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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 4 - Doença; Visão da Morte & Recuperação

O ano de 2015 abriu com um compromisso que parecia alvissareiro para os Kurandeiros : um show no interior de São Paulo, participando de um Festival de verão de Blues & Jazz, ao ar livre.
Tratava-se do famoso festival anual promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Cunha, uma bela e bucólica cidade do interior paulista, localizada no vale do Paraíba, no meio do caminho entre Guaratinguetá e Paraty, esta última, já no estado do Rio de Janeiro.

Tal convite para participarmos tinha vindo da parte do cantor / gaitista e guitarrista, Big Chico, que conhecêramos por ocasião de sua participação no Projeto Quarta Blues da Magnólia Blues Band e também pelo fato dos Kurandeiros terem sido sua banda de apoio em seu show no Festival "Hoje tem Blues", do qual participamos em outubro de 2014, numa unidade do CEU (Centro Escolar Unificado), no caso, o Ceu Jaguaré. Big Chico já havia participado de edições anteriores do Festival de Cunha, e desta feita assumira a curadoria, indicando artistas para participar e daí, seu gentil oferecimento. A logística não era lá muito confortável, pois a verba oferecida para custear nosso transporte, mal cobria o gasto com gasolina e pedágios para dois carros, visto que não daria para alugar uma van e mesmo não precisando levar bateria própria e backline, a carga mínima de volumes para apresentarmo-nos, não comportava o uso de um automóvel, apenas. Dessa maneira, mesmo com verba bem apertada, decidimos ir com dois carros, e no caso, o meu que é mais espaçoso do que o do Carlinhos; e o do Kim.

Combinamos de sair cedo, bem no início da tarde, mesmo sabendo que o show seria às 21 horas. Não queríamos correr riscos desnecessários e mesmo sendo um período difícil para viajar, pois estrada no verão é um sacrifício escaldante em via de regra, pensamos que compensaria chegarmos bem cedo à Cunha, por volta das 17 horas em nossos cálculos, para aproveitarmos a cidade que fica numa região serrana e tem muita natureza, atraindo turistas. Preparei meu carro, certamente, um dia antes, fazendo troca de óleo; calibragem de pneus e abastecimento de combustível e água e estava tudo certo para encarar a estrada. Encontramo-nos na residência do Kim e de lá partimos em comboio rumo à via Dutra, estrada que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, com o objetivo de seguir em frente até a cidade de Guaratinguetá, onde há o acesso à rodovia Cunha / Paraty, sinuosa e serrana; muito bonita com seu visual da natureza, mas ao mesmo tempo, perigosa, certamente.

Para quem não conhece São Paulo, capital e estado, digo que qualquer estrada que sai da cidade de São Paulo em qualquer direção, seja rumo ao interior ou ao litoral do estado, enfrenta tráfego pesado, quando não trânsito engarrafado num raio de pelo menos 100 Km. E a Via Dutra, por ligar as duas maiores capitais do Brasil, tem um trânsito que a faz parecer uma avenida, e não uma estrada propriamente dita. Portanto, seguimos mais ou menos juntos, meu carro e do Kim, mas perto do pedágio de Jacareí, perdemo-nos de vista, contudo, não havia nada de errado em perdermos o contato visual num dado instante, pois se algo ocorresse, bastava o Carlinhos ligar para a Lara Pap, nossa produtora e esposa do Kim, que seguia viagem no outro carro.

Pouco antes de aproximarmo-nos de São José dos Campos, vi que o ponteiro da marcação de temperatura do radiador do meu carro, estava subindo além da conta, e atribui ao calor que fazia na tórrida tarde de verão que enfrentávamos, mas até aí, achando que a ventoinha seria acionada a qualquer instante, resfriando-o. Não dei-me conta que isso não estava ocorrendo, pois também com o carro em movimento e a conversa agradável tratando de reminiscências do Carlinhos e minhas sobre o anos setenta, e é incrível a quantidade de shows de Rock e outros eventos "freaks" em que estivemos juntos naquela década, mas sem nos conhecermos ainda, portanto, é o tipo de conversa que sempre voa longe para nós dois. Mas quando o trânsito perto de São José dos Campos obrigou-nos a parar, foi que dei-me conta que a situação era preocupante, visto que sinais de fumaça vinham do capô do meu carro, e o ponteiro subia vertiginosamente.

Em suma... o radiador estava fervendo, e eu precisava parar para verificar, e tomar uma providência. Por azar absoluto, não havia nenhum posto de gasolina a vista e na iminência do radiador ferver e travar tudo, parei no acostamento e fomos olhar. De fato, o reservatório de água estava fervendo e aquilo era incompreensível, visto que no dia anterior, eu havia renovado o aditivo, portanto estava tudo ok com o radiador e o tanque de reservatório d'água.

Na mangueira de água, não havia nenhum indício de vazamento. Portanto, a solução foi esperar esfriar e naquele calor da tarde era uma missão vagarosa, e achar um posto de gasolina para reabastecer o reservatório e fazer uma verificação mais apurada.
Muito azar, não havia posto avistável e assim, na primeira entrada disponível, fomos para dentro de um bairro de periferia de São José dos Campos, onde finalmente achamos um posto. Mais um tempo esperando esfriar e novo abastecimento... e lá foi a água ferver de novo, mesmo com o carro parado numa boa sombra...

Os frentistas tentaram de tudo, mas ninguém conseguia entender o que acontecia. Já batia na casa das 17 horas, e nesse instante, nossos amigos já deviam estar em Cunha e muito preocupados conosco. Por celular, simplesmente não conseguíamos falar com eles e até contato via telefone fixo do posto tentamos, mas nem sinal de área conseguíamos. Nessa altura, fomos informados que os mecânicos das redondezas já estavam todos fechados e numa sexta feira, infelizmente, a perspectiva seria a de abrirem na próxima segunda feira pela manhã...

Outra solução seria pegar um táxi e ir ao centro de São José dos Campos e caçar uma oficina, mas sem conhecer a cidade e ela é enorme, já quase batendo na casa de 1 milhão de habitantes, seria uma busca inglória. Foi quando começou o festival de improvisos e bacana, aquela solidariedade que pensamos que não existe mais neste planeta, mas nessas horas, verificamos que sim, ela existe...

Um dos frentistas ofereceu a sua caixa de reservatório de seu carro que ele não usaria naquele final de semana. Relutamos, mas na hora do sufoco e com os ponteiros do relógio voando, literalmente, já estávamos contanto em chegar em cima da hora no festival, eliminando completamente a possibilidade de um soundcheck decente no palco do evento. Portanto, aceitamos a gentil oferta. O carro do rapaz era similar ao meu e a peça haveria de ser padrão... mas não era !! E nessa altura, já havíamos descoberto que o problema era uma coisa tão estúpida que chegava a dar raiva... a borracha interna da tampa do reservatório de água do radiador, havia perdido sua elasticidade e devido a isso, a tampa não fechava com a devida pressão e assim, não dava para acionar a ventoinha, provendo a refrigeração natural do radiador. Uma simples borracha circular que não devia custar mais do que R$ 1,00, mas específica para aquela medida, não tinha substituição com outro material. E tentamos fita de vedação de encanamentos; silicone e outras borrachas, mas nada adiantava.

Eu e Carlinhos estávamos muito angustiados, pela eminente perda do show e também por imaginarmos que nossos amigos estavam em estado de grande preocupação conosco. Pensei em ligar para a minha casa, deixando meus familiares a par da situação, talvez como uma estratégia para o caso da Lara e o Kim pensarem no mesmo expediente, mas não, eles também evitaram tal expediente, justamente para não alarmar ninguém em minha casa...
Quando já batia na casa das 19 horas, e já estávamos desolados, um motoqueiro que parara para abastecer, viu-nos conversando com os frentistas. Aproximou-se; ouviu a conversa e interveio.

Parecendo aquelas coisas que Rockers gostam de atribuir a sinais mágicos e típicos de quem professa o Rock de verdade, o rapaz disse que prontificava-se a buscar uma tampa nova para nós, num posto onde sabia existir uma loja de autopeças 24 horas, mas que ficava na estrada, a caminho de Caçapava, a cidade vizinha. Oferta irrecusável e o rapaz não quis aceitar nem ajuda para a gasolina que gastou. Em menos de uma hora, já estávamos de novo na estrada, com o radiador funcionando absolutamente normal e tudo fora por causa de uma borracha de valor ínfimo...

Muito atrasados, mas felizes, viajamos contando os minutos e comemorando a cada placa que víamos, a aproximação da cidade de Cunha. Nossa sorte, foi que a estrada Cunha / Paraty, apesar de muito perigosa, estava absolutamente vazia naquele momento e assim, mesmo evitando os excessos, imprimimos uma velocidade máxima ali permitida e em constância, sem mais nenhum empecilho a atrasar-nos.

Quando avistamos a cidade, respiramos aliviados, e apesar de sermos dois senhores cinquentões, nossa alegria era juvenil, como se estivéssemos na adolescência, vencendo uma gincana escolar...
Era ponto de honra chegar a Cunha a tempo de pelo menos tocarmos metade do show previsto, portanto, tratamos como uma vitória, a nossa entrada na cidade.

Estacionamos na praça central da cidade e de longe ouvíamos o Kim tocando e cantando, acompanhado de Edu Dias que acompanhou-o tocando gaita e cantando, também. Fiquei arrepiado de vê-los ali enfrentando a praça lotada, sem o nosso suporte, desfalcados portanto do peso de uma banda. Não dava para tocar a imensa maioria das músicas programadas no set list, mas apenas baladas amenas e um ou outro Blues de raiz. Não caracterizava o som que esperavam de nós, mas fiquei muito orgulhoso de ver a coragem e a hombridade artística que o Kim teve de subir e encarar sozinho, e sei que enfrentaria o desafio mesmo que não tivesse o apoio do Edu Dias, que era nosso convidado naquela noite.

