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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 2 - A Tenacidade do Kurandeiro-Mor e Minha Adaptação Total

 
Entramos enfim no ano de 2013, que marcaria a recuperação do Kurandeiro-Mor, e a lenta retomada do embalo perdido pela banda, devido às dificuldades de saúde que ele enfrentou no ano anterior.
Animado e 100% imbuído de vontade de tocar, o Kim convocou os Kurandeiros para três shows em janeiro, no Magnólia Villa Bar.

Tais apresentações ocorreram nos dias 9, 16 e 23 de janeiro de 2013, levando um público bem razoável para o padrão da casa, às quartas. Foram noites quentes de verão, e também de Blues e Rock'n Roll. Nos três dias, o time dos Kurandeiros foi o mesmo, com o Kim na guitarra; Carlinhos Machado na bateria; Phil Rendeiro na guitarra e Nelson Ferraresso nos teclados.

No dia 9, Ciro Pessoa & Isabela Johansen estiveram presentes e marcaram participação especial, conosco. 


Em fevereiro, três dias antes do carnaval, voltamos ao palco do Magnólia Villa Bar. E mais uma vez com a formação de quinteto, com a participação de Phil Rendeiro e Nelson Ferraresso, enriquecendo a apresentação. Não tivemos um bom público, mas divertimo-noss na noite quente de verão. Isso ocorreu no dia 6 de fevereiro de 2013.


Eis o Link para assistir no You Tube :
http://www.youtube.com/watch?v=_f57PgGi8vg



As próximas apresentações ocorreriam novamente no Magnólia Villa Bar.


No dia 6 de março de 2013, os Kurandeiros tocaram novamente no formato de quinteto, com os reforços de Nelson Ferraresso e Phil Rendeiro, sempre bem vindos e enriquecedores.

Tivemos mais uma data no Magnólia Villa Bar. Era o dia 8 de maio de 2013, e com Phil Rendeiro engrossando as fileiras dos Kurandeiros, tocamos numa noite fria, ainda que as noites de maio não fossem verdadeiramente frias há tempos, desde que o fenômeno do "aquecimento global" começou a assolar-nos...

No dia 8 de maio de 2013, tocamos como quarteto, sem a presença do ótimo tecladista Nelson Ferraresso.

Mas enfim haveria uma apresentação num palco maior, e com a oportunidade de tocar-se somente o repertório autoral da banda, que era sempre mais prazeroso para todos nós.

Estávamos escalados para tocar na Feira de Artes da Vila Pompeia. Se por um lado era animador, pelo outro, minhas experiências com a Feira anteriormente, tocando com a Patrulha do Espaço e o Pedra, haviam sido estressantes, devido à balbúrdia que geralmente é apresentar-se nesses festivais com muitas bandas e inevitáveis problemas de organização, atrasos, produtores e técnicos mal humorados, dificuldade para estacionar o carro etc etc...
Bem, lá fomos nós...

No domingo, dia 19 de maio de 2013, estávamos marcados para entrar no palco, às 17:00 h. Cheguei bem antes, no entanto, pois já tinha a experiência de ter tocado três vezes nesse evento, uma com a Patrulha do Espaço e duas vezes com o Pedra (respectivamente, 2001, 2006 e 2008). E munido dessa experiência pregressa, sabia que estacionar o carro nas ruas do bairro nesse dia, era muito difícil pelo enorme quadrilátero interditado pelo CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). No entorno, estacionamentos particulares triplicam ou até quadruplicam as tarifas, numa exploração oportunista, mas previsível.

Portanto, ou o motorista submete-se à essa extorsão, ou vai parar mais longe ainda. Optei pelo plano B e mesmo assim, foi difícil achar uma vaga no outro lado da Avenida Pompeia, com todas as paralelas e transversais ocupadas por motoristas que tiveram a mesma e não tão original ideia. Resultado : Fui achar uma vaga lá na Rua Raul Pompeia, e mesmo assim, tive que fazer uma ginástica contorcionista, pois não era muito adequada para o tamanho do meu carro...fui caminhando então para o palco onde tocaríamos. Não era o palco Rock, que tradicionalmente é montado na rua Caraíbas, no quarteirão entre as Ruas Venâncio Aires e Padre Chico. Tocaríamos no palco da Rua Tucuna, também na mesma altura, entre Venâncio Aires e Padre Chico.

