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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 3 - Bastante Trabalho em 2014 - Por Luiz Domingues

Após essa data no Magnólia Villa Bar, logo no início de 2014, e onde surgiu a proposta para criar-se a Magnólia Blues Band em paralelo aos Kurandeiros, o próximo compromisso foi no The Pub, da Rua Augusta, em 7 de fevereiro de 2014, uma sexta-feira. Essa foi a segunda ocasião em que tocamos no The Pub, com o formato Power Trio, e devo relatar que nessa altura, estava plenamente acostumado com o repertório, e entrosado com a banda. Demorei para alcançar esse grau de segurança, pois a tal da "atitude jazzística" em subir ao palco e tocar um repertório enorme sem ensaios prévios, não combinava com a minha personalidade, certamente. Eu nunca preparei-me para ser músico da noite e versátil dessa forma, pois todo o meu investimento de carreira deu-se no sentido de ser um artista autoral, portanto, só focado em tocar o que eu mesmo criava, por anos a fio, e assim, não tinha nenhum traquejo para tocar covers na noite, ou acompanhar cantores. Forçadamente, fui adaptando-me ao modus operandi dos Kurandeiros e dessa forma, só mesmo ao final de 2013, percebi que estava seguro para tocar numa banda sem set list, onde nem o tom da próxima música era anunciado previamente, e tudo era absorvido em pleno movimento, na base do improviso total. Fazer isso numa música, uma vez na vida, não tinha nada demais, mas tocar repertório de três a quatro horas na noite, nessa base, não era fácil para um músico como eu, que não estava acostumado à essa dinâmica desfiadora, mas finalmente, após um período de adaptação, estava sentindo-me seguro nesse formato.

Os Kurandeiros a tocar no "The Pub", no início de 2014. Click : Lara Pap

Apesar de ter sido uma noite quente sob verão tórrido em São Paulo, o The Pub não lotou como de costume, e dessa forma, apenas 50 pessoas assistiram-nos nessa noite de 7 de fevereiro de 2014. Um fato desagradável a relatar revelou-se num acidente. Enquanto desmontávamos o palco, uma das guitarras do Kim sofreu uma queda de seu cavalete e isso produziu um machucado feio na junção do braço com o headstock do instrumento.

Em se tratando de uma Gibson Les Paul, claro que todos ficaram apreensivos, pois nesse instrumento em específico, quedas assim podem até arruiná-lo, sem chance de reparo numa oficina de luthieria, por conta de particularidades muito específicas deles. Por sorte, dias depois, o Kim comunicou-nos que houve um final feliz, com exceção da conta bem salgada que contraiu na luthieria...
Com isso, nosso próximo compromisso com os Kurandeiros, aconteceria apenas em abril, numa casa nova, e bastante surpreendente por vários aspectos...

Quando o Kim falou-nos sobre uma data a ser cumprida numa lanchonete em plena Avenida Liberdade, próxima à Praça da Sé, eu não acreditei que fosse possível tocar num ambiente assim. Em bares e casas noturnas em geral, se as condições já são inóspitas, o que dizer de uma lanchonete ao estilo "McDonald's", com a possível presença de um público nada interessado em ter uma banda de Rock / Blues a atrapalhar a ingestão de sanduíches maiores que a bocada de jacarés, e besuntados por catchup e mostarda ?

    Os Kurandeiros apresentando-se no surpreendente, "Melts"

Fora isso, já imaginava o constrangimento em ter que aturar um gerente pouco amigável, a insistir aos gritos para abaixarmos o volume etc. Mas tudo revelou-se surpreendentemente ao contrário, quando apresentamo-nos no "Melts", em 17 de abril de 2014. Mediante um palco digno, com até uma estrutura de iluminação que muita casa que arvora-se como "Café Teatro" por aí não tem, tocamos de uma forma muito confortável.

O público que pareceu surpreso num primeiro momento, tratou-nos não como atração "lounge" e despercebida, mas prestando atenção, como num show e aplaudindo; assoviando, e interagindo com as provocações bem humoradas do Kim. Todos os funcionários da casa, do gerente ao mais humilde faxineiro, foram de uma gentileza ímpar, que causou-nos até estranheza. Na "noite", não é usual tratar bem os músicos, nem mesmo os famosos, quanto mais nós, que passamos a maior parte das nossas respectivas carreiras, no limbo do underground...


Ficamos amigos das garçonetes; do chef da cozinha; do rapaz do caixa; do simpaticíssimo porteiro / segurança da casa; e do chapeiro, que também fazia as vezes de técnico de som (o rapaz era baterista, também). Bem montada, com aquele clima de lanchonete americana, tinha um certo ar Rock'n Roll, pois exibia vídeos de bandas de Rock nas várias TV's espalhadas pelas paredes. "Creedence CR"; "AC/DC"; e outros tantos artistas eram exibidos em TV's gigantes de LED, emolduradas como quadros nas paredes.

Enfim, foi uma noite para lá de surpreendente e agradável, ainda mais no final, quando o gerente surpreendeu-nos com um pagamento além do acordado, pois ficara tão entusiasmado com a euforia gerada entre os seus  clientes, que resolveu "vitaminar" o nosso cachet... foi uma grata surpresa tocar na lanchonete, "Melts" ! Cerca de 70 pessoas assistiram-nos nessa noite, de 17 de abril de 2014...


