Neste meu Blog 3, dedico todo o espaço para cuidar da minha carreira musical. Além de publicar os textos na íntegra, dos meus livros autobiográficos, apresento também material em geral de todas as bandas pelas quais atuei e atuo, sob permanente construção.
Nota publicada na revista "Metal", número 46, a anunciar a dissolução da antiga banda: A Chave do Sol e formação de uma nova banda dissidente, denominada doravante, "A Chave", simplesmente. A leitura da imprensa sobre ser simplesmente continuidade d'A Chave do Sol foi errônea, mas dou um desconto gigante à todos, pois a situação em que nos colocamos, caótica e digna de um imbróglio, não deu margens a uma análise mais apurada dos fatos. Portanto, nesse caso, toda vez que essa nova banda foi tratada como a "continuidade" d'A Chave do Sol ou como se convencionou dizer popularmente: "A Chave sem Sol", na base da brincadeira ou da alfinetada via escárnio, foi compreensível, pois nós mesmos criamos tal confusão.
Mais uma nota publicada e a mencionar a confusão gerada para se explicar a situação a respeito de uma nova configuração que deu origem à formação dessa banda, batizada como A Chave/The Key. Intenção excelente, como eu falei na legenda anterior. A revista "Amiga", era uma publicação focada no mundo dos bastidores da TV, e muito provavelmente, talvez para o grande público consumidor dela, tudo isso passasse ao léu, ainda bem. E pelo lado positivo, que bom foi sermos noticiados em um veículo não fechado no mundo do Rock underground. Assinada por Robert Neto, que foi um jornalista batalhador, que costumava cavar espaço para a música underground dentro da imprensa mainstream, vide essa coluna que ele manteve em uma revista popular, como foi a "Amiga".
Filipeta a anunciar o show de lançamento do LP The Key, d'A Chave do Sol, mas na verdade, feito por uma outra banda com formação e identidade completamente diferentes. O elo de ligação, se deu apenas pelo fato de haver em suas fileiras, dois ex-componentes da velha, A Chave do Sol (eu, Luiz Domingues e Beto Cruz), e principalmente pela extrema necessidade para divulgar o disco da banda extinta, pois as dívidas contraídas pela produção do mesmo, urgiam. E mais um aspecto, foi falsa a afirmativa de que se tratou do show de lançamento de tal LP, pois isso já havia ocorrido em dezembro de 1987 e feito logicamente pela banda que o gravou
Resenha assinada pelo grande, Antonio Carlos Monteiro, para a revista "Metal", número 47, a analisar o show d'A Chave/The Key no Teatro Mambembe, em 18 de abril de 1988. Tratado como um show d'A Chave do Sol em nova fase, renovada, não é nem de longe culpa do jornalista, que reputo ser um dos melhores do país, desde aquela época. Não quero ser repetitivo, pois já expliquei isso exaustivamente na autobiografia e reforcei nas legendas acima, a respeito da confusão gerada pelo imbróglio que foi toda nossa e a mensagem que passamos ao grande público foi bastante difícil para ser compreendida. Entretanto, a despeito dessa crise de identidade, a resenha descreve bem o que esse show, que tratamos de fato como a estreia dessa nova banda, foi e o Tony Monteiro foi preciso em suas observações. E de fato, eu me emocionei nesse dia no palco, pois a ovação recebida pela plateia de um teatro super lotado, com quase o dobro de sua capacidade, inclusive, foi fantástica e de certa forma teve o caráter de uma catarse, a expurgar todo o sofrimento que eu vinha a passar pelo final abrupto e triste d'A Chave do Sol, a rusga gerada com um velho amigo, Rubens Gióia e dificuldades financeiras inerentes ao lançamento do LP "The Key", além da decorrente necessidade de montagem dessa nova banda, às pressas. Como se não bastasse tudo isso, a estética artística dessa nova banda não me agradava em nada, portanto, foi uma situação bem difícil e aquele momento com aplausos e gritos, com direito a um coro a clamar pelo meu nome, foi um bálsamo naquela noite a me dar forças para atravessar essa turbulência
Resenha assinada pelo baixista do grupo Heavy-Metal "Vodu" na época e futuro empresário e ativista cultural, André "Pomba" Cagni, sobre o show no Teatro Mambembe em 18 de abril de 1988, para a revista Rock Brigade. Na mesma edição, uma nota a citar a participação d'A Chave em um outro evento a se realizar, no projeto: "Estação Jovem", no boulevard da estação Brás do metrô de São Paulo
Esse depoimento foi publicado na revista "Wanted", no avançar de 1988. Certamente o baixista Maurício, do Ultraje a Rigor ao citar a nossa banda como recomendação sua, pessoal, deve ter se referido à antiga, A Chave do Sol, mas eu coloco essa peça de portfólio como material desta banda, A Chave/The Key, pois não obstante o fato de ter sido publicada em 1988, em tese, o Maurício foi assistir um show d'A Chave neste ano de 1988, acompanhado de seus amigos norte-americanos com os quais formara uma banda orientada pelo Hard-Rock oitentista, daí eu considerar que tem mais a ver com a história desta banda do que com a velha, A Chave do Sol
Na edição de número 27, da revista Rock Brigade, eu (Luiz Domingues), fui convidado a escrever uma matéria sobre o universo do baixo/baixistas etc. Tal assunto não é e nunca foi a minha paixão na vida, é bem sabido, pois me tornei baixista por acaso e a minha visão da música é muito diferente. A própria palavra: "instrumento" que pouca gente leva em consideração pelo seu valor semiótico, na minha percepção, diz tudo, ou seja, encaro o baixo como um instrumento e dessa forma, eu não sou nenhum entusiasta da ferramenta e tampouco de adestramento do usuário à ferramenta, que é a mentalidade da maioria dos músicos. Gosto de música e não de técnica, gosto de viajar na abstração de uma tela pintada pelo artista e não me importa quais tintas ele usou e qual técnica de pinceladas utilizou. Gosto do resultado artístico, simples assim. Portanto, quando fui convidado pela revista, relutei bastante, pois entre outras atribuições, eu não queria e jamais quis ter a imagem pública atrelada a de um sujeito que pensava/pensa 24 horas por dia em instrumentos, amplificadores, efeitos & acessórios e muito menos preocupado em estudar alucinadamente para adquirir técnica sobre-humana de adestramento ao instrumento. Entretanto, eu não pude declinar do convite, pois a equipe da revista foi gentil comigo, naturalmente, e assim, o escrevi. Segundo ponto, por não ser nenhum expert no assunto, e aliás, muito pelo contrário, ter parcos conhecimentos, tive que fazer um esforço para redigir um texto minimamente interessante e ao ir além, ainda houve a questão de ter que fazer citações a respeito de artistas contemporâneos (para satisfazer o leitor padrão daquela publicação (leia-se nicho do Hard-Rock/Heavy Metal oitentista), ou seja, seara na qual eu não detinha familiaridade alguma e muito menos simpatia. Portanto, foi um desafio escrever e não desapontar os leitores e a própria equipe de redação da revista, mas creio que consegui chegar em um resultado razoável, em que eu não desapontasse ninguém em demasia.
