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domingo, 19 de junho de 2016

1969, Indo para o Mundo da Lua... - Minha Ligação Inicial com o Rock, na Infância e Começo da Adolescência - Por Luiz Domingues


A década de sessenta foi notabilizada por apresentar estímulos culturais muito fortes, ao exibir fatos grandiosos, e a acontecer o tempo todo. E assim despertou debates acalorados no âmago da sociedade que a vivenciava sob olhar perplexo, ao parecer não estar a contabilizar todas as novidades com a mesma rapidez com a qual elas apresentavam-se, portanto, claro que o quinhão da corrida espacial teve seu papel e foi muito forte.  

Por forte propaganda, é claro, e com óbvias intenções políticas, a opinião pública foi massacrada pela cobertura da corrida espacial. A intenção era usar isso como um trunfo ideológico entre direita e esquerda e cada milímetro que americanos e soviéticos avançavam nessa corrida, era espetacularizado na mídia de tal forma a fazer com que a população, mesmo as pessoas mais humildes e alheias aos avanços da ciência, interessarem-se e acompanhassem as missões Gemini e Apollo da parte dos norteamericanos, e Sputnik; Vostok e Soyuz, dos soviéticos. Então, dá para imaginar o efeito devastador que essa cobertura nos meios de comunicação causou para um garoto com nove anos de idade e entusiasta dos filmes Sci-Fi; "Lost in Space"; "The Invaders", e "Star Trek", além dos gibis de Super-Heróis, sempre a falar sobre alienígenas ?  

Lembro-me bem, o domingo, 20 de julho de 1969, foi um dos dias que mais esperei chegar. E já vinha a acompanhar dias antes, passo a passo, com a transmissão da partida da nave em Cabo Canaveral / Florida, e boletins diários (-"eles já estão na órbita da Terra"; "já estão a "X" mil kilometros da Terra"; entraram na órbita da Lua"...). Portanto, quando o domingo foi anunciado como o dia oficial da chegada da nave a Lua e com transmissão ao vivo, não podia acreditar que estava a ser uma testemunha da história. E aos nove anos de idade, com minha formação inspirada por literatura Sci-Fi, eu esperava, inocentemente, ser possível que os astronautas pudessem achar vestígios de alguma civilização alienígena, e nem precisava ser algo grandioso. Pequenos objetos estranhos já fazer-me-iam pular pela sala de estar de minha casa, tamanha a euforia.  

Mas não ocorreu, é claro. Já era sabido pelos cientistas que o satélite em questão, era inóspito, sem gravidade; sem ar, sem nenhum resquício de vida sequer. Era só uma formação rochosa gigante e que não tinha nada além de pedra e areia... portanto, gostei muito da expectativa toda, o primeiro passo com aquela bota enorme a deixar uma pegada na Lua ("um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade"...), que tirou a minha respiração, mas o desfecho foi deveras decepcionante. 

Por favor, tragam-me o Dr. Smith; o Robot; Will Robinson; Spock & Kirk, David Vincent e o Surfista Prateado... que são artífices muito mais interessantes para lidar com exploração espacial e alienígenas...  

Alguns dias depois, a chegada do módulo com os astronautas a cair no oceano, também foi transmitida ao vivo. A professora substituta, que estava a ministrar aulas na ocasião, por um afastamento momentâneo da minha professora titular, Dona Maria Tereza, propôs que a nossa classe fosse inteira até à sua residência, bem no meio da tarde, em pleno horário de aulas, para assistir na sua sala de estar, tal evento. Sua ideia foi justificada para as crianças, como uma oportunidade importante em obtermos uma atividade extracurricular com teor científico / histórico, e que de fato, o foi mesmo, é claro. Mas ao recordar-me dessa passagem, anos depois, não consigo também não pensar que a estratégia dessa mocinha tinha dupla intenção, e assim, tirar um "refresco" das maçantes horas a aturar pirralhos, em contraste com a vontade dela em assistir o evento, é lógico. E nesse caso, seu poder de persuasão em convencer a diretora a permitir que essa pequena loucura fosse realizada fora da escola, foi genial.

