O ano começou bem para a nossa extinta banda, no aspecto da repercussão midiática espontânea e também no campo das manifestações de fãs e admiradores do trabalho. Nessa área, eu não tinha dúvida de que entre tantas bandas pelas quais eu atuei ao longo da minha trajetória na música, todas arregimentaram admiradores e constantemente recebiam pelas redes sociais as mais variadas e carinhosas manifestações de apoio.
No entanto, certas bandas mantinham maior apelo nesse sentido e assim, eu cito A Chave do Sol como uma das, senão a banda que mais recebia tais acaloradas demonstrações. Que alegria era olhar em uma rede social e verificar que sempre havia alguma menção de apreço por um trabalho, que em tese não existia mais, há longos trinta e sete anos, a contabilizar o final das atividades da banda a este instante no qual eu escrevi este trecho da minha autobiografia, ou seja, a compreender o período, 1987-2024.
O decantado show "reunião" que eu vinha a comentar há tantos capítulos anteriores, ainda estava em gestação técnica e mesmo que nenhuma sinalização proposital tenha precipitado rumores a respeito, o fato foi que a banda mesmo a estar completamente inerte, movimentava atenção e carinho de seus muitos admiradores.
Por exemplo, em janeiro de 2024, fomos novamente escalados pela Webradio Crazy Rock para constarmos de dois de seus programas dedicados ao Rock nacional: o "Só Brasuca" e o "Momento Só Brasuca" e ambos produzidos por pessoas diferentes na estrutura da emissora e segundo apurei, ambos frutos de pura coincidência e não algo programado para fazer parte de uma 'blitzkrieg" proposital para favorecer a nossa banda.
Ocorreu na edição 366 do programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, a execução da música "Lírio de um Pantanal" d'A Chave do Sol. Semana de 20 a 26 de janeiro de 2024
E no programa "Momento Só Brasuca", a música: "A Woman Like You" tocou na edição 273, na mesma semana do outro programa, ou seja, entre 20 e 26 de janeiro de 2024
Que bom, pois assim tivemos uma dose dupla logo nesse início de ano, a se configurar um mês triste para a banda, no sentido de que fora em janeiro de 2021 que nós perdemos o nosso cofundador e por muitos aspectos, o grande mentor da nossa banda, no sentido de haver criado a sua identidade primordial.
Outro fato que despertou a minha atenção foi que "viralizou" através da rede social Facebook, o vídeo d'A Chave do Sol a tocar a música "Anjo Rebelde", por ocasião da nossa sexta participação no programa "A Fábrica do Som" da TV Cultura de São Paulo, em junho de 1984.
Ora, até aí tudo bem, como eu já disse anteriormente, havia sempre um admirador a propor vídeos nossos como publicação em grupos temáticos ou a esmo, através de seus respectivos perfis dessa, e de outras redes sociais, entretanto, desta feita a multiplicação que esse vídeo gerou em fevereiro de 2024, foi surpreendente.
E a repercussão foi sensacional. Foram muitos os comentários carinhosos expressos através de diversas publicações feitas por pessoas que eu nem conhecia, a denotar a viralização. Senti-me impelido a responder à maioria delas e muitas dessas pessoas adicionaram-me como amigo, de imediato, a estreitar relação de amizade, o que foi muito bom.
Claro, em tempos de gente odiosa que expressava comentários desagradáveis por uma questão de princípios degradados e oriundos de uma ação de hipnose coletiva, a destruir o seu poder cognitivo, houve a incidência de dois comentários negativos em meio a mais de duzentos ali assinalados. Um deles, inclusive, eu achei respeitoso, no sentido de que o rapaz viu o vídeo e a denotar ter conhecido a nossa banda apenas naquele instante com quarenta anos de defasagem, elogiou o nosso instrumental, mas criticou a vocalização (ah, o nosso grande dilema vivido durante a nossa trajetória, e o leitor que acompanha este relato desde o seu início, sabe bem desse fator). Respondi ao rapaz de uma forma cordial a lhe explicar rapidamente a questão e a reconhecer que salvo em breves momentos, quando tivemos bons vocalistas, o nosso padrão vocal era de fato o nosso ponto fraco. Paciência.
Já o outro rapaz foi muito mal-educado ao se expressar com um palavrão gratuito, assim, sem contextualizar melhor a sua opinião sobre o nosso trabalho, e então, o meu silêncio foi a melhor resposta.
Todavia, as dezenas de comentários elogiosos e muitos deles a conter exemplificações de lembranças pessoais a edulcorar a nossa banda como partícipe de suas respectivas vivências, foi algo que muito me comoveu. E isso sem contar com a questão do sucesso que a publicação fez por si só, a movimentar muitas republicações.
Um desses rapazes que se manifestou nessas publicações, chamado: Eduardo Benzatti, mostrou-me via foto, a sua coleção de "bottoms" e entre eles, ele exortou-me a reparar no bottom d'A Chave do Sol que nós produzimos no ano de 1984, presente na foto, em excelente estado de conservação, a parecer que ele o comprara hoje em dia.
Em 10 de fevereiro de 2024, eu estive presente no programa "Rádio Matraca", exibido pela USP FM de São Paulo, para me apresentar com uma outra banda minha revivida, o Boca do Céu, mas pude falar bastante sobre A Chave do Sol e nessa ocasião, a nossa música "Luz", foi executada.
