
O
ano de 2023 chegou para Os Kurandeiros, já a antever o lançamento de
mais um álbum a reforçar a nossa discografia, e a se revelar um trabalho
ao vivo, conforme eu já venho a relatar desde alguns capítulos
anteriores. No entanto, esse projeto de lançamento ainda não seria algo a
se concretizar para tão cedo, pois a planificação estava a ser seguida
no sentido de dar espaço para o CD "Cidade Fantasma" ter um maior tempo de maturação para ser divulgado ao máximo.
Dessa
forma, a primeira movimentação para a banda se deu com a boa nova de
que mais uma vez, uma música nossa fora relacionada para fazer parte do
programa: "Planeta Música", da Rádio Nova Cultura 93.1 FM de
Botucatu-SP, e assim ocorreu no dia 11 de janeiro de 2023.
Não
tivemos grandes oportunidades nesse início de 2023 em termos de agenda,
talvez como um reflexo ainda da retomada cultural paulatina no momento
pós-pandemia e claro que tivemos a forçosa compreensão desse momento
difícil para todos. No entanto, ao menos no campo midiático a banda teve
uma movimentação bacana. Programas de webradio anunciavam a todo
instante a inclusão de músicas nossas em suas listas e isso foi bem
interessante, certamente, embora sobre os três que elucidarei abaixo,
haja uma reserva ética a ser discutida.
Bem,
a verdade foi que dois desses programas eram da minha própria
responsabilidade na produção de suas respectivas playlists e um deles,
do Carlinhos Machado, mas em meio a tantos artistas que programávamos
normalmente, que mal haveria em indicarmos o nosso próprio som para
tocar? Enfim, discussão ética a parte, a nossa canção, "Ultimo Blues",
tocou no meu programa: "Eu Recomendo" da Webradio Orra Meu, em 14 de
fevereiro de 2023.
Já no programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, a música "Anjo" foi tocada entre 25 e 31 de março de 2023.Uma
semana depois e a canção "Maria Gasolina" foi incluída na programação
do programa "Planeta Música" da emissora Nova Cultura 93.1 FM de
Botucatu-SP, exatamente em 5 de abril de 2023.E
enfim a luz brilhou em termos de apresentação e teve tudo a ver comigo
meu, Luiz, pois o show foi programado para ser vinculado à "noite de
autógrafos" de meus livros.
O
fato, foi que esse plano era antigo. Quando surgiu a oportunidade
concreta do lançamento do meu primeiro livro ("Luz; Câmera & Rock'n'
Roll"), eu havia conversado com a banda e também com o amigo Cleber
Lessa, proprietário da casa de espetáculos, "Santa Sede Rock Bar" e ao
combinar com ele, já havia fechado a ideia de programar um show d'Os
Kurandeiros e a noite de autógrafos no mesmo evento promovido nessa
citada casa. Tal conversa foi travada ao final de 2019, e uma data seria
marcada em breve, assim que eu tivesse a confirmação da parte da
gráfica de que o meu livro estivesse publicado. Mas em 2020, a pandemia
mundial decorrente do coranavírus explodiu e tudo foi cancelado sine
die.
Bem,
nesse ínterim, o Santa Sede Rock Bar anunciou o fechamento de suas
portas, em decorrência da própria pandemia e assim, a casa onde mais
tocávamos naqueles anos de 2017 a 2019, simplesmente não existia mais e
assim, toda aquela boa vibração sessentista que ali existia,
desapareceu. Eu planejava além do nosso show, convidar um artista para
tocar voz e violão durante a noite de autógrafos e com a intenção dele
tocar temas oriundos de trilhas de filmes enfocados no meu livro, para
ilustrar o evento de uma forma temática e teria sido muito bonito.
O
tempo passou, sofremos, tivemos medo, perdemos parentes e amigos
próximos, a pandemia arrefeceu e Os Kurandeiros gravaram dois discos
nesse ínterim. Eu também escrevi outros livros e quando o ano de 2023
despontou no horizonte, enfim eu reuni meios para acelerar a publicação
desse segundo livro.
Com
a iminência do novo livro ficar pronto ("Humanos Pitorescos", um livro
de contos), eis que surgiu a ideia de se reativar aquele plano não
concretizado de 2020, e assim, contatos foram feitos e uma nova casa que
surgira recentemente em São Paulo, abriu as suas portas e ficou fechado
o acordo para que eu realizasse enfim a minha noite de autógrafos para
os dois livros lançados, com show d'Os Kurandeiros e neste caso, a
aproveitar o fato de que a nossa banda também lançara o CD "Cidade
Fantasma" em versão digipack, em 2022 e não fizera um show de
lançamento.

Bingo,
"habemus" lançamentos com direito a um show e no caso, na falta da
saudosa casa, Santa Sede Rock Bar, fora marcado em um outro
estabelecimento com atmosfera absolutamente parecida, a se tratar do
Instituto Cultural Bolívia Rock, o "ICBR", então recentemente inaugurado
no bairro da Penha, na zona leste de São Paulo. Espaço gerado pelo
sonho do casal de fotógrafos e film-makers, Bolívia & Cátia, tal
empreendimento foi enfim concretizado pela Cátia, infelizmente na
condição de viúva do grande Edgar Franz, o popular: "Bolívia" que nos
deixara tempos antes. Então foi esse o panorama todo para nos animar
bastante.
Eu, Luiz Domingues em ação durante o trabalho. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 22 de março de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap Com
essa motivação assegurada em torno de um show com direito à noite de
autógrafos dos meus livros no mesmo evento, marcamos ensaios prévios
para nos prepararmos bem. De fato estávamos a viver um hiato na agenda
da banda, mas não o suficiente para criarmos uma "ferrugem"
desagradável, pois quando nos encontramos no dia 22 de março de 2023.
A
banda no momento pós-ensaio. Da esquerda para a direita: Phill
Rendeiro, eu (Luiz Domingues), Kim Kehl, Carlinhos Machado e Nelson
Ferraresso. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 22 de
março de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara PapPassamos
bem o repertório, quase sem erros a não ser pequenos por deslizes
insignificantes, o que nos forneceu confiança para acreditarmos que no
próximo ensaio estaríamos em plena forma.
Nos
encontramos mais uma vez em 19 de abril de 2023 e conforme havíamos
projetado, o ensaio transcorreu ainda mais solto do que anterior. Desta
feita com o sexteto completo, a contarmos com a cantora superb, Renata
"Tata" Martinelli para abrilhantar o som.
Com
o time completo! Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Phill
Rendeiro, Renata Martinelli (com os exemplares do meus livros em mãos),
Kim Kehl, Nelson Ferraresso e Carlinhos Machado. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 22 de março de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara PapNesse
segundo ensaio, também fizemos uma filmagem desse apronto, que serve
como um registro bom desse momento de 2023 para a nossa banda.
Filmagem
do ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo, em 19 de abril
de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Filmagem: Lara PapEis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=x0_XmMjDuNg
Mais
um ensaio foi marcado, e este, bem próximo do dia do grande evento que
faríamos para lançar os meus livros e a versão digipack do CD "Cidade
Fantasma".
Entretanto,
antes do próximo ensaio, nós tivemos a música "O Filho do Vodu" inclusa
na lista do programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock, para tocar na
semana de 20 de abril a 5 de maio de 2023.
Da
esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Phill Rendeiro
(encoberto), Nelson Ferraresso aos teclados e Kim Kehl. Ensaio d'Os
Kurandeiros no estúdio Mad de São Paulo. 3 de maio de 2023. Click,
acervo e cortesia: Ana Cristina DominguesE
assim, mesmo desfalcado da nossa grande cantora, Renata "Tata"
Martinelli, nos reencontramos no dia 3 de maio para mais um ensaio
realizado nas dependências do estúdio "Mad", no dia 3 de maio de 2023.