Entrevista que eu (Luiz Domingues), concedi ao jornal interiorano: "O Diário", de Ribeirão Preto-SP, publicada em 1º de maio de 1988. Apesar da conversa ter sido boa na redação, in loco, o jornalista não deve ter usado as suas anotações de apoio e na hora de editar a matéria, se valeu apenas do release do LP "The Key" e aí, misturou as informações ao ignorar o meu esforço para tecer explicações, ao redigir o seu texto, e assim a nos tratar como: "A Chave do Sol". Bem, paciência... a confusão estava armada e ainda por se tratar de um veículo não especializado, a tendência seria não entender que estávamos a divulgar um disco de uma banda extinta, mas éramos outra, em realidade... fora que o sujeito me adjetivou como: "baixinho"... de fato, tenho apenas 1.65 m e não tenho vergonha dessa baixa estatura, mas para que citar tal característica anatômica de minha pessoa? Como diz a famosa, Sandra Annenberg: "que deselegante"...
Nota publicada no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, a anunciar show d'A Chave, na casa de espetáculos: "Caverna II". 12 de junho de 1988. E que valor de ingresso exorbitante, hein? Quanto será que esse valor corresponde na moeda atual, tal quantia de "350 cruzados?"
Uma filipeta realmente nada profissional, mas foi assim que divulgaram o nosso show realizadono Caverna II, no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 1988. Valeu pela intenção e claro que entendo a falta de recursos da produção para providenciar um material decente
Eis um programa recortado da programação do Teatro Mambembe, com a indicação da data na qual A Chave tocou em 12 de julho de 1988, ao ter a banda, "Naja", como abertura. A se lastimar o erro de digitação que não separou corretamente o nome da outra banda
Uma filipeta a anunciar os shows d"A Chave/The Key no Teatro Mambembe e Centro Cultural São Paulo, em julho de 1988, também a aproveitar para anunciar aulas ministradas por alguns componentes da banda.
Resenha sobre o show d'A Chave no projeto: "Estação Jovem" no Boulevard da estação Brás do Metrô de São Paulo, realizado em abril de 1988, e assinada pelo jornalista, Antonio Carlos Monteiro. Na mesma edição, houve uma citação em uma nota a falar sobre a cena pesada brasileira e a nos citar. Revista "Metal", número 48
Filipeta sobre o show d'A Chave no Dunny's Club, no dia 28 de julho de 1988
Filipeta do show d'A Chave no Projeto Leste I, em meio ao Festival "Roque no Projeto". 30 de julho de 1988. "Roque" escrito com essa ortografia, realmente os seus responsáveis forçaram... isso sem contar que o patrocinador foi bizarro: uma empresa especializada em organizar festas de formaturas...
Show d'A Chave no festival Megafestival, no dia 17 de setembro de 1988, no Clube dos Aeroviários, em São Paulo.
Ingresso do show d'A Chave e outras bandas da cena pesada brasileira dos anos oitenta, no Clube dos Aeroviários, em 17 de setembro de 1988
Resenha sobre o show d'A Chave na casa de espetáculos, Caverna II, no Rio de Janeiro, realizado em 12 de junho de 1988. Revista "Metal", número 49. Assinada por Sergio Martorelli
Entrevista da nossa banda, muito boa, conduzida por João Cucci Neto, para a revista "Rock Brigade", embora eu seja obrigado a fazer uma ressalva em forma de mea culpa. Certas colocações que eu mesmo fiz, ao colocar mais confusão no imaginário do público, foram muito inoportunas. Não foi à toa que o editor-chefe deve ter proposto esse título capcioso para a matéria, pois pareceu mesmo que "atirávamos para qualquer lado", em pleno ato de desespero. Essa banda não representou a continuação d'A Chave do Sol, a se tratar de uma nova banda, com outro nome e proposta artística diferente, simples assim...
Programa recortado da programação do Teatro Mambembe para o mês de outubro de 1988. Nota bem redigida, não nego, porém lastimo os erros ortográficos nos nomes dos componentes. Tudo bem trocar o "Z" pelo "S" em Luiz, confusão comum e tudo bem também que o segundo nome a me designar fora o apelido que aboli anos depois, mas nessa época ninguém sabia que eu tinha dissabores por conta de seu uso, portanto, entre tantas grafias errôneas desse apelido, realmente...´"Tiguels", parece um sobrenome estrangeiro, a grosso modo. Mas o pior mesmo, foi o erro com o sobrenome do baterista, José Luiz Rapolli..."Ramolle" parece nome de um prato de massa italiana, convenhamos...
Resenha sobre o show d'A Chave no Clube dos Aeroviários, em 17 de setembro de 1988, publicado na revista "Rock Brigade", edição número 32, assinada por André Cagni. Infelizmente ele não gostou dos exageros perpetrados pelo nosso guitarrista, em uma rara manifestação nesse sentido, visto que o seu virtuosismo era geralmente enaltecido pelos críticos dessa mesma época.
