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domingo, 1 de novembro de 2015

Sidharta - Capítulo 4 - O Sonho não Acabou, apenas Voou numa Nave Diferente...

No início de 1999, surgiu a oportunidade de passarmos a ensaiar num estúdio bem perto da minha casa, chamado "Alquimia", no bairro da Aclimação. Perdemos o clima da autêntica tenda Hippie do estúdio do P.A., mas ganhamos na qualidade de instalações e equipamentos mais qualificados. No Alquimia, contudo, o clima nunca mais foi o mesmo dos primeiros tempos do Sidharta.
O Zé Luiz realmente estava insatisfeito, e não demorou muito para demonstrar-nos abertamente a sua discórdia, dizendo-nos num determinado ensaio de janeiro de 1999, que estava determinado a simplificar as suas linhas de bateria ao máximo, pois considerava seus arranjos todos "errados".

Ele chegou a dizer-nos que estava achando as músicas com pegada de "Heavy-Metal", certamente exagerando ao cubo nessa colocação. Segundo ele, nós estávamos equivocados, fazendo e arranjando músicas longe do padrão pop das FM's, e do que costumava ver na MTV etc etc...
Ora, basta voltar ao início deste relato, para verificar que eu sempre deixei claro à ele qual era o propósito do Sidharta. Portanto, não cabia surpresas nesse caso por parte dele.

Certamente que ele forçou a barra entrando na banda, mesmo sendo bem avisado de qual meta queríamos atingir, e suportou até exaurir-se, pois definitivamente, não era a "sua praia". Reconheço a vontade dele de fazer parte, querer tocar na banda e particularmente comigo novamente, pois sempre demo-nos muito bem como músicos e amigos. Fiquei chateado também, mas claro, sabia desde o começo, por conhecer o temperamento dele e seu gosto musical, que ele não encaixar-se-ia no projeto. Após essa afirmativa, o clima ficou pesado. Fizemos mais um ou dois ensaios depois disso, e aí chegando o carnaval de 1999, o clima ficou insustentável. Rodrigo e Marcello também queriam uma definição, e antes que eu convocasse uma reunião para esclarecer a sua posição, o Zé Luiz ligou-me e marcou um encontro só comigo.
Falarei disso a seguir, mas antes, abro parêntese para contar uma pitoresca história ocorrida em janeiro de 1999, e com o próprio Zé Luiz como protagonista.

Um dos últimos momentos engraçados com o Zé Luiz ainda na banda, rendeu uma história insólita, que não poderia deixar de ser contada. Aconteceu logo no início de 1999, quando fomos visitar um estúdio de ensaio no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Era um bom estúdio, muito bem montado e próximo à Rua Butantã, perto de onde hoje fica o Sesc Pinheiros. Haviam várias salas de ensaio, com equipamento de muita qualidade etc etc.
Então, o filho da dona do estabelecimento, que era guitarrista de Heavy-Metal (nessa banda tocava o vocalista inglês radicado em São Paulo, chamado Paul Di'Anno), quis mostrar-nos a sala de gravações, onde costumavam gravar fitas demo de ensaios. Estava ocupada naquele momento, mas ele insistiu e quis apresentar-nos assim mesmo. Eu fiquei constrangido, pois sei que visitas, quanto mais de estranhos, numa sessão de gravação, são super inoportunas.
Mesmo assim, ele levou-nos. Quando entramos na sala (estávamos eu; Luiz Domingues, Zé Luiz, e Rodrigo), vimos que era uma sessão de gravação de vocais de uma banda de Heavy-Metal melódico, e logo reconheci ao lado do técnico, a figura do guitarrista do "Angra", Rafael Bittencourt, que claramente estava no posto de produtor da banda.

O guitarrista da banda de Heavy-Metal, Angra, Rafael Bittencourt, que produzia a banda em questão, naquele momento

Não lembro-me mesmo quem era a tal banda, pois como sabem, ignoro o mundo do Heavy-Metal, e se esses garotos ficaram famosos depois disso, perdoem-me pela gafe, mas não saberia dizer quem são. Mas o fato realmente surpreendente dessa história, não tem nada a ver com a tal banda, nem com o guitarrista do Angra.
Havia um coprodutor envolvido nessa produção, e sua figura não poderia ser mais insólita : Clodovil Hernandes !!!

