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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Terra no Asfalto - Capítulo 8 - Agradeço à Escola de Rock, Terra no Asfalto ! - Por Luiz Domingues

Bem, o Terra no Asfalto ou "TNA", como carinhosamente referi-me à banda, várias vezes no relato, foi uma banda cover que apesar de ter sido criada com esse objetivo exclusivamente (salvo a vã tentativa de tornar-se banda autoral ao final de 1981), teve muitos méritos. O primeiro e óbvio, foi o de proporcionar-me uma escola viva, onde libertei-me enfim da fase inicial da minha carreira, onde a insegurança de ter um nível técnico de principiante, foi superada.

Claro, um pouco antes, quando fui tocar na banda de apoio do cantor Tato Fischer em 1979, na verdade eu já estava seguro e com um nível técnico mínimo necessário para considerar-me músico profissional, mas no TNA, ganhei ainda mais desenvoltura e cancha de palco (apesar da banda ter atuado predominantemente circunscrita aos palquinhos de casas noturnas). O segundo ponto também é motivo de orgulho. Mesmo sendo uma banda irregular com diversas idas e vindas, o Terra no Asfalto teve em suas fileiras, grandes músicos. Não é toda banda cover que pode orgulhar-se de ter tido tantos músicos bons assim, em sua trajetória. O terceiro ponto são as histórias acumuladas. Algumas engraçadas, outras desagradáveis, mas no cômputo geral, quando uma banda, mesmo sendo cover, reúne um repertório de histórias ocorridas em sua carreira, é sinal de que foi prolífica. O início foi de puro improviso.

A maneira com a qual foi formada, inusitada, com praticamente uma fusão feitas às pressas. Aquele primeiro show de 1979, que gerou a semente inicial, foi de uma imprudência total, mas provou também que havia uma "química", e de fato, aquele aglomerado de músicos juntados às pressas, gerou uma ótima banda. A entrada do Fernando "Mu", trouxe um élan. Era o meu primeiro contato com um guitarrista de alto nível, e embora muito genioso, e difícil de lidar-se como ser humano, foi a oportunidade de ter a minha primeira sensação de estar numa banda com comprometimento Rocker, e nível técnico compatível com essa pretensão. Não levo em conta o trio do Tato Fischer nesse mesmo sentido, pois ali eu também estava tocando com músicos de um nível alto, principalmente o Sérgio Henriques, mas não era exatamente uma banda de Rock.

O crescimento da banda, levando público nos primeiros bares, e posterior oportunidade de tocar em bares mais categorizados, foi bonito, apesar de ser meramente o trabalho de uma banda cover.
Os momentos difíceis do meio do ano de 1980, não amarguraram-me, pois eu estava a todo vapor tocando nos primórdios do Língua de Trapo, e fazendo vários trabalhos paralelos. E convenhamos, com 19 para 20 anos de idade, as "pancadas" da vida nem são sentidas.

A volta do TNA no final de 1980, coroou a trajetória da banda, dando-lhe sua melhor fase, com regularidade, várias apresentações memoráveis, e um dinheiro providencial. Banda cover não é, nem nunca foi o meu objetivo de vida, mas recordo com carinho de várias ocasiões onde o TNA tocou para públicos entusiasmados, e arrancou aplausos e gritos. Não era o nosso som, e sim o sucesso fácil da criação alheia, mas ficou a lembrança de uma banda azeitada, e com recursos técnicos muito bons.

Após a parada no meio de 1981, a banda perdeu o fôlego e nunca mais alcançou esse patamar máximo que conseguíramos anteriormente. Entre muitos percalços, finais e recomeços, estendemos o TNA até ele proporcionar-me uma oportunidade de vida, enfim, quando nos seus estertores, conheci o Rubens Gióia, e finalmente montei minha banda de Rock autoral, sonho perseguido desde 1976, e que o caráter infantojuvenil do Boca do Céu, não permitira-me realizar. Posso afirmar sem medo de errar, que o TNA foi a semente primordial do nascimento da Chave do Sol.


E falando de seus membros agora, devo esclarecer que recentemente, graças ao Facebook, restabeleci contato com o excelente guitarrista, Aru Junior. No dia 2 de maio de 2012, passei uma prazerosa tarde na sua residência, convidado para um café.
Nessa visita, relembramos diversos fatos do TNA, e trocamos informações sobre o paradeiro de diversos membros e agregados da banda. Algumas coisas revelaram-se surpreendentes, e outras tristes, e que registrarei agora nesse trecho final sobre o capítulo Terra no Asfalto.



Agregados do Terra no Asfalto

            


Esqueci-me da maioria dos nomes daquela trupe de amigos freaks que a banda colecionou ao longo de sua trajetória. Lembro-me mais vivamente do Edmundo, que além de ser o mais assíduo, manteve contato nos anos posteriores e teve uma participação como músico na banda. E mesmo assim, fico devendo o seu sobrenome, que não achei em nenhuma anotação minha...         