Passamos o show completo, e aproveitamos para filmar mais alguns vídeos
com testemunhais a reforçar a ideia do lançamento do nosso CD "Cidade
Fantasma" em sua versão digipack e a noite de autógrafos dos meus
livros.
Eis
que eu aproveitei a "selfie" do meu amigo para promover o lançamento do
meu livro, "Humanos Pitorescos". Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad
de São Paulo. 3 de maio de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia:
Carlinhos MachadoTerminado esse apronto, nos colocamos prontos para a festa, como diz a letra de "A Noite Inteira".
Na
primeira foto, eu (Luiz Domingues) e um exemplar do novo livro que
estava a lançar na ocasião: "Humanos Pitorescos), Na segunda, a banda
reunida no momento pós-ensaio. Ensaio d'Os Kurandeiros no estúdio Mad de
São Paulo. 3 de maio de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara
Pap
Eis
que chegou um dia que foi diferente na minha carreira, pois pela
primeira vez, eu faria um show a dividir com uma noite de autógrafos de
autógrafos de um livro de minha autoria, que estava a lançar. Aliás, eu
nunca realizara uma noite de autógrafos anteriormente, na medida pela
qual os três volumes do livro: "Luz; Câmera & Rock'n Roll", lançados
em 2020, não tiveram tal primazia por conta da pandemia mundial que
frustrou os meus planos na ocasião.Para
trazer mais um elemento à baila, eis que nessa altura de 2023, eu
lançara um novo livro: "Humanos Pitorescos" e nessa toada, a ideia de
realizar uma noite de autógrafos para lançar os quatro volumes e mais um
show d'Os Kurandeiros, se tornara muito convidativa.
E
como mais um adendo especial, o local do show/noite de autógrafos, se
mostrara muito especial, qualificado como um centro cultural muito
aconchegante, imbuído das mais nobres intenções, a demonstrar conter uma
infraestrutura exemplar e ter sido recém inaugurado, portanto com tudo
"novo em folha" nas suas instalações. Nesses termos, haveria de ser um
cenário perfeito para atrair um bom público.
As
duas bandeiras de divulgação dos meus respectivos livros, sendo
preparadas para a noite de autógrafos. Instituto Cultural Bolívia Rock
(ICBR) de São Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo: Luiz Domingues. Click:
Ana Cristina Domingues
Cheguei
ao Centro Cultural Bolívia Rock ao final da tarde do dia 6 de maio de
2023, um sábado. Trânsito intenso na avenida Radial Leste, do centro da
cidade até a Penha, atravessando os bairros da Mooca, Brás, Belém e
Tatuapé, parecia um dia útil pela movimentação frenética, mas não se
tratava de algum evento excepcional por ser um sábado, pois eu logo
percebi que os tempos haviam mudado e que já não existia essa distinção
entre os dias de semana e final de semana, naquela via, dada a intensa
ação da especulação imobiliária que cravejara aqueles bairros todos em
linha reta, com espigões e a densidade populacional que sempre fora
enorme, aumentara ainda mais naquele quadrante da zona leste da cidade.
Quando
ali cheguei, a sua proprietária, a simpática, Catia Cristina "Bolívia",
estava a orientar os seus funcionários em meio aos preparativos da casa
a visar a sua abertura ao público em geral, ao lado do seu gerente,
Jaime Antoniolli Filho.
Eu
levara para me auxiliar no trabalho de produção da noite de autógrafos,
a minha irmã, Ana Cristina Domingues, e quando cheguei ao Instituto,
ali já estava presente o meu querido amigo e companheiro de banda,
Carlinhos Machado.
Três
dos quatro volumes que eu lancei, expostos na mesa de atendimento aos
leitores. Show d'Os Kurandeiros + Noite de autógrafos dos meus (Luiz
Domingues) livros. ICBR. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia:
Marcos Viana "Pinguim"
A
primeira impressão que eu tive do local foi ótima, por conta de um
salão de shows a conter um bom palco, munido de um equipamento de PA de
qualidade, absolutamente condizente com o amplo salão dos shows, mas
havia a boa novidade igualmente de haver dois ótimos mezaninos para se
assistir os espetáculos e mais um ótimo bar, loja com ambiente isolado,
salão de tatuagem e na parte de fora, um anexo a conter um camarim super
confortável, um museu das fotos perpetradas pelo casal "Bolívia &
Catia", e salas que ainda estavam sendo preparadas para abrigar uma
escola de música a atender os jovens do bairro.
Enquanto
eu e Ana Cristina nos concentramos para arrumar a mesa de vendas dos
livros e material d'Os Kurandeiros (eu aproveitei e também levei cópias
dos discos piratas d'A Chave do Sol e cópias de vinil do LP "The Key"
para vender), aos poucos, os meus companheiros de banda foram chegando e
assim que eu preparei a minha ambientação para autografar os livros,
desci e os encontrei para preparar o meu kit de baixo e me colocar à
disposição para o soundcheck.
O
rapaz que nos atendeu como técnico de áudio da casa, Luciano, foi muito
solícito e assim, rapidamente nós conseguimos realizar uma passagem de
som bastante eficiente e com aquela rapidez que se fazia mister, sem, no
entanto, prejuízo algum para tal preparação. Aliás, muito pelo
contrário, ficamos bastante satisfeitos com a mixagem alcançada, para
nos dar a devida tranquilidade de que o show haveria de ser muito bom.
Com
a abertura da casa ao público, as pessoas começaram a chegar e a minha
noite de autógrafos transcorreu de uma maneira magnífica, quando eu pude
receber as pessoas que me transmitiram todo o seu apoio, a me deixar
muito feliz. Não vou esmiuçar muito sobre tal evento neste capítulo,
pois tal relato consta de uma matéria separada do contexto da minha
autobiografia musical, mas estará certamente disponibilizada na sua
ambientação adequada nos meus blogs 2 e 3.
Eis
um trecho do soundcheck que realizamos já bem no início da noite, a
executarmos a canção: "Cocada Preta". Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara PapEis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=WNC_QEEVnKk
Neste
curto vídeo, vemos a banda a executar o Rock, "Noite de Sábado",
durante o "soundcheck". Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio
de 2023. Filmagem: Lara PapEis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=vLrviw5LDh4
Por
volta das 21 horas, eu tive que interromper a noite de autógrafos, com a
promessa de que voltaria à mesa para atender os solicitantes de
dedicatórias em seus respectivos exemplares de meus livros, após o
término do show e fui ao camarim para me agrupar rapidamente com os meus
companheiros.
Não
foi um típico ambiente de show nesse aspecto, na minha ótica, pois eles
estavam ali a cumprir a rotina de espera para subir ao palco e eu
estive ausente dessa concentração que é tão importante para todo músico
de Rock que se preze e assim, confesso que estranhei a quebra da
dinâmica com a qual me acostumara por mais de quatro décadas. Contudo,
fora uma circunstância toda especial e que me deixara muito feliz e mais
um dado: tive todo o suporte dos meus companheiros que me incentivam
muito e inclusive também participaram do meu evento particular, na
medida que ali estiveram presentes por momentos pontuais para me apoiar e
todos fizeram questão de adquirir os meus livros e com muito prazer, eu
escrevi dedicatórias para eles em seus respectivos exemplares.

