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sábado, 30 de abril de 2016

Magnólia Blues Band - Capítulo 4 - Um Final que Pode Ser Modificado - Por Luiz Domingues


A Magnólia Blues Band foi uma ideia que nasceu do tecladista Alexandre Rioli, que além de ser proprietário da casa Magnólia Villa Bar, é um grande aficionado de Blues e Rock'n Roll. Como sempre atuou com participações, tocando seu piano em apresentações que Os Kurandeiros faziam ali há anos (mesmo antes da minha entrada naquela banda em 2011), vislumbrou a possibilidade de tornarmo-nos uma "outra" banda, com a intenção específica de tocarmos toda quarta-feira na casa, e a cada semana, trazermos um convidado da cena do Blues, para o acompanharmos, executando clássicos do gênero.

Aceitamos a ideia, pois não atrapalharia em nada os nossos planos em manter a agenda dos Kurandeiros em plena atividade, além de colocarmo-nos também como o "Nu Descendo a Escada", a banda de apoio de Ciro Pessoa, ou trocando em miúdos, eu (Luiz Domingues); Kim Kehl e Carlinhos Machado, éramos o "núcleo duro" de três bandas, com trabalhos distintos. E assim, logo no início de janeiro de 2014, essa história começou a ser contada, e a cada semana, muitas figuras importantes da cena do Blues foram convidadas e apresentaram-se conosco, em noites que entraram para a história.

Logo percebemos que não seriam noitadas puristas, focadas no Blues, tão somente, mas desdobrando-se em muitos outros gêneros. O Rock'n Roll incluso, logicamente, mas também a Soul Music; R'n'B; Gospel; Funky; Jazz; Country e até passeios por gêneros distantes dos princípios iniciais, como os ritmos latinos; música pop; Hard Rock; Glitter Rock; Rock Progressivo; MPB... enfim, a Quarta Blues foi eclética e generosa para quem vivenciou-a. E assim atravessamos o ano de 2014, com muitos convidados, e fica a lembrança registrada na nossa memória, mas igualmente disponível em fotos e vídeos, desses grandes momentos recepcionando tantos artistas sensacionais. A maioria deles, guitarristas, mas também baixistas; tecladistas; muitos gaitistas, e cantores estiveram conosco, fora aparições surpreendentes, como o caso de um saxofonista saindo da plateia que veio participar, certa vez. Ao final de 2014, a estratégia foi mudando, e uma tentativa de convidar bandas inteiras para dividir a noitada foi feita e com sucesso em algumas ocasiões, estendendo-se ao começo de 2015. 

Um problema de saúde, justamente comigo, fez com que a banda sofresse por um período, onde estive impedido de atuar, enfrentando internação hospitalar e cirurgias. E para agravar as coisas, foi um período onde a casa sofreu sanções da parte do poder público, por motivo de excesso de ruído, e quando a banda voltou à ativa, uma nova fase sobreveio, com a obrigatoriedade de apresentar-se de forma acústica.

Por sorte, logo um convidado mudaria tal panorama. Tornando-se um membro fixo da banda, o cantor Bruno Mello chegou com a proposta de trazer o elemento Pop à "Quarta Blues", e assim, tal direcionamento fez com que a adequação do formato acústico encontrasse-se com tal repertório Soft Rock, e assim, uma nova fase adveio para a banda. Mas o Bruno era do Rio, e quando seu trabalho corporativo encerrou-se em São Paulo, sua partida também significou sua saída da banda, infelizmente. Seguimos em 2015, mesclando o repertório tradicional do Blues com o cancioneiro pop da "Era" Bruno Mello, mas sem convidados doravante, a não ser quando alguém do meio vinha visitar-nos e subia ao palco para uma participação informal. 

Entrando em 2016 nessa mesma toada, sabíamos no entanto que a situação da casa não estava alheia à situação do país naquele instante de turbulência política, social e econômica, sobretudo, portanto, fomos levando o projeto "na raça", mas pressentindo que ele estava sendo minado pelas circunstâncias alheias a nossa vontade. Enfrentei de novo problemas de saúde, se bem que desta feita mais amenos e mal voltei às atividades, o Alexandre Rioli, sem outra alternativa, anunciou modificações na estrutura da sua casa, e a "Quarta Blues" foi cancelada, e consequentemente, a banda desfeita. Fica a ressalva que esta banda poderá voltar em ocasiões sazonais e talvez possa haver uma reativação de suas atividades no futuro, e se isso ocorrer, novos capítulos poderão ser escritos no porvir. Fica aqui o agradecimento pelos dois anos e quatro meses de atividade que atingimos, e que muitas alegrias proporcionou-nos em tantas noites de quartas-feiras. 

Com calor e frio, chuva e céu estrelado, estivemos ali firmes e fortes tocando; recepcionando grandes artistas; produzindo momentos de brilhantismo musical para orgulharmo-nos; improvisos; erros para dar risada; aplausos e suspiros. Fica a lembrança das quartas regadas a futebol no telão (quanta está ? quem fez o gol ?); mas sobretudo, com muita música e conversas agradáveis em meio a tantos amigos presentes. No meu caso em específico, foi um aprendizado e tanto, pois jamais preparei-me para ser "músico da noite", e toda a minha carreira foi focada no trabalho autoral. Portanto, após quase quarenta anos tocando só o que criava, fui impelido a aprender a acompanhar; tocar muitas músicas que nem conhecia, e aprender assim a dinâmica do improviso sob outro viés que não autoral. Respaldado pelos amigos Kim; Carlinhos e Alexandre, só posso agradecer pela paciência que tiveram comigo nesse sentido, em tolerar minhas falhas e incentivar-me em adaptar-me a essa realidade musical. E assim foi a Magnólia Blues Band, uma banda que nasceu para tocar clássicos do Blues, mas que no desenrolar dos fatos, mostrou-se muito eclética, tocando diversos outros gêneros. Sou muito grato a essa banda pelo aprendizado, e pelas noitadas de dezenas de quartas, muito felizes, de 2014; 2015 e 2016.

