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sábado, 1 de agosto de 2015

Sala de Aulas - Capítulo 1 - Dentro do Universo da Música, mas Sentindo uma Estranheza... - Por Luiz Domingues


Uma etapa muito diferente em minha trajetória musical, iniciou-se no segundo semestre de 1987. Dessa forma, minha atividade como professor, aconteceu paralelamente ao final das minhas atividades com "A Chave do Sol"; acompanhou a trajetória da banda criada em dissidência que ali surgiu, chamada "A Chave / The Key"; atravessou o limbo em que fiquei, entre 1989 e 1991; passou pelo "Pitbulls on Crack" (onde teve seu apogeu com a formação de meu exército de "Neo-Hippies" ); viu a formação do "Sidharta", e encerrou-se, logo que eu ingressei na "Patrulha do Espaço". Em síntese, ministrei aulas de julho de 1987, a abril de 1999. 
Com 12 anos de aulas, acumulei muitas histórias, e procurarei lembrar delas, neste capítulo. Comecei por necessidade, pois "A Chave do Sol" estava em um período muito difícil na metade de 1987, e nessa perspectiva sombria, precisei criar uma fonte de renda alternativa. 
No início, comecei a ministrar aulas no velho escritório onde funcionou por anos o fã-clube da Chave do Sol, na Rua dos Pinheiros, no bairro de mesmo nome, na zona oeste de São Paulo.
Mas isso durou pouco, pois o espaço estava compartilhado gentilmente peço seu dono, Zé Luiz Dinola, onde ele também executava suas aulas de bateria, mas não comportava outra agenda, no caso, a minha. Fiquei ali por um mês apenas, e minha primeira aula foi para um rapaz chamado, Zé Roberto, que demonstrava ter um nível avançado, e eu não tive muito o que ensinar-lhe, portanto. Esse rapaz ficou nas minhas aulas por dois meses aproximadamente, apenas. Tive que buscar outro espaço, e daí, o mais lógico foi ter aceito o convite do vocalista da Chave do Sol, Beto Cruz, que também estava a iniciar atividade como professor, ao ministrar aulas de guitarra e vocalização, para que eu executasse as minhas aulas de baixo em sua residência, visto que os ensaios da banda também haviam sido transferidos para tal local, e meu amplificador, ficava ali alojado. Ele morava no bairro Jardim Bonfiglioli, na zona sudoeste de São Paulo. Para quem não conhece São Paulo, eu situo o bairro como vizinho ao bairro do Butantã, perto do Instituto do mesmo nome, e do campus principal da USP, a Universidade de São Paulo. Foi conveniente assim, pois todo o equipamento da banda estava lá, visto que estávamos a ensaiar ali, desde o início de 1987. 
O Beto também começou a ministrar aulas de guitarra, e vocalização. Portanto, a sua casa tornou-se o "QG" de ensaio, e sala de aulas. Como eu não tinha nenhuma formação teórica mais avantajada, além do mínimo necessário, passei a desenvolver um método próprio, baseado em minha formação como Rocker 1960 / 1970. Meu método, forjado de forma natural, foi 90 % baseado no desenvolvimento do "feeling" do aluno, e com duas características que são minhas, naturalmente: a paciência, e o incentivo a cada progresso, por mínimo que fosse. Talvez por isso, mesmo que eu não fosse um professor preparado no campo da teoria, eu culminei em ter uma significativa longevidade como educador informal, pois sempre respeitei o limite de cada um, sem cobranças ou constrangimentos, como muitos professores costumam exercer em sua didática, mais baseada em desafios, mediante provocações (e muitas vezes ao passar do ponto, e assim beirar a arrogância e com uma certa dose de sadismo implícita, infelizmente).

Com o tempo, criei exercícios, e uma sequência de músicas que aumentava o grau de dificuldade, à medida que os garotos avançavam. Além das lições de música, inevitavelmente tornei-me também, conselheiro; psicólogo prático; conselheiro matrimonial; amigo, e em alguns casos, amigo de alguns pais.


No início, nesse período entre 1987 e 1990, principalmente, 99 % dos alunos demonstravam orientação no Heavy Metal ou Hard Rock oitentista.


Só a partir de 1992, foi aparecer uma nova safra, com garotos muito interessados em Rock 1960 / 1970, principalmente, e claro que foi um alívio para o meu gosto pessoal, pois essa é a minha predileção, desde sempre. Pus-me a ministrar as aulas na base da intuição, mesmo por que, cada garoto foi um caso diferente, pois nem todos estavam na estaca zero.