E lá fomos nós, cerca de 38 crianças a caminhar do portão secundário da escola, que ficava na Rua Casa do Ator, para a residência dela, na mesma rua, e do outro lado da calçada. Acomodamo-nos em sua sala de estar, que era bem pequena. Amontoados, em meio àquela porção de crianças sentadas pelo chão, onde foi possível ficarmos e com os olhos fixos na velha TV em Preto e Branco, vimos a transmissão, bem maçante, mas com o locutor, Hilton Gomes, a conferir-lhe um ar emocionante, ao fazer-nos crer que tratava-se de algo épico. Foi mesmo, devo admitir, mas longe de ser algo estimulante para crianças entre oito e nove anos de idade, ver um bólido cair no meio do oceano, para ser resgatado pelos marinheiros norteamericanos e mais nada...  
Outra típica foto de escola, lá estou eu de novo, Luiz Domingues,  no cenário montado improvisadamente no pátio, durante o período de recreio, em uma tarde qualquer de 1969. Acervo familiar
 
Ainda a falar de escola, em 1969, eu já havia descontraído-me bem mais e havia enfim, feito algumas amizades, mas sem no entanto mudar minha característica pessoal em portar-me com calma e discrição. Gostava muito da professora, Dona Maria Tereza e ela, ao perceber meu apreço pela escrita, estimulava-me a escrever redações, mesmo quando isso não havia sido proposto como um exercício exigido, coletivamente. Em momentos onde havia recreação a estimular a livre criação, e a maioria preferia desenhar, Dona Maria Tereza propunha-me a criação de textos, dos quais ela levava para a sua casa e trazia-os corrigidos gramatical e ortograficamente, e sempre fazia uma observação sobre o meu desempenho, para incentivar-me a prosseguir a escrever.

Tirante a chegada do Homem à Lua, três coisas marcantes ocorreram em sala de aula, que são lembranças queridas. A primeira foi que a professora incentivou as crianças a convidar os respectivos pais para entrevistas, com o objetivo de cada progenitor falar sobre a sua profissão. Nem todo pai compareceu, é claro, pelo horário inadequado, mas muitos prontificaram-se a colaborar e foi bastante estimulante ter o "seu Milton", meu pai, ali a falar sobre seu trabalho, quando explicou o funcionamento da Câmara Municipal; o que faziam os vereadores e como funcionava a máquina legislativa municipal. Um dos mais ovacionados, foi o pai de um amigo meu, chamado, Wlademir, que por ser um marceneiro muito habilidoso, levou vários artefatos que fazia com madeira, além da sua caixa de ferramentas para as crianças examinar
Na entrada da nossa residência, na Rua Quatá, eu, Luiz Domingues, ao lado de mais um Volkswagen que meu pai teve na década de sessenta. Este em específico, tinha uma cor exótica, fora das cores tradicionais da montadora, por ser dourado, bem forte e que logo ganhou o apelido de "douradinho", a chamar a atenção nas ruas. Meu pai está ao volante para posar na fotografia. No canto superior esquerdo, tem um pedaço da fábrica de televisores, com seus dois galpões industriais, bem grandes. Foto de 1969, em uma tarde após o almoço, ao preparar-me para ir para a escola e meu pai, voltar ao trabalho. Acervo familiar.  

Outra atividade escolar muito estimulante, ocorreu quando certo dia, a classe formulou perguntas para alguns artistas idosos que moravam em um retiro chamado, "Casa do Ator", na rua de mesmo nome e vizinha da nossa escola, pela face do enorme pátio que tínhamos. Tratava-se de uma instituição que dava abrigo a artistas veteranos e sem recursos no final de suas vidas, ou seja, era um asilo corporativo. A maioria dos idosos que ali moravam haviam sido artistas circenses, mas a justificar o seu nome, havia alguns veteranos atores, também. E o pai do meu amigo, Wlademir (sr. Orlando Chiari), criou um simulacro de microfone, todo estilizado em madeira, para as entrevistas ser conduzidas pelos alunos. Sentimo-nos "importantes", como verdadeiros jornalistas a usar tal artefato...

E finalmente, a terceira atividade que marcou-me em 1969, foi quando a professora instituiu um dia para atividades artísticas entre os alunos. Seríamos artistas e plateia, uns para para os outros. Nem pensava em música, embora estivesse a apreciá-la cada vez mais, mas no entanto, não tinha contato algum com instrumentos musicais. Por isso escolhi um show de mágica, porque meu pai havia presenteado-me com um jogo de ilusionismo, chamado, sugestivamente, "Houdini", que continha um Kit com alguns truques básicos a envolver cartas de baralho; lenços que enrolavam-se e desatavam o nó de forma surpreendente, pequenas transformações a envolver química, como água a tornar-se "vinho", mediante algum reagente "secreto"; moedas "mágicas" que desapareciam e surgiam em lugares inusitados etc. Minha mãe confeccionou uma capa e uma cartola para eu usar. Treinei durante a semana inteira para não fazer feio, e lá fui eu. Mas a gritaria dos coleguinhas mais preocupados em desmascarar-me, frustrou a minha expectativa. Bem, não fui nada convincente como "mágico", essa é que foi a verdade.