Quando viu-nos correndo com o meu baixo e peças de bateria, praça adentro, Lara veio auxiliar-nos, e na base do "depois contamos-lhe tudo", ela entendeu perfeitamente a nossa pressa.
Com o Kim tocando e cantando, fomos montando as coisas ali na frente do público, uma prática que abomino fortemente, mas diante das circunstâncias dramáticas com as quais essa chegada à Cunha revestiram-se, não havia outro meio mais discreto de prepararmo-nos.

                              Foto : Jani Santana Morales

Assim que fiquei pronto, e claro que no meu caso as coisas são mais simples para ajeitar-se, já fui encorpando o show, tocando. Carlinhos ainda ficou ajustando as suas peças à carcaça de bateria que havia ali disponibilizada, e somente duas músicas depois, entrou conosco.

                                 Foto : Ryu Uehara Dias

Quando o som encorpou de vez e a banda soou como deve-se, o Kim foi fazendo suas escolhas de repertório a dar mais vazão para que a euforia pronunciasse-se, e o público que parecia apático, levantou-se. Não quero dizer com isso que éramos imprescindíveis ao ponto de suplantar o brilho pessoal do Kim e do próprio Edu Dias, mas com a banda tocando junto com muita garra e o repertório favorecendo, o público inflamou-se.

                                        Foto : Lara Pap
 

Outro fator, o Kim confessou-nos que subira ao palco para cumprir sua parte e não deixar o público frustrado, num ato que extrapolou o profissionalismo, mas revelou-se heroico, até. Não é qualquer artista que dispõe-se a fazer isso e numa circunstância excepcional dessa monta, a tendência é mandar cancelar o evento. Além do mais, ele confessou-nos que estava uma pilha de nervos, e que a situação fizera-o pensar no pior e que fora um martírio angustiante para ele subir para entreter o público, imaginando que talvez eu e Carlinhos estivéssemos mortos, vítimas de um acidente na estrada. Sua fala cortou-me o coração, pois pude imaginar sua angústia, pensando nas bobagens que sempre pensamos quando ficamos sem notícias de familiares e /ou amigos. O show deveria ter acabado por volta das dez e meia da noite, mas com nossa chegada quase 40 minutos depois, e pelo fato do público estar divertindo-se muito, o representante do secretário de cultura falou para tocarmos o quanto quiséssemos. Era quase meia-noite, quando encerramos e uma reversão completa do astral havia sido feita. Do baixo astral de um quase não comparecimento, nós conseguimos fazer o show e esticá-lo de uma forma absurda, com o público completamente a nosso favor, vibrando muito. E por tratar-se de um público híbrido, víamos todo o tipo de gente ali presente; De rockers locais a idosos, passando por muitas famílias, crianças e adolescentes etc etc.

Fim do show em Cunha / SP, com o Kim exibindo a escultura feita em homenagem aos Kurandeiros, ofertada pelo artista plástico da cidade de Cunha, Denis Akino. Foto : Lara Pap
Levantando a escultura que ganhamos do artista Denis Akino, em Cunha !!


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=_HcI4y2bUSQ


Um escultor local, chamado Denis Akino, ofertou-nos uma peça de madeira por ele feita em nossa homenagem, e que o Kim guardou com carinho na sua coleção de memorabilia. Um gesto muito bonito e de certa forma, tipicamente interiorano, no sentido da hospitalidade sempre em grande profusão.

 
"Can't Be Satisfied" no Festival de Jazz & Blues de Cunha / SP, em 9 de janeiro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=RA7UeC4LsTM 

 
"Meu Mundo Caiu" no Festival de Jazz & Blues de Cunha / SP, em 9 de janeiro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=8sHEJVvQ8_8 

Quando o show acabou, fomos muito assediados pelas pessoas e ficamos muito felizes, duplamente : pelo sucesso do show, mas também pela nossa tenacidade em fazer de tudo para não deixar de cumprir o compromisso.  

"Honky Tonk Woman" no Festival de Blues de Cunha / SP, em 9 de janeiro de 2015


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=KWs-NKa2am4

"Black Cat Moan" no Festival de Jazz & Blues em Cunha /SP, em 9 de janeiro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=yQO23KL6wJA 

Senti-me muito feliz por ter conseguido chegar e tocar, complementando a nossa banda no compromisso firmado. E mais que isso, pelo fato da apresentação ter sido um enorme sucesso de público. Estava tão eufórico com esse desfecho feliz, que nem preocupei-me com o fato de que precisava abastecer o carro, pois no longo trecho entre Guaratinguetá e Cunha, não tinha visto nenhum posto de gasolina.

Falamos com um rapaz da produção do show, e ele franziu a testa quando indagamos-lhe sobre um posto de gasolina aberto na cidade naquela hora. Não havia pensado que numa cidade muito pequena, esse tipo de problema ocorre, de tão acostumado a viver em São Paulo, onde tal preocupação não existe. Solícito, conduziu-nos até a um posto, que já estava fechado, mas a seu pedido, o frentista que jogava cartas com amigos, abriu a bomba e abasteceu-nos. Mais um toque mágico que só Rockers sabem como funciona...

Voltamos para São Paulo extenuados, mas absolutamente tranquilos e felizes pelo sentimento de missão cumprida. Fora um sufoco, gerando muita angústia da parte de todos, mas o resultado final tornou-se tão reconfortante e compensador, que toda a agonia vivida esvaíra-se.

Aconteceu no dia 9 de janeiro de 2015, em Cunha, uma belíssima cidade interiorana, que pelo pouco que vimos, tem muitos atrativos naturais, fora a hospitalidade interiorana, típica e sempre prazerosa.
Nos meus cálculos livres, acho que haviam cerca de 300 pessoas na praça vendo-nos, mas tratando-se de um pequeno, porém charmoso  boulevard, estava bem cheio. Ainda em janeiro, voltaríamos à nossa rotina de apresentações em casas noturnas, mas não necessariamente em São Paulo.


Após a aventura de angústia e alívio vivida em Cunha, no interior de São Paulo, voltamos à cidade de Osasco, na Grande São Paulo, para mais uma apresentação na simpática Casa Amarela. Cheguei mais cedo que os demais companheiros e ali sentado numa mesa aguardando os amigos, não sentia-me muito bem disposto. 

Desde o final de 2014, eu já vinha sentindo efeitos desagradáveis no meu organismo, mas sem ter ideia da dimensão da doença que já estava instaurada no meu organismo. E só fui tomar conhecimento da gravidade, no mês de março, mas já chego lá na cronologia.
Naquele momento de fim de janeiro de 2015, sentia-me fraco e atribuía o mal estar à queda de pressão arterial devido ao forte calor de verão, tão somente. E assim sentia-me, sentado numa mesa da Casa Amarela, enquanto esperava os amigos chegarem.

         Com Cris Stuani cantando conosco, na Casa Amarela de Osasco / SP, em janeiro de 2015...

O show foi bom, tivemos a presença do guitarrista / cantor, Cris Stuani fazendo uma participação especial, sempre bacana. Aconteceu no dia 17 de janeiro de 2015.


Uma semana depois e estávamos de novo na zona norte de São Paulo para tocarmos no reduto hippie do bairro do Tucuruvi. Uma boa apresentação no Santa Sede Rock Bar, no dia 24 de janeiro de 2015. No início de fevereiro, fomos novamente à cidade de Santo André, no ABC paulista, para uma apresentação no Gambalaia.
Escalamos a banda "O Livro Ata" para fazer a abertura do show e ficamos muito contentes por ver que tal banda evoluíra muito em relação à primeira que vez que abriram o nosso show numa ocasião anterior. 

Foi uma noite muito bacana, embora o meu estado de saúde desse mostras que era preocupante, e já não dava para atribuir o mal estar apenas ao efeito do calor escaldante do verão, interferindo na oscilação da pressão arterial...
Quando o próximo compromisso dos Kurandeiros chegou, eu já estava mais preocupado com isso, e no dia em específico em que ocorreu o compromisso, tive uma aventura hospitalar emergencial e desagradável...


O próximo compromisso dos Kurandeiros seria midiático, e muito familiar no meu caso. Estávamos escalados para apresentarmo-nos no clássico programa da emissora Brasil 2000 FM, tocando ao vivo, e sendo entrevistados pelo famoso Osmar "Osmi" Santos Junior. Familiar, portanto, pois tal programa existia desde os anos oitenta e nele, eu me apresentei com diversas outras bandas por onde atuei anteriormente, e sendo assim, foi um prazer saber que lá iria de novo, mantendo uma tradição até pessoal para a minha carreira.

Para essa apresentação, o tecladista superb, Nelson Ferraresso estaria conosco, e sua contribuição fina, eu diria, sempre enriquecia o som dos Kurandeiros, e de certa forma aparava arestas, pois ele trazia seu estilo comedido, impelindo-nos a conter a volúpia rocker, tirando-nos o ímpeto de soar como o "Blue Cheer" ao vivo, e colocando-nos numa posição mais "soft", levando-nos mais para o "The Animals", digamos assim.

No estúdio da Rádio Brasil 2000 FM, com Osmar "Osmi" ao meu lado, usando camiseta com estampa do AC/DC. 

