdido, desde os anos setenta. Formei assim o "Sidharta", com o então adolescente Rodrigo Hid, que conhecera por ser guitarrista da banda de um aluno meu, desde 1993. O "Sidharta" nasceu desse embrião inicial, com o forte propósito de criar uma estética artística totalmente calcada em ícones sessenta / setentistas.

Queríamos buscar a atmosfera de outrora, não só na sonoridade das músicas, mas evocando vestuário; cenários; ambientações etc etc.
Avançamos por 1998, trabalhando fortemente nesse sentido e após a saída do guitarrista Deca (depois disso tornou-se membro do "Baranga"), que fora componente também, convidamos outro jovem multi instrumentista, e ultra talentoso membro, chamado Marcello Schevano.


Com a presença de José Luiz Dinola, meu velho companheiro de "A Chave do Sol", na bateria e vocais, fechamos nesse quarteto e por um ano ensaiamos, compondo 22 músicas. No início de 1999, o José Luiz resolveu não prosseguir e decidimos então procurar um baterista que vibrasse nessa onda retrô, integralmente.

Convidamos assim, o baterista Rolando Castello Junior, com direito à uma armadilhai, mas que também já contei na minha autobiografia em capítulos anteriores, sob o ponto de vista do final do Sidharta e início da Patrulha (e o Junior também já contou na visão dele, nas páginas do "Dossiê Volume 4", CD que contém a história da Patrulha contada por ele em punho, através dos respectivos encartes dos 4 volumes lançados e há a perspectiva dele lançar um volume 5). Então, Rolando Castello Junior aceitou o desafio, mas dissuadiu-nos a usar o nome "Sidharta", fazendo-nos acreditar que seria muito mais fácil lançarmo-nos como "Patrulha do Espaço", a entrarmos no mercado com uma banda "zero km", em termos de nome e prestígio. Claro, fazia sentido...

Em março de 1999, começamos a ensaiar e incorporamos quase todo o repertório do "Sidharta" como material novo da Patrulha do Espaço, mesclando-o ao repertório clássico da banda. O Junior adorou a proposta e foram momentos de muita alegria em minha trajetória pois além de eu estar trabalhando em prol do meu sonho rocker 1960 / 1970, alegrava-me ser um agente no resgate da própria banda em favor de suas raízes.

Era um prazer estar colaborando para a Patrulha voltar às suas origens e logo de início, o fato de Rodrigo Hid e Marcello Schevano serem ambos guitarristas e tecladistas, proporcionou à Patrulha, a oportunidade de resgatar o repertório da época do Arnaldo Baptista, material que a banda não tocava desde 1978, quando da saída do próprio Arnaldo.

Logo no primeiro show, surpreendemos os fãs que estavam acostumados aos últimos tempos da Patrulha com o som pesado que faziam há anos, e tocando um repertório de clássicos da banda, à moda original, sem ranços oitentistas, resgatamos uma aura hippie, há muito perdida. As músicas novas agradaram em cheio; a possibilidade de tocar várias da época do Arnaldo, idem. Mas não era só isso...



Os shows pareciam um túnel do tempo, com detalhes que passamos a adotar na ambientação de cena, e que encantavam o público de observação mais arguta. Para início de conversa, nossos shows tinham o odor dos incensos. Resgatamos com força esse hábito há muito esquecido no Rock brasileiro e quando o público entrava no ambiente onde tocaríamos, não importando se era uma casa noturna, salão ou teatro, queimávamos dúzias de incensos.


Mesmo lutando contra a falta de recursos para fazermos produções sofisticadas, esmerávamo-nos em compor cenários, verdadeiras tendas hippies que muito lembrava a atmosfera de shows nos lendários auditórios Fillmore, dos Estados Unidos. Usamos projeção de bolhas psicodélicas, ainda que primitivamente, por falta de recursos melhores; caprichávamos no figurino "hippie Chic", tínhamos flores sempre que possível...

Pequenos detalhes cênicos também faziam parte de nossos esforços. Ornamentos em cima dos amplificadores, pelos cantos do palco e sobre teclados e praticável de bateria, iam de estátuas de Deuses orientais a um porta-retrato com a foto de Timothy Leary; de castiçal de velas à echarpes de seda, jogadas, e até um boneco de um ET em tamanho natural, foi usado certa vez, causando um efeito visual chamativo. Eram tempos anacrônicos, indiferentes à essa estética, e nem sempre o público entendia sequer o significado de tudo isso.

