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quinta-feira, 7 de julho de 2016

1972, Eu Quero uma Casa no Campo... - Minha Ligação Inicial com o Rock na Infância e Começo da Adolescência - Por Luiz Domingues

1972 chegou, e a explosão musical fora total.
Mesmo a estar na condição de apenas um pré-adolescente com pouco menos de 11 anos e meio, portanto a viver ainda sob a ambientação familiar prosaica, e receber signos antagônicos como valores, ao incluir-se aí a carga escolar formal, e com o devido azar de viver tempos sombrios de um regime autoritário no país mediante a sua óbvia mão pesada, com sua doutrinação inerente, mesmo assim, com tanta força contrária, ainda que eu não quisesse sofrer a carga contracultural do desbunde, isso seria impossível, eu acredito.
Não tenho um bom material pessoal de 1972, como eu gostaria. Essa é uma rara foto com minha presença, Luiz Domingues, desse ano, e não tem muita qualidade, lastimo. Acervo familiar.
  
E muito pelo contrário, eu já estava a pender voluntária e prazerosamente para esse lado, desde 1968, ainda que em passo paulatino, sob discrição inerente de um reles menino que era, sem autonomia alguma. Logo no início do ano, além da mudança de patamar escolar, que deu entrada para a minha adolescência que chegara, ao ingressar no "curso ginasial", tive uma notícia nada agradável, vinda do meu pai, que vislumbrara uma oportunidade de vida e perguntou à família se aceitaríamos mudarmo-nos para uma cidade do interior.

                            São Paulo, em foto mais atual

Além do trauma em ter que enfrentar uma nova mudança de escola, situação embaraçosa que eu abominava, a perspectiva em sair da cidade de São Paulo, que eu adoro com todas as minhas forças, causou-me calafrios. Nada contra as cidades interioranas e no caso, a ideia seria mudarmo-nos para Ribeirão Preto, terra natal da minha mãe e onde meus avós maternos moraram várias vezes e entre idas e vindas, estavam lá novamente, desde 1969. Eu gostava bastante da cidade, onde tinha também tios e primos queridos, e desde 1966, frequentava-a com certa regularidade para visitas em feriados prolongados e até períodos mais extensos das férias escolares.

A ideia em ficar mais próximo desses familiares queridos, agradou-me, mas ao analisar friamente, sair de São Paulo foi uma tragédia pessoal, ultra paulistano que sou. Todavia, com a idade que tinha, a pergunta do meu pai revelou-se meramente formal, pois na realidade, ele já estava decidido, empolgado com a perspectiva em abrir um negócio naquela cidade, e com as condições gerais do ponto de vista financeiro, ser bem mais em conta de que na capital, de fato, só dava para imaginar aventurar-se assim, em uma cidade interiorana, onde o custo de vida seria mais barato.
Ribeirão Preto / SP,  em foto do final dos anos sessenta. Acervo de Francisco Amêndola.
 
Mudamo-nos ao final de janeiro de 1972, para a cidade de Ribeirão Preto, e essa aventura interiorana duraria um pouco menos de um ano praticamente, pois já em 1973, estaríamos de volta em São Paulo, ainda bem, e sem nenhum demérito para o interior, apenas uma constatação de um paulistano fanático pela sua cidade e que voltara ao seu porto seguro. E mesmo ao viver esse ano lá no interior, nunca perdi o contato, ao ter estado várias vezes na capital, para visitar familiares e passei as férias de julho, quase toda na Pauliceia.  

Certamente que hoje em dia com internet; telefonia móvel, e TV a cabo, não há desfasagem alguma. Mas naquela época, ainda havia entre São Paulo e cidades interioranas, mesmo para uma de grande porte como Ribeirão Preto, que já era grande e rica, naquela época. Não tenho dúvida de que se a vida tivesse transcorrido normalmente a viver em São Paulo, eu teria impactado-me ainda mais com a carga contracultural que 1972, ofereceu. Todavia, apesar desse aspecto, absorvi muita coisa, mesmo ao viver no interior nesse ano.  Destaco dois aspectos interessantes naquela cidade, sob tal ponto de vista : 

1) Por ser uma cidade universitária, inclusive com campus avançado da Medicina da USP, ali instalado, a cidade atraía um enorme contingente com estudantes de cidades interioranas menores, inclusive de outros estados, com mineiros em predominância, mas muitos sul-matogrossenses, goianos e paranaenses, também. E por ter muitas pensões e "repúblicas" para estudantes, havia uma atmosfera jovem e em meio a todo tipo de gente, muitos desses estudantes eram freaks ou simpatizantes da causa.

2) Pelo seu porte que já era avantajado, sendo inclusive sede regional no âmbito estadual, Ribeirão Preto mantinha uma certa frequência de shows com artistas importantes por lá, em turnê, ao visitar principalmente o seu famoso, Teatro de Arena, caso dos Mutantes, que lá tocaram inúmeras vezes.  