Apesar de não ser o palco Rock, também estava recheado de bandas de Rock, parecendo uma extensão do palco Rock situado dois quarteirões adiante, de forma paralela. Fui o primeiro a chegar, graças ao exagero de meu zelo, mas pelo menos estava ali a postos e com meu carro parado num lugar seguro e longe de multas.
Fiquei quieto na minha, só observando os movimentos, quando vi uma mocinha de pranchetinha na mão, e expressão facial de estressada...
Bingo...claro que era uma produtora do evento. Fui apresentar-me e perguntei-lhe sobre o andamento do cronograma do evento. Claro que estava tudo atrasado e bandas programadas para terem tocado muito antes, ainda aguardavam a vez de subir ao palco. Pragmático, fiquei tranquilo, pois sabia que não adiantava ficar apreensivo. Apenas resignei-me e voltei ao ponto onde estava, observando o vai e vem de bandas preparando-se para entrar em cena, e outras esbaforidas, saindo do palco. Estava ainda sozinho, quando avistei um rosto conhecido na multidão. Demorei um pouco para sinalizar, mas ele antecipou-se e veio em minha direção. Ainda estava no meio da pista quando já sorria ao fitar-me, e tratava-se do Dr. Nelson Maia Netto, o chamado "professor", figura que tornou-se um agregado de minha antiga sala de aulas e cujas histórias, são contadas detalhadamente no tópico "Sala de Aulas". Coincidência pura, estava morando naquele quarteirão da Rua Tucuna, quase na esquina com a Venâncio Aires. Não via-o desde 2005 aproximadamente, quando perdemos contato, por alguns anos.
Enfim, passada essa surpresa, ele recolheu-se à sua residência, e eu continuei esperando pelos companheiros. 

O guitarrista Phil Rendeiro já foi membro fixo dos Kurandeiros, e nos últimos tempos tem sido um participante sazonal, mas sempre importante e bem vindo à banda.

Foi quando chegou Phil Rendeiro, guitarrista. E logo a seguir, vi o carro pilotado por Lara Pap estacionando (claro que foi convidada a sair dali pelos agentes do CET, logo a seguir...), mas trazendo uma pessoa a mais, além do Kim Kehl.

Fui apresentado então ao tecladista / cantor e gaitista, Claudio Veiga, que também atendia pelo apelido de "Cazão". Era uma surpresa total para todos os demais Kurandeiros, incluso eu mesmo, mas o Kim convidara-o para atuar conosco, fazendo teclados, e seria uma intervenção curiosa na minha trajetória pessoal, pois nunca na minha carreira toda, eu havia tocado com um tecladista que usasse um "Moog Liberation", ou seja, um sintetizador portátil usado pendurado no ombro ao estilo de um instrumento de cordas, como guitarra; baixo e similares. No espírito de improviso que caracteriza os Kurandeiros, não achei nada demais o rapaz participar sem ensaios, pois além do mais, tocaríamos poucas músicas, e de harmonia fácil, calcada no Blues clássico de três acordes. Antes de nós sermos chamados ao palco, ainda teve tempo para confraternizar-me com o poeta Julio Revoredo que deslocara-se de sua residência no bairro do Brooklin, na zona sul de São Paulo, só para prestigiar-nos. Ficamos numa animada roda de conversa onde o Claudio Veiga rapidamente entrosou-se conosco, e a banda "Quasar" estava tocando. Já tinha ouvido falar dessa banda e tinha informações elogiosas sobre o tecladista de tal banda que muitos músicos amigos já haviam confidenciado-me que era muito bom. De fato, fiquei bastante impressionado com a atuação do rapaz, que aparentava ser bastante jovem, mas tocava na escola antiga de tecladistas setentistas de Hard-Rock e Rock Progressivo, ou seja, com extrema técnica e uma performance irretocável. Foi quando aquela mesma produtora jovenzinha abordou-nos para fazer-nos um pedido extra...

