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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Patrulha do Espaço / Atualizações - Capítulo 19 - Reencontro; Tesouros Resgatados & Pérolas Novas Encomendadas - Por Luiz Domingues

Após a minha participação como convidado de um show da Patrulha do Espaço, na condição de ex-componente, em junho de 2014, uma nova ocorrência com minha ex-banda apresentou-se no decorrer de 2016. Através de uma mensagem via "inbox", pela Rede Social Facebook, o Rolando Castello Junior disse-me que planejava lançar uma nova coletânea da banda e que nesse novo álbum, haveria a presença de mais algumas músicas da formação da qual fiz parte, algumas extraídas dos álbuns oficiais de estúdio que gravamos e outras decorrentes ainda daquele material que gravamos ao vivo numa temporada realizada no Centro Cultural São Paulo, em julho de 2004. De fato, da gravação de três shows dessa mini temporada no CCSP em 2004, lançamos o disco "Capturados ao Vivo no CCSP em 2004", e anos mais tarde o Junior lançou mais uma canção ao vivo dessa gravação / formação, num álbum híbrido, com material inédito e proveniente de uma formação mais moderna (em 2012), na condição de "Bonus Track", no caso, a canção "Rock com Roll". Agora, a meta seria uma coletânea a apresentar material da banda, tanto em faixas de estúdio quanto ao vivo, produzidas no período pós ano 2000, como uma espécie de continuação da tetralogia "Dossiê Volumes 1; 2; 3 & 4, que fez um apanhado de toda a carreira da banda de 1980 a 2000, com exceção dos dois anos iniciais da banda (1977 / 1979), a conter os dois primeiros discos da fase com Arnaldo Baptista, suprimidos por conta de direitos autorais presos a uma gravadora / editora, irredutível em ceder tal material, uma pena.

Fiquei contente com a novidade, é claro, e mantive-me na expectativa de tal lançamento. Esse contato ocorreu por volta de abril de 2016. Mais ou menos em agosto do mesmo ano, o Junior abordou-me novamente, dizendo estar com o disco pronto e que gostaria de entregar-me um lote de CD's da minha cota pessoal de recordação e pedindo-me para ficar também com o lote de Rodrigo Hid, com o qual marquei um café posteriormente, para entregar-lhe seu material. Pois foi assim então, na noite de 28 de agosto de 2016, encontrei-me com o Junior e sua atual esposa e vocalista da Patrulha, Marta Benévolo, no saguão do hotel onde estavam hospedados, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo. Ali, conversamos sobre os velhos tempos de nossa formação e mais detidamente sobre o lançamento dessa nova coletânea, em questão.

Denominada, "Aventuras Rockeiras no Século XXI", apresenta uma boa retrospectiva do que a Patrulha do Espaço produziu no novo século, a englobar logicamente a formação "Chrophágica", da qual fiz parte e com espaço generoso na concepção desse álbum, eu diria. Extraindo algumas canções de cada álbum, do CD "Chronophagia" para frente, incluso mais duas inéditas do mesmo bojo de canções gravadas para o disco ao vivo de 2004, nossa formação ocupa mais da metade dessa coletânea. Sobre o critério de escolha do material, o Junior disse-me ter decidido-se a priorizar mais os Rocks tradicionais e o Hard-Rock, já a projetar para o futuro o lançamento de uma segunda parte dessa coletânea, desta feita centrada no material progressivo e psicodélico que a banda produziu e certamente, se confirmar tal lançamento, tende a ser mais um disco baseado na nossa formação, pois as formações que sucederam-nos, levaram a banda para um trabalho mais pesado, quase beirando o Heavy-Metal, doravante.

Sobre o nosso material, então, as escolhas foram as seguintes :
1) CD Chronophagia - "Ser", "Tudo Vai Mudar" e "Retomada";
2) CD ".ComPacto" - "São Paulo City"; "Louco um Pouco Zen" e "Homem Carbono";
3) CD "Missão na Área 13" - "Universo Conspirante"; "One Nighter"; "Rock com Roll"; "Vou Rolar"; "For Loonies Only" e "Trampolim";
4) CD "Capturados ao Vivo no CCSP em 2004" - "Sai Dessa Vida" e "Vampiros".

A respeito do material extraído dos álbuns de estúdio não há muito a acrescentar. Falo então sobre as duas canções que não entraram no álbum ao vivo gravado em 2004. Trata-se de duas músicas clássicas do repertório antigo da banda, oriundas da fase do trio dos anos 1980, composto por Junior / Serginho / Dudu. Nota-se em ambas uma pegada setentista ainda ao sabor do Rock brasileiro daquela década e mesmo tendo sido gravadas no início dos anos oitenta pelo trio clássico citado, a intenção da banda ainda rezava por tal cartilha tradicionalista e portanto, quando gravadas pela nossa formação "Chronophágica", evidentemente que tiveram em nossa interpretação, a mesma intenção, naturalmente.

Em "Sai Dessa Vida", impressiona o som de baixo nessa captura. O Fender Precision ronca forte ao extremo. O riff inicial em 7/4 fica naquele limiar entre o Hard e o Prog Rock. Solos muito vigorosos e uma interpretação vocal solo de Rodrigo com muita força. Junior arrebenta com a levada e as viradas.

Sobre "Vampiros", essa canção que é uma composição do saudoso Ivo Rodrigues (sei que não consta do crédito oficial, mas o baixista, Carlão Gaertner, garantiu-me que essa canção tem a participação na autoria, de todos os componentes d'A Chave, e não somente o Ivo, como ficou marcado), ex-guitarrista e vocalista das lendárias bandas paranaenses, "A Chave" e "Blindagem". Nessa versão, Rodrigo Hid mais uma vez brilha no vocal solo. É bem verdade que o andamento está bem mais acelerado do que a gravação original de estúdio feita pela Patrulha, mas creio que tal entusiasmo soa bem nessa versão ao vivo. Marcello e Rodrigo brilham nas guitarras e o meu baixo, Fender Precision, segue o padrão da faixa anterior, com uma timbragem aguda, ardida, alguns graus a mais do que eu normalmente equalizo no amplificador para shows ao vivo, mas certamente fruto da masterização do CD que deve ter realçado os agudos, sobremaneira. A parte do solo principal que foi feita desdobrada tem um belo arranjo, gosto muito da sincronia de guitarras e baixo. O Junior arrebenta, impressionante como até numa levada aparentemente tranquila, ele dá um jeito de torná-la sofisticada, e com uma empolgação Rocker que só quem viveu os anos 1960 / 1970, sabe o que realmente significa. Os backing vocals são simples, mas aparecem com força. ao ouvir no headphone, minha voz está do lado direito e a do Marcello, no esquerdo.