A despeito de eu estar motivado com a apresentação no programa, meu estado de saúde estava piorando. Minha pele estava ganhando características de icterícia, e o mal estar que acometia-me desde o final de 2014, intensificara-se nos primeiros dois meses de 2015.
Já havia consultado um médico particular que havia pedido exames e advertira-me que havia a hipótese de eu estar com hepatite, mas havia também uma chance grande de ser uma colelitíase, ou seja, pedra na vesícula. Aguardava o resultado da batelada de exames de sangue que ele havia pedido e também o exame de ultrasom, mas com a advertência de que não deveria de forma alguma carregar peso, pois independente do que fosse o meu diagnóstico final, eu estava com o fígado comprometido e qualquer abalo poderia gerar uma obstrução do duto biliar e aí, eu corria risco de vida. Portanto, sua advertência fora clara para que em caso de mal estar mais forte, eu não esperasse a conclusão dos exames, retorno para o diagnóstico final, e que deveria ir imediatamente para um hospital e internar-me. Pois nesse dia da apresentação na Brasil 2000, eu passei mal logo após o almoço e medindo a pressão arterial com medidor doméstico, verifiquei que a pressão estava altíssima. O mal estar estava muito grande, com uma tontura horrível e não tive alternativa a não ser ir para o Pronto Socorro de um hospital. Não vou contar mais nada aqui, logo deixarei o link de um texto que criei em 2015, sobre o que acometeu-me em seguida, e se o leitor tiver interesse, vai saber com mais detalhes o que passei daí em diante, com duas cirurgias e uma internação cheia de acontecimentos dramáticos, eu diria. Por enquanto, digo que no hospital que procurei nesse dia, apesar de estar ficando assustadoramente amarelo, ao relatar o que acometia-me na triagem, fui encaminhado à uma cardiologista que limitou-se a medir minha pressão; auscultar meu batimento cardíaco e pelo fato do mal estar ter passado e a pressão voltado à um patamar seguro, aconselhou-me a marcar consulta com um gastroenterologista e beber água...
Bem, como a pressão abaixou e sentia-me melhor, e também considerando que já estava em consulta com um médico gastro e aguardando exames, resolvi ir para a casa, pegar meu carro e cumprir o compromisso normalmente. Cheguei ao estúdio da emissora sentindo-me fraco, mas deu para interagir na entrevista e tocar, mesmo assim.

Acima, o programa que fizemos na Brasil 2000 FM, na íntegra.
 

Eis o Link para escutar no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=qji_lW1P2w0

Sobre a apresentação, meu mal estar a parte, foi muito boa, com os Kurandeiros tocando de forma solta, com muita descontração. Eu recordei com o Osmar "Osmi" que ali tocara três vezes com o Pitbulls on Crack nos anos noventa; uma com a Patrulha do Espaço em 2000; quatro vezes com o Pedra, e agora com Os Kurandeiros. Isso fora a A Chave "Sem Sol" que não tocou, mas participou com duas entrevistas ali, no final dos anos oitenta. Muita coisa, mesmo, estabelecendo um vínculo emocional. Aconteceu no dia 17 de março de 2015, ao vivo...
Ainda fiz dois shows com a Magnólia Blues Band, que eram os próprios Kurandeiros, mas com outro nome e roupagem, e meu estado piorou sobremaneira. Fiz o show do dia 25 com a Magnólia Blues Band, num mal estar muito grande e minha cor estava assustadora. 

No dia 27, haveria mais uma apresentação para os Kurandeiros no Melts e eu só piorara. Meus exames já haviam ficado pronto e nessa altura eu já sabia que estava com colelitíase e nem deveria esperar o retorno ao médico na terça feira posterior e ter ido ao hospital, mas ainda fiz o show no Melts na sexta, esperei a terça chegar, e só aí quando o médico disse-me que eu deveria sair do gabinete dele e ir voando para o hospital, é que tomei tal providência. Para saber tudo o que aconteceu-me daí em diante, portanto, deixo o link do relato que escrevi e publiquei no meu Blog 1, como forma de agradecimentos aos médicos; enfermeiras e demais profissionais do Hospital São Paulo, onde a minha vida foi salva.

Eis o Link da matéria descrevendo o que passei no Hospital :


http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2015/10/nao-e-por-ma-vontade-dos-profissionais.html


Tocando sentado, com a sorte da iluminação disfarçar a minha cor que estava impressionante nesse dia. Foi meu último show antes da internação e cirurgias.

Voltando a falar dos Kurandeiros, a apresentação no Melts foi ok, apesar do meu estado lamentável. Toquei sentado, sentindo um mal estar danado e estava tão amarelo que estava envergonhado em apresentar-me desse jeito. A sorte é que na iluminação difusa da casa, poucos perceberam que minha cor estava assustadora. Bem, daí em diante, foi uma internação longa; duas cirurgias, e uma recuperação lenta, que de certa forma persistiu até 2016, quando encerrei este trecho da redação da autobiografia, mas que não impediu-me de voltar a trabalhar ainda no primeiro semestre de 2015, com todas as bandas onde atuo, e também nas atividades literárias e virtuais, apesar da debilidade sendo vencida paulatinamente. O próximo compromisso com os Kurandeiros aconteceria no final de maio, com muito incomodo pós cirúrgico de minha parte...

Voltei para a minha casa no dia 18 de abril de 2015, após uma longa internação hospitalar, e duas cirurgias bastante delicadas. Já deixei o link para a matéria que publiquei em meu Blog 1, anteriormente, e que explica com detalhes o que ocorreu-me nesse ínterim, com detalhes sobre a doença, cirurgias e os dias de internação, não vou repetir tais fatos aqui. O que importa aqui é que no final de maio, ainda sentia-me muito debilitado e mal saia para uma caminhada no jardim do meu condomínio ainda, quando recebi o telefonema do Kim dizendo-me se eu aceitava fazer um show na Faculdade ESPM, muito próxima da minha residência.

Tal apresentação seria de choque, num show a ser realizado num horário insalubre, mas com a certeza de haver uma estrutura legal num palco montado na quadra de esportes de tal instituição e sob responsabilidade do C.A. dos alunos. Nossa garantia de que seria tudo bacana, vinha da parte do Fulvio Siciliano, nosso amigo guitarrista e que era professor naquela faculdade, portanto, não havia possibilidade de não ser bom.

Fulvio tocaria conosco e haveria de ser uma grande festa, ainda que num horário absurdo para os nossos padrões Rockers e estando eu na condição de um convalescente (a primeira consulta ambulatorial pós-internação, só ocorreria no dia seguinte, 26, quando comecei a retirar os pontos das cirurgias). Bem, apesar de estar num estado lastimável de debilidade ainda, ao menos havia recuperado a coloração normal da minha pele, sem as pedras que destruíram minha vesícula e quase arrebentaram o meu pâncreas e duodeno...
Sobre o show em si, meus amigos combinaram de buscar-me e trazer de volta para casa, carregar meu backline e instrumento e eu só teria que tocar. Seria um show de choque, portanto bem curto.
Chegamos na Faculdade ESPM bem cedo, antes das 7 da manhã. Fomos rapidamente para o palco que já tinha um P.A. montado, e uma equipe técnica terceirizada para atender-nos. Aprontamo-nos e eu percebi que dava para tocar em pé, sendo um show de choque, e sem fazer mise en scené algum, embora a força do hábito talvez levasse-me para isso, mesmo sendo imediatamente interrompido pelas dores e incômodos inevitáveis. Estava tudo indo bem, com uma passagem de som razoável e só teríamos que aguardar o sinal de intervalo quando os estudantes lotariam o pátio para ver-nos tocar. Mas aí o imponderável ocorreu...

Mexendo em alguma coisa atrás do seu amplificador, o Kim esbarrou no suporte de sua guitarra Gibson Les Paul e ela precipitou-se ao chão. Quando chegou ao chão, quebrou bem na junção entre o final do braço e o "headstock". Quem for músico e estiver lendo este trecho, sabe que Gibson Les Paul quando cai no chão desse jeito, é uma tragédia. Outras guitarras não sofrem tanto, mas a Les Paul...
O Kim ficou inconsolável, pois além do prejuízo que seria enorme a grosso modo, naquela altura, pairava a dúvida sobre ser possível o reparo. Ele sempre leva duas guitarras aos shows, no mínimo, mas desta vez, por ser um show de choque de apenas vinte minutos, havia levado uma só. Para voltar à sua residência e buscar outra guitarra, não haveria tempo hábil e a hora da apresentação aproximava-se.

                     O guitarrista Fulvio Siciliano, nosso amigo

Chegamos a cogitar cancelar a apresentação, mas aí o Fulvio que faria participação especial conosco prontificou-se a suprir toda a parte da guitarra e como tínhamos a presença do tecladista Nelson Ferraresso conosco, não haveria de ser problema para a banda se o Fulvio sentisse alguma dificuldade harmônica. O Kim cantou, agitou e fez suas brincadeiras costumeiras, nem parecia que estava profundamente chateado com a situação, e assim apresentamo-nos. 

"A Galera quer Rock" na faculdade ESPM, em 25 de maio de 2015


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=6InkQT8XdIM

Foi realmente um show atípico em todos os sentidos, pois esses shows em faculdades já são exóticos por natureza e não era a primeira vez que eu passava pela situação. O Kim não tocando guitarra num show dos Kurandeiros, e eu naquele estado de convalescença... realmente foi tudo muito atípico. Contudo, teve o lado bom, pois alheios às nossas dificuldades, boa parte dos estudantes apreciou o show. Foi assim então, no dia 25 de maio de 2015, tocando na quadra de esportes da faculdade ESPM, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

"Maria Maluca" na Faculdade ESPM em 25 de maio de 2015


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=Ep8u4C4Pqhk 


Foi meu primeiro show depois da internação, e apesar do incômodo que ainda sentia e dos problemas que tivemos ali, com a guitarra do Kim quebrando, estava feliz por estar retomando minhas atividades musicais. Em poucos dias, ainda debilitado mas com vontade de normalizar a vida, estava de novo com o Magnólia Blues Band e Os Kurandeiros novamente em ação.

Voltei a tocar com os Kurandeiros, e estava feliz por estar retomando a vida normal, em se considerando a doença que tive, e suas consequências que quase levaram-me para o "lado de lá"...
Após o show de choque na Faculdade ESPM, tínhamos um compromisso numa casa noturna no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, num estabelecimento chamada "Viking Bar".

