Neste meu Blog 3, dedico todo o espaço para cuidar da minha carreira musical. Além de publicar os textos na íntegra, dos meus livros autobiográficos, apresento também material em geral de todas as bandas pelas quais atuei e atuo, sob permanente construção.
Bem
na mesma predisposição de que nos dias então mais atuais de 2022 e
2023, eu tive a felicidade de resgatar materiais raros de diversas
bandas das quais eu fui componente, tais oportunidades haveriam de
surgir também para outros trabalhos nos quais teoricamente não haveria mais
nada para ser resgatado, dada a escassez de material possível ainda a
ser encontrado.
Esse
é o caso do meu trabalho com Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada,
cujo legado com álbum oficial não existe, tampouco uma demo-tape que
seja, mas ao menos essa fase da minha carreira a defender a criação de
Ciro Pessoa deixou vídeos ao vivo, fotos e portfólio que consegui
reunir, a abranger os anos nos quais eu fui componente desse grupo.
E
com felicidade, eis que consegui resgatar um material raro, que carece
de qualidade de áudio, sim, no entanto, dada a constatação do seu
caráter raro, se tornou um pequeno tesouro para eu anexar ao meu museu
virtual de carreira e certamente veio a reforçar também o legado de Ciro
Pessoa.
Ciro Pessoa nos bastidores do show que fizemos no Sesc Piracicaba em abril de 2014. Click, acervo e cortesia: Kim Kehl
E
se falo em legado da parte do Ciro, é com pesar que atualizo para a
minha autobiografia o fato que quando eu encerrei o meu relato sobre
esse trabalho, apenas elaborei o texto final a agradecer aos
companheiros e colaboradores, no entanto, algum tempo depois, o pior
aconteceu, quando em 5 de maio de 2020, fragilizado por estar a lutar
conta o câncer e consequentemente a contar com baixa imunidade nessa
fase, tal quadro clínico o tornou um alvo fácil para a agressiva ação da
Covid-19, bem no início da onda de contaminação assustadora.
Em
meio ao confinamento, foi com estupefação que eu tomei conhecimento da
partida de Ciro, através do jornalismo televisivo. No mesmo instante eu
mandei recado aos companheiros que estiveram comigo nesse trabalho e
todos estavam muito chocados, naturalmente.
Por
causa das restrições extremas da pandemia, as cerimônias de velório,
sepultamento ou cremação estavam restritas a poucos familiares mais
próximos e cerimônias essas organizadas mediante um tempo mínimo de
duração e mesmo assim, com distanciamento em relação ao ente querido
alojado no caixão. Portanto, eu gostaria de ter prestigiado o amigo que
partiu em seu último momento físico entre nós, mas isso não foi
possível.
Eu
(Luiz Domingues) a atuar com Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada, no
Teatro Parlapatões de São Paulo em junho de 2014. Click, acervo e
cortesia: Birão Ramim
Emiti
um recado de condolência para a Isabela Johansen, que apesar de ter se
divorciado do Ciro antes mesmo da nossa formação ser extinta e ela
houvera sido vocalista da banda, igualmente, certamente que mantinha e
manterá um elo eterno com o Ciro através de Antonia Pessoa, a filha que
tiveram.
Enfim,
mesmo que eu não tivesse tido mais convivência com o Ciro desde 2016, é
claro que senti bastante a notícia do seu passamento, e ainda mais da
maneira que foi, ceifado pela grande pandemia mundial.
Por
volta de maio de 2023, eu achei um e-mail do Kim Kehl direcionado para
todos do grupo, com três arquivos de áudios a conter trechos de um
ensaio acústico que havíamos realizado por volta de setembro de 2015, a
compor músicas novas e daí, resolvi de imediato utilizar tais áudios
para preparar três promos e imediatamente os postei em meu canal número
três do YouTube.
Faço a seguir uma explanação sobre o material em si.
Kim Kehl e Ciro Pessoa em ação no Teatro Parlapatões de São Paulo em junho de 2014. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
A
situação que gerou tais áudios foi a seguinte: o Ciro marcou a noite de
autógrafos do seu livro ("Relatos da Existência Caótica") para o dia 23
de outubro de 2015 nas dependências do "Café Delirium" no bairro de
Pinheiros em São Paulo, e já a partir de agosto, enviara por e-mail para
o Kim e para eu mesmo, Luiz, alguns poemas que fariam parte do livro,
com intuito de que nós os musicássemos. Ele queria muito contar com
músicas novas na apresentação que faríamos na mesmo noite e
principalmente por serem estas criações de sua parte, vinculadas ao
livro que apresentaria aos seus leitores e fãs da sua carreira musical.
Nesses
termos, eu e Kim trabalhamos separadamente e compusemos músicas nesse
esforço de usarmos seus poemas com forte dose surrealista na essência,
uma marca registrada do trabalho do Ciro.
Foi
marcado um ensaio de reconhecimento dessas ideias brutas a visar
ajustes na métrica, bem básicos, a fim de preparar minimamente o corpo
dessas novas canções, para que pudessem ser ensaiadas de forma elétrica
em dois apontamentos marcados próximos da data do show e noite de
autógrafos.
Em
algum dia de setembro de 2015, nos reunimos então na residência do Ciro
Pessoa, que ficava localizada no bairro do Jardim Bonfiglioli, zona
sudoeste de São Paulo e lhe mostramos as ideias brutas. Participamos
então com a minha (Luiz) presença, além dos demais companheiros, Kim
Kehl e Carlinhos Machado. Isabela Johansen não participou do ensaio,
apesar de ser componente da banda e esposa do Ciro na ocasião, pois ela
estava fortemente gripada e naturalmente indisposta.
Nesses
três áudios que eu encontrei em 2023, o que se ouve é o resultado bruto
da apresentação de ideias para duas músicas que eu havia proposto
mostrar aos companheiros, ao ter musicado os poemas que o Ciro havia me
enviado previamente.
As
gravações desse esforço de apresentação acústica, foram feitas através
do telefone celular do Carlinhos Machado. E ali na hora, eu e Kim usamos
violões e o próprio Carlinhos tocou percussão de forma bem simples,
apenas para nos guiar ritmicamente.
"Planície
dos Sonhos" (Ciro Pessoa-Luiz Domingues) - Ensaio acústico - parte 1 -
Em algum dia de setembro de 2015. Captura de áudio: Carlinhos Machado.
Promo para a internet em 2023: Luiz Domingues
Eis o link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=ylQBzarCRwE
Em
suma, se trata de uma captura bem modesta de um ensaio improvisado.
Portanto, o áudio é muito precário, deixo essa ressalva bem assinalada
para quem se interessar em ouvir o material. E mais um dado, a se tratar
de uma preliminar apresentação de ideia, super crua, mediante violões
& percussão e além do mais, com a melodia a carecer de muitos
ajustes para alcançar a métrica necessária para ser bem moldada ao
poema. Em suma, este material tem maior valor pelo seu aspecto de
raridade em si do que pela excelência musical exposta.
"Planície dos Sonhos"
(Ciro Pessoa-Luiz Domingues) - Ensaio acústico - parte 2 - Em algum dia
de setembro de 2015. Captura de áudio: Carlinhos Machado. Promo para a
internet em 2023: Luiz Domingues
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=yhymGHmLrak
No
caso da canção: "Planície dos Sonhos", eu apresentei uma ideia minha
que eu havia apresentado para ser usada no meu tempo como componente do
"Pedra", mas como é sabido pelo leitor que acompanha a minha
autobiografia com atenção, naquela banda eu tinha muita dificuldade para
propor ideias e não apenas as musicais e assim, quando o Ciro me pediu a
colaboração para musicar um dos seus poemas, eu tentei resgatar essa
concepção.
Musicalmente,
o som que eu propus, se mostrava todo registrado em frases semi
cortadas a conter o efeito da síncope e também sob o efeito anacruse, ou seja, mais a lembrar R'n'B
com certo charme de Jazz'n' Blues do que algo verdadeiramente
psicodélico como o Ciro desejaria que eu compusesse, mas isso em sua
parte 1, pois eu acrescentei duas outras partes ao mapa primordial da
canção e estes a remeter a uma espécie de"Space
Rock" bem dos primórdios daquela transição da psicodelia britânica para
o Rock progressivo, algo muito difundido principalmente entre 1968 e
1970. E claro que o Ciro adorou a ideia, assim que ouviu a proposta,
"floydiano" contumaz que o era, no entanto, e é bem nítido nesses áudios
que eu resgatei, a melodia carecia de ajustes para se encaixar na
métrica mais complexa registrada entre a proposta de divisão rítmica e a
poesia.
Sobre o poema escrito pelo Ciro Pessoa e que faz parte do seu livro, "Relatos da existência caótica", eis o seu teor:
Planície dos sonhos (Ciro Pessoa-Luiz Domingues)
"Bem que eles me avisaram: cuidado, cuidado!
Mas uma vez acionado o botão nada mais poderia ser feito em termos de saída a entrada era quem dava o destino.
Fios
de arame cintilantes estendidos em sequência horizontal que conduziam a
uma tarde de chuva na silenciosa cidade de vidro onde duas senhoras
inglesas tomavam chá.
E mais além uma noite violeta debruçada sobre o livro encantado de uma menina de longos cabelos ruivos.