Falando da concepção geral do CD, a masterização foi feita no estúdio Rocklab, em Goiânia / GO, sob a batuta do amigo, Gustavo Vasquez. Toda a parte de ilustrações ficou a cargo de Marta Benévolo e "Cerrado Goiano" e sinceramente não sei se este último trata-se de uma brincadeira, uma pessoa ou um espaço / estúdio onde foi feito o trabalho. As ilustrações aludem ao espaço sideral / astronautas e motivações análogas. Na capa principal, vê-se um foguete de concepção "futurista" ao sabor dos anos cinquenta do século passado, encravado no solo de um planeta / asteroide e três astronautas do lado de fora, a carregar baixo; guitarra & prato de bateria, usando uniformes espaciais bem "retrô", a parecer uma ilustração de Comics / HQ dessa época, portanto, numa concepção muito bonita e lúdica ao mesmo tempo.

Na parte interna, são várias lâminas, a apresentar o padrão típico das coletâneas produzidas pelo Rolando, com texto muito bem escrito ao explicar o teor do lançamento e situar o leitor / ouvinte na história enfocada da banda nesse período proposto; informações técnicas precisas sobre as canções; o disco em si; recheado com fotos das respectivas capas dos álbuns que cederam canções para a coletânea, e das formações da banda envolvidas nesse contexto. Produção geral e concepção de Rolando Castello Junior.

Luiz Domingues & Rodrigo Hid em 31 de agosto de 2016, numa padaria da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, ocasião em que além do café e da boa conversa, celebramos o lançamento da coletânea, "Aventuras Rockeiras no Século XXI", da Patrulha do Espaço, na qual ambos estamos representados em várias faixas provenientes de nossa participação na formação "Chrophágica" dessa banda. "Selfie", acervo e cortesia de Rodrigo Hid

Alguns dias depois de receber tal material das mãos do Junior, marquei um café com o Rodrigo Hid e entreguei-lhe sua cota de CD's desse lançamento. Assim, em 31 de agosto de 2016, encontramo-nos na padaria da esquina da minha rua e pudemos colocar a conversa em dia, e eu a entregar-lhe o material.

Achei que o próximo reencontro com ex-companheiros da Patrulha do Espaço dar-se-ia em um ano aproximadamente, com o possível lançamento do segundo volume dessa coletânea que o Junior disse-me estar planejando produzir, mas na verdade, veio bem antes e com direito a um show de reunião histórico e emocionante para todos. E melhor ainda, ao abrir outra oportunidade para um disco ao vivo a mais, gravado em pleno 2016... conto sobre essa aventura, agora

Conforme relatado anteriormente, a coletânea denominada "Aventuras Rockeiras no Século XXI" fora lançada em 2016, compreendendo um farto material da Patrulha do Espaço, focado na produção pós 2000, logicamente como sugere o título da obra.
Não repetirei a análise que já fiz amplamente acima, mas realço que claro que ficamos todos (referindo-me aos componentes de nossa formação), contentes com a inclusão de farto material de nossa fase e indo além, acho que na verdade, com predominância acentuada. Contudo, ainda em 2016, teríamos mais uma boa surpresa, motivada por outra produção pela qual o baterista Rolando Castello Junior empenhou-se e desta feita, sendo uma celebração sua, pessoal, mas logicamente a respingar em todos que interagiram com ele nos diversos trabalhos que realizou em sua carreira. A ideia em que estava trabalhando era a de realizar uma série de shows, aludindo aos seus principais trabalhos na carreira, e a primeira frente seria agrupar companheiros de diversas jornadas, e claro que tal produção não seria nada fácil, em princípio.

Ao final, quando uma logística delineou-se em torno dos companheiros que confirmaram presença nas apresentações, os shows foram montados da seguinte maneira : Patrulha do Espaço em formação atual + formação Chronophágica; Aeroblues e Inox.
A turnê foi montada para acontecer em São Paulo; Curitiba & Buenos Aires, e tudo foi gravado e filmado. Portanto, numa segunda etapa e isso ocorrerá ao final de 2017 / início de 2018, certamente, uma caixa será lançada com CD's e DVD's desses shows realizados. A caixa será naturalmente focada no espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira de Rolando Castello Junior, no que ele considera o início de sua carreira, em 1966, quando tinha apenas treze anos de idade. Ou seja, dez anos antes do meu início, que ocorreu em 1976.

Foto de nossa formação da Patrulha do Espaço, em fevereiro de 2001. Click de Ana Fuccia

Sobre o que concerne-me diretamente, tudo começou com uma mensagem do Junior no meu "inbox" da rede social, Facebook. Claro que aceitei o gentil convite da parte dele sobre participar e ficou ainda mais prazeroso ao saber que a minha presença estaria vinculada a uma reunião completa de nossa formação. E ao saber que todos os demais companheiros estavam confirmados, logicamente que senti-me feliz por essa oportunidade em reunirmo-nos após 12 anos de dissolução da nossa fase na história dessa banda. Um ensaio foi marcado para os estúdios "Orra Meu", de propriedade dos irmãos Schevano, que eu sabia de sua construção, há anos, e o próprio Marcello havia conversado comigo pela rede social Facebook, cerca de um ano antes, quando a estrutura física do empreendimento já estava praticamente pronta e ele queria saber se meu primo, Emmanuel Barreto, que era dono do Site Cultural "Orra Meu", não importar-se-ia em que os irmãos Schevano registrassem tal denominação para batizar seu estúdio. Fiz a ponte e meu primo sinalizou que não haveria problema algum e dessa forma, entrando com o protocolo no INPI, os irmãos Schevano selaram sua marca. Fui convidado a visitar suas instalações, mas ainda não havia tido uma oportunidade para tal. Os amigos da banda "Tomada" também haviam convidado-me a visitar as sessões de gravação de seu novo álbum, mas não fora possível realizar tal intento. Dessa forma, só fui tomar contato com o estúdio, no dia em que fui ensaiar com a Patrulha do Espaço, ao final de outubro de 2016, e fiquei boquiaberto com suas instalações; equipamentos e com o ritmo de atividades que já apresentava naquela altura, mesmo sendo ainda recém inaugurado. Em suma, fiquei impressionado com a qualidade das salas de ensaios e sobretudo das salas de gravação, que apresentam uma infraestrutura de estúdio de alto padrão norteamericano ou europeu. Fiquei muito orgulhoso desse sucesso pessoal dos irmãos Schevano, e claro que minha ligação com ambos é antiga, bastando olhar a minha autobiografia quando cito-os desde que Ricardo Schevano apresentou-se para ser meu aluno, no longínquo ano de 1994, trazendo seu irmão caçula, Marcello para a minha sala de aulas e dali veio toda a interação que tive com a primeira banda deles, o "Essex"; depois o Sidharta e a Patrulha do Espaço com o Marcello etc.

