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domingo, 25 de janeiro de 2015

Boca do Céu - Capítulo 6 - 1978, o Ano do Bourréebach, um Ano Difícil



o tivemos mais apresentações em novembro e dezembro de 1977, e com certeza haveria uma quebra de ensaios motivada pelas festas de final de ano, viagens de férias e pasmem, exames escolares... esse tipo de preocupação juvenil ainda permeava nossas vidas como adolescentes que éramos, e certamente foi fator preponderante para atrapalhar nossas ações. 
Para aproveitar esse ensejo, vou contar uma pequena história particular dessa época, que impressionou-me bastante, e ilustra como ainda vivíamos uma defasada "Era" hippie, e aquariana, em 1977 : estava a dirigir-me para o ensaio da banda, quando cheguei ao terminal de ônibus da estação, Vila Mariana do Metrô. Subitamente, vi um freak a carregar um “case”(estojo) de guitarra, vindo em minha direção. Quando aproximou-se, vi que era bem mais velho do que eu, que era só um adolescente. O sujeito tinha o cabelo até a cintura, com barba e bigode, a parecer aqueles freaks alemães da cena do “Krautrock” setentista. Quando estava bem perto, mirou-me e fez o sinal de paz e amor, ao que respondi-lhe prontamente. Era mesmo um código aquariano, e lindo entre pessoas que identificavam-se ideologicamente, quase como em uma sociedade secreta. Muitos anos depois, o Jô Soares começou o seu Talk Show no SBT, ainda com o nome, "Jô Onze e Meia", e ao seguir a linha de Talk-Shows americanos, introduziu a presença de uma banda de apoio no programa. Quando vejo o guitarrista, um cabeludo circunspecto e enigmático, lembrei-me imediatamente que era o freak que cumprimentou-me na estação do Metrô, em 1977...


Mundo pequeno... era o Rubinho, o guitarrista freak... ele faleceu em 1998 ou 1999, não sei ao certo. Essa história ilustra um pouco, além das outras que já contei, o clima “woodstockeano” que ainda existia em 1977, mas que infelizmente estava a dissolver-se...


E para visar dar uma sacudida no grupo, o Laert propôs uma mudança de nome para a banda, ao buscar oferecer um verniz mais artístico, e condizente ao que pretendíamos. Uma lista foi elaborada e diante de várias opções, surgiu a ideia de "Bourréebach". Era uma junção das palavras Bourrée (nossa influência nesse caso, foi a música gravada pelo Jethro Tull, no LP "Stand up", baseada na peça de Bach), e do nome do próprio compositor germânico, Johann Sebastian Bach. 
O neologismo parecia bonito, mas na verdade era pomposo e pretensioso demais para uma banda de adolescentes que evoluíam lentamente, e portanto, ao adotar um nome desses, dava-se a impressão de que éramos músicos de alto nível a realizar Rock Progressivo com desenvoltura, e certamente com formação erudita sólida. Uma coisa foi certa : entre a presunção de um nome pomposo, e um nome tolo como "Boca do Céu", hoje em dia acho que nesse aspecto, acertamos na decisão adotada. Uma pena que o Bourréebach teve menos chances doravante, e seu início propiciou a etapa final da banda, rumo à extinção. Na verdade, a banda passou por um lento processo de apuração, a afunilar-se em um ponto onde quem realmente estava determinado a seguir na música, assim o fez, ao tomar direções diferentes, após o seu gradual desmanche. É bem verdade, o nome "Boca do Céu" hoje em dia tomaria outra conotação inimaginável em 1977: "Céu" poderia ser uma dessa escolas de periferia batizadas com esse nome (“CEU", como sigla e sem acento, logicamente), e "Boca", obviamente relacionada ao tráfico de drogas... portanto, hoje (2016), caberia bem sob um famigerado, "Bonde de Funk"...
Tomamos a decisão em assumir o novo nome na virada do ano e assim, em 1° de janeiro de 1978, surgiu o Bourréebach !!
A primeira determinação adotada, nessa reformulação da banda, foi a de marcarmos uma nova apresentação, na data de aniversário do nosso baterista, Fran Sérpico, que também marcaria um ano da primeira apresentação. 
O baterista do Boca do Céu / Bourréebach, Fran Sérpico, em foto bem mais atual, dos anos 2000