Dezenas de quadros fixados simetricamente um ao lado do outro.
Sequência de luzes coloridas e explosivas.
Na usina dos desejos paredes de vidro e a extensão infinita da planície dos sonhos".
"Xadrez Cósmico"
(Ciro Pessoa-Luiz Domingues) - Ensaio acústico - Em algum dia
de setembro de 2015. Captura de áudio: Carlinhos Machado. Promo para a
internet em 2023: Luiz Domingues
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=AoYQ4681DtU
Sobre
" Xadrez Cósmico", a ideia foi em torno de um Rock'n'Roll bem mais
básico, com intenção "Rollingstoniana" explícita. A posteriori, o Kim
Kehl acrescentou ideias para a composição e se tornou coautor da canção,
mas até esse ensaio, a criação esteve restrita ao Ciro e eu (Luiz).
Sobre
a letra, apesar da roupagem musical ter ficado mais em torno do Rock
visceral, a estrutura poética permaneceu surreal por excelência, o que
talvez não fosse o mais adequado em termos de combinação, no entanto,
nos soou bem interessante a conjunção proposta e assim, essa música foi
bem mais facilmente preparada em seu arranjo e tocada ao vivo, embora a
outra, "Planície dos Sonhos" também teve a execução no show que lançou o
livro e da minha parte, uma outra canção que já havíamos preparado
desde 2014, e igualmente de um poema que faz parte do livro ("Ecos da
tagarelice mental"), também foi executada. nesse citado espetáculo. Esta
canção, por sinal, a conter além de Ciro e eu (Luiz), a coautoria do
Carlinhos Machado.
"Agora
que a ciência é a rainha da Magia-Turbulência e que os contatos de
todos os graus são regidos por uma lei inevitável, o homem passa a ser
um ser estritamente cósmico!
Agora
que o espaço ocupado pelas certezas ameaça o ciclo das luminosas
revelações o vulcão sonâmbulo dá sinais de insanidade e vomita flores
quentes sobre o vale azul!
Agora
que hostes de extraterrestres e astronautas levitam em acrobático
séquito através do espaço tem início o espiral jogo do xadrez cósmico!"
Para
colocar esse material no YouTube, eu usei o recurso de um painel de
fotos estático para ilustrar, a conter fotos do show que a nossa
formação havia feito no Teatro Parlapatões de São Paulo, em junho de
2014, mediante fotos clicadas por Lara Pap e Birão Ramin
E
assim foi a história desse resgate de um material bem improvável, mas
que no entanto, reforçou o acervo que eu tenho sobre a minha passagem
pela banda de apoio a Ciro Pessoa, "Nu Descendo a Escada", trabalho que
efetuei de agosto de 2011 a fevereiro de 2016.
Mas
não parou por aí. Pois ao revistar o fundo do baú, eis que eu achei uma
gravação a conter uma apresentação ao vivo de Ciro & Nudes, e daí
fui investigar a viabilidade de colocar esse material no YouTube e
quiçá, lançar um CD pirata, o que seria sensacional para agregar mais
substância à história desse trabalho.
Exatamente
como eu sempre saliento quando encerro um capítulo inédito sobre a
Patrulha do Espaço, em decorrência de um fato novo que surge, esta,
entre todas as minhas ex-bandas de carreira, é uma das, senão a maior
propagadora de novidades adicionais, tamanho é o seu poder de resgatar
de uma forma muito natural, material raro produzido por suas muitas
formações e a nossa, a dita "chronophágica" não foge a essa boa regra.
Se
em 2023 eu repercuti o lançamento do luxuoso álbum ao vivo gravado nos
idos de 2018, como a última ocorrência a ver com a minha formação, eu
sabia de antemão que a priori, havia muito mais material coletado com
gravações de shows cumpridos entre 2018 e 2019, para ser aproveitado e
nesses termos, eu não descartaria o lançamento de mais um disco ao vivo,
ou no mínimo, que essa produção que foi extensa e mediante ótima
qualidade de áudio, suscitasse muitas músicas lançadas sob o caráter "ao
vivo" com possibilidade de serem inseridas em coletâneas ou como faixas
bônus de eventuais discos de estúdio gravados pela atual formação da
banda.
No
entanto, eis que por volta de setembro de 2023, fui procurado pelos
meus amigos, Rolando Castello Junior e Marcello Schevano, que me
consultaram sobre a possibilidade de eu lhes fornecer material em geral,
fotos sobretudo, dos bastidores da gravação do CD ".ComPacto" cujas
sessões de gravação ocorreram em 2001.
Infelizmente,
o material sobre essa produção é extremamente escasso e o pouco que
temos é exatamente o que está publicado no meu Blog 3, ou seja, com tal
veículo a se tratar do museu virtual da minha carreira musical. Bem, a
despeito desse parco material possível, é claro que os atendi
prontamente.
Em
princípio, eles não esclareceram nada a respeito de sua busca
específica por tal material, no entanto, nem foi necessário, pois ficou
claro para mim, que havia a intenção de preparar uma remixagem e
remasterização da obra, e possivelmente mediante uma embalagem luxuosa,
para relançá-lo possivelmente em 2024.
Passado
mais um tempo, eis que o Marcello conversou comigo e enviou-me um vídeo curto a demonstrar que estava a trabalhar exatamente nessa tarefa,
a bordo do seu estúdio de alto padrão, o Orra Meu.
Eis
o vídeo citado acima, onde se vê a simpática e competente persona de
Gustavo Barcellos, técnico muito gabaritado e que atuava há anos nos
estúdios Orra Meu, a trabalhar no processo de remixagem e
re-masterização do álbum ".ComPacto" da Patrulha do Espaço. Segundo
semestre de 2023. Filmagem e cortesia: Marcello Schevano
Abaixo, está o link para assistir no YouTube, diretamente:
https://www.youtube.com/shorts/tB_QDZfBh-0
A
me explicar melhor, ele contou-me que havia recuperado as fitas
originais e sim, conforme eu narrei há muitos capítulos anteriores, esse
foi o último álbum que a Patrulha do Espaço gravou da maneira
tradicional antiga, ou seja, mediante padrão analógico.
E
assim, embora esse disco em específico tenha sido gravado sob
circunstâncias dramáticas na época, a perspectiva de passar por uma boa
tentativa de melhora, já me deixou animado. Claro, eu sabia que não dava
para fazer nenhum milagre, pois a captura foi obtida com muitas
dificuldades técnicas em 2001, no entanto, mediante a tecnologia
avançada de vinte depois e ante um estúdio sofisticado como era o Orra
Meu, além do amparo dos técnicos que ali atuavam, incluso o próprio
Marcello, eu fiquei certo de que uma melhora substancial poderia
ocorrer.
O
certo mesmo seria entrar com a banda no estúdio, ali no Orra Meu e
regravar tudo, mas ante o fato da nossa formação não existir mais desde
2004, a possibilidade de se agendar esforços nesse sentido seria bem
difícil, entretanto, no mínimo, um banho de tecnologia atualizada ao
sabor de 2023/2024, haveria de corrigir a timidez da potência sonora com
a qual esse disco foi gravado e mixado entre em 2001 e 2002, para ter
sido lançado em 2003.
Enfim,
mexer nos timbres dos instrumentos propriamente ditos, da captura feita
em 2001, não seria possível, mas imprimir compressão, passar por
re-equalização e por outros paramétricos modernos possíveis na realidade
de 2023, tais medidas haveriam de melhorar muito o padrão geral do
disco.
Em suma, tomei como alvissareira a perspectiva, certamente.
Em
janeiro de 2024, vi uma publicação do Rolando pelas redes sociais e
soube que a produção já estava avançada, pois até capa nova e bem
estilizada o disco já possuía e assim, uma pré-divulgação fora
disparada.
No
âmbito privado, o Rolando conversou comigo e formulou-me o convite para
que eu viesse a participar de um show oficial para esse relançamento,
possivelmente a ser ocorrido em junho de 2024, com a formação
chronophágica reunida novamente para tal ocasião. Claro que aceitei de
bom grado o convite e assim, se abriu a perspectiva para mais um show da
nossa formação e assim a esticar a minha história com essa banda, além
do bom acontecimento do relançamento desse álbum.
Eis
então que foi anunciado através das redes sociais da internet o
lançamento da edição comemorativa pelos vinte e um anos de lançamento do
CD ".ComPacto", de 2003. Foi por volta de fevereiro de 2024, que isso
ocorreu e logo (na segunda quinzena de março), eu pude assegurar a minha
cópia de recordação para que pudesse naturalmente examinar o seu
conteúdo gráfico e principalmente ouvir o seu padrão de áudio mediante o
banho de tecnologia que possibilitara lhe ofertar um resultado sonoro
mais avantajado.
Antes
mesmo de colocar o CD para rodar no "CD player", ao examinar a parte
gráfica a conter capa, contracapa e encarte, fiquei impactado pela
qualidade do material, mas não surpreso, pois conheço bem a mentalidade
do Rolando Castello Junior e o quanto ele mantém como meta, apresentar
os trabalhos da banda com o máximo de qualidade possível.