Ocorreu que um grupo folclórico da Turquia, havia tocado num evento em São Paulo naquele final de semana, e algum produtor responsável pela presença de tais artistas, resolveu forçar um "encaixe" na Feira da Pompeia. De pronto, mesmo com o atraso absurdo que já havia ali instaurado, a famosa e típica subserviência brasileira em relação à estrangeiros prevaleceu...
Então, a mocinha disse-nos que o grupo folclórico turco apresentar-se-ia antes de nós, mas que seria uma apresentação curta, só para aproveitar a presença deles ali e que não poderia mesmo ser de outra forma, pois estavam com pressa de irem ao aeroporto, pois seu voo para Istambul seria ainda naquela noite.

Enfim, atraso por atraso, resignamo-nos mais uma vez e ficamos aguardando nas rodinhas de amigos animadas e reforçadas pela presença do poeta Julio Revoredo, e do guitarrista / cantor / compositor Cézar de Mercês, que apareceu ao entardecer.
Os turcos realmente foram rápidos no seu número folclórico, e o público demonstrou gostar da dancinha e a canção turca dos rapazes paramentados conforme suas tradições folclóricas etc etc.
Mas quando deixaram o palco, fomos impelidos a montar numa velocidade impossível para garantir o mínimo necessário de qualidade, e daquela forma aviltante, tivemos que iniciar o set, mesmo com problemas no amplificador do Kim, e aquele monitor horroroso e padrão para festivais desse porte. Mas o pior veio a seguir, quando a mesma mocinha da produção, com sua pranchetinha, sinalizava freneticamente na lateral do palco, dizendo para encerrarmos imediatamente, pois o tempo estava estourado e haviam outras bandas...ora, estávamos no começo da segunda música, apenas...
Resignado, sorri para ela e avisei os companheiros sobre a solicitação surreal da parte da ("des")produção, e de nada adiantaria ficarmos nervosos ou indignados, pois mandariam desligar o P.A. sem nenhum cuidado em preservar a nossa dignidade artística. Qual a novidade ? Quando esse tipo de feira não causa esse dissabor aos artistas ?  Talvez se marcassem menos artistas, o tempo fosse melhor equacionado, mas na hora de escalarem os artistas para os vários palcos, devem raciocinar como dirigentes de federações de futebol que sempre desejam formular campeonatos com mais times do que seria ideal para uma tabela racional etc etc...

Enfim, tocamos duas músicas apenas, sob condições sonoras bastante desconfortáveis e o tempo em que usamos o palco era terrivelmente desproporcional ao tempo em que esperamos a vez de tocar...
As músicas que tocamos foram : "Sou Duro" e "A Galera Quer Rock". 

Na segunda, o Cesar de Mercês entrou sem avisar-nos, e emendou um solo de gaita improvisado e bem legal. Foi engraçada a entrada repentina dele em cena, pois entrou correndo e num momento em que eu estava meio de lado, em direção ao Carlinhos Machado, nosso baterista. Pelo canto do olho, vi sua presença como uma sombra muito rápida passando e quando dei-me conta, já ouvia uma gaita no monitor, apesar da maçaroca sonora perpetrada pela não equalização profissional do som...
Bem, experientes, saímos do palco resignados com o péssimo tratamento dado pela organização do evento, e dispostos a não estragar o fim do domingo com lamentos, pois tocar em eventos assim, surpreendem se esse tipo de mal estar não acontecer e não o contrário...


Passada essa aventura ao ar livre, e com as peculiaridades naturais que eventos assim produzem para o bem e para o mal (geralmente mais para o mal pela bagunça inevitável da produção), voltamos à rotina de casas noturnas e como de costume, o Magnólia Villa Bar era sempre uma espécie de volta para a casa, como um porto seguro. Com o acréscimo do tecladista Claudio Veiga, mais uma vez como convidado, tocamos na noite fria de 5 de junho de 2013.

