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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada / Atualizações - Capítulo 4 - Nuvens Dissipadas a Gerar Agradecimentos Finais - Por Luiz Domingues

Após o show no Café Delirium, em 18 de fevereiro de 2016, a próxima atividade de Ciro & Nudes foi uma entrevista para um programa de Internet, no caso, o "Comunidade em Ação", do comunicador Guto Senatore, na Flix TV. Como eu havia recém realizado minha terceira cirurgia em 17 de março de 2016, obviamente não pude comparecer e participar junto aos colegas. Mas fiquei feliz por vê-los e ouvi-los a saudar-me em público, a desejar-me pronto restabelecimento da convalescença que enfrentava, por conta de meu estado pós operatório.

Veja abaixo tal aparição de Ciro; Kim & Carlinhos no programa de Guto Senatore :

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=l3m3z6PD7Ec

Ciro & Nudes em entrevista - Programa Comunidade em Ação - Flix TV - Comunicador : Guto Senatore
22 de março de 2016

E nessa época, março de 2016, os planos eram bons, com o Ciro a aspirar gravar um novo álbum e nessa altura, já tínhamos composto músicas, eu e Kim, para alimentar um novo disco do "Nudes", e assim delinear a nossa formação, com participação ativa na criação etc e tal. Falava-se nisso com bastante entusiasmo e numa fase em que o Ciro havia arrefecido o seu ímpeto em relação à militância política, fator que norteara seus esforços fortemente nos anos anteriores, isso contribuía decisivamente para que o seu foco na carreira estivesse restabelecido, mesmo porque, questão de pouquíssimo tempo depois, o governo PT cairia e muito de seu empenho feroz nas Redes Sociais e notadamente sua participação em "Hang Outs" de Internet (ao lado de Lobão e alguns intelectuais assumidamente direitistas, e que eram acompanhados por milhares de pessoas), já não fazia-se premente. Com essa missão parcialmente cumprida, ao verificar a derrocada de Dilma Roussef e o PT, já não havia a mesma predisposição em focar nessa cruzada, vinte e quatro horas por dia.

Nesse ínterim, tive o prazer de publicar em meu Blog 1, uma resenha sobre o livro do Ciro, "Relatos da Existência Caótica", em julho de 2016. Eis o Link para acessá-lo :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2016/07/relatos-da-existencia-caotica-ciro.html

Assim que o Ciro encontrou-me e repercutiu a minha resenha, perguntei-lhe quantas outras resenhas já haviam sido publicadas sobre o seu livro e ele falou-me que só a existia a minha. Inacreditável, mas mesmo com seu prestígio na música e a levar-se em consideração que já havia sido articulista e Free Lancer de jornais mainstream (Folha de S.Paulo, incluso), nem assim davam-lhe o devido crédito. Isso só reforçou a minha avaliação de que o mundo literário e a mídia que dá-lhe cobertura é similar ipsis litteris ao mundo da produção musical e dessa forma, estar no underground traz tais dissabores para autores, e não importa seu quilate artístico. Em síntese, qual a novidade neste país que ignora a criação cultural ?   

Mas um ponto obscuro estava por chegar na minha / nossa trajetória no "Nudes", e não havia / há, nenhuma maledicência da parte do Ciro, tampouco de seus novos companheiros, nesse desvio de curso, preciso deixar muito claro. O que aconteceu, a partir de abril de 2016 em diante, é que um outro foco chamou-lhe a atenção e não tinha nada a ver com a militância política em que envolvera-se nos anos anteriores. Em conversas que ocorreram coletiva e individualmente, o Ciro exortava à todos o seu desejo de deixar o trabalho com a psicodelia / surrealismo um pouco de lado e mergulhar numa veia mais Rock'n Roll, visceral. Segundo dizia-nos, ele ansiava por um som que a grosso modo poderia ser qualificado como o Rock praticamente "in natura" que o Lou Reed produziu nos seus melhores discos solo, do início dos anos setenta. Ora, uma ideia boa, também gosto desses trabalhos e não haveria de ser uma má estratégia esse novo direcionamento do seu foco.

Da esquerda para a direita, Chico Marques & Claudio "Moco Costa", a dupla de guitarristas / vocalistas da banda Pop Rock, "8080", e que uniu-se ao Ciro para formar o "Flying Chair"

Só que a seguir, ele conheceu e começou a interagir com outros artistas, no caso a dupla de guitarristas / vocalistas da banda Pop Rock, 8080 ( leia resenha sobre seu álbum de estreia, em meu Blog 1 : http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2016/03/8080-por-luiz-domingues.html), Chico Marques e Claudio "Moco" Costa e a firmar amizade, foram a reunir-se e compor músicas novas, exatamente nessa predisposição que ele ansiava e assim, empolgado, Ciro decretou que nessa fluidez que encontrara com novos parceiros, preferia montar um trabalho novo com esses artistas e deixar o Nudes em suspensão, até segunda ordem. Nessa situação, os membros remanescentes da última formação do "Nudes" (eu, Luiz Domingues; Kim Kehl & Carlinhos Machado), receberam um comunicado via E-mail a convidar-nos a participar das gravações do novo disco que pretendia gravar com seus novos parceiros, na condição de convidados, mas na prática, tal ideia não prosperou, visto que empolgado com o novo trabalho, preferiu fundar uma nova banda, chamada "Flying Chair" e de fato, ainda em 2016, anunciou o lançamento de um EP com essa sua nova banda.

Portanto, teoricamente o Nudes não acabou ou a última formação dissolveu-se, mas ao mesmo tempo, diante dessa inércia, é como se tal trabalho estivesse encerrado, na prática.

Portanto, em tese continuara, porém... 