Lembro-me por exemplo de um programa de TV ao vivo, onde a despreparada apresentadora achou engraçado o porta-retrato com a imagem de Tim Leary em cima do órgão Hammond, e inquiriu-me a respeito, mas simplesmente ignorou a minha explicação...
Enfrentamos públicos alheios e às vezes até hostis...
Lembro-me de um show em 2001, para uma grande multidão, onde as principais atrações eram duas bandas : uma famosa nos anos oitenta e outra que era a crista da onda no início dos anos 2000 e tinha estética agressiva e portanto antagônica aos nossos ideais. Dessas de moleques de bermudas, som agressivo e letras recheadas de palavrões...
Quando subimos ao palco, ouvimos vários insultos do público dessa tal banda, e bastava olhar para eles e ter a certeza de que nunca ouviram falar de Beatles, Jimi Hendrix, Janis Joplin...
Mas, tivemos também momentos de enorme satisfação. Foram várias vezes que tivemos a surpresa agradável de ter público antenado.

Tivemos muitos momentos inspirados ao vivo, como se estivéssemos no auditório do Fillmore West em 1968, retratado acima, e com a figura de seu mítico diretor, Bill Graham em destaque no seu palco

Em muitas cidades interioranas de São Paulo e principalmente nos três estados do Sul do país, encontramos plateias extremamente jovens, com a garotada vibrando como se vivesse em 1968, ansiando por aquela sonoridade, e reconhecendo todo o nosso esforço em reproduzir essa atmosfera mágica, em todos os sentidos.
Não foram poucas as vezes onde saí do palco profundamente emocionado com a recepção de um público muito jovem e querendo viver esse sonho, como se estivessem vivendo a época, de fato.






E assim, gravamos três discos de estúdio ("Chronophagia", em 2000; ".ComPacto", em 2003 e "Missão na Área 13", em 2004).
Houve também no meio do caminho, o lançamento da coletânea,"Dossiê Volume 4"(em 2001), onde o Junior estava contando toda a história da banda, tendo lançado os três primeiros volumes anteriormente, ainda no final dos anos noventa, e nesse volume 4, há o início da história da formação de 1999, comigo e os talentosos Hid e Schevano.


E, mesmo quando essa formação desmanchou-se em 2004, ainda houve um lançamento póstumo, com "Capturados ao Vivo no CCSP" em 2004, um CD ao vivo (mas lançado em 2007), obtido de shows realizados no Centro Cultural São Paulo (CCSP), nos estertores dessa formação.
A nave da Patrulha prosseguiu com formações improvisadas, mas mantendo-se no ar, até chegar na formação atual, onde lançou em 2012, um novo CD de inéditas, denominado "Dormindo em Cama de Pregos", onde uma faixa ao vivo, out take do disco "Capturados ao Vivo no CCSP em 2004, foi anexada como bônus track, tratando-se de "Rock com Roll". Posteriormente lançou mais um álbum, chamado "Veloz", em 2015.

A atual "line-up" da Patrulha (referindo-me a 2016), é uma boa e sólida formação, e conta com um jovem guitarrista, um desses artistas sensacionais que vibravam o sonho 1960 / 1970 e que conhecemos na estrada em 2001, chamado Danilo Zanite. Que siga em frente com muita sorte, mantendo a chama do Rock, acesa.

De minha parte, foi assim a minha participação entre 1999 e 2004, onde apesar das dificuldades, exerci o sonho e senti-me numa banda de Rock a moda antiga, cercado de ícones contraculturais que amo, fazendo uma música carregada de "Boas Vibrações Aquarianas"...
Só faltou tocar no auditório Fillmore, mas ainda tenho esperança de ter esse prazer quase messiânico...

Tenho orgulho do trabalho realizado, mas sobretudo do resultado prático que vi expresso no semblante de jovens em inúmeras cidades por onde passamos e apresentamo-nos. Os urros de euforia pela performance da banda, saudados a cada detalhe. O esforço descomunal para criarmos a atmosfera de show de Rock das décadas de sessenta e setenta. O talento absurdo de Hid e Schevano, tocando inúmeros instrumentos cada um; cantando; compondo e atuando. A descomunal técnica do Junior, um baterista que tem o mesmo nível das grandes feras internacionais e icônicas que tanto influenciam-nos... sinceramente, não vejo diferença técnica alguma entre ele e as grandes feras idolatradas na história do Rock. Corrobora tal impressão o fato de que tenho como base a minha visão e audição privilegiada, visto que eu tocava junto e via todo o gestual de sua atuação e sabia o grau de dificuldade inerente a cada frase que ele executava, portanto, pode acreditar em minha opinião, meu amigo leitor, pois é fidedigno o que afirmo. O sonho de estar na estrada com uma banda de Rock dessa nível elevado de técnica e volúpia sonora, realizou-se.