Logo de início, aprendi que na primeira aula de cada novo aluno, eu precisava avaliar o aluno, para mensurar em que estágio ele encontrava-se. Isso tornou-se uma praxe que mantive por 12 anos. Os primeiros que apareceram em 1987, mostraram-se mais avançados ao instrumento, não eram principiantes absolutos. Então, já parti para uma etapa mais avançada. 

Antes de prosseguir no relato, no entanto, preciso recuar um pouco no tempo para dizer como anunciei pela primeira vez que ministraria aulas. Foi através de uma matéria na revista "Metal" (edição n° 37, de 1987), onde o jornalista, Sérgio Martorelli publicara as últimas notícias sobre a banda (A Chave do Sol), e acrescentou que eu; Beto, e Zé Luiz Dinola, estávamos a ministrar aulas.




Como maneira prosaica de contato, foi publicada a caixa postal da banda... dessa forma arcaica, ficávamos a esperar cartas de interessados, e só aí ligávamos para eles. Se fosse hoje em dia, com internet e baseado na fama que a banda tinha, arrumaríamos dúzias de alunos, mesmo por que, na base do contato paleolítico do qual dispúnhamos, muitos surgiram, interessados nos três "professores". Daí o fato de filtrarmos primeiro os interessados, antes de marcar aula, e fornecer endereço. Muitas pessoas desejavam somente conhecer-nos, pedir discos etc.


Agora, como triagem, não havia cuidados maiores. Líamos as cartas dos interessados e os que demonstravam realmente vontade em ter em aulas, eram contactados por telefone, ou mesmo por resposta via carta. Tempos paleozóicos...




 

Realmente... a filtragem era necessária, mas sem maiores rigores. 


Mesmo porque, não havia meios para filtrarmos ainda mais. Foi algo simples : se demonstrasse interesse na carta, ao mencionar que queria tocar, ou que possuía uma banda, seria o suficiente para nós. Tive uma sensação muito estranha na primeira aula. Isso por que em 1983, eu havia tido uma experiência como professor, mas de forma diletante. Ministrei algumas aulas de teoria musical para um guitarrista de uma banda, que gravitava na órbita da Chave do Sol ("Archibald's Band", grupo que posteriormente mudou seu nome para "Fênix"), chamado : Iran Bressan. Foram poucas e gratuitas.

Mas naquele momento de 1987, seria diferente, pois estava a cobrar, e assim assumiria a responsabilidade em passar informações e acima de tudo, a mostrar resultado visível, com o desenvolvimento do aluno.


Posto isso, digo que a primeira aula foi muito estranha, pois eu sucumbira à constatação de que estava assumir-me como professor, e foi algo inusitado na minha vida. Para efeito de informações deste relato, devo alertar o leitor que, infelizmente, perdi o meu caderno de anotações sobre as aulas. Da maioria dos alunos, eu simplesmente esqueci seus nomes e datas precisas de seu início e término de aulas comigo.



Peço desculpas antecipadas a todos que não mencionarei nominalmente neste relato, por essa falha. Citarei alguns que foram mais marcantes, histórias engraçadas e / ou inusitadas, mas ficarei a dever o nome da maioria. E em alguns casos, citarei apenas nome ou sobrenome ou ainda, talvez só um apelido, fruto dessa perda lastimável de meu caderno, que muita falta, faz-me agora que trato deste capítulo da minha sala de aulas.


A fachada do Edifício Dinola, pertencente à família do José Luiz. Na frente, a fachada da loja de produtos finos de cerâmica e porcelana, da irmã dele, Beth Dinola. Em uma das salas, ficava o escritório do José Luis Dinola.



De volta à cronologia, mas logo em agosto, mudei minha sala de aulas para a casa do Beto Cruz, para tornar assim esse endereço, a minha a sede, até meados de 1989.




Rapidamente começou a surgir cartas na caixa postal da banda. 


O efeito da reportagem onde mencionaram as nossas aulas foi intenso. Tanto, que nem preocupamo-nos em produzir outros meios de propaganda, por um bom tempo. 