Nesses
termos, o encarte luxuoso muito dignifica esse relançamento também por
esse aspecto e dentro dessa prerrogativa, há de se destacar a qualidade
do texto. Já falei anteriormente ao longo da minha autobiografia que
considero o Rolando um ótimo redator e por conseguinte, acho que ele tem
talento para se tornar um escritor muito bom, portanto, a seguir o
padrão de todos os encartes de discos da Patrulha do Espaço dos quais
ele preparou o texto, mais uma vez a narrativa chama a atenção pela
excelente assertividade, prosódia e a conter uma boa dose de emoção
implícita, a revelar também o lado dele como romancista, ou seja, a
criar emoção, mesmo que não esteja a tratar de uma história fictícia,
mas a relatar um fato histórico da vida real.
Acrescento
que na prática, esses textos que ele registra para dar substância aos
encartes dos discos, são na prática as memórias a envolver a história da
banda, e por conseguinte, também de seus componentes e ex-componentes e
dele próprio, é óbvio, portanto, fica o meu convite para que ele se
debruce no computador e escreva logo a sua autobiografia, de fato, pois
haverá de ser rica em dados e histórias e sem dúvida, muito bem escrita.
E
assim, toda a história sobre a gravação do CD ".ComPacto" foi contada
com sinceridade, ou seja a destacar as dificuldades técnicas que tivemos
sob o ponto de vista financeiro, a precariedade do estúdio que usamos, a
boa vontade do técnico Kôlla Galdez que ali trabalhava e por uma imensa
sorte nossa, era fã da nossa banda e assim, deu o seu melhor para sanar
as falhas técnicas de um estúdio em péssimo estado de conservação com o
qual nos deparamos, para que a captura primordial se consolidasse
naquele instante dramático para nós.
Falou
também sobre o clima da banda naquele momento e eu concordo com o que
ele observou, pois estávamos de fato, muito entrosados sob o ponto de
vista musical, com a formação consolidada em torno de dois anos de
trabalho intenso e assim, quando fomos gravar as músicas que compõem o
CD .ComPacto, isso também foi um fator preponderante para suplantarmos
as enormes adversidades técnicas que nos atazanaram naquele estúdio tão
mal cuidado.
Façamos
justiça, além do nosso preparo exemplar sob o ponto de vista musical e
da extrema ajuda e entusiasmo da parte de Kôlla Galdez, é fato que os
dirigentes do estúdio, foram camaradas conosco no frigir dos ovos no
campo do acerto financeiro proposto e isso também foi observado no
texto.
Há
também a justa menção à participação do poeta, escritor e ativista
cultural, Luiz Cichetto "Barata", que foi road manager da banda nos idos
de 2002 até 2004, na concepção da capa original do CD ".ComPacto" de
2003, a envolver não apenas a sua participação intelectual nesse
processo, mas a abranger também o esforço que ele operou ao nosso lado
para materializar a confecção da capa do disco original no formato de
uma velho compacto de vinil, algo que foi difícil para se obter nos idos
de 2003, quando simplesmente não se encontrava mais nenhuma fábrica de
vinis a conter a exclusiva "faca", ou seja, um artefato gráfico, na
verdade uma guilhotina específica para cortar o papelão impresso para
formatar a capa de um antigo "compacto".
Rolando
também menciona com atenção o trabalho do artista ilustrador, Marcos
Mündell, que também é músico (percussionista). Ele foi o autor do
logotipo em forma de brasão que ilustra a capa do CD original de 2003 e
que foi devidamente reutilizado para este relançamento.
Sobre
o material fotográfico, o Rolando Castello Junior operou um autêntico
milagre, pois mediante o parco material do qual dispúnhamos
especificamente sobre as sessões de gravação desse álbum, ele reuniu o
máximo que pôde e nesse caso a encontrar fotos que eu não tinha no meu
acervo, o que muito me alegrou, certamente, para compor com algumas
fotos de shows ao vivo da época e mesmo não necessariamente a ver com a
época exatamente, além das fotos promocionais que foram usadas no CD
original.
Lastimo
que não tenham sido encontradas as demais chapas da sessão de fotos de
onde extraiu-se tal material, o que seria sensacional. Creio que a Ana
Fuccia, nossa querida e grande amiga, que foi a fotógrafa desse
trabalho, não tenha achado tal material no decorrer de 2023,
infelizmente.
Ao
seguir o padrão dos relançamentos de todos os discos da Patrulha do
Espaço nos últimos três anos, ou seja, desde 2021, além do encarte super
rico mediante inúmeras páginas, há também a presença de um invólucro, a
conter uma apresentação formal do "kit" que ali se apresenta e com
direito a uma diferenciação no seu verso, ou seja, a proporcionar um
adendo para enriquecer ainda mais a questão visual do álbum.
Toda
a parte de lay-out da parte gráfica ficou a cargo da minha amiga, Marta
Benévolo, que é vocalista da Patrulha do Espaço há muitos anos e também
é uma artista plástica extremamente criativa, portanto, a sua
habilidade para idealizar e comandar a arte final das capas de discos,
cartazes e todo material visual que a banda usa na sua produção, é
exemplar e neste caso, ficou mais uma vez nítida a sua ótima
participação com tal tarefa muito bem executada.
Sobre
o áudio devidamente remixado e remasterizado, eu falo a seguir,
inclusive a repercutir as boas surpresas que essa produção providenciou,
no sentido de que abrilhanta ainda mais esse relançamento.
Se
a parte gráfica eu já havia constatado que ficara um luxo mediante tal
versão repaginada do CD ".ComPacto", doravante rebatizado como:
"Compacto+/Maioridade", no quesito do áudio, eu escutei o disco dentro
das minhas possibilidades caseiras prosaicas e certamente que levei em
conta que os meus parâmetros possíveis eram muito modestos para poder
ter uma audição à altura e consequente formação de opinião. Dentro dessa
percepção pouco avantajada, cheguei à conclusão de que o esforço
empreendido por Gustavo Barcellos e Marcello Schevano, se deu no sentido
de inibir frequências graves e assim, melhorar a percepção auditiva dos
médios e agudos, para se realçar os instrumentos harmônicos e as vozes,
sobretudo.
Bem,
eu não era técnico e ainda não sou, porém, sem de forma alguma querer
me aventurar a tecer conjecturas de um assunto do qual pouco ou nada
entendo, tenho em mente que ante um áudio tão prejudicado em sua origem,
realmente não dava para operar nada muito diferente do que foi feito
nesse esforço pós-moderno que eles exerceram.
Em
suma, o pouco de som do baixo que havia na gravação original de 2001
(mas lançado em 2003), ficou nesta versão remixada e remasterizada,
ainda mais obscurecido, ou seja, foi sacrificado em prol da melhoria de
outros aspectos dessa gravação.
Falei
isso ao Marcello, en passant, quando eles ainda trabalhavam nessa
remixagem, e ele me perguntara discretamente o que eu estava a achar
sobre tal esforço mediante um breve vídeo que me enviara do trabalho
então em andamento e eu opinei sobre essa minha impressão, mas ele não
confirmou, tampouco refutou a minha percepção superficial. Tudo bem, não
fiquei chateado, pois sei o quanto essa gravação foi sofrida em 2001.
Em
meados de maio de 2024, eu pude fazer uma audição do CD em um estúdio
profissional bem equipado, talvez não com o grau de sofisticação sonora
do estúdio Orra Meu, mas com um padrão muito bom para uma audição e
mesmo com os falantes woofer e subwoofer ali existentes e mediante o
apoio de equalizadores de última geração, não mudou a minha impressão
inicial caseira sobre a ausência quase que total da presença do baixo
nas faixas, a confirmar que a linha de atuação nessa remixagem foi no
sentido de se eliminar o excesso de frequências graves e assim, o baixo
foi sacrificado.
De
fato a gravação ganhou uma amplitude de frequências médias e agudas a
garantir um ganho para as vozes, guitarras e teclados e um pouco mais de
definição para a bateria, porém, para tal resultado, pagou-se um preço.
Bem,
entendo perfeitamente as condições ruins com as quais lidamos em 2001
na captura primordial dessa gravação e os esforços que foram feitos para
minimizar esse baixo rendimento técnico ao longo de 2002, mediante uma
mixagem também bastante equivocada, para se lançar o disco em 2003 com
tais deficiências muito claras para nós. E entendo o esforço de
2023/2024 para relançar o álbum com uma melhor condição sonora possível e
por isso não reclamo, apesar de no meu caso em específico, não ter sido
a melhor solução, muito pelo contrário.