Conforme especifiquei anteriormente, a situação da nossa formação do Nudes ficara numa espécie de suspensão "sine die". Na verdade, o panorama que desenhou-se a nossa frente, foi mais de suspeição do que suspensão, quando notamos, ao analisarmos o desenrolar dos fatos via redes sociais da Internet, que o Ciro estava a todo vapor a empreender todos os seus esforços em prol da criação de sua nova banda, denominada, "Flying Chair". Falo isso no bom sentido, certamente, pois nem eu, tampouco meus colegas, Kim e Carlinhos, nem por um segundo sequer sentimo-nos preteridos, desprestigiados ou a nutrir qualquer tipo de ressentimento, mesmo porque se houvesse-o, seria descabido. Isso porque o Ciro não recrutou novos músicos para formatar o Nudes à nossa revelia, mas simplesmente optou por formar uma banda em paralelo, com outra sonoridade e outro nome, portanto, nós que éramos Os Kurandeiros e tínhamos a nossa própria banda em paralelo igualmente, jamais poderíamos reclamar de tal predisposição semelhante, adotada por ele. Além do mais, os próprios Kurandeiros desdobraram-se em "Magnólia Blues Band" por mais de dois anos, e também a nossa banda fora grupo de apoio para artistas como Edy Star e Big Chico, além de ter a identidade secreta de "Os Koveiros" e o próprio Nudes, portanto, ao vermos o Ciro a  montar o Flying Chair tornara-se algo muito natural para a nossa percepção e indo além, gostávamos / gostamos dos guitarristas, Chico Marques e Claudio "Moco" Costa, com os quais interagimos algumas vezes (com o "Moco", muitas vezes ele fora nosso convidado da Magnólia Blues Band e dos próprios Kurandeiros, por ocasião do Projeto "Sunday Blues", realizado no "Templo Club" no início de 2016).
Ótimos guitarristas e e vocalistas, fora ser gente boa, ambos, eram componentes da banda Pop Rock, "8080", cujo primeiro álbum eu tive o prazer de resenhar no meu Blog 1. Veja a resenha, através do Link abaixo :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/search?q=8080

Em suma, estávamos a par de toda a movimentação de Ciro; Chico & Claudio e a comunicação do Ciro via E-mail nesse ínterim, dizia sobre o Nudes entrar em descanso temporário etc e tal, conforme já expliquei em parágrafo anterior, inclusive. Mas o tempo foi a passar, e a cada dia, o entusiasmo do Ciro com seu novo projeto, fez-nos enxergar que sua energia estava 100% baseada nesse novo projeto e mesmo que houvesse intenção em fazer algum show específico do "Nudes", como por exemplo um contratante a aparecer com a proposta de uma boa produção mediante cachet robusto etc e tal, dificilmente o Ciro, empolgado com sua nova banda, pensaria em recrutar-nos para tal tarefa e o mais lógico seria usar sua nova banda, entrosado e empolgado que estava com seus novos companheiros de trabalho.
Portanto, ficou patente que a nossa formação do "Nudes" estava encerrada e cabe-me fazer agora o balanço final dessa etapa pessoal da minha carreira e os agradecimentos finais, como de praxe no meu texto autobiográfico, conforme assim procedi em relação à todas as bandas por onde atuei no passado.

Portanto, preciso retroagir ao ano de 2011, quando recebi o telefonema do guitarrista Kim Kehl, num dia qualquer de julho daquele ano, e sua proposta tinha dupla intenção. Ele convidou-me a integrar sua banda, Os Kurandeiros, e ao mesmo tempo ofereceu-me vaga na banda de apoio de Ciro Pessoa, denominada, "Nu Descendo a Escada", ou "Nudes" como carinhosamente a chamamos, e na qual ele estava recém ingresso também, numa reformulação total do time que acompanhava-o. Claro que aceitei a dupla jornada, de imediato, mas não sem elucubrar muitas dúvidas a respeito do trabalho do Nudes, a  basear-me na carreira pregressa do Ciro, com sua atuação em trabalhos fortemente mergulhados no mundo do Pós Punk da década de oitenta, portanto, a antever um possível conflito motivado por interesses antagônicos, que em princípio, preocupou-me.
O Pink Floyd em uma foto clicada entre 1966 e 1967, aproximadamente
 
Todavia, assim que o conheci, de sua fala, ouvi a expressão : -"o futuro é Pink Floyd", e dessa forma, demoliu-se por inteiro qualquer tipo de receio que eu pudesse ter sobre a nossa convivência, ideias & ideais na música; apreço à contracultura & afins e a visão macro da história do Rock, com aberta simpatia à psicodelia sessentista clássica. Em síntese, senti-me inteiramente a vontade para integrar-me nesse trabalho e mais que isso, apreciar muito fazer parte dele e dar minha contribuição, grande admirador da estética sessentista em geral que sou, e mais detidamente ao universo do Rock psicodélico daquela década.
Foto do primeiro show do Nudes na formação em que fiz parte. 9 de dezembro de 2011. Click de Lara Pap

E assim procedeu-se, a realizar os primeiros ensaios, com Kim e os músicos, Paulo Pires (bateria); Caleb Luporini (teclados) e a bela e competente vocalista, Luciana Andrade. Vieram os primeiros shows, sob condições modestas de produção, mas relevei, pois o trabalho era tão interessante e a companhia dessa turma tão boa, que nunca incomodei-me com esse início "franciscano". Mas ao mesmo tempo, causava-me espanto como um membro egresso do mundo Pós Punk que sempre teve o apoio da "intelligentzia" e o beneplácito da mídia mainstream, não tivesse caminho aberto para produções maiores e com direito a agenda sustentável. No entanto, logo fui a perceber que Ciro também sofria com barreiras intransponíveis, assim como todo artista que sempre militou na contramão da formação de opinião, meu caso e do Kim, igualmente. Nesse aspecto, Ciro, apesar de ser um ex-"Titãs" e um ex-"Cabine C", fora ter sido parceiro de gente incensada como Edgard Scandurra e Julio Barroso, por exemplo, na verdade estava no limbo da carreira tanto quanto nós que nunca tivemos tais oportunidades. Uma pena, mas essa era a realidade e não o que imaginara no início, com o autor de "Sonífera Ilha" a fazer shows sob agenda lotada e abertura numa mídia, senão a mainstream, pois os tempos eram outros, ao menos num padrão intermediário entre  isso e o mundo abissal da obscuridade underground.