No dia seguinte, tínhamos uma nova apresentação no The Pub.
E agora, com o trio solidificado, de minha parte não havia nenhum temor em encarar a noite longa que costumava ser uma apresentação naquela casa, com quatro, as vezes cinco entradas longas que esticavam das 22:00 horas, até as 4:00 horas da manhã seguinte. A novidade nessa apresentação, foi a presença de Rodrigo Hid, como visitante. De passagem pela Rua Augusta, numa rara noite onde não estava tocando com alguém, ou apresentando-se solo na base da voz & violão, foi um prazer tê-lo ali presente a assistir e conversar conosco. Só não tocou porque foi desprevenido, e como o Kim é canhoto, ficava inviável para os destros pedir uma guitarra emprestada para ele e juntar-se a nós.

Noite tranquila, tocamos bastante, mas sob astral leve, sem preocupações. Não foi muito público assistir-nos, e o consolo é que nas casas concorrentes, o movimento também deixava a desejar, mas na rua... o exército de zumbis estava todo lá, a denotar que a imensa maioria dos jovens baladeiros, não abria mão da sua farra habitual, mas desde que fosse em patamares mais econômicos, a beber cerveja comprada dos vendedores ambulantes ou dos bares vagabundos das imediações e permanecendo assim na rua, o tempo todo, a evitar assim entrar nas casas e pagar couvert; consumação mínima, e bebidas com preços extorsivos... compreensível, portanto.

Era o dia 18 de abril de 2014 e cerca de 60 pessoas viram e ouviram-nos no The Pub, nessa noite. A próxima parada, seria numa casa nova para os Kurandeiros, mas que o Carlinhos Machado já conhecia e frequentava há tempos com outras bandas onde atuava, ou mesmo como simples frequentador. Tratava-se da "Casa Amarela", onde um projeto de blues criado pelo gaitista e cantor, Edu Dias, estava a pleno vapor, a agendar muita gente bacana da cena Blues e Rock'n Roll, também.

De fato, o Carlinhos Machado falou-nos bem da Casa Amarela, pois já a conhecia por ter tocado lá inúmeras vezes com outras bandas, e por frequentar o estabelecimento para assistir outros artistas apresentarem-se. Então, fomos para lá bastante confiantes de que seria uma noitada boa, e com a predominância do repertório autoral, portanto com mais jeito de show de Rock do que apresentação em casa noturna.

Não conheço a cidade de Osasco o suficiente, mas com a facilidade do Google Map, mais a orientação do Carlinhos, cheguei com facilidade ao local, e indo além, fui o primeiro a chegar.

Os Kurandeiros, na simpática Casa Amarela de Osasco / SP, em 2014. Click : Lara Pap
 
A casa era de fato toda amarela em sua fachada e também pelo seu interior, a justificar o seu nome e com decoração rústica, parecendo um casarão colonial de uma típica cidade do interior, portanto muito agradável. O dono, era um hippie, estilo velha guarda, com cabelo pela cintura, e de fato, atendia pelo sugestivo apelido de "Cabelo". Todo o suporte de equipamento de som e luz era do Edu Dias, e o projeto "Hoje tem Blues", era de sua alçada, portanto. 



Edu Dias & Luiz Domingues em ação, na Casa Amarela, de Osasco / SP, em 2014. Click : Lara Pap

Seu plano era interessante, pois como tinha um programa de webradio destinado ao Blues, principalmente, usava-o como plataforma de divulgação de seu projeto que era itinerante. Um dia por semana, levava uma programação diferente a várias casas noturnas, mantendo uma periodicidade, sempre
com atrações diferentes, numa espécie de rodízio.

Portanto, tinha tudo para dar certo, solidificando-se enquanto cena de Blues e Rock'n Roll, em várias casas noturnas espalhadas pela Grande São Paulo.

Nesse dia, tocamos para um público bastante entusiasmado e formado predominantemente por jovens o que só não surpreendeu-nos por inteiro, porque o Edu Dias havia advertido-nos sobre tal característica, previamente.

Ora, ora... que bom em pleno 2014, quando achávamos que estava tudo perdido para a subcultura, ainda havia jovens que predispunham-se a sair de casa para ouvir uma banda autoral e off-mainstream apresentar-se !!


Foi um show muito bom, com picos de euforia, até, e que deixou-nos bastante felizes e esperançosos por dias melhores na cena em geral.

O Edu Dias apresentou-se conosco quase o tempo todo, e a cantar e tocar gaita, muito bem, claro que encorpava bastante o som dos Kurandeiros, portanto a fazer de sua participação, um adendo enriquecedor.

Era o dia 26 de abril de 2014, um sábado e cerca de 50 pessoas estiveram presentes, e considerando ser um espaço pequeno, ficou-nos a sensação de casa cheia.


Confraternização final : Os Kurandeiros + Edu Dias & Filhos. Os Kurandeiros na Casa Amarela de Osasco / SP. 26 de abril de 2014. Click : Lara Pap

Ali mesmo na Casa Amarela, o Edu Dias comunicou-nos que haveria uma nova apresentação dos Kurandeiros por ele agendada, e novamente nos mesmos moldes, ou seja, com sua participação, dali a poucos dias em outra casa noturna, mas num bairro de São Paulo, na divisa com Osasco, portanto, ali perto. Essa seria portanto, a nossa próxima investida...

 
Tratou-se portanto de uma nova apresentação em outra casa noturna perto da cidade de Osasco, esta, localizada bem na divisa entre as duas cidades, no bairro do Jaguaré, ainda em São Paulo, e chamada, "Santa Pimenta Bar".