Os Kurandeiros no Viking Bar do bairro da Mooca, em São Paulo, em 2015
 
Pequena, mas bem montada e com ambientação Rocker na decoração, prometia ser uma noitada bacana. Eu conhecia o entorno do bairro, pois morei ali por um curto período em 1971, e apesar de ser uma remota memória de 44 anos, o traçado das ruas permanecia o mesmo, e salvo algumas poucas modificações mais radicais nas edificações, permanecia quase tudo igual ao período em que ali vivi e época em que gostava dos Mutantes; Toni Tornado; o programa Som Livre Exportação na TV, e sonhava comprar o LP triplo do George Harrison ("All Things Must Pass"), recém lançado, e cuja capa na vitrine de uma loja ali próxima, indicava a "exorbitante" quantia de 33 cruzeiros, portanto algo inatingível para um iniciante Rocker de 11 anos de idade...
Bem recebidos pelos simpáticos proprietários e pelos funcionários, na hora percebi que a gentileza era uma marca registrada ali, fazendo-me lembrar do Melts, casa que já citei várias vezes anteriormente.

Foi uma apresentação bem bacana, apesar de ser um palco pequeno e infelizmente não haver um bom público presente. Aconteceu na noite de 6 de junho de 2015, e tirante uma quarta anterior onde fui tocar com a Magnólia Blues Band, era a primeira vez que fazia um show com Os Kurandeiros, indo ao local da apresentação, dirigindo meu carro. Ainda sentindo-me fraco, fui ajudado a levar minhas coisas do carro para a casa, naturalmente, mas ao contrário do show de choque na Faculdade ESPM, desta feita não seria um show dessas características, e assim, teria que encarar tocar em pé o tempo todo.

"Going Down" no Viking Bar em 6 de junho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=3Ml5jTVJiy0   



"Dead Flowers" no Viking Bar em 6 de junho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=QMbUgxl4Frs


Aguentei, mas fiquei bastante cansado, devo confessar, e naquela altura estava ainda bem longe de sentir-me mais apto a voltar a ter uma vida normal. Duas anestesias gerais em três dias de diferença, apenas, haviam produzido um estrago no meu sistema nervoso, fora outras questões análogas, como a perda de massa muscular e peso; respiração ofegante; um pouco de taquicardia etc etc. Pelo menos, estava com minha cor de pele restabelecida e a grosso modo, pela aparência, ninguém que não soubesse do que ocorrera-me, poderia suspeitar sobre a agrura que enfrentei...
Os donos do estabelecimento gostaram tanto que convidaram-nos a tocar na semana seguinte, e assim procedeu-se.

Voltamos ao Viking bar em 12 de junho de 2015, e havia uma promoção da casa para o dia dos namorados, oferecendo drink grátis para casais etc etc. Apesar da extrema simpatia dos proprietários e funcionários, a casa não trouxe um bom público também na segunda vez em que ali apresentamo-nos, e a desculpa seria o feriado prolongado de Corpus Christi a atrapalhar a movimentação. 

"Cocaine" no Vikink Bar, em 12 de junho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=KaQMnvvTq70  



"Superstar" no Viking Bar em 12 de junho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=bV0vzQa8ga4


Bem, foi muito bacana tocar duas vezes no Viking Bar, e mesmo que o resultado prático não tenha sido dos melhores, apreciamos os shows e a hospitalidade nas duas ocasiões. 


"The Long and Winding Road" no Viking Bar em 12 de junho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=1LPD492wJ6w  


"Bell Bottom Blues" no Viking bar em 12 de junho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=anLtx-22URI


E aquele quarteirão da Mooca entrou para o rol dos lugares que já havia frequentado na infância e adolescência, onde muitos anos depois eu fui tocar em alguma casa noturna ou teatro (já havia tocado no Sesc Belenzinho, também, ali pertinho), numa espécie de junção lúdica entre o passado e o presente. Noite de 12 de junho de 2015, no Viking Bar, na Mooca.

Voltamos à Casa Amarela de Osasco, em 11 de julho de 2015.
Estava contente por voltar ali em outra situação de saúde, visto que minha última lembrança vinha do mês de janeiro do mesmo ano e ainda que nem suspeitasse que estava seriamente doente, estava sentindo-me nada bem naquela ocasião.

Desta feita, estava bem melhor e mais forte nos momentos do pós-operatório, estava a um passo da alta definitiva, que só ocorreria no final de julho, na última consulta ambulatorial. Foi uma apresentação animada, com bastante energia e com minha participação voltando ao normal.

Ainda em julho, recebemos o convite para participarmos de um programa de Internet, a ser filmado num estúdio de gravação e ensaio localizado no bairro do Jaguaré, na divisa de São Paulo com Osasco. Chamava-se "Estúdio Blen Blen Entrevista". Fomos filmá-lo na manhã de um sábado chuvoso e frio e ainda bem que os seus produtores eram simpáticos e solícitos (Gabriel Totti na engenharia de som, e Jesse Navarro na apresentação), porque estar às 9:30 da manhã no Jaguaré fez-me virar a noite acordado, e portanto, devo ter chegado ao estúdio em questão, com o aspecto de zumbi e tanto...

Tocamos e respondemos perguntas num esquema de programa pré montado, evitando muitos cortes e praticamente evitando a complicação de uma edição. Nesse vídeo abaixo, a apresentação na íntegra com a banda tocando. "Pro Raul"; "Sou Duro"; "A Galera quer Rock" e "Os Brutos Também Amam", além da entrevista, com foco mais no Kim, naturalmente.

Kim Kehl & Os Kurandeiros no programa Estúdio Blen Blen, que foi ao ar no final de julho de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=UdraKIojJK4


Ainda em julho, a produtora Christine Funke agendou-nos uma data numa casa onde jamais havíamos apresentado-nos anteriormente. Tratava-se do "Pimenta Verde", uma casa ampla, que na verdade era um restaurante no período diurno, mas que queria assumir dupla identidade, sendo casa de shows no período noturno. Localizada na Vila Olímpia, bairro da zona sul de São Paulo, curiosamente outro bairro em que vivi no final dos anos sessenta e onde tinha bastante identidade, visto ter estudado no colégio estadual do bairro, desde 1968.

Os Kurandeiros na casa "Santa Pimenta", localizada na Vila Olómpia, zona sul de São Paulo, em julho de 2015. Foto : Lara Pap

A casa em questão era ampla e bem aprumada, mas não ostentava uma organização mínima para abrigar shows musicais, portanto, apesar do espaço destinado para servir de palco fosse até razoavelmente confortável (era um canto ornamentado como mini biblioteca, com um piano de parede ali colocado e devia ser um lounge para clientes aguardarem uma mesa vaga na hora do almoço), não havia nenhuma estrutura disponível. Portanto, o Kim teve que levar seu P.A. e pensar em estabilizador de voltagem e extensões para prover as parcas opções de energia disponíveis etc etc.

                                  Foto : Walter Possibom

Ainda assim, o show foi bom, mesmo sendo semi acústico, com o Kim tocando apenas violão, e atraiu um público muito além do que os proprietários esperavam. No calor da euforia pelo bom resultado obtido, com mesas cheias e consumindo bastante no seu estabelecimento, disseram-nos que contratar-nos-iam para sermos atração fixa da casa às sextas, mas diante da oferta financeira mencionada e da canseira que era levar absolutamente tudo, pois a casa não tinha infra estrutura alguma para abrigar shows musicais, desistimos e ficou só nessa apresentação, mesmo.

                                  Foto : Vanessa Anchieta

No dia seguinte era a data natalícia do Kim, e tratamos o show também com esse mote e daí, após o espetáculo, teve um bolo para a confraternização. Noite de 18 de julho de 2015, no Pimenta Verde, em plena Rua Alvorada, na Vila Olímpia, outro bairro de São Paulo onde eu tinha raízes pessoais.

Para fechar o mês de julho, fizemos mais uma apresentação na Casa Amarela de Osasco, desta feita levando o tecladista Nelson Ferraresso como reforço e a novidade é que nessa apresentação, o repertório que tocamos privilegiou o Soft Rock. Tratando-se de um domingo num horário mais ameno do que o habitual ali e praticamente tratou-se de uma matinê. Dia 26 de julho de 2015, com uma apresentação tranquila, com a banda flutuando no palco para o público osasquense.

Em agosto, voltamos ao Bierboxx da Vila Madalena. Havíamos tocado ali no final de junho, mas com nossa "terceira identidade", como o "Nudes" de Ciro Pessoa, num evento de cunho fortemente político e articulado pelo próprio Ciro, que estava muito "pilhado" pelo ativismo nessa época.

Mas agora, de novo com os Kurandeiros, e finalmente apresentando uma solução para que o gerente da casa não arrancasse os cabelos pela nossa volúpia sonora, fazendo uma apresentação amena, na base do "acústico" e com o Kim atacando só no violão.

Os irmãos Nardo, sentados no chão, nessa foto do encarte do LP Fruto Proibido, do Tutti-Frutti, em 1975

Uma surpresa super agradável deu-se quando o vocalista Rubens Nardo apareceu, e claro que o convidamos para uma participação. Para a nova geração não muita atenta na história, Rubens Nardo e seu irmão gêmeo, Beto Nardo, eram back vocalistas fixos, membros do Tutti Frutti nos anos de ouro da carreira dessa banda e de Rita Lee. Fizeram parte das gravações do álbuns seminais : "Fruto Proibido" e "Entradas e Bandeiras". Portanto, foi uma honra ter a presença de alguém que ajudou a construir a história do Rock brasileiro e muito legal constatar que ele era / é, extremamente gente boa e humilde. Isso por sinal eu já sabia desde antes dessa participação dele conosco, porque o Carlinhos conhecia-o de longa data e já havia dito-me isso. Noite de 8 de agosto de 2015 com empolgação do público e gerente tranquilizado com o volume ameno...