Fora disso, em 1969, o segundo ano primário foi muito tranquilo, com a segurança em estar ambientado e com uma professora muito compreensiva, que eu gostava muito. Só fiquei triste (e toda a criançada da classe), quando no último dia de aula, ela comunicou-nos que no 3º ano, que cumpriríamos em 1970, ela não estaria mais conosco e que uma nova professora ministraria as aulas. Mas assim é a vida, pessoas que entram e saem o tempo todo de nosso convívio. Expresso mais uma vez aqui o meu agradecimento à Dona Maria Tereza Rebouças da Silva, por toda a ajuda que prestou-me em 1968 e 1969, não só pelas aulas, muito importantes por si só, mas também pela sua docilidade e principalmente pelo incentivo que deu-me para escrever, ao perceber o meu apreço pela atividade. Dedico os capítulos sobre 1968 e 1969 à essa bondosa professora, da qual nunca mais tive notícias e que ao elaborar tais relatos, pesquisei na Internet para saber alguma notícia sua e nada encontrei. Espero que esteja viva e bem, e também deduzo que tenha a idade octogenária, ou quase isso, nos dias atuais, 2016.

Último ato do meu ano letivo de 1969, com o boletim nas mãos dos meus pais e a notificação que estava aprovado para cursar o 3º ano do curso primário no ano subsequente, 1970, meus pais queriam comemorar a minha façanha e seguimos então para o bairro do Brooklin, onde jantaríamos em um restaurante famoso ali estabelecido, perto da marcante estátua do Borba Gato, um ícone do bairro. Chovia, nesse que foi um dia do início de dezembro e no cruzamento da Avenida Santo Amaro com a Avenida Morumbi, vimos uma senhora na ilha, entre as pistas a tentar atravessar com tempo curto ante um carro que aproximava-se. Foi imprudência dela, certamente, pois ali continha semáforo, bastava esperar, mas ela achou que dava e não contava que a pista molhada traísse-a com um escorregão. Daí foi a freada e a visão terrível de sua cabeça a chocar-se com o farol esquerdo de um Karmann Ghia branco, e o sangue e a água da chuva a misturar-se na pista. Meu pai abandonou o nosso carro de imediato e foi socorrer a senhora. Uma ambulância chegou relativamente rápido ao local do acidente e levou-a para o hospital mais próximo, e nunca mais soubemos de seu estado e nem mesmo seu nome. Só sei que meu pai usava um terno branco nesse dia, que ficou inutilizado depois do banho de sangue que levou, ao misturando-se à água da chuva, e assim, o nosso jantar foi cancelado. E pior que isso, a cena ficou perpetuada na minha memória.


No campo da cultura...


Ainda a aproveitar o gancho escolar com o qual tratei acima, o fato de estar bem melhor alfabetizado, com o segundo ano completado, fez com que minha vida como leitor voraz, intensificasse-se. Além dos gibis e dos jornais e revistas que vinha a devorar desde 1968, quando juntei as sílabas primordiais e comecei a entender a linguagem escrita, os livros entraram com força na minha vida. Em uma primeira instância, passei a ler a biblioteca caseira, a priorizar coleções que eu já tinha desde a tenra infância, como os contos dos Irmãos Grimm, e os tomos da enciclopédia "Trópico", que adorava desde 1963, mas que só havia absorvido parcialmente por conta de ouvir minha mãe ler em voz alta, a suprir o meu analfabetismo daquele instante. Agora, que estava independente nesse quesito, reli-os, e no caso dos tomos do "Trópico", foram muitas releituras.
Para acrescentar novas perspectivas, seis coleções com muitos tomos cada, entrou com tudo na minha vida entre 1968 e 1970, graças a onda de livros lançados em capítulos avulsos em forma de fascículos, nas bancas de jornais, com o objetivo de ser encadernados a posteriori, com capa dura a ser vendida ao final dos capítulos entregues. Foram típicas produções da Editora Abril Cultural, que ganhei de minha madrinha, que teve a paciência de comprar os fascículos por meses a fio, encaderná-los e entregar-me prontos, como presente. Duas coleções foram de história; uma de geografia; outra de psicologia /comportamento / sociedade; um dicionário da língua portuguesa, bem robusto, em três tomos, e a última, histórias bíblicas, também em três volumes e um livro pequeno como complemento, a apresentar biografias de santos da Igreja Católica.  