Era bizarro, mas o estilista / político e apresentador de TV, Clodovil Hernandes, mandava parar a gravação do vocalista a todo instante, fazendo observações subjetivas, e com isso, dando a entender que realmente estava dirigindo-o !! E tem mais : fazia isso longe da mesa de mixagem, deitado num sofá, gesticulando com aquele frescor que era-lhe típico...
Então, numa pausa, o filho da dona do estúdio (que por sinal era uma cantora veterana de Bossa Nova, mas cujo nome esqueci completamente, infelizmente), apresentou-nos àquelas pessoas.
O Rafael fez menção de conhecer-me e eu cumprimentei a todos com acenos, discretamente. Mas o Zé Luiz teve o impulso de apertar a mão de todos e nessa circunstância, dirigiu-se também ao sofá, e apertou a mão do Clodovil. Um certo constrangimento deve ter pairado no ar, pois o Rodrigo acabou tendo o mesmo impulso e fez o mesmo a seguir.

Feito isso, saímos rapidamente e depois que deixamos o estúdio, na rua, conversávamos sobre as impressões de cada um sobre o mesmo, quando demo-nos conta de que o Zé Luiz não tinha percebido que o homem do sofá era o Clodovil !!!
O Rodrigo falou : -"Zé, não é possível !! Você não percebeu que cumprimentou o Clodovil ??"
Aí ele respondeu : -"Não, nem o reconheci... mas bem que eu vi que era uma "bichona" deitada no sofá, e depois que apertei a mão dele, vi que era mole, igual de mulher..."
Ha ha ha !!! E garanto-lhe amigo leitor, essa distração do Zé era famosa. No tempo da Chave do Sol, aconteceram algumas vezes, e no capítulo adequado, tenho uma outra confusão ótima dele, envolvendo uma figura famosa do BR-Rock 80's, e que ocorreu em 1986 (tal aventura está contada no capítulo da Chave do Sol).

Voltando aos fatos cronológicos, foi assim, antes do carnaval de 1999, que os dois garotos cobraram-me definições, pois o clima ficou insustentável. Tínhamos um ótimo baterista; cantor; compositor, e arranjador, que também era um sujeito de caráter 1000%, trabalhador e muito experiente na música. Contudo, insatisfeito e num clima amplamente anunciado por eu mesmo, desde o começo, incompatível esteticamente com o trabalho.

E do lado dele, havia além da insatisfação com a estética da banda, certamente uma frustração. Não descarto a hipótese dele ter saído achando-me "turrão", irredutível e manipulador (no bom sentido !!), pois os garotos estavam fechados no mesmo ideal. Por outro lado, eu avisei insistentemente, desde o começo e no fundo, sei que ele sabia disso muito bem e que forçou entrar no projeto, mesmo sabendo que tinha uma meta muito bem definida, e da qual eu e os dois garotos, não pretendíamos mudar uma vírgula. Por sugestão dos garotos, fiquei de ligar para ele e conversar a sós, esclarecendo as diferenças e para tomarmos assim, uma decisão. Mas ele antecipou-se, e na noite da sexta-feira pré-carnaval, ligou-me e veio a minha casa para uma conversa franca.

Conversamos e amistosamente, ele anunciou a sua saída. Alegou o que sentia, lamentou, claro, e assim, acabou o ciclo do Zé Luiz Dinola no Sidharta. Claro que lamentei, pelos motivos já escritos exaustivamente neste capítulo, e também por ficar com essa frustração de não termos tocado ao vivo com essa banda. Ficamos mesmo só nesses meses e meses de ensaios; de onde produzimos 22 músicas; gravamos diversas demos caseiras, e um vídeo amador e curto de um ensaio. Comuniquei a decisão do Zé Luiz aos garotos ainda durante o carnaval, e logo após esses feriados, reunimo-nos para traçarmos novas metas. Obviamente a prioridade era arrumar um novo baterista. Elaboramos uma nova lista de nomes, e decidimos não errar mais no quesito do comprometimento com o ideal da banda. Poderia ser até inferior tecnicamente ao Zé Luiz, mas tinha que estar 100% coadunado com o espírito 1960 / 1970, como nós, e vibrar nessas condições.