Foto do Teatro de Arena de Ribeirão Preto, que foi fundado em 1969. Como dá para ver, ele fica ao ar livre, dentro de um bosque público, localizado em uma área mais alta da cidade, chamada "Cava do Bosque", e foi construído nos moldes das antigas arenas gregas e romanas.

Então, por esses dois aspectos, eu não estava tão isolado assim e pior seria ter ido morar em uma cidade de pequeno porte, onde o meu prejuízo sob o aspecto cultural teria sido enorme e com a agravante que hoje eu sei, que essa aventura interiorana durou menos de um ano, mas na esperança que o meu pai nutriu, seria para nós termos ficado para sempre, visto que é óbvio que ele queria que o seu negócio tivesse dado certo, a garantir prosperidade para a família. E a defasagem que insinuei parágrafos atrás, ocorria pelo fato de que a TV era transmitida com lapsos ainda nessa época, portanto, nem tudo o que passava era simultâneo, como acontece nos dias atuais coma TV digital e tudo comandado por satélites. A grade da TV tinha alguma coisa nesse sentido, mas ainda muitos programas eram exibidos posteriormente em relação à capital. As emissoras de rádio locais eram bem devagar na parte musical e a mídia impressa, mais parecia com a de jornais de bairro de São Paulo. Claro, os jornais de grande porte da capital estavam disponíveis nas bancas bem cedo, menos mal.  

A telefonia estava a começar a melhorar, pois até bem pouco tempo antes, para ligar interurbano para a capital, era necessário pedir linha para a telefonista. Mudamo-nos para uma casa situada num conjunto habitacional que estava por ser recém ocupado por famílias. Naquela época, era um bairro longínquo, deserto e construído sob uma imensa área que devia ser rural, anteriormente. As casas eram simples, mas bem feitas, dignas. Havia uma infraestrutura que a prefeitura havia pensado para suprir as necessidades básicas desse novo bairro, mas havia pendências.  
Uma foto bem mais atual de um termômetro de rua em Ribeirão Preto, com uma típica temperatura de verão daquela cidade, que é dura para suportar-se...

Se por um lado as ruas eram largas, bem asfaltadas e com iluminação pública providenciada, por outro, a falta do plantio de árvores, transformou esse bairro, ao menos nesses seus primeiros anos de vida, em uma verdadeira estufa, visto que o calor habitual da cidade, com temperatura média entre 35 e 40 graus Celsius o ano inteiro, praticamente, com o advento do conjunto habitacional, mais o asfalto e sem árvores para refrescar minimamente que fosse...  e sem carro, com aquele calor absurdo, as pessoas que precisavam ir ao centro da cidade para trabalhar ou fazer compras, sofriam, pois só havia uma condução, uma linha urbana que fazia o trajeto entre esse bairro, o Jardim Independência e a Praça XV de Novembro, no centro da cidade e não havia uma frota muito grande, portanto, quando perdia-se o ônibus, só restava amargar uma longa espera no ponto e sem cobertura, por pelo menos 40 minutos sob o sol do "Saara", para esperar pelo próximo.
Foto bem mais atual da escola onde estudei em Ribeirão Preto, ao cumprir a 5ª série. Na minha época, não tinha essa vegetação toda e certamente que agora ajuda a refrescar o prédio nos picos de calor, típicos da cidade.
 
Fui matriculado em uma escola estadual que era recém construída para atender a demanda desse bairro novo que criaram para suprir a necessidade premente do novo bairro. Chamava-se : "E.E. Cid de Oliveira Leite". Foi um ano escolar que cumpri ligado ao "piloto automático", eu diria. Além da minha tradicional timidez e dificuldade para socializar-me, parecia que algo instintivamente dizia-me que ali não ficaria e que voltaria para São Paulo. Claro que não fora intenção dos meus pais e nem de longe que eu torceria para as coisas não dar certo no negócio que meu pai estava a montar, só para satisfazer minha vontade egoísta. E pelo contrário, apesar de nunca querer ter ido morar lá, havia o lado bom de ter mais convívio com meus avós maternos e eu apreciava bastante ter a companhia de tios e primos, também.

Meu tio, irmão da minha mãe, já era instrutor de Raja Yoga há muitos anos e mantinha um "Ashram" na cidade. Nesse ano de 1972, hospedou em sua residência alguns instrutores vindos da Índia, e que proferiram palestras. Foi positivo portanto, estar ali em 1972, e ter tido esse prazer em vivenciar isso, familiarizado que eu já estava a ficar com a cultura oriental, por já gostar há tempos da cítara de Ravi Shankar, artista devidamente apresentado pelo George Harrison.