Repetimos a dose em 3 de julho de 2013, também com a presença do tecladista Claudio Veiga que mostrava-se também versátil ao tocar gaita com desenvoltura e ser um bom vocalista, inclusive por conta disso, o Kim abriu-lhe a oportunidade de cantar algumas canções na noite.




Eis o Link para assistir no You Tube :
http://www.youtube.com/watch?v=6donxQs9Z00

Com a presença do tecladista / gaitista e vocalista, Claudio Veiga.


Mais um show realizamos no Magnólia Villa Bar, em 7 de agosto de 2013, mas desta feita sem a presença do tecladista Claudio Veiga.


A presença do baterista da banda "Vento Motivo", Binho, substituindo o nosso titular, Carlinhos Machado

No dia 14 de agosto, tocamos nessa casa de novo, mas com uma novidade ocasional. O nosso baterista Carlinhos Machado, tinha compromisso com Gerson Conrad & Trupi, e dessa forma, tocou conosco um baterista chamado "Binho". Ele é baterista da banda "Vento Motivo", que realiza trabalho autoral e onde o Kim também participava nessa época.

Extremamente simpático e solícito, tocou com versatilidade e mesmo não conhecendo o repertório em 90% do caso, atuou muito bem. Foi uma noite onde além de baixista atuei como "maestro'", pois passei a apresentação inteira dando-lhe toques, mas valeu a pena, pois ele é muito gente boa e divertimo-nos nesse esforço de cooperação.

Já no dia 4 de setembro, o baterista Carlinhos Machado estava de volta. Tocamos novamente no Magnólia Villa Bar, e a seguir tínhamos um outro compromisso, que seria um show de choque num espaço inusitado. Na Galeria Olido, no centro de São Paulo e ao lado da Galeria do Rock, existe um belo teatro, onde funcionou por anos o Cine Olido, mas tratando-se de um prédio de grande proporção, existem também outros equipamentos culturais da Secretaria de Cultura Municipal de São Paulo.

Luiz Domingues & Kim Kehl na Galeria Olido, 2013. Foto : Bolívia & Cátia

Uma das outras opções é um exótico salão envidraçado, que está no nível da rua, e ali, o dono da loja Baratos Afins, Luiz Carlos Calanca, é curador de um show semanal denominado "Rock na Vitrine". Nesse espaço, apresenta todo sábado três atrações musicais com shows de choque, com entrada gratuita para o público. Muita gente do Rock já apresentou-se ali, além de artistas de outras vertentes e nesse mês de setembro de 2013, os Kurandeiros de Kim Kehl estavam escalados.


As outras atrações seriam "Edvaldo Santana" e os "Blues Riders". Eu conheço o pessoal dos Blues Riders desde os anos noventa, acho legal o trabalho deles e como pessoas, são sensacionais. Portanto, fui animado para esse show, pois sabia que seria prazeroso estar com esses amigos por perto. Mas não conhecia o trabalho do Edvaldo Santana, até então. Confiava na opinião de pessoas que haviam dito-me que o trabalho dele era bastante interessante, fazendo algo híbrido entre o Blues e a MPB setentista. Bem, fiquei curioso e com vontade de aproveitar a oportunidade para conhecer o trabalho dele.

Luiz Domingues na 1ª Foto e a fachada da Galeria Olido, 2013. Foto Luiz : Bolívia e Cátia


Cheguei primeiro às dependências da Galeria Olido, e não havia ninguém conhecido naquele momento. O espaço onde tocaríamos ainda estava promovendo outro evento, e pelo horário, é claro que atrasaria e dessa forma, a montagem do palco e soundcheck do segundo evento da noite estaria muito prejudicado (como sempre...).