Nesses termos, um novo show só foi ocorrer oito meses depois numa cidade interiorana paulista, já em agosto de 2012, e foi muito interessante conforme o descrevi com detalhes em capítulo anterior. Com direito a trem de carga a passar durante o show e fazer a banda flutuar em alguns instantes, e assim, tratar-se de uma lembrança das mais queridas. E foi a última vez que essa formação contou com Paulo Pires e Caleb Luporini e já o fizemos sem Luciana Andrade, portanto, muitas modificações ocorreram.
Uma lástima, daí em diante seguiu-se um longo período de inatividade só quebrado em 2014, quando dois shows muito estimulantes foram realizados, um no interior e outro na capital e aí sim, ambos em teatros, com uma infraestrutura mais condizente com a psicodelia proposta. Carlinhos Machado entrou na banda e então o Nudes definitivamente tornou-se mais um braço dos Kurandeiros. E Isabela Johansen também ingressou. Casada com Ciro na ocasião, era na verdade uma boa cantora; guitarrista e compositora, portanto, a despeito da relação conjugal com Ciro, Isabela foi uma artista que agregou valor para a banda. Apesar desses ótimos shows realizados com essa nova formação, e maior interatividade, pois eu; Kim e Carlinhos contribuímos com ideias de novas canções para o trabalho. O show sofisticou-se ainda mais, com a inserção de mais textos surrealistas, baseados no livro que Ciro preparava para lançar e isso animou-nos ainda mais.
Mas as oportunidades rapidamente escassearam e mais um período de limbo sobreveio. Muito desse hiato foi por conta do furor político que cresceu ao longo do ano de 2015 e nessa circunstância, Ciro havia empolgado-se com a militância política via "hang outs" de internet e aliado a artistas como Lobão e Roger Moreira, mergulhou com ênfase nessas ações e dessa forma, o trabalho prejudicou-se bastante. Tirante um show motivado exatamente por essa militância política anti-PT e pró-derrubada do governo Dilma Rousseff, da qual participamos a fazermos uma aparição de choque apenas, uma nova ação só foi ocorrer no mês de outubro, quando o Ciro propôs um show na noite de autógrafos de seu livro.
Noite de autógrafos e show dos Nudes, no Café Delirium de São Paulo. Na foto, momento pré show e durante a sessão de autógrafos da obra "Relatos da Existência Caótica", seu autor, Ciro Pessoa e Luiz Domingues em foto de Lara Pap. 23 de outubro de 2015.
 
Foi muito agradável e honroso para nós, e chegamos a tocar músicas novas compostas especialmente para a ocasião, baseadas em textos do próprio livro. Mas infelizmente, apesar da noite profícua, pouco tempo depois, a vocalista, Isabela Johansen, deixou a banda e desfalcou-nos doravante. Um novo show foi marcado logo a seguir, no mesmo espaço, uma casa noturna de São Paulo, e na formação de um quarteto, o Nudes com minha presença, além de Kim e Carlinhos, apresentou-se pela derradeira vez, no início de 2016. Logo a seguir, Ciro começou a empreender esforços em prol de sua nova banda e o Nudes ficou engavetado. Portanto, neste momento que escrevo este trecho e encerro a minha história nesse trabalho, não vejo mais possibilidade de mudança de tal panorama, mas como a vida é mutável e / ou volátil, se houver uma continuidade, nada impede-me de abrir novo capítulo e relatar tal continuidade, ou sobrevida, como queira o leitor.

Agora, vou agradecer aos personagens que gravitaram em torno do Nudes, nesse período do qual fui componente, entre 2011 e 2017 :

1) Kico Stone 
O grande Kico Stone (a usar óculos), na foto acima, em companhia do guitarrista superb, Tony Babalu. Acervo e cortesia de Tony Babalu. Click : Karen Holtz

Agitador cultural, ator; grande conhecedor da história do Rock e um film-maker de primeira linha, Kico acompanhou os shows desde o início de minha entrada na banda, sempre a  prestigiá-los e a filmá-los. Sou-lhe grato por esse apoio e pela amizade expressa nesse e em outros trabalhos onde estive e estou, onde sempre conto com sua companhia, conversa inteligente, amizade e filmagens de categoria. Sempre brinco com ele, chamo-o de "D.A. Pennebacker" da Pauliceia.

2) Gustavo Johansen
      Gustavo Johansen, irmão da vocalista, Isabela Johansen

Irmão de Isabela Johansen, sou-lhe grato pela filmagem do show no Teatro Parlapatões de São Paulo, em 2014

3) Lara Pap
                        Produtora dos Kurandeiros, Lara Pap

Produtora dos Kurandeiros, emprestou um pouco de sua força de trabalho para o Nudes e claro que seus esforços foram muito providenciais e bem vindos. Agradeço-lhe por ter ajudado-nos tanto.

Hora de falar dos membros da primeira formação do Nudes, onde fiz parte :

1) Paulo Pires
Nessa foto promocional da banda "Lavoura", Paulo Pires é o rapaz na parte de baixo, à esquerda e Caleb Luporini está ao seu lado, com cabelos mais longos
 
Baterista da formação assim que ingressei no trabalho, Paulo era (é) um bom baterista, muito firme e sério na maior parte do tempo. Somente no terceiro show que fizemos juntos, pudemos enfim conhecermo-nos melhor e aí eu verifiquei que ele era / é um grande conhecedor de música em geral e Rock em específico, além de colecionador de discos. Nosso convívio foi pequeno, em apenas três shows, apesar desses eventos terem espalhado-se por muitos meses entre uns e outros. Sujeito gentil e bom músico, fiquei com boa impressão a seu respeito. Tempos depois vi notícias suas com outro trabalho, uma banda com ares experimentais, quiçá, "industriais", chamada "Lavoura". Torço para que esteja bem e feliz em seus projetos.

2) Caleb Luporini
              O tecladista / baixista e compositor, Caleb Luporini

Simpatizei com sua pessoa desde o primeiro ensaio que realizamos juntos em 2011 e de fato, Caleb mostrava-se super simpático, expressivo e gentil. Bom tecladista, disse-me ser baixista, também e demonstrava pela conversa, ter boas influências musicais do passado, embora claramente fosse um músico ligado também em sonoridades modernas de cunho "indie", experimentalismos etc. Também componente do "Lavoura", vejo seu nome sempre citado em eventos de música eletrônica e demais modernidades etc e tal. Sempre a torcer por ele, gente boa que é, para ser bem sucedido e feliz.