Em setembro, fomos novamente ao reduto hippie da zona norte de São Paulo, o Santa Sede Rock Bar. Teríamos um convidado de honra nesse dia, o excepcional guitarrista Milton Medusa, um artista sensacional e que considero mais que um amigo, mas um dos maiores incentivadores da iniciativa que eu tive de finalmente começar a escrever a minha autobio, em 2011.



 
Primeira foto : Lara Pap. Última foto do acervo de Tarcísio Edson César

"Scuttlebuttin" com Os Kurandeiros + Milton Medusa, no Santa Sede Rock Bar em 4 de setembro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=7kGkdbbgYrg

Guitarrista da linha do virtuosismo, professor de uma das escolas mais prestigiadas de São Paulo, e com um longo curriculum montado principalmente no universo da música instrumental / virtuose; na pedagogia via EMT, onde leciona e nas suas atuações em revistas especializadas sobre guitarras & guitarristas, Medusa é antes de tudo um sujeito dos mais humildes, gente boa e solidário.


 

Com o grande Milton Medusa acompanhando-nos no Santa Sede. Fotos : Lara Pap

"Crossroads" com Os Kurandeiros + Milton Medusa no Santa Sede Rock Bar, em 4 de setembro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=RfgMJ4Eg1ts


Foi um dos primeiros a saber do meu real estado de saúde em 2015, e muito preocupado, procurou-me várias vezes no "inbox" da Rede Social Facebook para saber de notícias, além de telefonemas e uma visita em minha residência.




Os Kurandeiros + Milton Medusa no Santa Sede Rock Bar, em 2015. Fotos : Lara Pap

Tocamos na noite de 4 de setembro de 2015, e foi muito legal essa apresentação. Quando o Milton Medusa foi chamado para fazer a sua participação, o público estava aquecido, portanto, a euforia foi total e isso alegrou-nos a todos. No mesmo mês de setembro fomos convidados a participar de mais um programa ao estilo Talk Show, de Internet. Numa noite de terça-feira, fomos ao estúdio da Flix TV para apresentarmo-nos no programa "Comunidade em Ação", do comunicador Guto Senatore.

                               O comunicador, Guto Senatore

Figura conhecida entre os comunicadores de internet, Guto já era um veterano nessa área, visto ter sido um dos primeiros a explorar tal filão, ainda nos anos 1990, quando a internet começava a popularizar-se no Brasil.

O programa foi curto, com entrevista básica e uma singela apresentação na base do semi acústico, e com o Carlinhos fazendo uma percussão bem simples, dispensando o uso da bateria.

Confraternização com Guto Senatore e sua produtora, após o programa

Simpático conosco, Guto já havia entrevistado o Kim várias vezes anteriormente. Eu conhecia-o pela internet apenas, era seu amigo virtual desde o tempo da extinta Rede Social Orkut, mas foi nessa ocasião enfim que conheci-o pessoalmente. De fato, nunca havia visitado seu talk show, com outras bandas por onde passei antes.
Tocamos "Eu Vi um Anjo"e "Banda do Clube dos Canalhas".


Programa "Comunidade em Ação", com o comunicador, Guto Senatore na Flix TV, e que foi ao ar em setembro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=2ZgPYEfDjDU


Ainda em setembro, tocamos numa casa da Rua Augusta, naquela verdadeira ebulição "zombie" digna de filme de Cesar Romero...




Spades Café, e seu palco que parecia um container de navio... Fotos : Jani Santana Morales

A casa em questão era o Spades Café, e sua ambientação era toda baseada em anos cinquenta, com as atendentes caracterizadas como "pin ups dos fifties", e o palco era um retângulo exótico, parecendo um fundo infinito de estúdio fotográfico.

Dimas Zanelli e Paula Mota, ambos ex-Made in Brazil e que fizeram participação especial nessa noite no Spades Café. Foto : Lara Pap 

Agradecendo a participação da cantora Paula Mota, ao final. Foto : Lara Pap

Não resistimos em aproveitar uma geladeira dos anos cinquenta do estabelecimento, como cenário para uma foto...Click de Lara Pap

Fizemos uma apresentação de muita energia ali, e uma pena que o público na casa foi pequeno, com pouco mais de 20 pessoas presentes, embora o "filme de zumbis" estivesse a pleno vapor na Rua Augusta, como de costume numa madrugada de sexta para sábado... aconteceu na noite de 18 de setembro de 2015.


                              Foto : Jani Santana Morales
 
No mês de outubro, Os Kurandeiros ocuparam-se de suas "outras identidades" e nos capítulos de Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada e Magnólia Blues Band, conto tudo. Mas Os Kurandeiros tiveram um compromisso midiático nesse mês.

Lounge externo do Rocks Studio, aguardando o início da gravação do programa. Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Carlinhos Machado; Nelson Ferraresso e Kim Kehl. Foto : Lara Pap

Na verdade, era um compromisso que estava marcado para maio, mas quando souberam que fiquei  doente, e não reunia condições para estar com a banda, o compromisso foi adiado.


Agora, estávamos sendo convocados novamente, e com muito prazer participamos do programa "Live on The Rocks", da emissora Stay Rock, uma das maiores webradios do Brasil.


Tal programa era gravado num estúdio na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, meu bairro e portanto perto de minha residência, duas estações de Metrô além da mais próxima de minha casa.



 
O estúdio chamava-se Rocks Studio e pertencia ao guitarrista Fabio Hoffmann, famoso no meio do Rock pesado paulistano, principalmente pela sua ex-banda, o "Pompeia 1853" que construiu uma história entre os anos 1990 e 2000.

"Maria Maluca" no Live on the Rocks da Stay Rock Brazil - Rocks Studio - Outubro 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=540gp0bWB3E  


"Má Noite" no Live on the Rocks da Stay Rock Brazil - Rocks Studio - Outubro 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=BrHX8FcYXT8 


"Pro Raul" no Live on the Rocks da Stay Rock Brazil - Rocks Studio - Outubro 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=naGrYjXiqvw 


"Eu Vi um Anjo" no Live on the Rocks da Stay Rock Brazil - Rocks Studio - Outubro 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=uGE2CX428lk


Programa conduzido pelos amigos Renato Menez; Rogério Utrila e Adilson Oliveira, a conversa foi super descontraído, como exatamente esperávamos, por tratar-se de amigos.

A ideia ali era gravar a performance musical da banda antes, e os blocos de conversa foram gravados posteriormente. Acho que o Fabio Hoffmann auxiliou-nos bastante e sua produção na gravação e mixagem desse material ao vivo foi muito boa, com um áudio bem bacana.

Além das conversas girando em torno da carreira dos Kurandeiros e um pouco de espaço para todos falarmos de bandas anteriores em que cada um tocou, também pediram-nos para fazer um mini playlist de músicas nacionais e internacionais de outros artistas e eu lembro-me que escolhi "Axis Bold as Love" do Jimi Hendrix; e "Desanuviar" dos Mutantes.

Da esquerda para a direita : Adilson Oliveira e Renato Menez

Da esquerda para a direita : Rogério Utrila e Adilson Oliveira

E ainda cometi um ato falho, pois pediram-me para anunciar a atração nacional escolhida pelo Kim, pois ele não estava enxergando a anotação que fizera, mas eu também esta sem óculos e aí... falei do "T.Rex", com a música "Get it On", e todos repreenderam-me com bom humor, naturalmente...

Enfim, foi bem prazeroso participar do programa, e todos adoramos a conversa e o resultado do áudio que o Fabio Hoffmann proporcionou-nos com sua operação de bom nível.

Confraternização final após o término da gravação do programa. Da esquerda para a direita : Fabio Hoffmann; Nelson Ferraresso; Carlinhos Machado: Kim Kehl; Renato Menez; Luiz Domingues e Adilson Oliveira. Na frente dos demais : Rogério Utrila. Foto : Lara Pap


No mês de novembro, apresentamo-nos novamente no Santa Sede Rock Bar, desta feita com a presença do tecladista superb, Nelson Ferraresso. 


Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar em 13 de novembro de 2015. Fotos : Bolívia & Cátia

Um ótimo público compareceu à casa da zona norte de São Paulo e tivemos momentos de muita euforia pela onda certeira que imprimimos no repertório e nessa caso, o mérito era todo do Kim, o responsável pelas escolhas na base do total improviso. Quando entrei nos Kurandeiros em 2011, achei que dificilmente acostumar-me-ia a tocar numa banda que nunca ensaiava ou formulava set list prévio. A vida toda subi ao palco sabendo o que ia tocar nota por nota, ainda que sempre desse-me ao luxo de ter margem de improvisação.


Os Kurandeiros em ação no Santa Sede Rock Bar. Fotos : Bolívia & Cátia

Mais que isso, achava inconcebível não ter no palco uma cópia do set list perto de cada membro da banda e acostumei-me a olhar na lista para saber sobre a próxima música qual seria, mesmo ainda tocando a anterior. Contudo, acabei acostumando-me com tal dinâmica e nesse dia no Santa Sede, não deu tempo para respirar tamanha a sequência feliz que o Kurandeiro-Mor fez ali na base do improviso como de costume.

                                  Foto : Bolívia & Cátia

Show bastante animado, toquei usando a camiseta da Stay Rock, pois sabia que muitas pessoas ligadas ao staff dessa estação apareceriam e eu (e os demais, também, é claro), estava contente com o programa "Live on the Rocks" que recentemente havia ido ao ar com sucesso e quis retribuir-lhes a gentileza.

           Os Kurandeiros em ação !! Foto : Rogério Utrila

Exótico na medida que raramente, para não dizer nunca, uso camiseta, é portanto digno de nota.