"Born on the Bayou", do Creedence Clearwater Revival, com Edu dias e seu filho prodígio, Ruyu Uehara Dias a tocar guitarra, conosco
 

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=CK0ydT7MJ9E 


 
Uma jam psicodélica, com o Kim a fazer um longo improviso usando o recurso do "Ebow", à guitarra

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=GU5KKeX0y9E


Novamente com a participação do gaitista, Edu Dias, acompanhando-nos, foi uma apresentação segura e bastante animada, mesmo porque, havia uma festa de aniversário em curso, de uma amiga do Carlinhos Machado, e a turma de convidados da  moça dançou e agitou bastante, a noite toda.

Durante a execução da música "Black Cat Moan", um trecho curto com o Kim a fazer um solo, andando pelo público e a tirar fotos com a aniversariante da noite
 

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=rkLil0-g9Vk


No palco do Santa Pimenta, tendo Edu Dias como companhia mais uma vez, em maio de 2014. Click : Lara Pap

Foi na noite do dia 9 de maio de 2014, com cerca de 100 pessoas presentes. Passada essa noitada, o próximo compromisso dos Kurandeiros ocorreu no Melts, a simpática lanchonete no bairro da Liberdade, quase no centro de São Paulo. 

Edu Dias passou por lá para uma participação com sua gaita; vocal, e sempre simpática atuação como "entertainer", e no Melts, a hospitalidade sempre como marca registrada por parte de seus funcionários e diretoria.

A decoração da casa estava toda voltada para a Copa do Mundo, e não poderia ser de outra forma, a faltar poucos dias para o início da competição no Brasil, como país sede. 


E de fato, numa cidade do porte de São Paulo, era visível a proximidade do início do evento, mesmo porque, a capital paulista protagonizaria o primeiro jogo, e a cerimônia de abertura do mesmo.

E era visível também o aumento de estrangeiros a circular pelas ruas da cidade, dando a impressão da proximidade dessa realidade ainda mais próxima de todos.


No Melts, muito bem tratados por todos, como de hábito, tocamos na noite de 6 de junho de 2014, mas com apenas 30 pessoas na plateia, apesar da euforia da Copa. Porém, segundo os donos, muito por conta disso mesmo, pois as várias faculdades que ficavam no entorno desse estabelecimento, já estavam em recesso por conta do evento, e daí a queda bruta do movimento.

No dia seguinte, os Kurandeiros de Kim Kehl foram para o Bierboxx, de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. 


     Tivemos uma noitada excelente no Bierboxx, de Pinheiros

Era o dia 7 de junho de 2014 e cerca de 50 pessoas viram-nos tocar.


A próxima atividade seria sui generis para os Kurandeiros. Agradabilíssima, mas inusitada, pois apresentamo-nos na festa de casamento de Ciro Pessoa e Isabela Johansen.


O trio "núcleo duro" dos Kurandeiros havia transformado-se na base do Nu Descendo a Escada, do Ciro Pessoa, assim que Carlinhos Machado assumira as baquetas do "NUDES". E pouco tempo depois da sua estreia na banda, no Sesc Piracicaba (obviamente comentada no capítulo dessa banda), recebemos convite para prestigiar o casamento de Ciro Pessoa e Isabela Johansen, a ser realizado em junho.

Claro que aceitamos de pronto a honraria em prestigiar a cerimônia e festa, mas logo surgiu uma ideia ainda melhor, quando aventou-se a ideia de tocarmos na festa, animando-a. Seria uma apresentação dos Kurandeiros, nos moldes das apresentações normais em casas noturnas, sendo mais "soft" em sua elaboração de set list, e com outra providencia importante, uma amenização sonora ao optar pelo não uso de guitarra e bateria.

A ideia seria o Kim conduzir a execução ao violão; Carlinhos a pilotar o "Cajon", um instrumento extremamente simples de percussão, que simula a batida básica de bumbo e caixa de bateria, ainda que rudimentar e sem pressão sonora igual a de uma bateria tradicional, e só eu amplificado, a tocar baixo, normalmente, mas com a ressalva de que num volume muito aquém do normal, para mixar-me / adequar-me aos demais.


Em relação ao set list, como já salientei, o Kim elaborou uma lista permeada por baladas para predominar, além de blues rústicos, de raiz.


E lá fomos para um surpreendente espaço, localizado no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde participamos com prazer da festa, restrita aos familiares e poucos amigos, muito próximos do casal.  


Os Kurandeiros / "Nudes", no casamento de Ciro & Isabela, componentes da segunda banda citada

Poderia detalhar mais esse evento no capítulo do Ciro & Nudes, obviamente, mas com o caráter que ganhou, é natural que compute-o como uma apresentação dos Kurandeiros, e daí estar mencionando-o aqui.

Ocorreu no dia 26 de junho de 2014, numa casa de eventos muito grande e de decoração muito surpreendente, parecendo um ambiente exótico de um país asiático, chamada "Chácara Santa Cecília". 

Mas apesar do nome e das instalações que eram enormes e realmente remetiam a uma chácara de forma tão silvestre como era decorada, estava encravada num ambiente urbano, em pleno bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

A atriz Grace Gianoukas (entre Isabela e Ciro), esteve a prestigiar o evento. Amiga do Ciro e do Kim (neste caso, ainda mais de longa data). Lara Pap, esposa do Kim, também está na foto

Cerca de 30 pessoas foram embaladas pelo som que fizemos e só houve um registro desagradável. 