3) Luciana Andrade
A cantora / instrumentista e compositora, Luciana Andrade. Foto : Leonardo Pereira
 
Eu tenho a tendência em simpatizar de imediato com pessoas que mesmo tendo adquirido proeminência na sociedade, seja lá por qual motivação, mantêm-se humildes, sem que o sucesso altere seu comportamento social e sobretudo, pessoal. É o caso de Luciana Andrade, uma artista que fez sucesso mega popular através da banda, "Rouge", a frequentar o mundo das celebridades da esfera da TV aberta, revistas de fofocas & afins, mas não mudou seu comportamento diante dessa fama e não só isso, ao demonstrar amor a arte, estava conosco imbuída em cantar as canções surrealistas do Ciro, com o mesmo empenho que teria em cantar seus hits radiofônicos, no programa da Hebe Camargo. Dona de uma linda voz e que coloria sobremaneira o som do Nudes, além disso era / é muito afinada, tem talento de sobra e é uma mulher muito bonita, portanto sem soar piegas, Lu canta e encanta. Assim que saiu do Nudes, logo no começo de 2012, colocou seus esforços em prol de uma carreira solo que teve um começo promissor, muito embalada pela sua fama popular pregressa, portanto eu a vi em muitas ocasiões em programas de TV aberta e afins, o que naturalmente tinha que aproveitar ao máximo, vide o caráter efêmero com as quais, essas oportunidades surgem e desaparecem. Falei com ela muitas vezes pelas Redes Sociais e sua simpatia é muito grande. Torço para que faça muito sucesso e seja feliz !

Hora de falar dos membros da formação mais recente :

1) Isabela Johansen
        Isabela Johansen, cantora / instrumentista e compositora
 
Com uma juventude a flor da pele, Isabela trouxe muita vitalidade à banda, com sua verve Rock'n Roll acentuada. Guitarrista e vocalista de bandas "Indie", num passado próximo, Isabela revelou-se uma boa cantora e com performance bastante interessante no palco, a mostrar desenvoltura, poder de improviso, uma boa dose de loucura e muito carisma. Jovem, muito bonita e vivaz, claro que chamava bastante a atenção nos shows, mas Isabela era mais que um rostinho bonito, pois mostrou-nos ser boa cantora; instrumentista e compositora. Infelizmente, o desgaste de seu casamento com Ciro, respingou na banda, pois tornou-se impossível a sua permanência no trabalho, após a separação do casal. Atualmente, Isabela integra uma banda de Rock chamada "Taberna Escandinava" que tem feito uma boa escalada inicial de carreira, apesar de militar no mundo underground. Torço pelo sucesso dela, sempre.

2) Carlinhos Machado
Baterista de curriculum gigantesco, Carlinhos Machado somou mais um trabalho à sua enorme lista, ao ter tocado no Nudes, também

Não há muito o que acrescentar sobre Carlinhos Machado, visto que estamos a trabalhar juntos desde 2011 nos Kurandeiros, e ele esteve junto nos demais desdobramentos que essa banda teve / tem, incluso o Nudes. Portanto, só posso dizer que é um amigo de longa data, leal colega que muito ajudou-me em muitas circunstâncias, grande companheiro de conversas; lembranças & "causos" e um ótimo baterista, com o qual entrosei-me inteiramente, e é sempre bom saber que terei suas baquetas a favor de meu baixo a cada show.

3) Kim Kehl
Kim Kehl, guitarrista de muitas bandas e histórias acumuladas, a serviço dos Nudes, na foto acima
 
O mesmo raciocínio em relação ao Carlinhos, eu e Kim Kehl interagimos em muitos desdobramentos dos Kurandeiros, igualmente no caso do Nudes. Sou-lhe grato por ter telefonado-me num dia de julho de 2011, a formular-me proposta dupla de trabalho, sendo um dos empreendimentos, o Nudes de Ciro Pessoa. Sou-lhe grato também pelo companheirismo dentro do Nudes e sua capacidade como guitarrista, a trazer resoluções harmônicas e coloridos melódicos para esse trabalho, a honrar as tradições da psicodelia sessentista. Tais momentos deram-me o prazer de atuar ao vivo dentro de uma vertente do Rock que aprecio sobremaneira, portanto, apesar da escassez de oportunidades para essa banda, infelizmente, nas poucas vezes em que atuamos nos palcos, a psicodelia fez-se presente com galhardia. Estamos a trabalhar juntos nos Kurandeiros normalmente, e assim espero, por muito tempo.

4) Ciro Pessoa
Cantor / instrumentista / compositor e poeta / escritor, Ciro Pessoa, um baluarte do surrealismo / psicodelia, no Brasil
 
O protagonista mor desse trabalho, Ciro Pessoa surpreendeu-me positivamente, quando enfim conhecemo-nos na gelada noite de 24 de agosto de 2011, e ao proferir uma frase de efeito, cativou-me em torno de seus reais propósitos para com esse trabalho : "o futuro é Pink Floyd". Para quem enxerga a verdade expressa numa frase que para todos os efeitos revela o retrocesso, se interpretada cartesianamente, eis aí o porto seguro que tranquilizou-me a interagir artisticamente com um artista que eu pensava ter ideais antagônicos aos meus. Ciro tem grande capacidade criativa, é performático ao extremo e exerce tal loucura no palco, sem parcimônia. Com ele em cena, tudo é possível e eu adorava ter tal elemento ao meu lado como trunfo do trabalho. Sentia-me numa banda psicodélica a tocar no auditório Fillmore West em pleno 1967, com a loucura a dominar todas as ações. Como já explanei amplamente, Ciro mostra-se empolgado e empenhado com seu novo trabalho através da banda "Flying Chair". Espero que seja muito feliz nessa nova empreitada e atesto que a banda tem alta qualidade, visto que já resenhei seu álbum de estreia em meu Blog 1. Veja abaixo, o Link para saber de tal impressão que tive desse trabalho :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2017/08/flying-chair-1-album-por-luiz-domingues.html
                 Luiz Domingues em ação com o Nudes, em 2014

Para encerrar, agradeço ao Ciro Pessoa a oportunidade em tocar ao seu lado, a exercer a psicodelia, que é uma das vertentes que mais aprecio no Rock sessentista, e se tive lampejos dessa escola em alguns trabalhos pregressos que realizei, com outras bandas onde fui componente (bem sutilmente no "Pitbulls on Crack" e mais incisivamente no "Sidharta" e na "Patrulha do Espaço"), creio que no Nudes, pude exercer isso mais substancial e integralmente.

Está encerrada portanto a minha história com o "Nudes" (Nu Descendo a Escada), banda de apoio do cantor/ compositor e poeta, Ciro Pessoa.

Daqui em diante, as atualizações seguem com minha banda atual, Kim Kehl & Os Kurandeiros e sazonais novidades com trabalhos avulsos e / ou reencontros com bandas do meu passado e / ou campo aberto para trabalhos novos que possam surgir.