Falando das pessoas, agora :

1) Equipe do Magnólia Villa Bar :

Por ser uma banda criada para atuar exclusivamente numa casa noturna, naturalmente que não dispunha de uma equipe de produção própria para auxiliá-la. Portanto, nomeio apenas três pessoas do Magnólia Villa Bar, que estiveram conosco nesses anos todos.

A) Dona Terezinha, a cozinheira da casa, a quem agradecemos pelos lanches, os clássicos "X-Músico", que ela preparava com carinho para serem consumidos no intervalo das apresentações;

B) Edson da Silva - Técnico de som que operava o P.A. da casa, e muitas vezes esmerou-se para consertar situações de emergência, com panes aqui ou acolá, nosso muito obrigado por tudo; e...

C) Lídia Forjaz - A gerente da casa, que sempre tratou-nos com extrema simpatia, e costumava aplaudir-nos, mesmo lá de longe, no caixa do estabelecimento...

2) Os músicos convidados :

Um super agradecimento a todos os músicos que aceitaram convite, e lá foram brindar-nos com seu talento e simpatia. Gostei de tocar com todos e muitos, tornaram-se meus amigos doravante.

Meu muito obrigado à : Chico Suman; Carlinhos "Jimi" Junior; Ivan Marcio; Wagner Andrade; Duca Belintani; Lincoln Mugarte; Rui Bueno; Rodrigo Batello; Marceleza Bottleneck; Adriano Segal; Xando Zupo; Fabio Brum; Anette Santa Lucia; Adriano Deep; Baby Labarba; Big Chico; Thomas T. Love Jensen; Ricardo Corte Real; Marcelo (saxofonista da plateia); Alex Dupas; Edu Dias; Ciro Pessoa; Isabela Johansen; Marcião Pignatari; Paulo Toth; Amleto Barboni; Maria Arruda Alvim; Claudio "Casão" Veiga; Dino Linardi; Guilherme Spilack; Fernando Ceah; Binho "Batera"; Rodrigo Hid; Dino Linardi; Ryu Dias; Ayrton Mugnaini Jr.; Marcos Mamuth; Rubens Gióia; Nelson Ferraresso; Maria Christina Magliocca; Paulo Morgado; Wilson Ricoy; Roger Bacelli; Cris Stuani; Fulvio Siciliano; Milton Medusa; Carlos Frederico Bomeisel; Norba Zamboni; Paulo Sá; Michael Navarro; Fernando Vinhas; Ed Cruz Jr.; Banda Electric Pepper; Elizabeth "Tibet" Queiróz; Fernando Rappoli; Lili Mallagolli; Frank Hoernen; Banda Four Ol' Bones; Claudio "Moco" Costa; Rico Bass; Marco "Pepito" Soledad; Rey Bass; Kalil Bentes; Rodolfo Braga; Fernando Alge; Paulo Krüeger; Alê Bass; Sérgio Luongo; Guilherme Ramazotti; Joe Roberts; Willie de Oliveira; Marcelo (gaitista da plateia); Marco "Bacalhau" Aurélio e Sérgio Cândido dos Anjos.

Um destaque especial para Fulvio Siciliano e Cris Stuani que chegaram a substituir Kim Kehl, quando este não pode comparecer em duas ocasiões; Binho "Batera" que substituiu Carlinhos Machado também numa circunstância emergencial, e Sérgio Luongo; Rey Bass e Alê Bass, que cobriram minha ausência quando fiquei doente.

3) Membros da Magnólia Blues Band :

Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Bruno Mello; Carlinhos Machado & Luiz Domingues
 
A) Bruno Mello - Meu agradecimento a este grande cantor, que veio inicialmente para ser mais um convidado de honra de uma edição da "Quarta Blues", mas que foi repetindo atuações ao ponto de o considerarmos o quinto membro dessa banda, mesmo não tendo percorrido toda a sua trajetória. Por sua atuação como cantor e pelo poder de suas sugestões, desempenhou uma colaboração muito grande, trazendo uma nova fase à banda, com repertório alternativo de forte apelo pop, vindo a calhar pelas necessidades sonoras que desenharam-se naquele momento, em termos da obrigatoriedade da banda coibir volume e ímpeto, apresentando-se de maneira acústica. Sua participação foi entre junho e outubro de 2015, mas a amizade solidificou-se ad eternum, tenho certeza. 
                    Alexandre Rioli, em foto de Lincoln Baraccat

B) Alexandre Rioli - Tecladista de formação Blues / Rock'n Roll, bom de Boogie-Woogie, muito acrescentou à banda com seu piano sempre cheio de nuances coloridas. Dono do Magnólia Villa Bar, foi o idealizador da banda e do Projeto "Quarta Blues". Sou-lhe grato pela oportunidade; acolhida em sua casa, estendendo ao usufruto de sua infraestrutura, mas sobretudo ao seu piano enriquecedor nas centenas de músicas que tocamos ali naquelas quartas.
Carlinhos Machado, baterista superb & gentleman. Foto : Lara Pap