As coleções de história chamavam-se : "Grandes Personagens da Nossa História" e "Grandes Personagens da História Universal". Muito apreciador da matéria, desde muito pequeno, claro que fiquei enloquecido com as duas coleções, que guardo com muito carinho, até hoje.  

A coleção sobre geografia, chamava-se : "Geografia Ilustrada", que gostava muito, também, mas que obviamente ficou defasada, muito rapidamente, com as mudanças óbvias da Geopolítica e dos índices sociais, naturalmente.  

E a mais intrigante e que coincidiu com o fim da infância e começo da chamada "pré-adolescência" (esse termo, aliás, nem era usado na época e a mentalidade usual era a de que a infância prolongasse-se até os treze / quatorze anos e a adolescência começasse lá pelos quinze, sem fase intermediária entre as duas...), foi  : "O Livro da Vida". Praticamente um livro a enfocar aspectos da psicologia; sociologia e ciências sociais em geral, chamou-me a atenção para temas adultos, de uma forma singular.

Aprendi muitas coisas sobre o comportamento humano, do ponto de vista psíquico, ao ler as matérias dessa coleção, assim como foi uma boa introdução ao estudo do funcionamento geral da sociedade. Devo dizer no entanto, que anos depois, ao rever tais matérias, tornei-me crítico de muitos pontos de vista ali expressos. Não obstante ter sido publicado entre 1969 e 1970, a visão dos psicólogos e sociólogos que forneceu suporte aos redatores que escreveram-nas, é muito conservadora e em muitos aspectos, atacou com veemência a contracultura, sem fazer a leitura isenta, mas pelo contrário, a expressar opiniões sem nenhum embasamento plausível a não ser pelos preconceitos enraizados e idiossincrasia pura. Ainda bem que desenvolvi um senso crítico para separar as opiniões e não aceitar assim as afirmativas ali expressas, sob vários aspectos, como uma verdade inexorável... 

Mas o importante em 1969, foi que os livros estavam na estante, e agora alfabetizado, eu estava a desfrutar deles !

A falar sobre TV...  

Bem, se "Mod Squad" era meu seriado policial predileto desde o ano anterior, nesse ano de 1969 (e assim permaneceria nos anos vindouros e eternamente, eu diria), passei a gostar também bastante de "Mannix", cujo tema musical de abertura eu reputo ser um dos mais belos da história da TV, e claro, assinado por um mestre, o compositor / maestro, Lalo Schifrin.  

"Joe 90", na mesma estética de "Thunderbirds" (filmagem com marionetes de plástico), foi muito interessante, ao apresentar a saga de um cientista jovem e fora de série.  

"Tarzan", com o ator, Ron Ely, apesar de destoar do Tarzan dos filmes trintistas que eu adorava (com o ator tosco, Johnny Weissmüller), era bom, e eu afeiçoei-me. Tudo bem, foi um Tarzan modernizado que dirigia jipe, falava bem e parecia um sujeito civilizado normal, mas eu gostava do seriado, mesmo assim ao quebrar a tradição do personagem.
"Lancelot Link", foi um seriado feito com macacos estilizados como agentes secretos, e era hilário. Aliás, a seguir a tendência da época, havia aparições de bandas de Rock com chimpanzés cabeludos, como seus componentes...

"The Flying Nun" ("A Noviça Voadora"), foi sem dúvida um dos mais adocicados e tolos seriados já produzidos, e naturalmente que não tinha um mote que agradasse-me integralmente, mas apesar de seu excesso de candura piegas, eu gostava da atrapalhada, irmã Bertrile (Sally Field). "Daktari" e "Jim das Selvas" também entraram no meu cardápio de seriados de aventuras. 


