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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Patrulha do Espaço - Capítulo 26 - Com o pacto recomposto - Por Luiz Domingues

Exatamente como eu sempre saliento quando encerro um capítulo inédito sobre a Patrulha do Espaço, em decorrência de um fato novo que surge, esta, entre todas as minhas ex-bandas de carreira, é uma das, senão a maior propagadora de novidades adicionais, tamanho é o seu poder de resgatar de uma forma muito natural, material raro produzido por suas muitas formações e a nossa, a dita "chronophágica" não foge a essa boa regra.

Se em 2023 eu repercuti o lançamento do luxuoso álbum ao vivo gravado nos idos de 2018, como a última ocorrência a ver com a minha formação, eu sabia de antemão que a priori, havia muito mais material coletado com gravações de shows cumpridos entre 2018 e 2019, para ser aproveitado e nesses termos, eu não descartaria o lançamento de mais um disco ao vivo, ou no mínimo, que essa produção que foi extensa e mediante ótima qualidade de áudio, suscitasse muitas músicas lançadas sob o caráter "ao vivo" com possibilidade de serem inseridas em coletâneas ou como faixas bônus de eventuais discos de estúdio gravados pela atual formação da banda. 

No entanto, eis que por volta de setembro de 2023, fui procurado pelos meus amigos, Rolando Castello Junior e Marcello Schevano, que me consultaram sobre a possibilidade de eu lhes fornecer material em geral, fotos sobretudo, dos bastidores da gravação do CD ".ComPacto" cujas sessões de gravação ocorreram em 2001.

Infelizmente, o material sobre essa produção é extremamente escasso e o pouco que temos é exatamente o que está publicado no meu Blog 3, ou seja, com tal veículo a se tratar do museu virtual da minha carreira musical. Bem, a despeito desse parco material possível, é claro que os atendi prontamente. 

Em princípio, eles não esclareceram nada a respeito de sua busca específica por tal material, no entanto, nem foi necessário, pois ficou claro para mim, que havia a intenção de preparar uma remixagem e remasterização da obra, e possivelmente mediante uma embalagem luxuosa, para relançá-lo possivelmente em 2024.

Passado mais um tempo, eis que o Marcello conversou comigo e enviou-me um vídeo curto a demonstrar que estava a trabalhar exatamente nessa tarefa, a bordo do seu estúdio de alto padrão, o Orra Meu.

Eis o vídeo citado acima, onde se vê a simpática e competente persona de Gustavo Barcellos, técnico muito gabaritado e que atuava há anos nos estúdios Orra Meu, a trabalhar no processo de remixagem e re-masterização do álbum ".ComPacto" da Patrulha do Espaço. Segundo semestre de 2023. Filmagem e cortesia: Marcello Schevano

Abaixo, está o link para assistir no YouTube, diretamente:

https://www.youtube.com/shorts/tB_QDZfBh-0

A me explicar melhor, ele contou-me que havia recuperado as fitas originais e sim, conforme eu narrei há muitos capítulos anteriores, esse foi o último álbum que a Patrulha do Espaço gravou da maneira tradicional antiga, ou seja, mediante padrão analógico. 

E assim, embora esse disco em específico tenha sido gravado sob circunstâncias dramáticas na época, a perspectiva de passar por uma boa tentativa de melhora, já me deixou animado. Claro, eu sabia que não dava para fazer nenhum milagre, pois a captura foi obtida com muitas dificuldades técnicas em 2001, no entanto, mediante a tecnologia avançada de vinte depois e ante um estúdio sofisticado como era o Orra Meu, além do amparo dos técnicos que ali atuavam, incluso o próprio Marcello, eu fiquei certo de que uma melhora substancial poderia ocorrer.

O certo mesmo seria entrar com a banda no estúdio, ali no Orra Meu e regravar tudo, mas ante o fato da nossa formação não existir mais desde 2004, a possibilidade de se agendar esforços nesse sentido seria bem difícil, entretanto, no mínimo, um banho de tecnologia atualizada ao sabor de 2023/2024, haveria de corrigir a timidez da potência sonora com a qual esse disco foi gravado e mixado entre em 2001 e 2002, para ter sido lançado em 2003.

Enfim, mexer nos timbres dos instrumentos propriamente ditos, da captura feita em 2001, não seria possível, mas imprimir compressão, passar por re-equalização e por outros paramétricos modernos possíveis na realidade de 2023, tais medidas haveriam de melhorar muito o padrão geral do disco.

Em suma, tomei como alvissareira a perspectiva, certamente.

Em janeiro de 2024, vi uma publicação do Rolando pelas redes sociais e soube que a produção já estava avançada, pois até capa nova e bem estilizada o disco já possuía e assim, uma pré-divulgação fora disparada. 

No âmbito privado, o Rolando conversou comigo e formulou-me o convite para que eu viesse a participar de um show oficial para esse relançamento, possivelmente a ser ocorrido em junho de 2024, com a formação chronophágica reunida novamente para tal ocasião. Claro que aceitei de bom grado o convite e assim, se abriu a perspectiva para mais um show da nossa formação e assim a esticar a minha história com essa banda, além do bom acontecimento do relançamento desse álbum.

Eis então que foi anunciado através das redes sociais da internet o lançamento da edição comemorativa pelos vinte e um anos de lançamento do CD ".ComPacto", de 2003. Foi por volta de fevereiro de 2024, que isso ocorreu e logo (na segunda quinzena de março), eu pude assegurar a minha cópia de recordação para que pudesse naturalmente examinar o seu conteúdo gráfico e principalmente ouvir o seu padrão de áudio mediante o banho de tecnologia que possibilitara lhe ofertar um resultado sonoro mais avantajado.

Antes mesmo de colocar o CD para rodar no "CD player", ao examinar a parte gráfica a conter capa, contracapa e encarte, fiquei impactado pela qualidade do material, mas não surpreso, pois conheço bem a mentalidade do Rolando Castello Junior e o quanto ele mantém como meta, apresentar os trabalhos da banda com o máximo de qualidade possível. 

Nesses termos, o encarte luxuoso muito dignifica esse relançamento também por esse aspecto e dentro dessa prerrogativa, há de se destacar a qualidade do texto. Já falei anteriormente ao longo da minha autobiografia que considero o Rolando um ótimo redator e por conseguinte, acho que ele tem talento para se tornar um escritor muito bom, portanto, a seguir o padrão de todos os encartes de discos da Patrulha do Espaço dos quais ele preparou o texto, mais uma vez a narrativa chama a atenção pela excelente assertividade, prosódia e a conter uma boa dose de emoção implícita, a revelar também o lado dele como romancista, ou seja, a criar emoção, mesmo que não esteja a tratar de uma história fictícia, mas a relatar um fato histórico da vida real. 

Acrescento que na prática, esses textos que ele registra para dar substância aos encartes dos discos, são na prática as memórias a envolver a história da banda, e por conseguinte, também de seus componentes e ex-componentes e dele próprio, é óbvio, portanto, fica o meu convite para que ele se debruce no computador e escreva logo a sua autobiografia, de fato, pois haverá de ser rica em dados e histórias e sem dúvida, muito bem escrita.