Eis abaixo as faixas do disco para a audição do leitor:
1)
"São Paulo City" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid) - Faixa extraída do CD
comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD
".Compacto" - 2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/T6r5Tw12oDE
2)
"Louco um pouco zen" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz
Domingues-Rolando Castello Junior) - Faixa extraída do CD comemorativo
"Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" -
2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/Wj9-dyEEQEk
3)
"Sendas Astrais" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz Domingues) - Faixa
extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e
aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/qESyXGpdHDU
4)
"Homem Carbono" (Marcello Schevano-Rodrigo Hid-Luiz Domingues-Rolando
Castello Junior) - Faixa extraída do CD comemorativo
"Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" -
2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/7Xhkem8jm0o
5)
"Nem tudo é razão" (Rodrigo Hid) - Faixa extraída do CD comemorativo
"Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" -
2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/rYaU4io7vv8
6)
"Terra de Minerais" (Marcello Schevano) - Faixa extraída do CD
comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD
".Compacto" - 2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/zbGFr1pwNI0
7)
"Tooginger" (Rolando Castello Junior) - Faixa extraída do CD
comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD
".Compacto" - 2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/lrwbmf7DFsw
8)
"Sendo o tudo e o nada" (Faixa bônus) - (Marcello Schevano) - Faixa
extraída do CD comemorativo "Compacto+/Maioridade", versão revista e
aumentada do CD ".Compacto" - 2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/Klp1f57mv9M
9)
"Sendas Astrais" (versão alternativa) (Marcello Schevano-Rodrigo
Hid-Luiz Domingues) - Faixa extraída do CD comemorativo
"Compacto+/Maioridade", versão revista e aumentada do CD ".Compacto" -
2003-2024
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/wjjn1rf9VZ4
Em
maio, eu recebi os primeiros comunicados sobre o show que faríamos no
Sesc Belenzinho em junho. Pelo que a Marta Benévolo me falou
inicialmente e depois confirmado pelo Marcello e também pelo Rolando, a
atual formação da Patrulha começaria o show com uma compilação de
músicas clássicas e algumas mais modernas e na parte final do show, a
nossa formação chronophágica entraria em cena para tocar as músicas do
CD ".ComPacto", ou melhor, a sua versão repaginada como
"Compacto+/Maioridade" na sua íntegra.
Em
junho, dois ensaios selariam essa nova oportunidade da nossa formação
se reunir e tocar essas músicas que não tocávamos desde 2003 e algumas
delas, que tocávamos antes mesmo de serem gravadas, em 2000 e 2001. Por
esse aspecto, eu gostei muito dessa oportunidade de celebração.
Da
esquerda para a direita, em pé: eu (Luiz Domingues), Marcello Schevano e
Rolando Castello Junior. Sentado: Rodrigo Hid. Ensaio da Patrulha do
Espaço em sua formação "chronophágica" no estúdio Orra Meu de São Paulo.
5 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo
No
dia 4 de junho de 2024, a nossa formação chronophágica se reuniu nas
dependências do estúdio Orra Meu e realizou o primeiro de dois ensaios a
visar a preparação para o show marcado para o dia 7 do mesmo mês.
O
combinado foi tocarmos as seis músicas do CD ".ComPacto", lançado em
2003, doravante rebatizado como: "Compacto+/Maioridade" na versão
remixada e remasterizada, embalado por uma luxuosa concepção gráfica,
rica em texto e fotos, além de conter faixas bônus, conforme eu já havia
detalhado anteriormente. Fica a ressalva que a sétima faixa original
desse trabalho, a se tratar de um tema instrumental só com a presença da
bateria, mediante um curto mas belo solo ("Tooginger"), ficou de fora
do show, por escolha do Rolando Castello Junior, mas pairou no ar a
impressão de que no decorrer do show ele a tocaria de improviso.
Bem,
foi um prazer reencontrar os companheiros, assim como o pessoal do
estúdio e o meu velho amigo, Ricardo Schevano, que gentilmente me cedeu
um de seus lindos baixos vintage para que eu ensaiasse com todo o
conforto, sem me preocupar em ter que levar um baixo meu. Dessa forma,
tive o prazer de tocar com o seu Rickenbacker preto, modelo 4001, de
1973, e o timbrei com toda a sua pompa e circunstância a obter um som de
primeiríssima qualidade para ensaiar com muito prazer.
Passamos
todas as músicas, e nos surpreendemos, pois não tocávamos essas músicas
há mais de vinte anos e algumas delas, nem foram muito executadas na
época em que a banda esteve reunida e muito, mas muito mesmo, afiada.
Claro, todos fizemos a "lição de casa", ao preparar previamente cada um a
sua parte, e isso colaborou para que a performance fosse acima da média
esperada com tanta ferrugem acumulada. E logicamente que algumas
arestas ficaram para ser aparadas no ensaio posterior, pois foram muitos
detalhes a ser observados, principalmente nos temas mais progressivos,
"Terra de Minerais" e "Sendas Astrais", ambas, peças longas e a seguir a
cartilha do Prog-Rock clássico, ou seja, com muitas partes, convenções,
mudanças de andamento, fórmulas de compasso diferentes e execução
sofisticada de cada instrumentista em seus respectivos arranjos
individuais.
Todavia,
para um primeiro ensaio, foi muito bom o desempenho, nos tranquilizando
em relação ao segundo ensaio que tínhamos marcado. Não fotografamos e
filmamos o primeiro ensaio, mas a querida amiga Marta Benévolo,
vocalista da formação atual e aliás, há muitos anos da nossa banda,
registrou o ensaio do dia seguinte, uma terça-feira, dia 5 de junho e de
fato, apuramos mais o desempenho.
No
sentido horário: Rolando Castello Junior na bateria, Marcello Schevano
nos teclados (com Ricardo Schevano na sala técnica ao fundo a operar a
mesa do PA, Rodrigo Hid na guitarra e eu (Luiz Domingues, no baixo.
Ensaio da Patrulha do Espaço no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de
junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo
No
dia seguinte, 4 de junho, melhoramos bastante a performance coletiva em
torno das músicas: "Terra de Minerais" e "Sendas Astrais". "Louco um
pouco zen", um Acid-Rock de andamento acelerado, deu um pouco de
trabalho por conta de seu mapa cheio de marcações não usuais, mas creio
que nos deu segurança para tocarmos ao vivo.
"Nem
tudo é razão", música que tocamos pouco na nossa fase em grande forma,
soou muito bem, a denotar que todos se prepararam bem individualmente na
pré-preparação. Até arriscamos fazer os backing vocals cheio de
nuances, bem ao estilo de bandas sessentistas que nos inspiraram nessa
concepção de arranjo.
E
canções como: "São Paulo City" e "Homem Carbono" saíram com bastante
facilidade, pois nós a tocamos muito na nossa fase como banda unida e
nas reuniões sazonais que tivemos em 2014, 2016 e na turnê de 2018-2019,
tivemos a oportunidade de tocá-las.
1) "Louco um pouco Zen" - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo
Eis o link para assistir no YouTube: https://youtu.be/mpSf8ESpWIE
2) "Louco um pouco Zen" (vídeo 2) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo
Eis o link para assistir no YouTube: https://youtu.be/01HheBtqZX4
3) "Louco um pouco Zen" (vídeo 3) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo
Eis o link para assistir no YouTube: https://youtu.be/OvWTv13j7c8
4) "Louco um pouco Zen" (vídeo 4) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo
Eis o link para assistir no YouTube: https://youtu.be/Evtx3L_2o1E
5) "Louco um pouco Zen" (vídeo 5) - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo
Eis o link para assistir no YouTube: https://youtu.be/NCGHiMtZy6A
6) "Terra de Minerais " - Ensaio - Estúdio Orra Meu - 4 de maio de 2024. Filmagem e cortesia: Marta Benévolo
Eis o link para assistir no YouTube: https://youtu.be/FoMCdc3YNWw
Nas
duas primeiras fotos, Rodrigo Hid e eu, Luiz Domingues em ação. Na
terceira foto, Rolando Castello Junior e Marcello Schevano (só por
detalhe). Patrulha do Espaço no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de maio
de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Marta Benévolo
Bem,
como o Marcello observou bem, o ideal seria promovermos mais um ou dois
ensaios e certamente que a velha forma exuberante da nossa formação
voltaria, no entanto, mesmo com apenas dois ensaios, acho que cumprimos o
básico e nos colocamos em ordem para fazer uma apresentação digna e
assim honrar a nossa formação, também o disco que lançamos em 2003, com
tanto sacrifício e agora em 2024, o relançamos com maior qualidade.
Mais
uma foto da banda a atuar no ensaio. Patrulha do Espaço no estúdio Orra
Meu de São Paulo. 4 de maio de 2024. Click, acervo e cortesia: Marta
Benévolo
Bem,
diante disso, o próximo passo foi irmos ao Sesc Belenzinho do dia 7 de
junho de 2024. Mais uma oportunidade para celebrarmos a formação
chronophágica e sobretudo, a honrar o segundo álbum de estúdio que
gravamos no início dos anos 2000.
Da esquerda para a direita
em pé: eu (Luiz Domingues), Marcello Schevano e Rolando Castello Junior.
Sentado: Rodrigo Hid. Ensaio da Patrulha do Espaço em sua formação
chronophágica no estúdio Orra Meu de São Paulo. 4 de junho de 2024.
Click, acervo e cortesia: Marta Benévolo
Pois
é, entre todas as bandas pelas quais atuei, a Patrulha do Espaço é
seguramente a que sempre gerou novidades, mesmo tendo a nossa formação, a
dita "chronophágica", encerrado a sua fase desde 2004, ou seja, entre
material físico propriamente dito em termos de discos ao vivo póstumos,
coletâneas e material de vídeo, fotos e portfólio, o fato é que a nossa
formação viveu eternamente a ser relembrada, reverenciada e elogiada, o
que muito me alegra e naturalmente aos meus companheiros de jornada,
igualmente.
É
bastante racional esse fenômeno, no sentido de que o grande mentor da
banda, o nosso baterista, Rolando Castello Junior, sempre se preocupou
em não apenas manter intacta a memória da banda, mas ao avançar nesse
sentido, sempre a criar fatos novos para reforçar o acervo de uma
maneira geral do grupo, a privilegiar todas as suas fases e nesse
sentido, a "era chronophágica" da qual sou partícipe com orgulho, foi
das mais privilegiadas, eu agradeço por isso.