E "Night Gallery" ("Galeria do Terror"), entrou para o meu rol de favoritos. Se já adorava "The Twilight Zone", foi mais do que natural que seguisse com entusiasmo outra série de Rod Serling, e mesmo por ser menos Sci-Fi e mais terror, gostava imensamente daqueles contos com atmosfera lúgubre, muito semelhantes aos filmes da produtora britânica, Hammer, embora esta fosse uma produção norteamericana.  
Muitas séries mais antigas e que estavam na grade da TV em reprise, passei a gostar, também. Apesar de ser um dramalhão quase em tom folhetinesco de novela, gostava de "Peyton Place" ("A Caldeira do Diabo"), que quando descobri, achei ser algo relacionado ao terror, por conta de seu nome traduzido para o português, mas logo notei que tratava-se de mais um título ridículo que um "gênio" do marketing inventou, a destoar completamente do título original em inglês. Na verdade, foi uma alusão infeliz ao fato da série ser ambientada em uma minúscula cidade interiorana norteamericana, e haver uma rede de fofocas e intrigas entre seus habitantes. Em suma, quase uma novela mexicana, mas tudo bem, Mia Farrow bem nova, fez tudo valer a pena...
Caso também de "O Santo", uma série que eu já gostava em 1965, mas que voltei a assistir em 1969. E claro, "The Avengers", uma série britânica sensacional, baseada em espionagem.
"Garrison's Gorillas", sensacional igualmente, por ser ambientada na Segunda Guerra Mundial e inspirada no filme "The Dirty Dozen", onde soldados degenerados recebem o perdão de seus crimes ao aceitar formar um esquadrão para missões de alta periculosidade. Bem, seriado ambientado na Segunda Guerra Mundial, nem precisava ser bom para eu gostar...

Quando a TV Record anunciou que "Lost in Space" ("Perdidos no Espaço"), sairia do ar e uma nova série de Irwin Allen a substituiria, fiquei muito contrariado. Como assim não vai passar mais ? E nessa época, nem sonhávamos com videocassete, que mal havia sido lançado na América, e no Brasil entraria no mercado só em 1982... portanto, e agora ? Nunca mais vou ver o Dr. Smith ? 

Então, quando os primeiros episódios de "Land of the Giants" ("Terra de Gigantes"), começou a passar, confesso que assisti-os com uma certa prevenção, ao não admitir que gostava...  

Cheguei a adquirir um sentimento de raiva recôndita em relação ao personagem, "Fitshugh"(interpretado por Kurt Kasznar), pois não admitia que um vilão "inferior" substituísse o meu querido "amigo", o Dr. Smith (Jonathan Harris)...
Claro, com o tempo pus-me a deixar de lado a má e tola impressão e assim, passei a apreciar declaradamente a saga dos passageiros da nave, "Spindrift", que desejavam apenas viajar de Los Angeles à Londres naquela nave supersônica, do "futuro de 1983"... e foram parar em um planeta igual à Terra, mas com um detalhe diferente, apenas : todos os seus habitantes eram gigantes e os terráqueos, "Little People", ou "pequeninos" como a dublagem em português traduziu e imortalizou entre nós...  

Não é a minha série predileta do Irwin Allen, continuo a considerar as demais que já citei amplamente em capítulos anteriores, melhores, mas gosto bastante de "Terra de Gigantes" e inevitável, quando coloco para funcionar os  DVD's dos dois Box Set que possuo com a série completa, assisto os capítulos com muita nostalgia dos domingos de 1969 e 1970, em que vivi a assisti-la.

Em 1969, acompanhei e apreciei muito uma série ambientada no velho oeste (mais uma...), chamada : "High Chaparral". Sei que já elogiei muitas trilhas de seriados, mas devo ressaltar que o tema de abertura de "High Chaparral", é de uma beleza ímpar, com aspecto típico de Western, e muito vibrante, tanto quanto "Bonanza".  
Em termos de desenhos animados, estava a conhecer e apreciar obras como : A Corrida Maluca; Breezly & Sneezly; A Família Buscapé; a safra da Deppatie-Freleng (A Formiga e o Tamanduá; Tijuana Toads; Rolland and Rattfink etc), que foram animações que acompanhei com bastante interesse. 
 Sobre filmes na TV, nessa altura, fim de década, a produção sessentista mais recente também já era exibida na grade da TV, embora as sessões com filmes clássicos das décadas de vinte em diante, continuassem a ser exibidas, fartamente. Filmes feitos quase em tom de seriado, com curta duração, como os que enfocaram Sherlock Holmes (com Basil Rathbone a interpretar o Sherlock, que foi um ator que eu reconhecia dos filmes em que ele participara, do dito gênero, "capa e espada", dos anos trinta, e quarenta), e Charlie Chan, ou seja, dois personagens sensacionais da literatura policial em filmes das décadas de trinta e quarenta, ambos ótimos.  

