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quarta-feira, 1 de junho de 2016

1960 - Minha Ligação Inicial com o Rock, na Infância e Começo da Adolescência - 1960: o Ano em que Nasci - Por Luiz Domingues

Eu nasci em 1960, ano que na verdade encerrara a década de cinquenta, como ano "dez" da década anterior, embora a maioria das pessoas pense ser todo ano terminado em zero, o ano inicial de uma nova década.

Ao pensar nesse ano em específico, havia muita música boa no ar, a televisão já contava com dez anos de atividades no Brasil e prosperava. Haviam tantas salas de cinema espalhadas pela cidade que fazia parte da vida de qualquer pessoa, ir assistir filmes constantemente e quase todos citavam atores como se citam jogadores de futebol. 

E sim, o futebol também dominava as conversas em todas as partes, na mesma medida em que o som frenético dos locutores esportivos, era uma trilha sonora comum. A política também era discutida com paixão e evidente, já haviam as falcatruas, o mar de lama e a corrupção a nos assolar, apesar das vassouras populistas & demagógicas que prometiam promover a varrição da bandalheira...

Computadores eram artefatos futuristas e inimagináveis para o cotidiano de pessoas comuns, somente plausíveis em filmes com teor "Sci-Fi" ou em desenhos animados. A comunicação de massa era realizada pelo rádio e a TV e claro, nos jornais e revistas. Telefones, só os fixos e com os aparelhos públicos espalhados pelas ruas, mas nem os "orelhões" existiam nessa época ainda, mas sim cabines. Os jornais eram em preto e branco, com poucas fotos e muitos textos. Coloridos, somente os gibis e as revistas.

O linguajar coloquial era tão bem falado, que ao ser comparado aos dias atuais, ficamos com a impressão que éramos um povo erudito.

A ambientação de 1960, foi inteiramente coadunada com valores conservadores (no bom e no mau sentido dessa linha de pensamento), ao fazer com que a impressão da passagem de tempo fosse lenta. Portanto, as grandes transformações comportamentais que a década de sessenta traria, ainda estavam latentes. 

Nesses termos, o mundo em que cheguei, era o de um ambiente fortemente cinquentista sob inúmeros aspectos, mas com fortes valores de décadas anteriores ainda muito presentes. Em vários quesitos, o mundo que me recebeu ainda se mostrava bem influenciado por valores vintistas, trintistas e quarentistas, em múltiplos signos, para o bem e para o mal. E levemos em consideração que havia um bom contingente de pessoas que eram oriundas do século XIX a viver entre nós e obviamente em sua grande maioria a carregarem consigo, a mentalidade desse século então imediatamente anterior.

As mulheres sofriam pressão brutal sociocultural, mas no calor dos acontecimentos, eram poucas as que se queixavam ou se rebelavam com tratamento desdenhoso. 

No mundo em que cheguei, quase todas eram: "belas, recatadas e do Lar". Toda a mamãe era do dona-de-casa e criava os seus filhos geralmente com apoio das vovós. 

E os pais eram provedores, a trabalharem duro de segunda a sexta, e só dedicarem-se à família, aos finais de semana. Raro foi o lar aonde essa regra não se cumpriu, sem contestações.  

Outro signo forte foi o do catolicismo. Com quase 98% da população sendo adepta dessa religião cristã, foram fortes os signos desse domínio cultural.


E o mundo de 1960, foi dos fumantes sem dúvida alguma. Nesse ano e por muitos anos vindouros, ninguém importava-se ou nem sequer cogitava não fumar em ambientes fechados. Ambientes esfumaçados e roupas impregnadas desse odor horrível, eram comuns ao extremo. Raro era o adulto que não fumava e havia todo um tabu ritualístico (pela falsa sensação de status que o tabaco proporcionava), e hipócrita (da parte dos adultos, e quase todos viciados no tabagismo), para se coibir e vigiar os adolescentes que queriam a todo custo ingressar no vício, mas que inevitavelmente o fariam, a repetir o comportamento doentio e padronizado de seus pais, avós etc...

São Paulo já era uma metrópole, mas ainda não havia se solidificado como a maior cidade do Brasil. Todavia, foi questão rápida para assumir tal posto e sob um ritmo vertiginoso, cresceu de uma forma assustadora. Contudo, ainda era muito tranquila e segura, limpa e em alguns aspectos, a ostentar ares europeus.  

As estações do ano eram bem definidas e demoraram décadas para começar a se modificarem como verificamos nos tempos atuais. No outono já fazia frio e no inverno, se chegava a um estágio além, o chamado: "frio de rachar". Festas juninas eram sob frio intenso e as fogueiras de Santo Antonio, São João e São Pedro vinham a calhar nas quermesses espalhadas pelos bairros. São Paulo era a dita "terra da garoa" e isso não era exagero, pois de fato, garoava toda noite durante as estações de outono e inverno e sob boa parte da primavera, também.

Meus pais moravam no Brooklin, bairro da zona sul de São Paulo, quando eu nasci, mas a minha mãe deu-me a luz no Hospital São Camilo, no alto do pico mais elevado da Avenida Pompeia, que para quem conhece São Paulo, sabe ser uma avenida que se parece com um tobogã. Tal decisão familiar foi motivada pelo fato dos meus avós maternos morarem na Vila Pompeia, bairro da zona oeste de São Paulo. 

Portanto, coincidência, posso dizer que nasci no bairro que ganharia fama, poucos anos depois, por ser o berço do Rock paulistano/paulista e brasileiro. Eu também moraria nesse bairro, mas alguns anos depois e oportunamente falarei disso.

Nasci em julho de 1960, sob um frio tipicamente paulistano, de inverno. Recebi o nome de: Luiz Antonio Domingues.

"Luiz", foi para homenagear a minha mãe: Maria "Luiza", e "Antonio", para homenagear meu avô paterno, oriundo de Cantanhede, uma pequena cidade perto de Coimbra, Portugal. 

"Domingues" é o sobrenome da família do meu pai e na tradição lusitana, fiquei apenas com o sobrenome patriarcal, como nome oficial nos documentos. Mas por relação sanguínea e emocional, sou também, Barretto com dois "T's", a família da minha mãe.

Nasci portanto na Vila Pompeia, mas tecnicamente a falar, morava no Brooklin, porém isso por um breve período, pois ainda em 1960, mudamo-nos para o bairro do Belenzinho, na zona leste de São Paulo. 

Ninguém que morava nesse bairro e nessa época, se referia ao seu nome dessa forma diminutiva, mas sim como: "Belém". Aprazível ao extremo, tal bairro mantinha ares de uma pequena cidade interiorana, com a praça da matriz, no caso o Largo São José do Belém e sua paróquia homônima, o comércio no área do próprio Largo e no seu entorno, a se estender até a Rua Belém, ligação com a Avenida Celso Garcia, então principal acesso entre o centro da cidade e diversos bairros da zona leste, sob uma linha reta, da Praça da Sé até o bairro da Penha. 

De lá saía o trólebus, o típico ônibus elétrico, com a linha: "Praça da Sé-Largo São José do Belém" e anos depois houve uma outra linha: Belém-Pinheiros, que atravessava o bairro do Brás, passava pelo centro velho da cidade, depois pela Praça Roosevelt e descia toda a Rua Augusta, até chegar ao bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.  