Na escola, apesar de não ter fixado raiz alguma ali, tenho algumas lembranças. Primeiro pelo horário alternativo das aulas, que sob uma determinação não usual, começava às 15 Horas, a estender-se até às 19:00 Horas. O lado bom, foi que por conta de tal medida, amenizava-se o calor. Até as cinco da tarde era um sufoco, mas depois na parte final do período, a chegada da noite deixava o clima mais ameno, um pouco. Outro aspecto, foi que sofri um bullying ainda que ameno, digamos, pois apelidaram-me como : "paulista", quando correu a notícia de que eu era oriundo da cidade de São Paulo. E de nada adiantou argumentar que todos ali eram "paulistas", também, e que a diferença estava na situação gentílica do município, por ser igualmente "paulistano", enquanto eles, ribeirãopretanos. Essa sutileza da condição gentílica entre estado e município, em um estado onde o nome da capital é o mesmo, não entra na cabeça da maioria das pessoas, infelizmente. Outro aspecto positivo do interior, foi que principalmente naquele bairro distante, a liberdade da criançada e adolescentes para ficar na rua, foi total. Portanto, se em 1971 eu havia esforçado-me bastante para dominar os fundamentos do futebol, ao desferir muito chute na parede de casa, agora com essa liberdade interiorana, jogava bola na rua quase todo dia e assim, desenvolvi outros aspectos do futebol, além do controle da bola. Melhorei muito o meu desempenho, ao desenvolver visão de jogo, repertório de dribles e ali percebi que nunca seria um velocista pela minha pouca arrancada e tampouco centroavante pela baixa estatura, mas meu negócio seria o meio de campo, com o prazer que descobri em armar jogadas e passar a bola com precisão para a conclusão de outros jogadores.  

Já que falo de futebol, 1972 foi o ano que o governo autoritário de então, quis explorar ao máximo a efeméride do "sesquicentenário da independência do Brasil" e assim, organizou um torneio em ritmo de Copa do Mundo, a "Taça Independência", chamado informalmente como : "Mini Copa". Acompanhei com interesse tal torneio que foi na verdade bem esvaziado, com a desistência de várias nações que não quiseram participar e de fato, foi apenas um torneio amistoso, sem importância. E o Brasil foi campeão, ao vencer Portugal, na final realizada no Maracanã, com um gol de Jairzinho, aos 44 minutos do segundo tempo...

Fotos meramente ilustrativas de como eram os cartões de apostas e os comprovantes cedidos pela Caixa Econômica, nos primórdios da Loteria Esportiva, e no caso, achei esses dois exemplos do ano de 1972, mas com jogos do campeonato brasileiro e não da Mini Copa que estou a citar.

Elaborei até um jogo de loteria onde meu pai e alguns parentes de minha mãe participaram em um "bolão", e naquela época, a Loteria Esportiva era a grande coqueluche que movimentava todo o Brasil. Lembro-me que nesse teste onde quase todos os jogos eram desse torneio, conseguimos acertar, 12 pontos e só uma partida foi marcada para o domingo a noite. Com 12 pontos já assegurados e só a faltar o resultado da partida, Iugoslávia x Bolívia, os adultos já comemoravam a vitória, mas quando acabou o jogo, sob um surpreendente 2 x 2, a frustração foi total e ainda tive que ouvir críticas, pois confiaram em um reles garoto que dizia ser impossível a Iugoslávia não vencer aquele jogo, mas... o futebol é assim mesmo...

E nem preciso discorrer muito sobre o que o ano de 1972 representou para um jovem palmeirense como eu fui nesse ano. Uma máquina de jogar futebol bonito e consequente campeão de tudo o que disputou. Antes mesmo de mudar-me para o interior, em 9 de janeiro de 1972, conheci finalmente o Estádio Palestra Itália, em São Paulo, como ele era na época, e na verdade, desde a reforma de 1964, com o campo elevado, daí ser chamado como, "jardim suspenso" pelos locutores esportivos. Foi em uma tarde de sábado, era um amistoso, primeiro jogo do ano, mas a chamada 'Academia II" deu uma amostra do que seria nos anos setenta, com uma exibição de gala, ao vencer o Santos, com um sonoro 4 x 0, e ainda tive a visão bem perto de onde estava, na curva do antigo gol do placar, ao ver Pelé simular um pênalti ridículo e ser advertido com um cartão amarelo, para delírio da torcida verde, que agraciou-o com aqueles impropérios típicos, ouvidos em estádios. Mas quando os campeonatos começaram para valer, acompanhei tudo pelo radinho; TV; jornais e revista Placar, mas em uma das escapadas que fiz para visitar São Paulo, tive o prazer de assistir uma dessas finais citadas, no caso, do Torneio "Governador do Estado", também conhecido como "Torneio Laudo Natel", ao referir-se ao governador de São Paulo, na época, não eleito pelo povo, mas imposto pelo regime em voga na época.
Foto do dia dessa final, que cito. Não jogou o César "Maluco", e sim, Fedato, hoje saudoso, infelizmente. 