E foi por volta de 1969 que também comecei a ter contato com filmes de arte europeus, mas através da TV, ainda. Assisti alguns filmes de Fellini e Truffaut na TV, nesse ano.  

Um filme que fora produzido na verdade nos anos cinquenta (falo do remake de 1959, pois tal história já havia sido realizada como filme, nos anos trinta), e que quando foi exibido na TV Excelsior em 1969, gerou comoção além do normal, foi "Imitation of Life" ("Imitação da Vida"), um drama de bom nível, é verdade, a narrar a saga de uma mulher e sua filha a tentar sobreviver e com a ajuda da empregada doméstica e também mãe de uma menina da mesma idade da filha da patroa, que culminam em ser criadas, juntas. Então elas ficam ricas, pois a empregada criara uma panqueca de receita inimitável e que industrializada, faz enorme sucesso. Até aí nada demais, uma história sobre superação, mas o conflito racial por conta da filha da empregada que por ser mulata queria ser tratada como "branca", dá a tensão ao filme, pois ao maltratar a própria mãe por conta de sua rejeição à própria raça, causa a comoção. O enterro da mãe negra, ao estilo dos cortejos fúnebres de New Orleans, gerou choradeira e de fato, a audiência naquela noite foi tão expressiva que foi motivo de notas nos jornais, no dia seguinte. "São Paulo chorou", como disse o apresentador popular, "Bolinha", ao ver a arrependida personagem, Sarah Jane, a  correr aos prantos atrás do carro fúnebre que conduzia o caixão de sua mãe. Sinceramente, gosto mais da versão dos anos trinta (1934, para ser preciso), com a atriz, Claudette Colbert, mas essa versão mais melodramática é boa, também, apesar dos excessos. 

Lembro-me com saudade das sessões com filmes épicos por ocasião da Semana Santa de 1969. Ter visto canastrões como Victor Mature e Charlton Heston a interpretar heróis bíblicos, constitui-se em uma lembrança boa que guardo sobre esse ano.  

Adorava assistir os filmes "Western de um ator chamado, Audie Murphy, e tornei-me ainda mais seu fã quando descobri que ele fora um herói de guerra "de verdade", na II Guerra Mundial, condecorado e tudo, que tornara-se ator por acaso.  

Também foi por volta de 1969 que assisti meus primeiros filmes do diretor britânico, Alfred Hitchcock. Fiquei louco por "Saboteur" ("Sabotador"), e ""Dial M for Murder" ("Disque M para Matar").  

Sobre "Saboteur", escrevi resenha em meu Meu Blog 1. Eis o Link abaixo para checar minhas impressões sobre tal obra : 

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2012/06/saboteur-hitchcock-teoria-da.html 

Tornei-me muito fã do ator, Sidney Poitier, ao ver alguns de seus filmes que já passavam na TV, provenientes de sua filmografia do final dos anos cinquenta e início dos anos sessenta, mesmo caso dos filmes do Jerry Lewis e da "Turma da Praia", com Frankie Avalon & Cia, produções do começo da década e claro, a filmografia do Elvis até então, incluso, "King Creole", que é o meu filme predileto do Rei do Rock.

Um programa muito soturno, e que beirava o mau gosto pelo seu caráter tenso ao estilo de um verdadeiro "Tribunal da Inquisição", foi uma atração da TV Record que chamava-se, "Quem Tem Medo da Verdade" (?). Com um tom perverso, um promotor atacava um réu, que era sempre uma personalidade do mundo artístico; social ou esportivo e mesmo que seu "advogado" (geralmente uma celebridade, igualmente), argumentasse bem, o tribunal do júri quase sempre condenava a personalidade, sob um tom sombrio, carcomido por preconceitos.

