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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sala de Aulas - Movimento de Cartas - 1997 / 1998

Sala de Aulas

Movimento de Cartas 1997 / 1998

Um dos mais inspiradores momentos da minha sala de aulas também fomentando ações culturais, o movimento de cartas organizado com apoio maciço dos alunos, logrou êxito em se considerando a pequena magnitude que poderia atingir, mas em contrapartida, a enxurrada de cartas nas redações de órgãos de imprensa mainstream gerou mais que uma pequena polêmica, mas levantou orelhas de jornalistas a motivar matéria de página inteira, com direito a participação direta de um dos meus alunos, com foto e tudo, num jornal de primeira dimensão nacional. Abaixo, um apanhado de algumas cartas publicadas (na realidade foram muito mais, mas só consegui reunir um pequeno apanhado como "clipagem" caseira), em sua maioria com nomes fictícios, mas algumas usando os nomes reais de alunos e agregados de minha sala de aulas, o meu "exército de neo-hippies". A maioria esmagadora das cartas preservadas em portfólio, são do Jornal "O Estado de São Paulo", mas muitas foram publicadas em outros veículos, notadamente a "Folha de São Paulo"; "Jornal da Tarde" e revistas "Rock Brigade" e "Bizz".


A verdade nua e crua...alguém enfim com coragem para desmistificar o hype em torno de uma banda fraca ao extremo... Mais que isso, por extensão, desmascara toda a "intelligentzia" que por anos fomentou paradigmas em torno dos ideais do Pós Punk e que tais. Essa é a verdadeira erva daninha a ser extirpada. Garcia foi meu aluno entre 1987 e 1988


A crítica musical mainstream de meio / fim de década de noventa, martelava que a música eletrônica dominaria o cenário doravante, acabando com a música convencional, tocada por humanos e instrumentos tradicionais...Marcelo "Pepe" Bueno (aluno entre 1992 e 1997), rasgou o verbo a contrapor o hype dos espertalhões da imprensa. Pois é...Beatles e Stones estão na história e quem era mesmo o "DJ  bam bam bam de 1998 que marcou para sempre" ?



Pegando fogo as colocações e desnorteando os jornalistas, com o dedo direto na ferida a remoer a fonte da bronca. Os jornalistas não enxergavam dessa forma, mas o manual de redação pró niilismo de 1977 alastrou-se pelos grandes órgãos de imprensa em seus departamentos culturais, não resta dúvida.


 Ha ha ha, como "entendia" de música a jornalista que ficou brava e respondeu a missiva provocadora...Black Crowes era "vergonhoso" ao vivo ? Ora faça-me o favor...o que era bom então ? Prodigy ?


Eis meu aluno Alexandre "Leco" Peres Rodrigues, sendo entrevistado no jornal O Estado de São Paulo, numa matéria focando em jovens que eram influenciados por signos culturais de décadas anteriores. de fato, a obsessão dos jornalistas era pelo "Techno", uma baboseira de ocasião que segundo eles, dominaria a cultura doravante, comprovando a tese de que perseguidores de hypes modernos geralmente erram feio em sua avaliação apressada e sem profundidade alguma...lá estava o então adolescente Alexandre, com camiseta dos Mutantes e um monte de discos bons nas mãos e à sua volta de sua coleção particular. O "techno" domina o mundo...ha ha ha...fora disso, essa matéria foi a típica encomenda de editor chefe, alertado sobre algum "zum zum zum" detectado no ar e nessa altura, cartas jorravam na redação desse e de outros jornais concorrentes, fruto dos esforços de meu neo-hippies em minha sala de aula. Como falavam os Beatles em 1968 : "You say you want a revolution /Well, you know / We all want to change the world...You tell me that it's evolution / Well, you know We all want to change the world"...e acrescento com outra de 1969  : "Come Togheter"...







Essa foi na veia, para quebrar a perna do jornalista em relação ao paradigma da vez em torno da irrelevante "música eletrônica". E o mais engraçado é que o jornalista em questão é gente boa e não é de jeito nenhum um xiita egresso da redação da revista Bizz, e pelo contrário, um profissional de mente aberta e muito boas influências musicais pessoais, embora ali no jornal falasse algumas coisas coadunadas com os conceitos errôneos de seus coleguinhas. Sei de fonte fidedigna que Ricardo Alexandre tem os Beach Boys como banda de cabeceira, portanto, um rapaz assim, demonstra ter coração e noção das coisas. Ele sabe o que é uma "Good Vibration", não acham ?   



Jornalistas não entendendo o enfoque ou fazendo-se de desentendidos...de fato, não tratava-se de saudosismo, mas religare...capice ? Wellington era nome fictício (primeira carta), mas sabem quem é Marcello Rangel ?  Pois é, tornou-se um artista multifacetado não muito tempo depois de mandar esse e-mail para o "Estadão".


A grande pergunta que ninguém responde e dá-se um desconto : jornalista mais novos só pegaram o bonde andando com paradigmas formados e nem questionam como e onde começou essa infame caça ao passado perpetrada pelos seguidores de Malcolm Mclaren, lá em 1977. Mesmo assim, paradigma imbecil tem que ser destruído, mesmo que demore a acontecer. Ricardo Fisichella foi nome fictício e baseado em piloto de Fórmula Um...digamos que pertencia à scuderia : "Abaixo Do it Yourself"



Íris, a ponderada, ao melhor estilo "morder e assoprar"...



Fisichella sempre na pole position... e o outro italiano, Di Catri, dando aula de civilidade para o jornalismo cultural conspurcado pelos ideais do Punk 1977...


Olha o gancho do Júpiter Maçã que mostrava-se "darling" da mídia mainstream, apesar de ser ultra retrô, para abrir brechas para as bandas que armavam-se para abocanhar uma fatia dessa tendência.


Adalberto "Lozie" desmascara uma parte da imprensa que batia em dinossauros, como se houvesse limite de idade para tocar e Wagner "Ingelheim" rasga o verbo contra a cena brasileira horrenda de final de década de noventa. Ambos os nomes inspirados em pilotos de Fórmula Um, e isso era criação livre dos meus alunos.


Reciclar, resgatar, não apenas saudosismo... Pepe Bueno já colocando o dedo na Tomada...digamos assim...



O estigma maldito contra o Rock Progressivo era / é um dos pilares dessa mentalidade equivocada e perpetrada há décadas. Garcia foi preciso e o jornalista nem dignou-se a responder.




Pois é...morte ao paradigma maldito !! Renato Novaes foi fundo na questão



Renata existe de fato e era / é irmã de um agregado das minhas aulas. Alfinetada na cena "indie" e tais artistas, principalmente fora do eixo Rio-SP são idolatrados na mídia desde a metade dos anos noventa, praticamente e claro, andam de mãos dadas com as ideias dos niilistas de 1977

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