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domingo, 1 de novembro de 2015

Sidharta - Capítulo 1 - Buscando o Sonho Sessenta / Setentista - Por Luiz Domingues

 
Cansado de interagir no mundo underground (mesmo fazendo um som com elementos "indie", e nem assim conseguir entrar enfim no mainstream), saturei-me, e dessa forma, eu pedi as contas do Pitbulls on Crack, após um último show em 1997.

Nada contra os colegas, mas a aposta na contramão também não lograra êxito para mim e dessa forma, decidi radicalizar, saindo e partindo para um projeto onde decidira tocar o som que gostava, sem nenhuma preocupação com o mercado, a opinião dos críticos comprometidos com o niilismo de 1977, e sem preocupação financeira, visto que me virava dando aulas. Meu plano era uma banda onde pudesse planejar cada pequenino detalhe e não errar, baseando-me na experiência dos erros cometidos em trabalhos anteriores.

Luiz Domingues e Rodrigo Hid na minha sala de aulas, em 1996

E o primeiro quesito, seria a escolha dos membros. O primeiro que pensei, foi Rodrigo Hid, mas cabe uma explicação anterior. Comecei a ministrar aulas em julho de 1987. No início, procuravam-me, garotos fãs d'A Chave do Sol, minha banda na década de oitenta, e o espectro de 99 % deles, era o Heavy-Metal, e o Hard oitentista. Com o tempo, isso foi mudando e lá por 1992, começou a aparecer uma nova safra de garotos na minha sala de aulas, e para o meu espanto, muitos, influenciados por bandas dos anos 1960 e 1970. Então, entre 1992 e 1999, minha sala de aulas tornou-se um núcleo, onde bandas formaram-se, e ideias borbulhavam.

E não eram só esses alunos, mas vários agregados que se aproximavam com a mesma mentalidade, como por exemplo, companheiros de suas bandas de garagem; irmãos; amigos; primos; namoradas, etc. Já em 1994, estava formado um pequeno exército de "neo-hippies". Garotada extremamente jovem, e antenada nessas décadas. Era engraçado ver o entra-e-sai da minha casa, de cabeludos usando batas coloridas e calças boca-de-sino anacrônicas. E nessa euforia retrô, percebi o talento de vários meninos, entre eles : Rodrigo Hid e Marcello Schevano. Não pensei no Marcello num primeiro instante por ele ser muito novo, mas o Rodrigo, com 18 anos em 1997, parecia mais preparado.

Então, sabendo que ele acabara de encerrar as atividades com sua banda adolescente, o "Eternal Diamonds" (cujo baixista era o meu aluno Alexandre "Leco" Peres Rodrigues, e hoje em dia, o baixista e líder do Klatu), fiz-lhe o convite, no que ele aceitou prontamente.
Conheci o Rodrigo em 1993, apresentado pelo Alexandre como seu colega de escola, e guitarrista de sua banda. Apesar de ser um adolescente imberbe, logo impressionei-me quando vi-o tocando violão. Tinha uma técnica muito acima do esperado para um adolescente, e com ótimas influências.

Rapidamente soube que seu pai (meu grande amigo, Tufi Hid), era  guitarrista desde os anos sessenta, quando teve uma banda, que apresentou-se no circuito de bailes; domingueiras, e matinês de clubes paulistanos, como o Clube Atlético Ypiranga, por exemplo, o glorioso "CAY", no Ipiranga, bairro onde os membros da sua banda, viviam. Tufi estudou no Colégio São Francisco e os outros membros da banda, no Colégio Alexandre de Gusmão, e eu gostei muito de saber através dele, que nos anos sessenta, não havia um quarteirão do Ipiranga que não houvesse ao menos uma banda, e isso era o mesmo que eu lembrava-me da Vila Pompeia, do outro lado da cidade, onde eu vivia em 1966 e 1967. Tempo mágico...