Então, observando do lado de fora o animado baile popular que ali estava acontecendo, percebi que o Edvaldo Santana aproximava-se e vendo-me com o case do instrumento, logo deduziu que eu era componente de uma das bandas que fariam aquele show compartilhado. Apresentamo-nos, e tivemos e conversamos prazerosamente, onde ele contou-me um pouco de sua trajetória na música, e mesmo sendo uma conversa rápida e sem grande aprofundamento, pude extrair algumas impressões muito boas sobre seu trabalho, como por exemplo a forma como pensava, sua luta nas músicas para exprimir letras de conteúdo sociais contundentes etc.

Falou-me que após o show de choque que faria naquela tarde / noite, dirigir-se-ia com sua banda para uma casa noturna da periferia, onde tocaria em outro show mais para o fim da noite, e deu para notar que era um artista batalhador, daqueles que fazem das tripas coração para viver de música, ainda mais autoral, sem nem uma migalha da atenção da mídia mainstream, sem empresário e sem nenhuma estrutura. Gostei disso, e de imediato, pensei comigo que seu perfil parecia o de artistas "malditos" como o Zé Geraldo, por exemplo, que tem uma identidade artística parecida e igualmente sobrevive, tem fãs e seguidores, sem ter apoio algum tanto empresarial, quanto fonográfico, e muito menos de mídia mainstream. A seguir, o guitarrista de sua banda chegou e notei que estava com dificuldades para estacionar o carro na imensa garagem que a galeria tem, mas por conta de burocracia massacrante, sempre é um inferno conseguir sua liberação.

Os Blues Riders em ação na Galeria Olido, nesse dia. Áureo é o primeiro à esquerda, usando uma guitarra Gibson SG

Enfim, sanado esse problema para o rapaz, vi que chegou o Áureo, guitarrista dos Blues Riders, uma banda que reputo ser uma das mais batalhadoras do circuito underground de São Paulo, com quase 25 anos de atividades e uma luta incrível para atingir seus objetivos. Muitíssimo gente boa, conheço-o desde o início dos anos noventa, e foi um prazer revê-lo ali nos bastidores do evento. Os Blues Riders tocariam também. Enfim avisto a chegada de Kim Kehl e sua esposa, Lara, acompanhados do tecladista / vocalista e gaitista, Claudio Veiga, que também participaria desse show. E o último de nossa banda que chegou, foi o nosso baterista, Carlinhos Machado.

O Luiz Calanca, dono da loja / selo Baratos Afins, era o curador desse show, e chegou animado com a noitada que prometia ser boa e de fato, foi mesmo. O ambiente era um salão envidraçado que fica na Galeria Olido, em contato com a rua, ou seja, margeia a Galeria pelo lado da rua e dessa forma, por ser envidraçada, dá margem à que as pessoas que caminhem tanto pela avenida São João, quanto pela Rua Dom José de Barros, vejam o show pelo lado de fora, lembrando a estrutura da sala Adoniran Barbosa, do Centro Cultural São Paulo. Sem uma boa condição acústica, todavia, o segredo naquele salão envidraçado era tentar tocar o mais baixo possível, para minimizar a reverberação que era inevitável...
Sem tempo algum para realizar um soundcheck ainda que rápido, vimos que a única solução era deixar a banda do Edvaldo Santana ajeitar a toque de caixa o seu "set up", e dar uma passada ridiculamente rápida numa música apenas, para iniciar o show imediatamente, visto que pessoas da Galeria pressionavam o curador do evento, Luiz Calanca, para abrir as portas para o público que aglomerava-se no local. Feito isso, e o Edvaldo fez questão de ser o "open act" da noite, pois estava com muita pressa para locomover-se para o segundo show que faria naquela mesma noite, as portas abriram-se e assim que o Calanca deu o sinal, a banda deu seus primeiros acordes...