Ótimo baixista e produtor musical, Ney Haddad em foto dos anos noventa, na sala técnica de seu estúdio, Quorum, em São Paulo 

Havia o Ney Haddad, então quase adolescente e depois disso, há muitos anos, consolidado como um baixista tarimbado. É dono do estúdio Quorum e toca no "Mobilis Stabilis". Interagimos bastante nos anos noventa, quando nossas respectivas bandas nessa década, Pitbulls on Crack e Neanderthal, dividiram muitos camarins e uma coletânea na gravadora Eldorado.
Outro amigo, era o "Catito", um “doidaço” que tinha uma Kombi e muitas vezes auxiliou-nos com transporte. Outro rapaz, acho que chamava-se Sérgio e era irmão de um dos músicos da banda experimental "Uakti". Roatã Duprat, também merece a menção, certamente como amigo que acompanhou e ajudou a banda. 
Na primeira foto, Wagner "Sabbath" e na segunda, o poeta Julio Revoredo. Fotos do acervo de Julio Revoredo (agradeço pela cortesia !)
 
Registro aqui como forma carinhosa e honorária, mas na verdade não foi membro, tampouco um agregado direto da banda, o Wagner "Sabbath" que era um rapaz que aparecia com frequência nas apresentações e insistia com viva tenacidade para dar “canjas” com a banda. Queria cantar e tocar guitarra a todo custo. Sua insistência era tão grande que um dia deixamos que apresentasse-se sozinho à guitarra, no intervalo de uma apresentação nossa no Bar 790. Ele acabou trazendo o poeta Julio Revoredo, seu amigo de longa data em algumas apresentações do “TNA” e que posteriormente, passou a acompanhar a carreira da Chave do Sol, apresentando o poeta formalmente para nós, e daí este tornando-o nosso parceiro letrista em várias composições. E claro...Wagner continuaria a pedir para dar canja com a Chave e sonhava ser nosso vocalista. No capítulo da Chave do Sol, tenho boas histórias dele.

Um amigo do Paulo Eugênio, chamado Pérsio, tinha equipamento que alugava para bandas de baile, principalmente. Muitas vezes socorreu-nos, alugando mini PA's; microfones e pedestais. Mantive contato com ele, e no tempo da Chave do Sol, alugamos P.A. de grande proporção para dois shows, em 1983 e 1984.
Havia mais uns cinco ou seis agregados desses, cujos nomes apagaram-se da minha memória, infelizmente.

E as namoradas / esposas dos membros : Consuelo; Maria Helena; Celina; Mary Ellen; Virgínia; Lilian, e Bruna, que eu lembro-me e outras que fico devendo o nome.

Falo agora de músicos com pequenas passagens pela banda :

Edmundo
                     
A residência do Edmundo no bairro das Perdizes, zona oeste de São Paulo, onde o Terra no Asfalto fez seus primeiros ensaios ainda em 1979


O Edmundo, amigo fiel do Paulo Eugênio e que foi o primeiro benfeitor da banda, ao emprestar sua casa para nossos primeiros ensaios, tocou percussão numa apresentação do TNA em Campinas, na Escola de Idiomas, Cultura Inglesa.
Apesar dessa efêmera participação, foi testemunha assídua de toda a carreira da banda. E por ser um amigo que eu tinha boas referências, foi o primeiro em quem pensei quando quis recrutar um baterista para A Chave do Sol. Esse episódio já foi registrado no capítulo "A Chave do Sol". Foi a vários shows da Patrulha do Espaço e do Pedra nos anos 2000, quando conversamos, além de encontros fortuitos na rua.

Catalau
                           
Catalau em foto de sua época de ouro no Golpe de Estado, nos anos oitenta


Não chegou a tocar ao vivo, nem como canja, mas foi cogitado para ser guitarrista / vocalista do TNA em meados de 1980. Fez poucos ensaios acústicos, mas sua participação não concretizou-se. Encontrei-o em 1983 tocando no "Fickle Pickle" e a partir de 1985, brilhou no Golpe de Estado, até afastar-se em meados dos anos 1990, e dar uma guinada na vida, tornando-se pastor evangélico e cantor gospel. Convivi bastante com ele entre 1983 e 1990, mas depois que deixou o Golpe de Estado e tornou-se evangélico, a última vez foi no camarim do Sesc Pompéia em 2003, quando dividiu um show coletivo com a Patrulha do Espaço, onde eu estava, além do cantor, Serguei.

Tato Fischer

                        Tato Fischer em foto bem mais atual

Também efêmera, porém produtiva, foi a passagem meteórica de Tato Fischer pelo “TNA”. Sua melhor colaboração, foi na primeira edição da apresentação na Escola de Idiomas, Cultura Inglesa, em 1980. Também teve uma participação numa apresentação acústica e bem improvisada, e nada mais. Falei sobre o Tato com detalhes no capítulo dos Trabalhos Avulsos. Nunca mais tive contato com ele, depois dessa sua participação com o TNA, apesar de estarmos conectados na rede social, Facebook.

Rubens Gióia
                              
Rubens Gióia em foto bem mais atual, de 2014, aproximadamente
 
Embora sua participação tenha limitado-se a três ou quatro ensaios acústicos e reuniões de escolha de repertório, claro que merece a citação. Ou seja, não teve de fato uma história no “TNA”, mas ao mesmo tempo, esse contato supostamente fugaz, foi fundamental para delinear o início da Chave do Sol. Dispensa comentários aqui, pois é personagem fixo e vital no capítulo "A Chave do Sol".

Maurício "Pardal"

Na falta de alguma foto do Maurício, fico com essa representação simbólica de sua passagem meteórica pela banda e sua "saída pela direita", ao estilo do grande "Leão da Montanha"...
 