E nessa lista de nomes, pensamos no Tibério Correa. Ele era um músico egresso dos anos 1960; viveu intensamente os anos 1970, e tinha toda essa bagagem cultural Rocker que queríamos. Contudo, pesava contra, o fato dele estar desde os anos 1980, envolvido com o Heavy-Metal. Portanto, apesar de ter nas suas raízes tudo o que esperaríamos de um possível novo membro, estava por demais envolvido numa egrégora que rejeitávamos. Outro nome pensado, foi o de Alex Soares. Eu não conhecia-o pessoalmente e só sabia que ele fora um aluno do baterista Paulo Thomaz e que no meio dos anos 1990, tocou no Big Balls de Xando Zuppo e Paulo de Tharso.

Alex Soares está longe de seus companheiros, na foto que ilustrou a capa do LP do "Big Balls" em 1996

Sabíamos que era um baterista de boa técnica, mas o Paulo Thomaz advertiu-nos que a cabeça dele pendia mais por sons modernos, dos anos 1980 e 1990. Ironicamente, seis anos depois eu iria tocar com ele no início do Pedra, onde gravamos juntos o primeiro CD da banda. Então surgiu o nome de Rolando Castello Júnior. 

Tecnicamente não havia nenhuma dúvida, pois ele é um dos maiores bateristas da história do Rock brasileiro, sem questionamentos. Também uma testemunha ocular dos anos setenta, nem precisava dizer que sua cultura Rocker era tudo o que desejávamos como perfil de um novo componente. A grande questão era : ele aceitaria entrar num projeto "zero km", com dois garotos imberbes envolvidos e sem produtor; empresário, ou gravadora dando suporte, e ainda por cima, sem dinheiro ? E outras questões : aonde estava a Patrulha naquele instante ? Estava em atividade ? Estaria em outros projetos ? A última vez que eu vi-o, estava de passagem por São Paulo, pois morava em Curitiba.



Eu encontrei-o na loja de CD's e instrumentos / equipamentos do baixista Sergio Takara, em 1995, pela última vez. Descartamos a hipótese do Tibério Correa, por sentirmos que ideologicamente ele estava noutra vibração. Pensamos mais no Alex Soares, apesar de ser uma completa incógnita, e o Júnior era tratado entre nós como o nome ideal, porém muito inviável pelas circunstâncias. Seguimos assim por uns dias, até que surgiu uma luz...

A luz no final do túnel foi uma fortuita oportunidade. Haveria um show da banda "Cheap Tequilla", do meu amigo Paulo Thomaz, no Centro Cultural São Paulo.

    "Caveira", o guitarrista do Cheap Tequilla, naquela ocasião

Mobilizei toda a minha tropa Neo-Hippie e comparecemos em peso ao Centro Cultural São Paulo, onde prestigiamos o show do Cheap Tequilla. Quando já estava nas dependências do CCSP, avistei a presença do baterista Rolando Castello Júnior, que chegava junto com Paulo Zinner, do Golpe de Estado e outras pessoas. Após o show, eu abordei-o e apresentei-o a vários de meus neo-hippies, que ficaram eufóricos por conhecê-lo e à Paulo Zinner, também.

Eles me relataram que fariam um show-tributo ao baterista do The Who, Keith Moon, dali a alguns dias no salão de Rock, "Fofinho Rock Club", e convidaram-me, estendendo o convite à minha garotada. Saindo dali, conversei com Rodrigo e Marcello sobre essa oportunidade surgida e ponderamos durante alguns dias. Resolvemos não tomar nenhuma decisão precipitada, e seguir observando os próximos acontecimentos. Então, resolvemos ir assistir o show-tributo que ele faria ao lado de Paulo Zinner.