E assim, toda a história sobre a gravação do CD ".ComPacto" foi contada com sinceridade, ou seja a destacar as dificuldades técnicas que tivemos sob o ponto de vista financeiro, a precariedade do estúdio que usamos, a boa vontade do técnico Kôlla Galdez que ali trabalhava e por uma imensa sorte nossa, era fã da nossa banda e assim, deu o seu melhor para sanar as falhas técnicas de um estúdio em péssimo estado de conservação com o qual nos deparamos, para que a captura primordial se consolidasse naquele instante dramático para nós.

Falou também sobre o clima da banda naquele momento e eu concordo com o que ele observou, pois estávamos de fato, muito entrosados sob o ponto de vista musical, com a formação consolidada em torno de dois anos de trabalho intenso e assim, quando fomos gravar as músicas que compõem o CD .ComPacto, isso também foi um fator preponderante para suplantarmos as enormes adversidades técnicas que nos atazanaram naquele estúdio tão mal cuidado.

Façamos justiça, além do nosso preparo exemplar sob o ponto de vista musical e da extrema ajuda e entusiasmo da parte de Kôlla Galdez, é fato que os dirigentes do estúdio, foram camaradas conosco no frigir dos ovos no campo do acerto financeiro proposto e isso também foi observado no texto.

Há também a justa menção à participação do poeta, escritor e ativista cultural, Luiz Cichetto "Barata", que foi road manager da banda nos idos de 2002 até 2004, na concepção da capa original do CD ".ComPacto" de 2003, a envolver não apenas a sua participação intelectual nesse processo, mas a abranger também o esforço que ele operou ao nosso lado para materializar a confecção da capa do disco original no formato de uma velho compacto de vinil, algo que foi difícil para se obter nos idos de 2003, quando simplesmente não se encontrava mais nenhuma fábrica de vinis a conter a exclusiva "faca", ou seja, um artefato gráfico, na verdade uma guilhotina específica para cortar o papelão impresso para formatar a capa de um antigo "compacto".    

Rolando também menciona com atenção o trabalho do artista ilustrador, Marcos Mündell, que também é músico (percussionista). Ele foi o autor do logotipo em forma de brasão que ilustra a capa do CD original de 2003 e que foi devidamente reutilizado para este relançamento. 

Sobre o material fotográfico, o Rolando Castello Junior operou um autêntico milagre, pois mediante o parco material do qual dispúnhamos especificamente sobre as sessões de gravação desse álbum, ele reuniu o máximo que pôde e nesse caso a encontrar fotos que eu não tinha no meu acervo, o que muito me alegrou, certamente, para compor com algumas fotos de shows ao vivo da época e mesmo não necessariamente a ver com a época exatamente, além das fotos promocionais que foram usadas no CD original. 

Lastimo que não tenham sido encontradas as demais chapas da sessão de fotos de onde extraiu-se tal material, o que seria sensacional. Creio que a Ana Fuccia, nossa querida e grande amiga, que foi a fotógrafa desse trabalho, não tenha achado tal material no decorrer de 2023, infelizmente.

Ao seguir o padrão dos relançamentos de todos os discos da Patrulha do Espaço nos últimos três anos, ou seja, desde 2021, além do encarte super rico mediante inúmeras páginas, há também a presença de um invólucro, a conter uma apresentação formal do "kit" que ali se apresenta e com direito a uma diferenciação no seu verso, ou seja, a proporcionar um adendo para enriquecer ainda mais a questão visual do álbum.

Toda a parte de lay-out da parte gráfica ficou a cargo da minha amiga, Marta Benévolo, que é vocalista da Patrulha do Espaço há muitos anos e também é uma artista plástica extremamente criativa, portanto, a sua habilidade para idealizar e comandar a arte final das capas de discos, cartazes e todo material visual que a banda usa na sua produção, é exemplar e neste caso, ficou mais uma vez nítida a sua ótima participação com tal tarefa muito bem executada.

Sobre o áudio devidamente remixado e remasterizado, eu falo a seguir, inclusive a repercutir as boas surpresas que essa produção providenciou, no sentido de que abrilhanta ainda mais esse relançamento.

Se a parte gráfica eu já havia constatado que ficara um luxo mediante tal versão repaginada do CD ".ComPacto", doravante rebatizado como: "Compacto+/Maioridade", no quesito do áudio, eu escutei o disco dentro das minhas possibilidades caseiras prosaicas e certamente que levei em conta que os meus parâmetros possíveis eram muito modestos para poder ter uma audição à altura e consequente formação de opinião. Dentro dessa percepção pouco avantajada, cheguei à conclusão de que o esforço empreendido por Gustavo Barcellos e Marcello Schevano, se deu no sentido de inibir frequências graves e assim, melhorar a percepção auditiva dos médios e agudos, para se realçar os instrumentos harmônicos e as vozes, sobretudo.

Bem, eu não era técnico e ainda não sou, porém, sem de forma alguma querer me aventurar a tecer conjecturas de um assunto do qual pouco ou nada entendo, tenho em mente que ante um áudio tão prejudicado em sua origem, realmente não dava para operar nada muito diferente do que foi feito nesse esforço pós-moderno que eles exerceram.

Em suma, o pouco de som do baixo que havia na gravação original de 2001 (mas lançado em 2003), ficou nesta versão remixada e remasterizada, ainda mais obscurecido, ou seja, foi sacrificado em prol da melhoria de outros aspectos dessa gravação.

Falei isso ao Marcello, en passant, quando eles ainda trabalhavam nessa remixagem, e ele me perguntara discretamente o que eu estava a achar sobre tal esforço mediante um breve vídeo que me enviara do trabalho então em andamento e eu opinei sobre essa minha impressão, mas ele não confirmou, tampouco refutou a minha percepção superficial. Tudo bem, não fiquei chateado, pois sei o quanto essa gravação foi sofrida em 2001. 

Em meados de maio de 2024, eu pude fazer uma audição do CD em um estúdio profissional bem equipado, talvez não com o grau de sofisticação sonora do estúdio Orra Meu, mas com um padrão muito bom para uma audição e mesmo com os falantes woofer e subwoofer ali existentes e mediante o apoio de equalizadores de última geração, não mudou a minha impressão inicial caseira sobre a ausência quase que total da presença do baixo nas faixas, a confirmar que a linha de atuação nessa remixagem foi no sentido de se eliminar o excesso de frequências graves e assim, o baixo foi sacrificado.

De fato a gravação ganhou uma amplitude de frequências médias e agudas a garantir um ganho para as vozes, guitarras e teclados e um pouco mais de definição para a bateria, porém, para tal resultado, pagou-se um preço.

Bem, entendo perfeitamente as condições ruins com as quais lidamos em 2001 na captura primordial dessa gravação e os esforços que foram feitos para minimizar esse baixo rendimento técnico ao longo de 2002, mediante uma mixagem também bastante equivocada, para se lançar o disco em 2003 com tais deficiências muito claras para nós. E entendo o esforço de 2023/2024 para relançar o álbum com uma melhor condição sonora possível e por isso não reclamo, apesar de no meu caso em específico, não ter sido a melhor solução, muito pelo contrário.