Num determinado momento da festa, um senhor completamente mal educado e despreparado para a gerência de uma casa desse porte, abordou-nos com extrema rudeza, alegando que o volume com o qual tocávamos estava "altíssimo" e que exigia que parássemos, imediatamente. Fora as palavras rudes, a abordagem inicial fora extremamente deselegante, com o energúmeno a cutucar, literalmente, as costas do Carlinhos Machado, utilizando para tal, um objeto pontiagudo. Isso por si só foi de uma deselegância atroz, causando-nos espécie, justamente por tal comportamento agressivo vir da parte de um suposto gerente. Um sujeito desqualificado como esse, não serve nem para uma tarefa subalterna, quanto mais exercer comando. Em contraponto, um dos garçons, portanto "inferior" na hierarquia da casa, e em relação a essa besta mencionada acima, foi extremamente simpático e solícito conosco, desde o período da tarde, quando chegamos para arrumar o som onde tocaríamos. Excepcionalmente educado, ajudou-nos o tempo todo e cativou-nos por sua simpatia e companheirismo, solidário.

Antonia, filha de Ciro & Isabela, e que não só prestigiou o casamento de seus pais, como apreciou nossa trilha sonora ao vivo !!

E convenhamos, se estivéssemos tocando com a nossa formação como Power Trio normal, no formato Rock, ainda vá lá que reclamassem do excesso sonoro, mas com um violão amplificado levemente, sem uso de "drive"; "Cajon" no lugar de uma bateria e um baixo plugado num amplificador de apenas 35 Watts, e sendo usado no volume "3" (numa escala de 1 a 10), que barulho "ensurdecedor" poderíamos estar a fazer ? Bem, o importante é que a festa foi bonita, e esse aborrecimento ocorreu no fim mesmo do evento, e no cômputo geral, foi muito prazeroso tocar na cerimônia do casal amigo, e colega do "NUDES", nossa outra banda gêmea dos Kurandeiros.


Após uma apresentação super prazerosa, tocando no casamento de Ciro Pessoa e Isabela Johansen, Os Kurandeiros voltaram a apresentar-se em 11 de julho de 2014, no Melts, a surpreendente hamburgueria, onde todos os funcionários eram super simpáticos e o público apreciava a performance, apesar de não ser uma casa de shows, propriamente dita. Estávamos na antevéspera da final da Copa do Mundo, mas os ânimos já estavam super melancólicos pela "Knock Out" histórico que o Brasil levara da Alemanha, portanto, ainda havia bandeirinhas dos países participantes da competição como decoração da casa, mas nenhuma manifestação mais acalorada por parte das pessoas em relação ao futebol.

 
"Só Alegria", na apresentação do Melts em 11 de julho de 2014, com Edu Dias como convidado, na gaita.  
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=wt9zdYW_GaA

E acho que por ser período de férias escolares e aquele estabelecimento contar com seu movimento mais forte justamente por atrair universitários que estudam em várias instituições nas redondezas, estar com um contingente mais ameno e atípico, nessa noite.

Mais uma vez o gaitista / cantor e entertainer, Edu Dias, apareceu para efetuar uma participação.

Depois disso, Os Kurandeiros foram para o Bierboxx, da Vila Madalena, mais uma vez. Foi uma noitada super animada e muitos amigos apareceram para participar da apresentação conosco, casos do casal Ciro & Isabela; além de Binho e Fernando Ceah, da banda "Vento Motivo", e mais uma vez Edu Dias, com sua habitual extroversão como entertainer.




 
Com mais de 50 pessoas vendo-nos, aconteceu no dia 19 de julho de 2014, e foi bastante prazeroso, com picos de euforia até, pelo que lembro-me.

Com o meu amigo e ex-companheiro da Chave do Sol, Rubens Gióia no Santa Sede Rock Bar, a assistir-nos...

Na próxima parada, voltamos ao Santa Sede Rock Bar, a simpática casa da zona norte de São Paulo, onde o sonho definitivamente nunca acaba, com aquela atmosfera hippie, impregnada pelas paredes.

Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar. Click, acervo e cortesia de Vanessa Anchieta

Mais uma boa apresentação, não com muito público, cerca de 50 pessoas, mas animados como sempre. Aconteceu no dia 8 de agosto de 2014.

Os Kurandeiros novamente no Gambalaia, o simpático mini centro cultural de Santo André / SP

Ainda em agosto, voltamos ao palco simpático do aconchegante Centro Cultural Gambalaia, em Santo André, cidade do ABC. Sempre um prazer tocar num espaço tão bonitinho e com o nobre propósito de ser uma casa de cultura multiuso, o Gambalaia sempre recebia-nos muito bem, através de seu produtor / proprietário, Alex.

Desta feita, inovamos e além de termos o reforço sempre bem vindo do tecladista superb, Nelson Ferraresso, teríamos dois convidados especiais : os guitarristas oriundos da cidade de Santo André, Marcos Mamuth e Caio Rossi, este, guitarrista da banda "O Livro Ata". Além disso, o vocalista Fernando Ceah, que comparecera para prestigiar-nos apenas, acabou participando com uma performance blues para o hit de Benito Di Paula, "Retalhos de Cetim". 


"Rabo de Saia" com Kim Kehl & Os Kurandeiros + Marcos Mamuth + Caio Rossi  

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=DkL_UYARuYo  

 
"Meu Mundo Caiu", com Kim Kehl & Os Kurandeiros + Marcos Mamuth 

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=pBmH-TWUa-0

 
"Problemas" com Kim Kehl & Os Kurandeiros + Marcos Mamuth + Caio Rossi

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=i1dhukOPJqs

 
"Sleepwalk", com Kim Kehl & Os Kurandeiros no Gambalaia

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=lhVTaIxgNGA  


"Retalhos de Cetim", uma exótica versão "Blues" para o Samba-Canção de Benito Di Paula, com a interpretação vocal de Fernando Ceah, vocalista da banda, "Vento Motivo". Detalhe engraçado no vídeo, o Kim fica dando-me as dicas da harmonia da música, o tempo todo, visto que eu não a dominava, apesar de conhecer a canção... 