Sob
os olhares inspiradores dos componentes do Uriah Heep, devidamente
ilustrados na parede do camarim, eis Os Kurandeiros perfilados para a
foto, momentos antes do show se iniciar. Da esquerda para a direita:
Nelson Ferraresso, Phill Rendeiro, Renata "Tata" Martinelli, eu (Luiz
Domingues), Kim Kehl e Carlinhos Machado. ICBR de São Paulo. 6 de maio
de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi
Ainda
aproveitamos para realizar uma improvisada, mas divertida sessão de
fotos no camarim, sob a lente do fotógrafo e amigo, Marcos Kishi. Eu os
atrasei um pouco é bem verdade, mas eis que quase a chegar ao horário
das 21:30 horas, subimos ao palco.
Os
Kurandeiros em panorâmica no palco. Da esquerda para a direita: Nelson
Ferraresso, Kim Kehl, Carlinhos Machado, Renata "Tata" Martinelli, eu
(Luiz Domingues) e Phill Rendeiro. Os Kurandeiros no palco do Instituto
Cultural Bolívia Rock (ICBR). 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia: Kim
Kehl. Click: Lara Pap
Eis
que logo após eu estabelecer uma pausa na minha ação de receber os meus
leitores para lhes dedicar autógrafos em seus respectivos exemplares,
pude então me dirigir ao camarim para participar muito brevemente da
concentração da banda antes de subir ao palco. Foi como eu já disse, uma
situação bastante atípica na minha trajetória, no sentido de que
tirante pouquíssimas ocasiões anteriores que isso ocorrera e por algum
motivo de saúde pontual, não era do meu costume ficar longe dos
companheiros, nesse momento estratégico vivido nos camarins, quando é
sempre de bom alvitre estarmos todos reunidos e irmanados na busca de um
foco comum.
No
camarim, minutos antes de adentrar o palco, a banda posou. A nossa
diva, Renata "Tata" Martinelli, sentada na poltrona e a rodeá-la no
sentido horário: Kim Kehl, Nelson Ferraresso, Phill Rendeiro, eu (Luiz
Domingues) e Carlinhos Machado. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6
de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos KishiBem,
por outro lado, a minha ausência fora plenamente justificável e apoiada
pelos companheiros, aliás com grande entusiasmo, pois o apoio que eu
tive deles, foi fantástico, jamais esquecer-me-ei dessa noite, também
por esse detalhe.
Na
sequência das fotos: Renata "Tata" Martinelli, Phill Rendeiro, eu (Luiz
Domingues), Kim Kehl, Carlinhos Machado e Nelson Ferraresso. Os
Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia:
ICBR/Catia "Bolívia". Clicks: Alexandre Chagas
Subimos
ao palco e a qualidade sonora que o técnico da casa nos forneceu para
trabalharmos foi bastante agradável em termos de monitoração, e assim,
tocamos com tranquilidade e bastante prazer. O público nos acolheu de
uma forma extraordinária, com vários momentos de pico de euforia,
inclusive, o que foi muito animador e que serviu naturalmente para
coroar uma noitada excelente.
"Viagem Muito Louca" (Kim Kehl). Os Kurandeiros ao vivo no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara PapEis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=lmDxYvV7oa8
Fizemos
um set longo até, e que serviu para mesclarmos músicas de todos os
álbuns da nossa discografia, com ênfase naturalmente no último disco
lançado, "Cidade Fantasma", cuja noite, inclusive, foi tratada como uma
"lançamento" do disco, ou seja, exatamente como ocorrera com os meus
livros da trilogia: "Luz; Câmera & Rock'n' Roll", a pandemia
atrapalhara os nossos planos em 2021, quando o disco ficou pronto e
também não permitiu que avançássemos nesse aspecto em 2022, quando a
versão "digipack" do álbum, foi lançada.
Eu,
Luiz Domingues, na primeira foto e na sequência das demais: Kim Kehl,
Renata "Tata" Martinelli e Phill Rendeiro em destaque mas suas
respectivas fotos subsequentes. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6
de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos KishiPortanto,
esse show do Instituto Cultural Bolívia Rock, realizado em 6 de maio de
2023, teve esse caráter igualmente, o que nos deu essa satisfação extra
nessa noite.
"Cidade Fantasma" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara PapEis o link para se ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=r2_lbmxZ7_s
Pela
audição dos diversos vídeos que foram capturados nessa noite, é
possível mensurar que o som do "PA" também observou uma mixagem
agradável e que tornou a apresentação prazerosa para o público, sob uma
volume aceitável e com todos os instrumentos bem mixados e com as vozes
na devida sobreposição, mediante inteligibilidade na compreensão das
letras, da parte de qualquer ouvinte.
Kim
Kehl e o nosso convidado especial, Adilson Oliveira, em plena
performance. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023.
Click, acervo e cortesia: Marcos Viana "Pinguim"
Tivemos
a boa participação do guitarrista superb, Adilson Oliveira, como
convidado especial, que tocou conosco a música: "Sou Duro" e a sua
presença gerou frisson quando improvisou com Kim Kehl, uma belo "duelo"
de solos, ao longo da execução da canção.
Ao
final do espetáculo, a banda agradece o público! Os Kurandeiros no ICBR
de São Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Isidoro
Hofacker Junior. Encerramos
o espetáculo sob um alto astral muito grande, o que realmente serviu
para nos fazer crer que essa noite foi realmente muito especial para
todos nós.
A banda em plena ação! Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio
de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
Show
perfeito em um local excelente, que nos proporcionou as melhores
condições para uma banda de Rock executar bem o seu trabalho, noite de
autógrafos de meus livros como uma atração paralela e uma enxurrada de
amigos que foram nos prestigiar. Em suma, foi uma noite completa e que
de certa forma nos compensou pelo ano de 2020, no qual ficamos
completamente alijados de sequer nos encontrarmos, mesmo que tenhamos
gravado um disco em 2021, e feito dali em diante, alguns shows ao ar
livre e uma sessão de show ao vivo. E nem que a base da nossa banda
houvesse feito alguns shows para suprir a agenda do cantor, Edy Star,
nesse ínterim, ainda assim, esse show no Instituto Cultural Bolívia
Rock, representou para nós algo que não tínhamos em sua integralidade,
desde 2019, ou seja, uma apresentação em ambiente fechado, com público
presente.
Momentos do show d'Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Dalam Junior
Tivemos
momentos inspirados, como por exemplo a dinâmica muito boa para
executar o tema: "Cidade Fantasma", uma peça ao estilo do Jazz'n'Blues
com delicada tessitura no seu arranjo e portanto, difícil para ser
tocado com delicadeza em meio a um show de Rock de alta voltagem e
também por se levar em conta que estávamos com a formação máxima no
palco, e como sexteto, a banda soa muito encorpada, tornando a tarefa de
se estabelecer dinâmica, algo mais difícil em tese.
A
banda em panorâmica pela perspectiva do mezanino. Os Kurandeiros no
ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Áureo
Alessandri
Outro
momento memorável foi com a execução de "Viagem Muito Louca", quando o
Kim citou a inspiração que teve para compô-la ao homenagear o amigo,
Ciro Pessoa, que partiu deste planeta em 2020, vitimado pela pandemia.
Entre nós que emprestamos um pedaço d'Os Kurandeiros para compor a sua
banda de apoio, "Nu Descendo a Escada" nos idos de 2011 a 2016,
certamente gerou reflexão e emoção.
Mais
alguns momentos registrados do show. Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Isidoro Hofacker
Junior
"São
Paulo (vai sobreviver)" é uma música que também fez alusão à questão do
sofrimento gerado pela pandemia. De fato, é um canto de esperança em
prol da vida e musicalmente como eu já expliquei muitas vezes ao logo de
capítulos anteriores, sai um pouco do espectro do Rock'n' Roll e do
Blues mais clássico, a se mostrar Pop na sua formulação como composição e
também pelo arranjo, portanto, mesmo não sendo exatamente difícil para
ser apresentada ao vivo, requer certo cuidado da banda para não soar
"quadrada" e pelo contrário, emitir balanço. E assim ela soou para o
público, nessa medida correta que a canção propõe em sua concepção
natural.