Infelizmente essa resenha sobre o show d'A Chave na casa de espetáculos, Dama Xoc, em 27 de novembro de 1988, chegou em minhas mãos a faltar um pedaço. Mas pelo pouco que se preservou, dá para notar que o resenhista falava bem da nossa performance nessa noite. Revista "Rock Brigade", edição de número 33
Na mesma edição de número 33, da revista "Rock Brigade", foi publicada uma propaganda paga da Luthieria Tajima com a banda retratada e eu (Luiz Domingues) e Eduardo Ardanuy a posarmos com os respectivos, baixo e guitarra, feitos por tal fabricante. Não fiquei com esse baixo, infelizmente e aceitá-lo-ia de bom grado, pois se tratou de uma réplica de um baixo Fender Jazz Bass, bem feita... Cerca de dezembro de 1988. Foto de Carlos Muniz Ventura
Foto extraída da Internet, sem qualidade, mas a representar uma sessão de fotos promocionais realizada aproximadamente em julho de 1988. Da esquerda para a direita: eu (Luiz Domingues), José Luiz Rapolli, Fabio Ribeiro, Beto Cruz e Eduardo Ardanuy. Click, acervo e cortesia: Carlos Muniz Ventura
Da mesma sessão de fotos da foto desfocada acima, desta feita com maior qualidade. Da esquerda para a direita: Beto Cruz & eu (Luiz Domingues), acima. Sentados: Eduardo Ardanuy, José Luiz Rapolli e Fabio Ribeiro. Julho de 1988. Click, acervo e cortesia: Carlos Muniz Ventura
Foto da mesma sessão de promocionais realizada na residência do fotógrafo, Carlos Muniz Ventura, portanto a aproveitar o seu ambiente residencial. Da esquerda para a direita, no degrau mais alto: Fábio Ribeiro e Beto Cruz. Degrau abaixo: José Luiz Rapolli e no degrau mais baixo: eu (Luiz Domingues) e Eduardo Ardanuy. Julho de 1988. Click, acervo e cortesia: Carlos Muniz Ventura
Da mesma sessão das fotos anteriores. Da esquerda para a direita: Fábio Ribeiro, eu (Luiz Domingues), José Luiz Rapolli e Beto Cruz. Agachado: Edu Ardanuy. Julho de 1988. Acervo e cortesia: Eduardo Ardanuy. Click: Carlos Muniz Ventura
Eu já
estava em outra sintonia há meses, por envolver-me em vários projetos
musicais novos e simultâneos, principalmente a partir do segundo
semestre de 1990 (tudo contado com detalhes nos capítulos dos "Trabalhos
Avulsos"), quando no início de outubro de 1990, recebi um telefonema do
Beto Cruz.
Ele queria comunicar-me que finalmente o Chicão, da loja/selo Devils Discos,
sinalizara que o disco, "A New Revolution", do "The Key", havia chegado
da fábrica, e que ele começaria a trabalhar em sua divulgação, distribuição e
que a banda poderia empreender os seus esforços de divulgação e produzir shows de lançamento.
-"Ótimo,
que bom, muito grato por avisar-me, parabéns e guarde minhas cópias de
recordação, que eu pego assim que possível"... respondi-lhe.
No entanto ele teve algo a pedir-me além desse comunicado.
Segundo contou-me, quando soube que o disco ficaria pronto para a venda ao consumidor, tratou de marcar dois shows em uma casa
noturna chamada: "Woodstock"(localizada na Rua da Consolação, perto da
Avenida Paulista), para serem então os shows oficiais de lançamento e que a
nova banda que havia montado, estava preparada mediante ensaios prévios, mas em cima da hora, o baixista que entrara em meu lugar, um rapaz chamado:
Hermes (este houvera sido baixista de uma banda de Heavy-Metal oitentista
chamada, "Sabotagem", e que havia aberto shows d'A Chave do Sol no Teatro
Lira Paulistana, no ano de 1985), havia abandonado a banda, seduzido por
um convite de última hora que sinalizara um cachê melhor para receber em um outro compromisso no mesmo dia.
Ora, com
tudo marcado, mesmo ao saber que eu já estava em outra sintonia há meses
e que não gostava daquela sonoridade, o fato foi que o Beto não teve como pensar em recorrer a
um outro baixista com o pouquíssimo tempo de antecedência que tinha para
cumprir tais datas.
Ele nem
precisou pedir duas vezes, pela questão da amizade e total consideração ao fato de
que ele fora o responsável por ter mantido a chama acesa, desde a
dissolução abrupta e sofrida da nossa, A Chave do Sol. Portanto, claro que comprometi-me a colaborar. Apesar de
ter me esquecido daquele material, bastou uma audição para eu retomar tudo e
não seria por falta de um baixista que a sua nova e renovada banda
deixaria de apresentar-se dignamente, a realizar o lançamento do disco.
Então, foi
uma das situações mais bizarras da minha carreira, pois eu fui tocar
como convidado de uma banda da qual eu não pertencia, mas que houvera sido membro
de sua, digamos, "encarnação anterior" e que reformulara-se
inteiramente e até um novo nome possuía e que por sua vez, em sua origem mais remota,
fora uma banda montada emergencialmente para suprir as
necessidades inadiáveis de uma banda recém dissolvida, chamada, A Chave
do Sol... em suma: foi algo para dar um nó na cabeça de qualquer um.
Bem, a
nova formação dessa "The Key", na verdade rebatizada pela terceira vez,
como: "A Chhave" (assim mesmo, com dois "H"s), consistia de Beto Cruz,
como único remanescente original d'A Chave/The Key de 1988. Pedro Loureiro
(que pouco tempo mais tarde ficaria conhecido no mundo do Heavy-Metal,
como "Kiko" Loureiro, guitarrista do "Angra" e hoje em dia, membro da
banda norte-americana, "Megadeth"), Gustavo Winkelmann, baterista (ex-aluno e
roadie de Ivan Busic) e Marcelo Castilha, aos teclados.
Eu já
tinha compromisso no Rio de Janeiro para tais datas, mas o Beto
ofereceu-me um arranjo no qual não perdi o meu apontamento, ao viajar pela
ponte-aérea após o segundo show, quando normalmente faria o trajeto a usar ônibus.
Rara
foto desse show, de outubro de 1990, de autoria desconhecida, mas que
uma amiga minha da época, Índia Dias, que era amiga da namorada do Edu
Ardanuy, disponibilizou-me, via Facebook
Bem,
eu toquei com a banda nos dias 5 e 6 de outubro de 1990 (com público respectivo de setenta e cento e cinquenta pessoas, presentes), para ajudar o meu amigo Beto e seus novos colegas
e certamente a confundir a cabeça de muitos fãs ali presentes com minha
inesperada presença naquele palco.
Foi bastante estranho estar ali a atuar naquelas circunstâncias, por tudo o que já expus, naturalmente.
O jovem e
então desconhecido, guitarrista, Pedro "Kiko" Loureiro", outro menino
prodígio que o Beto descobriu e projetou para o Rock brasileiro, mais
detidamente pertencente ao mundo do Heavy-Metal
Mas também foi prazeroso poder ajudar o Beto e seus novos companheiros, sem dúvida alguma.