Grato por ler a história dessa etapa da minha carreira !

Até logo...

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Patrulha do Espaço / Atualizações - Capítulo 19 - Reencontro; Tesouros Resgatados & Pérolas Novas Encomendadas - Por Luiz Domingues

Após a minha participação como convidado de um show da Patrulha do Espaço, na condição de ex-componente, em junho de 2014, uma nova ocorrência com minha ex-banda apresentou-se no decorrer de 2016. Através de uma mensagem via "inbox", pela Rede Social Facebook, o Rolando Castello Junior disse-me que planejava lançar uma nova coletânea da banda e que nesse novo álbum, haveria a presença de mais algumas músicas da formação da qual fiz parte, algumas extraídas dos álbuns oficiais de estúdio que gravamos e outras decorrentes ainda daquele material que gravamos ao vivo numa temporada realizada no Centro Cultural São Paulo, em julho de 2004. De fato, da gravação de três shows dessa mini temporada no CCSP em 2004, lançamos o disco "Capturados ao Vivo no CCSP em 2004", e anos mais tarde o Junior lançou mais uma canção ao vivo dessa gravação / formação, num álbum híbrido, com material inédito e proveniente de uma formação mais moderna (em 2012), na condição de "Bonus Track", no caso, a canção "Rock com Roll". Agora, a meta seria uma coletânea a apresentar material da banda, tanto em faixas de estúdio quanto ao vivo, produzidas no período pós ano 2000, como uma espécie de continuação da tetralogia "Dossiê Volumes 1; 2; 3 & 4, que fez um apanhado de toda a carreira da banda de 1980 a 2000, com exceção dos dois anos iniciais da banda (1977 / 1979), a conter os dois primeiros discos da fase com Arnaldo Baptista, suprimidos por conta de direitos autorais presos a uma gravadora / editora, irredutível em ceder tal material, uma pena.

Fiquei contente com a novidade, é claro, e mantive-me na expectativa de tal lançamento. Esse contato ocorreu por volta de abril de 2016. Mais ou menos em agosto do mesmo ano, o Junior abordou-me novamente, dizendo estar com o disco pronto e que gostaria de entregar-me um lote de CD's da minha cota pessoal de recordação e pedindo-me para ficar também com o lote de Rodrigo Hid, com o qual marquei um café posteriormente, para entregar-lhe seu material. Pois foi assim então, na noite de 28 de agosto de 2016, encontrei-me com o Junior e sua atual esposa e vocalista da Patrulha, Marta Benévolo, no saguão do hotel onde estavam hospedados, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo. Ali, conversamos sobre os velhos tempos de nossa formação e mais detidamente sobre o lançamento dessa nova coletânea, em questão.

Denominada, "Aventuras Rockeiras no Século XXI", apresenta uma boa retrospectiva do que a Patrulha do Espaço produziu no novo século, a englobar logicamente a formação "Chrophágica", da qual fiz parte e com espaço generoso na concepção desse álbum, eu diria. Extraindo algumas canções de cada álbum, do CD "Chronophagia" para frente, incluso mais duas inéditas do mesmo bojo de canções gravadas para o disco ao vivo de 2004, nossa formação ocupa mais da metade dessa coletânea. Sobre o critério de escolha do material, o Junior disse-me ter decidido-se a priorizar mais os Rocks tradicionais e o Hard-Rock, já a projetar para o futuro o lançamento de uma segunda parte dessa coletânea, desta feita centrada no material progressivo e psicodélico que a banda produziu e certamente, se confirmar tal lançamento, tende a ser mais um disco baseado na nossa formação, pois as formações que sucederam-nos, levaram a banda para um trabalho mais pesado, quase beirando o Heavy-Metal, doravante.

Sobre o nosso material, então, as escolhas foram as seguintes :
1) CD Chronophagia - "Ser", "Tudo Vai Mudar" e "Retomada";
2) CD ".ComPacto" - "São Paulo City"; "Louco um Pouco Zen" e "Homem Carbono";
3) CD "Missão na Área 13" - "Universo Conspirante"; "One Nighter"; "Rock com Roll"; "Vou Rolar"; "For Loonies Only" e "Trampolim";
4) CD "Capturados ao Vivo no CCSP em 2004" - "Sai Dessa Vida" e "Vampiros".

A respeito do material extraído dos álbuns de estúdio não há muito a acrescentar. Falo então sobre as duas canções que não entraram no álbum ao vivo gravado em 2004. Trata-se de duas músicas clássicas do repertório antigo da banda, oriundas da fase do trio dos anos 1980, composto por Junior / Serginho / Dudu. Nota-se em ambas uma pegada setentista ainda ao sabor do Rock brasileiro daquela década e mesmo tendo sido gravadas no início dos anos oitenta pelo trio clássico citado, a intenção da banda ainda rezava por tal cartilha tradicionalista e portanto, quando gravadas pela nossa formação "Chronophágica", evidentemente que tiveram em nossa interpretação, a mesma intenção, naturalmente.

Em "Sai Dessa Vida", impressiona o som de baixo nessa captura. O Fender Precision ronca forte ao extremo. O riff inicial em 7/4 fica naquele limiar entre o Hard e o Prog Rock. Solos muito vigorosos e uma interpretação vocal solo de Rodrigo com muita força. Junior arrebenta com a levada e as viradas.

Sobre "Vampiros", essa canção que é uma composição do saudoso Ivo Rodrigues (sei que não consta do crédito oficial, mas o baixista, Carlão Gaertner, garantiu-me que essa canção tem a participação na autoria, de todos os componentes d'A Chave, e não somente o Ivo, como ficou marcado), ex-guitarrista e vocalista das lendárias bandas paranaenses, "A Chave" e "Blindagem". Nessa versão, Rodrigo Hid mais uma vez brilha no vocal solo. É bem verdade que o andamento está bem mais acelerado do que a gravação original de estúdio feita pela Patrulha, mas creio que tal entusiasmo soa bem nessa versão ao vivo. Marcello e Rodrigo brilham nas guitarras e o meu baixo, Fender Precision, segue o padrão da faixa anterior, com uma timbragem aguda, ardida, alguns graus a mais do que eu normalmente equalizo no amplificador para shows ao vivo, mas certamente fruto da masterização do CD que deve ter realçado os agudos, sobremaneira. A parte do solo principal que foi feita desdobrada tem um belo arranjo, gosto muito da sincronia de guitarras e baixo. O Junior arrebenta, impressionante como até numa levada aparentemente tranquila, ele dá um jeito de torná-la sofisticada, e com uma empolgação Rocker que só quem viveu os anos 1960 / 1970, sabe o que realmente significa. Os backing vocals são simples, mas aparecem com força. ao ouvir no headphone, minha voz está do lado direito e a do Marcello, no esquerdo.