Creio que a Patrulha do Espaço foi para a minha trajetória, a concretização do sonho primordial de 1976. Aquela energia lúdica e onírica que acalentei nos tempos do Boca do Céu, minha primeira banda, ainda vivendo os estertores da Era Hippie no Brasil, foi posta em prática com a Patrulha, a partir de 1999, sem dúvida. Nunca foi intenção da Patrulha, tentar fazer concessões para pleitear espaço no mainstream. Embora tivesse no bojo de sua criação, algumas músicas que poderiam até dar-nos essa pretensão de tentar o pop comercial do mainstream, éramos realistas de que o panorama era totalmente avesso e fechado, portanto, nem perdemos nosso tempo com ilusões pueris. De forma notável, fizemos muitos shows e gravamos discos, sem apoio algum. O pouco apoio que tivemos de terceiros foi sazonal, de pequena monta e sendo assim, o desbravamento foi na chamada "raça"...
O desgaste psicológico foi grande e culminou com o cansaço em atuar com tantas dificuldades, mas esse lado gerencial de bastidores em nada desabona o lado artístico. Sob tal ponto de vista, reputo minha longa passagem pela banda, como extremamente vitoriosa.

Isso é patente, olhando nos números. Foram 122 shows (contando a participação como convidado numa apresentação de 2014); duas pastas abarrotadas com matérias de jornais & revistas como legado de portfólio e cinco álbuns : três de estúdio com material inédito, uma coletânea e um álbum ao vivo. A quantidade de vídeos com promos; clips, aparições na TV e shows ao vivo que já existem no You Tube e outros portais de Internet, é muito grande e vai crescer ainda mais, pois eu mesmo estou empenhado em lançar muito mais coisas que tenho, e sei que o Junior e um de seus filhos, Ray Castello, estão empenhados nessa mesma atribuição. Fora o material, tem o carinho do público e que reputo ser o maior legado.

São muitos os fãs que abordam-me e pedem autógrafos por conta específica desse trabalho, e recordam com carinho da nossa fase com essa histórica banda. Se uma sensitiva; vidente ou cartomante dissesse-me em 1976, que meu esforço para tornar-me músico / artista / Rocker lograria êxito e que um dia eu tocaria numa banda do porte e história da Patrulha do Espaço, por mais motivado que estivesse em lutar por isso, creio que não acreditaria na previsão.
Mas aconteceu e portanto, agradeço aos Deuses do Rock por terem dado-me essa oportunidade. Hora de falar das pessoas que gravitaram na órbita dessa nave...

Nesses anos todos em que fiz parte dessa formação fantástica da Patrulha do Espaço, claro que além dos três companheiros de jornada espacial, tivemos uma série de pessoas que trabalharam diretamente na equipe de apoio da banda, e muitos, indiretamente.
Agora é o momento de relembrar dessa turma boa que acreditou e sonhou conosco, vibrou na mesma sintonia, mergulhou na aventura de fazer-se Rock como deve ser feito, sem concessões às manipulações dos marqueteiros e seus lacaios, os famigerados "formadores de opinião". Peço mil desculpas se esquecer de mencionar alguém, ou grafar errado o nome, omitir sobrenome etc etc. Recorrer só à memória sem ter apoio de anotações, não é fácil. Todavia, tenho o recurso da edição e a medida que precisar, volto aqui e promovo as correções devidas, se for o caso. E genericamente, sem citações nominais, agradeço aos produtores; contratantes; técnicos; jornalistas, e fãs que muito incentivaram-nos nesses anos de nossa formação, também aos fantásticos músicos que conhecemos na estrada, e que abriram nossos shows e eventualmente tocaram conosco em ocasiões especiais. Ver tantas bandas boas e vibrando com tanta esperança pelo Rock 1960 / 1970 novamente, fez-me muito feliz e esperançoso pelo futuro. Vocês, músicos dessas bandas, não podem imaginar o quanto eu fiquei feliz em vê-los atuando, com sua juventude; técnica, e amor ao verdadeiro Rock. Falando dos apoiadores, vou separar por ano em que cada pessoa entrou na nossa vida.