Era questão de honra para nós, que essa nova apresentação fosse um "tour de force", a demonstrar à todos, e principalmente à nós mesmos, que nesses doze meses, havíamos evoluído, em todos os sentidos. Portanto, com esse objetivo em vista, tínhamos uma nova energia, uma nova motivação. Nesse ínterim, uma nova viagem recreativa para a cidade litorânea de Itanhaém foi marcada, onde ensaiaríamos (acusticamente, claro), e teríamos tempo para conversar bastante sobre esse show.
Batizamos essa nova viagem como "Itanhaém II", e desta feita, a banda inteira foi, além do Sidnei Miranda, o primo freak, e mais velho do Wilton Rentero, cheio de histórias boas para contar dos anos 1960, e um convidado de última hora, um argentino chamado, Ribarique, que dizia-se "Bluesman". Dessa viagem, lembro-me de ouvir "trocentas" vezes o LP "News of the World", do Queen, que tinha acabado de sair no Brasil, e o Osvaldo Vicino tratou de gravá-lo, e levar a fita K7 para a praia.
Lembro-me também de uma caminhada monstruosa que fizemos, quando de praia em praia, fomos parar quase na cidade vizinha... garotos malucos... de volta para São Paulo, reafirmamos os esforços para o grande show, que batizamos de "Fran's Birthday II".
O repertório nessa nova fase da banda, estava composto pelas seguintes músicas :

1) O Mundo de Hoje (Laert / Osvaldo / Luiz)
2) Diva (Laert)
3) Serena (Osvaldo / Laert)
4) Blues Sem Nome (Wilton)
5) 1967 ( Laert / Luiz)
6) O Que Resta é a Canção (Osvaldo)
7) Momento (Laert / Fran )
8) Ah, Se Você Soubesse...(Laert)
9) Consenso Geral (Laert)
10) Revirada (Wilton / Laert)
11) Mina de Escola (Osvaldo / Laert / Luiz)
12) Centro de Loucos ( Laert / Osvaldo)