Paróquia São José, no Largo São José do Belém, em foto bem mais atual. 

Eis acima uma foto do famoso Trólebus (ônibus elétrico), linha Largo São José do Belém-Praça da Sé, a passar pela Rua Belém, em direção ao Largo, o seu ponto final. Essa foto deve ser mais do final dos anos sessenta-início dos anos setenta, pelo aspecto do próprio Trólebus, com carroceria mais próxima dos ônibus tradicionais a diesel, visto que os primeiros carros dessa série foram bem típicos, com design diferente, importados da Inglaterra, ao final dos anos quarenta. Acervo de Barry Blumstein.

Haviam dois cinemas no miolo do bairro, fora os mais de vinte espalhados pela Avenida Celso Garcia, do Brás, bairro vizinho, até a Penha. Dois colégios católicos tradicionais (Agostiniano São José e Maria Auxiliadora) e dois estaduais, o Amadeu Amaral, no Largo São José de Belém, em frente à igreja, sob uma construção do início do século XX, e o outro, hoje em dia desarticulado, na Vila Maria Zélia, a se constituir de uma vila construída para operários, fechada e com vida própria, a se parecer um burgo medieval, com saída para a Rua Catumbi. 

Como quase todos os bairros de São Paulo, naquela época, o Belenzinho foi um reduto para acomodar colônias estrangeiras aqui radicadas. Encravado entre bairros maiores como Brás, Pari, Mooca e Tatuapé, o Belém continha italianos, embora estes fossem mais massivos no Brás e Mooca, portugueses espalhados desde os bairros do Pari e Canindé e espanhóis, embora estes fossem mais volumosos no Tatuapé e Penha. 

Mas havia também um grande contingente de famílias gregas. Hoje em dia o bairro se tornou um reduto para imigrantes bolivianos, que anteriormente já haviam ocupado os bairros do Pari e Canindé, por volta dos anos noventa.

Músicos a rondarem as mesas e alegrar o jantar das famílias do bairro, em foto antiga do restaurante: "Formiga", clássico estabelecimento gastronômico, localizado no Largo São José do Belém.
 
As melhores padarias do bairro eram: a Nacional, do Largo e a Tupã, na esquina das Ruas Herval e Álvaro Ramos. Os melhores restaurantes, o "Formiga", também no Largo e a cantina de Romeu Pellicciari (este, um ex-jogador do Palmeiras, na verdade do antigo Palestra Itália nos anos trinta e quarenta), localizado na rua Irmã Carolina, esquina com Rua Pimenta Bueno. 

Não havia nessa época, a Avenida Radial Leste e muito menos a Avenida Salim Farah Maluf, esta última a representar a fronteira que divide o Belém do Tatuapé, o bairro vizinho. Nessa época, ali ficava um conjunto com chácaras ocupadas por famílias japonesas e cuja produção de hortaliças, abastecia as pequenas "vendas" (mercadinhos de pequeno porte), ainda com aspecto bem antigo, que haviam em profusão pelas ruas do bairro. 

Já existia a linha do trem de subúrbio, que vinha da Estação da Luz em direção ao extremo da zona leste e cidades vizinhas da grande São Paulo, até Mogi das Cruzes. Mas o Metrô, cujos trilhos correm em paralelo com os trens de subúrbio, só chegaria ali no bairro, no início dos anos oitenta.

A nossa residência ficava situada na Rua Redenção, entre os quarteirões das Ruas Herval e Toledo Barbosa. Vizinho de parede de nossa casa, ficava uma fábrica artesanal de objetos de decoração, como cristais e murano. Muitos dos itens de decoração de nossa casa, foram comprados ali, e eu adorava aqueles objetos com formas malucas e super coloridas, já a antecipar meu apreço pela psicodelia, talvez.

Na esquina, havia um chaveiro, um salão de barbeiro e uma farmácia, mas era pequeno o comércio ali naqueles quarteirões, quase que estritamente residenciais, em suma. O grosso do comércio ficava no Largo e no seu entorno. 

Só havia um único prédio de apartamentos ali naquele quadrante, na esquina das ruas Herval e Pimenta Bueno, ainda assim, com apenas três andares, sem elevadores. 

Tirante o fato de ser aprazível como uma pequena cidade interiorana adorável, nesse bairro havia uma raiz familiar forte que me deu todo o respaldo para eu me sentir muito bem ambientado em meus primeiros anos de vida. Ali foi o bairro onde meus avós paternos moravam desde os anos vinte e onde o meu pai nasceu e se criou. 

E assim eu morei nesse bairro e casa, durante a minha primeira infância quase inteira e recebi ali, as minhas primeiras cargas de influência cultural que esboçarei contar em tópicos, ao comentar ano a ano, o teor da experiência adquirida.

Por enquanto, eis abaixo um mosaico do mundo que me rodeava no ano em que nasci, 1960:   

Um fac-símile da capa da Folha de São Paulo, do dia em que eu nasci, 25 de julho de 1960, publicado como efeméride em 2010, quando se completou 50 anos desse dia.
Eis o bebê Luiz Antonio Domingues nos braços do papai, Milton e na companhia da mamãe, Maria Luiza, com cerca de um mês de vida, em agosto de 1960, presentes no bucólico quintal da casa dos meus padrinhos, no bairro do Brooklin, na zona sul de São Paulo. Acervo familiar.

São Paulo em 1960 estava assim: 
O Viaduto do Chá em 1960, com a visão do Magazine Mappin ao fundo. Tratava-se de uma loja de departamentos ao estilo norte-americano e que foi uma referência para todos os paulistanos. 
Visão da Avenida São João, no centro antigo da cidade de São Paulo, em 1960. Impressionante o aspecto de asseio e ausência de mendicância. Impossível não reparar no belo cinema de rua à direita da foto (Art Palácio). O bonde ao fundo e a elegância das pessoas no trajar, pois isso faz com que a imagem se confunda com a de uma cidade europeia ou norte americana.
Natal de 1960, e o comércio do centro a alardear as suas promoções. Ao fundo, a parte de trás do Teatro Municipal. Na pista, a imponência do belo carro da marca Simca Chambord a trafegar!
Uma outra visão do Viaduto do Chá, com o Edifício Matarazzo ao fundo. Hoje em dia, tal edifício abriga a sede da Prefeitura de São Paulo. 
Os bondes eram muito tradicionais, mas já incomodavam os motoristas de ônibus e carros particulares que se queixavam de sua presença nas vias. A desculpa usada para eliminá-los, foi atribuir a sua inviabilidade com o início das obras do Metrô em 1968 e assim, foi o principal motivo para desativá-los para sempre. Lastimo muito essa mentalidade. Hoje em dia, com metrô embaixo da terra e bondes na superfície, teríamos um trânsito muito melhor a inibir a profusão monstruosa de carros.
Praça da Sé em 1960 e uma amostra de como era impressionante a frota de carros oriunda de décadas passadas, ainda a circular. Tudo bem que a década de sessenta viu a proliferação da produção automotiva nacional, notadamente com a invasão dos "fuscas" da Volkswagem, pelas ruas da cidade, mas ainda se viam muitos carros das décadas de vinte, trinta, quarenta e cinquenta pelas ruas. Quase todos os táxis, eram velhos carros da marca "Chevrolet" da década de quarenta, vide o da foto acima a rodar. Prova cabal que eram veículos fortes, concebidos para durarem muito, ao contrário da estratégia do descarte, adotada pela indústria, tempos depois. "Compre, quebre e recompre", passou a ser o lema/mantra das montadoras e com o devido beneplácito das autoridades...
Visão do Vale do Anhangabaú do início dos anos sessenta. 
Visão noturna do centro de São Paulo, em 1960, que já borbulhava como cidade com vocação para eventos culturais, gastronomia e vida noturna. 
Evento memorável para a cidade de São Paulo em 1960, a realização do 1º Salão do Automóvel, em um dos pavilhões do Parque do Ibirapuera, ao se tornar tradicional na cidade, até os dias atuais. 
Jânio Quadros, o controverso e folclórico ex-prefeito da cidade de São Paulo e Governador do Estado, elegeu-se presidente do Brasil.
Outro grande acontecimento óbvio de 1960, foi a inauguração da cidade de Brasília e consequente mudança de toda a estrutura do poder federal para a nova capital do país.