Mal esquentou o banco de baterista, pois foram somente quatro apresentações. A banda estava desfigurada em 1982, e não esboçava reação para evitar esse fim presumível, quando ele sentindo o clima, saiu pela tangente, até ironizando, conforme já relatei. Pouco sei do "Pardal" antes e depois de sua passagem meteórica pelo “TNA”. Sei apenas que era um músico de extrema qualidade técnica, mas desconheço sua trajetória para citá-la aqui. Nunca mais tive notícias suas após 1982.

Luis "Bola"

Uma bateria Tama com dois bumbos; dois surdos; vários tons e uma "prataria" vasta, era para poucos no início dos anos oitenta. Assim era o Kit de Luiz "Bola" quando tocou no Terra no Asfalto

O Luis “Bola” foi baterista duas vezes do “TNA”, mas na realidade, tocou muito pouco. Deu azar de entrar em momentos de baixa, com agenda pequena, ou em fase de reformulação da banda. Era um rapaz determinado e de astral legal. Bom baterista, camarada e com disposição para trabalhar. Ajudou-me, arrumando trabalhos avulsos (relatado amplamente no capítulo "Trabalhos Avulsos"). Passei muitas horas prazerosas em sua casa, ouvindo discos de sua coleção gigantesca de vinis. Era louco pelo Frank Zappa e foi nessa fase onde eu também acabei mais escutando a obra do mestre Zappa. Depois do “TNA”, encontrei o Bola em 1984, levando a esposa para uma consulta pré-natal. Não lembro-me se era a primeira ou segunda filha do casal, que estava chegando. Só lembro que foi repentino e muito rápido, pois era um dia chuvoso e ele limitou-se a cumprimentar-me, pois estava preocupado em amparar a esposa grávida em meio à chuva. E foi a última vez que o vi ou tive alguma notícia sua.

Edson "Kiko"

O verdadeiro interesse musical do Edson "Kiko" era pela dita "World Music", que tem tudo a ver com música étnica; Folk Music & afins


O Edson foi um rapaz que eu indiquei num momento onde o Cido Trindade deixou-nos desamparados, subitamente. Admiro muito a sua boa vontade em esforçar-se para dominar um universo musical do qual não fazia parte, pois não acompanhava o Rock e gostava mesmo era de música étnica, jazz etc. Foi muito generoso, cedendo sua casa no Pacaembu, zona oeste de São Paulo, para ensaios super confortáveis. O quarto de ensaios era imenso e mesmo na ausência de vedação, tocávamos sossegados, sem problemas com a vizinhança. Era um bom músico e só ficava um pouco deslocado no nosso contexto mais Rock, mas deu conta do recado. A saída dele foi lamentável, ainda que obedecendo uma resolução que privilegiava o melhor para a banda naquele instante, supostamente. Fiquei bem chateado, sentindo-me maculado, eticamente falando. Já pedi minhas desculpas neste capítulo, e reitero-as aqui.
Soube de uma notícia dele no meio dos anos oitenta, dando conta de que estava apresentando-se com uma banda de “World Music”, de tendências africanas. Fiquei contente em saber disso, pois era o seu desejo artístico. E isso foi a última coisa que soube dele.

Falando agora dos componentes mais regulares da formação do Terra no Asfalto...

Fernando “Mu”

Assim conheci o Mu numa tarde quente de verão, em janeiro de 1980, fumando um cachimbo, com uma guitarra Gibson Les Paul, Junior, às costas, carregada tal como o Juca Chaves o faria... 

Eu tinha uma versão um pouco distorcida sobre a morte do Mu. O Júnior, baterista da Patrulha do Espaço, havia contado-me que o Mu fora assassinado no Largo 13 de Maio, centro do bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, por um traficante de drogas. Foi quase isso na verdade. Segundo apurei com o Aru em visita à sua casa (2 de maio de 2012), o Mu foi mesmo assassinado, mas numa padaria próxima à estátua do Borba Gato, na Av. Santo Amaro e alguns quarteirões distante do Largo 13 de maio, portanto. Foi de fato um traficante de drogas cobrando acerto de contas, mas o devedor não era o Mu !! O sujeito jurado de morte estava tomando cerveja com o Mu numa madrugada de domingo para segunda. Um carro com quatro bandidos chegou, abordou o sujeito e o Mu, de forma imprudente, tentou amenizar a barra do amigo. Dessa forma, o elemento safou-se aproveitando a confusão armada, mas os bandidos não tiveram dó e assassinam o Mu de forma fria e muito cruel. Segundo o Aru, foram três tiros à queima roupa, na cabeça. E o Aru chegou a ser avisado a tempo de comparecer ao velório. Isso ocorreu em 1997 e não em 1995, como eu supunha anteriormente. 
Elenco e músicos da peça "Calabar", montagem de 1980. O Mu é o último em pé, na fileira mais alta, da esquerda para a direita, usando jaqueta jeans clara