Os
Kurandeiros capturados em fotos desse grande show. Os Kurandeiros no
ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia: Kim Kehl.
Click: Lara Pap
Um
momento que eu também gostei bastante foi quando houve um momento de
improviso alongado no mapa da canção: "Faz Frio", para que o nosso
tecladista, Nelson Ferraresso fizesse um solo de piano elétrico. Nesse
instante, sob o timbre de um piano Fender Rhodes, o solo que ele fez foi
bem inspirado e mais uma vez sob uma dinâmica exemplar da parte dos
demais músicos, eu incluso, ou seja, ficou muito bonito com tal realce.
Mais registros do show. Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre Chagas
Após
executarmos todo o set list, que foi longo em sua constituição, ainda
tivemos a felicidade de contar com o apoio do público a pedir mais de
nossa parte, de uma forma muito entusiasmada e assim, o "bis" foi
prolongado igualmente, e aí, sem que os colegas soubessem do ocorrido
comigo, particularmente, eu me senti muito cansado.
Tal
sensação bastante fora do meu padrão habitual até então, na verdade já
houvera ocorrido um mês antes quando eu fizera uma apresentação com o
Caio Durazzo Trio, a substituir o seu baixista da formação. No capítulo
correspondente a esse relato (catalogado em meio aos meus "trabalhos
avulsos"), eu me sentira muito debilitado da primeira para a segunda
entrada desse espetáculo. E agora, em um show d'Os Kurandeiros, aguentei
bem o show completo e longo por sinal, mas nas últimas músicas do
"bis", senti o impacto, com um pouco de fraqueza generalizada. Enfim,
quando cheguei ao camarim, demorei um pouco mais que o habitual para
guardar o meu set e me colocar à disposição dos amigos e fãs que nos
procuraram e ainda com a agravante que eu voltaria à mesa da minha noite
de autógrafos para arrematar mais dedicatórias aos leitores que eu não
conseguira atender anteriormente.

Eu, Luiz Domingues, em destaque. Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre ChagasEu
estava prestes a completar 63 anos de idade nessa ocasião, o que não
era uma idade extremamente avançada, convenhamos. Mick Jagger, Paul
McCartney e Roger Daltrey, entre outros Rockers, estavam em plena idade
octogenária na mesma época, e a cumprir extensas turnês internacionais, a
rodar o planeta, literalmente, e em muito melhor forma física do que
eu. E apesar de eu ter tido o trunfo de nunca ter fumado, jamais ter
consumido álcool e não ter hábitos "desregrados", incluso por haver
mantido durante a vida inteira até esse ponto, uma alimentação saudável,
talvez por outro lado, a vida sedentária, estimulada atrás de uma tela
de computador por horas a fio, por conta do meu lado como "escritor",
tenha contribuído para que o organismo tenha se desgastado mais do que
músicos que eram vinte (ou mais que isso), anos mais velhos do que eu.
Além
do mais, fazia anos que eu não tinha uma rotina de shows em constância e
isso faz falta, o organismo se acostuma com essa repetição sistemática
de um show em cada cidade a cada noite, intercalado com poucas horas de
sono e até pelo sono mal resolvido dentro de uma "van" ou ônibus a
balançar na estrada e nem mesmo o uso de uma avião mais confortável,
substitui a necessidade de se dormir bem em um colchão adequado. Para
resumir, foi o segundo sinal de alerta que eu tive em 2023 e uma
certeza: a se contornar ou não a situação, o fato é que mesmo que outros
colegas tivessem um organismo melhor preparado para suportar a demanda,
a idade estava a avançar para mim. Ou como dizia aquela bela canção dos
Rolling Stones: "o tempo não espera por ninguém".
Eu, Luiz Domingues, em ação! Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre Chagas
Passado
esse momento de pequeno mal-estar e ainda bem, nesse instante eu pude
ficar cinco minutos sozinho, pois os demais colegas já estavam a atender
os fãs e amigos, eu enfim me recompus, guardei os meus apetrechos e
voltei para o mezanino da casa, para dar prosseguimento à minha noite de
autógrafos. Atendi mais alguns leitores e amigos e assim a noitada
espetacular ocorrida no Instituto Cultural Bolívia Rock, foi encerrada
com enorme satisfação de minha parte e de meus colegas. Fomos recebidos
com muita hospitalidade pela proprietária da casa, a Catia Cristina
"Bolívia" e seus apoiadores, portanto, ficamos muito felizes por tudo o
que ocorreu naquela noite.
Mais registros do show. Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos Viana "Pinguim"
"Noite de Sábado" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: desconhecidoEis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=J7QLPn6Gv6I
"A Galera quer Rock" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara Pap
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=sfUPm4irMbA
"Maria Maluca" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara Pap
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=lY4Ru3-4siU
"São
Paulo (vai sobreviver)" - (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Ana Cristina Domingues.
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ryc-Zw_ULoA
"Noite de Sábado" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara Pap
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=fLcn5RUnyaQ
"Cocada Preta" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Ana Cristina Domingues
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ORScoLXOUrE
"Cidade Fantasma" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Ana Cristina Domingues
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=JFCjWnf6btA
"Maria Maluca" (trecho) (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Osvaldo Vicino
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=fMbGThp3c0U
"A Noite Inteira" (trecho) (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Osvaldo Vicino
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=XNogealti2k
"Noite de sábado" (trecho) (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Osvaldo Vicino
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=A0fYoHp4ruQ
"Cocada Preta" (trecho) (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Osvaldo Vicino
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=Exgz1zmUGUw
"Noite de sábado" (trecho) (Kim Kehl) - Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de 2023. Filmagem: Lara Pap
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=DUZp_fEt2mI
Falta
falar um pouco sobre os bastidores, haja vista que sobre a noite de
autógrafos de meus livros, eu tenho um relato a parte para comentar com
os meus leitores.
Uma
panorâmica estilizada da banda no palco. Os Kurandeiros no ICBR de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia: Marcos Kishi
Fechado
o espetáculo, como eu já havia mencionado anteriormente, eu voltei ao
mezanino do Instituto Cultural Bolívia Rock para dar prosseguimento à
minha noite de autógrafos, referente aos meus livros, e assim como não
me concentrei com a banda no momento pré-show, também não estive
presente nos bastidores do pós-show como eu gostaria, mas na medida do
possível, me desdobrei para cumprir as duas funções ao mesmo tempo.




Na
primeira foto, da esquerda para a direita: Nelson Ferraresso, Carlinhos
Machado, Kim Kehl, Renata "Tata" Martinelli, eu (Luiz Domingues), a
proprietária da casa, Catia Cristina "Bolívia" e Phill Rendeiro. Na foto
2, o jornalista Marcelo conversa com Renata "Tata" Martinelli e eu
(Luiz Domingues), ainda na saída do palco. Na foto 3, Kim Kehl e Nelson
Ferraresso conversam com o técnico de áudio e proprietário do estúdio
Prismathias de São Paulo, Danilo Gomes Santos (ao seu lado, a sua
namorada), que gravou o CD "Cidade Fantasma" da nossa banda em 2021. Na
foto 4, Kim Kehl a conversar com a cantora Paula Mota, do grupo "Power
Blues" que foi nos prestigiar. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de
maio de 2023. Acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click: Alexandre
Chagas
Bem,
muita gente amiga esteve presente a nos prestigiar e nesse sentido, se
misturou de uma forma bastante salutar, dois perfis de pessoas que não
necessariamente absorviam normalmente as duas situações ali propostas.