Eis abaixo as faixas do disco para a audição do leitor:

1) "São Paulo City" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/T6r5Tw12oDE

2) "Louco um pouco zen" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz Domingues-Rolando Castello Junior) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/Wj9-dyEEQEk 

3) "Sendas Astrais" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz Domingues) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/qESyXGpdHDU

4) "Homem Carbono" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz Domingues-Rolando Castello Junior) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/7Xhkem8jm0o

5) "Nem tudo é razão" (Rodrigo Hid) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/rYaU4io7vv8

6) "Terra de Minerais" (Marcello Schevano) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/zbGFr1pwNI0

7) "Tooginger" (Rolando Castello Junior) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/lrwbmf7DFsw 

8) "Sendo o tudo e o nada" (Faixa bônus) - (Marcello Schevano) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/Klp1f57mv9M

9) "Sendas Astrais" (versão alternativa) (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz Domingues) - Faixa extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/wjjn1rf9VZ4

Em maio, eu recebi os primeiros comunicados sobre o show que faríamos no Sesc Belenzinho em junho. Pelo que a Marta Benévolo me falou inicialmente e depois confirmado pelo Marcello e também pelo Rolando, a atual formação da Patrulha começaria o show com uma compilação de músicas clássicas e algumas mais modernas e na parte final do show, a nossa formação chronophágica entraria em cena para tocar as músicas do CD ".ComPacto", ou melhor, a sua versão repaginada como "Compacto+/Maioridade" na sua íntegra.

Em junho, dois ensaios selariam essa nova oportunidade da nossa formação se reunir e tocar essas músicas que não tocávamos desde 2003 e algumas delas, que tocávamos antes mesmo de serem gravadas, em 2000 e 2001. Por esse aspecto, eu gostei muito dessa oportunidade de celebração.

Da esquerda para a direita, em pé: eu (Luiz Domingues), Marcello Schevano e Rolando Castello Junior. Sentado: Rodrigo Hid. Ensaio da Patrulha do Espaço em sua formação "chronophágica" no estúdio Orra Meu de São Paulo. 5 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo

No dia 4 de junho de 2024, a nossa formação chronophágica se reuniu nas dependências do estúdio Orra Meu e realizou o primeiro de dois ensaios a visar a preparação para o show marcado para o dia 7 do mesmo mês.

O combinado foi tocarmos as seis músicas do CD ".ComPacto", lançado em 2003, doravante rebatizado como: "Compacto+/Maioridade" na versão remixada e remasterizada, embalado por uma luxuosa concepção gráfica, rica em texto e fotos, além de conter faixas bônus, conforme eu já havia detalhado anteriormente. Fica a ressalva que a sétima faixa original desse trabalho, a se tratar de um tema instrumental só com a presença da bateria, mediante um curto mas belo solo ("Tooginger"), ficou de fora do show, por escolha do Rolando Castello Junior, mas pairou no ar a impressão de que no decorrer do show ele a tocaria de improviso.

Bem, foi um prazer reencontrar os companheiros, assim como o pessoal do estúdio e o meu velho amigo, Ricardo Schevano, que gentilmente me cedeu um de seus lindos baixos vintage para que eu ensaiasse com todo o conforto, sem me preocupar em ter que levar um baixo meu. Dessa forma, tive o prazer de tocar com o seu Rickenbacker preto, modelo 4001, de 1973, e o timbrei com toda a sua pompa e circunstância a obter um som de primeiríssima qualidade para ensaiar com muito prazer.

Passamos todas as músicas, e nos surpreendemos, pois não tocávamos essas músicas há mais de vinte anos e algumas delas, nem foram muito executadas na época em que a banda esteve reunida e muito, mas muito mesmo, afiada. Claro, todos fizemos a "lição de casa", ao preparar previamente cada um a sua parte, e isso colaborou para que a performance fosse acima da média esperada com tanta ferrugem acumulada. E logicamente que algumas arestas ficaram para ser aparadas no ensaio posterior, pois foram muitos detalhes a ser observados, principalmente nos temas mais progressivos, "Terra de Minerais" e "Sendas Astrais", ambas, peças longas e a seguir a cartilha do Prog-Rock clássico, ou seja, com muitas partes, convenções, mudanças de andamento, fórmulas de compasso diferentes e execução sofisticada de cada instrumentista em seus respectivos arranjos individuais.

Todavia, para um primeiro ensaio, foi muito bom o desempenho, nos tranquilizando em relação ao segundo ensaio que tínhamos marcado. Não fotografamos e filmamos o primeiro ensaio, mas a querida amiga Marta Benévolo, vocalista da formação atual e aliás, há muitos anos da nossa banda, registrou o ensaio do dia seguinte, uma terça-feira, dia 5 de junho e de fato, apuramos mais o desempenho.

No sentido horário: Rolando Castello Junior na bateria, Marcello Schevano nos teclados (com Ricardo Schevano na sala técnica ao fundo a operar a mesa do PA, Rodrigo Hid na guitarra e eu (Luiz Domingues, no baixo. Ensaio da Patrulha do Espaço no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo

No dia seguinte, 4 de junho, melhoramos bastante a performance coletiva em torno das músicas: "Terra de Minerais" e "Sendas Astrais". "Louco um pouco zen", um Acid-Rock de andamento acelerado, deu um pouco de trabalho por conta de seu mapa cheio de marcações não usuais, mas creio que nos deu segurança para tocarmos ao vivo.

"Nem tudo é razão", música que tocamos pouco na nossa fase em grande forma, soou muito bem, a denotar que todos se prepararam bem individualmente na pré-preparação. Até arriscamos fazer os backing vocals cheio de nuances, bem ao estilo de bandas sessentistas que nos inspiraram nessa concepção de arranjo.

E canções como: "São Paulo City" e "Homem Carbono" saíram com bastante facilidade, pois nós a tocamos muito na nossa fase como banda unida e nas reuniões sazonais que tivemos em 2014, 2016 e na turnê de 2018-2019, tivemos a oportunidade de tocá-las.

1) "Louco um pouco Zen" - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e  cortesia: Marta Benévolo

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/mpSf8ESpWIE

2) "Louco um pouco Zen" (vídeo 2) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/01HheBtqZX4

3) "Louco um pouco Zen" (vídeo 3) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/OvWTv13j7c8

4) "Louco um pouco Zen" (vídeo 4) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/Evtx3L_2o1E

5) "Louco um pouco Zen" (vídeo 5) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/NCGHiMtZy6A

6) "Terra de Minerais " - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/FoMCdc3YNWw

Nas duas primeiras fotos, Rodrigo Hid e eu, Luiz Domingues em ação. Na terceira foto, Rolando Castello Junior e Marcello Schevano (só por detalhe). Patrulha do Espaço no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de maio de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Marta Benévolo

Bem, como o Marcello observou bem, o ideal seria promovermos mais um ou dois ensaios e certamente que a velha forma exuberante da nossa formação voltaria, no entanto, mesmo com apenas dois ensaios, acho que cumprimos o básico e nos colocamos em ordem para fazer uma apresentação digna e assim honrar a nossa formação, também o disco que lançamos em 2003, com tanto sacrifício e agora em 2024, o relançamos com maior qualidade.