O Mu saiu do TNA em 1980, com uma grande oportunidade, mas infelizmente não aproveitou-a. Não firmando-se na peça teatral "Calabar", perdeu oportunidades de ouro para infiltrar-se no mundo da MPB mainstream. Nos primórdios da Chave do Sol, chegou a aparecer uma tarde no Café Teatro Deixa Falar, em 1982, e presenciou um ensaio nosso, rapidamente. Lembro-me de vê-lo numa banda de Rock Progressivo de categoria (com o tecladista / guitarrista Fernando Costa na formação), apresentando-se no programa "A Fábrica do Som", da TV Cultura de São Paulo, em 1984. Mas infelizmente era o som errado na época errada. Depois disso, só fui saber mesmo de seu falecimento por motivo violento, muitos anos depois. O Mu chamava-se Fernando, mas ninguém que conhecia-o chamava-o assim. E no curtíssimo tempo em que foi membro do TNA, chegou impondo-se. Tinha uma postura altiva, era temperamental, mas eu sabia que por baixo dessa casca de “outsider” durão, tinha um rapaz legal. Como músico, era excepcional. Um dos melhores com quem já toquei, apesar de tão pouco tempo em que trabalhamos juntos. Sua segurança era enorme. Seus solos eram infernais, sua interpretação como cantor era intensa e sua postura de palco era a de um grande artista. Infelizmente, ele não teve a oportunidade de ser reconhecido como o grande artista que era e sua carreira foi calcada na absoluta obscuridade do mundo underground, de onde jamais conseguiu libertar-se. Eu sinto muito que um talento desses tenha ficado circunscrito à última divisão da música, tocando para gatos pingados que nem percebiam o seu talento. E outra coisa que eu admirava nele, era o élan Rocker. Ele tinha o Rock nos seus poros, como uma marca de nascença que poucos possuem. Que esteja bem acompanhado, na presença de Jimi Hendrix, "lá do outro lado"...

Sérgio Henriques


Sérgio nos teclados, atrás de César Camargo Mariano, e Elis Regina, que agradecem os aplausos do público.

Eu conheci-o quando o Cido Trindade levou-me para a banda de apoio de Tato Fischer, em meados de outubro de 1979. Músico de sólida formação teórica, era / é um excelente tecladista, à moda antiga, daqueles bem setentistas e "piloto" de vários tipos de teclados. Tremenda figura do bem, era calmo, e muito zen naquela época em que convivemos. Depois de 1982 com o “TNA”, encontramo-nos nos bastidores de uma edição do programa "A Fábrica do Som", em 1983, onde eu atuei com A Chave do Sol, e ele no Premeditando o Breque. E muitas vezes assisti-o ao vivo na TV, acompanhando Jorge Benjor e Pepeu Gomes. Assim como encontramo-nos fortuitamente na rua, nos anos 1990 e 2000, várias vezes. Com o TNA, ele teve várias participações picotadas, mas o motivo de suas ausências era perfeitamente compreensível. Depois que foi tocar com César Camargo Mariano, na banda de apoio de Elis Regina, o mundo dos astros da MPB mainstream abriu-se para ele e daí, foram várias participações como tecladista side-man de artistas consagrados. Tocou em duas turnês da Elis Regina ("Saudade do Brasil" e "Trem Azul"); com Rita Lee, tocou na turnê do LP "Lança Perfume". Depois emendou trabalho autoral com o Premeditando o Breque, banda contemporânea do Língua de Trapo e inserida no movimento "Vanguarda Paulista" do início dos anos oitenta. E a seguir, ficou um bom tempo com Jorge Benjor e também com Pepeu Gomes. Atualmente (2016), vejo-o sempre andando pelas ruas próximas à minha, levando seus cachorros para passear. Soube que casou-se com outra mulher após separar-se da Celina Silva e tem uma filha já adulta.




Cido Trindade

Não era essa a bateria do Cido Trindade, mas idêntica. Uma bateria da marca nacional, "Pinguim", imitação da norteamericana "Ludwig", perolada / "sparkle", dos anos setenta 


Depois que ele saiu em definitivo do TNA em 1982, nunca mais tocamos juntos. Nessa época, ele já estava morando com uma moça chamada Maria Helena, e só fui vê-lo novamente no final de 1983, quando eu estava com A Chave do Sol começando a popularizar-se e simultaneamente voltando ao Língua de Trapo, que havia dado um salto vertiginoso de sucesso. Lembro-me dele e sua esposa assistindo um show do Língua de Trapo no Teatro Lira Paulistana onde demonstrou felicidade por ver eu e Laert que ele conhecia desde o tempo do Boca do Céu, numa situação de ascensão na carreira. Depois disso, soube apenas que mudaram-se para Barcelona e tiveram um filho. Cido Trindade envolveu-se com música erudita e soube que estava atuando como membro de uma orquestra. Recentemente, um primo meu (Marco Turci), que era amigo dele nos anos setenta (e que aliás apresentou-nos em 1977, iniciando a nossa amizade), disse-me que ele tem um disco de música experimental lançado na Europa, por um selo norueguês. Não sei entretanto, se trata-se de um disco solo, se é de uma orquestra ou uma banda. O Cido Trindade é bastante citado na minha autobiografia em três capítulos : Boca do Céu, Trabalhos Avulsos e Terra no Asfalto. Foi um bom amigo nos primórdios do Boca do Céu e deu-me o primeiro empurrão na carreira, tirando-me da banda de garagem inicial que era aquela banda, para algo num patamar acima, ao chamar-me para integrar a banda de apoio do cantor Tato Fischer. Dessa banda, surgiu o “TNA” e além disso, chamou-me também para outros trabalhos paralelos e mesmo não tendo mais contato comigo, sou-lhe muito grato por essa ajuda e amizade naquela época em que convivemos, entre 1977 e 1982.