Passado o choque inicial da primeira aula, comecei a soltar-me mais, ao definir parâmetros; metodologia, e também para aprender algo muito importante: o caráter informal que nortearia as aulas, cada vez mais, ao torná-las, leves, descontraídas. Além de providenciar com que o ambiente da aula ficasse mais agradável para todos, aprendi na base da prática, que isso teria um efeito pedagógico importante.




Isso por que os alunos inconscientemente, eram treinados na coordenação motora. Enquanto eram distraídos e falavam sobre assuntos que não tinham nada a ver com o exercício que eu passava-lhes, aprendiam a tocar com independência, desenvoltura, e sem precisar prestar atenção ao instrumento. Isso ocorreu meramente por acaso, pois pelo bem da verdade, eu não era professor, eu "estava" professor...
 

Nesse período, estabeleci uma rotina que perdurou até a minha última aula, em 1999 : meu período habitual de aulas transcorria de terça a sábado. No início de agosto, notei que o sábado seria naturalmente o dia mais concorrido. Foi tradicionalmente preenchido por alunos que trabalhavam e estudavam nos dias úteis, e os dias de semana, por alunos mais jovens que só estudavam, basicamente. Já em agosto de 1987, estava instalado definitivamente na casa do vocalista, Beto Cruz, no bairro Jardim Bonfiglioli, zona oeste de São Paulo. Foi o arranjo mais conveniente, pois ali foi a sede da Chave do Sol, em seus últimos momentos e assim, todo o equipamento ficava ali. 



Em agosto, eu tinha entre cinco e sete alunos regulares e o Beto, pelo menos, doze. Isso foi natural, pois existiam tradicionalmente muito mais alunos interessados em aprender guitarra, do que baixo ou bateria. E ele devia ter no início, mais uns quatro ou cinco alunos de canto, a aumentar a sua carga horária. Eu ministrava as minhas aulas, na ampla sala de estar, onde ensaiávamos, e o Beto em um quarto isolado.



O ambiente era Rock'n Roll, é lógico, pois a casa do Beto era decorada com posters de bandas sessenta / setentistas, principalmente. Além do fato de sempre estar a rodar algum bom disco na vitrola da casa. Mas na hora das aulas, não ligava-se o som, obviamente.
Claro que eu recomendava artistas e discos, mas isso tornou-se muito mais forte no período pós-1992, quando surgiu a safra de meus alunos, que apelidei como, "Neo-Hippies", na minha sala de aulas, e por conseguinte, estabeleceu-se uma sinergia maior entre o que eu tinha como base artística, e os anseios dos garotos, visto que no início, a maioria era fã de Heavy-Metal e Hard-Rock oitentista.
Realmente minhas aulas continham pouca teoria e muita prática. O aluno sofria durante uma hora na cadeira de aluno, pois eu ficava de olho, como um verdadeiro sargento... mas havia a descontração, a conversa amiga, sempre... um aluno tornava-se amigo do outro. Grandes turmas formaram-se na minha sala de aulas, e isso ocorreu durante todo o período em que ministrei aulas, desde o começo. Digo até que no período em que transferiria a sala de aulas para a minha residência, aumentaria muito esse fenômeno.
Tornou-se comum o aluno da aula das 16:00 horas. chegar às 14:00 para conversar com seus amigos das 14:00 e 15:00 horas, e todos a permanecer no recinto, até às 20:00 horas, por exemplo. Bandas foram formadas; times de futebol foram organizados, e até namoro saiu uma vez (ocorreria em 1990).