Mais uma foto da banda a atuar no ensaio. Patrulha do Espaço no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de maio de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo

Bem, diante disso, o próximo passo foi irmos ao Sesc Belenzinho do dia 7 de junho de 2024. Mais uma oportunidade para celebrarmos a  formação chronophágica e sobretudo, a honrar o segundo álbum de estúdio que gravamos no início dos anos 2000.

Da esquerda para a direita em pé: eu (Luiz Domingues), Marcello Schevano e Rolando Castello Junior. Sentado: Rodrigo Hid. Ensaio da Patrulha do Espaço em sua formação chronophágica no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo

Pois é, entre todas as bandas pelas quais atuei, a Patrulha do Espaço é seguramente a que sempre gerou novidades, mesmo tendo a nossa formação, a dita "chronophágica", encerrado a sua fase desde 2004, ou seja, entre material físico propriamente dito em termos de discos ao vivo póstumos, coletâneas e material de vídeo, fotos e portfólio, o fato é que a nossa formação viveu eternamente a ser relembrada, reverenciada e elogiada, o que muito me alegra e naturalmente aos meus companheiros de jornada, igualmente.

É bastante racional esse fenômeno, no sentido de que o grande mentor da banda, o nosso baterista, Rolando Castello Junior, sempre se preocupou em não apenas manter intacta a memória da banda, mas ao avançar nesse sentido, sempre a criar fatos novos para reforçar o acervo de uma maneira geral do grupo, a privilegiar todas as suas fases e nesse sentido, a "era chronophágica" da qual sou partícipe com orgulho, foi das mais privilegiadas, eu agradeço por isso.

É claro, fator preponderante também foi que a banda estava ativa em 2024, a esticar a sua carreira muito e garantir uma longevidade enorme para os padrões do Rock e sobretudo em termos de Rock brasileiro, algo raro. É bem verdade que houve um anúncio de encerramento oficial das atividades em 2018, e nas páginas da minha autobiografia estão descritos esses momentos dos quais participei como convidado especial dos previstos últimos shows da história dessa banda, que cumpri em São Paulo e em cidades interioranas do Paraná e Santa Catarina. 

Mas eis que no momento imediatamente anterior ao advento da grande pandemia de 2020, o Rolando anunciou nova formação e continuidade assegurada, com regravação de duas músicas do repertório clássico da banda ("Vamos curtir uma juntos" e "Simples Toque"). Essa formação foi prejudicada pela quarentena forçada e só pôde tocar em 2023, mas resiliente, a banda se reinventou de novo e continuou a lançar material, com relançamento de discos clássicos remasterizados e mediante a presença de bônus. Nesse quesito, a também privilegiar a minha formação chronophágica, que bom, fiquei contente. 

Vale relembrar que eu fiz um show sazonal com a Patrulha do  Espaço em 2021, por ocasião da solenidade de entrega do prêmio Dynamite de música independente, no qual a banda foi agraciada pelo conjunto da obra e esteve presente nessa ocasião, quase a formação chronophágica completa, a faltar apenas o companheiro, Rodrigo Hid. Tal participação marcou na minha memória por haver acontecido em meio aos testes de contaminação feitos no próprio teatro no qual gravamos a nossa participação, uso de máscaras, constante uso de álcool gel e medo pelo contato em meio a uma fase aguda da disseminação total da doença pelo ar.

Bem, veio o ano de 2023 e a notícia de que o álbum ".ComPacto", seria remixado, remasterizado e ganharia uma embalagem de luxo, além de faixas bônus. Portanto, uma ação direta a reverenciar a memória da nossa formação. E a seguir, a perspectiva de um show com a formação chronophágica completa e com a missão de executar todas as músicas desse álbum ao vivo, algo que certamente coroou essa ação.

Pois foi com essa perspectiva que eu me dirigi à unidade do Sesc Belenzinho no dia 7 de junho de 2024, bastante feliz por tocar novamente com os velhos companheiros e também por executar essas canções todas contidas nesse disco, que inclusive, algumas delas nós nem tocamos com regularidade quando a formação estava unida e a cumprir uma frenética agenda em meio a muitas turnês no início dos anos 2000, portanto, que oportunidade rica haveria de ser para escrevermos mais uma página nessa história, algo que literalmente eu exerço neste instante preciso no qual redijo este trecho e eternizo a posteriori, mediante cada leitura que meus leitores e fãs da banda haverão de realizar em tempos futuros.  

Uma visão do palco no período vespertino, quando os técnicos montavam o equipamento. Vê-se a presença de Rodrigo Hid no enquadramento, a usar camiseta de cor cinza e calça de cor marrom. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marinho Rocker

Da esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), Rodrigo Hid, Rolando Castello Junior e Marcello Schevano. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marinho Rocker

Cheguei no horário combinado ao recinto e paulatinamente todos os companheiros e membros da equipe técnica foram aparecendo no amplo salão da chamada "comedoria", ou a trocar em miúdos, a se tratar do amplo salão usado como um gigantesco restaurante e que se transforma em espaço para shows ao vivo naquela unidade.

O trabalho foi muito bom da nossa equipe, dos quais com exceção de um rapaz mais novo que deve ser funcionário do estúdio Orra Meu, e funcionário do Marcello Schevano, reconheci todos: Ricardo, um excelente roadie, o responsável pela "lojinha" de vendas de CD's e souveniers, Wilson "Caramelo", e os clássicos roadies da nossa banda, desde o apogeu da nossa formação: Samuel Wagner e Daniel "Kid". 

Fiquei bastante satisfeito igualmente com a equipe terceirizada designada pelo Sesc para a operação do equipamento de PA, monitoração e iluminação. Além de muito bem preparados no quesito técnico de suas respectivas funções, todos se mostraram solícitos, respeitosos e humildes em contraste com a média normal nesse meio que é a de termos que lidar com gente presunçosa, prepotente e com acentuada presença de estrelismo descabido. No camarim, eu pude conversar com o técnico de monitor (Chico), por bastante tempo e gostei da sua postura super profissional, e ao mesmo tempo, bastante cordial, quando me contou boas histórias sobre o seu trabalho em geral e shows recentes de medalhões da MPB que havia realizado como técnico, bem recentemente.

Faço um parêntese, no entanto, para registrar que o Sesc sempre foi uma instituição elogiável sob muitos aspectos, porém, constantemente pecava pela extrema burocracia exigida nas tratativas dos shows e por regras esdrúxulas no tocante aos seus protocolos exigidos da parte dos artistas e técnicos, no dia da apresentação em si. Sei que já falei a respeito disso em tom de crítica construtiva ao longo de muitos capítulos anteriores, inclusive sobre outras bandas com as quais eu atuei em muitas unidades dessa instituição e não apenas da Patrulha do Espaço, mas não poderia deixar de registrar que na contramão de buscar melhorar a relação, pelo contrário, houve uma piora acentuada nesse quesito em 2024. 

Quando a companheira, Marta Benévolo, me mostrou um manual de conduta moderno enviado pela instituição à produção da banda, fiquei pasmo. As restrições ao trabalho de fotógrafos e cinegrafistas se tornaram tão absurdas que eu fiquei em dúvida se valeria a pena convidar profissionais munidos de equipamentos de alto padrão para registrar o espetáculo ante tais circunstâncias tão adversas e se não seria melhor contar com a cobertura informal vinda de pessoas da plateia com os seus registros feitos pela via do telefone celular.