Sobre a cultura, eis alguns lançamentos de 1960:

Começo a falar sobre cinema.  
"The Apartment", uma comédia romântica, mas com forte fundo social, também, foi um filme que encantou em 1960. Acima, um "frame" desse filme com os atores, Jack Lemmon e Shirley Maclaine, seus protagonistas. 
"Spartacus", a saga do escravo/gladiador que comandou uma revolta contra o Império Romano, estrelado por Kirk Douglas e sob direção do então emergente diretor britânico, Stanley Kubrick, foi um épico de 1960.
"La Dolce Vita", um emblemático filme de Federico Fellini e cujas presenças de Marcello Mastroianni e Anita Ekberg, encantou os cinéfilos, em 1960.
Outro emblema de 1960, o filme "Psycho", de Alfred Hitchcock, por quase matar os espectadores de susto nas salas de cinema, tamanha a tensão que gerou.
Um dos meus filmes prediletos do gênero "Sci-Fi, "The Time Machine", é mais uma película lançada no ano em que eu nasci.
Com atores monstruosamente virtuosos e veteranos dos anos trinta, como protagonistas (Fredric March e Spencer Tracy), "Inherit the Wind" ("O Vento Será a Sua Herança"), tem uma discussão boa sobre as teorias evolucionista e criacionista, em meio a diálogos mordazes e bem embasados. Ótimo lançamento de 1960.
Duas comédias malucas de Jerry Lewis, lançadas em 1960. Foi o início de sua carreira solo, recém-separado da parceria com o cantor & ator, Dean Martin, com o qual mantinha uma dupla em que atuaram juntos em muitos filmes realizados nos anos cinquenta. Nesse seu começo isolado, pouca gente achou que lograria êxito, mas a década de sessenta foi dele, conforme se comprovou nos anos posteriores.
 
Outro Sci-Fi impressionante..."Village of the Damned" ("A Cidade dos Amaldiçoados"), com alienígenas mirins que assustavam as pessoas com aqueles olhares ameaçadores...
Que elenco... que western... que trilha sonora... "The Seven Magnificent"
Tempo bom em que os filmes de terror da produtora britânica, Hammer, eram exibidos nas grandes salas de cinema. Neste, o grande ator, Christopher Lee, não interpretou Drácula, como de costume, mas o igualmente genial como ator, Peter Cushing, está ali, intrépido a enfrentar o vampiro-mor...
Luchino Visconti é sinônimo de cinema de alto padrão. Neste, clássico entre seus clássicos, "Rocco e seus Irmãos", é um tremendo filme de 1960.
Outro diretor gigante e classudo entre os gênios italianos dessa época, Michelangelo Antonioni nos brindou com "L'Avventura". O filme foi vaiado no festival de Cannes, mas hoje é reconhecido como um clássico de todos os tempos! E como é medíocre a vida dos "formadores de opinião", tão apressados na sua mania de tornar tudo "cool" ou "uncool", a criar "hypes" midiáticos a seu bel-prazer ou pior ainda, para atender interesses escusos...
Mais uma aparição importante de Mastroianni, sob a batuta de Mauro Bolognini. "O Belo Antonio" é um outro grande filme de 1960.
E havia espaço ainda para medalhões do passado, como John Huston, ainda em grande forma...
E tempo para um tema adulto, "forte"... com a Liz Taylor a gerar polêmica em "Butterfield 8"...

"Nunca aos Domingos", com a exuberante, Melina Mercouri e nada melhor que o clássico cinema grego em um bairro como o Belenzinho, com tantos imigrantes oriundos desse emblemático país milenar, ali instalados.
"La Ciociara", ou "Duas Mulheres" como ficou conhecido no Brasil, abordou as agruras da Segunda Guerra Mundial na Itália, vista pelo ponto de vista de uma mãe a tentar proteger a filha pré-adolescente a todo custo do fascismo e dos abusos da guerra, por parte de inimigos ou aliados, tanto faz. Sophia Loren arrebenta, sob a direção de Vittorio De Sica.
Uma das melhores comédias brasileiras de todos os tempos... e como era bom o Trio Irakitan, tanto na música, quanto na veia cômica de seus componentes, como atores! Este é um dos meus prediletos: "Virou Bagunça".
Outra comédia brasileira sensacional e a contar com a figura escrachada de Dercy Gonçalves e a beleza de Odete Lara em "Dona Violante Miranda". 
Misto de drama e policial com a eterna "mocinha", Eliana, em um raro papel de vilania de sua parte em: "Maria 38".

Alguns livros interessantes lançados em 1960:
"To Kill a Mockinbird", obra de Harper Lee a abordar o racismo nos Estados Unidos, e que motivou a criação de um filme, posteriormente baseado no livro, com título homônimo, mas que no Brasil foi rebatizado como: "O Sol é para Todos".
"Quarto de Despejo", o impressionante livro escrito por uma "mulher coragem", chamada: Carolina Maria de Jesus, a se revelar simples, semianalfabeta e favelada, a discorrer sobre sua própria situação de miséria.
Em 1960, quando esse romance foi lançado, não fora o primeiro sobre a saga de um agente do serviço secreto britânico, chamado: James Bond. Mas a sua fama só viria a partir de dois anos depois, quando o primeiro filme baseado no personagem de Ian Fleming, foi lançado nas salas de cinema e se tornou icônico...
Ah, o existencialismo... quanto barulho fazia na época as ideias de Jean Paul Sartre no meio acadêmico e a resvalar no mundo político, via sociologia. "Crítica da Razão Dialética", saiu em 1960.
Em 1960, as chagas abertas pela II Guerra Mundial ainda não haviam sido cicatrizadas. Esse livro de William L. Shirer é considerado um dos melhores apanhados sobre a ascensão e queda do nazismo. São seis volumes, e acima, está a capa de um deles.
"Ai de Ti, Copacabana", é um dos melhores livros de crônicas já escritos por um autor brasileiro, no caso, Rubem Braga.
Em 1960, Clarice Lispector lançou "Laços de Família". 