Ou seja, o maior contingente ali presente era habitue de uma ambientação
Rocker, acostumados com shows e toda a sua energia inerente,
entretanto, uma outra turma que foi ali ao Instituto exclusivamente para
participar da minha noite de autógrafos e sem muita afinidade com o
mundo do Rock, também se fez presente.
A
maioria dessas pessoas que me prestigiou, também assistiu o show d'Os
Kurandeiros, mas houve o caso de uma senhora, amiga minha de longa data
que foi ao local acompanhada de sua filha, comprou um dos meus livros,
apanhou a dedicatória no seu exemplar e me pediu desculpas antecipadas,
mas não quis permanecer no ambiente, sendo sincera sobre não cogitar
assistir um show de Rock. Claro que eu entendi perfeitamente e lhe
agradeci por prestigiar a minha noite de autógrafos. Esse pequeno
acontecimento ilustrou como eu pude atrair pessoas de fora do espectro
do Rock, ambiente no qual eu era mais conhecido, naturalmente.



A
proprietária do Instituto Cultural Bolívia Rock, Catia Cristina
"Bolívia", com o baixo do saudoso amigo nosso em comum, André "Pomba"
Cagni, que falecera recentemente, a conversar com Osvaldo Vicino
(guitarrista da minha primeira banda, o Boca do Céu em 1976), e o cantor
Ricardo "Cadinho" Alpendre na primeira foto. Na segunda foto, Osvaldo
Vicino, Ricardo Alpendre, Catia "Bolívia", Renata "Tata" Martinelli e
Laert Sarrumor, cantor e compositor do Língua de Trapo e também
vocalista da minha primeira banda, o Boca do Céu, em 1976. Na foto 3,
Catia "Bolívia" e o nosso guitarrista, Phill Rendeiro. Foto 4, Catia
"Bolívia" e Kim Kehl. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de
2023. Acervo e cortesia ICBR/Catia "Bolívia". Clicks: Alexandre Chagas.
E
como as instalações do Instituto Cultural Bolívia Rock se mostraram
confortáveis pela sua amplitude e também pela ambientação multifacetada
no aspecto arquitetônico, o fato foi que muitas "rodas" observadas por
conter tantos amigos queridos, se formaram em vários ambientes
diferentes, o que tornou a noitada ainda mais agradável para todos.



Na
primeira foto, vemos as personas de Vera Lígia de Andrade Lemos &
Eric Lemos Krüger (esposa e filho de Paulo Krüger), o próprio, Paulo
Krüger, grande baixista e amigo, o guitarrista superb, Adilson Oliveira e
o nosso baterista, Carlinhos Machado. Na segunda foto, Kim Kehl ao lado
do fotógrafo e amigo, Marcos Viana "Pinguim", que também cobriu o
evento todo, com vários membros da nossa banda reunidos com amigos, ao
fundo. Terceira foto com a nossa cantora, Renata "Tata" Martinelli,
rodeada pelo casal de amigos, Raquel e Marcio Calabrez. Quarta foto com o
encontro de fotógrafos/amigos que cobriram bem o evento: Marcos Kishi e
Marcos Viana "Kishi". E na última foto, Renata "Tata" Martinelli ao
lado do competente técnico de PA, Luciano, que garantiu a qualidade
sonora do nosso show nesse dia. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6
de maio de 2023. Clicks, acervo e cortesia: Marcos Viana "Pinguim"Em
suma, foi um dos mais sensacionais eventos dos quais a nossa banda
participou, com tudo absolutamente perfeito, tanto nas questões técnicas
do áudio, iluminação e detalhes de bastidores, camarim, hospitalidade,
ambientação festiva, presença de ótimo público e muitos amigos queridos
reunidos, quanto na realização da minha noite de autógrafos, que
reafirmo ao leitor, é objeto de um relato em paralelo para descrevê-la
em particular.
Ao
encerrar a apresentação, com quatro membros do nosso sexteto no
enquadramento: Carlinhos Machado, Kim Kehl, Renata "Tata" Martinelli e
eu, Luiz Domingues. Os Kurandeiros no ICBR de São Paulo. 6 de maio de
2023. Click, acervo e cortesia: Ana Cristina DominguesE
nem mesmo o típico "lamento de segunda-feira", com muitas pessoas que
anteriormente faziam comentários entusiasmados com a proximidade do show
em torno das publicações a anunciar o evento previamente e que depois
simplesmente não foram e se colocaram a lastimar a sua não presença, nos
tirou a sensação de satisfação, pois realmente a casa lotou, portanto,
se esses "furões do oba-oba" tivessem ido, talvez teria sido melhor
ainda, mas a sua ausência nos causou nenhum mal maior.
A
nossa diva, Renata "Tata" Martinelli, sentada na poltrona, rodeada
pelos demais componentes da nossa banda: Kim Kehl, Nelson Ferraresso,
Phill Rendeiro, eu (Luiz Domingues) e Carlinhos Machado. Os Kurandeiros
no ICBR de São Paulo, 6 de maio de 2023. Click, acervo e cortesia:
Marcos KishiÉ
bem verdade que um grupo grande de pessoas me procurou pelos meios
privados de algumas redes sociais para lastimar e justificar as
respectivas ausências, a explicar-me, cada um, quais foram os
empecilhos que tiveram. Eu contei trinta pessoas nessas circunstâncias
que me procuraram para esclarecer os seus motivos em particular e de
fato foram questões plausíveis nos quais eu pude notar o quanto
lastimaram, sinceramente, não ter comparecido. Ou seja, poderia mesmo
ter tido mais gente ali presente naquela noite.
Felizes
pela grande apresentação, tivemos perspectiva de agenda a seguir e
muitas ações midiáticas positivas, ou seja, para contrastar com um
começo de ano um tanto quanto relutante, ficamos com a impressão de que o
ano de 2023 para Os Kurandeiros, iniciou-se nesse instante.
Da
esquerda para a direita: Nelson Ferraresso, Phill Rendeiro, Renata
"Tata" Martinelli, eu (Luiz Domingues), Kim Kehl e Carlinhos Machado.
Click, acervo e cortesia: Marcos KishiE
logo depois do bom espetáculo que protagonizáramos no Instituto
Cultural Bolívia Rock em maio, soubemos que uma nova data se apresentara
em nossa agenda. Voltaríamos ao bom teatro da Fábrica de Cultura Parque
Belém, na zona leste, local no qual realizáramos um espetáculo muito
bom em maio de 2022. Desta feita estaríamos acompanhados de uma banda
peso pesado do campo de Heavy-Metal, chamada: "Ácido". Convenhamos, com
tal denominação, quando soubemos dessa parceria, logo pensamos se tratar
de uma banda com influência psicodélica sessentista, mas qual não foi a
nossa surpresa ao verificarmos o perfil da banda nas redes sociais que
se tratava de uma outra realidade.

Concomitantemente
a essa perspectiva de agenda, as conversas em torno da produção do
disco ao vivo (gravado em 2021 e preparado ao longo de 2022), vieram à
tona. A perspectiva de realizarmos a masterização do álbum no estúdio
Prismathias, foi levantada e nos agradou bastante a ideia, no sentido
que havíamos gravado o CD "Cidade Fantasma" nesse estúdio e ali
estabelecemos uma ótima relação de amizade e confiança com o seu técnico
e proprietário, Danilo Gomes Santos.