1) 1999

Assim que começamos a ensaiar, é óbvio que a minha turma de adolescentes, que eu chamava carinhosamente de "meu exército de Neo-Hippies", incorporou-se à nossa órbita, imediata e incondicionalmente. Eles já ajudavam-me de uma forma entusiasmada, desde os primórdios do Pitbulls on Crack, a partir de 1992; apoiaram com muito vigor a criação do Sidharta, em 1997, e foi natural que acompanhassem com muita animação e vontade de colaborar, os primeiros passos de nossa formação com a Patrulha do Espaço. Já adultos e trabalhando em suas bandas, muitos deles, foram uma mão na roda nesses meses iniciais de nossas atividades em 1999, atravessando 2000, e com alguns deles acompanhando-nos além de 2001, também. Ricardo Schevano, meu ex-aluno e irmão do Marcello, foi um deles e na época, já estava começando suas atividades com o Baranga, sua banda. Marcelo "Pepe" Bueno (também meu ex-aluno e já tocando no Tomada); Edil & Marilu Postól; Guilherme "Tiê" & Carolina Poppi; Pedrinho "Wood" Ayoub (Tomada); Eduardo Donato; Fernando Minchillo; Alexandre "Leco" Peres Rodrigues; Toni Peres Rodrigues; Marcelo "Always" Burani; Carlos "Cali" Keller Rodrigues; foram alguns que estiverem muito perto de nós nesse início.


Ao poeta Julio Revoredo pelas lindas letras em canções que foram, gravadas no álbum "Chronophagia", e sua esposa Regina Célia, pelo apoio e torcida ! 

Roberto Garcia Morrone e Carlos Alberto Fazano, que contribuíram bastante, também;

Edson Vincentin, que filmou os primeiros shows da banda;

O grande artista plástico, André Peticov, que deu-nos dicas preciosas sobre como fazer "bolha psicodélica" a moda antiga, e dá-lhe Guaraná...

O saudoso
Renê Seabra, pela força nos primeiros shows, mesmo caso de Luciano "Deca";

Claudio "Formiga" pela sua bondade no estúdio Alquimia, onde fizemos os primeiros ensaios, e o freak-mor da Vila Mariana, Paulo "P.A." Antonio, pela acolhida em seu estúdio, onde ensaiamos forte para preparar o material do álbum "Chronophagia", nos últimos meses de 1999. Saudade daqueles ensaios ultra freaks, com a presença dos amigos Nobuga, o saudoso Hélcio Aguirra, e com  aquela matilha de Sheap Dogs..."Sol, "Lua"; Estrela"...

Wagner Molina, o "mago da luz", que iluminou os nossos primeiros shows no Centro Cultural em 1999, e muitas vezes mais no futuro.

José Agatão, pela amizade e apoio em toda essa fase.

Nelsinho, de Santo André, um fã da Patrulha que acompanha a banda desde 1977, e Carlão (Namastê !!), também do ABC.

2) 2000

Logo no início do ano, o apoio de Paulo Zinner na gravação do álbum, atuando como produtor, e sendo voto de Minerva em decisões controversas no estúdio.

Zoroastro "Zôro" Barany pelo empenho em ser o engenheiro de som do álbum Chronophagia. Sua boa vontade em dar o seu melhor muito ajudou-nos, apesar de seu pecado mortal em ser teimoso e insistir em gravar tudo "flat", o que arruinou a possibilidade de termos timbres sensacionais nesse disco, principalmente o baixo. Já expliquei isso amplamente nos capítulos focados nessa parte da cronologia e não vou repetir aqui. Em tempo, está perdoado por isso...

Daniel "Lanchinho" pela ajuda na reta final dessa produção do "Chronophagia".

Alexandra "Joplin" e Manito, pelo brilhantismo artístico que trouxeram ao nosso disco !

Johnny Adriani pelo magnífico trabalho de ilustração de capa e encarte do disco.

Luiz Chagas pelo apoio na assessoria de imprensa.

Marcelo "Macarrão" pela Turma da Cultura !

Marcos Sptizer, grande Dr. Rock !

Dárcio e Marcos Cruz de Avaré / SP pelo apoio irrestrito, amizade, mas sobretudo por comungarem de nossos ideais no Rock !