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=lFZfFrh5G6g

Foi muito bom ter a presença deles, conferindo ao show, um brilho especial.


Os Kurandeiros, no Diminuta Bar, do bairro do Ipiranga, em São Paulo. Agosto de 2014. Click, acervo e cortesia de Cali Keller Rodrigues

Fechando o mês de agosto, tocamos numa casa diferente, localizada no bairro do Ipiranga, zona sudeste de São Paulo, chamada "Diminuta Bar". O curioso dessa casa, era o palco planejado para ser uma vitrine, onde a banda tocava virada para dentro, direcionada ao público do interior do estabelecimento, porém, as pessoas na rua viam-nos a tocar de costas, portanto chamando a atenção de pedestres e também dos carros que passavam por ali.
Apesar dessa exótica característica, foi prazeroso tocar e particularmente eu gostei da acústica da casa, que por conta de colocar a banda numa posição encravada entre o hall e a vidraça da vitrine, parecia produzir um efeito de concha acústica, portanto deixando o som mais grave, principalmente da bateria. Chegava a ser engraçado ouvir o som do bumbo, com um tipo de sonoridade que lembrava o do bumbo microfonado em sistema de P.A., mas na verdade, não havia tratamento sonoro algum para a bateria no equipamento, mas tão somente o seu som "in natura"...
A registrar-se a surpresa da chegada de meu ex-aluno, Carlos Keller Rodrigues, o popular "Cali", com sua esposa, e sua irmã, Claudia Keller com marido e o filho. Foi muito bom rever Cali e Claudia que eu conhecia desde os anos noventa. Moradores do bairro, motivaram-se a assistir-nos, vendo anúncios da apresentação em redes sociais da internet e foi muito boa tal iniciativa de ambos e seus acompanhantes. Assim encerramos o meses de julho e agosto de 2014, com noites bem animadas e presenças queridas de amigos a interagir conosco, como estas últimas que relatei.

No Bierboxx, com os queridos amigos e músicos superbs : Renata "Tata" Martinelli e Marcião Gonçalves. Foto : Lara Pap 


Nosso próximo compromisso, aconteceu só na metade de setembro.
De volta ao Bierboxx, a simpática casa da Vila Madalena, onde mais uma vez fizemos o nosso repertório mesclado e com direito a participações de amigos queridos, no caso, Renata "Tata" Martinelli; Marcião Gonçalves e Fernando Ceah. Aconteceu no dia 19 de setembro de 2014, com mais de 50 pessoas na casa e um princípio de euforia generalizado, para desespero do gerente, que era gente boa e apreciava-nos o nosso som (Rodrigo Polacow), mas ele sofria uma pressão enorme da vizinhança, com ameaças do "Psiu", o órgão da Prefeitura de São Paulo que controla o nível de ruído nas casas noturnas etc.

No dia seguinte, voltamos à Casa Amarela, de Osasco, onde mais uma vez fizemos um show sob muita energia. Definitivamente, estávamos adaptados nessa simpática casa, cujo público jovem em sua maioria surpreendia em se considerando estarmos em pleno 2014, na ocasião, e a Casa Amarela tinha uma aura hippie velada, muito interessante. Edu Dias e Cris Stuani fizeram participações especiais, e foi tudo muito agradável. Noite de 20 de setembro de 2014, com cerca de 50 pessoas na plateia.

Em outubro, voltamos ao Bierboxx e desta vez, não tivemos convidados especiais de surpresa.  Foi uma noite boa, em 10 de outubro de 2014.

Ainda em outubro, voltamos ao Santa Sede Rock Bar, da zona norte de São Paulo. Se a Casa Amarela era um estabelecimento veladamente hippie, o Santa Sede era abertamente uma casa de mentalidade "Woodstockeana". Com liberdade para tocarmos com volúpia e pelo contrário, quanto mais Rock melhor, ali, a única restrição sonora era o compromisso em não passar da meia noite, visto que os proprietários tinham acordo com a vizinhança, principalmente as residências na rua de trás, para não passar desse horário. Sempre bem tratados ao extremo, tocar ali era sempre um prazer. Noite quente de 17 de outubro de 2014, e no dia seguinte, tínhamos agendado uma apresentação no extremo da zona oeste de São Paulo, a participar de um festival de Blues, organizado pelo gaitista / cantor e "entrepreneur", Edu Dias...


Edu Dias havia convidado-nos a participar de um festival de blues que estava organizando. Aceitamos de pronto, pois seria realizado num teatro do "CEU" (Centro Educacional Unificado), que para quem não conhece a cidade de São Paulo, explico resumidamente tratar-se de escolas com infra estrutura semelhantes às High Schools americanas, e construídas em diversos bairros da periferia dos quatro cantos da cidade, exatamente para prover uma educação de maior qualidade às camadas mais humildes da população.

                     Uma parte das instalações do Ceu Jaguaré

O princípio é nobre e louvável portanto, mas o resultado prático, mostrava-se bastante questionável, e por uma série de fatores que acho que não cabe aqui explicar, pois desvia o foco desta narrativa. No entanto, apenas para entender o contexto, digo que toda unidade do "CEU", tinha / tem quadras poliesportivas; biblioteca; e um belo teatro que por norma, é aberto para uma programação artística extracurricular, de forma a suprir a carência por arte e cultura nos bairros humildes. Portanto, claro que achamos positivo participar do festival, que teria o mote do Blues, a bandeira que Edu Dias desfraldava em suas produções, costumeiramente. Além de nós, Os Kurandeiros de Kim Kehl, tocariam também a "Confraria Fusa", outra banda onde o nosso baterista Carlinhos Machado tocava; "Marcião Pignatari & Os Takeus"; "Michael Navarro Blues Band"; "Big Chico"; e "Murajazz".