Geraldo “Gereba”

Pela talento nato que possuía, o Gereba merecia muito mais, mas infelizmente, a sua curta carreira como guitarrista foi vivida tocando com uma guitarra de má qualidade técnica, caso da "Rei", uma marca nacional simplória e que copiava o design de algumas guitarras da Fender norteamericana, caso dos modelos "Jazz Master"; "Mustang" e "Jaguar", mas de forma grotesca, infelizmente...

Nunca mais vi o Gereba depois da frustrada tentativa de reativar o Terra no Asfalto, na metade de 1982. Sei apenas que ele faleceu anos depois, por conta de uma cirrose. Não tenho essa confirmação oficial sobre a época do ocorrido, nem onde foi. O que posso dizer para ilustrar sobre ele, acredito já ter expresso amplamente no capítulo inteiro, sempre que referi-me à sua figura.
Reforçando, Gereba era um talento bruto, sem nenhuma instrução musical. Era puro ouvido e “feeling”. Seu estilo era brasileiro, e o seu ídolo máximo era o Pepeu Gomes, de quem tirou todos os solos à perfeição. E tal como Pepeu, tocava sem nenhuma estrutura digna de seu talento. Usava uma guitarra da obscura marca "Rei", péssima, e nunca teve uma guitarra importada de qualidade.
Outro ídolo que ele tinha, era o guitarrista do grupo “Ten Years After”, o britânico, Alvin Lee. Mesmo sem entender uma só palavra em inglês, ele adorava o Ten Years After e sabia tocar muitas músicas, reproduzindo o som do Alvin Lee, de uma forma muito emocionante. Como ser humano, o Gereba era gente boa. Sujeito simples e alegre o tempo todo. Era, guardadas as devidas proporções, uma espécie de "Garrincha" do “TNA”. Prosaico e ingênuo em certos aspectos, porém um monstro de criatividade e desenvoltura à guitarra, tal como o jogador das pernas tortas era para o futebol.

Wilson Canalonga Jr. ("Wilsinho")

O Wilson usou no Terra no Asfalto um modelo de guitarra exatamente como esse de foto. Tratava-se de uma Giannini, modelo "Pingo de Ouro", preta como a da foto. Era uma guitarra que a Giannini lançou no mercado ao final dos anos setenta, como réplica da guitarra britânica "Vox", modelo "Tear Drop", imortalizada pelo saudoso guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones, nos anos sessenta. Mas aqui esse modelo da Giannini também era conhecido como "Guitarra Craviola" ou "Pingo de Ouro"
 
Quando deixou o TNA no início de 1982, o Wilson já estava imbuído de um objetivo pessoal : estudar música. E de fato, entrou no "Clam", a famosa escola do Zimbo Trio. Naquela escola, que era excelente pela sólida pedagogia baseada em cursos americanos, a mentalidade era excessivamente jazzística. Nada contra, mas quem entrava naquela egrégora, tendia a afastar-se do Rock, criando paradigmas e preconceitos. Encontrei com ele em 1983, mais ou menos e verifiquei que sua cabeça já estava diferente, só citando as feras do Jazz, etc e tal. Depois disso, fiquei muitos anos sem notícias, até que o Edmundo, nosso amigo em comum, contou-me em 2000, quando esteve presente num show da Patrulha do Espaço, que o Wilson havia mudado-se para o nordeste há muitos anos, e tinha desenvolvido uma técnica enorme na guitarra, tocando Jazz, e nem queria saber mais do Rock. Em conversa que tive com o Aru, ele passou-me mais informações, enriquecendo esta narrativa.
Agora sei por exemplo, que ele, Wilson, está no Recife e teve outra filha. E indo além, soube que no início dos anos noventa, chegou a formar uma banda de Rock progressivo com o próprio Aru, denominada "Nave". Após alguns desentendimentos, o "Nave" acabou sendo tocado adiante pelo vocalista Roger, ex-“Yessongs” (banda cover do Yes, cujo guitarrista era o Aru).
Essa circunstância não foi muito agradável segundo o Aru contou-me, com discórdia sobre o nome da banda, sendo que o fundador e criador do nome, era o próprio Aru. Mas o Wilson mudou-se para Recife e seu negócio é mesmo o Jazz. Ele continua casado com a Consuelo, que no tempo do “TNA”, era uma adolescente bem novinha apenas.
Paulo Eugênio tinha razão, Wilsinho tinha traços faciais bem parecidos com o Paul McCartney
 
Falando do Wilsinho que conheci no final de 1979, era um guitarrista iniciante, mas com muita vontade de desenvolver-se ao máximo na guitarra. Se nos solos e harmonizações, ainda não era o grande músico que viria a ser depois, sua participação como guitarrista base, violonista e backing vocals do TNA, sempre foi muito importante. No quesito humano, era um rapaz tranquilo, prestativo e sempre disposto a ajudar as pessoas.
Fanático pelos Beatles, tinha bastante semelhança fisionômica com o Paul McCartney e nas apresentações, o Paulo Eugênio brincou muitas vezes com ele, chamando a atenção do público para esse detalhe. Em 2012, acrescento que através do Aru Junior, o guitarrista Wilson Canalonga Junior descobriu meu endereço no Facebook e adicionou-me. Fiquei muito feliz com essa solicitação de amizade, e claro que aceitei-o imediatamente, e indo direto ao seu “inbox”, escrevi uma longa saudação, onde expliquei-lhe a minha determinação em estar escrevendo as minhas memórias, e que havia um capítulo exclusivo para contar a trajetória do Terra no Asfalto. Encerrando, reforço o meu agradecimento ao Wilson, pelo companheirismo que tivemos entre 1979 e 1982, atuando juntos no Terra no Asfalto.