Carlinhos
Machado ao lado de Danilo Gomes Santos e sua namorada, nos bastidores
do show d'Os Kurandeiros no Instituto Cultural Bolívia Rock de São
Paulo. 6 de maio de 2023. Acervo e cortesia: ICBR/Catia Bolívia. Click:
Alexandre ChagasPara
avançar um pouco nessa perspectiva, o próprio Kim lançou a ideia
diretamente ao Danilo nos bastidores do Instituto Cultural Bolívia Rock,
em 6 de maio, a aproveitar o ensejo de que ele foi nos prestigiar nessa
casa, por ocasião do espetáculo que protagonizamos nessa mesma noite.
Mas
nada foi oficializado nessa ocasião, apenas foi feita uma sondagem
inicial. O importante foi que o projeto pareceu receber uma movimentação
e se por um lado o hiato por nós estabelecido foi muito estratégico no
sentido de dar um tempo hábil para que o trabalho anterior, o CD "Cidade
Fantasma" obtivesse o devido espaço midiático para se impor, fator que
fora obscurecido pela pandemia mundial da Covid-19, o fato de avançar na
tratativa para colocar o álbum ao vivo na rua, se mostrou necessário.
Nesse
ínterim, durante todo o mês de junho e no início de julho, tivemos o
apoio do programa "Brasil Underground" da Webradio MKK, de segunda a
sexta, 15 horas, ou seja, praticamente a fazer parte da programação
diária da emissora! Neste caso, com a música "Cidade Fantasma".E
também tivemos a música "Andando na Praia" a ser executada na Rádio
Cultura 93.1 FM de Botucatu-SP, através do programa "Planeta Música",
nos dias 28 de junho e 2 de julho de 2023. Comemoramos sempre todo apoio
radiofônico e aliás, qualquer apoio midiático.
No dia em que a nova encomenda chegara ao QG d'Os Kurandeiros. Junho de 2023Mais
uma novidade do início de julho, estávamos a receber os novos "cards"
promocionais impressos. Material a ser distribuído para fãs nos shows e
já a conter fotos novos promocionais que havíamos extraído no camarim do
ICBR em maio, através da lente do fotógrafo, Marcos Kishi.
Novamente
convidados a participar do projeto: "Fábrica Rock", claro que aceitamos
de pronto, sabedores que tocar no teatro da Fábrica de Cultura Parque
Belém, seria muito prazeroso pela boa estrutura ali presente, pela
beleza silvestre do parque em si e ótima oportunidade de se angariar
mais um bom material fotográfico e de vídeo da apresentação para
reforçar o nosso acervo.
Músico,
editor da revista Dynamite, DJ, ativista cultural e gestor de cultura, o
meu amigo: André "Pomba" Cagni, que fez muita coisa pela cena musical,
Rocker e cultura de uma forma ampla.
Todavia,
desta vez houve um componente a mais para enaltecer a nossa
participação (e homenagem justa a parte), a se tratar de uma questão de
obituário. Ocorreu que o idealizador do projeto, André "Pomba" Cagni,
houvera falecido bem recentemente e a sua morte comoveu bastante toda a
comunidade Rocker, dada a sua atuação muito marcante como músico,
ativista cultural e editor da revista Dynamite, que marcou época no meio
Rocker.
Dessa
forma, o show se revestiu também dessa carga emocional, mesmo porque,
entre nós, pelo menos a se pensar na ala mais veterana da nossa banda,
todos sentimos bastante a perda do André, que lutou contra um câncer
muito feroz e infelizmente, sofreu muito em seus dias finais.
Bem,
foi uma bela homenagem justa ao idealizador do projeto e que tantos nos
ajudou, eu aproveito para estender esse agradecimento pela atuação do
André enquanto viveu, para praticamente todas as banda pelas quais eu
atuei, a lembrar as páginas da revista Dynamite a publicar matérias,
entrevistas e resenhas de discos e shows, desde o meu tempo com A Chave
do Sol, com shows produzidos a contar com a participação d'A Patrulha do
Espaço, nomeação para o "Prêmio Dynamite" de música para o Pedra e
também para o prêmio recebido pelo conjunto da obra para a Patrulha do
Espaço e shows d'Os Kurandeiros produzidos em projetos de sua autoria.
E
para encerrar este preâmbulo sobre o show, ficamos a saber que
dividiríamos a tarde com outra banda, que era a praxe desse projeto,
portanto, tudo bem. Na ocasião anterior, havíamos dividido o espetáculo
com o Medusa Trio, dos amigos, Milton Medusa, Fernando Tavares e Luiz
Pagoto.
Nada
contra tocar com uma banda totalmente fora do nosso espectro e não
conhecer sequer um dos seus componentes, mas ficamos naturalmente
apreensivos na medida em que é sempre mais fácil dividir espetáculo
quando se tem amizade solidificada com uma outra banda e particularmente
com os seus componentes, por diversos fatores, entre os quais alguns
essenciais sobre a questão do "backline" a ser usado, "carcaça" mútua da
bateria, tempo para cada banda atuar, escolha do camarim para cada uma e
outros detalhes.
Neste
caso, fomos avisados que a banda designada seria um grupo famoso no
Uruguai e que faria a sua primeira apresentação em São Paulo, chamada:
"Ácido", porém, logo surgiu a dúvida, pois em outras publicações que
vimos o nome da banda vinha grafado como "Perro Ácido". Isso me
atrapalhou um pouco na hora de divulgar o espetáculo, particularmente
nos meus esforços, entretanto, no dia do show em si, eu finalmente tive o
esclarecimento sobre tal questão e mais do que isso, me surpreendi
muito positivamente sobre a banda, seus componentes e sua história.

Nesse
ínterim, mais uma vez a nossa banda esteve relacionada para ser
executada através da música: "Cidade Fantasma", durante o programa
"Brasil Underground" da Webradio MKK. Na semana de 3 a 7 de julho, e
nesse caso, por conta de um bloco do programa ser montado mediante os
pedidos formulados por ouvintes, ou seja, já estávamos a um mês a tocar
nesse referido programa, por causa desse apoio popular. E tocaríamos
também nas semanas posteriores ao show que eu estou a narrar, isto é,
nas semanas de 10 a 14 e 17 a 21 de julho de 2023.
A
nossa banda sob panorâmica no palco. Os Kurandeiros no Fábrica Parque
do Belém 4.0 de São Paulo. 9 de julho de 2023. Click, acervo e cortesia:
Dalam JuniorCheguei
cedo ao Parque Belém e desta vez, por haver tomado conhecimento que
haveria um amplificador à minha disposição nessa produção, me aliviei
por não ter que levar o meu equipamento, haja vista que em 2022, foi um
sofrimento para ingressar no parque, sobretudo por seguir as suas regras
ultra engessadas nesse quesito e assim, naquela ocasião passada, eu
fora submetido a ter que parar o carro em um lugar longínquo e levar o
meu equipamento por um longo percurso através de um carrinho de
transporte de volumes, através do parque.
Sendo
assim, apenas a me preocupar em carregar o meu instrumento, eu
programei a minha chegada ao local de uma outra forma, ao me dar ao luxo
de estacionar em uma rua próxima, da qual eu nutro carinho, por haver
morado ali, no longínquo ano de 1971. Assim que estacionei o carro em
frente à casa que eu morei, imediatamente me recordei de ouvir o som do
vizinho que já era adolescente na ocasião e na esteira de um som
escutado à distância, eu ouvia Mutantes, Santana, Jimi Hendrix, Led
Zeppelin e outros artistas sensacionais dessa estirpe, praticamente o
dia inteiro.