Nessa foto que achei na Internet, estou sentado vendo a apresentação do Edvaldo Santana (segundo, da direita para a esquerda, o primeiro é o Carlinhos Machado)

Com uma produção muito simples, mal acabou de acertar o som mais ou menos, e o Edvaldo já começou o seu show, pois o público já estava acomodando-se no salão envidraçado. O segredo ali era tocar num volume bem baixo no palco, pois o P.A. era fraco e a reverberação do ambiente, enorme, não só pela parede envidraçada, mas também pela sua arquitetura sinuosa, nada adequada para uma sonorização de espetáculo musical.

Fachada de fora da "Galeria de Vidro" pertencente ao complexo cultural da Galeria Olido, e nessa foto, com uma performance de um grupo teatral

Naquele ambiente, fazer show intimista de voz e violão seria o máximo possível para garantir-se uma qualidade razoável de audição ao público, mas por outro lado, era notável o esforço do Calanca para manter vivo o evento, com uma periodicidade semanal, levando bandas de Rock autorais. Portanto, se não era o local, e o equipamento ideais, a boa vontade em disponibilizar um espaço para artistas sofridos como nós, era louvável.

Resignado com a situação e as condições, é claro que relevei tudo, e após confraternizar-me com o Luiz Calanca, sentei-me e assisti com bastante interesse o show do Edvaldo Santana. O Carlinhos Machado já havia dito-me que o som dele era legal, e eu pude comprovar isso ao longo de seu show de choque, de pouco mais de 30 minutos de duração. De fato, um som bastante interessante, mesclando-se à MPB setentista, com Blues; baladas, e um leve sabor Rock'n Roll para arrematar. Suas letras eram bastante espirituosas, lembrando artistas da MPB setentistas com um pé no Folk, e o outro no movimento Hippie, e de certa forma lembrou-me artistas do underground que eu gostava nos anos setenta, tais como "Bendengó"; "Flying Banana"; "Papa Poluição", e outros.
Saindo de cena bem rapidinho, pois tinha outro show a cumprir na mesma noite, abriu espaço para os Kurandeiros de Kim Kehl entrarem em cena. Nessa noite, teríamos o reforço do tecladista / gaitista e cantor, Claudio Veiga, popular "Cazão".


Assistindo o show de Edvaldo Santana ao lado do Carlinhos Machado (o primeiro), sou o segundo sentado, da direita para a esquerda

Gostei muito do show do Edvaldo Santana. Realmente agradou-me seu blues de forte acento folk, mesclando-se àquela maravilhosa MPB "hippie" e típica dos anos setenta. Inclusive, as letras das suas canções seguiam essa tendência fortemente, e sentado ali em frente ao palco, senti-me vendo um show do "Jorge Mautner" ou "Odair Cabeça de Poeta", com aquela poesia urbana, e com referências literárias remetendo à crônicas. E a banda que acompanhava-o era azeitadíssima, com baixo; guitarra; e um baterista versátil, que fazia percussões muito criativas; e todos colaborando muito afinadamente nos backing vocals. Apreciei muito o trabalho dele, e o profissionalismo da banda.

                                     Foto : Bolívia & Cátia

Chegou a nossa vez e fizemos um show de choque muito agradável, com resposta ótima do bom público presente. Os Rocks e Blues dos Kurandeiros agradaram em cheio ao público que mostrava-se aficionado em som "roots" dos dois estilos, portanto, era a banda certa no lugar certo. Foi um show rápido, rasteiro e eficaz, dando o recado.


Quando terminamos, rapidamente os amigos dos Blues Riders posicionaram-se e começaram a tocar. Admiro bastante a saga dos Blues Riders, uma banda ótima e formada por batalhadores incansáveis, numa labuta que naquela altura dos acontecimentos, já somava mais de duas décadas.


Os Blues Riders, uma ótima banda, formada por ótimas pessoas



Trata-se de uma ótima banda, com músicos competentes e seu som é o Blues-Rock, com uma pitadinha de Hard-Rock, para resumir.  