Aru Júnior
                              
          O grande guitarrista Aru Junior, em foto bem mais atual

Em maio de 2012, fui visitar o Aru em sua casa, onde passamos horas falando sobre nossas lembranças do “TNA”. Muitas informações novas foram-me passadas desde essa visita e ajudaram-me a encerrar esse capítulo do “TNA”, com maior riqueza de detalhes. O Aru foi o membro do “TNA” que tive mais contato depois do fim da banda. Lembro-me em 1988, convidou-me a conhecer sua casa na ocasião, onde mantinha um estúdio de ensaios. Nessa época, estava casado com uma cantora chamada Dadá Cyrino, que também fora apresentadora da TV Cultura de São Paulo, onde chegou a apresentar A Chave, na fase "sem Sol" (conto essa história no capítulo adequado).
Ele cogitava montar uma banda autoral nessa época e chegou a convidar-me para conhecer o trabalho, mas eu estava com A Chave e não pude comprometer-me na ocasião. Sua esposa na época, estava para lançar-se no mercado fonográfico hispânico, com um repertório pop latino e talvez sobrasse oportunidade para ser side-man. Mas não frutificou, apesar deles terem ido ver um show da Chave, no Black Jack Bar nesse ano, 1988. Anos depois, o Aru apareceu num show da Patrulha do Espaço no Centro Cultural São Paulo (em 2000, para ser preciso). Ele conhecia o Rolando Castello Júnior desde os anos setenta, pelo fato do Júnior ter namorado a sua irmã, Ruth. Em retribuição, fui assistir a apresentação da banda “Yessongs”, cover do "Yes", no Café Piu-Piu do bairro do Bexiga, dias depois. Fiquei contente por vê-lo tocando e cantando em grande estilo, o repertório complexo do Yes e com perfeição, ainda mais tendo o excelente baixista Gerson Tatini (Ex-Moto Perpétuo), na formação e sem dúvida o maior especialista em executar as linhas do Chris Squire no Brasil.
Em 2011, quando comecei a tocar com o Kim Kehl e Os Kurandeiros, o baterista Carlinhos Vergueiro  contou-me sobre a entrada do Aru na banda de apoio do ex-Secos & Molhados, Gerson Conrad, onde ele foi baterista por muitos anos. Fiquei muito contente por saber dele, quando decorrente desse contato, rapidamente adicionamo-nos no Facebook, e agora o contato está sacramentado, pois além do mais, moramos no mesmo bairro.

Bem parecida com essa, assim era a Gibson SG do Aru Junior, que tantos solos de alto padrão produziu para o Terra no Asfalto 

E outras duas curiosidades que ele contou-me na tarde de 2 de maio de 2012 : a primeira, foi relatada quando eu falei sobre o Fernando Mu, nestas considerações finais. A segunda, diz respeito à própria família dele e surpreendeu-me, pelo caráter inusitado da coincidência ao melhor estilo "mundo pequeno". No capítulo "Trabalhos Avulsos", relatei a formação de um trio instrumental onde atuariam eu; Cido Trindade e o cunhado dele, Luis, um guitarrista de estilo bastante jazzístico. Pois bem, quando perguntei dele (o cunhado, Luis), fui informado que a segunda filha dele, sobrinha do Aru, era estrela no mundo do Indie Rock internacional...como assim ??
Chama-se Luiza e é guitarrista da banda indie, "Cansei de Ser Sexy". Inacreditável mundo pequeno !!
Quando o “TNA” estava na ativa, lembro-me do nascimento da primeira filha do casal Luis & Ruth, chamada Diana. A Luiza nasceu depois; cresceu; tornou-se guitarrista, e hoje faz tours mundiais com sua banda...
Bem, falando do Aru, especificamente, tenho a dizer que trata-se de um músico de sólida formação teórica. É multi instrumentista, pois toca bem piano e estudou violoncelo numa universidade americana. Como guitarrista, é excepcional e seu estilo transita entre Steve Howe e Jimmy Page em doses maciças e com pitadas generosas de George Harrison nessa receita. Bom vocalista e com talento como arranjador, quando entrou na banda, tornou-a segura, toda arrumadinha tal como uma orquestra. Se por um lado perdemos o ímpeto dos primeiros tempos com a espontaneidade do Gereba e a rebeldia rocker do Mu, com o Aru, transformamo-nos uma orquestra bem ensaiada e muito segura.
Aprendi muita coisa com ele, que era bem mais experiente. Mas uma coisa que aprendi com ele e reputo ter mudado a minha vida, nem tem a ver com teoria musical e diz respeito à mise-en-scené : ele insistia para que todos fizéssemos movimentos com o instrumento, pois segundo dizia : -"o público leigo não entende de música em sua maioria. O sujeito do público olha e não sabe discernir se você toca bem ou mal. Mas se você agitar-se freneticamente, o convencerá que você é ótimo". Nunca mais esqueci-me dessa dica, e a partir do nascimento da Chave do Sol, adotei uma performance de palco a mais frenética possível.
Com isso, despertei a atenção de fãs e jornalistas que criaram uma aura sobre minha carreira, superestimando-me. Muito do que construí na minha carreira, foi graças a essa postura cênica adotada e decorrência da valiosa dica do Aru.
E sou-lhe eternamente grato por ter tido o cuidado de escolher a dedo um baixo de extrema qualidade na América, que acompanha-me até hoje, gravou todos os discos da minha carreira e aparece em dúzias de vídeos das bandas onde atuei.
Realmente foi uma escolha preciosa, pois esse baixo é mesmo demais como instrumento e foi o meu primeiro baixo de alto nível que tive, após anos tocando em instrumentos de segunda e terceira linhas. Esse é Aru Junior, um verdadeiro maestro, com uma vivência enorme na música, além do talento e alta capacidade técnica. Vá assisti-lo nos shows do Gerson Conrad, onde é seu guitarrista, e comprove !!