Falando da concepção geral do CD, a masterização foi feita no estúdio Rocklab, em Goiânia / GO, sob a batuta do amigo, Gustavo Vasquez. Toda a parte de ilustrações ficou a cargo de Marta Benévolo e "Cerrado Goiano" e sinceramente não sei se este último trata-se de uma brincadeira, uma pessoa ou um espaço / estúdio onde foi feito o trabalho. As ilustrações aludem ao espaço sideral / astronautas e motivações análogas. Na capa principal, vê-se um foguete de concepção "futurista" ao sabor dos anos cinquenta do século passado, encravado no solo de um planeta / asteroide e três astronautas do lado de fora, a carregar baixo; guitarra & prato de bateria, usando uniformes espaciais bem "retrô", a parecer uma ilustração de Comics / HQ dessa época, portanto, numa concepção muito bonita e lúdica ao mesmo tempo.

Na parte interna, são várias lâminas, a apresentar o padrão típico das coletâneas produzidas pelo Rolando, com texto muito bem escrito ao explicar o teor do lançamento e situar o leitor / ouvinte na história enfocada da banda nesse período proposto; informações técnicas precisas sobre as canções; o disco em si; recheado com fotos das respectivas capas dos álbuns que cederam canções para a coletânea, e das formações da banda envolvidas nesse contexto. Produção geral e concepção de Rolando Castello Junior.

Luiz Domingues & Rodrigo Hid em 31 de agosto de 2016, numa padaria da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, ocasião em que além do café e da boa conversa, celebramos o lançamento da coletânea, "Aventuras Rockeiras no Século XXI", da Patrulha do Espaço, na qual ambos estamos representados em várias faixas provenientes de nossa participação na formação "Chrophágica" dessa banda. "Selfie", acervo e cortesia de Rodrigo Hid

Alguns dias depois de receber tal material das mãos do Junior, marquei um café com o Rodrigo Hid e entreguei-lhe sua cota de CD's desse lançamento. Assim, em 31 de agosto de 2016, encontramo-nos na padaria da esquina da minha rua e pudemos colocar a conversa em dia, e eu a entregar-lhe o material.

Achei que o próximo reencontro com ex-companheiros da Patrulha do Espaço dar-se-ia em um ano aproximadamente, com o possível lançamento do segundo volume dessa coletânea que o Junior disse-me estar planejando produzir, mas na verdade, veio bem antes e com direito a um show de reunião histórico e emocionante para todos. E melhor ainda, ao abrir outra oportunidade para um disco ao vivo a mais, gravado em pleno 2016... conto sobre essa aventura, agora

Conforme relatado anteriormente, a coletânea denominada "Aventuras Rockeiras no Século XXI" fora lançada em 2016, compreendendo um farto material da Patrulha do Espaço, focado na produção pós 2000, logicamente como sugere o título da obra.
Não repetirei a análise que já fiz amplamente acima, mas realço que claro que ficamos todos (referindo-me aos componentes de nossa formação), contentes com a inclusão de farto material de nossa fase e indo além, acho que na verdade, com predominância acentuada. Contudo, ainda em 2016, teríamos mais uma boa surpresa, motivada por outra produção pela qual o baterista Rolando Castello Junior empenhou-se e desta feita, sendo uma celebração sua, pessoal, mas logicamente a respingar em todos que interagiram com ele nos diversos trabalhos que realizou em sua carreira. A ideia em que estava trabalhando era a de realizar uma série de shows, aludindo aos seus principais trabalhos na carreira, e a primeira frente seria agrupar companheiros de diversas jornadas, e claro que tal produção não seria nada fácil, em princípio.

Ao final, quando uma logística delineou-se em torno dos companheiros que confirmaram presença nas apresentações, os shows foram montados da seguinte maneira : Patrulha do Espaço em formação atual + formação Chronophágica; Aeroblues e Inox.
A turnê foi montada para acontecer em São Paulo; Curitiba & Buenos Aires, e tudo foi gravado e filmado. Portanto, numa segunda etapa e isso ocorrerá ao final de 2017 / início de 2018, certamente, uma caixa será lançada com CD's e DVD's desses shows realizados. A caixa será naturalmente focada no espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira de Rolando Castello Junior, no que ele considera o início de sua carreira, em 1966, quando tinha apenas treze anos de idade. Ou seja, dez anos antes do meu início, que ocorreu em 1976.

Foto de nossa formação da Patrulha do Espaço, em fevereiro de 2001. Click de Ana Fuccia

Sobre o que concerne-me diretamente, tudo começou com uma mensagem do Junior no meu "inbox" da rede social, Facebook. Claro que aceitei o gentil convite da parte dele sobre participar e ficou ainda mais prazeroso ao saber que a minha presença estaria vinculada a uma reunião completa de nossa formação. E ao saber que todos os demais companheiros estavam confirmados, logicamente que senti-me feliz por essa oportunidade em reunirmo-nos após 12 anos de dissolução da nossa fase na história dessa banda. Um ensaio foi marcado para os estúdios "Orra Meu", de propriedade dos irmãos Schevano, que eu sabia de sua construção, há anos, e o próprio Marcello havia conversado comigo pela rede social Facebook, cerca de um ano antes, quando a estrutura física do empreendimento já estava praticamente pronta e ele queria saber se meu primo, Emmanuel Barreto, que era dono do Site Cultural "Orra Meu", não importar-se-ia em que os irmãos Schevano registrassem tal denominação para batizar seu estúdio. Fiz a ponte e meu primo sinalizou que não haveria problema algum e dessa forma, entrando com o protocolo no INPI, os irmãos Schevano selaram sua marca. Fui convidado a visitar suas instalações, mas ainda não havia tido uma oportunidade para tal. Os amigos da banda "Tomada" também haviam convidado-me a visitar as sessões de gravação de seu novo álbum, mas não fora possível realizar tal intento. Dessa forma, só fui tomar contato com o estúdio, no dia em que fui ensaiar com a Patrulha do Espaço, ao final de outubro de 2016, e fiquei boquiaberto com suas instalações; equipamentos e com o ritmo de atividades que já apresentava naquela altura, mesmo sendo ainda recém inaugurado. Em suma, fiquei impressionado com a qualidade das salas de ensaios e sobretudo das salas de gravação, que apresentam uma infraestrutura de estúdio de alto padrão norteamericano ou europeu. Fiquei muito orgulhoso desse sucesso pessoal dos irmãos Schevano, e claro que minha ligação com ambos é antiga, bastando olhar a minha autobiografia quando cito-os desde que Ricardo Schevano apresentou-se para ser meu aluno, no longínquo ano de 1994, trazendo seu irmão caçula, Marcello para a minha sala de aulas e dali veio toda a interação que tive com a primeira banda deles, o "Essex"; depois o Sidharta e a Patrulha do Espaço com o Marcello etc.