Sobre essa turma, eu não tenho grandes lembranças por ter sido um convívio tão curto.
Eu só
conhecia muito superficialmente o baterista, Gustavo, por vê-lo em
algumas ocasiões a acompanhar o Ivan Busic, com quem estudara e
trabalhara, mas nunca havíamos conversado. Pareceu-me na hora que ele detinha
uma boa técnica e poderia crescer como músico.
Sobre o
tecladista, Marcelo Castilha, no pouco tempo em que conversamos, ele disse-me que
aquele som não era de sua predileção, e que a sua formação era mais
jazzistica, em princípio.
E a respeito do
Pedro "Kiko" Loureiro, este pareceu-me muito determinado do que aspirava na
vida e por ser ainda mais jovem que o Eduardo Ardanuy, quando este entrou
naquela "A Chave/The Key", de 1988, demonstrava também uma técnica
impressionante e totalmente calcada em guitarristas virtuoses da seara de Yngwie Malmsteen, Steve Vai e congêneres.
Na sua
performance, ele demonstrou uma postura de palco frenética, a assemelhar-se ao
Eddie Van Halen, por correr e pular o tempo todo, ao demonstrar condição
atlética, diferente do Edu que era bem comedido nesse aspecto, por tocar
parado, focado no instrumento.
Bem, para
os propósitos da banda e no intuito de dar continuidade àquele trabalho,
que foi o projeto do Beto, creio que mais uma vez ele descobrira um
garoto prodígio para suprir tal necessidade, sob um alto grau de excelência
técnica.
Outro
fato, o Beto havia mudado o seu nome artístico pessoal, aliás já saíra grafado assim
no LP "A New Revolution", cuja capa eu só fui conhecer ali nos bastidores
da casa de shows, "Woodstock".
Naquele instante, ele assinava como Roberto
Malltauro, ao suprimir o Cruz, sobrenome do pai. Malltauro, segundo contou-me, era sobrenome da avó materna e a troca de nome atendera a
orientação de uma numeróloga, que ele consultara.
Aliás, a banda também não se denominava mais como "The Key", mas "A Chhave", assim com dois "H"s, também por obra da orientação dessa estudiosa.
Um poster
dessa nova fase da banda, com tais membros e seu nome renovado, chegou a ser
publicado na revista "Rock Brigade", em 1990, mas logo de início, o
baixista já havia saído, sem ao menos ter feito um show sequer.
O
poster citado acima, a mostrar a derradeira tentativa do Beto em manter
a banda na ativa, com a sua formação inteiramente renovada e até com mudança
ortográfica no seu nome, publicado na Revista "Rock Brigade", em 1990. Da
esquerda para a direita em pé: Hermes, Pedro "Kiko" Loureiro, Marcelo
Castilha e Gustavo Winkelmann. Sentado: Beto Malltauro (Cruz)
Tais
agruras não diziam-me mais respeito, é claro, mas eu torcia para o Beto
obter sucesso, pois sabia de sua luta que eu achava extraordinária e
certamente que ele merecia ter chegado em algum lugar melhor.
Não sei
dizer o que aconteceu-lhes, detalhadamente, após esses dois shows em que
cumpri sob o título de ajuda fraternal. Sei apenas que logo após esses shows
de lançamento do LP "A New Revolution", ainda ao final de 1990, o Beto
recrutou um novo baixista para ser membro definitivo, um rapaz chamado: Carlos
Zara Filho, que era conhecido como "Zarinha", e era filho do famoso e
já falecido ator, Carlos Zara.
Mas logo a
seguir, essa banda dissolveu-se definitivamente e ele, Beto, mudou-se
para os Estados Unidos, em 1991, onde passou a viver desde então.
No meu caso, o
fim havia sido ainda em 1989, com a minha saída após a gravação do LP "A
New Revolution" e essa participação em 1990, fora meramente ocasional,
sem vínculos profissionais e apenas por um sinal de amizade.
Portanto,
dou por encerrada a história dessa banda surgida nos primeiros dias de
1988, e que em sua curta trajetória, obteve poucos momentos bons, mas que
apesar das diferenças e incômodos inerentes, fica na minha memória como
um exercício de luta pela sobrevivência e respeito pelas pessoas que dispuseram-se a tentar manter uma chama acesa. Eis o link para ouvir tal álbum, "A
New Revolution", em sua versão integral, no YouTube:
Como foi
amplamente explicado, desde o início deste específico capítulo, "A Chave"/"The Key"/"A Chhave", uma banda com três mudanças de nome em sua
curta trajetória, nunca foi a continuação natural d'A Chave do Sol como
muitos acreditam.
Ela nasceu
sim, das cinzas d'A Chave do Sol, mas por uma pura necessidade proveniente
da situação dramática, onde por um lado, a súbita e triste
dissolução da velha, A Chave do Sol, mostrou-se implacavelmente
incontrolável para os seus membros remanescentes (eu, Luiz Domingues,
Rubens Gióia e Beto Cruz) e por outro lado, houve o lançamento do
disco, "The Key" para ser trabalhado enquanto divulgação, mas bem pior
que isso, por conta das dívidas pesadas para administrarem-se, contraídas pela produção
do disco e com a qual não tivemos apoio externo, algum para saná-las.
Portanto,
ante tal cenário dramático, não haveria outra solução a não ser montar uma
banda sob caráter de emergência para suprir compromissos inadiáveis que A
Chave do Sol já mantinha firmados, e a duras penas, fazer a divulgação do
disco que fora lançado poucos dias antes da discussão que fulminou essa
banda, de uma forma triste.
O ideal,
reitero, teria sido nós, os membros, conversarmos dias depois dessa fatídica reunião
tensa e com os ânimos menos acirrados, termos colocado as diferenças pessoais de lado e
dado prosseguimento à carreira d'A Chave do Sol, normalmente.
Muito
provavelmente teríamos inclusive a volta do nosso baterista original,
José Luiz Dinola, que havia anunciado a sua saída da banda, ao início do
segundo semestre de 1987, mas que no fim desse mesmo ano, ele já havia
desistido da ideia de estudar odontologia e abandonar a música.
Essa teria
sido a melhor das soluções para a crise que nossa banda atravessou no
final de 1987, mas infelizmente não foi o que ocorreu.
Rompidos
com o nosso cofundador, Rubens Gióia, sem nenhuma possibilidade de
cogitar não cumprir os compromissos firmados e na extrema obrigação no sentido de sermos obrigados a divulgar e vender
desesperadamente o LP The Key dessa banda extinta abruptamente, eu e Beto não tivemos alternativa.