Com o amigo, João Pirovic, músico e radialista na Webradio, Rock Nation. Foto : Bolívia & Cátia

Pessoas ligadas ao staff de uma emissora webradio rival, a "Rock Nation" também compareceram, mas sem nenhuma chance de mal estar, até tirei foto com amigos usando camisetas das duas webradios e diferentemente da política e do futebol, ali não existem conflitos, muito pelo contrário, a amizade e a paixão pelo Rock movem todos na mesma direção.

                                   Foto : Regininha Oliver

Noite de 13 de novembro de 2015, bem animada para os Kurandeiros. No dia seguinte, o clima foi tão bom quanto, porém bem mais ameno, pelo menos no início da noite. 

Apresentamo-nos numa casa mais fechada no universo do Blues, chamada "The Boss", na Vila Madalena, bairro super boêmio da zona oeste de São Paulo. Mais uma vez acompanhados de Nelson Ferraresso, fizemos um milagre acrobático para acomodarmos a banda em formato de quarteto naquele minúsculo palco.

"Hootchie Cootchie Man" em versão cortada, no The Boss, em 14 de novembro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=4CdF6i461WY

Casa com bom público e completamente diferente da noite anterior, formado por gente mais velha e muito discreta, obrigou-nos a irmos tocando Blues tradicionais até o término da segunda entrada. Já passava da meia noite quando a casa renovou completamente a sua audiência. 


"A Galera quer Rock" no The Boss, no dia 14 de novembro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=vCI7HwvyUsc 


Com muito mais jovens, arriscamos soltar a mão ao executamos um repertório mais Rocker e apesar do avançar da madrugada, o gerente animou-se e foi pedindo para que tocássemos mais e mais...


"Sou Duro" no The Boss, no dia 14 de novembro de 2015

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=lgzTY7s4Ib0

Bem, não vou negar que gostamos, mas foi extenuante, porque já estávamos na quarta entrada quando por volta das 2 horas da manhã encerramos, enfim. Estávamos tocando desde as 21:30 aproximadamente e os intervalos não passavam de 15 minutos em média...
Dia 14 de novembro de 2015, uma noite em que se não fôssemos todos músicos experientes, teríamos adquirido muitos calos nas mãos...

Eu e Edgard Puccinelli Filho, aguardando o soundcheck de um show da Chave do Sol na cidade de Aguaí, em 19 de dezembro de 1985

Por volta dessa mesma época, recebi o recado "inbox" na Rede Social Facebook, de um velho personagem que pertencia ao mundo de uma banda onde toquei nos anos oitenta, A Chave do Sol. Era Edgard Puccinelli Filho, o popular "Pulgão", mas que também era conhecido nos shows da Chave como : Edgard, o ET que viera da Planeta "Glapaux"...
Não via-o e falava com ele há anos e agora inserindo-se no mundo virtual, estava procurando as amizades do passado. Mas não era apenas para promover reencontros nostálgicos com amigos do passado que ele estava procurando a todos da Chave, mas tinha em mente um projeto.   

Trabalhando na casa noturna, Madame Satã, convidou-me a ir lá dar uma olhada, visando marcar alguma coisa para as bandas onde tocava na atualidade. Mais que isso, falou-me que a casa não era mais o reduto Punk e Pós-Punk que fora fortemente nos anos oitenta, e que queria revitalizar-se com novos shows, etc etc.
Além disso, falou que havia uma outra casa, ali no bairro do Bexiga, mesmo, chamada Templo Club, que pertencia ao mesmo dono do Madame Satã atual, e que queriam revitalizá-la também, talvez voltando a promover shows de Rock regulares. Bem diante disso, aceitei conversar a respeito e marcamos uma reunião, onde eu chamei o Kim e a Lara Pap para participar dessa conversa e inspeção nas duas casas. Num dia de final de novembro encontramo-nos na porta do Madame Satã e conversamos com Edgard e seu sócio que eu não reconheci na hora, mas tratava-se de um empreendedor de casas noturnas que eu conhecera vagamente nos anos noventa, chamado Johnny Dalai, que havia promovido um show do Pitbulls on Crack numa casa noturna em 1992, chamada "Cadeira Elétrica". Vimos o Madame Satã e a casa demonstrava estar com a estrutura intacta dos anos oitenta. Parecendo um verdadeiro calabouço de castelo medieval, era / é um ambiente e tanto para ser set de filmagem de filmes de terror, mas também agradando em cheio ao público gay, com aquele ar de sado-masoquismo no ar. De fato, Edgard e Johhny disseram-nos que diferentemente dos anos oitenta, não haviam mais punkers e post-punkers ali, mas a casa tornara-se um reduto gay na cidade.
Nada contra tocar ali nessas circunstâncias, mas podemos ir ver o Templo Club, por favor ? Ha ha ha...

        Detalhe do caminho interno para adentrar o Templo Club 

Fomos a pé para o Templo Club que fica a poucos quarteirões dali, na Rua treze de maio, em frente à Praça Dom Orione. Tratava-se de um ex-igreja, que já havia sido teatro (nos anos setenta era o "Templo do Rock" e muitas bandas ali apresentaram-se); boite; clube; voltou a ser igreja; boite de novo, e nos últimos tempos, estava apenas sendo alugada para festas particulares. Johnny e Edgard estavam insistindo com o dono do Madame Satã para o Templo Club realizar um projeto de shows de Rock, dominicais.
A casa estava meio sujinha, meio carcomida pelo tempo, mas apresentava ótima estrutura para o público; um P.A. potente e se funcionando a contento, ótimo para show de Rock; o palco era enorme, quase no padrão de um palco de teatro e havia luz, ainda que fosse uma iluminação pensada para boite e não para iluminar espetáculos. Conversa franca e muito simples, praticamente acertamos ali uma parceria para fazermos um experimento a partir do início de 2016 : nos moldes parecidos com a que a nossa outra identidade fez no ano de 2014 no Magnólia Villa Bar, onde a Magnólia Blues Band apresentou-se toda quarta-feira trazendo um convidado especial a cada semana, a ideia seria agora Os Kurandeiros tocar todo domingo no Templo Club, e anunciando um convidado a cada semana. Bem, tudo muito teórico ainda, isso só começou a ser concretizado mesmo a partir de 2016, mas foi ali no fim de 2015, que a conversa inicial foi realizada.

No dia 4 de dezembro de 2015, voltamos ao Melts, a simpática lanchonete do bairro da Liberdade, perto do centro da cidade de São Paulo. Fazia tempo que não tocávamos ali. Tanto que a última vez havia sido em março, poucos dias antes de eu ser internado e meu estado era lastimável nessa apresentação, aliás, indo além, hoje até arrependo-me de ter ido, pois corria risco de vida, e não devia ter forçado. É bem verdade que os Kurandeiros tocaram em maio, sem a minha presença, com o baixista Sergio Luongo substituindo-me. Mas era na verdade muito marcante, sendo a minha grande volta, após uma estada ali não muito boa para recordar-se. Desta feita, após muitos meses, percebemos que o quadro de funcionários havia mudado radicalmente. Haviam apenas dois ou três que conhecíamos, e aquela ultra simpatia generalizada que tanto cativava-nos já não era a mesma. Mas longe de ser ruim, a nova turma tratou-nos bem, mesmo que mais discretamente.
Desta vez, foi uma apresentação bem mais feliz para o meu caso, mesmo que nesse dia não tivesse havido interação com a plateia, como era costumeiro ali. Haviam muitas mesas longas, com turmas de estudantes das faculdades do entorno e também turmas de empresas fazendo festa de confraternização de final de ano, ainda que fosse o início de dezembro apenas e isso é mais comum na segunda quinzena desse mês. O barulho que tais turmas faziam era enorme em sua algazarra na troca de presentes e chegou a atrapalhar-nos, por incrível que pareça. Chegou a ser bizarro, para dizer a verdade. Bem, missão cumprida ali no Melts, ainda teríamos dois compromissos em 2015...


Ainda em dezembro de 2015, voltamos ao Santa Sede Rock Bar para dois shows em características atípicas para os padrões rockers do estabelecimento, mas que não eram novidade para nós.

                                  Foto : Rogério Utrila

Fizemos dois shows no formato acústico, mesmo que tal conceito fosse meramente vago, pois na prática, só o Kim deixava a sua guitarra em casa e fazia uso de um violão. Tratava-se de uma experiência que a casa queria fazer, ao promover shows de sonoridade mais comedidas aos domingos e num horário típico de matinê, atraindo um público diferente que poderia divertir-se, mas sem a consciência pesada de chegar tarde em casa e ter que acordar cedo na segunda-feira. E assim foi no dia 6 de dezembro de 2015, com um público razoável, e nosso som bem comedido na base do "acústico" que já havíamos habituado-nos a fazer em tantas outras casas, com repertório transitando entre o Blues ameno e muitas baladas pop de sabor 1960 / 1970.

Receptividade ótima, fomos convidados a repetir a dose no domingo posterior, dia 13, com repertório um pouco mais pesado, apesar do violão e ausência de "drive".

                                     Foto : Rogério Utrila

Foram as últimas apresentações de 2015 para os Kurandeiros, embora ainda tivéssemos compromisso com a Magnólia Blues Band. O ano fora bom para os Kurandeiros, embora no âmbito particular, não tenha sido fácil. Enfrentei doença; internação e cirurgias, fora uma lenta recuperação e ao final de 2015, infelizmente tive a constatação de que um efeito colateral das cirurgias que enfrentei, surgira e segundo o médico que consultei, uma terceira cirurgia era inevitável. Mais branda, por tratar-se de uma disfunção muscular, e com recuperação mais rápida, mas teria que passar pela mesa cirúrgica, inevitavelmente, e pela terceira vez.