Osmar Santos Jr. & Staff da Brasil 2000 FM, pela oportunidade e sempre bem vindo entusiasmo ! 

Fernando; Vinicius e Getúlio Junior, de Santo André !

Os irmãos Fabio Rolles; Branco e toda a família Santos!

Luiz Carlini & Helena T. + Tutti-Frutti, pelo apoio total !!

Alexandre Quadros, um abnegado apoiador !!
 
Salvatore D'Angelo pelo apoio na época e também em 2015 / 2016, pelo suprimento de fotos de seu acervo pessoal !

Emmanuel & Sinésio Barretto; Helder Pomaro e Itamar Fonseca, pelo apoio de transporte com os ônibus de sua empresa, "Magic Bus", proporcionando nossas primeiras viagens para fora de São Paulo.

Rogério André; Toni Peres Rodrigues e Carlos Fazano, primeiro time de Roadies formado. Samuel Wagner só entrou para o time de roadies, ao final do ano de 2000.

3) 2001

Yves pela tentativa de ajuda com a problemática do órgão Hammond...

O grande Kôlla Galdez, que fez um milagre sonoro e graças a isso tivemos um novo disco para lançar, o ".ComPacto", e teria sido uma lástima se isso não ocorresse, tamanha a qualidade dessas canções. Haja luz, amigo, Kôlla !!

Gil & Givaldo pelo apoio na produção dos álbuns "Dossiê Volume 4" e ".ComPacto".

Lourival, pelo apoio em seu estúdio de ensaios, o mais ufológico da Vila Mariana...

Marcelo Dorota pela ajuda incomensurável em colocar um site super digno para a banda no ar !

O superb artista plástico, Antonio Peticov e seu assistente, cujo nome não recordo-me e que por um triz não realizaram um sonho nosso de termos uma pintura psicodélica ultra "sixties" em nosso ônibus...

Gastão Moreira; Clemente Nascimento; Marcelo Macarrão e Jorge Mautner, pelo Musikaos !

Atílio Bari & Uka, pelo genial "Em cartaz" !!

Thiago Gardinalli pelo "Intimação", na Rede Vida de TV...

Ney Gonçalves Dias, por nada, mas a culpa não foi nossa se não haviam letras impressas no encarte do nosso disco, frustrando o seu Karaokê...

Miguel Vaccaro Neto... e não diga...não...

Eduardo Moya; Patrick Flemer; Andreia Mayume e Sérgio Sampaio, pela produção do Clip de "Homem Carbono"

Carlinhos "Jimi" por atuar no Clip de "Homem Carbono" e apoio em tantas outras circunstâncias.

Márcio & Cynthia Brandini, e Ricardo "Magrão" Brandini, pelo apoio irrestrito.

Marco
Carvalhanas pela tentativa; esforço e amizade.

Sarah Reichdan que nesse ano, passou a oferecer boas oportunidades para a banda e isso estendeu-se em 2002, também.

Zé Roberto, pelos esforços iniciais com a compra; manutenção e condução do veículo.

4) 2002

Luciano Reis pelo apoio incondicional; suporte, e amizade !

Evandro Demari, e o baterista da banda "Os Arnaldos", muito solícitos em nossas primeiras passagens pelo Rio Grande do Sul.

Walter "Alemão" Gonçalves, o motorista da nave azulada !

Daniel "Kid" Ribeiro, que entrou para o time de roadies, definitivamente. E James Castello, por trabalhar muitas vezes na equipe de roadies, também.


Walter "Casão" Casagrande Junior pela simpatia na Transamérica !


Paulo e Alan Garcia, onde o CD ".ComPacto" foi mixado.

5) 2003

 

Marcos Mündell pelo belo logotipo que transformou-se na capa do CD ".ComPacto".

Luiz "Barata" Cichetto, por todo o apoio à concretização do lançamento do CD ".Compacto", com o Site da banda; divulgação, e trabalho como road manager e "escriba" das turnês, desde o final de 2002.

Luiz Carlos Calanca & Baratos Afins. E Carolina Calanca, filha do Luiz, pela filmagem do show do Sesc Pompeia em maio desse ano.

Dum de Lucca pelo apoio na assessoria de imprensa.

Ana Fuccia pelo apoio fotográfico e amizade !

Eduardo, pelo seu simpático estúdio de ensaios no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo.