Outra motivação que criei logo no começo das aulas, em 1987, nessa fase em que usei a casa do Beto Cruz, foi a de trocar vários posters de bandas de Heavy-Metal e Hard-Rock oitentistas, com eles, por LP's de artistas sessenta / setentistas, que eu apreciava.
Foi uma boa troca, pois eram muitos posters que eu havia acumulado por comprar revistas onde, A Chave do Sol tivera matérias; resenhas & entrevistas publicadas, e em sua maioria a exibir bandas oitentistas que eu não gostava. E a minha primeira safra de alunos, pelo contrário, gostava dessa estética em torno do Heavy-Metal e Hard-Rock oitentistas. Nessa primeira fase, lembro-me mais detalhadamente de um aluno que apareceu mais ou menos em agosto de 1987, chamado, Roberto Garcia Morrone, pois tornou-se amigo, e posteriormente acompanhou toda a trajetória do Sidharta e da Patrulha do Espaço, até a fase do lançamento do CD Chronophagia, em 2000. 
Lembro-me também de Marcelinho "Carioca" Dias (nada a ver com o jogador). Ele tinha esse apelido por ter nascido em Volta Redonda. Mas o apelido não tinha fundamento, pois se era do interior do estado do Rio, deveria ser Marcelinho "Fluminense"...
Gente boníssima e muito esforçado, pois morava em São Bernardo do Campo, região do ABC, e para chegar ao Jardim Bonfiglioli, usava três ônibus. Na verdade, seis, com a volta. Ele tinha uma banda ("Êxito"), que posteriormente chegou a abrir um show da Chave (sem Sol...), em 1989, e mudaria de nome para, "Aura", gravou uma fita demo em 1990, comigo na produção (passagem já devidamente escrita no capítulo, "Trabalhos Avulsos", quando citei tal passagem com o "Aura".  
Lembro-me de uma vez, em 1988, quando no meio da aula surgiu uma conversa sobre um documentário de um famoso médium espírita, e efeminado, e com isso a despertar as mais variadas piadas. Enfim, a aula teve de acabar tamanha foi a algazarra que isso acarretou. Foi uma sessão de gargalhadas contagiantes e intermináveis, ao ponto do Beto descer para saber o que estava a acontecer, e pedir silêncio, pois estávamos a atrapalhar a sua aula de guitarra.

Outro aluno que lembro-me bem, foi o César Cardoso. Sobrinho do cantor, Wanderley Cardoso. Um rapaz muito gentil e que posteriormente, embrenhou-se no mundo da TV. Já a partir de 1990, estaria como estagiário na MTV. Depois acompanhou Serginho Groisman no "Programa Livre" do SBT, e já faz anos, está na Globo, a trabalhar na produção de programas importantes como o "Fantástico", por exemplo.


Com o avançar dos meses, aumentou gradativamente o número de alunos. Cheguei ao final de 1987, com um número aproximado de dez alunos. A maioria, concentrada aos sábados, o dia mais concorrido, mas já a começar a aparecer alguns alunos para os dias úteis. E ainda em 1987, arrumei também um aluno em domicílio. Como esse rapaz morava relativamente perto da minha casa, não compensava para ele deslocar-se até o longínquo bairro do Jardim Bonfiglioli. Eu ia à casa dele às 10:00 horas da manhã, passava em casa para almoçar, e corria para estar às 14:00 horas na casa do Beto Cruz, onde a maioria esperava-me. Nesses meses de 1987, as aulas estabilizaram-se relativamente bem, mas foi ainda uma fase inicial da montagem do meu método, que só evoluiria mesmo de 1989, para frente, ao atingir seu clímax, entre 1992 e 1996.

Virou o ano, e agora as minhas aulas começaram a conviver com uma outra realidade. A Chave do Sol havia passado por uma violenta ruptura, e por ter que assumir às pressas uma nova identidade e formação, ou seja, uma outra banda que fora formada, eis que esta passou a ocupar a sala de estar da casa do Beto, para ensaiar. Todo o equipamento ficava montado permanentemente, o que de certa forma foi um visual bonito e estimulante para os alunos, tanto os meus, quanto os do Beto. Outro fato interessante do começo de 1988, é que conheci fortuitamente duas pessoas que tornar-se-iam grandes amigos, a apresentar-me à outros bons amigos que acompanhariam a minha trajetória dali em diante. Foi dentro do ônibus da linha "Belém / Jardim Bonfiglioli", que um dia notei a presença de dois jovens que olhavam-me insistentemente. Estava acostumado a ser reconhecido nas ruas, por conta da exposição boa que tive na década de oitenta com A Chave do Sol, e o Língua de Trapo. Mas como descemos no mesmo ponto da Av. Comendador Bonfiglioli, eles criaram coragem e abordaram-me. Eram os irmãos Fazano, ambos guitarristas, e que sim, reconheceram-me por conta da Chave do Sol. Eles moravam na rua transversal à rua do Beto, e desconfiavam ter alguma movimentação por ali, por ouvir de longe os nossos ensaios e presença de cabeludos em profusão naquela área...