Dali,
em menos de um minuto eu cheguei à portaria do parque e sob uma
caminhada tranquila, embora com um princípio de chuva e frio, me
apresentei ao segurança do teatro, que liberou a minha entrada. Fui o
primeiro da nossa banda a chegar e ali estava presente o bom técnico de
áudio do teatro, Juninho Bacon. Tomei posse do camarim número dois e
paulatinamente ajudei cada companheiro que chegou a seguir, e inclusive o
pessoal da banda que tocaria conosco.
Cabe
acrescentar que o teatro houvera mudado o seu nome em relação ao show
que ali fizemos em 2022, ou seja, agora acrescentara a marca "4.0", ao
lhe ofertar ares de modernidade à sua posição, no sentido de se adequar
ao conceito "4.0" que demarcava uma etapa contemporânea da revolução
industrial, a incorporar a robótica e a inteligência artificial no mesmo
bojo do avanço tecnológico. Bem, apenas estou a anotar o que eu vi, sem
emitir uma opinião mais profunda a respeito, embora ao olhar esse
acréscimo, eu tenha tido a reação de considerar como algo no mínimo
pretensioso.
E
foi quando me surpreendi positivamente com a simpatia desses rapazes da
banda que acompanhar-nos-ia nessa tarde e finalmente entendi algumas
questões sobre eles. Primeiro ponto, esse grupo, chamado: "Ácido",
realmente tinha mais de quarenta anos de atividades e assim mantinha uma
carreira longeva e com farto currículo na cena de seu país de origem, o
Uruguai. Mas na verdade, apenas um de seus componentes originais veio
ao Brasil e a remontou aqui como uma espécie de franquia internacional,
acompanhado de três novos companheiros brasileiros.
O
segundo ponto é que o "Ácido" original permanecia em atividade no
Uruguai e esse artista, o cantor e guitarrista, Juan Acuña, apelidado
como "Perro" (cachorro em português), trouxe a sua alcunha como uma
marca registrada para diferenciar. Daí o "Perro Ácido".
E
o terceiro ponto, foi a extrema simpatia com a qual eles se
apresentaram e interagiram conosco, inclusive, da parte dos três
brasileiros da banda a reconhecerem-me e reverenciarem a minha
trajetória, principalmente como ex-componente d'A Chave do Sol nos anos
oitenta, ou seja, apesar de aparentarem ser muito mais jovens para ter
acompanhado tal banda nessa década, demonstraram grande respeito,
conhecimento de causa e admiração por este meu trabalho, querido,
certamente, mas nessa altura dos acontecimentos, a se tratar de algo
absolutamente remoto. Contudo, eu apreciei muito a manifestação desses
rapazes.
E
como último ponto a ser destacado, eis que o baterista e também back
vocalista do "Perro Ácido" quis saber quem de nós havia sido componente
do "Pedra", pois ele era primo de segundo grau do guitarrista, Xando
Zupo, ao se chamar Pedro Zupo. Dessa forma eu me apresentei como
ex-membro dessa banda e daí ele me contou sobre o seu parentesco com o
guitarrista dessa minha antiga banda.
No
momento do "soundcheck", Carlinhos Machado comandou a "selfie" com Kim
Kehl a frente. Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0 Parque Belém de
São Paulo. 9 de julho de 2023. Click (selfie), acervo e cortesia:
Carlinhos Machado
Bem,
para quem estava receoso por não haver entrosamento em meio a um show
compartilhado com uma banda inteiramente desconhecida, esse início de
convívio, foi dos mais promissores e dessa forma, que ambiente bom se
construiu de uma forma automática para garantir uma boa apresentação
para as duas bandas!
A
banda sob panorâmica no palco. Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0
do Parque Belém. 9 de julho de 2023. Click, acervo e cortesia: Raquel
Calabrez
Cumprido
todo o procedimento do "soundcheck", nos recolhemos ao camarim e ali a
nossa produtora, Lara Pap, organizou uma surpresa ao Kim Kehl, quando lhe proporcionou
uma mini festa de aniversário antecipado, pois não era exatamente o seu
dia do natalício, porém, estava bem próxima a data em questão. Clima de
descontração e amizade com a qual compartilhamos com os colegas do
"Perro Ácido" que foram convidados a comparecer ao nosso camarim e
desfrutar do ótimo bolo de chocolate que celebrou da data antecipada
para o Kim Kehl.
Eis
que a produtora do teatro chegou ao camarim e nos convocou para
ingressarmos ao palco. Diante da minha vivência adquirida até esse
ponto, a contabilizar longos quarenta e sete anos na música, eu
sinceramente não achei ser possível estar presente no teatro um grande
contingente, haja vista o horário totalmente insalubre. Convenhamos,
show de Rock em um teatro, marcado para um domingo, às 14 horas, foi
realmente algo muito fora do comum, a não ser no ambiente de festivais
com diversas atrações em tom de maratona.
Na
sequência de fotos: Eu (Luiz Domingues) e Kim Kehl (foto 1). Kim Kehl e
Renata "Tata" Martinelli (foto 2). Carlinhos Machado e Renata "Tata"
Martinelli (foto 3), Phill Rendeiro e Nelson Ferraresso (foto 4). Os
Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0 Parque Belém de São Paulo. 9 de
julho de 2023. Clicks (1,2,3 e 5), acervo e cortesia: Raquel Calabrez.
Click (foto 4), acervo e cortesia: Dalam Junior
Entretanto,
a contrariar a minha visão realista nesse sentido, o fato é que me
surpreendi positivamente e mesmo mediante um horário inadequado, com
chuva (ainda que bem leve), frio e perspectiva de futebol ao vivo pela
TV, houve um significativo público presente ao teatro. Não lotou, mas eu
diria que mais da metade das poltronas foram preenchidas e assim,
tivemos um calor humano muito bom para tornar o nosso show, animado.
Sobre
o repertório, seguimos a lista que usamos no show anterior que havíamos
feito em maio no Instituto Cultural Bolívia Rock, mas efetuamos alguns
cortes pontuais, pois desta feita teríamos que compartilhar espaço com a
banda "Perro Ácido".
Uma
panorâmica da banda no palco. Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0
Parque Belém de São Paulo. 9 de julho de 2023. Click, acervo e cortesia:
Dalam JuniorEm
um ponto estratégico, o Kim falou sobre o patrono desse projeto
"Fábrica Rock", André "Pomba" Cagni e o quanto ele foi ativo na produção
cultural brasileira e a sua morte trágica nos afetara e trouxe prejuízo
para a cena. E a aproveitar o ensejo, falou também sobre o nosso amigo,
Ciro Pessoa, que partira em 2020, e inspirara a canção "Viagem Muito
Louca" que tocamos em seguida, dedicada aos dois amigos que haviam
partido.
Kim
Kehl e Renata "Tata" Martinelli em ação. Os Kurandeiros na Fábrica de
Cultura 4.0 Parque Belém de São Paulo. 9 de julho de 2023. Click, acervo
e cortesia: Raquel CalabrezJá
em "Cidade Fantasma", mais uma vez fomos felizes ao estabelecermos um
ótimo padrão de dinâmica que só valorizou a intenção Jazz'n' Blues da
canção. E a Renata "Tata" Martinelli incrementou ainda mais a atenção ao
ser bem performática nessa canção e isso angariou muitos aplausos
calorosos e assovios, a denotar que a sua performance gerou frisson.
Na
linha de frente: Kim Kehl, o convidado especial, Pedro Zupo, Renata
"Tata" Martinelli e Phill Rendeiro. Na retaguar da: eu (Luiz Domingues) e
Carlinhos Machado na bateria. Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0
Parque Belém de São Paulo. 9 de julho de 2023. Click, acervo e cortesia:
Raquel Calabrez
O
baterista do "Perro Ácido", Pedro Zupo, que também é cantor, subiu ao
palco para cantar a música, "Sou Duro", conosco, como um convidado
especial e foi muito boa a sua atuação.