Nas ondas do Rádio:
O progresso da TV não matou o rádio como os pessimistas de plantão preconizaram, dez anos antes. As emissoras de rádio continuaram a ter papel importante na difusão cultural e pelo contrário, muitas parcerias criativas com a TV, fizeram com que os dois veículos se fortalecessem-se, para andarem juntos a se apoiarem mutuamente. 
 
Uma novidade ocorrida em 1960, e que afetou positivamente o mundo radiofônico foi sob cunho tecnológico, com o advento das transmissões via satélite, a melhorar a qualidade das transmissões e garantir uma maior rapidez na divulgação de notícias. 

Na TV:
Com dez anos de funcionamento, a TV já continha um papel importante na vida das pessoas em 1960, embora nem todo lar possuísse um aparelho para o entretenimento da família, pelo seu alto custo, portanto a restringir tal conforto para as famílias mais abastadas, em princípio.
A TV Tupi, emissora pioneira, foi uma das grandes estações daquele momento, naturalmente, mas que teve na TV Record, uma oponente em franca expansão e que a superaria no decorrer naquela década.
Em 1960, a TV Record comemorou sete anos de vida e sendo o canal a usar o número "7" em São Paulo, alardeou isso com profusão. Tal emissora já caminhava para ser a melhor emissora da década nova que chegava e o melhor que teria a oferecer ainda nem o mais otimista de seus produtores, poderia imaginar...
E começara a saga da TV Excelsior, o famoso "canal 9", uma emissora que nasceu em 1960 e com mentalidade progressista, cheia de inovações, e que portanto prometeu ser muito interessante.
TV Paulista: uma emissora que lutava para se manter na base do improviso total em meio às sua precariedades técnicas, mas que teve o seu pequeno quinhão de atenção dos paulistanos. 
E havia uma TV Cultura a ocupar o canal 2, mas esta não era estatal nessa época. Emissora nanica, quase não tinha audiência.

No mundo da música: 
Esses cinco garotos mal saídos da adolescência e oriundos de Liverpool, Inglaterra, foram completamente desconhecidos do grande público, em 1960. A sua maior proeza até então fora promover boas apresentações ao vivo, ao reproduzir covers de Rock'n' Roll, Blues, R'n'B e Skiffle, em casas noturnas de sua cidade natal. Nesse ano de 1960, esses rapazes se aventuraram a tocar em casas de tolerância na zona portuária de Hamburgo, na Alemanha. O baixista se apaixonou por uma bela garota alemã e deixou a banda, pouco tempo depois, para obrigar um dos três guitarristas a assumir o baixo, doravante. O baterista saiu (ou "foi retirado", para dizer melhor), dois anos depois por pressão de um produtor musical, sendo substituído por outro amigo deles, também oriundo de Liverpool. Mas convenhamos, alguém em sã consciência poderia imaginar que essa banda viraria o mundo de cabeça para baixo, ao olhar para eles, ali em 1960? 
Will You Love me Tomorrow? Grande sucesso do grupo feminino vocal de R'n'B, The Shirelles.
Uma grande fera do Rock cinquentista, Roy Orbison fez sucesso em 1960, com "Only the Lonely".  
Chubby Checker lançou a canção: "The Twist", bem no mês e ano em que nasci, julho de 1960. Veja acima o delicioso astral cinquentista que permeava o mundo em que cheguei.
Outro sucesso de 1960, "A Taste of Honey", com Bobby Scott.
Ray Charles regravou uma canção composta em 1930, pelos compositores Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, chamada: "Georgia on my Mind".... nada mau para ser lançada em 1960, e assim tornar o mundo melhor, logo no momento em que eu entrei nele.
Uh...ha... Sam Cooke, e sua "Chain Gang!"
The Everly Brothers e sua "Cathy's Clown"...
Super em voga na época, entre o Rock cinquentista e a "British Invasion" de 1964, o som instrumental de bandas como o The Ventures, fazia muito sucesso, a evocar o Rock'n' Roll, Surf Music, R'n'B e outros derivados. "Walk Don't Run" foi sucesso com o The Ventures, em 1960.
Celly Campello, irmã do Rocker, Tony Campello, lançou: "Banho de Lua", uma adaptação para o português de um Rock italiano, chamado: "Tintarella Di Luna". Foi uma tendência que tornar-se-ia hábito no início da década de sessenta, regravar música Pop italiana e/ou francesa, por artistas brasileiros, em adaptações para o português.
Sergio Murilo, outro Rocker adocicado (no bom sentido do termo, visto ser um artista bacana no meu entender), e típico dessa época de entressafra, ele lançou: "Broto Legal".
Ao viajar na onda espacial, super na moda e que só esquentaria nessa década nova que estava a chegar, eis o primeiro disco do cantor, Miltinho, um sambista cheio de bossa e que brincou com tal conceito.
E essa é para arrebentar... a grande Diva, Etta James, lançou esse blues dilacerante em 1960: "At Last". Ouça acima, para degustar e entrar no clima de 1960...

No mundo dos quadrinhos:
Eis três, entre tantos lançamentos sensacionais que a "Ebal", uma editora icônica para quem seguia quadrinhos no Brasil, colocou nas bancas em 1960. Nessa época ainda não, logicamente, mas poucos anos depois, tal editora seria muito importante na minha vida, por me abrir mais um universo paralelo da imaginação. 
Dava-se tanta importância aos concursos de beleza nessa época, que fora uma pergunta recorrente em exames vestibulares: quem venceu o concurso de Miss Brasil neste ano? Pois é, em 1960, foi Gina MacPherson...

Nos esportes:
Eu não prestava atenção no futebol em 1960, obviamente, mas digamos que comecei bem a minha saga verde, mesmo só vindo a entender isso, bem depois...
1960 foi um ano bissexto e que teve Olimpíada na cidade eterna, Roma...
Éder Jofre ganhou o título mundial de Boxe, na categoria "galo", e fez sucesso na imprensa de 1960.
Foi inaugurado nos arredores de Genebra, Suíça, um laboratório chamado, "Cern", responsável pela construção do maior equipamento de pesquisa para a aceleração das partículas em todo o mundo. A estátua da Deusa Shiva na entrada de tal laboratório, sugere claramente uma aproximação entre ciência e espiritualidade e a tal "partícula de Deus" que ali foi descoberta muitos anos depois, talvez seja só o começo de uma nova Era de descobertas que façam convergir sob uma única direção, as ideias preconizadas pelas duas correntes.
Países exportadores de petróleo, se organizaram para criar a "Opep", em 1960.
E assim foi 1960, o ano em que nasci...

Continua...

domingo, 22 de maio de 2016

Autobiografia de Luiz Domingues na Música - Aviso Sobre as Novas Etapas a Seguir - Por Luiz Domingues

Encerrado o texto bruto da minha autobiografia na música, entro agora em uma nova fase para este Blog, a tratar neste instante de apresentar adendos ao material redigido.  