Uma panorâmica do teatro do Ceu Jaguaré, mas uma foto apenas ilustrativa, e não do dia desse show que descrevo

Com ingressos gratuitos ao público, não haveria cachet para os artistas, contudo, de minha parte e acho que de ninguém, houve reclamação ou indignação por ser supostamente um "show de investimento de carreira", coisa que o Edu jamais falaria para ninguém, por ser um produtor que também é músico, portanto, conhece bem a falácia em que esse tipo de colocação reveste-se.

                            Mais uma vista do Ceu Jaguaré

Ao contrário, todos tocaram com prazer, pois prover arte e cultura para um público carente em oportunidades, promovendo inclusão social, é prazeroso para qualquer artista. Edu fez a sua parte alugando um P.A. honesto para garantir o áudio de qualidade e a luz seria a do teatro, simples, mas adequada ao espaço. Fez sua divulgação no bairro do Jaguaré, onde tocaríamos na unidade do Ceu local e todos os artistas auxiliaram dentro de seus esquemas pessoais de divulgação.

Na minha santa ingenuidade, achei que um festival com tantas atrações em caráter gratuito, num sábado no período da tarde, atrairia um grande público do bairro e mesmo sem nenhuma ilusão sobre as pessoas conhecerem qualquer uma das atrações em voga, mas esperava um grande público, ainda que absolutamente curioso, apenas. Cheguei ao Ceu Jaguaré antes dos demais companheiros e fazia um calor de rachar. Assim que entrei na enorme instalação e nunca havia visitado uma escola dessa rede CEU, fiquei impressionado. De fato, era grandiosa e mesmo não ostentando luxo no acabamento, as instalações lembravam as High Schools americanas e claro que fiquei contente por ver esse conforto chegando para as crianças e adolescentes carentes de bairros simples da periferia e por extensão, a atender a comunidade do bairro, provendo a instalação como uma autêntico centro cultural e esportivo para abrigar arte; cultura e lazer gratuito à população local.


Naquele calor que fazia no dia, as piscinas estavam lotadas, as quadras poliesportivas também e daí, ao caminhar até o espaço do teatro, foi inevitável não imaginar que haveria de ter um público ótimo, também. Assim que adentrei o teatro, avistei músicos conhecidos das bandas que apresentar-se-iam, aguardando a vez de fazer o soundcheck. Um comunicador de um programa de Internet (Jesse Navarro), abordou-me e realizou uma rápida entrevista ali mesmo. Parecia que seria uma tarde / noite bastante produtiva.


Teríamos a presença sempre bem vinda e enriquecedora do ótimo tecladista, Nelson Ferraresso, que logo que chegou ao local, passou a conversar comigo, animadamente, enquanto víamos outros artistas no palco a realizar o soundcheck. Mas o procedimento atrasou, como costumeiramente acontece em festivais e /ou shows compartilhados, e quando estava para chegar a nossa vez de passar o som, não havia mais tempo hábil para tal. Na base do "vamos em frente tocando que o técnico fará ajustes no decorrer dos shows", a primeira atração apresentou-se. Tratava-se de um combo de orientação jazzistica, que executou um repertório sensacional de releituras de jazz & blues, com muita técnica, mas com balanço, sem cair em virtuosismos dispersivos, o que geralmente ocorre com músicos desse tipo de orientação. Gostei bastante da apresentação do "Murajazz", um combo formado por músicos de alto gabarito técnico e extremo bom gosto nas releituras que fizeram. Assisti da plateia a apresentação da "Confraria Fusa", outra banda onde o amigo, Carlinhos Machado, também tocava, e apreciei também a apresentação. Pouco a ver com o mote "blues", no entanto, a Confraria Fusa dedicava-se ao trabalho autoral na linha do Soft-Rock, bastante agradável. Boa banda, com músicos muito bons e um trabalho autoral bastante honesto. Nessa altura, a tarde já caía e eu notava com bastante decepção que o fraco público que estava nas dependências do teatro não dava mostras de que melhoraria. Entrou o "Michael Navarro Blues Band" e o nível artístico no palco mantinha-se ótimo, mas o público era decepcionante. Fui dar uma olhada na parte externa e vi a unidade lotada com pessoas nas quadras; nas piscinas e a rua também lotada por pessoas envoltas em churrasquinhos e batucadas de botequins. Foi quando a "ficha caiu" e eu convenci-me que construir unidades de educação; arte, cultura & lazer em bairros periféricos é muito nobre enquanto iniciativa, mas a contrapartida é péssima. Alguém lá no show, e já nem lembro quem foi exatamente para eu citar aqui seu nome, falou-me algo absurdo, mas que serviu como analogia : -"se fosse show de funk, estaria lotado"... era uma verdade, lastimo concordar.
A banda do comunicativo e sempre brincalhão Márcio Pignatari entrou a seguir e além dele ser um grande guitarrista de Blues, sua banda era sensacional. Com um balanço incrível, parecia que eu estava assistindo um show do Freddie King, nos anos sessenta. Assisti da coxia, pois a próxima atração seriam Os Kurandeiros, e já estávamos ali agrupados, aguardando a nossa vez.

Quando subimos ao palco e eu olhei para a plateia, não havia melhorado nada e ouso dizer que o grosso dos que ali estavam sentados, eram músicos e convidados dos músicos que apresentaram-se anteriormente.