Combinamos tocar "A Day in the Life", dos Beatles, obviamente sob um arranjo rústico, sem nem um por cento da sofisticação dos Beatles. E assim foi janeiro de 1978...
De volta desses dias no litoral, concentramo-nos nos ensaios. Queríamos causar uma impressão melhor, também no equipamento, e dessa forma, saímos à cata de aparelhagem emprestada.
O Laert ousou, e do próprio bolso, alugou um órgão. A ideia seria alugar um órgão Hammond com caixa Leslie e tudo, mas diante do exorbitante valor cobrado, foi de "Gambit" mesmo, um instrumento limitado, para uso doméstico e amador, geralmente visto em igrejas evangélicas. Preocupante foi o sumiço do Wilton, que não compareceu aos ensaios, e deixou-nos bastante apreensivos. Quando chegou o grande dia, ficamos bem chateados, pois ele realmente não compareceu. Uma perda irreparável, mas convenhamos, éramos todos muito jovens, e o grau de comprometimento variava conforme a vontade e expectativa de cada um, naturalmente. O show aconteceu no dia 11 de fevereiro de 1978, no mesmo local do realizado no ano anterior, e foi marcado por contrastes. O primeiro ponto, foi a questão da ascensão nossa como conjunto e individualmente. Todos haviam evoluído em um ano, com exceção do Fran Sérpico, que relutava para fazer aulas, e pouco avançava como baterista. O segundo ponto foi a óbvia melhoria na qualidade das músicas novas, que naturalmente acompanhavam a evolução técnica da maioria. E o terceiro e muito negativo, foi a falta do Wilton, nessa apresentação, pela questão da sua ausência injustificada e pelo desfalque, pois com ele na banda, o som encorpava e sem, apesar da evolução do Osvaldo, e a minha, fora o Laert a tocar teclados, esvaziava-se.
O show foi encurtado, pois ao tocarmos ao ar livre, fomos atrapalhados por uma chuva súbita de verão. Dessa maneira, tornou-se providencial, pois estávamos chateados a tocar sem o Wilton, mais pela falta injustificável que desapontou-nos. Com tempo chuvoso, a festa também ficou aquém do ano interior, pois apenas vinte e cinco convidados compareceram. Lamento muito não haver filmagem, tampouco fotos. O Laert lastimou demais ter que devolver o órgão, pagar o aluguel e o transporte, tendo tocado pouquíssimas músicas, devido à chuva. Não deu outra... poucos dias após o show "Fran's Birthday II", o Wilton Rentero procurou-nos, e comunicou sua decisão de sair da banda. Sua justificativa foi a de que seu caminho seria o do violão clássico, e que havia tomado a decisão em estudar com afinco, dali em diante.
Ficamos muito chateados, pois ele era o melhor músico da banda, e sua presença encorpava o nosso som. Mas fazer o quê ?
Não podíamos contra-argumentar, pois não tínhamos nenhum poder de barganha. Não haviam perspectivas melhores do que festivais colegiais, e shows de pequeno porte. E nossa melhora técnica era lenta. Então, de volta a ser um quarteto, resolvemos aproveitar a deixa e dar um ultimato ao baterista, Fran Sérpico : ou entrava em uma escola de música e começava e estudar, ou teria que sair da banda, pois estávamos cansados de vê-lo sem evolução visível, a ficar atrás dos demais, e certamente a prejudicar a evolução da banda. Ele sentiu-se pressionado certamente e alguns dias depois, fez a sua escolha, ao deixar a banda e justificar a sua decisão pelo fato de estar sem tempo para estudar o instrumento, devido aos estudos formais, e que realmente estava determinado a entrar em uma faculdade e estudar com afinco. Bem, situação chata, mas foi melhor para ambos, Fran e banda, certamente, pois a despeito dele ser muito gente boa, chegáramos em um ponto crucial onde havia a necessidade de tomar-se resoluções de vida, cada um ali envolvido e não dava para levar mais a banda como uma atividade secundária / recreativa doravante. Reduzidos a um trio, combinamos continuar firmes no propósito, eu; Osvaldo Vicino e Laert Júlio, futuro “Sarrumor”... o Osvaldo aproveitou para reafirmar que não gostaria de ter um segundo guitarrista na banda e que queria ser o lead guitar, como nos primórdios. Então, com o Laert determinado a assumir-se como tecladista, achávamos que estaríamos supridos harmonicamente, portanto, a nossa decisão naquele momento, de fevereiro de 1978, foi a de encontrar um novo baterista, e tocar a vida para frente.
Começamos a procurar então, e ao mesmo tempo, mantínhamos ensaios improvisados entre os três, e atentos às oportunidades para inscrever a banda em festivais. E assim foi nos meses de março; abril, e maio de 1978. Uma luz no final do túnel, só apareceu em junho. 
Por outro lado, se o panorama da banda era sob incertezas, uma questão muito significativa nesse início de 1978, foi que eu havia notado ter deixado para trás o espectro incômodo de ser um iniciante incrivelmente limitado. Eu havia enfim rompido essa barreira terrível de um reles iniciante e sentia-me muito mais seguro como baixista. Nessa altura, já havia tirado diversas músicas de discos que apreciava. Já tocava em cima de discos do “Led Zeppelin”; “Deep Purple”; “Focus”; “Allman Brothers”, e diversas outras bandas, o que realmente configurava que havia melhorado muito. E posso afirmar o mesmo do Osvaldo Vicino. Ele que no início era o melhor e mais experiente músico da banda, também mostrava evolução, mas sutilmente estava a começar a demonstrar também, sinais de afastamento (um triste paradoxo...), conforme relatarei logo mais.