Quando
eu comecei a escrever a minha autobiografia, em junho de 2011, ainda a usar a
plataforma da saudosa, Rede Social Orkut (sob uma comunidade chamada, "Luiz
Domingues", aberta pelo meu amigo, Luiz Albano), a minha proposta foi escrever tal relato focado em capítulos exclusivos, dedicados a cada
trabalho que eu fiz na minha carreira.
E no caso
específico d'A Chave do Sol, eu soube desde o início, que essa etapa final, em que eu teria que descrever sobre o seu final súbito e triste (e consequente
a abordar também o início de atividades forçadas de uma outra banda com outro nome, mas
a gravitar em sua órbita, então denominada: "A Chave"), eu teria que ser
muito claro na narrativa e tomar muitos cuidados para não magoar
ninguém.
Isso
por que é óbvio que o Rubens Gióia, eu (Luiz Domingues) e Beto Cruz,
saímos muito magoados dessa história e mesmo ao termos resgatado a nossa
amizade anos depois, ele, Rubens, ainda considera que a formação dessa nova banda foi um
ato de traição de minha parte, e do Beto.
E da parte
do Beto (e a estender aos três componentes que fizeram parte dessa nova
banda formada em 1988), poderia ficar a impressão de que eu desprezo
essa banda chamada: "A Chave".
Portanto,
eu tomei todos os cuidados para deixar claro os motivos pelos quais essa banda tenha
sido formada, para que os fãs do trabalho da antiga, A Chave do Sol e
principalmente, o Rubens Gióia, saibam que eu jamais quis que ele fosse
substituído por outro guitarrista e ao ir além, jamais desejei que A Chave
do Sol terminasse um dia, aliás, pior ainda, do jeito que aconteceu.
E para o
Beto, Ardanuy, Ribeiro e Rapolli, que a minha contrariedade com o
trabalho dessa nova banda formada em 1988, fora meramente estética e que
jamais conteve algo de ordem pessoal, com qualquer um deles.
No caso do
Beto, muito pelo contrário, sou-lhe eternamente grato pela sua luta,
determinação e forte poder de iniciativa, quando a deparar-se com um cenário de hecatombe
nuclear, saíra a buscar a salvação, ao termos em vista que a reação normal da
maioria das pessoas nessa situação, seria a de apenas resmungar pelos
cantos, lamuriar e chorar pelas perdas inerentes.
Portanto,
eu realço a força de vontade e energia do Beto Cruz, que reputo ser o grande
artífice da criação desse trabalho, ao fazê-lo conter vida, visibilidade,
notoriedade e também credito-lhe o descobrimento de três talentos jovens,
que após essa passagem pela banda, cresceram uma enormidade nas suas
carreiras, individualmente a destacarem-se: Eduardo Ardanuy, Fábio Ribeiro e
Pedro "Kiko" Loureiro, sendo que este último citado, sob uma etapa em que eu
nem estava mais presente na formação da banda.
De fato, o
Beto tinha (tem) talento como "garimpeiro de talentos", e poderia até ter colocado-se no mercado musical como um executivo de gravadora, ou mesmo um
"manager", para ganhar dinheiro nessa específica função, que requer um
talento quase extra-sensorial para ser exercida, eu diria.
Sobre a banda, acho que ela cumpriu a sua função inicial que seria suprir necessidades prementes.
Posteriormente,
quando assumiu-se como um novo trabalho e buscou a sua identidade, pecou
por vários motivos e escolhas ao meu ver.
Faço a minha mea culpa, é
claro, pois eu nada fiz para exercer a minha influência para coibir aspectos
que desagradavam-me, mas ao não querer justificar, mas apenas a constatar,
não fora o momento para eu forçar mudanças que aproximassem-me do que eu
realmente gostaria de fazer, como estética artística.
Não havia
clima algum para propor uma guinada a apontar para sonoridades
sessenta-setentistas, em 1988 e apesar de eu estar a começar a ter
vontade forte de voltar às minhas raízes, naquela época em específico, isso
ainda não foi forte o suficiente dentro da minha realidade possível e principalmente pelo
ambiente externo que mostrara-se totalmente avesso, é claro. Tirante isso
tudo, os meus novos colegas jamais aceitariam tais ideias, pois a sua
mentalidade esteve em outra esfera, pura e simplesmente.
E por fim,
a "situação financeira da época, versus dívidas", não permitir-nos-iam
devaneios estéticos. O negócio foi tocar o máximo possível, promover o
novo trabalho e vender o disco The Key, que nem pertencia diretamente à
essa banda, mas foi a única forma para livrar-nos de dívidas contraídas
para que ele, o próprio LP, pudesse ter sido lançado. Portanto, foi uma condição estranha e muito incômoda.
Pelo aspecto da exposição pública, esse novo trabalho gerou inúmeras confusões, é claro.
Para muitos fãs e jornalistas, tal banda se constituiu da continuação simples d'A Chave do Sol, mas isso não foi correto.
Tal confusão também só serviu para acirrar melindres e isso entristece-me até hoje, é claro.
Portanto,
quando eu comecei a escrever a autobiografia, tomei a decisão de separar os
respectivos capítulos, para firmar na história a clara divisão que
existe entre uma banda, A Chave do Sol e a outra, A Chave/The Key.
Para efeito biográfico, lamento ter poucas fotos desse trabalho, por isso a escassez de opções para ilustrar os capítulos, no âmbito dos blogs, bem entendido.
Foram poucos shows entre 1988 e 1989 e também não muitas peças de portfólio.
Conforme
eu descrevi através dos capítulos, também foram poucos os momentos felizes que obtive com esse trabalho ou ocorrências amenas e divertidas para guardar na memória, pois além de eu não ter afeiçoado-me à sua resolução estética e sonora, o clima nesses meses foi mais marcado pela apreensão em face às
dívidas contraídas, portanto, a minha visão desse trabalho é mais
taciturna, aliás, foi o trabalho mais sombrio sob esse aspecto, da minha
carreira.
Isento, certamente, os companheiros dessa jornada de qualquer culpa nesse processo!
É bastante
controverso o resultado sonoro do LP "A New Revolution", não só pela
estética adotada, mas pelo áudio que foi bastante prejudicado pela
mixagem, que achatou os instrumentos, para privilegiar deliberadamente os solos de
guitarra.