C) Carlinhos Machado - Nosso baterista é um dos maiores gentleman que já conheci. Um sujeito solícito, super humano, amigo de todas as horas. Sou-lhe grato pelas noitadas todas que fizemos juntos nessa banda, e aproveito para agradecer-lhe pela solidariedade nos momentos difíceis que tive em 2015 e 2016, por conta de meus problemas de saúde, e onde ele gentilmente deu-me suporte, ajudando-me numa fase onde a proibição médica de carregar peso fez-se premente e assim, Carlinhos foi um amigão em dar-me essa força braçal nas horas difíceis. O lado bom desta parte do relato é que não estou escrevendo em tom de despedida, visto que encerrada as atividades da Magnólia Blues Band, estou a pleno vapor com ele em outras duas bandas ("Os Kurandeiros; e "Ciro Pessoa e Nu Descendo a Escada"), sendo assim, minha parceria com Carlinhos seguirá por muito tempo, assim espero. 
                        Kim Kehl, em foto de Lincoln Baraccat

D) Kim Kehl - Nosso guitarrista, por ter forte conhecimento na área do Blues, naturalmente tornou-se nosso pilar para esse projeto dar certo. Com o Kim na banda, era mais de 50% de certeza de que tudo daria certo, independente dos convidados a cada semana, pois tocávamos seguros com ele no leme da embarcação. Tudo o que eu disse sobre o Carlinhos, serve ipsis litteris para o Kim, e acrescento que graças aos seus esforços pessoais, e de sua esposa, Lara Pap, a Magnólia Blues Band teve carreira amplamente documentada, contando com um acervo de fotos e vídeos de toda a sua carreira. Tudo está disponível no seu canal pessoal do You Tube e muitos (não todos, tem muito mais), eu reproduzi nos capítulos da história da banda.

E mesmo caso, espero prosseguir em sua companhia por muito tempo, nas outras bandas onde tocamos na atualidade ("Os Kurandeiros", e "Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada").

Bem, como já enfatizei, está banda pode voltar e gerar mais histórias. Se acontecer, serão registradas devidamente nesta autobiografia. Uma particularidade não musical, esta banda (assim como os Kurandeiros enquanto trio - eu, Luiz; Carlinhos & Kim), é uma banda inteiramente formada por palmeirenses. A Magnólia Blues Band é uma banda alviverde 100%, fato raro na minha carreira, onde sempre atuei em bandas bem misturadas em termos de paixões clubísticas, e tal fato só foi parcialmente interrompido com a presença do Bruno, torcedor do Fluminense, mas a porção verde de seu time é bem vinda, logicamente.

Está encerrada a história da Magnólia Blues Band, mais uma banda em que tive orgulho de ser componente, e que enriquece a minha trajetória geral. Ficam em abertas as histórias de Os Kurandeiros; e Ciro Pessoa & Nu Descendo A Escada.

Aqui encerra-se o relato da minha autobiografia, centrada no período entre abril de 1976 e abril de 2016. Na próxima postagem, o leitor encontra uma explicação sobre os passos adiante que ofertarei, com material adicional e adendos da carreira em plena andamento.

Grato por ler, meu amigo !

Até logo...

sábado, 9 de abril de 2016

Magnólia Blues Band - Capítulo 3 - Susto; Ausência & e Perda da Eletricidade

Quase fui para "o lado de lá", mas após 12 dias de internação no Hospital São Paulo, e duas cirurgias delicadas. Tive alta parcial no dia 18 de abril de 2015. Por quase quarenta dias, fiquei muito debilitado, demorando até para andar dentro de casa, quiçá pensar em voltar a atuar com as bandas em que tocava. Uma oportunidade no final de maio, impulsionou minha volta, mas para uma apresentação dos Kurandeiros (já comentada no seu devido capítulo). Estava ainda muito fraco e mesmo sendo curto, foi difícil realizá-lo nesse estado precário em que encontrava-me. 
Mas com a Magnólia Blues Band, minha volta só ocorreu no início de junho. No período em que estive ausente, os colegas mantiveram o projeto de pé, a não ser nas duas primeiras semanas, onde houve um cancelamento puro e simples. Mas com as notícias sobre a gravidade do meu caso chegando para eles, resolveram convocar músicos substitutos num revezamento, casos de Sérgio Luongo; Rey Bass, e Alê Bass, além de alguns convidados regulares apresentarem-se, caso do excelente guitarrista, Claudio "Moco", por exemplo. Pensei em consultar os amigos e pedir-lhes dados concretos de datas e nomes dos convidados para anotar aqui, mas pensando bem, creio que sendo a minha autobiografia, e o meu ponto de vista na história toda, isso não faria muito sentido. Creio ser suficiente o que já disse sobre os amigos que gentilmente substituíram-me nesses dias difíceis, e a determinação dos colegas, Kim; Carlinhos e Alexandre, em manter o projeto em plena atividade, apesar da minha ausência por motivo de saúde. Mas nesse ínterim, apesar da boa medida de prosseguirem, o projeto sofreu um duro golpe. Denunciado por um vizinho encrenqueiro, e tratando-se do mesmo indivíduo que reclamava acintosamente do "barulho" que as "Quartas Blues" produziam e que deviam atrapalhar sua atenção às novelas e partidas de futebol na TV, a casa sofreu uma sanção. Curiosamente, não queixava-se das noites de samba e gafieira que varavam as madrugadas do mesmo estabelecimento às quintas; sextas e sábados, com orquestras tocando ao vivo, com muita percussão e instrumentos de sopro estridentes.  