É
claro, fator preponderante também foi que a banda estava ativa em 2024,
a esticar a sua carreira muito e garantir uma longevidade enorme para
os padrões do Rock e sobretudo em termos de Rock brasileiro, algo raro. É
bem verdade que houve um anúncio de encerramento oficial das atividades
em 2018, e nas páginas da minha autobiografia estão descritos esses
momentos dos quais participei como convidado especial dos previstos
últimos shows da história dessa banda, que cumpri em São Paulo e em
cidades interioranas do Paraná e Santa Catarina.
Mas
eis que no momento imediatamente anterior ao advento da grande pandemia
de 2020, o Rolando anunciou nova formação e continuidade assegurada,
com regravação de duas músicas do repertório clássico da banda ("Vamos
curtir uma juntos" e "Simples Toque"). Essa formação foi prejudicada
pela quarentena forçada e só pôde tocar em 2023, mas resiliente, a banda
se reinventou de novo e continuou a lançar material, com relançamento
de discos clássicos remasterizados e mediante a presença de bônus. Nesse
quesito, a também privilegiar a minha formação chronophágica, que bom,
fiquei contente.
Vale
relembrar que eu fiz um show sazonal com a Patrulha do Espaço em 2021,
por ocasião da solenidade de entrega do prêmio Dynamite de música
independente, no qual a banda foi agraciada pelo conjunto da obra e
esteve presente nessa ocasião, quase a formação chronophágica completa, a
faltar apenas o companheiro, Rodrigo Hid. Tal participação marcou na
minha memória por haver acontecido em meio aos testes de contaminação
feitos no próprio teatro no qual gravamos a nossa participação, uso de
máscaras, constante uso de álcool gel e medo pelo contato em meio a uma
fase aguda da disseminação total da doença pelo ar.
Bem,
veio o ano de 2023 e a notícia de que o álbum ".ComPacto", seria
remixado, remasterizado e ganharia uma embalagem de luxo, além de faixas
bônus. Portanto, uma ação direta a reverenciar a memória da nossa
formação. E a seguir, a perspectiva de um show com a formação
chronophágica completa e com a missão de executar todas as músicas desse
álbum ao vivo, algo que certamente coroou essa ação.
Pois
foi com essa perspectiva que eu me dirigi à unidade do Sesc Belenzinho
no dia 7 de junho de 2024, bastante feliz por tocar novamente com os
velhos companheiros e também por executar essas canções todas contidas
nesse disco, que inclusive, algumas delas nós nem tocamos com
regularidade quando a formação estava unida e a cumprir uma frenética
agenda em meio a muitas turnês no início dos anos 2000, portanto, que
oportunidade rica haveria de ser para escrevermos mais uma página nessa
história, algo que literalmente eu exerço neste instante preciso no qual
redijo este trecho e eternizo a posteriori, mediante cada leitura que
meus leitores e fãs da banda haverão de realizar em tempos futuros.
Uma
visão do palco no período vespertino, quando os técnicos montavam o
equipamento. Vê-se a presença de Rodrigo Hid no enquadramento, a usar
camiseta de cor cinza e calça de cor marrom. Patrulha do Espaço no Sesc
Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia:
Marinho Rocker
Da
esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), Rodrigo Hid, Rolando
Castello Junior e Marcello Schevano. Patrulha do Espaço no Sesc
Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia:
Marinho Rocker
Cheguei
no horário combinado ao recinto e paulatinamente todos os companheiros e
membros da equipe técnica foram aparecendo no amplo salão da chamada
"comedoria", ou a trocar em miúdos, a se tratar do amplo salão usado
como um gigantesco restaurante e que se transforma em espaço para shows
ao vivo naquela unidade.
O
trabalho foi muito bom da nossa equipe, dos quais com exceção de um
rapaz mais novo que deve ser funcionário do estúdio Orra Meu, e
funcionário do Marcello Schevano, reconheci todos: Ricardo, um excelente
roadie, o responsável pela "lojinha" de vendas de CD's e souveniers,
Wilson "Caramelo", e os clássicos roadies da nossa banda, desde o apogeu
da nossa formação: Samuel Wagner e Daniel "Kid".
Fiquei
bastante satisfeito igualmente com a equipe terceirizada designada pelo
Sesc para a operação do equipamento de PA, monitoração e iluminação.
Além de muito bem preparados no quesito técnico de suas respectivas
funções, todos se mostraram solícitos, respeitosos e humildes em
contraste com a média normal nesse meio que é a de termos que lidar com
gente presunçosa, prepotente e com acentuada presença de estrelismo
descabido. No camarim, eu pude conversar com o técnico de monitor
(Chico), por bastante tempo e gostei da sua postura super profissional, e
ao mesmo tempo, bastante cordial, quando me contou boas histórias sobre
o seu trabalho em geral e shows recentes de medalhões da MPB que havia
realizado como técnico, bem recentemente.
Faço
um parêntese, no entanto, para registrar que o Sesc sempre foi uma
instituição elogiável sob muitos aspectos, porém, constantemente pecava
pela extrema burocracia exigida nas tratativas dos shows e por regras
esdrúxulas no tocante aos seus protocolos exigidos da parte dos artistas
e técnicos, no dia da apresentação em si. Sei que já falei a respeito
disso em tom de crítica construtiva ao longo de muitos capítulos
anteriores, inclusive sobre outras bandas com as quais eu atuei em
muitas unidades dessa instituição e não apenas da Patrulha do Espaço,
mas não poderia deixar de registrar que na contramão de buscar melhorar a
relação, pelo contrário, houve uma piora acentuada nesse quesito em
2024.
Quando
a companheira, Marta Benévolo, me mostrou um manual de conduta moderno
enviado pela instituição à produção da banda, fiquei pasmo. As
restrições ao trabalho de fotógrafos e cinegrafistas se tornaram tão
absurdas que eu fiquei em dúvida se valeria a pena convidar
profissionais munidos de equipamentos de alto padrão para registrar o
espetáculo ante tais circunstâncias tão adversas e se não seria melhor
contar com a cobertura informal vinda de pessoas da plateia com os seus
registros feitos pela via do telefone celular.
Proibir
o músico de beber água no palco mediante o uso de garrafas pet de
pequeno porte, foi algo surreal e por aí foi o circo de horrores que eu
li nesse manual certamente elaborado por algum energúmeno que não
conhece o funcionamento de um show musical normal.
Bem
mais engessados do que nunca, nos resignamos e brincamos que atrás do
palco deveria existir um filtro de barro, daqueles prosaicos que víamos
nas casas de nossos bisavós e copos de plástico para que os músicos
pudessem se hidratar no decorrer do espetáculo. Pasmem, falamos isso
como brincadeira, mas na hora do show foi quase isso que foi
providenciado, apenas a faltar o antigo filtro citado, substituído por
um garrafão de água, mas o princípio foi o mesmo. Inacreditável e
leve-se em conta que tal dispositivo foi alojado atrás do palco e
mediante uma barreira de "cases" de equipamentos ali existentes. Em
suma, só dava para qualquer músico ir lá beber água após o término da
apresentação, pois no seu decorrer, se tornara impossível pela falta de
mobilidade total. Portanto, algo proposital, certamente como agente
limitador.
Bem,
a despeito desses aborrecimentos injustificáveis, cumprimos o ritual do
soundcheck com relativa tranquilidade, pois em dado momento, o Rolando
Castello Junior pisou em falso ao sair do praticável da bateria e sofreu
um pequeno acidente. Passado o susto inicial e a dor que o acometeu,
fomos ao camarim para aguardar a hora de começar o show.
O
espetáculo foi montado para observar duas partes distintas, com a
formação então atual da Patrulha do Espaço em 2024, a iniciá-lo e na
segunda parte, a formação chronophágica assumiria para tocar o CD
".ComPacto", doravante denominado como: "Compacto+/Maioridade", na sua
íntegra e ao final, as duas formações se uniriam para a execução do
número final.
Foto
1: O excelente baixista, Fabio Cezzar. Foto 2: Marcello Schevano. Foto
3: A cantora, Marta Benévolo e Marcello Schevano ao seu lado. Foto 4:
Fabio Cezzar e Rolando Castello Junior em ação. Patrulha do Espaço no
Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e
cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro
E
assim se cumpriu, quando o decano e único membro de todas as formações,
Rolando Castello Junior subiu ao palco acompanhado da cantora, Marta
Benévolo, que está na banda há quase duas décadas, de Marcello Schevano,
que é da nossa formação chronophágica, mas sempre gravitou nas
produções posteriores da Patrulha do Espaço, mesmo quando a nossa
formação encerrou-se e o mais novo componente, Fabio Cezzar, um
excelente baixista, membro da banda Hard-Rock, "King Bird" e com
destacada passagem pelo histórico grupo, "Casa das Máquinas", e este,
meu amigo de muitos anos.
O
repertório escolhido para ser defendido pela então formação atual de
2024, privilegiou mais músicas da produção contemporânea da banda, com
canções oriundas de seus discos pós-2012, com uma menor incidência do
material mais remoto dos anos setenta e oitenta e a evitar músicas da
fase chronophágica, exatamente por que a nossa formação estaria a
cumprir a segunda e derradeira parte do show.