                      Rodrigo e Tufi Hid, em foto bem atual

Tal banda chamava-se "D'Bicols", um trocadilho engraçado com o fato de considerarem-se "bicos" (uma gíria de época que designava gente "folgada" que entrava em festas alheias sem ser convidada), com a óbvia menção à banda máxima dos anos sessenta, The Beatles. Tal banda fora fundada em 1966, e Tufi Hid foi seu guitarrista até 1969, quando saiu e a banda continuou em atividade por mais um tempo. Muito interessante notar que na sua formação, passou gente que faria carreira na música, posteriormente, como Gal Oppido (futuro baterista do Grupo Rumo, nos anos 1970 / 1980); Zé Gaspar (atua até hoje, com uma big band de R'n'B / Soul e Blues pela noite paulistana); e Irineu Gasparetto (irmão de Luiz Gasparetto e filho de Zíbia Gasparetto), além de Xandão, e Ricardinho Correia (filho do famoso repórter "Tico-Tico", que foi muito famoso na Rádio e TV Bandeirantes, por muitos anos).
Tufi contou-nos que existe uma filmagem em Super-8 de uma apresentação do "D'Bicols", feita pelo próprio "Tico-Tico", mas infelizmente não possui uma cópia. Certa vez, num show na cidade de Praia Grande, por volta de 1967, Tufi chegou a tocar com uma guitarra que pertencia ao Roberto Carlos, oferecida como empréstimo por Mariozinho Rocha. Tufi ensinara violão e guitarra ao Rodrigo, desde criança, além dele ter tido aulas de piano. E aos 8 anos de idade, Rodrigo venceu um desafio de execução de músicas dos Beatles, concorrendo com adultos. Isso ocorreu numa festa do fã-clube "Revolution" (não na sede da av. Faria Lima, mas numa casa noturna chamada "Espaço Retrô"), dos Beatles, onde o Rodrigo tocou com adultos, membros de bandas cover dos Beatles (sua memória não foi precisa, mas contou-me terem sido membros de bandas cover famosas da noite paulistana, como "Comitatus" e "Beatles Forever"), e com seu desempenho impressionante para um menino de 8 anos, ganhou um disco pirata dos Beatles.
Esse feito foi registrado pelo jornalismo do SBT, e o Rodrigo tem essa reportagem numa fita VHS, mas não sei se providenciou a sua digitalização. Além disso tudo, eu sabia que ele tinha talento vocal, pois diversas vezes vi-o imitando o Greg Lake, cantando trechos de músicas do King Crimson, e ELP, com um timbre absolutamente parecido e muito alcance; sustentação; afinação e emissão potente.

Sabia então, desde muito tempo, que ele era um tremendo vocalista.
E para completar, sabia de seu talento como compositor, pois mostrava-me suas canções e apesar da sua suposta imaturidade à época, o material era de qualidade. Uma vez, chegou a mostrar-me uma, com um arranjo de cordas sofisticado, que elaborara num sintetizador. Na época, setembro de 1997, eu tinha 37 anos de idade e ele, quase 19. Num primeiro instante, eu tinha a convicção de seu talento, mas confesso que internamente fiquei num conflito, pois estava formando uma banda com alguém muito inexperiente, e isso  gerou-me dúvidas. Mas relevei essa insegurança, e mantive o convite.

O Sidharta na verdade, começou na minha cabeça bem antes.
Foi uma conjugação de vários fatores, insights, ânsia de libertação de várias amarras acumuladas, e esperança, principalmente numa surpreendente juventude que borbulhava em ideias antenadas na egrégora sessentista, que eu recebia na minha sala de aulas de baixo. Esse sentimento que começara timidamente no finalzinho dos anos 1980, na minha mente, foi crescendo com o avançar da década de 1990, e refletiu-se no aparato que cercou o lançamento do CD Lift Off do Pitbulls on Crack. Evidentemente já falei sobre isso no capítulo do "P.O.C.".

Então, nesse sentimento forte de resgatar minhas raízes sessenta-setentistas, resolvi romper com toda forma de subserviência e resignação em torno desse fio-da-meada inconvenientemente rompido, e decidi assim sair do Pitbulls, e formar uma nova banda da estaca zero, sem importar-me com questões mercadológicas, estética comprometida com a tendência contemporânea, ou coisas correlatas.

A ideia era curta e grossa: seria uma banda inspirada na estética daquelas duas décadas, aberta a todas as suas vertentes, e trazendo signos paralelos e inerentes.