Proibir o músico de beber água no palco mediante o uso de garrafas pet de pequeno porte, foi algo surreal e por aí foi o circo de horrores que eu li nesse manual certamente elaborado por algum energúmeno que não conhece o funcionamento de um show musical normal.

Bem mais engessados do que nunca, nos resignamos e brincamos que atrás do palco deveria existir um filtro de barro, daqueles prosaicos que víamos nas casas de nossos bisavós e copos de plástico para que os músicos pudessem se hidratar no decorrer do espetáculo.  Pasmem, falamos isso como brincadeira, mas na hora do show foi quase isso que foi providenciado, apenas a faltar o antigo filtro citado, substituído por um garrafão de água, mas o princípio foi o mesmo. Inacreditável e leve-se em conta que tal dispositivo foi alojado atrás do palco e mediante uma barreira de "cases" de equipamentos ali existentes. Em suma, só dava para qualquer músico ir lá beber água após o término da apresentação, pois no seu decorrer, se tornara impossível pela falta de mobilidade total. Portanto, algo proposital, certamente como agente limitador. 

Bem, a despeito desses aborrecimentos injustificáveis, cumprimos o ritual do soundcheck com relativa tranquilidade, pois em dado momento, o Rolando Castello Junior pisou em falso ao sair do praticável da bateria e sofreu um pequeno acidente. Passado o susto inicial e a dor que o acometeu, fomos ao camarim para aguardar a hora de começar o show. 

O espetáculo foi montado para observar duas partes distintas, com a formação então atual da Patrulha do Espaço em 2024, a iniciá-lo e na segunda parte, a formação chronophágica assumiria para tocar o CD ".ComPacto", doravante denominado como: "Compacto+/Maioridade", na sua íntegra e ao final, as duas formações se uniriam para a execução do número final.

Foto 1: O excelente baixista, Fabio Cezzar. Foto 2: Marcello Schevano. Foto 3: A cantora, Marta Benévolo e Marcello Schevano ao seu lado. Foto 4: Fabio Cezzar e Rolando Castello Junior em ação. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia:  Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro 

E assim se cumpriu, quando o decano e único membro de todas as formações, Rolando Castello Junior subiu ao palco acompanhado da cantora, Marta Benévolo, que está na banda há quase duas décadas, de Marcello Schevano, que é da nossa formação chronophágica, mas sempre gravitou nas produções posteriores da Patrulha do Espaço, mesmo quando a nossa formação encerrou-se e o mais novo componente, Fabio Cezzar, um excelente baixista, membro da banda Hard-Rock, "King Bird" e com destacada passagem pelo histórico grupo, "Casa das Máquinas", e este, meu amigo de muitos anos. 

O repertório escolhido para ser defendido pela então formação atual de 2024, privilegiou mais músicas da produção contemporânea da banda, com canções oriundas de seus discos pós-2012, com uma menor incidência do material mais remoto dos anos setenta e oitenta e a evitar músicas da fase chronophágica, exatamente por que a nossa formação estaria a cumprir a segunda e derradeira parte do show.

Foto 1: o trompetista, Beto Pizzulin. Foto 2: O saxofonista, André Knobl com Marcello Schevano mais à frente.Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Dean Cláudio

Mediante um bom e entusiasmado público, a formação de 2024, tocou com desenvoltura e nos dois últimos números de sua participação, a apresentar a espetacular presença dos convidados, André Knobl e Beto Pizzulin, sax alto e trompete, respectivamente e ambos do grupo instrumental, NeuroZen, quando foram executadas as músicas: "Vamos curtir uma juntos" e "Simples toque", peças clássicas do primeiro disco da  banda pós-Arnaldo Baptista, lançado em 1980, e regravadas com esse arranjo a conter naipe de metais em 2021. E foi bem empolgante, eu posso afirmar ao assistir a performance dos amigos pela coxia.

Chegara a hora, a formação chronophágica foi chamada ao palco.

Da esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), Rodrigo Hid e Marcello Schevano na linha de frente, com Rolando Castello Junior na bateria. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marinho Rocker

Subimos ao palco apenas eu e Rodrigo Hid, pois o Marcello Schevano já estava a atuar anteriormente, a representar a formação atual da banda. Não necessariamente que ele fizesse parte oficialmente da formação de 2024. No entanto, mesmo com o término da nossa formação, em 2004, ele seguira a tocar de 2005 até 2010, com regularidade ao vivo e somente depois que o guitarrista Danilo Zanite se integrou como membro oficial, ele parou de tocar, mas por pouco tempo, pois sempre foi o elemento coringa a cobrir lacunas, quando o Danilo não pode tocar e a partir do momento que se formou como técnico de áudio e sobretudo quando montou o seu estúdio próprio, também se tornou uma espécie de produtor adjunto dos novos álbuns e da preparação de relançamentos, além de muitas faixas bônus, aliás, até os dias atuais de 2024, momento em que escrevo este trecho. 

E assim, com a saída de cena da minha amiga e performática cantora, Marta Benévolo (eu achei que ela participaria, mas ainda durante os ensaios prévios, ela me disse que que não estaria conosco, exatamente para a nossa formação tocar o disco na íntegra com inteira fidedignidade) e de Fabio Cezzar, o baixista da formação 2024, e meu amigo de longa data, fomos recebidos por muitos gritos de incentivo e isso me alegrou sobremaneira.

Eu (Luiz Domingues), a receber o carinho inicial do público assim que subi ao palco e na foto abaixo, a afinar o instrumento. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro

Uma curiosa manifestação ocorreu quando alguém gritou: "A Chave do Sol" e imediatamente outra voz ecoou na multidão: "Pitbulls on Crack". E isso disparou ainda mais vozes: "Kurandeiros", "Língua de Trapo", e até o nome do "Boca do Céu", alguém evocou e isso me deixou feliz, pois tomei tal manifestação espontânea como uma grande homenagem à minha longeva carreira e a denotar que tais trabalhos também marcaram no imaginário desses fãs, isto é, que prêmio para este velho Rocker, já a visualizar o final da carreira e da vida, cada dia mais perto como uma realidade inexorável. 

Logo após o Rolando ressaltar a minha presença e de Rodrigo Hid a representar a formação chronophágica, junto à ele e Marcello, e que iríamos tocar o CD que relançávamos, na íntegra, ele mesmo, iniciou a batida poderosa de sua bateria a demarcar o início da música: "São Paulo City", o nosso poderoso Blues-Rock inspirado no som dos grupos: "West; Bruce and Laing", "Mountain" e "Blue Cheer", entre tantas referências que carregávamos de uma forma tão natural para o nosso DNA Rocker.

A formação chronophágica em ação. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Alexandre Quadros

Foi uma performance forte, quase no padrão da nossa grande forma como banda atuante e afiada no início dos anos dois mil. Digo "quase", pois como sabíamos bem, mesmo ao nos preparar individualmente em casa, respectivamente, e a realizarmos dois bons ensaios prévios, não tocaríamos como uma banda coesa em pleno exercício da estrada, como vivemos naquela época. Nenhuma banda consegue isso, é algo bem natural para qualquer artista, pois a dinâmica de uma banda com tal grau de eficácia ao vivo, só é conseguida mediante a constância absoluta de shows ao vivo. 