Foto
1: o trompetista, Beto Pizzulin. Foto 2: O saxofonista, André Knobl com
Marcello Schevano mais à frente.Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho
de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Dean
Cláudio
Mediante
um bom e entusiasmado público, a formação de 2024, tocou com
desenvoltura e nos dois últimos números de sua participação, a
apresentar a espetacular presença dos convidados, André Knobl e Beto
Pizzulin, sax alto e trompete, respectivamente e ambos do grupo
instrumental, NeuroZen, quando foram executadas as músicas: "Vamos
curtir uma juntos" e "Simples toque", peças clássicas do primeiro disco
da banda pós-Arnaldo Baptista, lançado em 1980, e regravadas com esse
arranjo a conter naipe de metais em 2021. E foi bem empolgante, eu posso
afirmar ao assistir a performance dos amigos pela coxia.
Chegara a hora, a formação chronophágica foi chamada ao palco.
Da
esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), Rodrigo Hid e Marcello
Schevano na linha de frente, com Rolando Castello Junior na bateria.
Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024.
Click, acervo e cortesia: Marinho Rocker
Subimos
ao palco apenas eu e Rodrigo Hid, pois o Marcello Schevano já estava a
atuar anteriormente, a representar a formação atual da banda. Não
necessariamente que ele fizesse parte oficialmente da formação de 2024.
No entanto, mesmo com o término da nossa formação, em 2004, ele seguira a
tocar de 2005 até 2010, com regularidade ao vivo e somente depois que o
guitarrista Danilo Zanite se integrou como membro oficial, ele parou de
tocar, mas por pouco tempo, pois sempre foi o elemento coringa a cobrir
lacunas, quando o Danilo não pode tocar e a partir do momento que se
formou como técnico de áudio e sobretudo quando montou o seu estúdio
próprio, também se tornou uma espécie de produtor adjunto dos novos
álbuns e da preparação de relançamentos, além de muitas faixas bônus,
aliás, até os dias atuais de 2024, momento em que escrevo este trecho.
E
assim, com a saída de cena da minha amiga e performática cantora, Marta
Benévolo (eu achei que ela participaria, mas ainda durante os ensaios
prévios, ela me disse que que não estaria conosco, exatamente para a
nossa formação tocar o disco na íntegra com inteira fidedignidade) e de
Fabio Cezzar, o baixista da formação 2024, e meu amigo de longa data,
fomos recebidos por muitos gritos de incentivo e isso me alegrou
sobremaneira.
Eu
(Luiz Domingues), a receber o carinho inicial do público assim que subi
ao palco e na foto abaixo, a afinar o instrumento. Patrulha do Espaço
no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e
cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro
Uma
curiosa manifestação ocorreu quando alguém gritou: "A Chave do Sol" e
imediatamente outra voz ecoou na multidão: "Pitbulls on Crack". E isso
disparou ainda mais vozes: "Kurandeiros", "Língua de Trapo", e até o
nome do "Boca do Céu", alguém evocou e isso me deixou feliz, pois tomei
tal manifestação espontânea como uma grande homenagem à minha longeva
carreira e a denotar que tais trabalhos também marcaram no imaginário
desses fãs, isto é, que prêmio para este velho Rocker, já a visualizar o
final da carreira e da vida, cada dia mais perto como uma realidade
inexorável.
Logo
após o Rolando ressaltar a minha presença e de Rodrigo Hid a
representar a formação chronophágica, junto à ele e Marcello, e que
iríamos tocar o CD que relançávamos, na íntegra, ele mesmo, iniciou a
batida poderosa de sua bateria a demarcar o início da música: "São Paulo
City", o nosso poderoso Blues-Rock inspirado no som dos grupos: "West;
Bruce and Laing", "Mountain" e "Blue Cheer", entre tantas referências
que carregávamos de uma forma tão natural para o nosso DNA Rocker.
A
formação chronophágica em ação. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho
de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Alexandre
Quadros
Foi
uma performance forte, quase no padrão da nossa grande forma como banda
atuante e afiada no início dos anos dois mil. Digo "quase", pois como
sabíamos bem, mesmo ao nos preparar individualmente em casa,
respectivamente, e a realizarmos dois bons ensaios prévios, não
tocaríamos como uma banda coesa em pleno exercício da estrada, como
vivemos naquela época. Nenhuma banda consegue isso, é algo bem natural
para qualquer artista, pois a dinâmica de uma banda com tal grau de
eficácia ao vivo, só é conseguida mediante a constância absoluta de
shows ao vivo.
Em
suma, foi uma bela performance, que arrancou gritos da plateia ao seu
final e me deu, particularmente, a sensação de que a nossa banda tocou
tecnicamente bem e com bastante energia, "quase" como nos velhos
tempos.
"São Paulo City" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem, edição e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/2dadUYpDRPg
Veio
a seguir a canção: "Louco um pouco zen", um Acid-Rock bem "Hendrixiano"
e eu sei muito bem sobre tal intenção de se buscar o estilo de Jimi
Hendrix como referência, pois no esforço empreendido entre todos nessa
criação, que foi creditada como coletiva, o riff primordial foi a minha
colaboração pessoal para a criação do tema e eu me lembro bem qual foi a
minha influência para criá-lo e o que disse aos companheiros quando
lhes mostrei pela primeira vez tal ideia em algum momento do início de
2001.
Na
primeira foto, eu (Luiz Domingues) no destaque e na segunda, Rodrigo
Hid e Marcello Schevano em ação. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho
de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Alexandre
Quadros
Essa
música tem muitas marcações diferentes, das quais não nos lembrávamos
com absoluta precisão e com mais uma agravante, no sentido de que não a
tocamos em demasia naqueles idos do auge da nossa formação, portanto, no
meu caso, tive que estudá-la em casa a redecorar a sua estranha
repetição de módulos, ora par, ora ímpar. Foi engraçado no ensaio quando
o Marcello Schevano revelou que também teve que estudá-la na sua
preparação e eu confirmei a acrescentar a mesma experiência de minha
parte. Foi quando o Rodrigo Hid arrematou a dizer em tom de brincadeira,
porém com uma "verdade" implícita ao dizer: "por que nós complicávamos
tanto os arranjos das músicas?" Bem, ao enxergar pelo lado da
originalidade, creio que valeu a pena, "complicar" e fugir do óbvio.
A
formação chronophágica por inteiro pela visão do poeta, ativista
cultural e ex-road manager da nossa banda, "Barata" Cichetto. Patrulha
do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks,
acervo e cortesia: Luiz "Barata" Cichetto
Música
de andamento rápido, convenções intrincadas pelo aspecto da divisão
rítmica difícil e que contém um adorável interlúdio no estilo do
Funk-Rock setentista ao sabor de bandas como: "James Gang" e "Trapeze",
apesar de nossa apreensão detectada nos ensaios pelas marcações nada
usuais, ela saiu ao vivo com uma energia tremenda e "swingou" nos seus
momentos estratégicos, exatamente como a concebemos em 2001. Gostei
muito de tocá-la tantos anos depois, com essa energia toda.
"Louco um pouco zen" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/bkw4nUcpLyw
A
formação chronophágica por inteiro no enquadramento. Patrulha do Espaço
no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e
cortesia: Carlinhos Machado
A
seguir, tocamos "Homem Carbono", tema que foi permanente no nosso
repertório de shows ao vivo de 2001 em diante, portanto, apesar da
ferrugem generalizada que tivemos que extrair nesse momento de 2024, a
sua performance não nos causou preocupação nos ensaios, pois nesse
apronto que tivemos, ela saiu com muita desenvoltura e assim se procedeu igualmente no show, com muita energia.
"Homem Carbono" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/FUDefwr2Deg
Foto
1: Eu (Luiz Domingues) no destaque. Vê-se a persona de Ana Fuccia a
mexer na sua máquina fotográfica. Ana foi fotógrafa das fotos oficiais
de dois álbuns lançados pela nossa formação: ".ComPacto" de 2003 e
"Missão na área 13" de 2004. Foto 2: Marcello Schevano aos teclados e
com a persona de Michel Teer, localizado no fosso dos fotógrafos.
Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024.
Clicks, acervo e cortesia: Carlinhos Machado
Após mais uma calorosa recepção do público e a ter em vista que essa canção sempre foi adorada pelos fãs, desde que a lançamos,
chegara a vez de tocarmos uma música que tocamos muito pouco quando da
nossa formação unida e em plena atividade. Falo a respeito de "Nem tudo é
razão", uma bela balada com alto teor sessentista, e que posso afirmar,
a se tratar de uma típica "Beatle song", tipo de composição que o
Rodrigo vivia a criar e propor para nós, seus colegas, a cada novo disco
que planejávamos gravar.
Uma
canção curta, mediante forte padrão Pop, porém com muitos atributos a
conter convenções, solo de guitarra ultra melódico e backing vocals
sofisticados que reproduzimos quase em 100%, só a omitirmos os mais
intrincados, não por falta de vontade de reproduzi-los com
fidedignidade, mas por sentirmos que precisávamos de mais ensaios para
preparar melhor esse detalhe.