Na copa do estúdio "Orra Meu", a formação Chronophágica da Patrulha do Espaço, reunida após 12 anos da dissolução dessa fase na história da banda. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rolando Castello Junior; Rodrigo Hid; Marcello Schevanno e a presença do vocalista do "Carro Bomba", Rogério Fernandes, a interagir conosco na conversa. Outubro de 2016. Foto : Daniel "Kid"

Encontrei-me com Marcello Schevano e Rodrigo Hid nas dependências do complexo de estúdios Orra Meu, localizado no bairro da Saúde, em São Paulo, e logo a seguir, encontrei-me com o Junior na copa do mesmo. E como se não bastasse ter essa estrutura toda, eles ainda possuem uma laje externa imensa e que dá margem à construção de mais salas de estúdios e até um auditório que tranquilamente comportaria 200 pessoas bem instaladas, para a realização de shows. Por ora, é apenas uma espécie de "fumódromo" do estúdio, e a visão que tem-se ali de uma parte do bairro, com uma impressionante selva de pedra, ultra urbana, é incrível, principalmente no período noturno.


A banda a ensaiar e a fazer aquele som Rocker e com a volúpia de outrora, resgatada. Viva a Chonophagia ! Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rodrigo Hid e Marcello Schevano na linha de frente, com Rolando Castello Junior na bateria, pronto a realizar suas viradas impossíveis. Estúdio Orra Meu, São Paulo. Outubro de 2016. Foto : Daniel "Kid"

Ensaiamos e foi muito prazeroso tocar aquelas oito músicas previamente escolhidas para o show ("Ser"; "Tudo Vai Mudar"; "Nave Ave"; "São Paulo City"; "Homem Carbono"; "Rock com Roll"; "Vou Rolar" e "One Nighter"). Na hora do ensaio, "One Nighter" foi cortada, por questão de falta de espaço, visto que dividiríamos o espetáculo com a formação atual da Patrulha + convidados. Então, fechou-se em sete canções. Outro ponto sobre o critério de escolha das canções, privilegiou-se o repertório mais Hard-Rock / Rock'n Roll, com a inclusão de apenas um número progressivo, no caso de "Nave Ave". A falta de tempo para ensaiar e sobretudo a necessidade em coibir exageros pensando no "todo" do show, fez com que essa escolha fosse a mais acertada.
Foi ótimo ensaiar com os antigos colegas e tocar aquelas canções com a velha volúpia Rocker da Patrulha do Espaço de nossa formação, sendo claro que comentamos que no futuro ficaria aberta a possibilidade de uma nova reunião para dessa vez, haver mais espaço de tempo e a inclusão de temas mais progressivos no repertório. Não havia muito tempo para ensaiar, visto que outros ensaios estavam marcados com outros convidados e o bloco de shows com o Alejandro Medina a envolver o som da banda porteña, "Aeroblues", onde o Junior foi membro, além do "Inox", outro trabalho dele, desta feita nos anos oitenta, precisavam ocorrer e dessa forma, marcou-se mais um ensaio apenas e só para passar o set, sem repetições, para dali a dois dias e esse apronto rápido só comportava mesmo a presença do repertório mais Hard-Rock, mesmo, sem chance para os temas progressivos e psicodélicos.
Bem, agora reunir-nos-íamos no dia 4 de novembro de 2016, no palco do Sesc Belenzinho, em São Paulo.

Hora do show, hora de homenagear a carreira de um dos Rockers mais perseverantes da história do Rock brasileiro e também de celebrar uma formação que muito orgulhosamente digo que está na história da Patrulha do Espaço e muito além, no Rock brasileiro. A expectativa era grande, pois se em 2014 eu havia tocado num show da Patrulha como convidado e nesse mesmo show, o Marcello esteve conosco no mesmo palco, desta vez, com a presença garantida de Rodrigo Hid, nós obviamente tínhamos desta feita, a nossa formação na sua totalidade e não seriam apenas duas músicas, mas um show de choque, a ocupar quase a metade do espetáculo.

Patrulha do Espaço em sua formação "Chronophágica" (1999 / 2004), a ensaiar dias antes do show, no estúdio Orra Meu, de São Paulo. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rodrigo Hid; Marcello Schevano e na bateria, Rolando Castello Junior. Click de Daniel "Kid"

Cheguei no horário combinado para aguardar a realização do soundcheck, nas amplas dependências do Sesc Belenzinho. Já havia tocado ali com o Pedra, em fevereiro de 2013, mas no seu belo teatro. Desta feita realizar-se-ia o espetáculo na dita "Comedoria", um neologismo que criaram para designar um imenso salão onde existe um restaurante e uma lanchonete e ali realizam-se também shows musicais. Sem nenhum prejuízo artístico, o espaço chega a ser muito maior que o da famosa Chopperia do Sesc Pompeia, portanto, com um palco grande, a conter PA de enorme pressão e iluminação no mesmo padrão de um teatro, realizar shows ali é garantia de uma exibição sob alto padrão. Como o objetivo era gravar todos os shows, vi que a unidade móvel do estúdio Orra Meu estava ali e com os irmãos Schevano e dois ou três técnicos a trabalhar intensamente. Sou informado de que tais profissionais são altamente gabaritados na produção de áudio e que foram professores dos Schevano no curso que fizeram de operação / gravação de áudio, tempos atrás, na renomada escola de áudio, IAV.



Fotos do soundcheck e no camarim com o amigo, Cesar Gavin, baixista e blogueiro da pesada. Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016  Clicks todos dele, Cesar Gavin 

Christine Funke, uma produtora musical que conheci em 2014, por ocasião do show Tributo em que participei em homenagem ao grande Hélcio Aguirra, e que tornara-se muito amiga minha e de meus companheiros nos Kurandeiros de Kim Kehl, seria a "road manager" dos shows, o que deu-me alegria, dada a nossa amizade sedimentada. No camarim, passei longo tempo conversando com Marta Benévolo e Daniel Dalello, vocalista e baixista da atual formação da Patrulha e ambos, muito gentis, com o tempo passando prazerosamente pela boa prosa regada a café com torradas. Aos poucos, muita gente conhecida foi chegando e agregando-se ao clima leve do camarim. O ótimo guitarrista, Carlinhos Anhaia, um especialista em Country Rock; Paulão Thomaz, meu amigo desde 1984, mais ou menos; o extraordinário, Ivan Busic, que relembrou a gravação do LP The Key, da Chave do Sol em 1987, e como gravou a faixa, "A Woman Like You", sem a esteira da caixa ativada...  