Eis o link para o podcast permanente dessa entrevista:
https://jornal.usp.br/radio-usp/sinopses/radio-matraca/
Já em 11 de fevereiro de 2024, a emissora Webradio "Run Music Run" exibiu uma reprise do programa "Classic Albuns", produção independente do ativista cultural, Julio Verdi, a destacar o nosso álbum "The Key", lançado em 1987.
E para coroar esse bom começo de ano para uma banda extinta há tantos anos, eis que fomos novamente escalados para a execução no programa "Só Brasuca" em sua edição de número 370, através da canção "A Chave é o Show". Ocorreu na semana de 17 a 23 de fevereiro de 2024.
Mais novidades viriam a seguir.
A ideia seria ter o mote em torno de artistas que apresentar-se-iam na mesma noite com uma banda na qual foram membros no passado e também com a atual daquele momento.
Neste caso, Laert Sarrumor tocaria com o Boca do Céu e na mesma noite com o Língua de Trapo. Eu também faria uma participação com o Língua de Trapo, por ter sido membro dessa banda e tocaria com o Boca do Céu.
No dia seguinte, A Chave do Sol faria o show tributo pelo Rubens Gióia e no caso, a minha presença como membro dessa histórica banda seria completada pelo show d'Os Kurandeiros a seguir, minha então banda da atualidade.
E ainda haveria a perspectiva de uma extensão do festival, novamente com uma banda minha do passado, o Pitbulls on Crack que faria o show de lançamento de dois discos "bootleg" que eu estava a produzir desse grupo e a seguir, aconteceria um segundo show d'Os Kurandeiros ou mesmo do Boca do Céu.
O projeto foi intitulado como: "ontem e hoje", para sinalizar essa questão dos músicos envolvidos com trabalhos do passado e do presente.
Muito bacana o projeto, com pelo menos três bandas de renome envolvidas, e certamente que todos os envolvidos criaram boas expectativas. No entanto, o tempo se pôs a passar e a resposta não chegava nunca.
Foi quando uma pessoa cuja identidade não vem ao caso mencionar, contudo, a se mostrar como uma fonte fidedigna, me confidenciou que ouvira uma pessoa ligada à produção do local que pleiteamos organizar o mini festival e que a seguinte frase fora proferida por esse rapaz: "tem projeto que nem precisa de análise para saber se dará certo ou não. Esse não "vira".
Ora, eu até respeitaria a opinião, acaso ela fosse formalizada como um resposta oficial à nossa empresária, mas o ano de 2024 finalizou-se e isso não aconteceu. Lamentável o descaso e muito discutível a opinião do rapaz, para dizer o mínimo.
Para os fãs das quatro, quiçá cinco bandas envolvidas nesse projeto, eu lastimo um tipo de colocação desse porte.
Mas a honradez d'A Chave do Sol não se abalaria com uma suposta negativa dessa monta e assim, tivemos ao longo de 2024, como de costume, menções, citações, execuções radiofônicas e aí sim, a memória da banda se manteve engrandecida. Ao contrário da opinião maledicente desse rapaz, a nossa extinta, porém querida banda, "virou".
Na edição 393 do programa "Só Brasuca" pela Webradio Crazy Rock, com sete execuções de 17 a 23 de agosto de 2025, a música "18 horas", nosso tema instrumental lançado no longínquo ano de 1984, tocou."Change my evil ways", canção que lançamos em 1987 através do LP "The Key", foi a música escalada para tocar no programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock em sua edição de número 400 e a música tocou por sete vezes entre 21 e 27 de setembro de 2025
Programa "Vinil no Brasil" pela Webradio Orra Meu, tratou por analisar grandes álbuns do Rock nacional e internacional e naturalmente que fiquei honrado por ver o LP The Key em meio aos discos elencados, quase todos de artistas gigantescos dos anos setenta. 30 de setembro de 2024.
Na semana de 21 a 27 de dezembro de 2024, a música "Sun City" que lançamos no ano de 1987, através do Lp The Key, tocou por sete vezes no programa "Só Brasuca" pela Webradio Crazy Rock
E para encerrar o ano de 2024, a nossa banda recebeu a indicação de dois radialistas da Webradio Orra Meu para constar no programa "Hall da Fama", em 30 de dezembro como um especial de Reveillon. Cesar Freitas e Marcos Almada escolheram "18 horas" e "Sun City", respectivamente, para nos representar no especial promovido pela emissora. Fiquei naturalmente honrado com as nomeações.
E para celebrar tal resultado, a emissora produziu dois clipes especiais, um para cada música, com imagens a mesclar a banda nos anos oitenta, mediante ilustrações e animações modernas. Clipes singelos, mas sinceros da parte da emissora, e assim foi claro que fiquei feliz por isso.
1) A Chave do Sol - 18 horas - Clip 2024 - Produção e edição: Emmanuel Barreto/Webradio Orra Meu
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=JXnOW0Mn8ns
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=wUG9kLarxaM
Bem, e assim se encerrou o ano de 2024 para a nossa banda extinta na prática, mas eterna na sua grandiosidade.
A perspectiva de um show reunião, ficara difícil na opinião de um visionário de plantão, mas eu ainda não desistira e dessa forma, mantive a esperança.