Assisti a final desse torneio no Pacaembu, no dia bissexto de 29 de fevereiro de 1972, com o resultado de Palmeiras 3 x 1 Portuguesa, fora a sinfonia da orquestra conduzida por Ademir da Guia & Cia.  

Campeão Paulista e Brasileiro, mais o Torneio Governador do Estado e Torneio Mar del Plata, na Argentina, fez com que eu e todo palmeirense que viveu essa década decorasse para sempre, a escalação base desse time : Leão; Eurico; Luis Pereira; Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu; Leivinha; César "Maluco" e Nei. Entre os reservas, muitos que jogaram sazonalmente, mas destaco, Fedato, que fora um talismã da torcida e fez gols decisivos muitas vezes, além de Ronaldo, um jogador muito eficiente e que era primo do Tostão, além do argentino Madurga, que tiveram importância muito grande, sendo titulares algumas vezes.


Em resumo, que época boa para ser um recém ingresso na adolescência, a acompanhar futebol por ser palmeirense fanático...

Para mudar de assunto, ter ido morar no interior não foi algo que eu gostaria de fazer se dependesse de minha vontade, mas não nego, o convívio com meus primos que lá moravam foi um aspecto muito bom, fora o prazer em ter um contato mais regular com meu tio Sérgio, que era / é um estudioso de filosofia e espiritualidade, portanto, foi importante poder absorver mais sua cultura que já era muito grande nessa época. Mesmo caso do convívio com meu avô materno e melhor ainda, com ele a disponibilizar-me sua imensa biblioteca particular, que era incrível. 

Li muita literatura clássica nacional e internacional, ali em velhos tomos que ele possuía há décadas, em suas estantes. De Julio Verne a Machado de Assis; Monteiro Lobato; Homero e Vitor Hugo... tudo junto e misturado. Meu avô tinha muitos livros de história e política também. E ali encontrei uma oportunidade excepcional para alargar meus conhecimentos em assuntos que apreciava desde muito pequeno. Guardo com orgulho um dicionário com o qual ele presenteou-me, ao tratar-se de uma edição dos anos quarenta do século passado, que obviamente está ultrapassado, mas do qual jamais desfarei-me enquanto viver, pela carinhosa e valiosa dedicatória que ali, meu querido avô deixou-me de punho.  

Sobre a carga contracultural de 1972, claro que não a recebi como gostaria, ao ver hoje em dia com a maturidade adquirida e sobretudo pela visão cultural macro da história. Fosse um pouco mais velho apenas e a morar em São Paulo, teria absorvido o impacto no meio do peito, mas tudo bem, foi como aconteceu e mesmo diluída e tardiamente, anos depois eu pude entender e absorver tudo o que o ano de 1972, pode oferecer e foi muita coisa, naturalmente. Tudo o que eu já vinha a receber da contracultura, desde 1965, 1966 e muito mais atentamente a partir de 1968, intensificou-se conforme já relatei em capítulos anteriores e claro, com meu crescimento, ao entrar na adolescência e por ter adquirido mais discernimento, cultura acumulada e instrução escolar mais avantajada, a tendência seria absorver ainda mais, e foi o que ocorreu.

Logo de início, já a viver esse período sabático no interior, descobri o Jethro Tull, e foi pela via mais improvável possível. Como é sabido, a Igreja Católica lança a sua Campanha da Fraternidade todo ano, na quarta-feira de cinzas, e nesse ano, a propaganda que usou-se no rádio e TV, tinha como trilha sonora, um trecho do disco "Thick as a Brick", recém lançado. Aquele trecho de uma música única, conceitual e suíte, a moda de peças da música erudita, enlouqueceu-me. O glissando do baixo ao abrir caminho para o solo ultra melodioso da flauta, e permeado por uma base magnífica de teclados, guitarra e bateria... claro que eu não tinha esse conhecimento musical avantajado para analisar dessa forma naquela época, mas mesmo sem saber nada de música, tudo aquilo soou-me lindo. Desde 1970, através da TV, também, adorava trechos da música, "Summer' 68", do Pink Floyd, que soava-me incrivelmente bela. Dali para começar a procurar informações sobre a banda e passar a acompanhá-la, foi um pulo.

Escrevi uma matéria a falar sobre as trilhas sonoras do jornalismo da TV Globo, nos anos setenta, que utilizaram obras oriundas de bandas de Rock famosas. Cito essa canção do Pink Floyd, entre outras. Eis o link abaixo que direciona à matéria publicada em meu Blog 1 :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2016/05/jornalismo-da-rede-globo-ja-foi.html 

Vizinha da nossa residência, havia uma família com três filhos adolescentes, mais velhos do que eu e que gostavam de Rock. Dali soava T.Rex; Slade; Neil Young; America; Creedence Clearwater Revival; Pink Floyd e muitos outros artistas. No rádio, não estava mais a poder ouvir a Excelsior, mas mesmo as emissoras interioranas sendo bem mais devagar na difusão musical de qualidade nessa época, claro que muitas coisas interessantes tocaram. "Águas de Março" com Elis Regina / Tom Jobim não era exatamente algo contracultural, mas tocou bastante e eu apreciei aquela quebradeira rítmica e sua letra a conter um jogo de palavras, bem interessante.