Não gostava de Blues e Rock'n Roll ? O problema era a guitarra ? Ou era o fato de que nas quartas desejava assistir seu futebol sem solos de guitarra a atrapalhar-lhe e assim poder torcer e ouvir os locutores e comentaristas esportivos da TV ? Talvez um misto das três hipóteses... 
O fato é que desta vez o vizinho incomodado pegou pesado e fiscais do "Psiu", o órgão da Prefeitura de São Paulo que fiscaliza o nível de ruído nos estabelecimentos noturnos da cidade, apareceu e lavrou uma multa pesada, lacrando a casa por tempo indeterminado. Fui informado dessa situação ainda no hospital, enquanto recuperava-me e lastimei, é claro. Quando voltei para a casa, a situação era de cancelamento ainda, mas logo uma ideia surgiu no horizonte. 
A casa voltou a funcionar, mas sob severo controle da emissão de decibéis porque o Alexandre Rioli lançou a ideia do projeto voltar sob forma acústica, minimizando o incômodo com o vizinho, mas resistindo, não deixando que terceiros alheios ao que fora ali construído destruísse-se pura e simplesmente. Nesses termos, sabedores de que nós três, os membros dos Kurandeiros e da Magnólia Blues Band, já havíamos feito apresentações "acústicas" antes em outras circunstâncias, ninguém surpreendeu-se ou receou pelo resultado sonoro que obteríamos numa ação dessas.
Na primeira experiência que tivemos nesse sentido, em 3 de junho de 2015, fizemos uma apresentação tranquila e até exagerada, pois o Carlinhos não levou bateria e apresentou-se tocando um "cajon".

Instrumento bastante limitado de percussão, "quebra o galho", fazendo uma simulação de bateria rudimentar, mas quase nenhum baterista gosta de tocá-lo, pela óbvia limitação que ele tem.

Por outro lado, eu estava ainda muito debilitado, mas feliz por estar voltando a fazer parte da "Quarta Blues" e feliz pela recepção calorosa dos amigos e funcionários da casa, que certamente souberam do meu problema de saúde. Feliz também porque sobrevivi, estava voltando a tocar e colocando minha vida virtual em dia, igualmente, incluso avançando com a finalização desta autobiografia e acredite, amigo leitor, temi pela sua não conclusão e isso aborreceu-me bastante no período em que fiquei em suspensão pessoal pela doença e pelo desfecho, com as possibilidades concretas oscilando entre um colapso final ou reabilitação muito difícil. Portanto, mesmo sendo uma versão bem diferente das mais de sessenta noitadas que havíamos feito anteriormente ali naquele palco, eu estava feliz. E de fato, alheio ao meu problema pessoal, o projeto inaugurava também uma nova fase de sua história. 
Foto da primeira apresentação da Magnólia Blues Band em sua nova fase acústica e com minha volta à banda, ainda enfrentando a lenta recuperação da minha convalescença, e por tal longo período, apresentando-me sentado. Foto : Lara Pap

O formato "acústico", para adequar-se às necessidades sonoras da casa, tornar-se-ia a nova rotina e a dinâmica de um convidado por semana não existiria mais, formalmente, mas muita gente boa participaria, certamente, no futuro próximo. E de minha parte, a longa convalescença que passou a determinar que eu tocasse sentado doravante, desgastando-me menos. Então foi assim a minha retomada na Magnólia Blues Band, com um bom público presente, e o formato "acústico" significando um violão; cajon e meu baixo plugado direto na mesa do P.A., evitando amplificador... no meu caso era horroroso tocar na linha, mas... melhor assim que não tocar, não é mesmo ? Voltamos nessa rotina, portanto, da tradicional "Quarta Blues", e a boa nova, além da minha participação, foi que os fiscais do "Psiu" não aparecerem mais, e o formato acústico assegurava um nível de decibéis que não havia como incomodar a vizinhança.
 
 
Em 10 de junho de 2015, tocamos novamente nas mesmas condições e chegamos a conclusão de que o cajon limitava demais a sonoridade e que não haveria problema se o Carlinhos usasse uma bateria normal, desde que reduzida, com poucas peças e usando vassourinhas e não baquetas tradicionais.
Já no dia 17 de junho de 2015, tivemos as primeiras visitas, ainda que não como convidados oficiais como antigamente. Um deles foi o amigo Fulvio Siciliano, que nem precisava de convite, naturalmente. O outro foi surpreendente numa primeira instância, mas logo descobrimos a sua razão de ser. Um rapaz apareceu com uma guitarra na mão, e ninguém conhecia-o. Ficou ali sentado e parecia esperar ser chamado para atuar conosco. Seu nome era Guilherme Ramazotti.  
Só depois soubemos pelo Alexandre, que uma promoção havia sido feito pelo site da casa, e tal garoto fora o contemplado a assistir e participar da Jam, mas tal informação chegou confusa para nós e daí a surpresa e também para ele, pelo visto, já que estávamos nessa fase acústica, e ele ali com uma guitarra elétrica em mãos, não haveria como participar. Mesmo assim, Fulvio Siciliano foi gentil e emprestou sua guitarra semiacústica, e o rapaz tocou.
Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Guilherme Ramazotti; Alexandre Rioli; Fulvio Siciliano; Luiz Domingues e Carlinhos Machado. Foto : Lara Pap