Para aproveitar essa reformulação na banda, estávamos a preparar novas músicas, e sabíamos que se aparecesse uma oportunidade de tocar ao vivo, poderíamos contar com o baterista, Cido Trindade, meu amigo de bairro. Ele havia colocado-se à disposição, pois tinha notado que evoluíramos e estávamos em um estágio mais compatível com o dele, que era mais experiente àquela altura. E resolvemos dar uma cartada diferente para o futuro da banda. Por sugestão do Laert, passamos a procurar por vocalistas femininas. A ideia seria o Laert assumir mais os teclados, cantar menos músicas, deixar uma mulher como principal vocalista e consequentemente, “frontwoman”. Essa era uma obsessão do Laert que era (é) apaixonado pela Janis Joplin. Então, colocamos anúncios em revistas da época ("Rock, a História e a Glória"; "Pop", e "Música"), e começamos a receber cartas oriundas de candidatas.
O Laert também fez um cartaz com seus traços de cartoon característicos, e espalhou-os em alguns pontos interessantes, como alguns cafés “transados” (gíria da época...), certos murais da USP etc. 
E aí, surgiu uma oportunidade para um show, que foi marcado para junho de 1978. Mesmo indefinidos em relação à uma garota para entrar na banda, aceitamos o desafio e convocamos o baterista, Cido Trindade para tocar conosco. Esse show foi arrumado pelo Laert, que encaixou a banda para tocar durante um bingo, a ser realizado no pátio do colégio onde ele estudava à época, o Colégio Claretiano, instituição dirigida por padres católicos, localizado no bairro de Santa Cecília, próximo ao centro de São Paulo. Claro que animamo-nos, e passamos a ensaiar diante dessa perspectiva.
O baterista, Cido Trindade, aceitou o nosso convite, e passou a ensaiar conosco regularmente. Nessa nova fase, voltamos a ensaiar na minha casa, mas desta vez em tomar o cuidado para não fazer do ensaio, um ponto de reuniões freaks, como acontecera em 1977. O Laert havia fechado com a ideia em tocar teclados o tempo todo, mas sem um instrumento disponível, limitava-se a participar a cantar nos ensaios e estudava piano isoladamente, ao preparar-se individualmente. Era o que tínhamos...
Ele estudava piano na casa de meus tios, próximo à minha casa (aliás, um gentil oferecimento de meus tios e incentivado pelos meus primos Marco Antonio; José Rubens; Mara e Alcione Turci, que haviam simpatizado com ele, indo além do fato de apoiarem-me simplesmente, como primo), e também em uma loja da Yamaha em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, onde usava um órgão, no afã em adaptar-se. Claro que não foi o ideal. O sonho era ter um órgão Hammond com caixa Leslie, próprio, mais um Fender Rhodes (piano elétrico). Mas a realidade era outra, infelizmente.
O Cido Trindade tinha um nível técnico infinitamente superior ao do Fran Sérpico, que nunca ultrapassou a barreira de iniciante. Com o Cido na banda, o som cresceu, claro, e ele também reconhecia que havíamos melhorado.
Dessa forma, preparamo-nos até a data marcada : 17 de junho de 1978, um sábado gelado, de fim de outono. Fomos para o show bem ensaiados e confiantes. O Laert novamente desembolsou um bom dinheiro, alugou um órgão Yamaha desta vez, e o acordo com o colégio Claretiano, previa que eles providenciassem um P.A. e dois amplificadores, de guitarra e baixo.
Chegamos ao colégio no horário marcado, mas o amadorismo foi total, pois o equipamento previsto, simplesmente não estava lá. As horas passavam e só víamos funcionários do colégio a arrumar as mesas para o bingo, realizar ações de faxina e preparar o globo das bolinhas...
O equipamento havia sido alugado de uma banda de bailes, e chegou só às nove da noite. Os responsáveis pelo equipamento, chegaram sem nenhuma pressa, a descarregar o caminhão, e montar como se fossem oito horas da manhã, numa demonstração de descaso abominável. Claro, um funcionário do colégio veio advertir-nos que estava "cancelado" o soundcheck, e que deveríamos tocar sem preparar o som, assim que recebêssemos a ordem. Nesta altura, os participantes do bingo já lotavam o pátio e o som dos alto-falantes do colégio, tocava de Roberto Carlos a Sidney Magal, a todo o vapor.
Quando os responsáveis pelo equipamento locado sinalizaram que estava tudo ligado, recebemos a ordem para começar, e aí o óbvio consumou-se : uma maçaroca sonora horrível, com um show de microfonias e embolações mediante frequências graves e tenebrosas. Claro que estava tudo horrível, e que a monitoração estava ridícula. Lamentamos muito o ocorrido, pois estávamos preparados para fazer uma boa apresentação, mas saímos do palco com uma sensação de frustração total. O Cido havia levado dois amigos de última hora para tocar percussão. Era na verdade uma ação completamente desnecessária, e que em nada acrescentaria ao som da banda, mas... estávamos ainda nos anos setenta, e loucuras assim eram consideradas normais, e de certa forma, tinham élan...
Antes do bingo começar, tocou-se o Hino Nacional, mas era previsível, pois estávamos em plena ditadura, e ali era um colégio católico. Os amigos freaks do Cido foram : Marcão e "Cabelo". Tocaram caxixis; cowbell, e uma pandeirola. Realmente não acrescentaram nada com sua percussão inútil, jogada a esmo.
           O saudoso psiquiatra / pensador, José Angelo Gaiarsa