Paulo Eugênio

Uma Brasília preta bem parecida com a do Paulo Eugênio. Considero tal carro emblemático na história dessa banda, ao ponto de sempre que penso nesse carro, despertar-me lembranças desse trabalho e dos companheiros que nele militaram comigo
 
Depois que fizemos a reunião final de acerto das contas do equipamento, em 1983, nunca mais tive contato algum com o Paulo Eugênio Lima. Em visita que fiz à casa do guitarrista Aru, tive uma péssima notícia a seu respeito. Fui informado que ele faleceu há cerca de 5 ou 6 anos atrás (Sob a perspectiva de 2016, deve ter sido em 2009 ou 2010, o Aru também não sabia essa informação com precisão). Segundo ele disse-me, o Paulo Eugênio faleceu numa mesa de cirurgia de hospital. Não sabemos se em decorrência de uma doença, ou se sofreu um acidente, ou mesmo se ainda fora vítima de alguma violência urbana, enfim. Paulo Eugênio Lima era um bom cantor, sem dúvida. Mesmo sem instrução teórica, ele tinha noções boas de afinação; pulso; ritmo; andamento; emissão; respiração; enfim, o be-a-bá do vocalista. Era também um bom percussionista, muitas vezes ajudando com suas intervenções rítmicas, trazendo balanço à banda. Tinha boa dicção e cantava bem em inglês, com pronúncia aceitável. Sua performance de palco era boa, com desinibição, e comunicava-se bem com o público, muito respaldado por ter sido guia de excursões à Disney World. Ele sabia conduzir o público e tinha um carisma legal. Lamento muito que já tenha partido, considerando que era pouca coisa mais velho do que eu, e hoje talvez estivesse na casa dos cinquenta e poucos anos, de onde concluo que faleceu muito jovem. O Paulo era uma personalidade aglutinadora para a banda. Sempre foi o dínamo nesse sentido, tomando a dianteira para reformulações necessárias na parte interna da banda, além de ser o “business man”, pois todos os contatos de apresentações, eram fruto de seus esforços, não como empresário, eu diria, mas como relações públicas, sem dúvida, pois tinha esse dom natural em sua personalidade, envolvendo as pessoas com seu poder de persuasão. A "Brasília preta" que ele possuía, era emblemática, pois era o "Pauloeugêniomovel" oficial e é praticamente um símbolo do Terra no Asfalto, naqueles três anos em que convivemos e trabalhamos pelos bares de São Paulo. Que esteja bem lá no céu, cantando com o Mu e o Gereba, talvez numa nova fase da banda, agora chamada : “Céu no Asfalto”

Último capítulo desta parte importante de minha trajetória musical. Como já deixei claro ao longo de toda a narrativa, o Terra no Asfalto foi mais que um "ganha-pão", num momento em que eram cruciais dois aspectos para a minha vida :
1) Ganhar dinheiro e;
2) Autoafirmação como músico profissional.

Indo além, foi um verdadeiro curso intensivo que fiz, dando-me experiência musical; destreza ao instrumento; segurança; postura de palco e convívio com músicos de alto nível. Infelizmente, além da narrativa desta autobiografia, praticamente não existe material da banda. Por tratar-se de uma banda cover, nunca cogitamos fotografar apresentações, tampouco fazer uma sessão de fotos promocionais (lastimável !!). Não existe um release oficial, histórico ou qualquer material, a não ser minhas anotações de apoio com datas, locais e quantidade de público presente nas apresentações, fora pouquíssimos itens de portfólio, como tenho usado e abusado como ilustração nos capítulos (referindo-me às postagens nos meus Blog dois e três, naturalmente). Melhor que nada, diria o otimista, mas muito pouco para o pessimista de plantão...