Na semana seguinte, uma nova fase do projeto começaria, mas desta vez, por um fato espontâneo, e que marcaria uma etapa bastante prazerosa para nós.
Teríamos uma participação especial na semana seguinte, e desta feita tratava-se de um artista convidado pelo Alexandre Rioli, quebrando o padrão anterior onde geralmente o Kim tomava a dianteira de fazer o convite inicial, e numa segunda instância, eu e Carlinhos também fizemos alguns convites em 2014. Tal cantor chamava-se Bruno Mello, e era um cantor carioca que também trabalhava em indústria corporativa e estava em São Paulo fazendo um trabalho por tal empresa, e amigo do Alexandre, aceitou de pronto o convite em vir cantar conosco.
Ótimo cantor e gente boa demais, Bruno Mello ao microfone na foto acima, logo tornou-se nosso amigo. Foto : Lara Pap

Acostumado a cantar na noite carioca com sua banda, Bruno parecia ser apenas mais um convidado a entrar na lista dos que convidamos, mas não foi assim o que ocorreu e mal sabíamos, mas seria o início de uma parceria das mais profícuas.
No dia 24 de junho de 2015, Bruno veio e adaptou-se rapidamente ao nosso esquema de improviso total, e apenas pediu para cantar duas canções de fora dos nossos planos, que o Kim preparou. Uma, era uma canção de uma banda pop relativamente moderna, chamada "Keane" ("Everybody's Changing"), e a outra canção era uma balada igualmente pop radiofônica, mas esta dos anos oitenta, do "Whitesnake" ("Is This Love").
Ambas eram bem fora do nosso esquadro, naturalmente, mas não haveria nada de mal em incluí-las, claro que nosso convidado tinha apreço por ambas e deveria cantá-las com entusiasmo.

Everybody's Changing" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=63XiguoaluE 



"Is This Love" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=bUVw82oQxG0 

A noite foi ótima e lembrou bastante o espírito das noitadas de 2014, embora estivéssemos num formato acústico bastante comedido doravante, e eu naquela situação de debilidade física, infelizmente. Simpático, comunicativo e muito brincalhão, Bruno Mello estabeleceu sinergia instantânea conosco. Mas até então, quando a noite acabou, não suspeitávamos que essa parceria seria estabelecida de uma forma contínua, e não em apenas uma apresentação sazonal. Nessa mesma noite, o garoto Guilherme Ramazotti apareceu novamente, e desta vez munido de um violão, sabedor que a "Quarta Blues" agora não poderia ser mais elétrica.

O rapaz tocou algumas canções conosco, naturalmente, e eu apreciei ver sua persistência e coragem em querer tocar, não inibindo-se em voltar ao Magnólia Villa Bar, numa segunda oportunidade, mas sobretudo por não envergonhar-se em tocar com músicos experientes como nós, cinquentões caminhando para a idade sexagenária.

Da esquerda para a direita, Kim Kehl; Luiz Domingues; Alexandre Rioli; Bruno Mello; Guilherme Ramazotti e Carlinhos Machado, na noite de 24 de junho de 2015.

"Feelings", com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=StsvBpU1AzU


"Rock'n Roll Lullaby", com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=HWSWCZm8dhk
"Everybody is Talking", com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=nGZgpLFeTHg

Quando chegou a quarta seguinte, fomos informados que Bruno Mello participaria de novo. Ele estava vivendo uma rotina em sua empresa, em passar a semana em São Paulo, e só voltar ao Rio para rever a sua família nos finais de semana, portanto, estando toda quarta disponível, ou quase toda, pois vez por outra teve que viajar para cidades interioranas a trabalho, desfalcando-nos.
Mas foi assim então, meio de improviso e sem alarde, que percebemos que Bruno Mello havia efetivado-se como membro da Magnólia Blues Band, praticamente.

"Still You Turn me On", com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=cufa_KP9dVQ 

"If", com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=KPEk6xt35L0

E isso era ótimo, pois além de ser um bom cantor, Bruno revelou-se um grande amigo que estabeleceu um entrosamento total conosco.
Sob o ponto de vista musical, sua entrada foi responsável por mudanças na nossa linha de atuação.

"Smile" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=mzrygMwCG3k 

"Lay Down Sally", com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=qqZcqAAST-g

"Eu ando tão Down" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=AzNvoy3Jw6U

"Guitar Man" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=13HNuQP23uw 

Claro que ele gostava de cantar e com desenvoltura, clássicos do Blues e do Rock'n Roll, as molas mestras do nosso projeto, mas também propôs a inclusão e o Kim apreciou essa abertura, pois passamos a tocar certas canções absolutamente inusitadas e que inclusive incorporaram-se ao repertório dos Kurandeiros, igualmente.
Peças musicais como "Rock'n Roll Lullaby"; Guitar Man; "Year of the Cat"; "Just the Way You Are"; "I Never Cry"; "The First Cut is the Deepest"; "If"; "Without You"; "Sylvia; "Eu Ando tão Down", e até "Feelings", entraram na base do puro improviso, e foi muito surpreendente verificar como agradaram em cheio ao público.
Aliás, "surpreendente" não é a melhor palavra, pois embora o evento fosse calcado no Blues, o público normal ali presente nunca foi de aficionados radicais, mas eclético, aberto a ouvir música de outras vertentes.
A Magnólia Blues Band em 29 de julho de 2015. Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Alexandre Rioli; Bruno Mello; Luiz Domingues e Carlinhos Machado.