Com
energia, encerramos o nosso show e abrimos o espaço para a apresntação
do "Perro Ácido", cujo som bem ao estilo do Hard-Rock oitentista na
estética, mas com nítida influência setentista em muitos riffs, me
agradou bastante, que os vi em ação pela coxia do teatro.
A
nossa banda a agradecer o bom público presente no teatro. Os
Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0 Parque Belém de São Paulo. 9 de
julho de 2023. Click, acervo e cortesia: Raquel CalabrezE
assim saímos de lá do teatro com mais que do a sensação do dever
cumprido, porém, com o sentimento de satisfação por termos feito uma
ótima apresentação em perfeita sincronia energética com a plateia, e
também por termos estabelecido um ótimo ambiente com a produção do
teatro e igualmente com a banda que dividiu a tarde conosco.
Nos
bastidores, tivemos muitas alegrias igualmente, ao atendermos fãs e
muitos amigos que foram nos assistir, ou seja, essa apresentação superou
em muito as minhas expectativas.
Eu,
Luiz Domingues, a tocar em um teatro e a protagonizar um show de Rock
bem perto da rua em que morei nos idos de 1971, época da qual ouvia sons
incríveis oriundos através do outro lado do muro do meu quintal. Os
Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0 Parque Belém de São Paulo. 9 de
julho de 2023. Click, acervo e cortesia: Dalam Junior De
volta ao meu carro, ali na rua em que morei no ano de 1971 (eu já havia
morado no bairro entre 1960 e 1965, em uma outra casa de uma rua bem
próxima dali), mais uma vez pensei na coincidência de ter tocado bem
perto de uma residência na qual vivera em tempos remotos, ainda longe de
vir a me tornar um músico, mas neste caso em específico, eu já estava a
me ligar na música. Quem diria ali em 1971, ao escutar o vazamento de
som do meu vizinho com sons incríveis em um volume muito alto, eu faria
parte desse mundo, e estaria a protagonizar um show de Rock, cinquenta e
dois anos depois? Pois é, não posso me queixar da vida que tive até
aquele ponto, pois ainda que sem o mesmo glamour de meus ídolos, trilhei
o mesmo caminho que eles me impeliram a seguir como um autêntico
"chamado" e fui feliz por isso. E ali naquele fugaz instante de 2023, os
ecos do que eu ouvi em 1971, vindos da casa do vizinho, vieram à tona
na minha mente, enquanto dava partida na ignição do meu carro:
"Eu
vou sabotar/top top huh...hoy como vá/mi ritmo/bueno p'a gozar/mulata..
communication breakdown it's always the same... let's me stand next to
your fire... podes crer, amizade!"
"São
Paulo" (vai sobreviver) (Kim Kehl) - Os Kurandeiros na Fábrica de
Cultura 4.0 Parque Belém - São Paulo - 9 de julho de 2023. Filmagem:
Dalam JuniorEis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=oXFAjyQULgQ
"Noite
de Sábado" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0
Parque Bélém - São Paulo - 9 de julho de 2023. Filmagem: Dalam JuniorEis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=mjeSofysZrE
"A
Galera quer Rock" (Kim Kehl) - Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0
Parque Belém - São Paulo - 9 de julho de 2023. Filmagem: Lara PapEis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=q_vq32wHCzE
Show na íntegra - Os Kurandeiros na Fábrica de Cultura 4.0 Parque Belém - São Paulo - 9 de julho de 2023. Filmagem: Lara Pap
Eis o link para ver no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=PPqPjCNdjjs
Na
última conversa antes de nos despedirmos uns dos outros, o assunto
sobre o álbum ao vivo veio à tona. Pelo que foi dito ali, seria o
próximo passo a ser dado.
No
palco da Fábrica de Cultura Belém 4.0, em julho de 2023, a banda
completa a executar os temas do CD Cidade Fantasma e outros clássicos de
nosso repertório. Click, acervo e cortesia de Raquel CalabrezEis
que o ano de 2023 se findou e este não foi muito favorável para a nossa
banda. Foram poucos shows realizados, pois a agenda não nos favoreceu
como nos anos anteriores. E por conseguinte, tal ausência de
apresentações tratou por inviabilizar a produção do disco ao vivo, em
tese pronto na sua parte técnica desde meados de 2022.
Mas
como a resiliência sempre foi um pilar histórico d'Os Kurandeiros, nos
mantivemos confiantes e preparados para avançarmos ao ano de 2024, com
esperança de realizarmos mais shows e lançarmos enfim o álbum ao vivo.
Mesmo
com a nossa capacidade para suportar revés como um escudo natural e
tradicional para nós, é claro que certos golpes poderiam doer mais,
apesar da "casca grossa" que a nossa banda se orgulhava de ter
adquirido. E assim foi o caso da notícia que recebemos ao final do ano,
nos últimos dias de dezembro, a dar conta da decisão de Nelson
Ferraresso, tecladista que esteve presente em todos os discos da nossa
banda a nos comunicar que deixaria a banda, após mais de trinta de anos
de ótima contribuição de sua parte.
O
grande tecladista, Nelson Ferraresso, em ação com Os Kurandeiros no
palco do Instituto Cultural Bolívia Rock em maio de 2023. Click, acervo e
cortesia: Dalam JuniorNo
entanto, mediante um problema pessoal que tornou impossível a sua
atividade musical, ao menos por um tempo, ele preferiu anunciar a sua
saída e nos deixar livres para recrutar um substituto. Então, mediante
tal comunicado de teor triste e irreversível dadas as circunstâncias, é
claro que ficamos abalados pela falta que o colega e amigo de tantas
jornadas haveria de nos fazer, porém, não nos restou outra alternativa a
não ser acatar a sua decisão e lhe desejar boa sorte doravante, para
que armazenasse forças para poder superar as suas adversidades pessoais.
Quem
sabe um dia ele não voltaria para a formação? Essa foi a minha torcida
naquele momento triste de rompimento, mas somente o tempo responderia se
tal desejo poderia se concretizar.
Em
16 de dezembro, foi a vez do nosso guitarrista, Kim Kehl ser
entrevistado pelo bom radialista e jornalista, César Freitas, a bordo do
seu "Programa Rock Beer", pelas ondas da Webradio 97 Rock de Santo
André-SP, com direito a uma retrospectiva de sua carreira e quando ele
citou o trabalho com Os Kurandeiros, a música que foi executada a nos
representar, foi: "Cidade Fantasma".
Tivemos
outrossim, momentos breves de alegria, no campo midiático, por exemplo,
mediante execuções de nossas músicas anunciadas em webradios. E foi o
que ocorreu até no final do ano, quando a banda foi relacionada para ter
a sua música: "A Noite Inteira" no programa "Hall da Fama" da Webradio
Orra Meu, no dia 30 de dezembro.
Por
coincidência, no mesmo dia e com mais seis execuções arroladas nos dias
posteriores, a música "Gasolina" (esta oriunda do CD Cidade Fantasma),
esteve presente no programa "Só Brasuca" da Webradio Crazy Rock.
Foi
um alento, portanto, que nós tivemos para fecharmos o ano com maior
alegria, e mais uma vez a usarmos da nossa paciência com forte
capacidade para sempre amortizar qualquer espécie de revés como
característica, e assim nos enchemos de esperança de que o ano de 2024
nos traria dias melhores. E para confirmar tal presságio, recebemos
nesses estertores do final do ano, o convite para tocar no Instituto
Cultural Bolívia Rock em fevereiro, ou seja, foi mais uma boa nova para
começarmos o ano de 2024, com melhor perspectiva.