 
 "Sou Duro" no Ceu Jaguaré em 18 de outubro de 2014, com Edu Dias a apresentar a banda

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=LwgncLxDdZo

Absolutamente salutar a postura deles em respeitar os colegas, assistindo em forma de prestígio e consideração uns pelos outros, mas pensando no público comum, que era o objeto motivacional pela existência do festival em si, foi muito decepcionante verificar que a comunidade não valorizou o esforço do poder público em prover-lhes arte e cultura em caráter gratuito.

 
"A Galera quer Rock" no Ceu Jaguaré em 18 de outubro de 2014  

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=aVAs3Ul-Gq0  


 
"Pro Raul" no Ceu Jaguaré em 18 de outubro de 2014  

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=6JrhIOpmqK4


Portanto, essa perspectiva dá muita discussão, a motivar uma reflexão profunda sobre cultura; educação e expectativas, versus difusão equivocada de anticultura de massa; subcultura etc. Já abordei tal tema em matérias minhas publicadas em muitos blogs, e penso em fazer novas investidas sobre tal assunto, futuramente, pois trata-se de uma realidade multifacetada e que por conseguinte, dá margem a muitas observações análogas. 


"Problemas" no Ceu Jaguaré em 18 de outubro de 2014

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=0dczR-lD3DE 

 
"Maria Maluca" no Ceu Jaguaré em 18 de outubro de 2014, com Michael Navarro à gaita, como convidado especial

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=DszULc98big


Mas aqui, o que cabe acrescentar é que fiquei bastante chateado, pois o teatro era todo bonitinho; o som e a luz estavam em boas condições; Edu Dias esmerou-se para fazer tudo funcionar a contento sob sua produção; e os artistas eram ótimos, dando o seu melhor no palco e sem cobrar cachet. Nosso show foi muito bom, com o som bem equalizado no palco. Demos o recado com a irreverência sempre simpática do Kim, e o público respondeu com bom humor, ainda que a pouca plateia ali presente fosse formada pelos músicos das bandas que participaram do festival; seus convidados e respectivas equipes técnicas pessoais. Michael Navarro fez uma participação especial em nosso show, com sua gaita muito afiada.

 
"Make it Funky Blues" com Os Kurandeiros + Marcião Pignatari acompanhando Big Chico, no Ceu Jaguaré em 18 de outubro de 2014  

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=C7hsJYaUpcc


A última atração da noite seria o bluesman, Big Chico. Desde alguns dias anteriores à realização do festival, já sabíamos que os Kurandeiros estavam convidados para acompanhá-lo, pois este chegaria ao show sozinho, sem músicos de apoio. Em outra época, eu ficaria preocupado em fazer um show sem ensaios e nenhum conhecimento prévio que fosse, do repertório que Big Chico tencionava apresentar. Mas nessa altura, com três anos acostumado a tocar nos Kurandeiros, já não surpreendia-me com o total improviso no mundo do Blues e mesmo batendo uma bola na trave aqui e ali, no grosso, não precisava nem falar o tom da música a ser tocada, pois a dinâmica para todos ali envolvidos, era a de sair tocando na base do improviso e pescando referências sobre a harmonia; ritmo, e pulsação de cada canção, "com o carro em movimento"...
Sobre essa apresentação a acompanhar o Big Chico, eu tratei como um trabalho avulso e não apresentação dos Kurandeiros, em si. Portanto, já escrevi sobre isso no capítulo dos "Trabalhos Avulsos".

Para saber especificamente dessa história, consulte portanto o capítulo já publicado no meu Blog 2 :

http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/2015/05/autobiografia-na-musica-trabalhos_22.html

E também já publicado no meu Blog 3 :

http://luizdomingues3.blogspot.com.br/2015/03/trabalhos-avulsos-periodo-2014-capitulo.html


Encerrando, foi muito bom ter participado do Festival "Hoje tem Blues", apresentando-nos no teatro do Ceu Jaguaré, no extremo da zona oeste de São Paulo, na divisa com o município de Osasco.
Foi no dia 18 de outubro de 2014, com 35 pessoas na plateia, apenas, uma grande pena, mas o Brasil de 2014, estava assim... Tudo dominado pela subcultura de massa e logo percebi, que a anticultura proposital é que estava por trás dessa condição, tornando-a intrínseca. Que seguíssemos em frente, cabia-nos continuar a tocar, sempre e sempre, até sermos vencidos pela inanição cultural...


Após o festival "Hoje Tem Blues", engatamos uma série de compromissos no circuito de casas noturnas, novamente. O próximo ocorreu no Melts, a simpática lanchonete onde, do proprietário, ao mais humilde funcionário, todos eram simpáticos e prestativos conosco. Desta feita, nosso baterista Carlinhos Machado não pode participar, e mais uma vez o baterista, Binho "Batera", da banda "Vento Motivo", veio socorrer-nos. Aconteceu no dia 24 de outubro de 2014, com mais de 50 pessoas a assistir-nos e a devorar aqueles sanduíches gigantescos que desafiavam a amplitude da mandíbula humana, sendo talvez mais adequados para os jacarés, digamos assim...

Depois disso, voltamos ao Bierboxx onde o gerente gostava muito de nós, tanto que é nosso amigo até os dias atuais (Rodrigo Polacow), mas estávamos sempre com um problema ali, visto que a euforia era inevitável no decorrer da apresentação, mas a casa vivia tendo problemas com a vizinhança e com os fiscais da prefeitura.
Começávamos sempre comedidamente e focados nessa preocupação, mas à medida que o set list avançava e as pessoas envolviam-se com a banda, a aplaudir, dançar e gritar, a euforia generalizava-se e daí era difícil segurar o volume. No Bierboxx, Carlinhos estava conosco novamente e aconteceu na noite de 1º de novembro de 2014.