Da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; Luiz "Barata" Cichetto; Luiz Calanca; Kim Kehl; Edy Star, e eu, Luiz Domingues

Assisti com prazer seu show a após seu término, recebemos a visita de Edy Star, que foi prestigiar o evento. O Kim já havia feito num passado recente, shows com Edy Star, acompanhado do Marcião Gonçalves no baixo e Ivan Scartezini na bateria, meu colega do "Pedra".

                       Kim Kehl; Edy Star e Luiz Domingues

Figura divertidíssima, é uma espécie de Marc Bolan tupiniquim, se é que entendem-me...

A apresentação na íntegra do KK & K , em filmagem do amigo Kico Stone :

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=5uOynyEmD2w


Foi assim a participação dos Kurandeiros no evento "Rock na Vitrine", no dia 14 de setembro de 2013, com cerca de 100 pessoas na plateia.

                           Fotos : Lara Pap e Bolívia & Cátia

Depois dessa aparição no evento "Rock na Vitrine", tínhamos novas apresentações em casas de pequeno porte. A primeira delas, ocorrida em 19 de setembro de 2013, no Bierboxx, uma casa bem montada no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, e bem no epicentro de casas noturnas que estende-se até a Vila Madalena, bairro vizinho.

Bem montado e aconchegante, tinha um ambiente legal para uma apresentação de pequeno porte. Nesse show em específico, tivemos duas ocorrências extraordinárias : o nosso baterista, Carlinhos Machado, tinha já agendado uma apresentação com outra banda onde atuava e não pode cumprir conosco a data. Mais uma vez o baterista da banda "Vento Motivo", Binho, foi convocado, e apesar de não conhecer o repertório com maestria, saiu-se muito bem, auxiliando-nos com desenvoltura. E o outro fato a destacar-se nesse dia, foi que um rapaz do público, destoando de 99% das pessoas que estavam ali só para aproveitar a noitada e sem fazer a menor ideia de quem éramos, fora ao estabelecimento justamente por ser fã do Kim e meu, em específico. Munido de muitos discos de bandas onde eu e o Kim havíamos tocado anteriormente, apreciou o show com extrema intensidade e abordou-nos no intervalo e no final da apresentação, para pedir autógrafos, conversar etc.
Ele havia levado os discos dos Kurandeiros, mas também do Made in Brazil; Mixto Quente; Lírio de Vidro, e Nasi & Os Irmãos do Blues, bandas pregressas do Kim, e no meu caso, levou CD's da Patrulha do Espaço; A Chave do Sol; Pedra, e até o Compacto que gravei com o Língua de Trapo. Só faltou levar discos do Pitbulls on Crack...

     O vocalista / guitarrista do vento Motivo, Fernando Ceah 

Foi muito gratificante ver o entusiasmo do rapaz e mais uma vez ficou aquela máxima no ar, de que gestos assim fazem a carreira ter valido a pena.

Com a vocalista Renata "Tata" Martinelli, e o superb baixista / guitarrista, Marcião Gonçalves 

Fernando Ceah deu canja e nada mais à vontade, pois três terços da banda, Vento Motivo estavam ali no palco, contando com Kim e Binho...

E mais duas apresentações no Magnólia Villa Bar, desta feita com Carlinhos Machado voltando normalmente a ocupar seu posto na banda. 



Ocorreram em 9 de outubro e 6 de novembro, respectivamente.

O próximo compromisso dos Kurandeiros ocorreu numa casa onde eu nunca havia tocado anteriormente, mas já conhecia de nome, chamada "Santa Sede Rock Bar". Sabia de antemão, que ali era uma casa de instalações simples, mas acolhedora, e com pessoas no seu comando, comprometidas com as tradições do Rock, portanto, tinha certeza de que seria bem tratado e seria agradável apresentar-me ali.

De fato, já conhecia um de seus proprietários, um rapaz chamado Cleber Lessa, com quem mantinha amizade virtual no Orkut e Facebook e este, aliás, já havia comparecido à um show do Pedra, no ano de 2010, quando conversamos. No dia em que estava marcada a apresentação dos Kurandeiros, lembro-me que havia lançado um texto novo no Blog Limonada Hippie, sobre o Festival de Monterey de 1967, e para a minha surpresa, assim que cheguei ao estabelecimento, vi com prazer que no telão, o Cleber exibia o DVD desse Festival.