Muita gente amiga no camarim. Da esquerda para a direita, Marta (esposa de Paulo Zinner); Mariana Schevano (esposa de Marcello Schevano); Rogério Fernandes (vocalista do Carro Bomba); Paulão Thomaz (atualmente no Kamboja); Paulo Zinner e Luiz Domingues. Na frente, agachados, Paulinho "Heavy" (Inox) e Cesar Gavin (baixista e blogueiro). Foto : Bolívia & Cátia 

E tinha mais, os roadies da nossa fase, Samuel Wagner e Daniel "Kid", e cheguei a comentar com eles e na presença de Rodrigo Hid por perto : - "só faltou o nosso motorista, o "seu" Walter e seus gritos ensandecidos : -"sai da frente do azulão, seus FDP" !!
Rogério Fernandes, vocalista do "Carro Bomba" e Paulinho "Heavy", vocalista do Inox, e o excepcional, Paulo Zinner, também circulavam pelo camarim festivo. Outra figura sensacional, o baixista e agitador cultural / blogueiro da pesada, Cesar Gavin, aproveitou a ocasião para gravar diversas entrevistas nos bastidores, eu incluso, e claro, com o foco no Rolando, o grande homenageado dessa celebração toda. Conversamos muito sobre o meu livro, minha carreira, com direito a outros trabalhos por onde passei e foi muito prazeroso esse contato com um dos agitadores culturais mais bacanas do métier.


Amigos queridos e personagens super citados no meu livro, em épocas e situações diferentes e / ou paralelas. Da esquerda para a direita : Marcelo "Pepe" Bueno (baixista do Tomada e meu ex- aluno); Cesar Gavin (baixista e blogueiro / agitador cultural); eu mesmo, Luiz Domingues; Luiz Carlos Calanca (dono da loja / gravadora "Baratos Afins" e produtor de dois discos da Chave do Sol, nos anos oitenta), e Luciano "Deca"(guitarrista e meu colega de Pitbullls on Crack nos anos noventa... we've have a lift off !!). Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Foto : Bolívia & Cátia


Soundcheck realizado sem muita demora, a pressão estava boa no palco e agora era aguardar o início do espetáculo que dar-se-ia com a Patrulha atual (mas nem tanto, pois o guitarrista titular, Danilo Zenite, não pode comparecer e assim, Marcello Schevano, assumiu), com vários convidados avulsos, incluso a esposa do Marcello (Mariana Schevano), que tocou bateria na música "Robot". Quando chegou a nossa vez, assim que subi ao palco, vi que uma reação muito forte irrompeu na plateia, e mirando nos rostos das pessoas, pude ver em seus semblantes, uma emoção sincera. Tal sentimento batia de encontro com a nossa em estar revivendo a nossa formação. Não era uma "volta", todos estão comprometidos com outros trabalhos e o Rolando toca a Patrulha do Espaço para frente com sua nova formação e ele mesmo tem outros trabalhos paralelos. Mas um show de choque, doze anos depois foi um prazer, claro e acima de tudo, uma oportunidade de resgate e um presente aos fãs do trabalho.




Doze anos depois e a formação Chronophágica da Patrulha do Espaço, novamente reunida. Uma mágica só possível graças ao "Pote de Pokst", certamente... Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos : João Pirovic 

Tocamos com muita garra o nosso repertório e mesmo não tendo havido tempo hábil para mais ensaios e apuro, os pequenos erros cometidos foram irrelevantes e creio termos feito uma apresentação na altura das que fazíamos quando estávamos unidos a trabalhar regularmente e em grande forma artística.




Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos : Leandro Almeida 

Foi um prazer enorme tocar "Tudo Vai Mudar", pela canção em si, mas sobretudo pelo que representa em termos de "espírito chronophágico", o que sonhávamos mudar, o "religare" com que tanto sonhei, enfim... 






Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos :Bolívia & Cátia

O público respondeu com muito calor humano e senti muitos flashs de máquinas fotográficas, e as inevitáveis filmagens com telefones celulares e tablets. De fato, horas depois e já havia repercussão com tal material pelas redes sociais, o que foi bem interessante e espelhou bem o clima dessa apresentação.





Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Fotos : Robson Tiburcio Paiva 

Missão cumprida, não na "Área 13", mas uma página avançada da formação chronophágica foi escrita nessa noite de 4 de novembro de 2016. Estava de parabéns o Rolando pelos seus 50 anos de carreira e sem ceder nem um milímetro em suas convicções Rockers, o que num país como o Brasil, tem valor dobrado, ou muito mais que isso.


"Tudo Vai Mudar" ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Postado por Washington Santos


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=cPEn1u834IQ

"Homem Carbono" ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Postado por Washington Santos    
 

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=cPEn1u834IQ   

E fica a perspectiva de mais um capítulo para a Patrulha do Espaço, entre o final de 2017 e início de 2018, quando fatalmente descreverei o lançamento dos CD's e DVD's dessa caixa comemorativa que será lançada dessa turnê.

Luiz Domingues em destaque, como nos velhos tempos em que exercia a "Retomada" do sonho dos "Sixties", a bordo dessa nave. Patrulha do Espaço ao vivo no Sesc Belenzinho de São Paulo. 4 de novembro de 2016. Foto : Regina de Fátima Galassi

Portanto, continua...
mas sem data definida para a publicação do próximo capítulo. 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Trabalhos Avulsos / Atualizações - Capítulo 40 - Disco Solo de Rodrigo Hid - Por Luiz Domingues

Rodrigo Hid com a Patrulha do Espaço em 2004. Foto : Ana Fuccia

Quando a nossa formação da Patrulha do Espaço encerrou-se em 2004, o anúncio oficial foi dado em setembro desse ano, porém na realidade ainda cumprimos um show no mês subsequente, em outubro. Contudo, o fato é que vivíamos uma fase de desgaste nítido na relação interna da banda há meses, pelo menos desde o final de 2003, e assim, Marcello Schevano articulou a criação de uma nova banda em paralelo, que denominar-se-ia "Carro Bomba" e o Rodrigo Hid começou a projetar a ideia em lançar um álbum solo. Assim que a Patrulha do Espaço saiu de nossas respectivas vidas, soube que o Rodrigo estava promovendo ensaios com o jovem e super promissor baterista da banda, "Quarto Elétrico" (Ivan Scartezini), uma ótima banda por sinal, e que havia sido atração de abertura de alguns shows da Patrulha do Espaço de nossa fase e também com seu baixista, o super talentoso Thiago Fratuce, que fora um de meus melhores alunos nos anos noventa. Sua ideia inicial seria gravar em trio e ele sendo um multi instrumentista, certamente que supriria com galhardia toda a parte de guitarras, teclados, vozes e violões acústicos, portanto contando com uma cozinha de muita categoria formada por Ivan Scartezini e Thiago Fratuce, tinha tudo para lançar um álbum incrível, ainda mais se levarmos em conta a obviedade de que ele é um compositor inspiradíssimo, portanto não seria apenas o atrativo da exímia execução da parte dele e de seus convidados, mas sobretudo pela certeza de que haveriam de ser músicas lindas. 