Gostei muito do som de Sérgio Sampaio, que explodiu em 1972, com, "Quero Botar meu Bloco na Rua", que ali eu já percebia, posso dizer, havia um deboche contra o sistema, bastante acentuado. E claro, tornei-me seu fã, doravante. Mas creio que o grande desbunde que eu tive nesse ano, foi com "Casa no Campo", que além de ser um blues lindíssimo e com a interpretação da Elis Regina que nada devia a qualquer Diva do Blues americano (ouso dizer que seria como se Etta James estivesse a cantá-la em português), tinha um componente a mais e que é muito significativo : a sua letra.
Ouça acima a canção, "Casa no Campo", na interpretação de Elis Regina, para um especial gravado na Alemanha.
 
Entra tantas coisas magistrais que Zé Rodrix e Tavito compuseram nas suas carreiras, essa canção e essa letra em específico, sintetiza muito o que foi o espírito Hippie, que chegava com atraso no Brasil, essa é que foi a verdade, e sob uma época péssima sob o ponto de vista sociopolítico.
A ideia de morar-se em uma casa no campo, só a possuir discos e livros como companhia, sob uma vida frugal, tranquila, sob paz e amor, com o exercício de ideais fraternais, caracteriza a suprema descrição do desbunde Hippie. Ou seja, ao contrário de outros movimentos que mostram-se raivosos ao sistema, o ideal Hippie não visava destrui-lo, mas simplesmente ignorá-lo, por mais utópico que isso fosse. E um elemento particular na minha visão, e não seria o caso, pois eu era só um garoto recém ingresso na adolescência, e não havia tornado-me um hippie a sobreviver de artesanato pelas ruas, e tampouco Ribeirão Preto era uma cidadezinha remota, pelo contrário, já era uma cidade bem urbanizada, com infra estrutura e portanto, eu não estava a morar em uma casa de fazenda; sítio; chácara ou similar, mas dentro de uma urbanidade normal, contudo, "Casa no Campo" associava-me também à ideia de não estar mais a viver na cidade grande, mas sob uma realidade diferente, interiorana.

Posso acrescentar que Milton Nascimento, que eu já conhecia por vê-lo em festivais de MPB, anos antes, entrou mais decisivamente na minha vida, ao trazer junto a si, aqueles seus amigos freaks mineiros, cabeludos, e todos sensacionais. O "Clube da Esquina" chegou forte e não saiu mais da minha audição, certamente.
Na TV, apreciei muito uma safra de seriados americanos policiais que assisti na antiga TV Tupi. "Columbo" fora o meu predileto, com aquele personagem título a ser interpretado magistralmente pelo ator, Peter Falk. Tal seriado tinha um mote previsível, do crime quase perfeito que era desvendado ao final pela inteligência fora do comum do detetive, Columbo, graças a um detalhe imperceptível para o espectador, mesmo os mais atentos. Portanto, graças a genialidade dos roteiros bem engendrados, eu (e muita gente), assistia com atenção até o fim, cada episódio, mesmo por tratar-se de um desfecho esperado. A clássica pergunta que ele fazia aos criminosos ao final do episódio e que sempre irritava-os, não sai da minha cabeça : -"Posso fazer só mais uma perguntinha, por favor" ? ("Just one more thing"...). Era ali que ele pegava os criminosos, na contradição. Genial !

Gostava também de "McLoud", um detetive caipira que foi trabalhar em Nova York, com chapelão de cowboy sulista e muitas vezes a circular a cavalo em meio ao trânsito caótico e mega urbano da metrópole. E também do casal "McMillan" (McMillan & Wife), com o galã do cinema, Rock Hudson ainda bem escondido no armário e a arrancar suspiros das mulheres, sem saber que ele não era muito interessado no gênero feminino... mas tudo bem, pois Susan Saint James valia muito a pena para quem pensava o contrário...

Gostava também de "The Rookies", mas confesso, nunca fui fã de "The Waltons", apesar desse seriado ter caído nas graças de quase todo mundo. Não pelo fato de ser extremamente adocicado, pois gosto de outros seriados com tal característica, mas simplesmente por não ter cativado-me, assim como "The Brady Bunch", que achava bem tolo, muito mais que a "A Família Dó-Ré-Mi" ("The Partridge Family"), que eu aturava com resignação.
O casal Ayrton e Lolita Rodrigues, apresentadores do programa "Clube dos Artistas" e que também tinham outro clássico Kitsch na TV Tupi, aos sábados, chamado, "Almoço com as Estrelas", onde artistas almoçavam e eram entrevistados em uma grande mesa, entremeados por números musicais e onde quem frequentou-o sabe bem que por conta dos holofotes do estúdio, a maionese azedava rapidamente e o guaraná ficava morno...