Sendo assim, sabiam que havia uma banda de Rock ali naquela pequena rua sem saída, por ouvir eventuais ecos de ensaios, mas sobretudo por ver cabeludos a subir e descer a pequena rua. O irmão mais velho era o José Fazano, um sujeito extremamente dócil e prestativo, que culminou depois de tornar-se amigo, a tornar-se um colaborador dos momentos finais da Chave do Sol, e com quem quase montei um trabalho com banda cover em uma época marcada por parcas oportunidades, em 1991.
O mais novo, era Carlos Alberto Fazano, ainda adolescente naquela época, e que era fanático pelo "Deep Purple". Tão fanático, que tinha o corte de cabelo idêntico ao do Ritchie Blackmore. Costumava falar de cor, tudo sobre o Deep Purple, pois decorava biografias e livros de curiosidades sobre a banda e foi um dos maiores entusiastas da "SBADP" ("Sociedade Brasileira dos Apreciadores do Deep Purple"), fã-clube tradicional dessa banda, cuja filial brasileira autorizada pela matriz britânica, era capitaneada por um rapaz chamado, João Cucci Neto. A amizade ficou instantânea com os irmãos. O Carlos por ser garoto de 14 anos na época, só estudava, portanto, aparecia toda a tarde de aulas nos dias úteis, e o Zé Fazano geralmente aparecia aos sábados. 
Como era extremamente impetuoso, com um gênio oposto ao seu irmão, o Carlos logo ganhou apelido idealizado pelo Beto, um brincalhão contumaz. Ao observar o cabelo dele, Beto não pensou em Ritchie Blackmore, mas sim em um desenho animado que fazia sucesso naquela década... sendo assim, o Carlos ficou estigmatizado como "He Man"... é claro que meus alunos adoraram e quanto mais bravo ele ficava, mais eles encarnaram nele e daí, ele ficou com esse apelido por muitos anos. Falarei mais dos irmãos Fazano, pois ambos acompanharam a minha trajetória no Pitbulls on Crack, e até o começo da Patrulha do Espaço. Outro fato engraçado nesses primeiros meses de 1988, foi que tanto os irmãos Fazano, quanto vários alunos, viviam a dizer que haviam avistado-me na padaria de esquina, a beber "pinga"...
E falavam sério, ao estranhar a minha estupefação. Quem conhece-me, sabe que não bebo nada alcoólico, nunca bebi na minha vida. Então desvendou-se o enigma : tratou-se de um um sósia !
O sujeito era idêntico, cabeludo, e com mesmo porte físico ! E para piorar as coisas, descobriram que ele tocava baixo ! De fato, tomei um susto quando vi esse sósia um dia na rua !


Ao mudar de assunto, é bom que os leitores possam entender bem a mentalidade dos primeiros alunos que tive, nessa safra de 1987 até 1991, pois retrata com fidedignidade o que foi aquele final de década de oitenta em contraposição à chegada da década posterior, de noventa. A maioria, era assim mesmo : ou Metal tradicional, via Iron Maiden, ou Hard-Rock "farofa" oitentista, dessas bandas como Bon Jovi e similares.

E ainda estava a surgir uma terceira via, que era a do Metal virtuose, estilo Malmsteen, que tornou-se febre naquele final de década, e onde a Chave "sem Sol" infelizmente foi introduzir-se nos seus últimos dias. Falaram em preconceito, sim, havia. Mas isso foi a marca dos anos oitenta. A música ficou toda fragmentada em tribos que odiavam-se mutuamente. Havia divisões também entre os derivados do pós-punk; Darks não gostavam dos góticos... carecas odiavam punks'77... New Wavers eram desprezados por New-Bossas... e todas essas tribos detestavam os headbangers, que por sua vez odiavam os "posers" dessa cena Hard-farofa ("No Posers")... e eu tinha bronca de todos, ao ter profunda nostalgia dos anos 1970, onde ouvia Led Zeppelin, Gentle Giant, e T.Rex, estilos e tribos distintas entre si, mas com a mesma paixão, e acima de tudo, por chama-los todos como, "Rock", simples assim...
Concordo no entanto, quando dizem que o Bon Jovi tinha / tem bons músicos. É verdade. O Richie Sambora é um bom guitarrista, e certamente aprendeu a tocar ao ouvir Johnny Winter, e Dickey Betts, entre outros mestres do "Southern Rock".

Aproximava-se o ano de 1988, que traria mudanças radicais na minha vida, por conta da extinção de minha banda e a súbita criação de um grupo derivado, e sob dissidência forçada. As minhas aulas acompanhariam tais mudanças, logicamente.
Continua... 

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