                                 Foto : Leandro Almeida

Enfim, fora esse aspecto de minha saúde pessoal, não podia queixar-me, pois estava vivo e corri um risco grande de ter perdido a vida; pude retomar meus trabalhos musicais; literários e prosseguir escrevendo minha autobiografia que neste instante de fevereiro de 2016, quando escrevi este trecho, estava na reta final de sua conclusão. E acredite, a perspectiva de deixar este relato inacabado, muito angustiou-me nos dias em que flertei com a morte, nos primeiros meses de 2015.

Portanto, ao estar escrevendo este balanço de 2015, só posso agradecer aos Kurandeiros pelo apoio inestimável que tem dado / deram-me, entendendo e cooperando comigo ao máximo, sabedores do meu estado de saúde debilitado nestes tempos e que ainda demoraria um pouco para passar, e eu poder sentir-me 100% apto fisicamente e sem receios. Quando 2016 chegou, já tínhamos definido que o projeto no Templo Club iniciar-se-ia no final de janeiro de 2016, e que fora batizado como "Sunday Blues".
Eu sugeri que fosse "Sunday Rock & Blues" para conferir uma amplitude maior no mote, mas fui voto vencido e ficou na sugestão inicial.

Antes porém de mergulharmos nessa nova perspectiva, ainda fizemos mais um ótimo show no Santa Sede Rock Bar. Tirante já termos iniciado o ano com nossa identidade paralela, como "Magnólia Blues Band", esse foi em tese, o primeiro show do ano de 2016.



Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar, em janeiro de 2016. Fotos : Jani Santana Morales

Noite de 15 de janeiro de 2016, com um ótimo público e sob a eletricidade total que agrada-me muito mais, causou euforia e foi muito legal.

                               Foto : Jani Santana Morales

Ciro Pessoa apareceu e deu seu recado na mesma noite, conosco. Foto : Lara Pap

Ciro Pessoa apareceu e fez uma participação efusiva, que arrancou muitos aplausos. Os Kurandeiros usaram sua terceira identidade por 15 minutos, e ali o "Nudes" atuou com desenvoltura. Mais três shows ocorreriam ainda janeiro de 2016...

                                      Foto : Lara Pap

Uma incógnita sob o ponto de vista da produção, e sobretudo do resultado prático final, fomos fazer o primeiro show do Projeto Sunday Blues, no Templo Club, no dia 24 de janeiro de 2016.
Dia quente de verão escaldante em São Paulo, a primeira constatação que fiz ao chegar nas imediações, era algo absolutamente esperado por eu mesmo e por todos, ou seja, parar na porta, até para descarregar o automóvel rapidamente, era algo extremamente penoso, pelo fato do estabelecimento ficar situado em plena Rua 13 de maio, e em frente à Praça Dom Orione, onde aos domingos ocorre uma tradicional feira de antiguidades; bugigangas & afins. 


Aspectos da Rua Treze de maio e na segunda foto, a famos escadaria que dá acesso à Rua dos Ingleses

Mas dei sorte no primeiro dia e parei relativamente perto da escadaria que dá acesso à Rua dos Ingleses, onde fica o Teatro Ruth Escobar. Em meio à uma infinidade de ambulantes expondo quinquilharias na calçada, cheguei ao Templo e logo avistei a presença de Edgard Puccinelli Filho, que prontamente dispôs-se a ajudar-me. Assim que saímos à rua, vi o Carlinhos chegando e assim, esperamos que ele descarregasse sua bateria, e fomos buscar meu equipamento no meu carro. Funcionários trabalhavam a todo vapor na limpeza e parecia que tudo funcionaria a contento.

Os Kurandeiros na porta do "Templo Club", em janeiro de 2016.Foto : Lara Pap

O técnico de som chegou, mas a despeito de nossa parte estar pronta, com o backline da banda e a bateria montados, o processo de cabeamento foi lento, e quando começamos a fazer o soundcheck, o público já estava chegando.

  Com Fulvio Siciliano, o primeiro à direita. Foto : Roberto Sá

Nosso convidado daquele primeiro domingo, foi Fulvio Siciliano, um grande guitarrista e amigo, portanto, estávamos absolutamente confortáveis com sua presença, fora o fato de estarmos mais do que acostumados a fazer shows longos sem set list e baseados no improviso total.






               Preparativos para o souncheck. Fotos : Lara Pap

Apesar do equipamento da casa não ser adequado para fazer shows musicais e mais preparado para alimentar som mecânico de pista ao estilo boite, havia uma pressão enorme pela quantidade de caixas no P.A. e suas respectivas potências, portanto, mesmo com dificuldades na monitoração, o som que chegou ao público foi no padrão de um show de Rock pelo volume, mas numa mixagem inadequada, visto que os instrumentos não estavam no P.A. e a bateria contava apenas com um microfone no bumbo e um overall que mais amplificava a ação dos pratos.




Sobre a luz, não era adequada para espetáculos musicais, apesar de existir na torre central, até duas "movielights" modernas. Alguns efeitos, mais adequados para boites, até que ficaram bacanas, como um fecho de luzes formando uma pirâmide, mas eram focos minúsculos e apesar do efeito ser bonito, não atendiam ao show em si. Ciro Pessoa apareceu e fez uma participação especial com sua loucura cênica habitual e foi bastante aplaudido. 

Edgard fazendo seu personagem "El Diablo", ao lado de Kim Kehl. Foto : Lara Pap 
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Edgard fez uma performance como "El Diablo", usando uma fantasia de Diabo com a qual estava acostumado a agitar as noites no Madame Satã e numa outra casa noturna pertencente ao mesmo proprietário dos três estabelecimentos. Foi engraçado, claro, e apesar de não termos visto, por muitos anos, conhecia-o e sabia muito bem desse seu lado performático

                                  Foto : Rose Rodrigues

Um bom público compareceu, ainda que para os padrões da casa, acostumada a realizar festas para 700 pessoas na média, fosse ínfimo. 

      Kim Kehl & Fulvio Siciliano em ação !! Foto : Lara Pap

Mas era o tal negócio, primeiro dia de um projeto novo e para nós e para a dupla Johhny Dalai e Edgard Puccinelli Filho, que estavam apostando também, ficou a sensação de que a expectativa da estreia fora superada pelo público que conseguimos atrair e pelo som que fizemos. Mas também ficou a certeza de que muitos ajustes teriam que ser feitos para o domingo posterior e os demais.


Resumo da 1ª edição do Projeto Sunday Blues - 24 de janeiro de 2016 - Templo Club

Os Kurandeiros + Fulvio Siciliano + Ciro Pessoa

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=qCFSKQqE2B0


Foi assim então a estreia do "Projeto Sunday Blues", no Templo Club, em 24 de janeiro de 2016, tendo o grande Fulvio Siciliano como nosso convidado especial.

Ainda em janeiro de 2016, voltamos à Casa Amarela, de Osasco. Ali nunca havíamos feito o show alternativo "acústico" e nosso set mais ameno agradou em cheio à um público menos ruidoso de uma quinta-feira, mais formado por casais de namorados.



Os Kurandeiros na Casa Amarela e na última foto, posando com o estandarte da cidade de Osasco / SP Fotos : Lara Pap

Fechando o mês de janeiro, a segunda edição do "Sunday Blues" chegou.

Era o domingo, 31 de janeiro de 2015 e desta vez teríamos o guitarrista Claudio "Moco" como convidado. Já o conhecíamos vendo-o tocar com a banda "Four Ol' Bones", que acompanhou o cantor Adriano Segal numa das inúmeras versões do Quarta Blues" no Magnólia Villa Bar e ele fora ao primeiro Sunday Blues prestigiar-nos e gostou do projeto.


Com Ciro Pessoa junto na performance, Kim e Claudio "Moco" em ação. Foto : Jani Santana Morales 

Claudio "Moco" é um guitarrista sensacional, com um repertório de Blues; Rock'n Roll e Black Music na ponta da língua e seu estilo pessoal cheio de swing, faz dele um guitarrista completo e também um show man, visto ter uma mise en scene bastante instigante e cantar bem, também. Foi uma apresentação sensacional, embora tenha sido prejudicada por uma falha lastimável da produção que esqueceu de desligar a máquina de fumaça, "Smoke Mary" e também abusou do uso de luz estroboscópica no palco e tal efeito é para qualquer músico, um verdadeiro pesadelo, pois tende a dar tontura, num mal estar generalizado. No mínimo, atrapalha a comunicação visual e o equilíbrio de qualquer um, mas sei de caso de artistas que tiveram  convulsões, passando mal, e encerrando shows.

Edgard "El Diablo" e Rubens Gióia, os anjos rebeldes da Chave do Sol, se reencontrando tantos anos depois... Foto : Jani Santana Morales
 
No nosso caso, ninguém passou mal, mas em se tratando de um show baseado no improviso entre nós e sobretudo com o convidado, que não conhece o repertório direito, a falta de comunicação visual entre todos é um fator extremamente prejudicial.


Resumo da 2ª edição do Projeto Sunday Blues - 31 de janeiro de 2016 - Templo Club. Os Kurandeiros + Claudio "Moco" + Ciro Pessoa

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=aL-C2-yU9ko

 
Portanto, no curto vídeo resumo que foi postado no You Tube, dias depois, dá para ver que a performance musical foi sensacional, mas o visual do show foi totalmente prejudicado. Bem, o projeto era bom, mas precisava de ajustes, muitos por sinal. Aconteceu no dia 31 de janeiro de 2016. Tanto foi assim, que a apresentação foi marcada para o domingo subsequente foi cancelada, com a ideia da casa preparar-se melhor para o projeto. Seguiu-se a isso, uma nova apresentação no Santa Sede Rock Bar, em 13 de fevereiro de 2016. Dimas Zanelli, ex-baterista do Made in Brazil, e a cantora Tatiana, apareceram para uma participação especial. Cerca de quarenta pessoas estiveram presentes naquela noite e foi bem animado. 