Ainda em novembro, voltamos ao recanto hippie da zona norte de São Paulo, o simpático, Santa Sede Rock Bar. Feriado esvaziado, no entanto tivemos um público muito fraco nessa noite de 15 de novembro de 2014. Um fato engraçado em relação à esse show deu-se com um pedido da direção da casa para que inseríssemos o nome de um habitue do estabelecimento, que comemoraria seu natalício na noite de nosso show, e sob a alegação de que tal aniversariante, além de ficar honrado com tal citação, prometia atrair uma quantidade de convidados, enorme para assistir-nos.



             De volta ao Santa Sede... Clicks de Leandro Almeida

Colocamos o nome do rapaz no cartaz e isso foi um erro duplo, pois além do caráter prosaico dessa resolução, ficou ainda pior diante do que ocorreu...



                                 Fotos : Leandro Almeida

O fato, foi que nem o rapaz, e nem mesmo nenhum convidado sequer, apareceu...

Da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; Rubens Gióia; Luiz Domingues; o fotógrafo Leandro Almeida; Kim Kehl e Cleber Lessa, um dos proprietários do Santa Sede Rock Bar. Acervo de Leandro Almeida

Os proprietários da casa ficaram muito chateados com o ocorrido, visto terem encomendado um bolo para o sujeito, e na verdade, quem "tomou o bolo" foram eles...

Da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; o fotógrafo, Leandro Almeida e Luiz Domingues. Acervo de Leandro Almeida

Entre tantas piadas que esse fato gerou entre nós, uma revelou-se com fundo de verdade, pois a impressão que tivemos, fora que todos os convidados foram avisados a não comparecer, denotando premeditação. Mas para efeito de pilhéria, gostamos mais de falar que o aniversariante e seus convidados foram abduzidos por alienígenas e somente os agentes Mulder & Scully poderiam desvendar o caso... de fato, "a verdade estava lá fora", pois dentro, ninguém apareceu... 

E no dia 29 de novembro, mais uma visita à Casa Amarela, com uma noitada boa, muito animada pelo surpreendente público jovem  que frequentava-a, mesmo sendo a casa focada em Blues e Rock retrô. Com bastante euforia, a noite quente de verão intensificou-se com o Kim a interagir bastante com o público, que respondeu de pronto.

De volta ao Melts em dezembro, tivemos uma noite ainda mais quente do que a anterior, ali vivida em novembro. Primeiro pelo fator do verão que estava tórrido, mas igualmente pelo público, que surpreendeu-nos. Estávamos acostumados a ter boa receptividade ali, mas desta feita, uma euforia além da conta ocorreu, transformando o Melts num templo de show de Rock.

Pedidos para tocarmos músicas chegaram até nós, da parte de uma mesa que comemorava o aniversário de um rapaz e este em questão era um apreciador de Rock vintage. Ao atendermos o pedido para tocarmos de improviso uma música do "Deep Purple", a euforia foi instaurada e daí tivemos que deixar o repertório mais comedido entre os Blues & baladas e o Melts metamorfoseou-se então em um teatro, a abrigar um Concerto de Rock...
Noite de 12 de dezembro de 2014, com muita gritaria e os funcionários, todos jovens e antenados, vibrando com os Rocks vintage que fomos emendando ali, e até "Black Sabbath" compareceu no saguão do Melts, com gritinhos de euforia a ocorrer. Muito surpreendente.

No dia seguinte, 13 de dezembro de 2014, voltamos ao Bierboxx e a novidade foi a presença da cantora Elizabeth "Tibet" Queiroz, veterana cantora do Rock brasileiro, com participação no "Made in Brazil" ao final dos anos setenta, discos lançados em carreira solo e a partir dos anos noventa, dando uma guinada na sua carreira, ao ter mergulhado no mundo do Heavy-Metal, ao liderar a banda "Ajna". Tibet estava afastada da carreira artística já fazia algum tempo, quando formou-se psicóloga e abriu seu consultório, mas a partir dessa sua visita ao show dos Kurandeiros, no Bierbox, vibrou tanto com a participação especial que teve conosco, em total improviso (cantou "Gimme Shelter", dos "Rolling Stones", conosco), que dali em diante começou a articular a sua volta aos palcos e a reformular o seu Ajna, voltou com tudo a partir de 2015 e vem apresentando-se regularmente desde então, fora ter também colocado-se no métier, como ativista cultural, a empreender ações na internet, através de páginas; comunidades e grupos em redes sociais, a fomentar a cena, principalmente no campo do Heavy-Metal. E assim encerrou-se o ano de 2014.

Para os Kurandeiros e sua proposta baseada na simplicidade absoluta, fora bom, com agenda cheia e a dividir com a Magnólia Blues Band e o Nudes, além das atividades secretas dos "Koveiros" e uma apresentação de Edy Star, onde eu e Kim estivemos juntos (histórias das apresentações do "Koveiros" e do Edy Star, estão publicadas nos capítulos dos "Trabalhos Avulsos"). Já tínhamos shows marcados para 2015, e isso animava-nos a acreditar que o ano novo seria bom. No âmbito pessoal, eu já sentia alguns sintomas desagradáveis, mas nem sonhava com a doença grave que já manifestava-se em meu organismo e que só explodiria em 2015, portanto, meu mal estar nesse final de ano, ainda era de pequena monta, então não atrapalhava-me em demasia e não subtraía de forma alguma, o entusiasmo em acreditar que o próximo ano que aproximava-se, seria bom para os Kurandeiros.


Continua...

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