De minha
parte, eu não posso queixar-me, pois tão aborrecido que estive por não
gravar da forma que desejava, ao fazer as minhas linhas de baixo livremente,
não acompanhei as sessões e assim, moralmente a falar, não adquiri o
direito para reclamar a posteriori, contudo, o resultado é decepcionante, ao
meu ver. Todavia, ao ver pelo lado heroico com o qual o Beto Cruz tanto lutou para isso ser alcançado, é uma conquista, é claro.
Não tenho
absolutamente nada pessoal contra os companheiros dessa jornada e pelo
contrário, agradeço-lhes muito por terem aceitado a proposta insalubre que
o Beto fez-lhes para segurar um explosivo nas mãos, naquele início de
1988. Agradeço-lhe
também pelo esforço em dar dignidade para essa banda, nascida sob
condições tão inóspitas e inadequadas pelas circunstâncias.
Apesar de
tudo, acho que o esforço de todos valeu a pena e assim, fico contente por
verificar que eles demonstrem carinho por esse momento de suas
carreiras, em entrevistas que concedem através da mídia e que de certa forma,
foi o estopim de suas carreiras, caso dos mais jovens na ocasião, Edu e
Fábio e mesmo em uma situação posterior até à minha participação, de Kiko
Loureiro, igualmente. E ao Beto, principalmente, por ter sido a força motriz dessa banda.
É a hora para falar de seus membros e de agregados que gravitaram na sua órbita.
Ao falar sobre quem apoiou essa banda:
Claro que
por ter nascido das cinzas d'A Chave do Sol, infelizmente e diga-se de
passagem, muitas pessoas que eram apoiadoras da antiga banda extinta,
deram seu apoio à essa nova banda criada. Sou grato
portanto ao Carlos Muniz Ventura, que entendeu perfeitamente as
circunstâncias com as quais ela foi criada e ao continuar normalmente
a sua amizade com Rubens Gióia, soube entender e separar as divergências
que separaram-nos e assim, acompanhou a trajetória curta desta nova
banda e participou, ao clicar fotos promocionais e até catálogo para
patrocinador, caso do poster para a Revista "Rock Brigade", com propaganda
da luthieria "Tajima" (cujo set fotográfico foi a sua própria residência, no bairro da Vila Pompeia, na zona oeste de São Paulo).
Eduardo
Russomano, que muito ajudou-nos nos momentos iniciais e dramáticos, e
que por ter sido roadie e colaborador d'A Chave do Sol, compreendeu bem a
situação que precipitou a criação dessa nova banda.
Ricardo
C. Aszmann, o nosso colaborador e amigo no Rio de Janeiro, que comprou essa
luta, igualmente e muito apoiou-nos. Grato por tudo, incluso as tentativas feitas em 1989,
quando eu mesmo já estava praticamente de saída, mas ele foi muito gentil ao acompanhar-me pessoalmente a fazer contatos no Rio e Niterói, ao visarmos
shows e entrevistas (até no escritório da "Artplan", a agência de publicidade que arquitetara o Festival Rock in Rio de 1985, ele levou-me).
Chicão, o
dono da loja/selo Devil Discos, que acreditou nesse trabalho e foi muito
prestativo na produção do LP "A New Revolution".
Ele era
inexperiente na ocasião como produtor, mas foi de um entusiasmo e força
de vontade exemplar, por não medir esforços para colocar nas prateleiras,
o melhor produto possível e dele, eu não tenho queixa alguma, e pelo
contrário, só tenho elogios; Aliás, eu guardo um pequeno constrangimento pessoal,
pois acho que ele conheceu-me em um momento ruim de minha trajetória
pessoal e deve ter ficado com a impressão de que eu desprezei tal
produção e na verdade, a minha contrariedade com esse trabalho foi outra e as suas razões estão bem
explicadas nos capítulos anteriores. Portanto, deixo claro que minha
impressão sobre o seu papel na história dessa banda é o melhor possível.
César Cardoso, meu aluno, que foi roadie e muito entusiasmado por essa banda, guarde o meu muito obrigado por tudo!
Marcinha, cantora, e aluna do Beto, pela força ao fazer backing vocals em um show realizado na casa de espetáculos, Dama Xoc, em novembro de 1988.
Paulo
Toledo e Fernando Costa, ex-membros do "Inox", que foram os donos do Bar
Black Jack e tal espaço abriu as suas portas para muitos shows nossos.
João Cucci Neto, que tentou ajudar, ao intermediar-nos alguns contatos internacionais.
Antonio
Carlos Monteiro, Sérgio Martorelli,André "Pomba" Cagni e Fabian Chacur (mais que isso, Fabian deu-me muitas dicas nessa fase, sobre a mídia), que assinaram
várias resenhas e matérias em suas respectivas publicações através da imprensa
escrita.
Os irmãos
do Beto Cruz, principalmente, Claudio e Marcos Cruz, por inúmeras
manifestações de ajuda em shows e nos bastidores. E não posso esquecer-me de
Mario Sodré, sócio do Claudio na ocasião, que também foi solícito
conosco.
Irmãos Fazano: José e Carlos Alberto, pelo apoio à banda.
Letícia, Yara e demais meninas, pelos muitos almoços preparados gentilmente e com direito a sobremesas caprichadas nos dias de ensaios de 1988.
Tibério Correa, que também ajudou-nos em várias indicações para shows. E também pela filmagem de um trecho de nosso show na estação Brás do metrô, em abril de 1988.
Toda a equipe do estúdio Big Bang pela gentileza, hospitalidade e profissionalismo.
Os irmãos do José Luiz Rapolli: Fernando, que também é um ótimo baterista e Sueli Rapolli.
Os pais do
Fábio Ribeiro, pessoas amabilíssimas e cuja bondade e solidariedade,
até mereceu uma menção específica, na história desta banda.
Os irmãos e primos do Eduardo Ardanuy, que também ajudaram bastante.
Em meio aos meus familiares, destaco: tio Sérgio Barretto, titia Edy e meus primos, pelo apoio em Ribeirão Preto-SP. Tio Paulo Barretto, titia Yone e meus primos, pela força em Franca-SP, além de Emmanuel Barreto.