Rodrigo Hid em 1997, parecendo um gnomo que teve uma boa ideia...

Quando essa ideia amadureceu enfim, o primeiro nome que convidei foi Rodrigo Hid, jovem talento que conhecia desde o início da década, e além do talento musical enorme que já demonstrava, ele tinha uma formação cultural sólida no tocante ao apreço pelas décadas de 1960 / 1970. Como já comentei, tinha minha insegurança apenas por ele ser muito jovem e inexperiente, mas nunca tive nenhuma apreensão em relação a sua musicalidade, pelo contrário, isso era uma grande esperança que nutria, na questão da qualidade que a banda teria.

Ele cresceu aprendendo guitarra e violão com seu pai, e ouvindo música de qualidade, graças a uma enorme quantidade de vinis da coleção do Tufi Hid, seu pai. Rodrigo aceitou de pronto o convite, e mostrou-se animado com o projeto. Começamos a mostrar Riffs que tínhamos um ao outro, e o segundo nome foi convidado : Luciano Curvello, o Deca, guitarrista do Pitbulls On Crack.

Apesar de certas desconfianças análogas, como já relatei anteriormente, não, não tive receio algum da minha busca, pois estava rompendo com uma série de coisas, e sendo assim, estava cônscio e convicto do que queria. Além do mais, estava cansado de buscar brechas para entrar no mainstream por um lado, ou pelo outro (Pitbulls). Portanto, cheguei a conclusão em 1997, que se não agradava nem gregos, nem troianos, eu deveria era despreocupar-me, e ir atrás do som pelo prazer, e não pela oportunidade.

Falando das bandas que tive nos anos oitenta, Língua de Trapo e A Chave do Sol, não eram "oitentistas", propriamente ditas.
O Língua fazia música satírica, e portanto, necessariamente atemporal, e A Chave do Sol só aproximou-se de algo mais oitentista em dois momentos : em 1985, por imprimir peso "mezzo" Heavy no EP daquele ano, e após 1986, quando reformulou-se, buscando um Hard mais pop. E mesmo assim, no caso do EP, os arranjos de Jazz-Rock mais eram setentistas do que qualquer outra coisa, apesar do peso Heavy, e na fase Hard-pop, havia um pouco de elemento oitentista, mas cargas setentistas via "Led Zeppelin"; "Bad Company"; "Free", e outros, bem mais marcantes.
Oitentista mesmo, foi a fase final, pós 1988, com aquela nova formação e a cabeça mergulhada no virtuosismo a la Malmsteen, vindo da parte dos novos componentes, Edu Ardanuy e Fábio Ribeiro. E quanto ao Pitbulls on Crack, ele era bem indie noventista, mas com o Deca fazendo solos "AC/DCanos", e eu fazendo linhas de baixo trabalhadas (porque não aguento tocar numa nota só), acabava dando ares setentistas às músicas, mais parecendo o Glitter-Rock daquela década.

O grande Mott the Hoople na primeira foto, um dos maiores baluartes do movimento Glitter Rock britânico nos anos setenta. Na segunda foto, Deca, em foto bem mais atual, dos anos 2000

Pensei no Deca, por conhecê-lo como guitarrista e pessoa, visto que trabalhamos cinco anos juntos no Pitbulls on Crack, e ele também se mostrava cansado com a falta de maiores perspectivas para a banda, visto que alcançara grande exposição na mídia, mas simplesmente não alavancava-se para um sucesso maior. Em nossas conversas, ele além de mostrar essa certa frustração com os rumos do Pitbulls on Crack, dizia ter vontade de montar uma banda com características setentistas explícitas.

Daí, considerei uma escolha natural ter sua presença na nova banda, encorpando o som e trazendo mais experiência para contrabalançar com a juventude do Rodrigo. Feito isso, e após ter desligado-me do Pitbulls, começamos a reunir-nos para mostrarmos riffs, e começarmos a compor o material da nova banda. Começamos a pensar em nomes para a bateria. Eu estava obcecado pela ideia de formar uma banda radicalmente retrô, trazendo a sonoridade 1960 / 1970, sem subterfúgios, e sabia que não poderia errar na escolha dos membros. Tinha que ser uma pessoa que coadunasse-se com esses princípios.