Portanto, essa incorporação de tantas canções oriundas de um cancioneiro não necessariamente da raiz do Blues, foi um achado e esse mérito o Bruno teve ao proporcionar-nos tais inserções.
E claro, naturalmente que ele apreciava-as, e elas moldavam-se ao seu alcance vocal e timbre. E até Rock Progressivo setentista foi anexado... jamais poderia imaginar que tocaria "Still, You Turn me On", do "Emerson; Lake & Palmer", numa Quarta Blues...
Muitas canções do Eric Clapton ("Bell Bottom Blues"; "Wonderful Tonight"; "Change the World"; "Layla"; "Lay Down Sally"...), também anexaram-se, mas nesse caso, era tudo material que o Kim tinha na ponta da língua, por também conhecer bem a carreira do grande guitarrista inglês etc e tal.
Bem, e assim nossas apresentações foram ficando cada vez mais bacanas. Tocamos nos dias 1º; 8; 15; 22; e 29 de julho de 2015.
Já muito amigo, estávamos muito entrosados e toda quarta era um prazer contar com sua voz, mas também com sua companhia sempre animada. Foram ótimos os papos; as risadas que demos juntos; os "causos" contados etc etc. Seguimos firmes em agosto, nos dias 5; 12; 19, e 26.
Mais músicas inusitadas foram entrando. Uma versão de "Smile", do Charlie Chaplin, tocada em versão Soul Music, era muito agradável de ser executada. Isso abriu caminho para que tocássemos outras trilhas de filmes ("Arthur, o Milionário"; e "Everybody is Talking, do filme "Midnight Cowboy"), e claro que era legal.

"Just the Way You Are" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=EebOL_S0ryk

"I Never Cry" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=hQeLDl8BQMw

"Sylvia" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=1RLeR0ugvQw
Luiz Domingues & Osvaldo Vicino : metade do "Boca do Céu" reunido em 2015, 39 anos depois de sua fundação !!

 
 Ainda em agosto, tive uma visita maravilhosa numa dessas "Quarta Blues"... Osvaldo Vicino, meu velho amigo, guitarrista da minha primeira banda, o "Boca do Céu", havia contado-me que gostaria de rever-me para colocarmos a conversa em dia (puxa, e fora as redes sociais, onde conversávamos  desde 2012, aproximadamente, não encontrávamo-nos pessoalmente desde 1978, portanto, haja conversa para por em dia...). Fiquei muito feliz quando vi-o adentrando o Magnólia, e mesmo não sendo possível conversarmos muito, foi um grande momento que passei, sem dúvida alguma.

Como já salientei no capítulo sobre o Boca do Céu, o primeiro desta autobiografia, o Osvaldo foi o iniciador de tudo para eu tornar-me músico, pois até então, tudo era vago, apenas um devaneio, um sonho etéreo que alimentava desde 1974, 1975...

Graças a ele, em abril de 1976, quando convidou-me para formar uma banda "de verdade", foi a porta que abriu-se para que eu fosse de fato concretizar etc. 
Osvaldo Vicino & Luiz Domingues, em 2015, representando o Boca do Céu de 1976 !!

Que prazer portanto, revê-lo nessa noite e só fiquei chateado por estar em estado de debilidade física, recuperando-me das cirurgias que fizera recentemente e portanto, tocando sentado, de forma comedida. Seguimos em setembro nessa rotina, tocando nos dias 2; 16; 23 e 30. Somente no dia 9, não contamos com sua presença (Bruno), devido às suas idas esporádicas para cidades interioranas. 
Bruno falava-nos sempre que o trabalho na empresa era massacrante, com a devida pressão por resultados, que é típica do mundo corporativo. E nesses termos, dizia-nos abertamente que o final de semana no Rio com sua esposa e filha, e as quartas cantando com nossa banda, estavam sendo sua válvula de escape para administrar o stress. Imaginávamos o quanto era salutar para ele participar e de nossa parte, era sempre um prazer contar com sua presença

"Georgia on my Mind" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=hYDiCWDN8KQ

"The First Cut is the Deepest" com a Magnólia Blues Band + Bruno Mello

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=fO-UJrIvTsQ

De certa forma, sua figura e sua situação, faziam-me recordar do Paulo Eugênio Lima, vocalista do Terra no Asfalto, banda onde toquei no longínquo período de 1979 /1982. Bruno lembrava-me muito o Paulo Eugênio pelo fator de ser um bom cantor; comunicativo; extrovertido e também por ter uma vida dividida entre a música e o trabalho no mundo corporativo. Em outubro, tocamos juntos nos dias 7; 14 e 21. No dia 21, além do Bruno Mello, tivemos a presença ilustre do vocalista Willie de Oliveira, ex-backing vocalista das bandas "Tutti-Frutti" e "Cães & Gatos", da Rita Lee, nos anos setenta, e posteriormente, vocalista do "Rádio Táxi", nos anos oitenta. Claro que cantou conosco, também.
Confraternização final, com a foto clássica de recordação final da noitada. Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Willie de Oliveira; Alexandre Rioli; Bruno Mello; Carlinhos Machado e Luiz Domingues. Última apresentação de Bruno Mello como vocalista da Magnólia Blues Band, nessa noite de 21 de outubro de 2015 