        Rodrigo Hid com o Pedra em 2006. Foto : Grace Lagôa

Mas poucas semanas depois, o convite do guitarrista Xando Zupo  para que Rodrigo viesse a integrar sua nova banda que estava sendo articulada e com a agravante de que eu mesmo, Luiz Domingues, também estava nesse projeto e naturalmente insisti para que ele aderisse a esse novo trabalho, culminou com que ele aceitasse o desafio e nessa nova configuração, seu projeto de disco solo fosse engavetado. Cerca de um ano e meio depois disso, o próprio baterista, Ivan Scartezini, também agregou-se à essa nova banda, batizada como "Pedra" e tal história está contada em detalhes nos seus respectivos capítulos alojados nos meus Blogs 2 e 3 e igualmente nas páginas do livro impresso, com tal teor, "Quatro Décadas de Rock".

   Rodrigo Hid com o Pedra em 2014. Foto : Leandro Almeida

Mas o tempo passou, o "Pedra" acabou, depois de um ano de inatividade, voltou, e acabou novamente, desta feita definitivamente. E o Rodrigo, desde muito tempo, já havia tornado-se um dos mais requisitados músicos da noite paulistana, tocando em bandas cover (como por exemplo o "Rockover", ao lado do excelente guitarrista, Ronaldo Paschoa, ex-Tutti-Frutti; ex-Guilherme Arantes e ex-Rita Lee), além de inúmeros pequenos combos e fora o fato de por ser eclético ao extremo, montou uma agenda incrível como artista solo, fazendo voz & violão e / ou voz & piano em inúmeras casas noturnas e também ter sido "side man" de artistas importantes da MPB de teor Folk / Rural, como Chico Teixeira, filho do compositor e cantor / violonista, Renato Teixeira. 

Portanto, com agenda lotada, e ainda que isso fosse / seja uma maravilha, pensando no aspecto financeiro, demorou, mas finalmente Rodrigo Hid vislumbrou uma boa oportunidade para desengavetar seu projeto de lançar um disco solo. Para tanto, Rodrigo planejou gravar seu disco, formando vários "times" com músicos amigos que transitaram pela sua carreira até aqui e foi com muita alegria que recebi o seu convite para eu gravar duas faixas em princípio, e mais feliz ainda fiquei quando soube que o baterista dessas duas faixas em que gravaria, seria o meu velho e querido amigo, José Luiz Dinola. Ora, que prazer gravar novamente com meu velho colega da Chave do Sol e de certa forma resgatar a frustração de um outro projeto nosso não ter chegado nesse ponto de ter gravado seu material criado, no caso o "Sidharta" e nesse aspecto, diretamente ligado também ao Rodrigo Hid.

Na sala da técnica do estúdio "A" de gravação do complexo "Orra Meu", o "Sidharta" reunido, dezenove anos depois, com sua formação clássica. Da esquerda para a direita : José Luiz Dinola; Marcello Schevano; Rodrigo Hid e Luiz Domingues. Agora, o objetivo era gravar o 1º disco solo de Rodrigo Hid, com Dinola e Domingues dando suporte instrumental e Schevano operando e produzindo essa gravação. 1° de março de 2017. Acervo e cortesia de Rodrigo Hid. Click : Diogo Barreto

Portanto, seria mais que um prazer pela amizade envolvida entre nós três, mas uma espécie de resgate tardio, mas bem vindo de algo que não conseguimos realizar naquela época, entre 1998 e 1999.
E para reforçar toda essa incrível teia de conexões entre nós três, havia um quarto elemento que tinha tudo a ver conosco e seria o propiciador técnico de tal ação. Refiro-me à Marcello Schevano, que abriu as portas de seu recém inaugurado mega estúdio, e ele próprio prontificava-se a ser o "tape operator" e produtor do álbum.

Cabe destacar que quando ele e seu irmão, Ricardo Schevano, meu ex-aluno e baixista experiente e de alto nível, há anos, montaram seu estúdio, foram estudar produção de áudio e agora estavam ambos habilitados como técnicos de gravação de alto padrão. E diante de um estúdio maravilhoso que fundaram, com tecnologia de ponta e equipamentos e instrumentos vintage de primeira categoria, qualquer álbum que seja produzido em seu estabelecimento, tende a ter qualidade sob alto padrão, portanto, um disco de Rodrigo Hid que traz no bojo sua qualidade artística altíssima, e produzido nessas condições técnicas em nível norteamericano ou europeu, só pode ficar excelente, é uma dedução lógica.

Reencontro de velhos amigos em jornadas conjuntas e distintas, da esquerda para a direita : Rodrigo Hid; Luiz Domingues e José Luiz Dinola. Primeiro ensaio para a gravação de duas faixas do disco solo de Rodrigo Hid. Estúdio B de gravação do complexo Orra meu. 1º de março de 2017. Foto : Diogo Barreto

Sobre as canções que Rodrigo designou-me a gravar junto com o José Luiz Dinola, minha familiaridade com ambas, era total. Trata-se de duas canções que chegaram a ser gravadas pelo "Pedra", a fim de figurar no repertório do CD derradeiro da banda, o "Fuzuê", mas que foram descartadas pelo Xando Zupo, por questão de seu gosto pessoal, julgando-as não adequadas ao bojo do álbum. Sobre essa produção em si, descrevi a situação nos capítulos finais do Pedra, basta procurar no arquivo do Blog. Mas o importante é que o Rodrigo estava disposto a regravá-las e eu que aprecio as duas, fiquei muito feliz por ter essa chance de novamente colocar meu baixo nelas, e vê-las enfim lançadas.

Uma delas chama-se "Siga o Sol" e trata-se de um Folk-Prog muito bonito, com final em looping emocionante, bem setentista. E a outra que na época tinha o nome provisório de "Porão" (o Rodrigo pensa em criar nova letra e possivelmente ele passará a ter outro título quando for lançada), trata-se de uma canção que ele já planejava gravar em 2004, quando esboçou produzir o disco inicialmente, ficou anos tentando vencer a resistência do Xando para inclui-la no repertório do Pedra e mesmo gravando-a, não conseguiu evitar o seu descarte na hora do lançamento do disco do Pedra, ocorrência que já citei anteriormente. Mantendo seu arranjo original, tem uma introdução muito a ver com o Prog Rock setentista e uma parte cantada mais pop, lembrando o som de Elton John e para citar um artista brasileiro semelhante, Guilherme Arantes.

Ensaiando com José Luiz Dinola e Rodrigo Hid para gravar duas faixas no disco solo dele, Hid. Estúdio de gravação B do complexo "Orra Meu". 1º de março de 2017. Foto : Rodrigo Hid (selfie) 

Baseamo-nos nas gravações malogradas do Pedra, eu e Dinola para tirar as duas canções e ensaios foram marcados para a devida pré produção dessa gravação. E foi um prazer realizar tais encontros, para efetuar esse trabalho e inevitavelmente termos momentos de nostalgia ao agruparmo-nos os quatro ex-integrantes do Sidharta, e curiosamente, no primeiro ensaio, o Rolando Castello Junior estava no estúdio de gravação participando de uma sessão de decupagem do material gravado nos shows ao vivo onde também revivemos a nossa formação da Patrulha do Espaço, portanto, sob o mesmo teto, muitos personagens da minha história pessoal na música, em épocas diferentes estavam ali agrupados, o que foi um momento de alegria pessoal, sem dúvida alguma.