Na copa do estúdio "Orra Meu", a formação Chronophágica da Patrulha do Espaço, reunida após 12 anos da dissolução dessa fase na história da banda. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rolando Castello Junior; Rodrigo Hid; Marcello Schevanno e a presença do vocalista do "Carro Bomba", Rogério Fernandes, a interagir conosco na conversa. Outubro de 2016. Foto : Daniel "Kid"

Encontrei-me com Marcello Schevano e Rodrigo Hid nas dependências do complexo de estúdios Orra Meu, localizado no bairro da Saúde, em São Paulo, e logo a seguir, encontrei-me com o Junior na copa do mesmo. E como se não bastasse ter essa estrutura toda, eles ainda possuem uma laje externa imensa e que dá margem à construção de mais salas de estúdios e até um auditório que tranquilamente comportaria 200 pessoas bem instaladas, para a realização de shows. Por ora, é apenas uma espécie de "fumódromo" do estúdio, e a visão que tem-se ali de uma parte do bairro, com uma impressionante selva de pedra, ultra urbana, é incrível, principalmente no período noturno.


A banda a ensaiar e a fazer aquele som Rocker e com a volúpia de outrora, resgatada. Viva a Chonophagia ! Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rodrigo Hid e Marcello Schevano na linha de frente, com Rolando Castello Junior na bateria, pronto a realizar suas viradas impossíveis. Estúdio Orra Meu, São Paulo. Outubro de 2016. Foto : Daniel "Kid"

Ensaiamos e foi muito prazeroso tocar aquelas oito músicas previamente escolhidas para o show ("Ser"; "Tudo Vai Mudar"; "Nave Ave"; "São Paulo City"; "Homem Carbono"; "Rock com Roll"; "Vou Rolar" e "One Nighter"). Na hora do ensaio, "One Nighter" foi cortada, por questão de falta de espaço, visto que dividiríamos o espetáculo com a formação atual da Patrulha + convidados. Então, fechou-se em sete canções. Outro ponto sobre o critério de escolha das canções, privilegiou-se o repertório mais Hard-Rock / Rock'n Roll, com a inclusão de apenas um número progressivo, no caso de "Nave Ave". A falta de tempo para ensaiar e sobretudo a necessidade em coibir exageros pensando no "todo" do show, fez com que essa escolha fosse a mais acertada.
Foi ótimo ensaiar com os antigos colegas e tocar aquelas canções com a velha volúpia Rocker da Patrulha do Espaço de nossa formação, sendo claro que comentamos que no futuro ficaria aberta a possibilidade de uma nova reunião para dessa vez, haver mais espaço de tempo e a inclusão de temas mais progressivos no repertório. Não havia muito tempo para ensaiar, visto que outros ensaios estavam marcados com outros convidados e o bloco de shows com o Alejandro Medina a envolver o som da banda porteña, "Aeroblues", onde o Junior foi membro, além do "Inox", outro trabalho dele, desta feita nos anos oitenta, precisavam ocorrer e dessa forma, marcou-se mais um ensaio apenas e só para passar o set, sem repetições, para dali a dois dias e esse apronto rápido só comportava mesmo a presença do repertório mais Hard-Rock, mesmo, sem chance para os temas progressivos e psicodélicos.
Bem, agora reunir-nos-íamos no dia 4 de novembro de 2016, no palco do Sesc Belenzinho, em São Paulo.

Hora do show, hora de homenagear a carreira de um dos Rockers mais perseverantes da história do Rock brasileiro e também de celebrar uma formação que muito orgulhosamente digo que está na história da Patrulha do Espaço e muito além, no Rock brasileiro. A expectativa era grande, pois se em 2014 eu havia tocado num show da Patrulha como convidado e nesse mesmo show, o Marcello esteve conosco no mesmo palco, desta vez, com a presença garantida de Rodrigo Hid, nós obviamente tínhamos desta feita, a nossa formação na sua totalidade e não seriam apenas duas músicas, mas um show de choque, a ocupar quase a metade do espetáculo.

Patrulha do Espaço em sua formação "Chronophágica" (1999 / 2004), a ensaiar dias antes do show, no estúdio Orra Meu, de São Paulo. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rodrigo Hid; Marcello Schevano e na bateria, Rolando Castello Junior. Click de Daniel "Kid"

Cheguei no horário combinado para aguardar a realização do soundcheck, nas amplas dependências do Sesc Belenzinho. Já havia tocado ali com o Pedra, em fevereiro de 2013, mas no seu belo teatro. Desta feita realizar-se-ia o espetáculo na dita "Comedoria", um neologismo que criaram para designar um imenso salão onde existe um restaurante e uma lanchonete e ali realizam-se também shows musicais. Sem nenhum prejuízo artístico, o espaço chega a ser muito maior que o da famosa Chopperia do Sesc Pompeia, portanto, com um palco grande, a conter PA de enorme pressão e iluminação no mesmo padrão de um teatro, realizar shows ali é garantia de uma exibição sob alto padrão. Como o objetivo era gravar todos os shows, vi que a unidade móvel do estúdio Orra Meu estava ali e com os irmãos Schevano e dois ou três técnicos a trabalhar intensamente. Sou informado de que tais profissionais são altamente gabaritados na produção de áudio e que foram professores dos Schevano no curso que fizeram de operação / gravação de áudio, tempos atrás, na renomada escola de áudio, IAV.