Farei inicialmente um apanhado geral sobre a minha infância e adolescência, ao abordar, ano a ano, desde o meu nascimento (1960 a 1975, portanto, e a considerar o período de 1976 em diante, como inserido na autobiografia em si, mas fica em aberta a possibilidade para que crônicas específicas a tratar de fatos correlatos e análise cultural de época, sobre os anos posteriores, também sejam criadas e publicadas, e assim a demonstrar como a música e o impacto da cultura em geral, me envolveu aos poucos e o Rock em específico, ao me fisgar ao final da infância e início da adolescência.

Na etapa posterior, irei disponibilizar material a conter fotos, vídeos, áudio de músicas e entrevistas, vídeoclips, material de portfólio, documentos e fotos de peças de memorabilia, a abranger os quarenta anos iniciais de atividades em todas as bandas por onde eu atuei e neste caso, muito material será inédito e não publicado anteriormente, como ilustração dos capítulos da autobiografia. 

Além da ampla cobertura visual, acrescentarei comentários elucidativos para cada peça, a elucidar cada uma, sobre o contexto em que se apresentaram, a importância que tiveram, histórias curiosas se for o caso, e análise de época, toda vez que se fizer oportuno.

Em uma terceira fase desses complementos autobiográficos, postarei histórias não contadas no texto oficial, como adendos em forma de crônicas, em que não seguirei uma ordem cronológica, mas terá uma organização certamente, a demarcar claramente o ponto da história em que estou a comentar. 

E por fim, quarta etapa, a atualização da autobiografia, a cobrir todos os acontecimentos da minha carreira, no período pós-abril de 2016, ponto onde encerrei o texto bruto, mas a vida e a carreira prosseguiram a colecionar novas histórias para contar. Tais atualizações serão periódicas, contudo, a observar bom hiato de tempo, para garantir a isenção de uma visão oportuna, adquirida pelo distanciamento histórico. 

Então, após esses textos em adendo sobre a continuação da história no momento pós-abril de 2016, virão, materiais referentes sobre tal período, a criar uma rotina, doravante. 

Como um balanço atualizado, todo ano eu publicarei o material pertinente a tal produção em adendo. 

E claro, o espaço sempre ficará aberto para crônicas em adendo, e material de trabalhos antigos que forem resgatados, a fazer deste Blog, um Museu em constante vigilância para armazenar tesouros antigos, recém-descobertos.

A tocar com Os Kurandeiros, em 15 de maio de 2016. Foto de Lincoln Baraccat

Esteja convidado a continuar a acompanhar, amigo leitor!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Final Parcial da Minha Autobiografia na Música - Período abril de 1976 a abril de 2016 - Por Luiz Domingues

Na bandinha infantil do Grupo Escolar da Vila Olímpia, sou o terceiro, da direita para a esquerda, na parte mais alta. Teatro Paulo Eiró, localizado no bairro do Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo. Dezembro de 1968. E foi a minha primeira experiência sobre um palco, mas eu nem sonhava em ser artista nessa época, foi apenas uma coincidência ou quiçá, algo premonitório...

Bem, está encerrada aqui, a reprodução total do texto geral, que compõe o conteúdo do meu livro autobiográfico: "Quarenta Anos de Rock", mas em breve, novos capítulos surgirão em adendo para manter a atualização da minha autobiografia. E tais novos capítulos, a enfocar as minhas atividades musicais ocorridas de abril de 2016, em diante, provavelmente farão parte de um novo livro impresso, provavelmente a ser denominado como: "Mais Rock Depois dos Quarenta", a fazer menção à continuidade da carreira após a efeméride dos quarenta anos iniciais completados.

Em atividade com Os Kurandeiros, em 2014. Click: Lara Pap

Manterei doravante para tal construção dos adendos, uma distância considerável, para não perder o poder de escrever com uma visão macro dos fatos, que só o afastamento temporal pode me oferecer, naturalmente. 

Portanto, está encerrado o texto geral da minha autobiografia na música, a cobrir as minhas atividades musicais oficiais desde abril de 1976, até abril de 2016.

Eu, Luiz Domingues em 1976, ao iniciar a minha trajetória musical. Foto: Acervo familiar

Sobre esses quarenta anos que eu descrevi neste texto, tenho muito a agradecer a todos que interagiram, incentivaram, ajudaram, torceram e apreciaram todos os trabalhos pelos quais eu participei.
O Boca do Céu, minha primeira banda, em foto de 1977, aproximadamente um ano depois de sua fundação. Click: Adelaide Giantomaso

Deixo aqui um super especial agradecimento aos companheiros da jornada, ao estender tal voto de gratidão à todos os membros oficiais das bandas pelas quais eu atuei e ainda faço parte na atualidade de 2016, aos colaboradores diretos e parceiros de composições e letras de músicas, aos companheiros que já partiram para uma outra dimensão, ao mencionar apenas os que foram membros oficiais de bandas por onde passei, e até aqui, já partiram deste planeta, sete colegas (até abril de 2016): Fernando "Mu" (guitarra/voz - Terra no Asfalto), Geraldo "Gereba" (guitarra - Terra no Asfalto), Paulo Eugênio Lima (vocalista/percussão - Terra no Asfalto), Theo Godinho (guitarra - A Chave/The Key), Lizoel Costa (guitarra/violão/voz - Língua de Trapo), Percy Weiss (vocalista - A Chave do Sol) e Fran Alves (vocalista - A Chave do Sol)
Um dos poucos materiais que tenho do Terra no Asfalto, uma filipeta de um show de 1981... 
Capa do compacto 'Sem Indiretas" do Língua de Trapo, lançado em 1984

Também sou grato aos músicos com os quais eu toquei em ocasiões sazonais! Aos técnicos de som (shows ao vivo e de estúdios de gravação), técnicos de iluminação, cenotécnicos, produtores, empresários, assessores de imprensa, roadies, produtores fonográficos.
Capa do primeiro disco d'A Chave do Sol, um compacto simples lançado em 1984
                Capa do EP d'A Chave do Sol lançado em 1985
 
    Capa do LP The Key, d'A Chave do Sol, lançado em 1987  
Capa do LP "A New Revolution", do The Key, lançado em 1990
 
Aos jornalistas, radialistas, fanzineiros, agitadores culturais, produtores e apresentadores de TV. Filmakers, produtores de vídeo-clips, equipes de filmagem de audiovisuais, blogueiros e agitadores culturais virtuais. 
Capa do LP coletânea "A Vez do Brasil", na qual o Pitbulls on Crack tem duas faixas, lançado em 1993
Capa do CD Lift Off, do Pitbulls on Crack, lançado em 1996
 
Aos desenhistas, diagramadores, artefinalistas de capas & encartes de discos, cartazes, flyers (filipetas!), cartazes de lambe-lambe,
aos motoristas de vans, caminhões e ônibus & micro ônibus, táxis (além das incontáveis caronas através de carros particulares de amigos abnegados), maquinistas de trens, pilotos & tripulação de aviões, barcas e lanchas que me levaram nesses anos todos em viagens para shows e atividades em geral, carriers e divulgadores de shows.
Capa do CD Chronophagia, da Patrulha do Espaço, lançado em 2000
Capa do CD Dossiê Volume 4, da Patrulha do Espaço, lançado em 2001
Capa do CD ".ComPacto", da Patrulha do Espaço, lançado em 2003
Capa do CD "Missão na Área 13", da Patrulha do Espaço, lançado em 2004 
Capa do CD "Capturados ao Vivo no CCSP 2004, lançado em 2007

Aos amigos que eu fiz nesses quarenta anos iniciais de minha carreira, aos amigos das bandas em específico, aos amigos dos amigos e agregados dos companheiros das bandas, aos familiares e parentes dos colegas que tanto torceram pelo sucesso de cada banda pelas quais eu atuei, às namoradas que eu tive nesses anos todos e que me apoiaram demais na minha trajetória musical.