Em suma, foi uma bela performance, que arrancou gritos da plateia ao seu final e me deu, particularmente, a sensação de que a nossa banda tocou tecnicamente bem e com bastante energia, "quase" como nos velhos tempos.  

"São Paulo City" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem, edição e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/2dadUYpDRPg

Veio a seguir a canção: "Louco um pouco zen", um Acid-Rock bem "Hendrixiano" e eu sei muito bem sobre tal intenção de se buscar o estilo de Jimi Hendrix como referência, pois no esforço empreendido entre todos nessa criação, que foi creditada como coletiva, o riff primordial foi a minha colaboração pessoal para a criação do tema e eu me lembro bem qual foi a minha influência para criá-lo e o que disse aos companheiros quando lhes mostrei pela primeira vez tal ideia em algum momento do início de 2001. 

Na primeira foto, eu (Luiz Domingues) no destaque e na segunda, Rodrigo Hid e Marcello Schevano em ação. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Alexandre Quadros

Essa música tem muitas marcações diferentes, das quais não nos lembrávamos com absoluta precisão e com mais uma agravante, no sentido de que não a tocamos em demasia naqueles idos do auge da nossa formação, portanto, no meu caso, tive que estudá-la em casa a redecorar a sua estranha repetição de módulos, ora par, ora ímpar. Foi engraçado no ensaio quando o Marcello Schevano revelou que também teve que estudá-la na sua preparação e eu confirmei a acrescentar a mesma experiência de minha parte. Foi quando o Rodrigo Hid arrematou a dizer em tom de brincadeira, porém com uma "verdade" implícita ao dizer: "por que nós complicávamos tanto os arranjos das músicas?" Bem, ao enxergar pelo lado da originalidade, creio que valeu a pena, "complicar" e fugir do óbvio.

A formação chronophágica por inteiro pela visão do poeta, ativista cultural e ex-road manager da nossa banda, "Barata" Cichetto. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Luiz "Barata" Cichetto

Música de andamento rápido, convenções intrincadas pelo aspecto da divisão rítmica difícil e que contém um adorável interlúdio no estilo do  Funk-Rock setentista ao sabor de bandas como: "James Gang" e "Trapeze", apesar de nossa apreensão detectada nos ensaios pelas marcações nada usuais, ela saiu ao vivo com uma energia tremenda e "swingou" nos seus momentos estratégicos, exatamente como a concebemos em 2001. Gostei muito de tocá-la tantos anos depois, com essa energia toda.

"Louco um pouco zen" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/bkw4nUcpLyw

A formação chronophágica por inteiro no enquadramento. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

A seguir, tocamos "Homem Carbono", tema que foi permanente no nosso repertório de shows ao vivo de 2001 em diante, portanto, apesar da ferrugem generalizada que tivemos que extrair nesse momento de 2024, a sua performance não nos causou preocupação nos ensaios, pois nesse apronto que tivemos, ela saiu com muita desenvoltura e assim se procedeu igualmente no show, com muita energia.

"Homem Carbono" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:

https://youtu.be/FUDefwr2Deg

Foto 1: Eu (Luiz Domingues) no destaque. Vê-se a persona de Ana Fuccia a mexer na sua máquina fotográfica. Ana foi fotógrafa das fotos oficiais de dois álbuns lançados pela nossa formação: ".ComPacto" de 2003 e "Missão na área 13" de 2004. Foto 2: Marcello Schevano aos teclados e com a persona de Michel Teer, localizado no fosso dos fotógrafos. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Carlinhos Machado 

Após mais uma calorosa recepção do público e a ter em vista que essa canção sempre foi adorada pelos fãs, desde que a lançamos, chegara a vez de tocarmos uma música que tocamos muito pouco quando da nossa formação unida e em plena atividade. Falo a respeito de "Nem tudo é razão", uma bela balada com alto teor sessentista, e que posso afirmar, a se tratar de uma típica "Beatle song", tipo de composição que o Rodrigo vivia a criar e propor para nós, seus colegas, a cada novo disco que planejávamos gravar.

Uma canção curta, mediante forte padrão Pop, porém com muitos atributos a conter convenções, solo de guitarra ultra melódico e backing vocals sofisticados que reproduzimos quase em 100%, só a omitirmos os mais intrincados, não por falta de vontade de reproduzi-los com fidedignidade, mas por sentirmos que precisávamos de mais ensaios para preparar melhor esse detalhe. 

"Nem tudo é razão" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/tDtJHyflui8 

Foto 1: Rolando Castello Junior em ação.Foto 2: eu (Luiz Domingues), no destaque. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Ivan Harris

Fiquei muito feliz por tocar ao vivo a balada: "Nem tudo é razão", que eu reputo ser muito bela e mais ainda com a recepção entusiasmada do público, porque, sim, eu observei bem na frente do palco, muitos fãs a cantá-la, o que denotou que muitos ali eram admiradores confessos desse álbum em específico, que estávamos a executar na sua íntegra.

A formação chronophágica por inteiro no enquadramento. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

A seguir, tocamos "Homem Carbono", tema que foi permanente no nosso repertório de shows ao vivo de 2001 em diante, portanto, apesar da ferrugem generalizada que tivemos que extrair nesse momento de 2024, a sua performance não nos causou preocupação nos ensaios, pois nesse apronto que tivemos, ela saiu com muita desenvoltura e assim se procedeu igualmente no show, com muita energia.

"Homem Carbono" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:

https://youtu.be/FUDefwr2Deg

Foto 1: Eu (Luiz Domingues) no destaque. Vê-se a persona de Ana Fuccia a mexer na sua máquina fotográfica. Ana foi fotógrafa das fotos oficiais de dois álbuns lançados pela nossa formação: ".ComPacto" de 2003 e "Missão na área 13" de 2004. Foto 2: Marcello Schevano aos teclados e com a persona de Michel Teer, localizado no fosso dos fotógrafos. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Carlinhos Machado 

Após mais uma calorosa recepção do público e a ter em vista que essa canção sempre foi adorada pelos fãs, desde que a lançamos, chegara a vez de tocarmos uma música que tocamos muito pouco quando da nossa formação unida e em plena atividade. Falo a respeito de "Nem tudo é razão", uma bela balada com alto teor sessentista, e que posso afirmar, a se tratar de uma típica "Beatle song", tipo de composição que o Rodrigo vivia a criar e propor para nós, seus colegas, a cada novo disco que planejávamos gravar.

Uma canção curta, mediante forte padrão Pop, porém com muitos atributos a conter convenções, solo de guitarra ultra melódico e backing vocals sofisticados que reproduzimos quase em 100%, só a omitirmos os mais intrincados, não por falta de vontade de reproduzi-los com fidedignidade, mas por sentirmos que precisávamos de mais ensaios para preparar melhor esse detalhe. 