Loja Nuvem Nove, através de seus simpáticos  proprietários, Zé Carlos & Julia, pelo apoio sempre entusiasmado.

Amadeu, também por apoiar e patrocinar.


Thiago Gardinalli pelo apoio no Jovem Pan AM !!

Junior Muelas; Alberto Sabella, Gustavo Vasquez & Fabio Poles, além de muitos outros amigos de São José do Rio Preto, pela hospitalidade, apoio e empenho para a gravação do álbum "Missão na Área 13".

6) 2004

Todo o staff do Área 13 Estúdio, pela gravação ao vivo dos shows no CCSP em julho, e que culminou num disco lançado em 2006.


Michel Camporeze Téer, pelo fantástico apoio no lay-out final e diagramação da capa do álbum "Missão na Área 13".



Hora de falar das pessoas mais próximas da banda :

1) Walter "Alemão" Gonçalves

Nosso folclórico motorista era bom de volante; bom mecânico, e gente boa. Ficava carrancudo às vezes, mas na maior parte do tempo, brincava muito e divertia-nos com suas maluquices, seus gritos repentinos ao volante e suas "pérolas" em forma de aforismos. Sua última viagem conosco foi em maio de 2004, e nunca mais tive notícias suas. Lastimo não ter uma única foto dele para ilustrar a menção, mas o volante de um ônibus Mercedes Benz, acho que representa-o bem, pois levou-nos em segurança, segurando-o com firmeza, em milhares de kilômetros...

2) Daniel "Kid" Ribeiro

A partir de 2001, Daniel tornou-se um roadie fixo da nossa equipe de apoio, e salvo algumas ausências sazonais, acompanhou-nos até o final da nossa formação. Músico de alta categoria, toca bem baixo; guitarra; violão; canta, e compõe. Teve uma banda autoral por bastante tempo chamada "Daniel Kid & Os Rockers", tendo lançado um disco : "Primeiro Ato").

Atualmente, 2016, é baixista na banda de apoio do compositor Walter Franco, e trabalha com produção musical em geral.


      Samuel Wagner é o primeiro à esquerda, nessa foto de 1999

3) Samuel Wagner


Fã inveterado da banda, assistiu com enorme interesse os primeiros shows de 1999, mas só a partir do segundo semestre de 2000, tornou-se roadie oficial da Patrulha. Viajou conosco em todas as ocasiões, desde então, e continuou sendo roadie da banda até os dias atuais (2016). Já trabalhou com outras bandas também, como o Golpe de Estado; Made in Brazil; Tutti-Frutti; Pedra; Tomada e Baranga; e até artistas off-Rock, como Michel Teló. Fez muita divulgação em "trabalho de formiguinha", colando cartazes e distribuindo filipetas pelas ruas da cidade...
Falamo-nos com relativa constância e nutrimos em comum, o apreço em colecionar DVD's de seriados; desenhos animados e filmes vintage, fazendo sempre um intercâmbio de materiais desse porte. 

4) Claudia Fernanda

Figura de personalidade forte, e experiente como produtora de eventos de vocação nas artes plásticas, foi uma pessoa valorosa para ajudar-nos a termos palcos sempre bem aprumados, cenicamente falando, e invariavelmente usando de soluções criativas para otimizar nossa verba curta para tal. Não só isso, era polivalente e eficiente como boa produtora para arrumar sempre um jeito para tudo, e apagar eventuais incêndios, um perigo constante para uma banda na estrada. Ficou conosco de 1999, até um pouco além da dissolução de nossa formação. Soube que mudou-se para Fernando de Noronha, onde vive nos dias atuais.


Falando dos tripulantes dessa jornada espacial e Rocker :