Após três ensaios, a gravação foi marcada e o Dinola sugeriu uma técnica diferente na metodologia de gravação, que já estava habituado a usar nas gravações de sua banda, o "Violeta de Outono" e cujo conceito, o guitarrista Fábio Golfetti havia aprendido na Europa, entre suas andanças como membro da banda Prog internacional, "Gong". Nesse conceito, aproveitando-se do fato da tecnologia digital estar muito avançada, fica mais fácil gravar músicas mais complexas, ao estilo Prog Rock, que tenham muitas partes, em trechos, e posteriormente a montagem milimétrica de tais frações é perfeita. No caso da música provisoriamente conhecida como "Porão", tal metodologia facilitou-nos a vida, pois trechos complexos foram gravados separadamente, minimizando ao máximo a incidência de erros. Dessa forma, muito rapidamente o José Luiz Dinola gravou a bateria das duas canções e na mesma tarde, em pouquíssimo tempo, já gravei a minha parte igualmente, com muita tranquilidade.

Preparando-me para gravar sob absoluta tranquilidade na sala A do estúdio Orra Meu, com Marcello Schevano na operação. E pela visão da janela, o roadie Diogo Barreto a fazer ajustes na bateria de José Luiz Dinola, na sala ao lado. Na mão, o Fender Precision e no cavalete, o Rickenbacker 4001, gentilmente emprestado por  Ricardo Schevano. 19 de abril de 2017. Foto : Rodrigo Hid

Sobre os baixos que usei, levei meu Fender Precision para gravar o Prog Rock que torna-se canção Pop ao seu final e Rickenbacker na canção Folk-Prog, seguindo a mesma intuição que tive por ocasião da gravação das mesmas canções mas para o disco do Pedra. Creio ter sido adequado nas duas ocasiões, estou convencido que é o que as músicas pedem. A diferença, é que usei o Rickenbacker do Ricardo (e não o meu, que curiosamente é da mesma cor, só que modelo 4003 e do ano de 1980), e o dele é um 4001, ano 1973, ou seja, com linha de captação, toaster. E a amplificação cedida pelo estúdio, com caixa e cabeçote Ampeg, absolutamente matadora, num timbre e peso, fantástico. Ricardo Schevano auxiliou-me muito na produção desse som de baixo, e atesto que saí do estúdio muito satisfeito com a sonoridade dessa captura.

Um pouco antes da sessão de gravação iniciar-se, conversando com meu velho amigo, José Luiz Dinola. "Um Minuto Além" e sempre reencontramo-nos na mesma "Luz". Gravação do disco solo de Rodrigo Hid, no estúdio Orra Meu de São Paulo. 19 de abril de 2017. Foto : Rodrigo Hid

Marcello operou, mas com supervisão de um de seus professores do curso de áudio, e que também opera regularmente ali no estúdio "Orra Meu". Além de Ricardo, que também habilitou-se teoricamente muito bem e acompanhou tudo de perto. Portanto, Rodrigo cercou-se de técnicos gabaritados e com tal estúdio ultra equipado e moderno, tem tudo para fazer um álbum memorável.

Algumas semanas depois dessa gravação, vi nas redes sociais que um novo time de músicos convidados por Rodrigo já estava gravando mais faixas. Tudo absolutamente em família, a outra cozinha convidada, fora formada por Rolando Castello Junior e Nelson Brito, dispensando qualquer tipo de apresentação...

E no início de julho de 2017, recebo novo recado pelo inbox do Facebook, com Rodrigo convocando-me para gravar mais duas faixas, desta feita com o extraordinário baterista, Franklin Paolillo, uma lenda do Rock brasileiro setentista. Uma canção será inédita e a outra, "Sonhos Siderais", uma canção que o Rodrigo compôs para o nosso projeto Sidharta, portanto, estou muito animado para desengavetar mais uma peça que trabalhamos com tanto carinho naquele projeto do final dos anos noventa e esta não aproveitada por outra banda, posteriormente, como muitas que foram gravadas pela Patrulha do Espaço ou pelo Pedra. 

Sendo assim, futuramente mais um ou dois capítulos serão escritos falando desse trabalho avulso que realizo com meu velho amigo, Rodrigo Hid e envolvendo diretamente muitos companheiros de inúmeras jornadas de minha carreira. 

Conversando com os irmãos Schevano, Ricardo em pé e Marcello sentado próximo à mesa de som. Gravação do disco solo de Rodrigo Hid, no estúdio Orra Meu, de São Paulo. 19 de abril de 2017. Foto : Rodrigo Hid

Continua... (mas com data indefinida para publicação, neste momento, dezembro de 2017...)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Trabalhos Avulsos / Atualizações - Capítulo 39 - Edy Star + Os Kurandeiros Celebram 50 Anos de Tropícália - Por Luiz Domingues

 
Conforme contei anteriormente, quando fiz parte da banda de apoio do cantor Edy Star, por ocasião de seu show na "Festa Odara", versão de 14 de novembro de 2014, fora um prazer tocar e muitas observações positivas foram objeto de minha avaliação, nesse trabalho.

Em 2015, recebi o telefonema da cantora Renata "Tata" Martinelli e desta feita, ela é que estava organizando os preparativos para uma série de shows que Edy Star realizaria num circuito de teatros da prefeitura de São Paulo, numa espécie de mini turnê, mas eu estava em plena fase de convalescença de minhas duas primeiras cirurgias e não pude aceitar o convite, perdendo a oportunidade. E no meio do caminho ainda teve a "Virada Cultural", onde também perdi a chance de realizar um show perante grande multidão, com direito a um cachet robusto, inclusive...

Mas ao final de 2016, o Kim Kehl mais uma vez abordou-me e ao Carlinhos Machado, e convidou-nos a fazer parte da banda de apoio de Edy Star e desta feita seria em moldes diferentes da apresentação da qual participei em 2014. Primeiro, que não seria anunciada a nossa participação como "Easy Rider Band", mas apresentar-nos-íamos com a nossa identidade habitual, ou seja, "Os Kurandeiros". Segundo aspecto, a festa desta vez seria temática e o mote escolhido fora a efeméride dos 50 anos do movimento tropicalista na MPB, 1967 / 2017. Dessa forma, o repertório sugerido pelo Edy, versava muito em canções de Caetano e Gil, como base do espetáculo, mas havendo as canções tradicionais que compõe o repertório base do Edy em suas apresentações regulares, ou seja, bastante Rocks pré-Jovem Guarda e algumas canções mais modernas, além é claro de muito material clássico do Raul Seixas, pela ligação artística e histórica que ambos tiveram nos anos setenta etc e tal.