"Rock me Baby" com Os Kurandeiros + Edu Dias, no Projeto Sunday Blues. Tempo Club, 14 de fevereiro de 2016 

Voltamos ao Templo Club para dar prosseguimento ao projeto, desta feita tendo como convidado, o nosso velho conhecido, Edu Dias. Dando um show de simpatia e interação com o público, Edu divertiu-se como sempre, mas sobretudo divertiu o público com seu humor e carisma inquestionáveis.  
Os Kurandeiros + Edu Dias no Templo Club na terceira e derradeira edição do Projeto "Sunday Blues", em 14 de fevereiro de 2016
 
Apresentação ótima dos Kurandeiros com este amigo como convidado especial, mas com os problemas da casa não solucionados. Pelo contrário, foi bastante desanimador verificar que nada havia mudado concretamente e pelo contrário, havia piorado no sentido de que o técnico de som da casa que montara o equipamento com uma lentidão digna de uma tartaruga sob soníferos poderosos na primeira apresentação, na verdade faltara ao segundo dia, e neste terceiro, também não aparecera, caracterizando abandono do emprego. Nada a ver conosco, tal situação trabalhista ali delineada, mas o fato é que isso causara-nos um desgaste tremendo e as duas apresentações onde ele não compareceu, a montagem fora feita pelo dono da casa, e que fizera-o nos estertores da situação partir para o cancelamento, já com público dentro da casa a esperar. Em suma, era uma situação insustentável. Portanto, infelizmente o projeto foi cancelado uma grande pena. 
Tocando ainda sentado, com incômodos, pois daí a 12 dias, fiz a terceira cirurgia... Kurandeiros no The Boss, da Vila Madalena, em São Paulo. Foto : Lara Pap  
Voltamos ao The Boss da Vila Madalena, para mais uma apresentação no início de março. Desta feita, não houve no entanto nenhuma euforia desmesurada como ocorrera na ocasião anterior. Cerca de trinta pessoas assistiram-nos e se não houve euforia, ao menos o padrão de muitas entradas aconteceu de novo, numa labuta forte. Tenho uma lembrança pueril e que nada tem a ver com a nossa apresentação, e nem mesmo com a casa. Sendo uma região de enorme profusão de bares; restaurantes e casas de shows, a Vila Madalena propicia coisas assim como vou contar. Assim que cheguei, coloquei meu equipamento dentro da casa e sem nada a fazer a não ser esperar os companheiros, sentei-me na porta do estabelecimento, num estratégico e lúdico banco ao estilo de praça pública que a casa mantém na sua porta, conversando com os funcionários da mesma, notadamente os manobristas. Quase em frente ao The Boss, havia / há uma outra casa noturna e que abrira bem cedo, organizando uma festa. Enxergava o entra e sai de pessoas e parecia estar acontecendo uma festa particular ali, pois via pessoas chegando com pacotes embalados em forma de presente no lugar e dirigindo-se a uma parte alta, um laje ao ar livre na verdade, onde uma banda tocava. Tocando Pop Rock e MPB, mesclando com Reggae ocasionalmente, soava bem, mostrando que eram bons músicos. O curioso foi ver diversas pessoas que eu vira chegando nesse outro lugar, no período da tarde, muitas horas depois, já quando a nossa própria apresentação já havia encerrados-se na casa onde tocamos, completamente embriagadas pela calçada, denotando o longo período em que ali ficaram embebedando-se. Numa maioria esmagadora de meninas bem novas e bem vestidas, denotando o longo período em que ali ficaram embebedando-se. Numa maioria esmagadora de meninas bem novas e bem vestidas, significando ostentarem um nível social mais elevado, seu estado ao início da madrugada, era lastimável e nessa hora, de uma forma muito egoísta, eu sei, pensei no quanto fui poupado de sofrer ao não ter filhos e passar por esse tipo de preocupação na vida com meus supostos "pimpolhos". No dia 17 de março, eu estava na mesa cirúrgica de um hospital novamente, mas desta vez, a operação foi muito mais tranquila e a recuperação mostrou-se infinitamente mais amena. Livre da hérnia gástrica que ganhei de presente após as duas cirurgias de 2015, mas ainda sentindo certos incômodos, infelizmente avisado pelos médicos que é assim mesmo e o organismo demora para fazer tudo voltar ao normal. Corpo humano, enfim, o negócio é cuidar bem da máquina.
Uma nova intervenção de internet ocorreu-nos, quando fomos convidados a participar de uma longa entrevista num programa de rádio virtual chamado "Brazucas do Rock", em 7 de abril de 2016. 

Entrevista no Programa "Brazucas do Rock". Os Kurandeiros + Rudi Barbieri (parcialmente fora do quadro, primeiro à esquerda)
 
Quando o Kim comunicou-me o endereço onde operava, dei risada... menos de cem metros da minha residência... e sem nem a necessidade de atravessar a rua sequer, bastando virar à direita na esquina da padaria, e andar minimamente. Bem recebidos pelo comunicador, Rudi Barbieri, a conversa foi bem descontraída, com direito à execução de inúmeras músicas. Eis o link para ouvir tal programa : 

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Ao final do show, da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Carlinhos Machado; um dos propietários do Santa Sede, Cleber Lessa e Kim Kehl. Foto : Lara Pap
 
Uma nova passagem pelo "templo" (aí, sim !), Hippie da zona norte, em 9 de abril de 2016, com cinquenta pessoas a assistir-nos no Santa Sede Rock Bar, e Edu Dias passando para uma participação rápida e sempre prazerosa para nós. E assim fechou-se abril de 2016 para os Kurandeiros de Kim Kehl...


Agora, amigo leitor, devo comunicar-lhe que este relato encerra-se por aqui, momentaneamente. Tudo o que ocorreu com Os Kurandeiros depois de maio de 2016, será devidamente descrito na continuidade lógica, com atualizações nos meus Blogs 2 e 3, na Internet, e numa possível reedição revista e aumentada do livro impresso (e versão "E-Book"), ou ainda (é uma hipótese), através de um novo livro específico contendo complementos pós - 2016.
Aqui, o objetivo foi interromper a narrativa e estabelecer um final parcial, só para demarcar a efeméride da narrativa, fechando assim esta etapa da história em abril de 2016, completando um ciclo de exatos quarenta anos, desde que recebi o convite do guitarrista Osvaldo Vicino, em abril de 1976, para fazer parte de uma banda de Rock. Falando especificamente dos Kurandeiros, diferente das histórias relatadas de outras bandas por onde passei, desta vez deparo-me com uma história viva, em plena construção, portanto, dou por encerrado o relato de forma parcial, mas fazendo a ressalva de que novos capítulos surgirão em breve nos veículos já mencionados. Referindo-me aos complementos pós-2016, não vou escrever com imediatismo, para não perder a visão mais ampla que o distanciamento histórico sempre outorga ao redator de uma biografia, no caso, autobiografia, questão mais delicada ainda. Portanto esperarei um bom tempo para que as histórias acumulem-se e ganhem outros contornos além do simples relato de um diário, e nesse caso, dando margem a que fatos importantes não sejam percebidos nas entrelinhas e fatos mais banais do cotidiano, assumam condição de protagonismo indevido. Nesses termos, está encerrado parcialmente o relato sobre minha história na banda Kim Kehl & Os Kurandeiros. 

Daqui em diante, amigo leitor, siga lendo os capítulos contendo a minha história com duas bandas onde atuei / atuo : Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada e Magnólia Blues Band, e no caso do Ciro & Nudes, que terá a mesma dinâmica de história em aberto, sendo construída. Grato por ler esta história até este ponto, e aguarde novos capítulos sobre a minha trajetória com Os Kurandeiros. Como bem diz o Kurandeiro-Mor : Seja Feliz !!
Luiz Domingues em ação com Os Kurandeiros em 24 de janeiro de 2016. Foto : Roberto Sá

Até logo...

2 comentários:

  1. Li esta autobiografia desde a criação do boca do céu, tudo impressionantemente gostoso de ler,além de escrever muito bem a riqueza de detalhes deixa a leitura 'grudenta',difícil de parar de ler como já disse antes.
    Caro Luiz,parabéns por ter tanta capacidade e facilidade em nos relatar toda essa sua interessantíssima trajetória musical.
    Agora é aguardar ansiosamente pelos novos capítulos,e cuide da sua saude!
    Super abraço!

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  2. Mas que prazer enorme deparar-me com um depoimento tão bacana vindo de sua parte, caro Rogério.

    De fato, tenho me esforçado para relembrar com o máximo de exatidão os fatos ocorridos dentro dessa já longa jornada.

    Claro que muita coisa ficou de fora para não comprometer ninguém, além de que muitos fatos desagradáveis poderiam contaminar o texto final, dando uma aura baixa astral desnecessária.

    Só relatei alguns aspectos negativos porque eram imprescindíveis para a compreensão da história, naturalmente.

    Outro aspecto importante, a análise cultural de cada episódio, dando um panorama da minha visão sobre momento, foi e tem sido uma preocupação de minha parte.

    Estou a poucos passos de encerrar o texto bruto e como já deixei claro, de agora em diante estou em plena história viva, sendo construída, portanto, a parte antiga da carreira está toda relatada.

    Contudo, muito material da parte antiga vai ser anexado neste Blog nos próximos meses e também tenho o plano de lançar mais textos, em forma de crônicas e não fechados numa ordem cronológica rígida. Serão vários adendos sobre lembranças que não entraram no texto autobiográfico oficial.

    Seu elogio ao texto muito motiva-me a prosseguir ! Sou-lhe grato pela atenção e sobretudo pela generosidade em postar um comentário tão bacana.

    Conto com sua leitura !

    Abração !!

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