Esse "Cabelo", era um freak que morava no bairro vizinho ao meu e de Cido, o Belém, zona leste de São Paulo, e nessa mesma época envolveu-se com uma trupe de Teatro, quando foram parar num exótico programa da TV Bandeirantes, protagonizado pelo psiquiatra, José Angelo Gaiarsa. Segundo soube, essa turma “turbinava a cabeça” nos bastidores, pouco antes de entrar no estúdio, e aí a sessão psicanalítica conduzida pelo Doutor Gaiarsa, tornava-se uma verdadeira farsa, baseada em um festival de besteiras ditas por aqueles hippies cabeludos, e de olhos vermelhos...
Quanto ao tal Marcão, eu conhecia-o menos, só de vista, mesmo. Claro, houve uma atenuante nesse episódio inteiro. Se por um lado fomos prejudicados pelo pessoal do equipamento chegar horas além do combinado, e sermos totalmente derrubados por um som não mixado adequadamente, a realidade foi que o público presente mostrou-se também muito desinteressado, pois o foco ali fora o bingo. Além do mais, não era um público jovem, mas sim pelo contrário, um público formado por pessoas de meia-idade, e muitos idosos, o que caracterizava uma plateia que poderia ser até hostil. Mas como estavam realmente muito focados no bingo, nem notaram que tocávamos, e dessa forma, aquele som horrível, decorrente de uma não-mixagem, não incomodou-os, por incrível que pareça. Isso sem contar o mapa do palco, que foi completamente ridículo. Por uma falha no tablado improvisado de palco, o Cido Trindade teve que deslocar a sua bateria para a frente, longe da linha de amplificadores. Se a monitoração já era horrível, sem ouvir o baixo; guitarra, e teclados, com o som direto dos respectivos amplificadores, longe de sua audição, tocou de forma muito insegura, no limite para manter o ritmo no andamento correto. Para quem é baterista, sabe que tocar dessa forma é um horror. Tocamos nessa noite, "Blues Encanto", "Serena" e "Assim Como". O plano seria tocar mais, contudo, naquelas condições horríveis, decidimos cortar o show logo no início, a continuar nessas condições insalubres. Ficamos chateados logicamente, mas a vida prosseguiu...
Após essa frustrante exibição, seguimos na captura de novos membros para a banda. As melhores vocalistas que apareceram, foram mesmo a Eva, e a Pollyana Alves. A Eva tinha mais emissão vocal, aparentemente e o visual mais adequado aos nossos anseios, mas a despeito da voz da Pollyana Alves ser mais comedida, tinha ótima afinação. 
       Pollyana Alves, em foto bem mais atual, dos anos 2000