"Nem tudo é razão" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/tDtJHyflui8 

Foto 1: Rolando Castello Junior em ação.Foto 2: eu (Luiz Domingues), no destaque. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Ivan Harris

Fiquei muito feliz por tocar ao vivo a balada: "Nem tudo é razão", que eu reputo ser muito bela e mais ainda com a recepção entusiasmada do público, porque, sim, eu observei bem na frente do palco, muitos fãs a cantá-la, o que denotou que muitos ali eram admiradores confessos desse álbum em específico, que estávamos a executar na sua íntegra.

Rodrigo Hid e Rolando Castello Junior em destaque. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Dean Cláudio

Ao final do espetáculo a proposta foi misturar as duas formações da banda para se tocar um número final. Portanto, Marta Benévolo e Fabio Cezzar voltaram ao palco e além deles, a dupla de metais do NeuroZen, André Knobl e Beto Pizzulin também voltaram para que todos tocassem juntos a música "Columbia", o celebrado clássico do repertório mais antigo da banda, junto à formação chronophágica.

Foto 1: As duas formações, 2024 e Chronophágica unidas e com os convidados especiais do grupo "NeuroZen" a somar conosco. Foto 2: Rodrigo Hid ao lado de Marta Benévolo, com Rolando Castello Junior atrás, na bateria. Foto 3: Fabio Cezzar e eu (Luiz Domingues). Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Ivan Harris

Como essa música não foi ensaiada pela nossa formação que estava no palco naquele instante, eu ofereci o baixo ao Fabio Cezzar para que ele tocasse nesse instante, mas ele insistiu para que eu tocasse, gentil como sempre e disse-me que faria backing vocals. Dá para ver nos vídeos que a música começou e eu ainda estava com o baixo fora da correia e a tentar convencer o Fabio a assumir. 

Uma visão lateral com as duas formações juntas a encerrar o espetáculo. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Tudo bem, "Columbia" é uma música que não demanda ensaios em via de regra, tamanha a quantidade de vezes que a tocamos desde 1999, portanto, mesmo tocando no tom original do disco (em Mi), ao contrário da tonalidade de Ré, que usávamos no tempo da nossa formação, não tivemos nenhum problema para tocar e com o vocal encorpado e os metais dos meninos do NeuroZen a acrescentar demais, o som ficou muito bom.

"Columbia" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/AD5BHTQLtqY

Final de espetáculo mediante gritos, gente emocionada a entoar o coro de pedido por "bis" e outros simplesmente a entoar o mantra: "Patrulha, Patrulha"...enfim, foi uma noitada excelente, bem nas tradições dessa nave que se recusa a encerrar a sua ronda espacial pelas galáxias do Rock.

Foto 1: Eu (Luiz Domingues), com Rolando Castello Junior ao fundo na bateria. Foto 2: Marcello Schevano em destaque. Foto 3: Rodrigo Hid em ação. Foto 4: Rolando Castello Junior em ação! Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Dean Cláudio

Assista mais alguns vídeos e promos com áudio capturados desse show. Eis os links abaixo. 

1) "São Paulo City" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=qEvlrpS7TRM  

2) "São Paulo City" (trecho) (vídeo 2) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=P6J2YFl00q0

3) "Sendas Astrais" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=NYiBJhGxS8M

4) "Sendas Astrais" (vídeo 2) (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=8yJM8Ev1afQ

5) "Homem Carbono" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=cAPF3p01pEM

6) "Columbia" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=JaxdhUEZTmo

7) "Columbia" (vídeo 2) (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues

Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ym2YXYEdADM

8) "São Paulo City" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/Zno7Z93uiJM

9) "Louco um pouco zen" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/-0AYs8Kh4TU

10) "Homem Carbono" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/FUDefwr2Deg

11) "Nem tudo é razão" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/tDtJHyflui8

12) "Sendas astrais" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/ZQ0UO6w-SqQ

13) "Terra de minerais" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/TAVyuCnQNdE

14) "Columbia" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia : Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/AD5BHTQLtqY

15) "Columbia" + "Terra de Minerais" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho 2024 - Filmagem, acervo e cortesia: Willian Rolin (Show F4 All)  

Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=WhZ_UIQJqJI

As duas formações e os rapazes do NeuroZen juntos conosco no congraçamento final junto ao público presente. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marinho Rocker

Muita gente importante para a nossa formação esteve presente nos bastidores, entre eles, Ana Fuccia e Michel Teer, fotógrafos que nos acompanharam de perto naqueles anos de 1999 a 2004, além de Luiz "Barata" Cichetto, nosso road manager entre 2002 e 2004, cujas histórias vividas conjuntamente são muitas ao longo da minha autobiografia e ele também como escritor as registrou devidamente em sua obra, o livro: "Diário de  Bordo", um impressionante relato sobre as suas impressões acerca das muitas viagens que realizou conosco em meio às turnês que cumprimos.

Foto 1: Que alegria para o meu relato, eis aí personagens importantes da minha biografia juntos: Osvaldo Vicino (Boca do Céu), Rolando Castello Junior (Patrulha do Espaço) e Wilton Rentero (Boca do Céu). Vê-se atrás deles, outros companheiros queridos, tais como Marcello Schevano (Sidharta e Patrulha do Espaço), Rodrigo Hid (Sidharta, Patrulha do Espaço e Pedra), Carlinhos Machado (Os Kurandeiros e Boca do Céu) e eu mesmo (Luiz Domingues). Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Moacir Barbosa de Lima ("Moah"). Foto 2: O feliz encontro do Boca do Céu com o NeuroZen, todos partícipes da gravação da música "1969" do Boca do Céu. Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino (Boca do Céu), André Knobl (NeuroZen), eu (Luiz Domingues - Boca do Céu), Beto Pizzulin (NeuroZen), Wilton Rentero (Boca do Céu) e Carlinhos Machado (Os Kurandeiros - Boca do Céu). Acervo e cortesia: Osvaldo Vicino. Click: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Em suma, foi uma noite festiva para todos, e eu fiquei particularmente muito contente com tudo o que presenciei e interagi nessa noite. E como de praxe, ao se tratar de Patrulha do Espaço, não dá para afirmar que a minha história com essa banda se encerra definitivamente neste ponto. 

Nada foi falado nesses dias, mas depois de relançar o CD ".ComPacto", devidamente reencarnado como: "Compacto+/Maioridade", não seria óbvio o relançamento do CD "Chronophagia" nos mesmos moldes? E até o CD "Missão na área 13", que foi bem gravado na época, poderia ser cogitado também nessa mesma predisposição. 

 

Foto 1: Rolando Castello Junior em destaque a falar com o público. Foto 2: Rodrigo Hid em ação. Foto 3: Eu (Luiz Domingues). Foto 4: Marcello Schevano no destaque, com Rodrigo Hid ao fundo nos teclados. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: "Discípulo setenta"

Isso sem contar com a possibilidade sempre premente de lançamento de mais discos ao vivo, coletâneas e outras surpresas que poderão acontecer a qualquer momento, e sim, shows de reunião da nossa querida formação chronophágica para justificar outros lançamentos. Tudo é possível ao se tratar de Patrulha do Espaço e enquanto o Rolando Castello Junior estiver vivo, bem de saúde e no comando dessa nave estelar.