O palco montado para o soundcheck no Cine Joia. À esquerda, Luiz Domingues fazendo seus últimos ajustes no baixo e amplificador. 13 de janeiro de 2017. Foto : Carlinhos Machado

E um terceiro ponto, talvez temerário em tese, que revelava-se na extrema simplicidade da formação, resumindo-se ao Power Trio dos Kurandeiros e a inclusão de apenas um músico a mais para reforçar o time, na figura do percussionista, Michel Machado. Tocar em formato "Power Trio" é algo que fiz muito na vida, em boa parte da carreira da Chave do Sol e voltei a praticar nessa fase com Os Kurandeiros, desde 2011, e claro que não preocupava-me em nada, no entanto, para acompanhar um outro artista e com o repertório proposto, a presença de um segundo guitarrista apoiando nas harmonias e melhor ainda, se fosse um tecladista, seria ótimo pelas circunstâncias, mas isso não foi possível e assim, tivemos que tirar muitas músicas num curto espaço de tempo e com essa formação bem básica. Pior que isso, algumas canções escolhidas para a apresentação, ostentavam características experimentais acentuadas, caso de canções como : "Alegria, Alegria" e "Tropicália" contendo todos aqueles detalhes com orquestrações e elementos psicodélicos "nonsense", portanto, tocá-las assim, em formato Power Trio e só com o acréscimo de um percussionista, seria temerário numa primeira avaliação.

O set de guitarra de Kim Kehl, pronto para a ação, no Cine Joia. Foto : Kim Kehl 

OK, tiramos tudo e fomos para o primeiro ensaio, embora dias antes disso, o Edy Star fora convidado pelo Kim Kehl e fez uma breve aparição num show dos Kurandeiros, onde cantou algumas canções que tocaríamos na Festa Odara. Nessa participação, nós estávamos prontos para tocar tais músicas baseadas nos arranjos e tonalidades dos seus respectivos álbuns, onde estão registradas, mas o Edy surpreendeu-nos com pedidos de mudanças súbitas no andamento e tonalidades. OK, coisa típica de cantor, quem está acostumado a tocar em banda base de cantores sabe o quanto isso é normal, apesar de ser obviamente um transtorno e tanto para qualquer instrumentista, estabelecer modificações com o avião em pleno voo...

Já no ensaio, mostrando-se contrariado com tonalidades e andamentos, fez várias outras modificações e ali, tratava-se da véspera do show, portanto, lá fui eu fazer transporte de harmonia e na dúvida, fiquei com duas versões de cada música na cabeça, exatamente prevendo que na hora do show, não seria nada surpreendente que ele desistisse da modificação e pedisse para tocarmos no tom original do disco. Mais habituado a lidar com tal tipo de situação, o Kim aproveitou e contou-me que quando acompanhou uma dessas duplas sertanejas mainstream, era comum os sujeitos pedirem modificações harmônicas aos músicos, com o show em andamento, provocando desconforto generalizado na banda inteira, naturalmente. Ok, saímos todos ilesos do ensaio, e agora era contar com o velho espírito Kurandeiro de improviso em eventuais momentos de pane, e modéstia a parte, nossa banda de tanto tocar na base do improviso, é bastante calejada nesse sentido.

Nesse click da fotógrafa, Carol Mendonça, a partir do mezanino do Cine Joia (nós e Edy bem lá no fundo), dá para ter-se a dimensão do ambiente triangular da sala, com o palco perfazendo o seu ângulo. 13 de janeiro de 2017

O local do show seria outro também, desta vez em relação ao show que participei em 2014. Ainda mais interessante a meu ver, o Cine Joia, uma ex-sala de cinema, ainda mantinha a sua arquitetura cinquentista, muito glamorosa. Cinéfilo que sou desde a tenra infância, não contive meu ímpeto assim que cheguei ao estabelecimento e fiz uma turnê pelas suas dependências. Cinema histórico na cidade de São Paulo, para quem não conhece sua trajetória, digo resumidamente que tal sala fora construída com o intuito de exibir filmes japoneses e sem legenda, exatamente para atender a colônia nipônica radicada na cidade e registre-se, São Paulo é a maior cidade "japonesa fora do Japão" no mundo, dada a imigração que foi massiva por aqui e que naturalmente gerou milhões de descendentes. Por anos a fio, o Cine Joia cumpriu sua função com muita dignidade, sendo um polo cultural para a colônia, apoiando principalmente os imigrantes mais idosos, que tinham imensa dificuldade para aprender o nosso idioma e assim, ir ao Cine Joia e assistir um bom filme japonês ouvindo a sua língua, evitava que entrassem na depressão inevitável pela não adaptação ao Brasil. E claro, o Cine Joia fica encravado no centro do bairro da Liberdade, onde a tradição dos orientais construiu-se na cidade e por décadas foi considerado o bairro japonês da cidade. Ainda tem um comércio fortíssimo dos japoneses ali, mas nos dias atuais, os chineses e coreanos também estão ali no comércio e nos serviços, em profusão. Bem, apesar disso tudo, por ser uma ex sala de cinema e não ter sido muito drasticamente modificada para vir a ser uma casa de shows na atualidade, o palco em formato de uma concha, parece mal aproveitado, com uma profundidade que não serve para nada e a parte útil de fato, prejudicada pela dimensão exígua. Bem, a vantagem é que tocaríamos em quarteto, com um mapa bem simples. Bateria e percussão na linha de trás e guitarra e baixo na segunda linha, deixando a frente para o Edy, a estrela da noite, naturalmente.

No acesso ao camarim, a banda reunida com Edy Star, momentos antes do show. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Kim Kehl; Edy Star; Michel Machado e Carlinhos Machado. Cine Joia, 13 de janeiro de 2017. Foto : Carol Mendonça

Gostei do caminho dos camarins, com certo sentido labiríntico e a existência de muitos cartazes antigos de filmes japoneses que certamente ali foram exibidos. Isso foi incrível mesmo, gostei muito de ver essa memorabilia, ainda que não exatamente bem cuidada, uma pena. Nos momentos antes do show, Edy divertiu-nos no camarim, contando histórias sobre suas andanças por Portugal no início dos anos setenta, atuando como ator em montagens teatrais.

Os Kurandeiros (Carlinhos Machado; Kim Kehl & Luiz Domingues), no camarim do Cine Joia, em 13 de janeiro de 2017, desta feita a serviço de Edy Star. Foto : Lara Pap

Sobre a organização, tudo foi muito bem azeitado, essa rapaziada organiza essa festa há anos, portanto tudo correu muito bem, não tenho nada a reclamar e pelo contrário, só tenho elogios. Incluso na contratação de um equipamento de som e luz de qualidade, um alívio para todos.

Outra foto do soundcheck, no período da tarde. Da esquerda para a direita : Kim Kehl, com Carlinhos Machado ao fundo na bateria; Edy Star, Michel Machado na percussão, atrás e Luiz Domingues. Foto : Lara Pap. 