E as
namoradas de todos na época, que foram presentes, também. No meu caso em específico, sou muito grato à minha namorada nesse período, Sandra Regina Soares Arôca, que acompanhou toda a transição entre o fim da velha, A Chave do Sol e toda a saga da formação da banda dissidente, A Chave/The Key, ao apoiar-me muito nos momentos difíceis e ajudar, inclusive ao fazer de seu apartamento no bairro de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, uma hospedaria para a banda, por ocasião de um show realizado naquela cidade, em 1988. Lembro-me de
que a namorada do Rapolli ficou grávida em 1988, portanto, a sua filha
RebecaRapolli, hoje uma mulher madura, foi concebida durante a existência dessa
banda. Agradecimento estendido aos meus ex-sogros, Sérgio e Regina Arôca.
Hora de falar sobre os componentes...
Theo Godinho
Theo
Godinho foi guitarrista da banda Hard-Rock oitentista, "Jaguar", ao lado do baterista,
José Luiz Rapolli. Ótimo guitarrista, ele detinha uma orientação pesada, mas
certamente que viera da escola setentista do Hard-Rock.
A sua
participação na banda foi curtíssima, apenas pelo fato de que em comum
acordo, verificamos que um sexteto seria inviável, pela massa sonora
envolvida. Ele poderia ter permanecido tranquilamente se não houvesse também a
presença do Edu Ardanuy.
Pessoa de ótima índole, apesar de sua super curta participação, a impressão que deixou-me foi a melhor possível.
Depois
dessa breve participação em nosso conjunto, Theo foi membro de muitas bandas
nos anos posteriores e também envolveu-se com produção de audiovisuais.
Infelizmente ele deixou-nos em 2012, muito precocemente por sinal, e a deixar uma lacuna.
Atualmente, a
sua filha, Thais Godinho, que é jornalista, está a realizar pesquisa de
campo, para reunir elementos, com o intuito de produzir uma biografia de seu pai e quem
sabe, até produzir um documentário para resgatar a sua história e legado artístico.
Acho tal atitude dela, belíssima como filha e jornalista e certamente merecida
por parte do Theo.
José Luiz Rapolli
Eu o conhecia superficialmente desde 1985, mais ou menos, por conta de ter
visto a sua banda, "Jaguar" a atuar, mas só cumprimentávamo-nos nessa época,
sem estabelecer amizade.
Quando o
Beto anunciou que ele seria o baterista da nova banda, eu fiquei contente
com a escolha e por sua aceitação e não desapontei-me, posteriormente.
Rapolli
não tinha a mesma técnica de José Luiz Dinola, com o qual trabalhei por
cinco anos n'A Chave do Sol, mas era (é) um ótimo baterista.
Por outro
lado, ao contrário do Dinola que era muito fechado no conceito do
Jazz-Rock, Rapolli era muito mais próximo de minha formação, no quesito das
preferências musicais, ao demonstrar grande apreço pelo som das décadas
de sessenta e setenta, itens proibitivos em tempos xiitas de pregação
niilista, naquela década de oitenta.
Dessa
forma, nos tornamos rapidamente amigos e sem dúvida, as conversas que tivemos,
principalmente através das morosas viagens de ônibus onde ocupamos os assentos próximos,
representaram os poucos momentos agradáveis que eu guardo na memória sobre o
período dessa banda.
Tal
impressão favorável, motivou-me a procurá-lo, cerca de nove anos depois,
em 1997, para integrar o projeto de uma nova banda que eu estava
a criar, chamada: Sidharta (história inteiramente contada em capítulo
específico, nesta minha autobiografia), mas não deu certo, pois eu interpretara
mal essa situação de 1988 e anos depois, não fez sentido algum,
conforme está explicado na história daquela outra banda.
Independente
disso, Rapolli é um rapaz calmo, gentil e solícito, com o qual gostei de
ter contado nesse período difícil que foi esse de 1988/1989, na
trajetória curta d'A Chave/The Key.
Anos
depois, eu soube que ele estava a tocar em bandas cover pela noite paulistana, e
que firmara-se com um "Pink Floyd Cover", que tornou-se uma dessas bandas
tributo que primava pela perfeição em executar o repertório da banda
homenageada etc. e tal.
E também foi membro do "Big Balls", banda do guitarrista, Xando Zupo, e este com o qual eu tocaria no "Pedra", a partir de 2004.
Fábio Ribeiro
Desde
meados de 1986, eu ouvia menções elogiosas sobre um jovem tecladista que despontava no
cenário do Rock underground, chamado: Fábio Ribeiro.
Tais
comentários, inicialmente vinham da parte do meu amigo e roadie d'A Chave do Sol,
Eduardo Russomano, hoje saudoso e que o conhecia e admirava. Ao final
de 1987, Fábio foi convidado pelo Beto Cruz e fez uma participação
especial com A Chave do Sol, no Teatro Mambembe e caprichosamente, se configurou como o último show dessa banda, que dissolver-se-ia poucos dias depois graças a
um desentendimento entre os seus membros remanescentes: eu (Luiz
Domingues), Rubens Gióia e Beto Cruz.
Quando uma
nova banda foi criada emergencialmente para suprir a agenda d'A Chave do
Sol, recém implodida, Beto não teve dúvidas e convidou Fábio Ribeiro
para fazer parte.
Tecladista
com sólida formação teórica, gostava, e isso era raro naquela época, do
Rock Progressivo setentista, apesar de estar bem antenado nas
sonoridades modernas e oitentistas, também.
Muito técnico, era (é) um solista virtuose e piloto de vários sintetizadores, à moda antiga dos tecladistas setentistas clássicos.
Como
pessoa, ele é um rapaz muito educado, simples e isso foi naturalmente o fruto de ter sido
criado por pais extremamente bondosos, que inclusive eu já citei bastante
na história desta banda.
Muito
jovem, a se provar precoce como músico, versátil, muito técnico, com vasta bagagem teórica e virtuose
como solista, foi inevitável que chamasse muito a atenção e como consequência, recebesse
muitos convites.
Portanto,
ainda ao fazer parte de nossa banda, estava também envolvido com muitas
outras bandas de orientação Hard-Rock e Heavy-Metal, em gravou discos, tocou ao
vivo com tais artistas, na qualidade de um super solicitado side-man e manteve sempre uma banda autoral e sob
orientação progressiva e setentista, chamada: "Desequilíbrios", além de um
projeto solo e experimental, "Blezki Zatsaz".
Nos anos
1990 e 2000, ele foi membro de bandas como "Angra" e "Shaman" do mundo do Heavy
Metal e do "Violeta de Outono", além de abrir o seu estúdio particular.