"Nem
tudo é razão" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de
áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/tDtJHyflui8
Foto
1: Rolando Castello Junior em ação.Foto 2: eu (Luiz Domingues), no
destaque. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho
de de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Ivan Harris
Fiquei
muito feliz por tocar ao vivo a balada: "Nem tudo é razão", que eu
reputo ser muito bela e mais ainda com a recepção entusiasmada do
público, porque, sim, eu observei bem na frente do palco, muitos fãs a
cantá-la, o que denotou que muitos ali eram admiradores confessos desse
álbum em específico, que estávamos a executar na sua íntegra.
A
formação chronophágica por inteiro no enquadramento. Patrulha do Espaço
no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e
cortesia: Carlinhos Machado
A
seguir, tocamos "Homem Carbono", tema que foi permanente no nosso
repertório de shows ao vivo de 2001 em diante, portanto, apesar da
ferrugem generalizada que tivemos que extrair nesse momento de 2024, a
sua performance não nos causou preocupação nos ensaios, pois nesse
apronto que tivemos, ela saiu com muita desenvoltura e assim se procedeu igualmente no show, com muita energia.
"Homem Carbono" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube:
https://youtu.be/FUDefwr2Deg
Foto
1: Eu (Luiz Domingues) no destaque. Vê-se a persona de Ana Fuccia a
mexer na sua máquina fotográfica. Ana foi fotógrafa das fotos oficiais
de dois álbuns lançados pela nossa formação: ".ComPacto" de 2003 e
"Missão na área 13" de 2004. Foto 2: Marcello Schevano aos teclados e
com a persona de Michel Teer, localizado no fosso dos fotógrafos.
Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024.
Clicks, acervo e cortesia: Carlinhos Machado
Após mais uma calorosa recepção do público e a ter em vista que essa canção sempre foi adorada pelos fãs, desde que a lançamos,
chegara a vez de tocarmos uma música que tocamos muito pouco quando da
nossa formação unida e em plena atividade. Falo a respeito de "Nem tudo é
razão", uma bela balada com alto teor sessentista, e que posso afirmar,
a se tratar de uma típica "Beatle song", tipo de composição que o
Rodrigo vivia a criar e propor para nós, seus colegas, a cada novo disco
que planejávamos gravar.
Uma
canção curta, mediante forte padrão Pop, porém com muitos atributos a
conter convenções, solo de guitarra ultra melódico e backing vocals
sofisticados que reproduzimos quase em 100%, só a omitirmos os mais
intrincados, não por falta de vontade de reproduzi-los com
fidedignidade, mas por sentirmos que precisávamos de mais ensaios para
preparar melhor esse detalhe.
"Nem
tudo é razão" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de
áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/tDtJHyflui8
Foto
1: Rolando Castello Junior em ação.Foto 2: eu (Luiz Domingues), no
destaque. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho
de de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Ivan Harris
Fiquei
muito feliz por tocar ao vivo a balada: "Nem tudo é razão", que eu
reputo ser muito bela e mais ainda com a recepção entusiasmada do
público, porque, sim, eu observei bem na frente do palco, muitos fãs a
cantá-la, o que denotou que muitos ali eram admiradores confessos desse
álbum em específico, que estávamos a executar na sua íntegra.
Rodrigo
Hid e Rolando Castello Junior em destaque. Patrulha do Espaço no Sesc
Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia:
Dean Cláudio
Ao
final do espetáculo a proposta foi misturar as duas formações da banda
para se tocar um número final. Portanto, Marta Benévolo e Fabio Cezzar
voltaram ao palco e além deles, a dupla de metais do NeuroZen, André
Knobl e Beto Pizzulin também voltaram para que todos tocassemjuntos a música "Columbia", o celebrado clássico do repertório mais antigo da banda, junto à formação chronophágica.
Foto
1: As duas formações, 2024 e Chronophágica unidas e com os convidados
especiais do grupo "NeuroZen" a somar conosco. Foto 2: Rodrigo Hid ao
lado de Marta Benévolo, com Rolando Castello Junior atrás, na bateria.
Foto 3: Fabio Cezzar e eu (Luiz Domingues). Patrulha do Espaço no Sesc
Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks, acervo e cortesia:
Ivan Harris
Como
essa música não foi ensaiada pela nossa formação que estava no palco
naquele instante, eu ofereci o baixo ao Fabio Cezzar para que ele
tocasse nesse instante, mas ele insistiu para que eu tocasse, gentil
como sempre e disse-me que faria backing vocals. Dá para ver nos vídeos
que a música começou e eu ainda estava com o baixo fora da correia e a
tentar convencer o Fabio a assumir.
Uma
visão lateral com as duas formações juntas a encerrar o espetáculo.
Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024.
Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado
Tudo
bem, "Columbia" é uma música que não demanda ensaios em via de regra,
tamanha a quantidade de vezes que a tocamos desde 1999, portanto, mesmo
tocando no tom original do disco (em Mi), ao contrário da tonalidade de
Ré, que usávamos no tempo da nossa formação, não tivemos nenhum problema
para tocar e com o vocal encorpado e os metais dos meninos do NeuroZen a
acrescentar demais, o som ficou muito bom.
"Columbia" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/AD5BHTQLtqY
Final
de espetáculo mediante gritos, gente emocionada a entoar o coro de
pedido por "bis" e outros simplesmente a entoar o mantra: "Patrulha,
Patrulha"...enfim, foi uma noitada excelente, bem nas tradições dessa
nave que se recusa a encerrar a sua ronda espacial pelas galáxias do
Rock.
Foto
1: Eu (Luiz Domingues), com Rolando Castello Junior ao fundo na
bateria. Foto 2: Marcello Schevano em destaque. Foto 3: Rodrigo Hid em
ação. Foto 4: Rolando Castello Junior em ação! Patrulha do Espaço no
Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e
cortesia: Dean Cláudio
Assista mais alguns vídeos e promos com áudio capturados desse show. Eis os links abaixo.
1) "São Paulo City" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Wilton Rentero
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=qEvlrpS7TRM
2) "São Paulo City" (trecho) (vídeo 2) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Wilton Rentero
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=P6J2YFl00q0
3) "Sendas Astrais" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=NYiBJhGxS8M
4) "Sendas Astrais" (vídeo 2) (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=8yJM8Ev1afQ
5) "Homem Carbono" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=cAPF3p01pEM
6) "Columbia" (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Osvaldo Vicino
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=JaxdhUEZTmo
7) "Columbia" (vídeo 2) (trecho) - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Filmagem e cortesia: Ana Cristina Domingues
Eis o link para assistir no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=ym2YXYEdADM
8)
"São Paulo City" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de
áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/Zno7Z93uiJM
9)
"Louco um pouco zen" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 -
Captura de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/-0AYs8Kh4TU
10)
"Homem Carbono" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de
áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/FUDefwr2Deg
11)
"Nem tudo é razão" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura
de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/tDtJHyflui8
12)
"Sendas astrais" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de
áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/ZQ0UO6w-SqQ
13)
"Terra de minerais" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura
de áudio, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/TAVyuCnQNdE
14) "Columbia" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho de 2024 - Captura de áudio, acervo e cortesia : Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Eis o link para escutar no YouTube: https://youtu.be/AD5BHTQLtqY
15)
"Columbia" + "Terra de Minerais" - Sesc Belenzinho-SP - 7 de junho 2024
- Filmagem, acervo e cortesia: Willian Rolin (Show F4 All)
Eis o link para ver no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=WhZ_UIQJqJI
As
duas formações e os rapazes do NeuroZen juntos conosco no congraçamento
final junto ao público presente. Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho
de São Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Marinho
Rocker
Muita
gente importante para a nossa formação esteve presente nos bastidores,
entre eles, Ana Fuccia e Michel Teer, fotógrafos que nos acompanharam de
perto naqueles anos de 1999 a 2004, além de Luiz "Barata" Cichetto,
nosso road manager entre 2002 e 2004, cujas histórias vividas
conjuntamente são muitas ao longo da minha autobiografia e ele também
como escritor as registrou devidamente em sua obra, o livro: "Diário de
Bordo", um impressionante relato sobre as suas impressões acerca das
muitas viagens que realizou conosco em meio às turnês que cumprimos.
Foto
1: Que alegria para o meu relato, eis aí personagens importantes da
minha biografia juntos: Osvaldo Vicino (Boca do Céu), Rolando Castello
Junior (Patrulha do Espaço) e Wilton Rentero (Boca do Céu). Vê-se atrás
deles, outros companheiros queridos, tais como Marcello Schevano
(Sidharta e Patrulha do Espaço), Rodrigo Hid (Sidharta, Patrulha do
Espaço e Pedra), Carlinhos Machado (Os Kurandeiros e Boca do Céu) e eu
mesmo (Luiz Domingues). Patrulha do Espaço no Sesc Belenzinho de São
Paulo. 7 de junho de 2024. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click:
Moacir Barbosa de Lima ("Moah"). Foto 2: O feliz encontro do Boca do Céu
com o NeuroZen, todos partícipes da gravação da música "1969" do Boca
do Céu. Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino (Boca do Céu), André
Knobl (NeuroZen), eu (Luiz Domingues - Boca do Céu), Beto Pizzulin
(NeuroZen), Wilton Rentero (Boca do Céu) e Carlinhos Machado (Os
Kurandeiros - Boca do Céu). Acervo e cortesia: Osvaldo Vicino. Click:
Moacir Barbosa de Lima ("Moah")
Em
suma, foi uma noite festiva para todos, e eu fiquei particularmente
muito contente com tudo o que presenciei e interagi nessa noite. E como
de praxe, ao se tratar de Patrulha do Espaço, não dá para afirmar que a
minha história com essa banda se encerra definitivamente neste ponto.