Seu visual era bem comportado, mais a parecer-se com a Karen Carpenter, do que, Grace Slick. Ficamos sob uma dúvida danada sobre qual das duas escolher, mesmo porque ambas tinham suas qualidades e para piorar as coisas, nas reuniões que tivemos com as duas, elas tornaram-se amigas entre si, e cada dia ficava mais difícil tomar uma decisão. Foi quando o Laert deu a sugestão de efetivarmos ambas na banda. Era uma ideia maluca em princípio, mas ao pensar bem, não seria uma má solução, com duas vozes femininas, e mais o Laert, quase tínhamos um "The Mamas and The Papas", em mãos...
Para a bateria, ainda não tínhamos uma perspectiva em vista, mas sabíamos que poderíamos contar com o Cido Trindade, em alguma eventualidade.
Então, passadas as férias escolares, marcamos um ensaio oficial da nova formação, para o início de agosto. A residência da vocalista Pollyana Alves foi-nos oferecida por ela mesma, com total apoio dos seus pais, que ajudavam-na demais, e como não tínhamos baterista fixo, não havia a necessidade de ensaiarmos na minha casa, imediatamente e até segunda ordem. E o argumento definitivo que convenceu-nos sobre sua casa : ela tinha piano e um amplificador de guitarra, disponíveis. Dessa forma, eu e o Osvaldo Vicino tocaríamos plugados no mesmo Bag U65 da Giannini, e o Laert tocaria piano. A Eva tinha uma pandeirola meia-lua e ... bingo ! O barulho estava garantido... foi em um domingo, dia 13 de agosto de 1978, que realizamos o nosso primeiro ensaio. Agora o Bourréebach estava formado por Laert; Osvaldo; Luiz; Eva, e Pollyana, a faltar apenas um baterista, para fechar o sexteto. A casa dela, era na verdade um apartamento, no Bairro do Limão, zona norte de São Paulo. Eram dois ônibus para chegar lá...
Como tínhamos força de vontade ! Levávamos mais de duas horas, só para chegar lá, e mais duas para voltar, com instrumentos na mão...
De fato, esse esforço, além de mostrar a nossa força de vontade juvenil, ganhou motivação extra. Uma nova edição do festival, FICO, aproximava-se, e dessa forma, a toque de caixa, gravamos e inscrevemos quatro músicas : "Assim Como", "Desacomodação", "Blues Encanto" e "Consciência Geral", todas do Laert.
E nesse ínterim, o Laert conheceu um baterista, através de um amigo seu do curso colegial, que estava a finalizar, inclusive. O rapaz chamava-se, José Claudio, e tinha um nível técnico semelhante ao do Cido Trindade. 
O baterista, José Claudio, algum tempo depois, nos anos oitenta, a atuar com o Violeta de Outono 