1) Marcello Schevano

Seu talento absurdo como músico multi instrumentista; cantor e compositor já era visível lá atrás, quando notei sua incrível capacidade musical nos idos de 1994 / 1995. O tempo só confirmou isso e seu brilho na Patrulha do Espaço e nos trabalhos que fez depois (Carro Bomba; Casa das Máquinas; Som Nosso de Cada Dia; Golpe de Estado), comprovam-no, sem chance de haver qualquer contra argumentação. Após a dissolução de nossa formação, interagi com ele bastante no ano de 2006, quando nossas respectivas bandas, "Pedra" e "Carro Bomba", fizeram uma série de shows em dobradinha por algumas casas noturnas de São Paulo. Depois disso, reencontramo-nos num show da Patrulha do Espaço em 2014, no Centro Cultural São Paulo, quando tocamos juntos na condição de convidados especiais da nossa ex-banda. Tenho muito orgulho por vê-lo brilhar intensamente com seu talento fora do comum, e torço para que tenha muito sucesso em seus trabalhos atuais, e lance um dia o disco solo que ele começou a gravar e engavetou, e cujo som bruto eu conheço e acho muito bom. Capaz de sentar-se ao piano e compor "Nave Ave"; empunhar uma guitarra e fazer "O Ritual"; ser doce ao violão e tocar "Epílogo", também envereda pelo misticismo ao propor que respiremos "Prâna"; buscar a reflexão antropológica /psicanalista em "Sendo o Tudo e o Nada", desvendar o "Véu do Amanhã", propor alquimia em "Terra de Minerais" e homenagear a cidade em que nasceu como uma das mais belas odes a São Paulo que eu conheço, chamada "São Paulo City". Em suma, um compositor de múltiplas facetas, portanto raro no cenário artístico brasileiro. Em 2016, montou em parceria com seu irmão, Ricardo Schevano, um estúdio espetacular de gravação (chamado "Orra Meu"), com nível de estúdios americanos ou europeus, abrindo mais um campo de atuação em sua vida, como produtor musical e empresário.

2) Rodrigo Hid

Tudo o que eu disse sobre o Marcello acima, vale ipsis litteris para o Rodrigo. As diferenças no texto são mínimas, por exemplo, conheci-o um pouco antes, 1993. Sou muito amigo de seus pais e sei bem de onde vem o seu talento. Por DNA, a herança criativa de Tufi Hid, seu pai, passou-lhe no sangue. Rodrigo é tudo o que o Marcello é também como músico. Toca divinamente vários instrumentos, é um tremendo cantor, compõe com uma qualidade de artista top, escreve ótimas letras, e é um dos maiores imitadores que conheci, assim como Tufi, seu pai. Seu talento como humorista nato, sempre divertiu-nos muito nos bastidores, e claro que sinto saudade dessas pilhérias. Ao contrário do Marcello, no entanto, nós tivemos uma sequência de trabalho além da Patrulha, ao ficarmos juntos no "Pedra" por dez anos, aproximadamente...
Sou-lhe grato pelo companheirismo, ótimo astral e pelos momentos mágicos nas performances de palco, proporcionados pelas músicas que ele compôs sozinho ou em parceria comigo e os demais companheiros. "O Pote de Pokst" arrancava suspiros, lembra-se ?
Eu sei de onde vinha aquela energia... era pura alquimia, vinda de algum recanto europeu, onde o chapéu é sempre tirado para Roy Harper...
Orgulho-me muito de ter tido Rodrigo Hid como companheiro dessa jornada espacial e especial. Numa analogia, se fôssemos a tripulação da Enterprise, Rodrigo seria o Spock, e é dali que veio "Sendas Astrais", "Anjo do Sol" e Alma Mutante, certamente... mas como "Nem Tudo é Razão", até um vulcano como Rodrigo Hid sabe que não dá para ser um "Homem Carbono", e aí, o jeito é pular de um "Trampolim"...