Chegamos ao Fofinho Rock Club e foi um bom reforço à bilheteria do espetáculo, pois na minha "comitiva", havia seguramente mais de 40 pessoas entre meus alunos; amigos; familiares deles, e suas namoradas. Estavam comigo também Roberto Garcia Morrone e Carlos Fazano, amigos de outras épocas, mas que estavam engajados no meu mundo Neo-Hippie. Assistimos o show, e quando fui abordá-lo após o espetáculo, vi que estava mais "alegre" que o habitual e portanto, não havia clima para falar-lhe de nossos planos e principalmente de nossa pretensão de incluí-lo neles. Fomos embora, e ainda tivemos alguns dias para ponderar e enfim tomar uma decisão.

Era o membro certo para o projeto pelo aspecto cultural e pela técnica, mas, será que ele aceitaria ? Interessar-se-ia por um projeto autoral tão fechado, numa ideia fixa tão radical ? Aceitaria iniciar uma trajetória difícil conosco, no alto de seus 30 anos de carreira ???

Dessa forma, passados alguns dias numa última reunião feita entre eu; Rodrigo, e Marcello, fechamos com a ideia de que deveríamos convidar o Júnior, por realmente estarmos convictos de que ele era o componente ideal para o nosso projeto. Então, através do baterista Paulo Thomaz, obtive o telefone de contato e fiz a ligação.
Ele não estava presente, mas retornou a ligação, cerca de duas horas depois, mostrando-se atônito com a minha ligação. Eu sabia que não poderia abordá-lo com uma proposta explícita, e seguindo a estratégia traçada com os dois meninos, disse-lhe que estava ligando para fazer-lhe um convite. Convidei-o para uma Jam-Session, onde tocaríamos com dois músicos jovens, porém talentosos, e o objetivo era só por lazer. Ele ainda esboçou sondar mais, mas eu insisti na ideia de que seria apenas uma Jam descompromissada, e com o intuito de uma recreação entre Rockers.

Mesmo assim, deu para notar que ele ficou levemente intrigado e ainda perguntou-me sobre o que tocaríamos, ao que respondi-lhe laconicamente, que seriam clássicos do Rock internacional 1960 / 1970, predominantemente. Então disse-lhe que ligaria novamente para confirmar data e horário em breve. Nesta altura, eu e os meninos já estávamos "calçados", e sabíamos um repertório de clássicos na ponta da língua, pois havíamos planejado essa Jam.

Escolhemos músicas a dedo, onde toda a multiplicidade da banda seria revelada, impressionando-o. Dessa forma, músicas com duas guitarras, e guitarra e teclados foram escolhidas para impressionar o Júnior com a versatilidade dos meninos, trocando de instrumentos freneticamente, e demonstrando todo o seu virtuosismo de multi-instrumentistas que já desempenhavam com louvor.

Até "Jethro Tull" incluímos no set list da Jam, para o Marcello também usar a flauta. E claro, tiramos cinco músicas da "Patrulha do Espaço", para que vislumbrasse o potencial daquele time, que era enorme. Fizemos alguns ensaios entre nós para reforçar as músicas da Patrulha, e marcamos a data da Jam no estúdio Alquimia.

Daqui em diante, todo o episódio sobre a Jam, e como isso acabou desenvolvendo-se na volta da Patrulha do Espaço à cena artística brasileira, já foi contado no respectivo capítulo dessa banda.
Vou abordar mais alguns detalhes aqui, ainda sob o viés do Sidharta, naturalmente. Dessa forma, apenas realço que embora ainda esforçando-nos para cumprir uma estratégia de abordagem sutil, querendo despertar no Júnior a curiosidade espontânea etc e tal, o nosso foco era o Sidharta.

Não passava pela nossa cabeça a ideia de enterrar o projeto para usar o material como matéria prima apenas para alimentar a volta da Patrulha do Espaço. Uma eventual fusão dos trabalhos, nem passava por nossa cabeça, nesse momento. Isso porque não era só um balaio com 22 músicas compostas, arranjadas e ensaiadas, mas certamente todo um conceito que envolvia uma série de ideias correlatas, quase que como um manifesto artístico.