Capa do CD do primeiro álbum do Pedra, lançado em 2006
       Capa do CD "Pedra II", do Pedra, lançado em 2008

                Capa do CD "Fuzuê, do Pedra, lançado em 2015

Aos meus amigos pessoais, que tanto ajudaram (ajudam), aos meus parentes que tanto torceram (torcem), incluso os muitos que já partiram para uma outra etapa dimensional, mas que tenho certeza, continuam a torcer aonde quer que esteja.

E minha família: 

Papai Milton, que foi morar no céu, em 2006 e que não ficou nada feliz por volta de 1979, quando me pressionou a largar mão do meu sonho, mas imbuído dos mais nobres propósitos paternos, preocupado com o meu futuro, eu sei. Eu muito me orgulho de ter a noção de que nos seus últimos anos, ele aceitou enfim a minha decisão sobre eu ser músico e mesmo que não fosse de seu agrado pessoal, ele ouvia os meus discos com um sentimento de orgulho.

Ana Cristina, irmã, que quando nasceu em 1975, não sabia, mas eu já estava na determinação de empreender esse mergulho radical na minha vida, e cresceu acostumada com um irmão cabeludo e bem mais velho, a carregar instrumentos para todos os lugares.

E mamãe, Maria Luiza, que é a minha maior torcedora, apoiadora e pilar, sem dúvida nenhuma.

Por fim, claro que eu preciso agradecer e muito aos fãs de todos os trabalhos que realizei. Vocês não imaginam o quanto me alegram com as suas demonstrações de carinho nas redes sociais da internet e muitas vezes, pessoalmente, quando me abordam e elogiam os trabalhos, relembram com carinho das suas impressões pessoais sobre eles e pedem para que reuniões de bandas das quais não sou mais componente, ocorram, sob uma prova inequívoca de que tais trabalhos marcaram época e repercutem, por anos e até décadas depois de encerrados. Isso é uma vitória e tanto para uma luta e tanto ao longo de quarenta anos!

Na primeira foto, com o companheiro, Ciro Pessoa e na segunda, Os Kurandeiros em foto promocional de 2015

Bem, a boa nova é que estou vivo em 2016, e espero escrever muitos adendos ainda nesta autobiografia, portanto, conto com o apoio de todos vocês, indo assistir ao vivo e a assistir os vídeos / ouvir os discos dos Kurandeiros e Ciro Pessoa & Nudes, assim como eventualmente de outros trabalhos que eu venha a fazer no futuro. 

Antes de encerrar, eu preciso agradecer a um grupo de pessoas em específico: Tratam-se dos incentivadores mais diretos para que eu escrevesse a minha autobiografia. Em primeiro lugar, Luiz Albano Francisco, que no já longínquo ano de 2006, abriu uma comunidade na extinta Rede Social Orkut, chamada: "Luiz Domingues".

Somente em 2010, eu comecei a interagir na internet e em junho de 2011, graças a tal gentileza de sua parte, Luiz Albano deixou que eu interagisse em tal plataforma da citada comunidade que ele criou, e assim, eu comecei a escrever o rascunho primordial desta autobiografia, a utilizar tópicos exclusivos para cada banda por onde passei. Ali foi o meu primeiro impulso. 

Sobre os tópicos em si, agradeço ao Marinho Rocker, meu amigo de Lavras-MG, que eu conheço desde 1989 e que teve a gentileza de abrir os tópicos para eu poder começar a escrever, além de interagir muito também, ao formular perguntas e estabelecer observações pertinentes. 

Logo que eu comecei a escrever, em 2011, amigos como Milton Medusa, Aless Scaranto, Marcos Romano, Ricardo Aszmann, Will Dissidente, Glauco Teixeira e o meu primo, Marco Turci, interagiram bastante com observações, perguntas e adendos que muito me ajudaram a lembrar melhor dos fatos, para que eu pudesse escrever a minha narrativa. 

E cabe uma menção honrosa ao Dr. Nelson Maia Netto, que ainda nos anos noventa, já me falava que eu deveria escrever as minhas memórias. Pois está aqui, amigo, mais de um milhão e duzentas mil palavras escritas e a história ainda terá adendos a suprir mais um ou até mais livros! Agradeço-os, portanto, por todo o apoio que me ofertaram!

E claro, expresso o meu muito obrigado aos leitores desta autobiografia, que também muito me incentivaram a colocar as mãos no teclado do computador e igualmente a forçar a memória, para dessa forma funcionar sob tal determinação o ato de narrar a minha trajetória na música, entre 1976 e 2016.

Luiz Domingues em janeiro de 2016, ao vivo com Os Kurandeiros. Click: Lara Pap

Encerro aqui a minha autobiografia geral na música, no período de abril de 1976, a abril de 2016. Doravante, aguarde por adendos.
Muito obrigado por acompanhar, amigo leitor!
Até logo!

Luiz Domingues

sábado, 23 de abril de 2016

Magnólia Blues Band - Capítulo 4 - Um Final que Pode Ser Modificado - Por Luiz Domingues

A Magnólia Blues Band foi uma ideia que nasceu da parte do tecladista, Alexandre Rioli, que além de ser proprietário da casa, Magnólia Villa Bar, era (é) um grande aficionado de Blues e Rock'n' Roll. 

Como ele sempre atuou com participações ao vivo, a tocar o seu piano em apresentações que Os Kurandeiros faziam ali naquela casa há anos (mesmo antes da minha entrada naquela banda, em 2011), eis que ele vislumbrou a possibilidade para nos tornarmos uma "outra" banda em paralelo, com a intenção específica de nos apresentarmos toda quarta-feira na casa e a cada semana, anunciarmos um convidado da cena do Blues, para o acompanharmos, a serem executados clássicos do gênero.

O logotipo da "Magnólia Blues Band", criado por Kim Kehl

Aceitamos a ideia, pois não atrapalharia em nada os nossos planos para manter a agenda d'Os Kurandeiros sob plena atividade, além de nos colocarmos também a atuarmos como o "Nu Descendo a Escada", a banda de apoio de Ciro Pessoa, ou para trocar em miúdos, eu (Luiz Domingues); Kim Kehl e Carlinhos Machado, fomos o "núcleo duro" dessas três bandas citadas, com trabalhos distintos.  

E assim, logo no início de janeiro de 2014, essa história começou a ser contada, e a cada semana, muitas personalidades importantes da cena do Blues foram convidadas e se apresentarem conosco, em noites que entraram para a história.