Escrevi uma matéria a falar dessa atração de mau gosto na TV, a conter mais detalhes, no meu Blog 1. Eis abaixo o Link para saber mais sobre tal atração televisiva :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2015/05/quem-tem-medo-da-verdade-por-luiz.html
                        O controverso jornalista, Clécio Ribeiro

Outro programa polêmico que surgiu nesse ano de 1969, foi comandado por um jornalista chamado, Clécio Ribeiro. Sujeito temperamental e conhecido pelas grosserias (era um dos "jurados" mais agressivos de "Quem Tem Medo da Verdade", que citei acima). Nessa outra atração que apresentava na TV Bandeirantes, seu foco foi "provar" com todas as evidências que fomentaram a lenda urbana em voga, que o baixista dos Beatles, Paul McCartney, havia morrido em 1966, e que a banda estava desde então com um sósia em seu lugar. A lenda urbana existia de fato e a quantidade de supostas evidências, mostrava-se enorme, contidas em diversos "sinais" espalhados pelas capas dos discos, nas músicas em si e nos promos da banda para o cinema e TV. Clécio exaltava-se com as capas dos discos e fotos na mão, colocava trechos de músicas que teriam "mensagens codificadas" e mediante seu estilo agressivo, segurava a audiência, semanalmente nessa ladainha.

Sobre essa lenda urbana, também produzi uma matéria, aliás enorme, e que obrigou-me a desmembrá-la em três capítulos. Eis abaixo o Link dos três capítulos, para saber dessa história, com detalhes. Depois conte-me se acredita que o Paul McCartney morreu em 1966, e esse sujeito que está vivo e a realizar shows até hoje, ao lotar estádios de futebol, é na verdade um sósia chamado, Billy Sheers...

McCartney Vivo ou Morto - Capítulo 1 :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2012/05/mccartney-vivo-ou-morto-parte-1-por.html 

McCartney Vivo ou Morto - Capítulo 2 :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2012/05/mccartney-vivo-ou-morto-parte-2-por.html 

McCartney Vivo ou Morto - Capítulo 3 : 

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2012/05/mccartney-vivo-ou-morto-parte-3-por.html

Um programa exibido na TV Cultura, também despertou-me a atenção. Mesmo por ser criança ainda, já admirava e queria entender o mundo dos adolescentes. E nesse programa, chamado "Jovem Urgente", apesar das conversas ali fomentadas ter sido meio pesadas para o meu caso, ao ter apenas nove anos de idade na ocasião, gostava de ver as questões levantadas pelo psiquiatra, Paulo Gaudêncio, como mediador, ao questionar uma plateia formada por jovens sobre assuntos tabu, tais como : sexo; relação com os pais; rebeldia; drogas etc. Ousado demais para 1969 e com a ditadura militar a entrar no seu pior momento, foi inacreditável que tenha ido ao ar e durado um certo tempo, até. Mas conversa intelectualizada a parte, o que eu gostava mesmo era de ver as atrações musicais. Ali tocaram os Novos Baianos; Mutantes e outros artistas ditos "jovens" e isso foi sensacional...

Já que falei sobre música... 

Em 1969, minha aproximação com o Rock já mostrava-se bem mais forte. Através das ondas da Rádio Excelsior, novas descobertas eu pude fazer, além de tudo o que já sabia, acumulado dos anos anteriores em que vinha a acompanhar. Nessa altura, já tinha conhecimento do som e das figuras de Jimi Hendrix e Janis Joplin e achava incríveis os seus sons que ouvia na rádio e também o visual ultra hippie que via nas fotos. 
Descobri também o som de "Sly and the Family Stone", e claro, foi uma das descobertas que fez com que eu criasse um vínculo eterno de admiração com essa banda, que eu adoro.

"Shocking Blue" com a incrível vocalista, Mariska Veres; a banda grega, "Aphrodite's Child"; e o "Steppenwolf",  cujo compacto a conter "Born to Be Wild", meu primo mais velho possuía e um dia ao perceber o meu interesse que era maior que o dele, resolveu doar-me, são exemplos de descobertas que fiz em 1969.
Os Mutantes já eram realidade no meu rol de predileções. Nessa altura, "Ando Meio Desligado" já tocava bastante, assim como outras músicas e claro que adorava os comerciais que eles fizeram para a companhia petrolífera, Shell, na época. Aliás, eu relacionava as imagens dos comerciais, cheia de energia Rocker e jovem, aos seriados de "The Mod Squad", que eu adorava, pois era a mesma formação afinal de contas : três freaks : uma moça linda e dois rapazes cabeludos.