Fotos do soundcheck e no camarim com o amigo, Cesar Gavin, baixista e blogueiro da pesada. Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016  Clicks todos dele, Cesar Gavin 

Christine Funke, uma produtora musical que conheci em 2014, por ocasião do show Tributo em que participei em homenagem ao grande Hélcio Aguirra, e que tornara-se muito amiga minha e de meus companheiros nos Kurandeiros de Kim Kehl, seria a "road manager" dos shows, o que deu-me alegria, dada a nossa amizade sedimentada. No camarim, passei longo tempo conversando com Marta Benévolo e Daniel Dalello, vocalista e baixista da atual formação da Patrulha e ambos, muito gentis, com o tempo passando prazerosamente pela boa prosa regada a café com torradas. Aos poucos, muita gente conhecida foi chegando e agregando-se ao clima leve do camarim. O ótimo guitarrista, Carlinhos Anhaia, um especialista em Country Rock; Paulão Thomaz, meu amigo desde 1984, mais ou menos; o extraordinário, Ivan Busic, que relembrou a gravação do LP The Key, da Chave do Sol em 1987, e como gravou a faixa, "A Woman Like You", sem a esteira da caixa ativada...  

Muita gente amiga no camarim. Da esquerda para a direita, Marta (esposa de Paulo Zinner); Mariana Schevano (esposa de Marcello Schevano); Rogério Fernandes (vocalista do Carro Bomba); Paulão Thomaz (atualmente no Kamboja); Paulo Zinner e Luiz Domingues. Na frente, agachados, Paulinho "Heavy" (Inox) e Cesar Gavin (baixista e blogueiro). Foto : Bolívia & Cátia 

E tinha mais, os roadies da nossa fase, Samuel Wagner e Daniel "Kid", e cheguei a comentar com eles e na presença de Rodrigo Hid por perto : - "só faltou o nosso motorista, o "seu" Walter e seus gritos ensandecidos : -"sai da frente do azulão, seus FDP" !!
Rogério Fernandes, vocalista do "Carro Bomba" e Paulinho "Heavy", vocalista do Inox, e o excepcional, Paulo Zinner, também circulavam pelo camarim festivo. Outra figura sensacional, o baixista e agitador cultural / blogueiro da pesada, Cesar Gavin, aproveitou a ocasião para gravar diversas entrevistas nos bastidores, eu incluso, e claro, com o foco no Rolando, o grande homenageado dessa celebração toda. Conversamos muito sobre o meu livro, minha carreira, com direito a outros trabalhos por onde passei e foi muito prazeroso esse contato com um dos agitadores culturais mais bacanas do métier.


Amigos queridos e personagens super citados no meu livro, em épocas e situações diferentes e / ou paralelas. Da esquerda para a direita : Marcelo "Pepe" Bueno (baixista do Tomada e meu ex- aluno); Cesar Gavin (baixista e blogueiro / agitador cultural); eu mesmo, Luiz Domingues; Luiz Carlos Calanca (dono da loja / gravadora "Baratos Afins" e produtor de dois discos da Chave do Sol, nos anos oitenta), e Luciano "Deca"(guitarrista e meu colega de Pitbullls on Crack nos anos noventa... we've have a lift off !!). Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Foto : Bolívia & Cátia


Soundcheck realizado sem muita demora, a pressão estava boa no palco e agora era aguardar o início do espetáculo que dar-se-ia com a Patrulha atual (mas nem tanto, pois o guitarrista titular, Danilo Zenite, não pode comparecer e assim, Marcello Schevano, assumiu), com vários convidados avulsos, incluso a esposa do Marcello (Mariana Schevano), que tocou bateria na música "Robot". Quando chegou a nossa vez, assim que subi ao palco, vi que uma reação muito forte irrompeu na plateia, e mirando nos rostos das pessoas, pude ver em seus semblantes, uma emoção sincera. Tal sentimento batia de encontro com a nossa em estar revivendo a nossa formação. Não era uma "volta", todos estão comprometidos com outros trabalhos e o Rolando toca a Patrulha do Espaço para frente com sua nova formação e ele mesmo tem outros trabalhos paralelos. Mas um show de choque, doze anos depois foi um prazer, claro e acima de tudo, uma oportunidade de resgate e um presente aos fãs do trabalho.




Doze anos depois e a formação Chronophágica da Patrulha do Espaço, novamente reunida. Uma mágica só possível graças ao "Pote de Pokst", certamente... Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos : João Pirovic 

Tocamos com muita garra o nosso repertório e mesmo não tendo havido tempo hábil para mais ensaios e apuro, os pequenos erros cometidos foram irrelevantes e creio termos feito uma apresentação na altura das que fazíamos quando estávamos unidos a trabalhar regularmente e em grande forma artística.




Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos : Leandro Almeida 

Foi um prazer enorme tocar "Tudo Vai Mudar", pela canção em si, mas sobretudo pelo que representa em termos de "espírito chronophágico", o que sonhávamos mudar, o "religare" com que tanto sonhei, enfim... 






Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos :Bolívia & Cátia

O público respondeu com muito calor humano e senti muitos flashs de máquinas fotográficas, e as inevitáveis filmagens com telefones celulares e tablets. De fato, horas depois e já havia repercussão com tal material pelas redes sociais, o que foi bem interessante e espelhou bem o clima dessa apresentação.





Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos : Robson Tiburcio Paiva 

Missão cumprida, não na "Área 13", mas uma página avançada da formação chronophágica foi escrita nessa noite de 4 de novembro de 2016. Estava de parabéns o Rolando pelos seus 50 anos de carreira e sem ceder nem um milímetro em suas convicções Rockers, o que num país como o Brasil, tem valor dobrado, ou muito mais que isso.


"Tudo Vai Mudar" ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Postado por Washington Santos


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=cPEn1u834IQ

"Homem Carbono" ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Postado por Washington Santos    
 

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=cPEn1u834IQ   

E fica a perspectiva de mais um capítulo para a Patrulha do Espaço, entre o final de 2017 e início de 2018, quando fatalmente descreverei o lançamento dos CD's e DVD's dessa caixa comemorativa que será lançada dessa turnê.

Luiz Domingues em destaque, como nos velhos tempos em que exercia a "Retomada" do sonho dos "Sixties", a bordo dessa nave. Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Foto : Regina de Fátima Galassi

Portanto, continua...
mas sem data definida para a publicação do próximo capítulo.