Portanto, conforme eu já esperava, pois me fora comunicado há meses, chegou às minhas mãos o vinil correspondente ao CD "Compacto +/Maioridade" em outubro de 2024. Tal iniciativa já havia sido tomada há bastante tempo, e na verdade, nos planos do Rolando Castello Junior, a ideia primordial foi lançar o CD e a versão para vinil em junho, quando realizamos o show para celebrar tais novidades no palco do Sesc Belenzinho de São Paulo, mas infelizmente o LP de vinil simplesmente não ficou pronto a tempo.

Tanto foi assim que na verdade demorou cerca de três meses para a fábrica enfim fazer a entrega do lote solicitado e no meu caso em específico, eu só consegui obter a minha cópia de recordação em outubro.

É até engraçado para alguém da minha geração se referir ao álbum como "disco de vinil", pois é óbvio que para pessoas da minha faixa etária, basta usar a sigla "LP", a designar um "Long Player", para que entendêssemos sinteticamente do que estávamos a falar. Mas convenhamos, o vinil caiu em desuso com o avanço avassalador do CD no começo dos anos oitenta e na sequência, o mesmo ocorreu com o próprio CD ao se tornar obsoleto em detrimento da Era digital via MP3 e similares. Passado mais um tempo, vieram as plataformas "streaming" e o YouTube a trazer a ideia de que mídias físicas não importavam mais, para desespero dos colecionadores e derrocada das lojas de discos, uma lástima.

Quando parecia que a escalada frenética do avanço da tecnologia haveria de nos afastar cada vez mais das velhas formas de ouvir e preservar música alojada em prateleiras, eis que um "revival"  do velho vinil chegou para se tornar uma nova tendência e na sua esteira, pasmem, até se ressuscitou a figura da fita K7, novamente romantizada e até uma "volta" do CD se insinuou no panorama de 2024.

Discussão sobre "tecnologia vintage versus moderna" a parte, devo registrar particularmente que foi um prazer ter o LP da Patrulha do Espaço em mãos e tal qual todo mundo que pertence à minha geração acostumou-se a fazer costumeiramente nos anos sessenta e setenta, o ritual de colocar o disco na "vitrola" (ou "pick-up" na forma anglicista de se expressar), e simultaneamente manusear a capa e o encarte, ao ler toda a ficha técnica, foi um exercício lúdico e mais do que isso, uma prática vívida de cultura Rocker como há tempos eu não praticava.

Ao analisar pelo aspecto da minha trajetória na música, eu não tinha um trabalho meu lançado em formato "LP", desde 1993, quando o Pitbulls on Crack, minha banda nos anos noventa, lançou-se no mundo fonográfico através da coletânea "A Vez do Brasil" pela gravadora Eldorado e veja bem, leitor: por se tratar de uma coletânea compartilhada com outras bandas, não foi exatamente um trabalho exclusivo de uma banda minha, portanto, como último disco inteiramente de um trabalho meu com um grupo de Rock autoral, a minha experiência de ter um LP, remontara à 1990, quando o LP "A New Revolution" do grupo The Key, foi lançado pela gravadora Devil's Discos.

Sobre o som, gostei da audição a trazer aquele característico som mais encorpado advindo dos sulcos de um vinil e mesmo com os chiados inevitáveis que as marcas do tempo acarretam aos discos no contato com a agulha, ainda sim, eu penso que o vinil tem o seu charme imutável.

E a respeito do formato da capa e consequente encarte, não tenho dúvidas sobre as vantagens inerentes desse tipo de produto, mediante uma boa oportunidade para fazer fluir a arte nas ilustrações, a presença de fotos e um encarte robusto, com muitas informações inerentes à obra em si. Neste caso, como a versão em CD veio com um encarte bem avantajado, a opção por uma condensação do mesmo material foi necessária, acredito, por uma questão de custo, mas ficou excelente, digno de um típico encarte de LP de banda de Rock dos anos sessenta e/ou setenta.

Aliás, ao conversar com os companheiros da nossa formação Chronophágica, fiquei impactado quando soube do altíssimo custo dessa produção de um LP nos dias atuais (ao me referir a 2024). A despeito do "vinil" ter voltado à moda e ter estado a encantar gerações que nasceram sob a égide digital e na posterior, virtual, os preços não refletiam a sua suposta popularidade recém adquirida no momento pós-anos 2020, porque os valores se mostravam estratosféricos e diante disso, o repasse ao consumidor final ter ficado exorbitante, inevitavelmente.

Em suma, fiquei feliz pelo lançamento, também pela coragem do Rolando para empreender nesse sentido, pelo esforço do Marcello na parte técnica ao oferecer o seu estúdio como apoio e também pela arte requintada da Marta Benévolo para compor o lay-out da capa e encarte para o CD, e neste caso, além de ter feito a adaptação da arte para o LP e claro, pelo fato concreto de particularmente eu ter tido novamente um LP de um trabalho meu alojado na estante, lado a lado com os discos de meus ídolos que me inspiraram a adentrar tal universo do Rock. E se estou simbolicamente lado a lado deles na estante de discos, creio que a minha missão foi cumprida!

Em suma, fiquei contente pelo lançamento do LP Compacto+/Maioridade, que veio a coroar todo o esforço empreendido para relançar o CD ".ComPacto" de 2003, com direito a um CD remixado e remasterizado, encarte de luxo e para culminar no mesmo disco sob o formato de um velho LP.  

Formação Chronophágica da Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Alexandre Quadros

Como fatalmente acontece e é sempre uma maravilha, a banda em si ou seus admiradores através de manifestações de carinho ou mesmo os jornalistas profissionais estão sempre a fomentar citações sobre o seu passado e presente, e por que não (?), até a especular sobre o seu futuro e assim, em meio ainda à repercussão de seu recente relançamento do CD ".ComPacto", doravante rebatizado como "Compacto+/Maioridade" ou simplesmente "Compacto", a Patrulha do Espaço e em especificamente a nossa formação veio a ganhar novidades.

Em 21 de novembro de 2024, por exemplo, o programa "Linha do Horizonte", comandado pelo músico, professor e ativista cultural, Adilson Oliveira, através da Webradio São Paulo Rock, fez uma abordagem sobre a faceta progressiva da nossa formação "chronophágica". Conduzido com extrema simpatia e conhecimento de causa, foi muito didática a fala do Adilson Oliveira a enaltecer a nossa porção em torno do Rock Progressivo setentista e claro, com direito a execução de músicas tais como: "Sendo o Tudo e o Nada" e "Terra de Minerais", duas entre tantas representantes desse gênero dentro do nosso repertório. 

E como eu sempre eu digo quando vou encerrar um novo capítulo aberto para falar sobre a minha participação como membro e ex-membro da Patrulha do Espaço, essa banda nunca para de gerar novidades, tanto na continuidade de sua carreira, propriamente dita, mesmo tendo anunciado o seu encerramento com uma turnê da qual eu fiz parte em 2018-2019, e que não se concretizou de fato, quanto a trazer fatos novos sobre formações anteriores de sua história, incluso a minha, a dita "Chronophágica". 

Então, é óbvio que a qualquer momento um novo capítulo poderá ser escrito, tanto para engrandecer a sua história, como uma banda de Rock que é na verdade uma instituição, quanto à minha trajetória pessoal devidamente registrada através da minha autobiografia.

Portanto, muito provavelmente, continua...