Tudo mudou quando nosso sonho utópico chocou-se com a realidade do mundo da produção musical em si, e a dura situação do underground, sobretudo, pois sobreviver no subterrâneo da música, longe dos holofotes do mainstream, é extremamente difícil, e nesses termos, começar do zero é ainda muito pior. Mas nesses dias que antecederam a Jam, e em alguns que sucederam-no, ainda não ponderávamos essa questão, talvez inebriados pela utopia artística do bonito trabalho que construímos, em detrimento da aspereza do mundo dos negócios, e sobretudo, o da sobrevivência...
Aproximo-me do final deste relato sobre o Sidharta.


Realmente, o trabalho não encerrou-se, mas ao fundir-se com a Patrulha do Espaço, mudou um pouco em alguns aspectos, deixando de ter a sua pureza individualizada. Não que houvessem sido promovidas mudanças estruturais que descaracterizaram o âmago do projeto. Pelo contrário, o Júnior comprou a ideia do resgate retrô, pois também acalentava o desejo de trazer suas raízes pessoais, e da própria Patrulha à tona, visto que há pelo menos 15 anos, a Patrulha havia saído de seus trilhos naturais, enveredando pelo som pesado, quase transformando-se numa banda de Heavy-Metal. Mas a essência tinha suas características próprias e nesse sentido, o Sidharta morreu para renascer como Patrulha do Espaço, e sendo dessa forma, vestiu algumas peças de roupas diferentes, pois assumiu um passado construído por outrem. Em suma, deixamos a pureza do trabalho original mesclar-se com uma egrégora antiga de outro trabalho, trazendo aspectos bons e ruins.

O "karma" da Patrulha do Espaço acomodou-se sob os nossos ombros, meu; do Rodrigo, e do Marcello, mas era inevitável que isso acontecesse. Tudo isso é uma análise feita friamente agora, 2016, momento em que escrevo este trecho de minha narrativa, e sob a óbvia inerência do distanciamento histórico. Portanto, no calor dos acontecimentos, em 1999, não tínhamos a dimensão das consequências, boas e más que essa fusão de trabalhos e egregóras, acarretar-nos-ia. Para ser muito justo, creio que no cômputo final, não há motivos para aborrecimentos, pois mesmo a Patrulha do Espaço tendo enfrentado inúmeros percalços doravante no campo artístico, o Sidharta dificilmente teria uma repercussão de médio e grande porte, mesmo contando com dois veteranos razoavelmente conhecidos no meio musical / Rocker (referindo-me ao Zé Luiz e eu mesmo), além do talento absurdo dos então muito jovens, Rodrigo e Marcello, esse panorama muito provavelmente não seria alterado. Encerrando, digo que tenho um orgulho imenso de ter criado esse trabalho como elemento responsável pelo estopim inicial, em torno de meus sonhos mais primordiais.

O Sidharta, apesar de nunca ter consolidado-se como uma banda de fato, pois nunca gravou ou apresentou-se ao vivo, foi a banda em que mais perto estive de meu sonho (claro, considero a Patrulha do Espaço, extensão disso, graças à fusão das bandas / trabalhos). O que eu dimensionava na adolescência, lá atrás, nos anos setenta, foi ipsis litteris, o que o Sidharta deveria ter sido se tivesse consolidado-se como banda ativa. Um verdadeiro manifesto de fé nos valores do Rock sessenta / setentista, passeando por diversas vertentes musicais dessas décadas, proposta coadunada nas letras das canções; no visual dos seus componentes; nas posturas; nos ícones; nas referências etc etc. Acredito que 100% desse conceito foi levado e implementado na volta da Patrulha do Espaço a partir daí, mas a pureza inicial do projeto, mudou por força dos acontecimentos. 