Mas infelizmente, o dia 21 de outubro marcou a última apresentação de Bruno Mello conosco, em 2015. Terminado o seu trabalho em São Paulo com a empresa, Bruno voltaria a dar expediente no Rio de Janeiro e doravante, salvo um novo deslocamento, ou viagem pessoal, não teria mais que estar em São Paulo. Perdermos o nosso "crooner" e todos ficamos chateados com sua partida, mas foi algo inevitável. Dali em diante, Bruno manteve a amizade via mundo virtual e sempre postou comentários de apoio às novas apresentações, fora brincadeiras etc. Terminou uma "Era", mais uma para a Magnólia Blues Band e hoje posso afirmar que essa fase deu-nos fôlego para firmar a ideia das apresentações acústicas, portanto foi providencial o Bruno ter entrado na banda dessa forma inesperada, pois graças a sua presença e influência, um repertório pop com baladas até inusitadas, deu um novo rumo para a banda, segurando a transição que fomos obrigados a fazer pelo fato de estarmos proibidos de usar a eletricidade de outrora. E na  minha situação, tocar Soft Rock no meu estado de saúde claudicante, apresentando-me sentado e sem nenhuma volúpia Rocker, veio a calhar esse repertório de FM ao cair da noite...

Claro que ficamos chateados com a partida do amigo Bruno Mello.
Acostumamo-nos com sua presença no palco; sua voz, e sobretudo a amizade que estabelecemos diante de sua camaradagem e companheirismo total. Mas a vida tinha que seguir, e o projeto aguardava-nos toda quarta no palco do Magnólia Villa Bar. No dia 28 de outubro, voltamos a apresentarmo-nos em trio. Nem o Alexandre pode comparecer para reforçar o som com seus teclados.


Passado o feriado de finados, no dia 11 de novembro, uma participação inusitada ocorreu. Não foi a primeira vez que isso aconteceu-nos, mas o fato é que um rapaz da plateia saiu da sua mesa em dado instante da nossa apresentação e com uma gaita em mãos, subiu ao palco e deu seu recado. Não parecia ser músico profissional, mas foi bacana a iniciativa, e certamente que deve ter atingido o seu objetivo que era impressionar sua bela namorada, que ficou na mesa toda orgulhosa. Não anotei seu nome, inteiro, só lembro-me dele ter dito que chamava-se Marcelo. Mais duas noites em trio sucederam-se, nos dias 18 e 25 de novembro de 2015.
Em 2 de dezembro de 2015, recebemos a visita do casal Ciro Pessoa & Isabela Johansen. Ciro não quis cantar, Mas Isa veio para o palco e cantou "Light my Fire" do The Doors, conosco.
Lastimavelmente, foi a última interação musical que tivemos com nossa amiga, pois algumas semanas depois o casal concretizou sua separação, e consequente saída da Isabela da nossa outra banda, o "Nudes". Mas claro, essa história em particular está esclarecida no capítulo da minha trajetória com Ciro Pessoa & Nudes, todavia, obviamente sem entrar no mérito da separação do casal.

Voltamos a tocar na Quarta Blues como trio, nos dias 9; 16 e 20 e no dia 23 de dezembro, fizemos a última edição de 2015, tendo o Alexandre Rioli conosco e assim revivemos ali o nosso repertório clássico dos primeiros tempos, com o Blues como pilar máximo, mas passeando pelo Rock'n Roll e outros gêneros, também, naturalmente.

O ano de 2015 findou-se e o projeto seguiu, apesar das intempéries. Minha ausência pela doença que acometeu-me no início do ano e os problemas que a casa teve com fiscalização de ruídos noturnos, obrigaram-nos a mudar suas características iniciais de 2014. Mas, era para orgulhar-se como todos os envolvidos no projeto não deixaram-se abater, e a Quarta Blues prosseguiu.

Deixo aqui também o meu agradecimento pessoal pela paciência e extremo companheirismo de Kim Kehl; Carlinhos Machado; Alexandre Rioli, os membros do Magnólia Blues Band e mais Lara Pap, nossa produtora; além de Lídia Forjaz (gerente); Edson Silva (técnico de som); a cozinheira Terezinha e demais funcionários da casa, que apoiaram-me e torceram pela minha recuperação.

Magnólia Blues Band + amigos + músicos amigos / 13 de janeiro de 2016

Em 13 de janeiro de 2016, fizemos a primeira apresentação do novo ano e tivemos as visitas de Cris Stuani e Ciro Pessoa, que naturalmente cantaram conosco.


Mais apresentações nos dias 20 e 28 de janeiro de 2016, como trio aconteceram. Abrimos o mês de fevereiro de 2016 nessa mesma dinâmica tradicional, mas na semana do carnaval, descansamos como bons Rockers / bluesman que não tem nada a ver com a farra do Rei Momo...
Em 17 de fevereiro, Ciro Pessoa compareceu e fez uma entrada inteira conosco, tocando o repertório dos "Nudes". Recebemos também a visita do baterista do "Ultraje a Rigor", Marco "Bacalhau" Aurélio, que tocou uma música conosco.


Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Ciro Pessoa; Marco "Bacalhau" Aurélio; Carlinhos Machado e Luiz Domingues 

David Bowie havia desencarnado há poucos dias, e Ciro cantou "Moonage Daydream" conosco. Bem, adoro essa canção e o Bowie, portanto, foi bem legal passar essa energia ao universo, onde sei que tal emoção chegou ao nosso mestre camaleão.
Na semana seguinte, o Kim tinha um compromisso inadiável. Foi participar de uma liturgia sagrada, louvando São Keith Richards... por azar nosso (mas sorte dele), o ingresso que ele tinha para assistir o show dos Rolling Stones era para a quarta, e não para o sábado, portanto, fizemos uma Quarta Blues sem sua presença.