José Luiz Rappoli, quando trabalhou numa loja de instrumentos, mostrando uma guitarra, mas não enganem-se, ele é baterista...

Fizemos uma lista, e o primeiro nome que surgiu, foi o de José Luiz Rapolli, baterista que tocou na "A Chave / The Key", tendo gravado o álbum, chamado "A New Revolution", de 1989, e lançado apenas em 1990. Caramba !! Por que não pensei no outro José Luiz, o Dinola, que tocou cinco anos na Chave do Sol, se era mais técnico, e muito mais amigo ?

Exatamente pela razão que expus acima, ou seja, por conhecer muito bem o Dinola, e saber que nesse projeto, ele não encaixar-se-ia direito, pois não tinha nem de longe essa ligação forte, seminal e "umbilical", eu diria, com essas décadas as quais eu queria promover um verdadeiro "religare"...
Então, expondo esses fatos ao Rodrigo e ao Deca, expliquei meus motivos e eles entenderam essa escolha. E claro, fiquei com a incumbência de procurar o Rapolli, e fazer-lhe o convite. Sabia que ele estava com dois empregos, trabalhando numa loja de instrumentos na Rua Teodoro Sampaio, aqui em São Paulo e tocando na noite.


Sabia que o Rapolli estava há anos mergulhado nessa dinâmica de tocar em bandas cover da noite, e que isso vicia muito mal o músico, mas não tinha a dimensão da permissividade com a qual isso já havia comprometido a sua descrença no trabalho autoral.
Sem essa informação concreta em mãos, fui atrás de um contato, e descobri a loja em que ele estava trabalhando. Liguei para ele, que mostrou-se muito receptivo, e disse-lhe que estava formando uma nova banda nessas características retrô, e que gostaria de conversar com ele pessoalmente, e explicar-lhe melhor as ideias e apresentar-lhe os outros membros, Deca e Rodrigo.

O Rapolli e sua banda Pink Floyd Cover. Ele é o segundo da esquerda para a direita

Marcamos para o sábado subsequente, e assim que cheguei no horário combinado, entrei na loja e ao saber que ele não estava ali no momento, recebi um recado por outro funcionário, de que ele atender-me-ia após o fechamento da loja. Disse-lhe que estaria ao lado, na loja de CD's do meu amigo Sergio Takara, e que as 17:00 h em ponto, voltaria. Faltando 10 minutos para as cinco da tarde, eu voltei e qual foi a minha surpresa ao ser informado que ele já tinha ido embora, e não deixou nenhuma justificativa, nenhum recado.

Quero crer que tudo não tenha passado de um enorme mal entendido, pois sempre tive o Rapolli como um tremendo sujeito do bem. Partimos então para a segunda opção: um baterista chamado Marquinhos Almada, que trabalhava no estúdio Spectrum, no bairro do Ipiranga, onde o Pitbulls on Crack ensaiava desde 1994.
Marquinhos ofereceu seus serviços, sabendo de nossa intenção, já que ouvira conversas nossas no estúdio. Marcamos então um papo com ele, em sua casa no Ipiranga. Lembro-me que era feriado de Nossa Senhora de Aparecida, 12 de outubro de 1997.


                            O bom baterista e gente boa, Marcos Almada

Então fomos conversar com o baterista Marquinhos Almada. 
Ele mostrou-se receptivo no primeiro instante, mas depois a conversa foi afunilando-se em torno do Hard Rock, e aí percebemos mutuamente que acabaríamos entrando num conflito mais para a frente, porque o Sidharta pretendia ser uma usina de sons abertas à várias tendências, e não só o Hard-Rock. Continuamos então pensando em outros nomes. Nosso amigo, o baterista Paulo Thomaz, então no Cheap Tequilla e hoje no Kamboja, sugeriu o nome de Alex Soares.