Das 22 músicas compostas, uma acabou não fechada, e portanto ficou sem título, e arranjo definitivo. Sete ficaram inéditas, e as restantes, formaram o bojo do CD "Chronophagia", da Patrulha do Espaço, lançado em 2000.  Duas foram regravadas com modificações pelo Pedra ("Estar Feliz Consigo", transformou-se em "To Indo a Mil", no CD Pedra II, de 2008, e "Abstrato Concreto", que está gravada com arranjo bem diferente da versão do Sidharta, e foi lançada no álbum "Fuzuê", de 2015). A canção chamada "Do Começo ao Final", foi gravada pelo Marcelo Schevano para um possível disco solo dele, mas que não foi lançado, pelo menos até agora, 2016, quando publico este trecho final deste capítulo.

Tenho vontade de resgatar músicas não aproveitadas, como "O Futuro"; "Sonhos Siderais", e "Fogueira das Vaidades", mas acho que não encaixam-se nos Kurandeiros, ou Nudes, bandas em que atuo neste instante, simultaneamente. Vejamos se no futuro, surjam oportunidades para tais resgates. Como já disse anteriormente, só existe um vídeo amador registrando um ensaio no estúdio do Paulo Antonio Pagni (P.A.), no segundo semestre de 1998, mas sem data definida. Rodrigo e Marcello já disseram-me que não possuem nenhuma foto ou vídeo que eu não tenha também, e já publicados para ilustrar os capítulos da minha autobiografia. Talvez algum amigo surja um dia com algo inesperado, fruto de uma visita a um ensaio na época, e cuja ocasião, eu nem lembre-me.

De minha parte, pretendo lançar algum material do Sidharta na internet, seja esse vídeo que já citei, sejam promos das músicas, mediante edições resgatando o áudio de fitas K7 que tenho de diversos ensaios promovidos entre 1998 e 1999. Se tudo der certo, lançarei tais novidades no You Tube, priorizando as sete músicas inéditas que nunca foram gravadas. Encerrando este relato, agradeço à todas as pessoas que fizeram parte do projeto, direta ou indiretamente. Rodrigo Hid; Marcello Schevano, e José Luiz Dinola, em primeira instância. Como é sabido por todos, Rodrigo e Marcello seguiram comigo, quando o Sidharta fundiu-se à Patrulha do Espaço. 

Em seis anos que ficamos juntos na Patrulha do Espaço, foram cinco álbuns gravados; mais de 120 shows; várias aparições na TV; execuções no rádio; um portfólio volumoso ao extremo com matérias de jornais e revistas, e muitas histórias que o leitor pode acompanhar no capítulo dessa banda em minha narrativa.

 
Hora de falar dos amigos e colaboradores desse trabalho.

        Atuando na noite, o baterista e gente boa, Marcos Almada
 
Marcos Almada, por quase ter feito parte da banda. Marcos seguiu tocando na noite, atuando em bandas especializadas em tributos. Ultimamente (2016), tocava num " Rainbow" Cover, e também num "Scorpions" Cover. 

José Luiz Rapolli, grande baterista e amigo que tenho em alta estima e tenho certeza, tudo não passou de um mal entendido sobre a conversa que nunca aconteceu sobre essa banda



O baterista do "RPM"; vocalista do "Neanderthal", e dono do estúdio mais freak da Vila Mariana, Paulo P.A. Pagni

Os estúdios por onde ensaiamos, destacando a caverna Hippie do Paulo "P.A". Antonio Pagni, que tinha tudo a ver com a egrégora que queríamos resgatar. Saudade desses ensaios perfumados por dúzias de incensos que tanto queimamos por lá. Paulo "P.A" Antonio Pagni, fechou seu estúdio ainda no início dos anos 2000; vendeu sua casa na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e foi morar num sítio, no interior do estado. Voltou ao "RPM", e tem feito parte da banda em suas várias idas e vindas, desde então. Estendo o agradecimento às figuras simpáticas de Nobuga e Hélcio Aguirra, que sempre estiveram no estúdio / residência do "PA" e acompanharam de perto o desenvolvimento desse nosso trabalho.




Roberto Garcia Morrone e Carlos Alberto Fazano pelo apoio e entusiasmo por esta banda / projeto.

Os amigos colaboradores e incentivadores; minha tropa de Neo-Hippies que lotava os ensaios, fazendo deles, verdadeiras apresentações ao vivo. E aos Deuses do Rock... 