Cafonália máxima, o programa, "Clube dos Artistas" na TV Tupi, era de uma boçalidade indecente, eu diria. Mas mesmo em meio àquele clima de clube suburbano decadente, com pessoas mal trajadas (mas ao pensar estar bem "arrumadas"), sentadas em mesinhas, para fingir estar em um salão de festas, para assistir entrevistas insípidas com subpersonalidades da TV; artistas brega a dublar seus sucessos radiofônicos, e eventualmente "socialites" deslumbrados por achar-se "famosos", e vez por outra, alguma figura destoante daquela atmosfera Kitsch, aparecia. O normal eram cantores de boleros, música dita "romântica" ou artistas decadentes da velha guarda da MPB ou mesmo da já envelhecida e brega, Jovem Guarda, bater o ponto ali, mas de vez em quando um lampejo de vida inteligente aparecia, como atores de novelas da casa, mas com carreiras super dignas no teatro, a divulgar suas peças e artistas musicais de um outro patamar artístico, a apresentar-se, casos de Ivan Lins; Sérgio Sampaio e Raul Seixas, que ali observei atuar e que lógico, causavam estranheza dos apresentadores, que tentavam ser respeitosos, mas sempre soltavam uma piada descabida, principalmente no caso de artistas com visual Rocker, cabeludos e que destoavam completamente dos artistas que normalmente ali apresentavam-se, trajados com smoking, à moda antiga, bem antiga, por sinal do meio artístico tradicional a remeter a décadas passadas..

Um ciclo com filmes do diretor, Alfred Hitchcock, que a TV Tupi exibiu nesse ano, foi sensacional. Bem mesclado, apresentou um pouco da sua filmografia de cada década de sua atuação, dos anos vinte aos sessenta. Hitchcock estava idoso nessa época, e seu mais recente filme havia sido lançado em 1971, mas ele ainda realizaria mais um, o seu derradeiro, em 1974. Foram noites de arrepiar, a assistir na tela PB de um velho aparelho sessentista. E teve um ciclo, na mesma TV Tupi, com os filmes dos Beatles, que claro, foi genial.

No cinema, apesar da cidade ser bem servida por salas de rua, não fui muito frequentador nesse ano. Lembro-me de ter visto em um daqueles cinemas da Praça XV de Novembro, um documentário do Elvis, a cobrir bastidores da sua turnê de 1970, chamado : "That's the Way It Is". Assim como o filme dos Beatles, "Let It Be", que cobria bastidores e ensaios, eu gostei muito e gosto até hoje desse documentário, por mostrar ensaios e apesar de ser meio forçado de certa maneira e não mostrar os bastidores com 100% de autenticidade, aquele clima da vida do artista extra / palco encantou-me. Eu já estava em um processo para querer entender mais os meandros da música, portanto, ver o Elvis a ensaiar com sua banda, e ao observar as paradas que faziam para tratar de erros e detalhes de arranjos, achei incrível. 

Outro filme que assisti na cidade, foi o lançamento da produção nacional, "Independência ou Morte", que foi bastante alardeada na época e com apoio total do governo de então, que desejava mais do que nunca incutir nas crianças e adolescentes, valores cívicos baseados em aspectos monárquicos.

Por tratar dos momentos que antecederam o ato da independência, através de Dom Pedro I, trata-se de uma boa produção para o padrão da época, e com elenco recheado com bons atores, a maioria astros globais da ocasião, e muitos veteranos do cinema nacional. O engraçado, é que meu pai arrumou ingressos para a avant-première na cidade e portanto, todas as autoridades do município e figuras proeminentes do empresariado local estavam presentes, ao tornar a sessão, algo pomposo e isso foi muito engraçado.

De volta a falar de música, o "Bread" com seu pop soft Rock também entrou no espectro da minha percepção, assim como o "The Doobie Brothers", e foi também através da audição alheia, através dos meus vizinhos, que já citei.
Foi desse som escutado do outro lado do muro que ouvi pela primeira vez, "Listen to the Music", do Doobie Brothers e fiquei enlouquecido com aquele  efeito de flanger na guitarra e as harmonias vocais que os rapazes faziam. Foi nessa época também que vi pela primeira vez um exemplar da Revista Rolling Stone brasileira. Mas não tive a oportunidade de segui-la na época, pois o exemplar que eu vi, foi naquela situação bem distante em ser do "amigo do amigo da minha prima", e no interior a distribuição em bancas deixava a desejar em alguns aspectos.

