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sábado, 16 de novembro de 2019

Crônicas da Autobiografia - Avisa Esse Baixista Preguiçoso, que Ele Precisa Tocar em Pé - Por Luiz Domingues

 Aconteceu no tempo de Kim Kehl & Os Kurandeiros, em 2012

Já havíamos tocado muitas vezes nessa casa, chamada, Magnólia Villa Bar e antes mesmo de eu ter ingressado na banda, em agosto de 2011, Os Kurandeiros já possuíam uma tradição em ali apresentar-se com regularidade. 
 
Pois foi certa vez, no início do ano de 2012, que um fato curioso ocorreu e não foi ali no calor da apresentação, mas sim, graças a exibição de um vídeo dessa referida ocasião, assim que ele foi postado devidamente no portal da Internet, YouTube. 

Ocorreu que especificamente nesse show, eu havia mexido no estojo do meu instrumento que usaria, durante a tarde e quando cheguei ao estabelecimento e fui preparar o meu set, verifiquei que havia esquecido-me da minha correia e para piorar a situação, nem mesmo a correia sobressalente que sempre levo, e que também fora suprimida indevidamente durante a arrumação vespertina que eu promovi, portanto a caracterizar o lapso que cometi ao mexer no estojo e não repor todos os acessórios necessários, mediante uma checagem básica. 

Fiquei muito chateado na hora, pois um deslize desses é imperdoável para qualquer profissional que se preze, mas de nada adiantava lamentar. Pedi desculpas aos companheiros e logo solicitei ao Kim a gentileza em emprestar-me uma correia de suas guitarras, mas ele também não tinha uma sobressalente, pois apenas contava com a sua usual, para poder trabalhar. 

Enfim, como resultado, não tive outra alternativa a não ser tocar sentado, nessa apresentação. Deselegante em face que a nossa postura não era igual a de músicos eruditos ou mesmo de jazzistas tradicionais, que tocam normalmente sentados, sem nenhum problema, mas com a postura Rocker, em tocar em pé. 

Bem, diante da impossibilidade e com a solidária compreensão dos colegas, lá fui eu tocar a noite inteira sentado em uma cadeira, um tanto quanto constrangido, internamente, mas a tocar tranquilo pelo respaldo dos colegas, sobretudo e também das pessoas da audiência que não demonstraram nenhum incômodo. 
 
E pelo contrário, tal situação motivou piadas amenas, como por exemplo quando o Kim ao apresentar-me, ter falado alguma coisa sobre eu ser preguiçoso, mas em tom de brincadeira super respeitosa, que eu e todo mundo entendeu perfeitamente em tratar-se de algo bem leve. 
 
Todavia, alguns vídeos dessa noite foram postados no You Tube, e assim, eis que no dia seguinte, um rapaz que dizia-se músico e um estudioso do Blues, oriundo de alguma cidade de um estado da região Centro-Oeste, Mato Grosso ou Goiás, não recordo-me, postou um comentário com uma certa dose de agressividade, que chamou-nos a atenção. Iniciou com uma boa dose de soberba a falar sobre si mesmo e o quanto “entendia” de Blues, para depois passar a analisar a nossa performance como se fosse um crítico renomado de algum órgão importante da imprensa. 
 
Até aí, tudo bem, as pessoas são livres para externar as suas impressões. Mas o rapaz, nitidamente, mais pareceu estar preocupado em exibir-se como um “expert” no assunto e muito pelo contrário, o seu suposto conhecimento mostrou-se bem limitado pelas colocações que emitiu em termos de explanações sobre teoria musical, produção de áudio e musicologia. 
 
E o auge de seu comentário veio diretamente relacionado ao meu esquecimento daquela noite, pois finalizou da seguinte maneira: -“a banda é boazinha, até que interpretou bem o Blues em questão, mas avisa esse baixista aí, que ele precisa largar mão de tocar sentado e aprender que o Blues merece o respeito em ser tocado em pé”.

Um vídeo dessa noite em que comentei, a mostrar a performance da banda a executar "Sweet Home Chicago", com Renata "Tata" Martinelli no comando da voz e participações especiais do tecladista, Alexandre Rioli e do hoje saudoso guitarrista, Claudio "Urso" Camargo. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Magnólia Villa Bar de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2012.
Eis o link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=0iHvrpQLtpg 

Ora, ora, eu respeito o Blues, fiquei chateado por haver tocado sentado naquela noite e tudo fora fruto de um acidente motivado por uma distração fortuita ao preparar o meu instrumento previamente em minha residência. 
 
Mas o rapaz não quis saber e fez o seu julgamento impiedoso e com direito a advertir-me sem saber da situação que motivara-me a tocar dessa forma e muito menos saber da minha trajetória na música e o zelo que sempre tive/tenho e terei para apresentar-me da melhor forma possível. 
 
Foi o tal negócio, como era/é fácil tecer críticas gratuitas... e que prazer mórbido a maioria das pessoas que prestam-se a tomar tal tipo de atitude nociva em redes sociais, parece obter com isso.

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