Conversamos sobre a feliz coincidência e enquanto eu arrumava o meu equipamento e aguardava a chegada dos amigos da banda, fui embalado por um sentimento acolhedor, vendo e ouvindo o DVD com aquelas doces lembranças da Era Hippie. O show foi bom, mas sinceramente eu aguardava um público maior na casa. Não foi ruim, mas por ser uma casa frequentada por seguidores de som 1960 / 1970, achei que numa noite quente de primavera e ainda mais num sábado, atrairia mais gente.

Eu e o grande Fábio César, tremendo baixista, e gente boa demais

Uma visita agradável deu-se com a presença do baixista das bandas "King Bird" e "Casa das Máquinas", Fábio César, que foi muito entusiasmadamente prestigiar-nos. Era a noite de 23 de novembro de 2013, com 100 pessoas na plateia.

O último show de 2013 foi na casa mais tradicional da carreira dos Kurandeiros, pelo menos em se considerando o período onde eu passei a figurar de seu "line up" oficial : O Magnólia Villa Bar.

No palco da casa na Lapa, tocamos na noite de 18 de dezembro de 2013, sob os olhares de cerca de 50 pessoas. Tocamos no formato trio, novamente, mostrando que tal formação de Power Trio estava mesmo consolidada.

O ano de 2013 findava-se. Fora um bom ano para os Kurandeiros, na medida em que o Kim havia recuperado a sua saúde e a banda tinha engrenado novamente, após o hiato forçado pela convalescença de nosso Kurandeiro-Mor. E assim chegou 2014, trazendo boas perspectivas para a banda.

O primeiro compromisso do ano novo, foi novamente no Magnólia, desta feita com um público menor, mas não menos animado. Mas o fato a destacar-se dessa noite de 8 de janeiro de 2014, foi a proposta que o dono do estabelecimento fez-nos.

Queria que os Kurandeiros tivessem uma identidade dupla e uma vez por semana, acrescidos de sua própria presença aos teclados, apresentar-nos-íamos como "Magnólia Blues Band", trazendo um convidado especial da cena do Blues brasuca. De minha parte, aceitei a ideia, visto que se já tinha acumulado o trabalho dos Kurandeiros com o Nu Descendo a Escada do Ciro Pessoa e no meio disso tudo, o Pedra havia voltado, portanto isso poderia parecer demasiado em ter um novo desdobramento, dando a impressão de que assumiria 4 bandas simultaneamente. Mas, na prática, os Kurandeiros jamais teriam choque de agenda com o Magnólia Blues Band, por razões óbvias, e no caso do Nu Descendo a Escada, estávamos vivendo um longo hiato de inatividade da banda. No caso do Pedra, até aquele momento, não havia ocorrido nenhum choque de agenda. Mas eu tinha uma preocupação pessoal em relação à esse desdobramento...
Ponderei com o Kim, que agora que finalmente sentia-me adaptado aos Kurandeiros, temia por ter que a toda semana, assumir a obrigação de ter que tirar muitas músicas diferentes dos convidados e que, por não ter escola de "blueseiro", talvez incomodasse os convidados com a minha falta de familiaridade com o gênero, e ao contrário do Kim e Carlinhos, que sempre foram extremamente pacientes com meus erros, esse pessoal do Blues era exigente, e talvez não tivesse a mesma tolerância. Tal desconfiança de minha parte foi rechaçada inteiramente pelo Kim, que mais uma vez tranquilizou-me e deu-me seu voto de confiança.

Com tal respaldo, aceitei então a proposta e nascia assim a terceira identidade paralela dos Kurandeiros, com o título de Magnólia Blues Band...
Tal nova banda gêmea dos Kurandeiros, ganhou sua identidade própria e teve um final em 2016, portanto, está tudo devidamente relatado em seu capítulo específico.

Continua...

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