Na capa do CD do Big Balls, lançado em 1996, Alex Soares é o rapaz careca e afastado dos outros membros da banda na ilustração

Ele houvera sido baterista do Big Balls, do Xando Zupo, e era ex-aluno do Paulo. Contudo, estava "sumido", e o Paulo ficou de descobrir o seu paradeiro. Não acabou achando-o, mas quase sete anos depois eu estaria ensaiando nos primeiros momentos do Pedra, com ele... 

Veterano no circuito Rocker de São Paulo, o baterista Tibério Corrêa

Enquanto esperávamos o contato do Alex Soares, que na verdade, nunca chegou, pensamos também em Tibério Corrêa, por ser um músico que era egresso dos anos 1960 / 1970, e certamente entenderia a nossa proposta. Mas também ponderamos que ele estava envolvido demais com o Heavy-Metal oitentista do Harppia, sua banda, e talvez tivesse perdido o contato com as raízes.
Prosseguimos ensaiando, e compondo entre os três.
A primeira música que fizemos juntos, era uma ideia original minha, que tinha composto no violão, e o Rodrigo deu vários "tapas". 


Ainda sem nome definido, nem letra, era um soul bem setentista, com cara de "Blaxpoitation". Informalmente, nós a apelidamos de "Jackson Five". A segunda a ser composta, era uma ideia do Rodrigo. Um Rock que eu colaborei fazendo a letra, chamado "Retomada", que evocava aquele momento bonito de religação com o ideal Woodstockiano. Lembrava bem o Rock brasileiro setentista, talvez no estilo do "Bixo da Seda", ou "O Peso". Uma terceira canção foi composta pelo Rodrigo, e lembrava demais o "Led Zeppelin". Meio no jeito de "The Rain Song", ou "Ten Years Gone", por exemplo. Ele batizou-a com o nome mezzo esotérico, mezzo lisérgico de "O Pote de Pokst". Essas foram as primeiras, mas logo foram surgindo outras, ainda em 1997.


Então, findou-se o ano de 1997, com o Rodrigo preparando uma nova música, que seria batizada de "Alma Mutante" (a letra é minha), e nós dois trabalhando juntos num riff, que transformar-se-ia em "Tudo Vai Mudar". Eu não tenho nem 1% da habilidade aos teclados que o Rodrigo e o Marcello possuem.
Mas sei montar meia dúzia de acordes, e sustentar um ritmo 4/4 em stacatto, portanto, brincando num piano, no final de 1997, acabei compondo "Sr. Barinsky (Admirável Sonhador)". Claro, meses depois ela ganhou corpo nos ensaios, com a colaboração da banda toda nos arranjos. A letra, trata de um homem idoso que vê a vida passar pela sua janela, de forma incólume.

Confesso que inspirei-me em "Dear Prudence" dos Beatles para compor essa "Beatle Song" e "Eleanor Rigby", também dos Beatles, para escrever a letra na terceira pessoa, narrando essa história.
Na época, nem percebíamos, mas o Deca estava trazendo poucas ideias às composições. E ele é bastante criativo normalmente, vide os riffs de Rock'n'Roll que cria no trabalho do Baranga, sua banda desde 1999, mais ou menos. Mas isso só ficou claro, a partir de março de 1998, conforme esclarecerei posteriormente.

        José Luiz Dinola ao vivo com A Chave do Sol em 1986

Prosseguimos pensando num baterista ideal em janeiro de 1998, quando eu recebi o inesperado telefonema de um velho amigo: José Luiz Dinola, meu ex-colega de A Chave do Sol. O Dinola ligou para saber o que eu estava fazendo, pois pensava em convidar-me para um combo de blues que estava desenvolvendo com o guitarrista Marcelo Watanabe. Então, interpretando esse telefonema quase como um "sinal", eu resolvi lhe contar-lhe sobre o Sidharta; nossas pretensões; o talento incrível do Rodrigo como multi instrumentista, cantor e compositor; o ótimo guitarrista que o Deca era, e a existência já de algumas músicas compostas. Ele quis saber mais, e marcamos assim uma reunião na casa dele em Pinheiros, bairro da zona oeste de São Paulo, onde morava. Eu conhecia a cabeça dele, e sabia que muito provavelmente não encaixar-se-ia numa proposta retrô, mas... era um amigo nota mil e um grande músico.

Continua...

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