Ele toca com
muita gente hoje em dia, é representante de várias marcas de teclados
internacionais no Brasil, além de ser um experiente professor de música e
programação de teclados/tecnologia.
Em 2003, eu acompanhei as gravações de bateria do Rolando Castello Junior, como membro da Patrulha do Espaço, ao fazer a respectiva guia para ele gravar em duas faixas, nas quais a nossa banda participou do disco solo do guitarrista, Xando Zupo, "Z-Sides", no estúdio do Fábio Ribeiro.
Falamo-nos pelas redes sociais da internet e devo-lhe uma visita, eu confesso, para um café no qual ele convida-me, há anos. Eduardo Ardanuy
Descoberto pelo Beto Cruz, Edu Ardanuy, chegou para essa nova banda, com fama de virtuose e de fato ele o era.
Tocava com uma técnica absurda e era obcecado por tocar muito mais ainda, ao estudar com muito afinco.
Circunspecto
e muito reservado, passou-me a impressão inicial de que era muito resoluto pela
busca da técnica e se essa não fora a minha visão da música e nunca será, ao menos
eu o respeitava em sua determinação e o admirava por ser focado no seu
objetivo, fator raro para um menino de vinte anos de idade, que geralmente
detém dificuldade para focar em uma meta.
Foi por
sua mentalidade que a banda pautou-se, doravante, e assim construiu a sua curta
carreira e isso não foi o que eu desejaria, certamente.
Mas claro
que eu lhe sou grato pela sua participação e se não foi a minha predileção
aquela sonoridade, isso não fora nem de longe por sua culpa, mas apenas a se denotar um
arranjo do acaso que uniu-nos ali naquela situação.
Não comunicávamo-nos muito nesse período em que trabalhamos juntos. O seu diálogo
mais direto era com o Beto e o Fábio, musical e socialmente a falar. Mas sempre
houve respeito mútuo e eu lhe agradeço por ter socorrido-nos naquele
momento inicial muito difícil e pela persistência, também.
Dentro do
mundo do Rock pesado e em específico das vertentes do Hard e Heavy
oitentistas-noventistas e sob a orientação virtuose, Edu é referência e
certamente é considerado um dos maiores guitarristas do mundo e isso é
extraordinário, é claro.
Ele é
reverenciado em publicações especializadas internacionais, citado por
guitarristas do nível de Steve Vai e tudo isso é muito merecido,
logicamente. Tocou por
muitos anos no super-trio: "Dr. Sin", uma das mais significativas bandas
brasileiras do mundo pesado e ultra técnico, além de muitos trabalhos
solo.
Tornou-se
um dos maiores professores do Brasil e recentemente abriu com os seus
irmãos, uma escola de música que é referência nesse mundo dos
apreciadores do Rock pesado e do virtuosismo, chamada: "Clã Ardanuy".
Apesar de
na época não termos ficado muito próximos, sei que ele tem boa índole e em
muitas ocasiões em que encontramo-nos em bastidores de shows, nos anos
1990 e 2000 em diante, Ardanuy sempre foi muito cordial e simpático comigo.
Beto Cruz
Considero o Beto Cruz como a força motriz dessa banda chamada: A Chave/The Key.
A sua determinação para achar uma solução quase mágica que pareceu impossível de ser encontrada, a salvar-nos, foi extraordinária no início desse processo.
Por agir
como um verdadeiro produtor executivo, ele não mediu esforços para criar uma
banda instantânea e fazer com que ela se tornasse apta a competir no
difícil mercado da música, em tempo recorde.
Sou-lhe
muito grato por todo o esforço empreendido, pela solidariedade, pela
garra, pela luta, pelos sacrifícios pessoais que teve, pela mão na
massa e tudo mais que eu puder elencar em termos de trabalho árduo e
obstinado.
Peço-lhe
desculpas se de minha parte, não correspondi na mesma intensidade, mas
creio que está bem explicado neste relato, o motivo das minhas
contrariedades e acentuada perda de energia no decorrer do processo, que
esvaíra-me as forças.
O seu prêmio
por esse esforço hercúleo é o disco que registrou tal momento e a
descoberta de valores artísticos que muito brilharam, brilham e
brilharão ainda, graças ao seu olhar arguto.
Sobre a sua
personalidade, o que fez depois dessa banda e faz atualmente em termos
artísticos, eu já descrevi ao final do capítulo sobre, A Chave do Sol,
portanto, é só consultar ali.
Está encerrada essa etapa da minha trajetória na música.
Agradeço
aos companheiros dessa jornada e mais uma vez peço-lhes desculpas por
ter sido excessivamente franco em relação às minhas impressões sobre o trabalho em si,
na minha ótica e gosto pessoal e reitero, nenhuma contrariedade de
minha parte tem caráter pessoal contra quem quer que seja, e pelo
contrário, sou grato a todos pelo companheirismo, em uma etapa que foi
muito difícil particularmente na minha carreira.
De todos
os capítulos que eu escrevi para compor a minha autobiografia na música, este foi sem
dúvida o mais difícil, pela complexidade de escrever e não deixar margem
de dúvida a alimentar melindres para ninguém envolvido, seja o Beto
Cruz, os membros dessa banda nova que se formou e tampouco em relação ao Rubens Gióia, no tocante à dissolução d'A Chave do Sol.
Espero sinceramente que todos entendam as colocações com a máxima clareza. E agradeço
também aos fãs do trabalho, que não são muitos, devido às
circunstâncias que essa banda enfrentou e pela maneira pela qual expressou-se,
artisticamente.
Para
efeito de cronologia desta minha autobiografia, daqui em diante, vem a
história do Pitbulls on Crack, iniciada em janeiro de 1992, contudo, do
período em que saí desta banda, 1989, até o início da minha história com o Pitbulls on Crack, há muitas histórias a respeito de projetos e tentativas de formação de bandas autorais, além de
trabalhos alternativos em que eu participei e que estão relatados nos capítulos dos
"Trabalhos Avulsos". Basta consultar ou reler, por ali.
Deixo, um agradecimento ao saudoso, Theo Godinho, pela força inicial nos dois primeiros shows emergenciais de 1988!
Muito obrigado aos amigos Fábio Ribeiro,Eduardo Ardanuy e José Luiz Rapolli!
Muito obrigado, Beto Cruz, por absolutamente tudo o que envolveu essa banda!
Grato, A Chave/The Key, pelo esforço de tentar manter uma chama viva!
Muito obrigado, amigo leitor, por ter acompanhado esta etapa da minha autobiografia na música!