As guitarras de Kim Kehl ao fundo e o bumbo da bateria de Carlinhos Machado em destaque. Uma das noitadas que tivemos em quartas regadas a blues! Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Nós logo percebemos que não seriam noitadas puristas, focadas no Blues, tão somente, mas sim a se desdobrarem em muitos outros gêneros. O Rock'n' Roll incluso, logicamente, mas também a Soul Music, R'n'B, Gospel, Funk, Jazz, Country, Folk e houveram até passeios por gêneros distantes dos princípios iniciais, como os ritmos latinos, música Pop, Trilhas de cinema, Hard-Rock, Glitter-Rock, Rock Progressivo, MPB... enfim, a Quarta Blues foi eclética e generosa para quem a vivenciou.  

E assim atravessamos o ano de 2014, com muitos convidados e fica a lembrança registrada em nossa memória, mas igualmente disponível em fotos e vídeos, desses grandes momentos que tivemos ao recepcionarmos tantos artistas sensacionais.  

A maioria deles, foram guitarristas, mas também apareceram os baixistas, tecladistas, muitos gaitistas e cantores estiveram conosco, além de aparições surpreendentes, como o caso de um saxofonista saído da plateia que veio participar, certa vez. 

Ao final de 2014, a estratégia mudou paulatinamente e uma tentativa de se convidar bandas inteiras para dividir a noitada, foi feita e com sucesso em algumas ocasiões, a se estender até o começo de 2015. 

Eu, Luiz Domingues, a atuar em uma noitada de inverno com a Magnólia Blues Band. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Um problema de saúde, justamente ocorrido comigo (Luiz), fez com que a banda sofresse por um período, quando eu estive impedido de atuar, a enfrentar internação hospitalar e cirurgias. E para agravar o panorama, foi um período em que a casa sofreu sanções da parte do poder público, pelo motivo do excesso de ruído ali produzido, e assim, quando a banda voltou à ativa, uma nova fase sobreveio, com a obrigatoriedade de nos apresentarmos sob o formato acústico.

Da esquerda para a direita: Alexandre Rioli aos teclados, Kim Kehl ao violão, Bruno Mello a cantar e eu, Luiz ao fundo. Sentado na frente com um violão, o convidado, Gulherme Ramazotti. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap  

Por sorte, logo um convidado mudaria tal perspectiva. Ao se tornar um membro fixo da banda, o cantor, Bruno Mello, chegou ao palco do Magnólia Villa Bar com a proposta de imprimir o elemento Pop à "Quarta Blues" e assim, tal direcionamento fez com que a adequação do formato acústico se encontrasse com tal repertório ao sabor do Soft-Rock, e assim, uma nova fase adveio para a banda.  

No entanto, o Bruno era do Rio de Janeiro, e quando o seu trabalho corporativo se encerrou em São Paulo, a sua partida também significou a sua saída da nossa banda, infelizmente. 

Seguimos em 2015, a mesclar o repertório tradicional do Blues com o cancioneiro Pop da "Era" Bruno Mello, mas sem convidados doravante, a não ser quando alguém do meio veio nos visitar e subira ao palco para uma participação informal. 

A formação como quarteto da Magnólia Blues Band: da esquerda para a direita: Kim Kehl. Alexandre Rioli, Luiz Domingues e Carlinhos Machado. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Ao entrarmos no ano de 2016, mantivemos essa mesma toada, todavia sabíamos que a situação da casa não estava alheia às intempéries da turbulência econômica generalizada, portanto, conduzimos o projeto na mais pura força de vontade, mas a pressentir que ele estava a ser minado pelas circunstâncias alheias à nossa vontade. 

No meu caso em particular, eu enfrentei de novo problemas de saúde, se bem que desta feita mais amenos e quando voltei às atividades, o Alexandre Rioli, sem outra alternativa, anunciou modificações na estrutura da sua casa e a "Quarta Blues" foi cancelada e consequentemente, a banda desfeita. 

Fica a ressalva que esta banda poderá voltar em ocasiões sazonais e talvez possa haver uma reativação de suas atividades no futuro e se isso ocorrer, novos capítulos poderão ser escritos no porvir. 

Fica aqui o agradecimento pelos dois anos e quatro meses de atividade que atingimos, e que muita alegria nos proporcionou em tantas noites de quartas-feiras. 

A Magnólia Blues Band a receber o gaitista e cantor, Edu Dias. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Com calor, frio, chuva ou céu estrelado, estivemos ali firmes e fortes a tocar, para recepcionar grandes artistas, produzir momentos com brilhantismo musical para nos orgulharmos, a gerarmos improvisos, cometermos erros para darmos risada, e provocar aplausos e suspiros da plateia, muitas vezes. 

Fica a lembrança das quartas regadas a futebol no telão (quanto está o jogo? Quem fez o gol?), mas sobretudo, com muita música e conversas agradáveis em meio a tantos amigos presentes. 

No meu caso em específico, foi um aprendizado e tanto, pois eu jamais me preparei para ser "músico da noite" e assim, toda a minha carreira fora focada no trabalho autoral. Portanto, após quase quarenta anos a tocar apenas o que eu mesmo criava, fui impelido a aprender a acompanhar, tocar muitas músicas que nem conhecia e aprender assim a dinâmica do improviso sob outro viés que não o autoral. 

Respaldado pelos amigos Kim, Carlinhos e Alexandre, só posso agradecer pela paciência que tiveram comigo nesse sentido, por tolerarem as minhas falhas e sempre a me incentivar para que eu me adaptasse a essa realidade musical. 

E assim foi a Magnólia Blues Band, uma banda que nasceu para tocar clássicos do Blues, mas que no desenrolar dos fatos, se mostrou muito eclética, a tocar diversos outros gêneros. Sou muito grato a essa banda pelo aprendizado e pelas noitadas com dezenas de quartas, muito felizes, vividas nos anos de 2014, 2015 e 2016.

Falo sobre as pessoas que gravitaram na órbita dessa banda, a seguir:

1) Equipe do Magnólia Villa Bar:

Por ter sido uma banda criada para atuar exclusivamente em uma casa noturna, naturalmente que não dispôs de uma equipe de produção própria para auxiliá-la. Portanto, nomeio apenas três profissionais que foram funcionários do Magnólia Villa Bar, que estiveram conosco nesses anos todos.

A) Dona Terezinha, a cozinheira da casa, a quem agradecemos pelos lanches, os clássicos "X-Músico", que ela preparava com carinho para serem consumidos no intervalo das apresentações.

B) Edson da Silva - Técnico de som que operava o PA da casa, e muitas vezes se esmerou para consertar situações de emergência, com panes aqui ou acolá, portanto, fica o meu muito obrigado por tudo.

C) Lídia Forjaz - A gerente da casa, que sempre nos tratou com extrema simpatia e costumava nos aplaudir, mesmo lá de longe, no a trabalhar no caixa do estabelecimento.

2) Os músicos convidados:

Um super agradecimento à todos os músicos que aceitaram o convite formulado, e lá no Magnólia Villa Bar foram nos brindar com o seu talento e simpatia. Gostei de tocar com todos e muitos deles, já eram ou se tornaram meus amigos, doravante.