Nada
foi falado nesses dias, mas depois de relançar o CD ".ComPacto",
devidamente reencarnado como: "Compacto+/Maioridade", não seria óbvio o
relançamento do CD "Chronophagia" nos mesmos moldes? E até o CD "Missão
na área 13", que foi bem gravado na época, poderia ser cogitado também
nessa mesma predisposição.
Foto
1: Rolando Castello Junior em destaque a falar com o público. Foto 2:
Rodrigo Hid em ação. Foto 3: Eu (Luiz Domingues). Foto 4: Marcello
Schevano no destaque, com Rodrigo Hid ao fundo nos teclados. Patrulha do
Espaço no Sesc Belenzinho de São Paulo. 7 de junho de 2024. Clicks,
acervo e cortesia: "Discípulo setenta"
Isso
sem contar com a possibilidade sempre premente de lançamento de mais
discos ao vivo, coletâneas e outras surpresas que poderão acontecer a
qualquer momento, e sim, shows de reunião da nossa querida formação
chronophágica para justificar outros lançamentos. Tudo é possível ao se
tratar de Patrulha do Espaço e enquanto o Rolando Castello Junior
estiver vivo, bem de saúde e no comando dessa nave estelar.
Portanto, conforme
eu já esperava, pois me fora comunicado há meses, chegou às minhas mãos
o vinil correspondente ao CD "Compacto +/Maioridade" em outubro de
2024. Tal iniciativa já havia sido tomada há bastante tempo, e na
verdade, nos planos do Rolando Castello Junior, a ideia primordial foi
lançar o CD e a versão para vinil em junho, quando realizamos o show
para celebrar tais novidades no palco do Sesc Belenzinho de São Paulo,
mas infelizmente o LP de vinil simplesmente não ficou pronto a tempo.
Tanto
foi assim que na verdade demorou cerca de três meses para a fábrica
enfim fazer a entrega do lote solicitado e no meu caso em específico, eu
só consegui obter a minha cópia de recordação em outubro.
É
até engraçado para alguém da minha geração se referir ao álbum como
"disco de vinil", pois é óbvio que para pessoas da minha faixa etária,
basta usar a sigla "LP", a designar um "Long Player", para que
entendêssemos sinteticamente do que estávamos a falar. Mas convenhamos, o
vinil caiu em desuso com o avanço avassalador do CD no começo dos anos
oitenta e na sequência, o mesmo ocorreu com o próprio CD ao se tornar
obsoleto em detrimento da Era digital via MP3 e similares. Passado mais
um tempo, vieram as plataformas "streaming" e o YouTube a trazer a ideia
de que mídias físicas não importavam mais, para desespero dos
colecionadores e derrocada das lojas de discos, uma lástima.
Quando
parecia que a escalada frenética do avanço da tecnologia haveria de nos
afastar cada vez mais das velhas formas de ouvir e preservar música
alojada em prateleiras, eis que um "revival" do velho vinil chegou para
se tornar uma nova tendência e na sua esteira, pasmem, até se
ressuscitou a figura da fita K7, novamente romantizada e até uma "volta"
do CD se insinuou no panorama de 2024.
Discussão
sobre "tecnologia vintage versus moderna" a parte, devo registrar
particularmente que foi um prazer ter o LP da Patrulha do Espaço em mãos
e tal qual todo mundo que pertence à minha geração acostumou-se a fazer
costumeiramente nos anos sessenta e setenta, o ritual de colocar o
disco na "vitrola" (ou "pick-up" na forma anglicista de se expressar), e
simultaneamente manusear a capa e o encarte, ao ler toda a ficha
técnica, foi um exercício lúdico e mais do que isso, uma prática vívida
de cultura Rocker como há tempos eu não praticava.
Ao
analisar pelo aspecto da minha trajetória na música, eu não tinha um
trabalho meu lançado em formato "LP", desde 1993, quando o Pitbulls on
Crack, minha banda nos anos noventa, lançou-se no mundo fonográfico
através da coletânea "A Vez do Brasil" pela gravadora Eldorado e veja
bem, leitor: por se tratar de uma coletânea compartilhada com outras
bandas, não foi exatamente um trabalho exclusivo de uma banda minha,
portanto, como último disco inteiramente de um trabalho meu com um grupo
de Rock autoral, a minha experiência de ter um LP, remontara à 1990,
quando o LP "A New Revolution" do grupo The Key, foi lançado pela
gravadora Devil's Discos.
Sobre
o som, gostei da audição a trazer aquele característico som mais
encorpado advindo dos sulcos de um vinil e mesmo com os chiados
inevitáveis que as marcas do tempo acarretam aos discos no contato com a
agulha, ainda sim, eu penso que o vinil tem o seu charme imutável.
E
a respeito do formato da capa e consequente encarte, não tenho dúvidas
sobre as vantagens inerentes desse tipo de produto, mediante uma boa
oportunidade para fazer fluir a arte nas ilustrações, a presença de
fotos e um encarte robusto, com muitas informações inerentes à obra em
si. Neste caso, como a versão em CD veio com um encarte bem avantajado, a
opção por uma condensação do mesmo material foi necessária, acredito,
por uma questão de custo, mas ficou excelente, digno de um típico
encarte de LP de banda de Rock dos anos sessenta e/ou setenta.
Aliás,
ao conversar com os companheiros da nossa formação Chronophágica,
fiquei impactado quando soube do altíssimo custo dessa produção de um LP
nos dias atuais (ao me referir a 2024). A despeito do "vinil" ter
voltado à moda e ter estado a encantar gerações que nasceram sob a égide
digital e na posterior, virtual, os preços não refletiam a sua suposta
popularidade recém adquirida no momento pós-anos 2020, porque os valores
se mostravam estratosféricos e diante disso, o repasse ao consumidor
final ter ficado exorbitante, inevitavelmente.
Em
suma, fiquei feliz pelo lançamento, também pela coragem do Rolando para
empreender nesse sentido, pelo esforço do Marcello na parte técnica ao
oferecer o seu estúdio como apoio e também pela arte requintada da Marta
Benévolo para compor o lay-out da capa e encarte para o CD, e neste
caso, além de ter feito a adaptação da arte para o LP e claro, pelo fato
concreto de particularmente eu ter tido novamente um LP de um trabalho
meu alojado na estante, lado a lado com os discos de meus ídolos que me
inspiraram a adentrar tal universo do Rock. E se estou simbolicamente
lado a lado deles na estante de discos, creio que a minha missão foi
cumprida!
Em
suma, fiquei contente pelo lançamento do LP Compacto+/Maioridade, que
veio a coroar todo o esforço empreendido para relançar o CD ".ComPacto"
de 2003, com direito a um CD remixado e remasterizado, encarte de luxo e
para culminar no mesmo disco sob o formato de um velho LP.
Formação
Chronophágica da Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São
Paulo. 7 de junho de 2024. Click, acervo e cortesia: Alexandre Quadros
Como
fatalmente acontece e é sempre uma maravilha, a banda em si ou seus
admiradores através de manifestações de carinho ou mesmo os jornalistas
profissionais estão sempre a fomentar citações sobre o seu passado e
presente, e por que não (?), até a especular sobre o seu futuro e assim, em
meio ainda à repercussão de seu recente relançamento do CD ".ComPacto",
doravante rebatizado como "Compacto+/Maioridade" ou simplesmente
"Compacto", a Patrulha do Espaço e em especificamente a nossa formação
veio a ganhar novidades.
Em
21 de novembro de 2024, por exemplo, o programa "Linha do Horizonte",
comandado pelo músico, professor e ativista cultural, Adilson Oliveira,
através da Webradio São Paulo Rock, fez uma abordagem sobre a faceta
progressiva da nossa formação "chronophágica". Conduzido com extrema
simpatia e conhecimento de causa, foi muito didática a fala do Adilson
Oliveira a enaltecer a nossa porção em torno do Rock Progressivo
setentista e claro, com direito a execução de músicas tais como: "Sendo o
Tudo e o Nada" e "Terra de Minerais", duas entre tantas representantes
desse gênero dentro do nosso repertório.
E
como eu sempre eu digo quando vou encerrar um novo capítulo aberto para
falar sobre a minha participação como membro e ex-membro da Patrulha do
Espaço, essa banda nunca para de gerar novidades, tanto na continuidade
de sua carreira, propriamente dita, mesmo tendo anunciado o seu
encerramento com uma turnê da qual eu fiz parte em 2018-2019, e que não
se concretizou de fato, quanto a trazer fatos novos sobre formações
anteriores de sua história, incluso a minha, a dita "Chronophágica".
Então,
é óbvio que a qualquer momento um novo capítulo poderá ser escrito,
tanto para engrandecer a sua história, como uma banda de Rock que é na
verdade uma instituição, quanto à minha trajetória pessoal devidamente
registrada através da minha autobiografia.