Edy Star é um artista performático e tendo a formação como ator, não contenta-se em cantar e fazer mise-en-scené tradicional, mas sempre busca algo a mais. Olhando o palco com uma considerável altura em relação ao patamar básico do público (há também um mezanino muito bonito), inventou de iniciar o show vindo cantando do público e subir ao palco por uma escada de acesso frontal. Até aí, tudo bem, bacana a ideia pelo aspecto impactante, todavia a escada era íngreme, sem apoio e pior, sob plena escuridão no público e iluminação ofuscante na contraluz, portanto, o risco dele desequilibrar-se e cair era enorme e coloca-se aí nessa receita a sua idade cronológica, com quase oitenta anos de idade naquela ocasião, portanto isso gerou preocupação generalizada. 



Luiz Domingues na primeira foto; Kim Kehl na segunda e Michel Machado & Luiz Domingues na terceira. Edy Star + Os Kurandeiros na "Festa Odara", no Cine Joia de São Paulo. 13 de janeiro de 2017. Clicks de Carol Mendonça 
 
Mas ele insistiu e de fato, na hora do show a banda entrou tocando a música : "Os Mais Doces Bárbaros", que aliás é uma canção que eu adoro do repertório desse trabalho de Gil; Gal; Bethânia e Caetano, atuando como uma banda. Inevitável a lembrança por quantas vezes eu fui ao Cine Belas Artes assistir o documentário dessa turnê dos "Doces Bárbaros", e adorava ver a abertura do show com essa mesma canção e com o Arnaldo Brandão destruindo tudo no seu baixo Fender... claro que toquei com muito prazer pensando nessa minha reminiscência setentista e óbvio que tocaria a canção na mesma intenção do Arnaldo, com aquele swing todo de R'n'B / Soul Music. E o Edy fez o que prometeu... veio cantando da plateia, com um canhão de luz ao estilo "super trouper", acompanhando-o e todo "glam", subiu apoiado por seguranças e não perdeu o pique...

Edy Star, todo "Glam" ao microfone, com Luiz Domingues no primeiro plano e atrás, encobertos, o percussionista, Michel Machado e o baterista, Carlinhos Machado. 13 de janeiro de 2017, no Cine Joia de São Paulo. Click de Carol Mendonça

Fora disso, o repertório recheado por músicas da tropicália e MPB, acertou na mosca, eu diria, pois o público saiu cantando e dançando o tempo todo. O percussionista Michel Machado é excelente músico e tratou de fornecer o "champignon" ao show, como dizia o saudoso, Wilson Simonal. 

Uma panorâmica do palco. Da esquerda para a direita : Kim Kehl; Edy Star e Luiz Domingues na linha de frente. Atrás, Carlinhos Machado e Michel Machado. Festa Odara no Cine Joia de São Paulo. 13 de janeiro de 2017. Click de Carol Mendonça

Um dado engraçado do show, num determinado momento, olho para baixo e vejo algumas pessoas chamando a minha atenção mediante gesticulação. Quando fitei-as, vi que uma menina mostrou-me uma tela de um "tablet" com os seguintes dizeres grafados : "Fora Temer"... (presidente do Brasil na ocasião), e ela e sua turminha faziam sinais para eu ir ao microfone e insuflar a massa com tal "mantra". Ora, eu não poderia tomar tal iniciativa de forma alguma, visto ser ali um acompanhante. O dono do show era o Edy e eu jamais poderia afrontá-lo tomando uma atitude impertinente dessas. Segundo ponto, mesmo não sendo nada simpático ao governo desse senhor citado e seu partido, eu não faria isso nem que fosse um show regular dos Kurandeiros, minha banda, e onde tenho liberdade para tomar uma atitude dessas se fosse o caso, pois mesmo assim, isso só seria cabível se a banda toda estivesse de acordo com a tomada de posição política e além de amplamente debatido no nosso ambiente interno, houvesse 100 % de concordância com tal tomada de posição em público, expondo a banda dessa forma. Sinalizei para a garota que não podia fazer isso, mas não fui hostilizado por ela e seus amigos. Pelo contrário, sinalizou-me com o dedão, fazendo o clássico sinal de "positivo", denotando entender a minha posição ali em cima do palco. Mas não adiantou nada eu não ter feito isso, pois na primeira pausa possível entre uma canção e outra, alguém do público deu a palavra de ordem e a massa aderiu com contundência. Mas nós ignoramos a manifestação e encobrimos o coro com tal teor político, ao começar imediatamente o próximo número e ninguém ali sentiu-se ofendido. Passaram a cantar e dançar, com o "comício" político a encerrar-se...

Bela perspectiva com o público de frente e todo mundo sendo agraciado com o púrpura profundo... Festa Odara, no Cine Joia de São Paulo. 13 de janeiro de 2017. Click de Carol Mendonça

Finalizamos o show com o público bastante satisfeito, aplaudindo bastante o Edy e por conseguinte a banda. Acho que demos o recado e cumprimos a missão com bastante sucesso. No camarim, do pós show, o cansaço era grande. A madrugada quente de verão estava avançada e pela vidraça, víamos a Avenida 23 de Maio, semi deserta, uma cena rara em se tratando dessa via de São Paulo. Na saída, recebemos muitos cumprimentos. Essa sinalização de que haviam gostado, foi muito legal e surpreendeu de certa forma quando alguns mais antenados, fizeram considerações mais embasadas da nossa performance e demonstrando ter cultura Rocker, pelas colocações feitas. Bacana, por essa não esperávamos e claro que foi a cereja do bolo.

Edy Star sob as bênçãos de Caetano Veloso nas imagens projetadas. Carlinhos Machado ao fundo, na bateria e Luiz Domingues no primeiro plano. Festa Odara no Cine Joia de São Paulo. 13 de janeiro de 2017. Click de Carol Mendonça


Missão cumprida, foi meu segundo show com Edy Star e mais uma vez foi prazeroso por muitos aspectos já citados ao longo da capítulo. Aconteceu em 13 de janeiro de 2017, no Cine Joia, localizado no bairro da Liberdade, centro de São Paulo, com cerca de 500 pessoas presentes. E assim foi esse meu trabalho avulso (embora híbrido, posso afirmar, visto que a estrela era o Edy, mas Os Kurandeiros levaram crédito, igualmente), por enquanto. 

A próxima ocorrência no campo dos trabalhos avulsos, foi para lá de prazerosa por envolver personagens de diversas passagens de minha vida profissional, ao mesmo tempo... falo disso no seu capítulo correspondente, a seguir.


Um resumo da "Festa Odara" em 13 de janeiro de 2017, no Cine Joia do bairro da Liberdade, em São Paulo. Edy Star com Os Kurandeiros

Eis o Link para assistir no You Tube : https://www.youtube.com/watch?v=UR__OGJ8rBo