Escrevi uma matéria falando sobre a Rolling Stone brasileira, no meu Blog 1. Eis abaixo o Link para vê-la :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2012/07/rolling-stone-brazuca-setentista-por.html  
Ouça acima o LP "Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets", que saiu em 1972.
 
E o novo disco dos Mutantes, estava na crista da onda. Tocava bastante no rádio, músicas como "Balada do Louco"; "Vida de Cachorro" e "Dune Buggy". Eu os vi também em vários programas de TV naquele ano e uma vez, soube que viriam à Ribeirão Preto para tocar no Teatro de Arena, mas apesar de ouvir minhas primas mais velhas, que já tinham 16 e 14 anos respectivamente, que tencionavam ir, meu pai nem cogitou deixar-me embarcar nessa aventura, aos 12 anos, e ainda mais com todas as opiniões contrárias da parte de adultos e seus preconceitos, ao citar que aquilo seria um perigo com aquele bando de Hippies doidões a oferecer "bolinhas" a esmo para incautos infantojuvenis a fim de "viciar novos adeptos nessa perdição" etc. Poxa, perdi a última oportunidade para ver os Mutantes na sua formação clássica como quinteto, com Rita Lee na banda ainda, e nessa altura, estava por um triz a saída dela da banda.

No meu aniversário de 12 anos, ganhei um gravador portátil, mono, naturalmente. Empolgado, passei a gravar pequenas entrevistas com meu avô, que tinha uma memória mastodôntica ali no alto de seus recém completados, 80 anos de vida. Arrependo-me amargamente em não ter guardado com o devido cuidado tal material, pois ali ele falou sobre suas memórias dos acontecimentos gerais que presenciou desde a infância, a cobrir a política e cultura em geral. Tais depoimentos hoje em dia, teriam um valor inestimável. Meu avô falou-me muito das suas lembranças da infância ainda no século XIX; a passagem do Cometa de Halley em 1910; bastante sobre as duas guerras mundiais; do crash da Bolsa de Nova York em 1929, e o quanto isso impactou a economia e como ele era contabilista por profissão, tinha um bom conhecimento de economia. 

Meu pai abriu um restaurante na cidade, foi esse o negócio que ele arriscou montar. No começo, deu uma sorte incrível, pois teve sucesso imediato. Tratou-se de um restaurante focado no público jovem, a tentar atrair a grande carga de estudantes que a cidade possuía, e de fato, pelo jeito em que ele foi montado, isso ocorreu com uma resposta muito rápida. Participei com ele de seus esforços para divulgar o estabelecimento e posso afirmar, ele tinha uma experiência boa nisso, pelo fato de ter trabalhado várias vezes em comitês de candidatos a cargos políticos, cheguei a citar isso no capítulo sobre 1965, portanto, se o leitor quiser, basta consultar ali.
E assim, encomendou "spots" nas emissoras de rádio; tijolos nos jornais locais; e muitos cartazes e filipetas, além das faixas de rua, uma típica mídia interiorana que sempre funcionou bem. Até chamada na TV local, que era uma afiliada da TV Tupi na época, ele bancou. Lembro-me bem, a filipeta que ele encomendou era toda estilizada como algo "jovem", criada pelo artefinalista da gráfica que ele contratou e que devia ser bem antenado, pois era óbvio que meu pai não dominava nada sobre tal realidade contracultural. O recado foi dado por um personagem, desenhado ao estilo de um "cartoon", com um jovem estilizado como "Hippie", a falar através de gírias da época, e a recomendar o restaurante. Ao parecer-se com o personagem do Chico Anysio, "Lingote", o Hippie que estava sempre doidão e que repetia o monossílabo, "Só", como sua única forma de comunicação.

Mas no caso dessa filipeta, o personagem fazia um discurso maior, ao falar uma frase cheia de gírias. Não lembro-me exatamente do teor, mas era algo como : "E aí amizade, qual o grilo ? Não está curtindo o rango que come por aí ? Bicho, você vai achar o maior barato o Restaurante do Estudante"...

Infelizmente, não tenho uma única filipeta guardada e acredite, hoje faz-me muita falta para ilustrar este capítulo, mas paciência...  
Nas paredes do restaurante, meu pai colocou posters com motivação na cultura pop, que comprou mesmo sem entender nada do assunto e nem cogitou perguntar-me o que eu achava, pois não percebia que eu estava envolver-me com tudo isso. Simplesmente entrou em uma loja de posters em São Paulo e perguntou para a balconista se ela poderia separar-lhe uns trinta posters de coisas que jovens gostavam, e ali, a moça separou uma série de ilustrações a esmo. Bem, não posso reclamar e daria tudo para reaver aquele material se pudesse hoje em dia, pois continha vários posters relacionados ao cinema e música sessentista, principalmente.  