Agradeço a todos os companheiros que passaram pela banda, por todos os shows que fizemos. Mas sobretudo pela enorme ajuda que deram-me, ao fazer a transição de que tanto necessitava, em suplantar a barreira inicial dos primeiros e difíceis anos de minha carreira, para uma condição de músico profissional, em condições de lutar por uma carreira autoral no mundo musical.
"Pinguim", a tradicional marca de uma bateria nacional bem feita, inspirada na clássica "Ludwig", norteamericana e que Cido Trindade possuía e com a qual tantas vezes tocou com o Terra no Asfalto
 
Obrigado ao Cido Trindade, por acreditar em minha pessoa e num momento onde percebeu que eu melhorara como instrumentista, vislumbrou levar-me para um trabalho de side-man acompanhando o cantor Tato Fischer, e sem o qual, não acarretaria na oportunidade de ter conhecido o tecladista Sérgio Henriques. 
Um piano elétrico da marca alemã, "Würlitzer", idêntico ao que o excelente tecladista Sérgio Henriques possuía e cujo sonoridade executando peças como "Long Distance Runaround" do Yes ou "Lady Madonna", dos Beatles, entre tantas outras canções, ainda ressoam em minhas lembranças das noitadas em que tocamos juntos com o Terra no Asfalto

Agradeço ao Sérgio Henriques por ter retirado da manga, a oportunidade desse trio que acompanhava Tato Fischer, fundir-se a um outro trio de músicos e ter nascido aí o primeiro sexteto raiz do Terra no Asfalto. Sem Sérgio Henriques, eu não teria conhecido Paulo Eugênio, que era o homem aglutinador do TNA. Através de Paulo Eugênio, conheci Wilson; Gereba; Mu; e Aru Junior, quatro guitarristas da pesada.

Paulo Eugênio era bom na percussão e suas intervenções sempre ajudaram a banda a ter mais "molho" em suas interpretações, principalmente de temas da MPB


Obrigado Paulo Eugênio, onde estiver, por ter-me proporcionado a chance de tocar com essas feras, por oitenta e três vezes, onde sem dúvida, teve o peso de um curso intensivo em minha formação musical.

A famosa guitarra "Craviola" da Giannini, marca registrada de Wilson Canalonga Junior no Terra no Asfalto 

Obrigado ao Wilson pelo convívio; amizade; conversas sobre os Beatles que adoramos e pela possibilidade de ouvir suas vocalizações nos bonitos backing vocals que fazia.

A guitarrinha "Rei" era horrenda, mas nas mãos do Gereba, soava com sonoridade de gente grande ! "Um Bilhete para Didi" e para o Gereba, também !!
 
Obrigado, Gereba, pela guitarra "arretada". Seus solos inacreditáveis ainda ressoam na minha memória, cheios daquela brasilidade que só você e o Pepeu Gomes tem... que esteja tocando-os aí, do "outro lado"!!

Uma Gibson Les Paul, modelo Junior. A que pertencia ao Mu era do ano de 1958, uma verdadeira joia rara e que um dia um malfeitor da vida levou fortuita e lastimavelmente. Tenho quase certeza de que tratou-se de um gatuno incauto, que sequer nem mensurou o valor estratosférico que ela tinha. E o que o Mu fazia com ela, então...era um verdadeiro azougue 

Muito grato, Mu. Você foi o primeiro grande guitarrista Rocker com o qual pude ter a honra de tocar. Tocar contigo, era como estar no palco do festival de Woodstock, tocando com um Deus do Rock, de verdade. Jamais esquecerei sua interpretação de "Star-Spangled Banner", fazendo toda a ruideira de alavancas do Hendrix, numa Gibson Les Paul Junior, puxando o headstock na mão ! Fazer aquilo sem alavanca, era inacreditável e deixaria o Hendrix de queixo caído !!

Foto promocional de Gerson Conrad & Trupi, por volta de 2012. Aru Junior é o primeiro à esquerda, seguido de Gerson Conrad; Carlinhos Machado e o rapaz à direita, deduzo ser baixista da banda, mas infelizmente, foge-me seu nome.          

Obrigado, Aru ! Você foi um professor e um maestro na minha iniciante trajetória naquela época. Sua dica de mise en scene mudou mesmo a minha vida e se sou respeitado na minha carreira, devo muito a essa orientação valiosa. E que bom que esteja do "lado de cá", espero que por muitos anos, ainda.

Impossível lembrar-me do Luiz "Bola", sem associá-lo ao grande mestre Frank Zappa, do qual era fã incondicional. "Don't Eat the Yellow Snow, Uncle Meat !!
 
Obrigado, Luis “Bola” ! Você foi muito legal comigo e os sons do Frank Zappa que ouvimos na sua casa, foram sempre muito incríveis.

Torço para que Edson "Kiko" tenha realizado-se com a World Music que apreciava e onde desejava militar em sua carreira
 
Edson "Kiko", já expressei na narrativa, minhas desculpas reiteradas vezes. Espero que esteja bem neste momento !

Um agradecimento especial ao Edmundo, pelo apoio recebido logo no início das atividades da banda e amizade expressa por muitos anos, ainda que vejamo-nos sazonalmente. 

Aos agregados, amigos e músicos com passagens rápidas, um muito obrigado, igualmente.

O Terra no Asfalto teve méritos, apesar de ter sido somente uma banda cover. Nos agradecimentos expressos acima, fica uma constatação : teve o efeito de um dominó...uma peça ligou-se à outra, e sem as quais, eu não teria tido tantas oportunidades. 

Muito obrigado por ler esta história, amigo leitor ! 
O fim do Terra no Asfalto é o começo da história da Chave do Sol na minha trajetória. Basta continuar lendo dali em diante...