Dessa forma, começamos a ensaiar com ele, e a dinâmica com a proximidade do FICO, mudou : aos sábados, ensaiávamos na casa da Pollyana Alves, e aos domingos, voltávamos à minha casa, para ensaiar com o Zé Claudio. Mas como cobertor de pobre é curto, mal acertávamos a banda, e um novo problema começou a surgir. Desta vez foi o guitarrista, Osvaldo Vicino, que começou a faltar nos ensaios, de forma repetida. Na realidade, ele já vinha a dar mostras de desgaste há algum tempo, mas agora às vésperas de uma nova edição do FICO, tornou-se preocupante a sua falta de assiduidade, e pior, o visível ar entediado que começava a tornar-se uma constante em seu semblante.
E o pior aconteceu... não classificamos nenhuma música para o FICO, o que desalentou-nos muito, visto que encaramos esse revés, como um retrocesso. Foi inadmissível que tivéssemos participado em 1977, com muito menos técnica individual de cada um, fora a inexperiência, em contraste com um ano a mais, onde havíamos crescido nesses aspectos. Por outro lado, em 1978, pesou contra, a nossa desorganização com troca constante de componentes, e ensaios feitos de uma forma improvisada, algumas vezes com teclado, outras com bateria etc. E o pior de tudo : as gravações que mandamos ao Festival, foram precárias por conta dessas dificuldades citadas. Por incrível que pareça, havíamos mandado um material melhor em 1977, e nesse aspecto, merecemos a desclassificação. Mas havia um último cartucho para 1978 : haveria um festival realizado pelo Teatro Paulo Eiró. Concentramos nossas forças no objetivo em participarmos do Festival do Teatro Paulo Eiró, a manter a mesma dinâmica de ensaios.
Conforme já havia comentado anteriormente, nosso guitarrista, Osvaldo Vicino, dava sinais de dispersão já há algum tempo, mas nesse segundo semestre, parece que degringolou mesmo, com sistemáticas faltas, e um ar desinteressado nos ensaios, a contrastar com o comportamento de força de vontade, que exibiu desde o começo, em 1976. A gota d'água deu-se no dia em que íamos para o ensaio, na residência da Pollyana Alves, em um sábado, e o vimos a andar em uma rua próxima à Av. Paulista, com cabelos cortados, e a usar um figurino ao estilo do personagem do ator, John Travolta, em "Os Embalos de Sábado à Noite". Dias depois, ele confessou-nos que dirigia-se à uma Discothèque...
Aguentamos essa situação mais um pouco, mas a ruptura estava anunciada.
Nessa época (setembro de 1978), fui com o Laert assistir alguns shows do Festival de Jazz de São Paulo, que causou muito alarde à época. Foi uma edição do famoso Festival de Montreux / Suíça e muitas atrações internacionais bacanas apresentaram-se.
Eu e o Laert (encontramo-nos com Pollyana Alves e sua irmã, a super simpática, Eliana Rímoli Alves, também ali no festival), fomos ver “Chick Corea”; “John MacLaughlin”; “Patrick Moraz”; “Hermeto Paschoal”; “Egberto Gismonti” etc. Pela TV, nos outros dias em que não fomos (fomos em dois), vi “B.B.King”; “Etta James”; “Al Jarreau”...
Ao ver o show pela TV, constatei que Etta James "causou", por levantar a blusa, e cantar com os seios desnudos, e assim provocar uma reação indignada do comentarista da TV Cultura de SP, Zuza Homem de Mello, que ignorou o show sensacional que ela estava a realizar, para centrar em suas impressões moralistas. 

B.B. King foi maravilhoso. Foi a primeira vez que o Rei do Blues veio ao Brasil e todos ficaram maravilhados com a presença do grande mestre em palco paulistano. Anos depois e ele passou a comer pastel, nas feiras livres de São Paulo, tamanha a quantidade de vezes que veio tocar aqui, mas naquela época, tratou-se de uma novidade extraordinária.

Nos shows que assisti ao vivo, adorei o John MacLaughlin. Com um quarteto afiado. Lembro-me de que na banda dele, o baixista foi o Fernando Saunders, que posteriormente tocou com Jeff Beck, e outras feras. Na bateria, foi o Tony Franklin, e no violino, L. Shankar, cuja presença aqui, causava furor entre os Hippies locais, por ele ser sobrinho do citarista indiano, Ravi Shankar. Apesar da óbvia influência jazzística, via fusion, esse quarteto tinha pegada de rockers, a tocar com uma garra incrível, fora o virtuosismo habitual. 


Chick Corea também foi incrível, embora mais centrado no Jazz Fusion. O virtuosismo dele, hipnotizou a plateia e os solos de Moog, principalmente, arrancaram uivos dos rockers presentes na plateia, para desconforto de alguns jazzistas arrogantes, e preconceituosos.