 Colaborador parceiro

Julio Revoredo
Meu amigo; colunista do meu Blog 2, e colaborador em mais de três décadas, o poeta Julio Revoredo

Julio Revoredo colaborou no meu Blog 2, como colunista fixo, durante cinco anos (2012 / 2017), publicando seus poemas, sempre brilhantes, desde que coloquei-o no ar, em abril de 2012.


Ex-membro :

Deca

       Deca, e sua performance sempre ensandecida, no Baranga

Luciano "Deca" Cardoso (guitarrista dos momentos iniciais do Sidharta, e parceiro de composição da música "Céu Elétrico"); e  Julio Revoredo, meu velho amigo e parceiro letrista, que mais uma vez abrilhantou um trabalho meu, com seus poemas inspirados, em forma de letras ("Nave Ave"; "O Ritual", "Terra de Mutantes", e "O Futuro"). Deca formou o "Baranga", logo que deixou o Sidharta, e segue firme nessa banda que tem muitos discos e fãs.

E por fim, falando dos companheiros dessa fantástica jornada que teve a força de um "sonho que sonha-se juntos e torna-se realidade", como diria o Raul Seixas...


Rodrigo Hid


Rodrigo Hid atuando no Pedra, num show de 2006. Click de Grace Lagôa

Após a Patrulha, Rodrigo Hid seguiu comigo no Pedra (gerando mais histórias, e capítulo específico, naturalmente); além de engatar muitos trabalhos como side-man de artistas famosos (Renato e Chico Teixeira entre eles); participações de estúdio, gravando muitos discos de outros artistas, e realizando trabalhos solo. 



Marcello Schevano

                      Schevano em ação com o Carro Bomba

Marcello Schevano montou o "Carro Bomba", uma banda que angariou um bom público no mundo do Hard Rock / Heavy-Metal, e tocou também com expoentes do Rock setentista, como "Casa das Máquinas" e "Som Nosso de Cada Dia". Prossegue com o Carro Bomba e o "Golpe de Estado" nos dias atuais. 



José Luiz Dinola

Foto promocional do Violeta de Outono, com Dinola na formação

José Luiz Dinola, seguiu tocando pela noite, até ingressar no Violeta de Outono em 2012, e vive uma grande fase com essa excelente banda psicodélica / progressiva, gravando discos e excursionando por todo o Brasil.

Está encerrado este capítulo importante de minha trajetória musical e Rocker. Tenham uma certeza : o Sidharta não tocou ao vivo, tampouco gravou, mas mesmo sendo mais um projeto do que uma banda consumada, de fato, teve / tem valor inestimável para a minha carreira, pois fez-me sonhar de novo, coisa que havia ficado obscurecida, há anos, por vários motivos expostos ao longo de diversos capítulos que cobrem a minha cronologia, em diversas bandas e circunstâncias pelas quais passei.




 
Obrigado por ter lido, amigo leitor, e aguarde eventuais novidades sobre resgates que tentarei promover, a qualquer momento, em termos de material desse trabalho. Daqui, siga lendo agora a narrativa sobre a minha trajetória com a Patrulha do Espaço... 
Desejo-lhe, paz e amor, bicho... e tenha uma convicção : o sonho nunca acaba.

2 comentários:

  1. Muito bonita a historia do grande Shidarta ( me lembra muito o meu filosofo predileto o grande Herman Hesse ...ja li uns 15 livros dele , tenho ate o filme Sidarta de 74 e o Lobo da Estepe tambem de 74 original , apesar de te-los visto na epoca quando passou no extinto cine Belas Ates da rua da Consoloção ).Big Ball.Patrulha do Espaço etc e tal , grande Historia meu Amigo e Mestre Luiz Domingues .Ate mais se ver por ai .

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  2. Pois é, Oscar.

    Muito da inspiração mística do Sidharta, veio da literatura de Hermann Hesse, não tenha dúvida, mesmo porque, a ideia da banda era buscar inspiração nas ideias & ideais sessenta-setentistas, e nesse contexto, Hesse era um ícone entre cultuadores dessa estética.

    Grato por estar acompanhando a minha autobio !!

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