Meu muito obrigado a: Chico Suman, Carlinhos "Jimi" Junior, Ivan Marcio, Wagner Andrade, Duca Belintani, Lincoln Mugarte, Rui Bueno, Rodrigo Batello, Marceleza Bottleneck, Adriano Segal, Xando Zupo, Fabio Brum, Anette Santa Lucia, Adriano Deep, Baby Labarba, Big Chico, Thomas T. Love Jensen, Ricardo Corte Real, Marcelo (saxofonista da plateia), Alex Dupas, Edu Dias, Ciro Pessoa, Isabela Johansen, Marcião Pignatari, Paulo Toth, Amleto Barboni, Maria Arruda Alvim, Claudio "Casão" Veiga, Dino Linardi, Guilherme Spilack, Fernando Ceah, Binho "Batera", Rodrigo Hid, Dino Linardi, Ryu Dias, Ayrton Mugnaini Junior, Marcos Mamuth, Rubens Gióia, Nelson Ferraresso, Maria Christina Magliocca, Paulo Morgado, Wilson Ricoy, Roger Baccelli, Cris Stuani, Fulvio Siciliano, Milton Medusa, Carlos Frederico Bomeisel, Norba Zamboni, Paulo Sá, Michael Navarro, Fernando Vinhas, Ed Cruz Junior, Banda Electric Pepper, Elizabeth "Tibet" Queiroz, Fernando Rapolli, Lili Mallagolli, Frank Hoernen, Banda Four Ol' Bones, Claudio "Moco" Costa, Rico Bass, Marco "Pepito" Soledad, Rey Bass, Kalil Bentes, Rodolfo Braga, Fernando Alge, Paulo Krüeger, Alê Bass, Sérgio Luongo, Guilherme Ramazotti, Joe Roberts, Willie de Oliveira, Marcelo (gaitista da plateia), Marco "Bacalhau" Aurélio e Sérgio Cândido dos Anjos.

Um destaque especial para Fulvio Siciliano e Cris Stuani que chegaram a substituir Kim Kehl, quando este não pode comparecer em duas ocasiões, Binho "Batera" que substituiu Carlinhos Machado também sob uma circunstância emergencial e Sérgio Luongo, Rey Bass e Alê Bass, baixistas que cobriram a minha ausência, quando eu fiquei doente.

3) Membros da Magnólia Blues Band:

Da esquerda para a direita: Kim Kehl, Bruno Mello, Carlinhos Machado & eu (Luiz Domingues). Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap
 
A) Bruno Mello - Expresso o meu agradecimento a este grande cantor, que veio ao palco do Magnólia Villa Bar inicialmente para ser mais um convidado de honra de uma edição da "Quarta Blues", mas que mediante reiteradas atuações, chegou ao ponto de o considerarmos o quinto membro dessa banda, mesmo não que ele não tenha percorrido toda a sua trajetória.  

Por sua atuação como cantor e pelo poder de suas sugestões, Bruno desempenhou uma colaboração muito grande, a proporcionar uma nova fase à banda, através de um repertório alternativo sob forte apelo Pop, e que veio a calhar pelas necessidades sonoras que se desenhou naquele momento, em termos da obrigatoriedade da banda para coibir volume e ímpeto, ao se apresentar de maneira acústica. 

A sua participação foi entre junho e outubro de 2015, mas a amizade se solidificou ad aeternum, tenho certeza. 

                    Alexandre Rioli, em foto de Lincoln Baraccat

B) Alexandre Rioli - Tecladista de formação Blues/Rock'n' Roll e bom de "Boogie-Woogie", ele muito acrescentou à banda com seu piano sempre pleno de nuances coloridas. 

Proprietário do Magnólia Villa Bar, foi o idealizador da banda e do Projeto "Quarta Blues". Sou-lhe grato pela oportunidade, acolhida em sua casa, a estender ao usufruto de sua infraestrutura, mas sobretudo ao seu piano enriquecedor, nas centenas de músicas que tocamos juntos ali naquelas quartas.

Carlinhos Machado, baterista superb & gentleman. Foto: Lara Pap

C) Carlinhos Machado - O nosso baterista é um dos maiores gentleman que já conheci. Um sujeito solícito, super humano, amigo de todas as horas. Sou-lhe grato pelas noitadas todas que fizemos juntos nessa banda, e aproveito para lhe agradecer pela solidariedade nos momentos difíceis que eu tive em 2015 e 2016, por conta de meus problemas de saúde e ocasião pela qual ele gentilmente me ofertou suporte, ao me ajudar em uma fase na qual a proibição médica para que eu carregasse peso se fez premente e assim, Carlinhos foi um altruísta ao me dar essa força braçal nas horas difíceis. 

O lado bom desta parte do relato é que não estou a escrever em tom de despedida, visto que encerrada as atividades da Magnólia Blues Band, estou em pleno vapor com ele em outra banda ("Os Kurandeiros), sendo assim, a minha parceria com Carlinhos seguirá por muito tempo, assim espero. 

                        Kim Kehl, em foto de Lincoln Baraccat

D) Kim Kehl - O nosso guitarrista, por ter forte conhecimento na área do Blues, naturalmente se tornou o nosso pilar para esse projeto dar certo. Com o Kim na banda, foi mais do que certo que tudo correria bem, independente dos convidados em cada semana, pois tocávamos seguros com ele no leme da embarcação. 

Tudo o que eu disse sobre o Carlinhos, serve ipsis litteris para o Kim, e acrescento que graças aos seus esforços pessoais e de sua esposa, Lara Pap, a Magnólia Blues Band teve uma carreira amplamente documentada, a contar com um acervo de fotos e vídeos de toda a sua carreira. 

Tudo está disponível no seu canal pessoal do YouTube e muitos (não todos, tem muito mais), eu reproduzi nos capítulos da história da banda.

E mesmo caso, espero prosseguir em sua companhia por muito tempo, na outra banda pela qual tocamos na atualidade ("Os Kurandeiros").

Bem, como já enfatizei, está banda pode voltar e gerar mais histórias. Se acontecer, serão registradas devidamente nesta autobiografia. 

Uma particularidade não musical, esta banda (assim como Os Kurandeiros enquanto trio - eu, Luiz, Carlinhos & Kim), é uma banda inteiramente formada por palmeirenses. A Magnólia Blues Band é uma banda alviverde em 100%, fato raro na minha carreira, pois eu sempre atuei em bandas bem misturadas em termos de paixões clubísticas e tal fato só foi parcialmente interrompido com a presença do Bruno, torcedor do Fluminense, mas a porção verde de seu time foi bem-vinda, logicamente.

Está encerrada a história da Magnólia Blues Band, mais uma banda pela qual eu tive orgulho de ser componente, e que enriquece a minha trajetória geral. Fica em aberto a história d'Os Kurandeiros.

Aqui se encerra o relato da minha autobiografia, centrada no período entre abril de 1976 e abril de 2016, a perfazer quarenta anos de carreira e que justifica o título do meu livro: "Quatro Décadas de Rock". 

Na próxima postagem, o leitor encontra uma explicação sobre os passos adiante que ofertarei para este Blog, com material adicional e adendos da carreira em pleno andamento.

A Magnólia Blues Band em sua formação de quarteto. Da esquerda para a direita: Kim Kehl, Alexandre Rioli, eu (Luiz Domingues) e Carlinhos Machado. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Grato por ler, meu amigo!

Até logo...