O show do tecladista suíço, Patrick Moraz, foi centrado no seu disco solo denominado "I". O grande atrativo de sua apresentação residia no fato dele ter tido uma meteórica passagem pelo “Yes”, a tocar no álbum "Relayer". Claro, se não fosse por isso, não teria despertado todo esse interesse, pois sua carreira solo só tinha alguma relevância por essa ligação, e jamais por ser ex-tecladista da obscura banda prog suíça, "Refugee". Pairava também no ar a aura dele ter envolvido-se com a banda Prog Rock carioca, "Vímana", que causou furor no meio rocker brazuca. E um fato inusitado ocorreu no show do Patrick Moraz : uma canja do guitarrista, Sérgio Dias, dos Mutantes, deixou um mal-estar no ar. Quando o Sérgio entrou no palco, ficou nítida a impressão que aquilo fora improvisado, com roadies a empurrar o seu amplificador às pressas, e o Sérgio a surgir "do nada", plugar sua guitarra, e sair a solar a esmo. O Patrick Moraz parecia estar assustado com a situação, e denotou-nos a impressão de que fora surpreendido, e não gostara da intervenção. Mas particularmente, mesmo com esse mal-estar no ar, achei que foi o ponto alto da apresentação (pasmem !), que estava entediante com Moraz só a tocar piano acústico, acompanhado de percussionistas de uma Escola de Samba, conduzida pelo percussionista brasileiro, Djalma Correa. Fãs do Yes frustraram-se com a insipidez musical de Moraz.
De volta a falar da minha banda, infelizmente, nos últimos meses de 1978, as faltas do Osvaldo chegaram a um patamar insuportável, e na iminência do prazo limite para enviar nosso material ao festival do Teatro Paulo Eiró, resolvemos desistir de enviá-lo. Ficamos chateados mais uma vez, pois significou-nos mais uma derrota. Ao mesmo tempo em que eu e Laert melhorávamos, a banda andava para trás, com a desanimação do Osvaldo, e a falta de comprometimento mais incisivo do Zé Claudio. Este último, não faltava nos ensaios, mas era nítida a percepção que tínhamos, eu e Laert, que ele não vestia a camisa da banda, e estava ali só para ver o que poderia dar. Tudo bem, era um direito dele pensar e agir assim, mas não era o que desejávamos, ainda mais com o Osvaldo a entrar em uma fase de distanciamento. Dessa forma, resolvemos adotar o mesmo procedimento que havíamos tido em relação ao baterista, Fran Sérpico, no início do ano, e marcamos um encontro com o Osvaldo, para que ele esclarecesse o motivo de suas faltas constantes. E tudo esclareceu-se da pior maneira para a nossa banda... ele foi honesto, e disse que não estava mais com vontade de tocar, pois estava a namorar, e assim, ao focar em outras coisas na sua vida, naquele momento. Portanto, foi mais que um distanciamento da banda, ele estava a distanciar-se do próprio Rock, como instituição, ideal e modo de vida. Nesses termos, impossível contra-argumentar, e foi assim, que o membro fundador, e iniciador da primeira fagulha, partiu. Fiquei chateado, claro. Na prática, o Osvaldo foi o amigo que abriu-me a primeira porta na música. Se isso borbulhava loucamente na minha cabeça há anos, concretamente a falar, só fui engajar-me mesmo a partir do convite dele, em um dia qualquer de abril de 1976. Antes, apenas tinha o sonho na cabeça, e formulações fictícias a partir de 1975, quando formei duas bandas que nunca chegaram nem perto de um instrumento musical (Satanaz e Medusa). Aquilo era apenas uma ideia na cabeça, e embora chegássemos a compor horríveis músicas, só na base de melodias e letras bisonhas, sem a intervenção de instrumentos, foi só a partir daí, que fui engajar-me com a música (Boca do Céu), pois o Osvaldo tocava e tinha uma guitarra "de verdade"... mas, fazer o que ? O amigo entrou em outra, cortou o cabelo, passou a andar vestido como John Travolta, e a frequentar Discothéques. Se perdeu o vínculo primordial de 1976 (na verdade não perdeu, muitos anos depois eu tive o prazer de saber disso), nada poderíamos fazer, a não ser acatar sua decisão, e tocar a vida para a frente. O Zé Claudio, por incrível que pareça, surpreendeu-nos, pois aceitou prosseguir, mesmo com a saída do Osvaldo. Dele que tínhamos a impressão de ser um rapaz alheio, ficou essa surpresa. 
As garotas também ficaram divididas com a saída do Osvaldo. Se com ele, as coisas estavam devagar, com a desclassificação prévia do FICO, e a nossa própria desistência em relação ao festival do Teatro Paulo Eiró, agora abatera-se um desânimo, também sobre elas. Dessa forma, nem Eva, nem Pollyana Alves ficaram... perdemos Janis Joplin e Karen Carpenter, de uma só vez...
Ao final do ano, o Laert estava também preocupado com o vestibular, e a precisar estudar, e eu às voltas com o alistamento militar. Estava na quarta chamada, e já havia até tirado medidas de farda; capacete e coturno. Uma quinta e decisiva chamada estava marcada para janeiro de 1979, e era uma perspectiva sombria que poderia atrapalhar-me, e muito, em meus planos para seguir na banda.
E assim encerrou-se 1978, um ano muito difícil para o Boca do Céu / Bourréebach, onde só tivemos revés; adversidades; perdas, e andamos para trás, praticamente a perder a evolução que tivéramos em 1977. Vale lembrar que o ano de 1978 foi difícil também por muitos aspectos pessoais, e sócio / comportamentais. No campo pessoal, foi o ano em que meu pai começou a notar que aquele negócio de "tocar em uma banda de Rock", não fora coisa passageira de adolescente, e dessa forma, começou a pressionar-me em direção oposta, com questionamentos sobre eu cortar meu cabelo; modo de vestir-se; pensar em emprego formal e faculdade etc. Claro, posicionamentos normais de pai, e hoje que tenho mais que a idade dele naquela época, posso entender perfeitamente a sua preocupação comigo, mas à época, foi um conflito e tanto, visto que aqueles questionamentos aviltavam meus sonhos, convicções etc.
E outro ponto triste, foi a guinada estética que o sinal dos tempos trouxe. O Rock brasileiro desmanchava-se em 1978. Os ventos da "revolução" punk começavam a soprar por aqui, e todas as suas consequências pareciam apodrecer todos os meus alicerces Rockers. Muitos amigos saíram a correr pelos sebos, para vender seus LP's de Rock, muitos, para não dizer a maioria, correram aos salões de barbearia, e rasparam as cabeleiras. Eu sentia-me isolado, vendo aquela manifestação toda, com a estupefação de quem assiste de camarote, o fim do mundo. Por que eu deveria aderir àquela estética anti-Rock ? As primeiras notícias que li sobre o movimento punk, causaram-me absoluta ojeriza. O que para muitos representou uma novidade libertadora, esfuziante, foi na minha percepção um sinal incrível de decadência; desolação; retrocesso. A ideia de tocar simples, sem sofisticação, era normal e passível de convivência pacífica na minha concepção. Na minha estante de discos, conviviam harmonicamente os discos do Gentle Giant, com seu prog ultra-sofisticado, e o som cru, e quase mal tocado do T.Rex. E a ambos, eu chamava de Rock, sem nenhum conflito. Mas a reboque desses elementos que não sabiam tocar, veio toda uma mística perpetrada por marqueteiros e jornalistas, a trazer a maldita ideia do niilismo e deixo bem claro, a péssima interpretação desse conceito. Esse é o grande ponto nevrálgico dessa questão, desse rompimento. Eu nunca acreditei no niilismo como padrão de procedimento. Não acredito que uma estética deva ser aniquilada, para que outra surja renovada. Eu era apenas um adolescente com dezoito anos de idade na ocasião, mas esse sentimento já mostrava-se cristalino no meu entendimento e daí, foi difícil ver o estrago que essa terrível mentalidade imposta, ditatorialmente, causou ao Rock, com respingos em outras áreas, também. Foi em janeiro de 1978, que tomei contato pela primeira vez com essas ideias de Malcolm McLaren e seus seguidores, ao ler uma matéria sobre tal assunto em uma revista especializada. Mais ou menos em setembro de 1978, fui ao MIS (Museu da Imagem e do Som ), e assisti um documentário sobre o Punk-Rock. A maioria das pessoas saiu entusiasmada do cinema, mas eu saí deprimido com aqueles conceitos. Por que eu deveria passar a odiar os Beatles, como eles pregavam ? Por que ?
E no meio dessa desolação, eu enxergo um aspecto pessoal benéfico, ao menos. Foi preciso ter uma vontade obstinada para seguir em frente, pois tudo apontava para o "Fim do Sonho". 
A frase deslocada de outro conceito, da música "God", do John Lennon, foi usada à exaustão pelos jornalistas e publicitários mal intencionados, a gerar uma formação de opinião, estagnada.
Cansei de ouvir "o sonho acabou", seguido do indefectível sorriso irônico dos detratores do Rock, e contracultura dos sixties. Regozijavam-se do nosso sonho ter acabado e ofereceram-nos o que em troca ? O pesadelo punk da truculência, da péssima música e uma série interminável de valores terríveis, que ditaram as tendências nos anos 1980, e esparramam-se como praga, até hoje. Mas nem todos encantaram-se com essa "revolução pusilânime". Muitos bandearam-se para o Jazz-Rock; Fusion, e outros tantos foram engajar-se de cabeça na MPB, que ainda tinha ventos hippies. Lembro-me por exemplo de ter visto inúmeros shows de MPB nessa fase, entre 1978 e 1981. Presenciei espetáculos de artistas como : Elis Regina; Fagner; Sá & Guarabyra; Caetano; Gilberto Gil; Beto Guedes; Zé Ramalho; Moraes Moreira; Milton Nascimento, e até medalhões da velha guarda, como Jackson do Pandeiro, Demônios da Garoa etc. 
Um dos shows mais estimulantes que vi de MPB, nessa época, foi um do Beto Guedes em 1978, no teatro da GV (Fundação Getúlio Vargas), na Av. 9 de julho. Casa abarrotada, lembro-me de pessoas acomodadas pelos corredores, escadas etc. Curiosidade : perto de meus amigos e eu, estavam dois jogadores famosos do Corinthians, e acompanhados de belas mulheres : Wladimir e Solito. Quem acompanha o futebol, há de lembrar-se dos dois. O show foi impecável, e o som do Beto tinha arranjos complexos, certamente influenciados pelo Rock progressivo setentista.


E como multi-instrumentista, ele tocou baixo em várias músicas, e deixou todo mundo de boca aberta com o som incrível que tirou de um belo Rickenbacker de cor creme (“mapleglow”), igual ao do Chris Squire, do “Yes”, e assim arrancou suspiros dos corações “proggers” ali machucados pelo intenso vilipêndio, com toda aquela desolação punk de final de década. 

Continua...



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