Com Fulvio Siciliano pilotando a guitarra, enquanto Kim Kehl estava no estádio louvando Keith Richards & Cia., tivemos também a presença de um cantor da pesada e ultra gente boa, na figura de Sérgio Cândido dos Anjos. Fotos : Lara Pap

Apesar disso, foi bem legal fazer a noitada com o Fulvio Siciliano na pilotagem do violão, e que no caso foi uma guitarra muito baixinha para não ferir o pacto de silêncio que estabelecemos para não colocar a casa em risco com os fiscais do "Psiu". E ele tomou a liberdade de convidar um amigo seu, chamado Sergio Cândido.

"Crossroads" com a Magnólia Blues Band + Fulvio Siciliano + Sergio Cândido dos Anjos

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=_jtupNSi9jY 



"Mary Have a Little Lamb" com a Magnólia Blues Band + Fulvio Siciliano + Sergio Cândido dos Anjos

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=zxRHj3ZjG94 




"Nothing but a Woman" com a Magnólia Blues Band + Fulvio Siciliano + Sergio Cândido dos Anjos

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=qky2U_sGhQc

 
Nosso baterista, Carlinhos Machado, mais Fulvio Siciliano e Sergio Cândido dos Anjos, haviam sido companheiros numa banda chamada "Blue Trip", que rodara pela noite no início dos anos noventa, portanto, foi muito legal ver como ficaram animados em reencontrar-se e tocar juntos, depois de tantos anos.  


"Wonderful Tonight" com a Magnólia Blues Band + Fulvio Siciliano + Sergio Cândido dos Anjos

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=aOUJx-j74GM
 
Sergio Cândido dos Anjos revelou-se um cantor sensacional, e uma figura extremamente simpática, tornando a noite ótima, apesar da ausência do Kim e do Alexandre. Na semana seguinte, nosso amigo Kim estava conosco de novo. Empolgado por ter visto os Rolling Stones em ação, contou-nos suas impressões sobre o show, e foi um prazer ouvi-lo ao contar-nos.


Com um violão dobro em mãos, a noitada de 2 de março de 2016 não poderia ter sido melhor, pois foi uma noitada de Blues em essência, e honrou a tradição pela qual essa banda fora fundada...
E assim sucedeu-se também nos dias 9 e 16 de março de 2016.
No dia 16, foi a última apresentação de março com a minha presença, pois no dia 17, internei-me novamente com o objetivo de realizar uma nova cirurgia abdominal. A decorrência das duas cirurgias que fiz em 2015, abriu a possibilidade de uma hérnia crescer na parede interna do meu aparelho digestivo / intestinal, e nesses termos, desde o final de 2015, vinha sentindo incômodo, e quase sempre tocando sentado nas três bandas onde estava atuando. Recuperei-me de uma forma bem mais amena desta feita, perdendo apenas duas edições da "Quarta Blues". Numa delas, o amigo Sérgio Luongo foi gentil em substituir-me, mas na segunda ocasião, ele mesmo não podia atuar, por também ter que parar para submeter-se a uma cirurgia, ironia do destino...


Nesse caso, Kim e Carlinhos apresentaram-se em formato duo, também sem o Alexandre aos teclados. 

Voltei no dia 6 de abril de 2016, e com alegria, o quarteto clássico da Magnólia Blues Band apresentou-se. Particularmente senti-me feliz com uma volta muito mais rápida que a de 2015, e assim a noite foi de simbolismo forte nesse sentido.

No dia 13 de abril de 2016 fizemos mais uma apresentação tradicional, e com a presença do Alexandre. 

Mas os ventos da economia e da política, que já sopravam de forma tenebrosa há tempos, intensificaram-se nesses meses de março e abril de 2016, no Brasil, e tornando-se mesmo uivantes, digamos assim, decretaram o fim do projeto, com pesar de todos. Mudando radicalmente o perfil do Magnólia Villa Bar, a casa agora estava mudando seu foco para o restaurante, e não para os shows musicais, e assim encerrou-se a saga da Quarta Blues, e consequentemente, a formação da Magnólia Blues Band. Alexandre Rioli no entanto, deixou uma porta aberta para que no futuro a banda apresente-se em ocasiões sazonais ou mesmo volte à ativa, se a casa voltar a ter perfil musical acentuado, e prevenir-se contra a expansão do ruído, ao não ter mais problemas com a vizinhança e fiscalização da prefeitura. Todos torcemos para que isso ocorra e assim, novas histórias da Magnólia Blues Band poderão ser escritas. Por enquanto, a apresentação do dia 27 de abril de 2016, entra para a história como a última da banda.

Fotos da última apresentação da Magnólia Blues Band, em 27 de abril de 2016, de Jani Santana Morales


Portanto, encerro aqui, a história da minha trajetória com a Magnólia Blues Band. Fica a ressalva de que essa banda pode voltar para apresentações sazonais ou regulares, a qualquer momento.

Para efeito de continuidade da autobiografia, adendos dos capítulos de Kim Kehl & Os Kurandeiros e Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada, minhas bandas na ativa neste momento de abril de 2016, serão escritos no futuro, conforme já deixei estabelecido nos capítulos finais dessas duas bandas. Agradeço aos leitores pela atenção até aqui, e espero contar com todos, quando lançar as atualizações devidas de outras histórias que estão abertas, em plena construção.

Hora de falar dos personagens dessa história da Magnólia Blues Band...

Continua...