3) Rolando Castello Junior

Nosso desafio antes do começo da banda, era animar o Junior que vinha de um momento de desilusão com a cena artística; chateado com os rumos do Rock, cada vez mais tenebrosos no Brasil etc etc.
Ele é mais velho do que eu, sete anos. Quando a formação acabou, eu tinha quase a idade que ele tinha quando nós o abordamos em 1999, portanto, também passei por essa fase de desânimo e baixa energia. Entendo-o por aquele momento, portanto, e só quem ostenta uma longa carreira e vê passar tantos modismos trôpegos, sabe o quanto é duro ser um artista idealista e tenaz, disposto a levar a tocha acesa adiante, a despeito de todas as adversidades, e sendo assim, isso pode ser computado como mais uma qualidade sua, e de fato, nessa minha trajetória, conto nos dedos de uma só mão, os artistas que eu conheci com tal capacidade de resiliência e determinação. Como músico, acho que dispensa maiores comentários. Considero o Junior um baterista com um nível técnico igual ou até superior que muitos dos grandes bateristas da história do Rock internacional, e que influenciam-nos tanto. Sua técnica e pegada são absolutamente matadoras. Sem nenhuma intenção de parecer piegas (falo isso como testemunha ocular e auditiva), sua performance ao vivo é idêntica ao dos grandes bateristas da história e emociona. Por isso ao longo deste relato sobre a Patrulha, tantas vezes mencionei o fato de que rockers mais antenados urravam, literalmente, ao verem suas viradas inacreditáveis, desenhando frases impossíveis nos tambores da sua bateria. Mais que isso, o Junior é um dos maiores Rockers que conheci e trabalhei. E nesse sentido, afirmo sem medo de errar, foi um dos poucos que eu sabia que entendia o que era / é o Rock, com profundidade.
Junior é culto. Domina vários assuntos e escreve muito bem, haja vista a qualidade poética dos encartes dos discos da Patrulha, principalmente o texto biográfico dos encartes que acompanham a série de coletâneas chamada "Dossiê". E por ser culto, eu afirmo com todas as letras que é um Rocker como eram os Rockers de outrora. Quando a invasão de trogloditas ogros de bermudas arvorou-os de serem os "novos Rockers da modernidade", tudo foi para o ralo. Chronophagia é isso, para quem ainda não entendeu o conceito, ou seja, buscar a energia indevidamente rompida com o passado para construir um presente que garanta-nos um futuro melhor. Rock é luxo; Rock é Art-Rock; Rock é sofisticação artística; Rock é desbunde contracultural... e o Junior faz parte dessa linhagem de Rockers da Velha Guarda que sabem de tudo isso, e melhor ainda, vivem isso, intensa e diariamente.
Dessa maneira, orgulho-me de ter tido esse convívio com ele, e das conversas que tivemos tratando de assuntos diversos tais como o cinema retrô que apreciamos, II Guerra Mundial e o Rock, naturalmente. Saudade da nossa química que deu um resultado extraordinário. A capacidade quase telepática que tínhamos ao tocar variações rítmicas criadas no improviso total, e ao vivo, entraram para a história da banda, e orgulho-me disso. Formamos uma cozinha poderosa, sendo um atrativo a parte e à altura do brilhantismo de nossos jovens virtuoses, Hid & Schevano. Sou grato aos Deuses do Rock por essa oportunidade. Junior segue liderando a Patrulha do Espaço, e assim será por muitos anos, torço por isso.




Encerrando minhas considerações, tocar numa banda com esse porte; história; bagagem artística e legado, já teria sido demais para qualquer rocker que preze-se. Como se não bastassem todos esses atributos, existe a nobreza de uma árvore genealógica que confere-lhe o parentesco direto com os Mutantes, um verniz e tanto.

Mas minha formação foi além, pois não era apenas um bom combo de instrumentistas e cantores aptos para fazer de cada noite, uma noitada excelente, porém tinha como princípio "chronophágico", resgatar o elo perdido da própria banda. Moderna na base do "ponto com", mas docemente retrô para trazer de volta o "compacto", teve a coragem de fazer seu manifesto "religare" "com pacto".

Assim como nas manifestações populares de 2013, que foi às ruas clamando por uma limpeza ética total e não era só pelos "vinte centavos" do aumento das tarifas de ônibus urbanos, nossa banda quando voltou com essa formação de 1999, não voltou só para tocar "direitinho", mas subiu ao palco com uma série de princípios, os mais nobres, diga-se de passagem. E disso muito orgulho-me.
O legado desse trabalho está expresso nos discos e pode ser sentido no material de portfólio; fotos; e vídeos das mais diversas fontes.

Nessa "retomada", abrimos o caminho para o "véu do amanhã" que há de ser melhor e ter o eco aquariano com o qual tanto sonhamos.
É mais que vinte centavos... é muito maior que a própria música...
Um dia essa colheita vai florescer e nossa semente jogada lá atrás vai justificar-se, e dignificar-se muito além da nossa obra artística.
Anotem isso que vos digo !!


Fim desta etapa, das mais emocionantes da minha autobiografia na música. O capítulo encerra-se, mas estará sempre pronto para adicionar novidades, com material, discos e vídeos que forem surgindo. Daqui em diante, a minha autobiografia trata do trabalho que fiz a seguir, o "Pedra".

Meu muito obrigado a Marcello Schevano; Rodrigo Hid, e Rolando Castello Junior !

Que a Patrulha do Espaço continue desbravando o espaço sideral, levando o Rock ao seu lugar de direito : nas alturas !!