Entre tantos, havia a Jane Fonda caracterizada como "Barbarella" (que espetáculo !); Ursula Andress na sua cena clássica de bikini, extraída do James Bond, de 1962 ("Dr No", e convenhamos, outro espetáculo...); Charlton Heston e o casal de macacos cientistas do "Planeta dos Macacos", de 1968; o casal de Romeu e Julieta do Zeffirelli de 1969; Beatles; Rolling Stones & Elvis; o astronauta americano a pisar na Lua em 1969 etc.

Meu pai mandou também colocar caixas de som espalhadas pelos diversos ambientes, visto que era uma residência adaptada para restaurante, comprou uma pick-up e diversos discos, também na mesma prerrogativa dos posters, ao passar em uma loja e pedir para um balconista separar material de "música jovem". O que ele trouxe foi diversas coletâneas com sucessos radiofônicos do momento e se não fora uma escolha nada criteriosa e eu não tivera nenhuma interferência nesse processo, embora nessa altura já tivesse um pequeno conhecimento do assunto, até que não posso queixar-me, pois embora houvesse algumas coisas não tão boas no meio do caminho, por tratar-se de 1972, até a música pop enlatada tinha uma qualidade máxima, milhas longe do pop da atualidade que é feito com plástico descartável.
"Rock and Roll Lullaby" tocou bastante no restaurante, ao ajudar a comida a descer, esôfago abaixo...
 
Indo além, misturados aos artistas insípidos do mainstream pop internacional, havia coisa boa. Muito Soft Rock de qualidade embalou o almoço daqueles estudantes que frequentaram o restaurante, e no embalo, ouvi muito James Taylor, Carly Simon; America; B.J. Thomas; Golden Earring etc.
Tudo ia bem, mas meu pai cometeu um erro. Ao ver o restaurante a motivar a formação de filas na rua, ao invés de esperar mais um pouco para ele solidificar-se e ter uma reserva de capital maior para uma possível ampliação, não quis saber dos conselhos de seus sócios, e alugou a casa vizinha, chamou pedreiros, quebrou o muro e montou a ampliação, ao ter que gastar mais uma nota violenta, aliás muito mais do que gastara antes na primeira investida num imóvel menor, pois a casa vizinha que pertencia à um imigrante chinês, tinha tamanho mais do que o dobro da primeira que o restaurante ocupava e assim, foi uma sangria desatada.

Foram cinco funcionários inicialmente, e com a demanda da ampliação, chegou-se a ter trinta e cinco 35 funcionários com carteira assinada. Os sócios pularam fora e mesmo ainda a atrair bastante clientela, o fôlego inicial não foi compatível com as despesas adicionais e a situação tornou-se insustentável. Tal derrocada foi triste para o meu pai, que enfrentou uma situação difícil com dívidas; passou dias muito nervosos; estremeceu a relação familiar com vários parentes da minha mãe, que haviam envolvido-se no projeto inicial, e diante desse quadro, decretou o fim da nossa aventura interiorana, no âmbito familiar.  É horrível admitir isso, mas mesmo ao saber que meu pai enfrentou essa situação horrível toda, fora a frustração em ver seu negócio naufragar, tal viés foi uma virada de história importante para a família e para o desenrolar da minha vida, é claro. Talvez, se o negócio houvesse prosperado, eu estivesse feliz como um possível homem de negócios bem sucedido no interior, apenas a manter, quiçá ampliar o patrimônio que meu pai criara, e jamais tivesse voltado para São Paulo e assim envolvido-me diretamente com a música, tendo herdado o restaurante e tudo o mais que ele planejava montar naquela cidade, se o restaurante tivesse consolidado-se. Mas tal fato desagradável para a nossa família e para ele em particular, determinou uma guinada forçada, e em 1973, eu estaria de volta em São Paulo, para retomar o curso normal da minha vida e adolescente, pronto para envolver-me cada dia mais com a música, ao ponto de que em 1976, pudesse dar o primeiro passo concreto para tal. Então, em dezembro de 1972, deixamos a cidade, de Ribeirão Preto, definitivamente.

                         São Paulo no início dos anos setenta


Em 1973 eu partiria para a sexta série e de volta para São Paulo, apesar de chateado com a fase financeira ruim que adveio à nossa família, por conta do fechamento abrupto do restaurante, mas também por esfriar o contato com avós maternos; tios e primos, porém, apesar desses aspectos negativos, estava assim feliz, ainda assim, por voltar à minha cidade. E isso selaria, hoje eu sei, a minha oportunidade em abrir um caminho diferente, portanto, pois se nada disso tivesse ocorrido em 1972, muito provavelmente este relato; autobiografia na música e até este Blog não existiriam...

Portanto representou na prática a oportunidade para que em 1973, eu entrasse nos anos setenta, definitivamente...

Let's Rock !
Continua...

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