No bojo, muita música pop descartável também vinha para a minha audição, mas ouso dizer, até o pop comercial da época tinha seus encantos. E aos poucos, pus-me a ia tomar conhecimento dos grandes nomes do Rock.
Quatro notícias a envolver o mundo do Rock e da contracultura em geral, foram amplamente divulgadas na imprensa e eu as recebi com muita atenção.

1) O novo disco dos Beatles saiu, a mostrar uma capa inusitada e que pareceu uma ideia banal na época, mas que ninguém, muito menos eu, poderia imaginar que aquilo seria uma das capas mais icônicas não só da história do Rock, mas da música em geral e da indústria fonográfica. O Fab Four a atravessar a rua em direção ao estúdio Abbey Road, onde gravaram todos os seus discos, em Londres. "Só isso"...


2) Para reforçar todo o tipo de ataque ao movimento Hippie; contracultura; cultura pop & afins, a morte bárbara da atriz Sharon Tate e alguns amigos, durante a invasão de sua residência, por um grupo de fanáticos dispostos a trucidar pessoas inocentes em prol de... de... o que mesmo pregavam esses sádicos imbecis ? Pois é, fora uma seita maluca denominada, "Família", liderada por um psicopata chamado, Charles Manson e que dizia ouvir vozes a dar-lhe instruções para afrontar o sistema e que as mensagens que captava seriam sinais subliminares que descobria nas letras de canções dos Beatles, notadamente as músicas do LP "White Album", de 1968. Ao usar o sangue de suas vítimas, escreveram trechos de letras desse disco pelas paredes da mansão de Sharon Tate, que na época era casada com o cineasta polonês, Roman Polanski. 


Pronto... foi tudo o que a imprensa conservadora precisou para atacar com veemência os hippies, pois Manson e seu bando de abduzidos tinham visual igual ao dos hippies, além de toda essa loucura sobre as letras das canções dos Beatles, e certamente seriam usuários de drogas alucinados e incontroláveis, movidos a LSD e outras substâncias bem identificadas / estigmatizadas com a imagem dos cabeludos em geral etc. Foi um duro golpe para o movimento, ser confundido em seus propósitos por conta de um crime horrendo, cometido por uma cambada de sádicos psicopatas...

3) Sim, em agosto, a imprensa noticiou o Festival de Woodstock. Muito incomum dar esse tipo de notícia, primeiro pelos motivos óbvios, e em segundo lugar, porque ao contrário dos "Festivais de Rock" da atualidade, que são ultra comerciais e mais parecem-se com uma lanchonete dessas americanizadas que tem em toda esquina, ali, havia uma pureza de propósitos absoluta e portanto, não havia essa ideia mercantilista em cima do Rock. Ali fora um Festival com ideais culturais pura e simplesmente e o fato de ter atraído mais de quinhentas mil pessoas de uma forma incrivelmente surpreendente e espontânea, com uma plateia formada por Hippies, chamou muito a atenção. Claro, comentários em tom de desaprovação foram a maioria e aos nove anos, já tinha uma certa percepção de que os comentários não procediam e eram em 99% , fruto de ignorância; preconceito ou por professar interesses contrários. 

4) Quando a peça "Hair" foi encenada no Brasil em 1969, gerou uma polêmica incrível na imprensa. Falar sobre Movimento Hippie; cabeludos; Rock; drogas, desobediência civil; protestos anti guerra do Vietnã e a questão do "amor livre", chocou a conservadora sociedade brasileira e com a agravante de estarmos em plena fase de endurecimento total da ditadura militar de direita. Revolucionária ao extremo, a peça driblou todas as adversidades e foi um sucesso tão grande no Teatro Aquarius de São Paulo, que sobrepujou toda a onda de críticas.

Claro que chamou-me a atenção essa movimentação toda e apesar de que eu demoraria um bom tempo para conhecer a peça em seu teor e decorar as músicas (que adoro), na época, além de tudo isso, as regravações das músicas do espetáculo por artistas do universo pop, só reforçou a minha simpatia por "Hair". Um exemplo dos mais significativos seria a versão de "Aquarius" e "Let's Sunshine in", duas canções fortíssimas da peça, que o quarteto vocal de Soul Music, Fifth Dimension lançou, e que eu adorava ouvir no rádio e que também logo pude assistir como promo de TV.

Ouça / veja abaixo a versão do Fifth Dimension para as duas músicas que citei acima : 

Sobre "Hair", peça teatral de 1968, com 1ª montagem brasileira de 1969, e filme de 1979, escrevi uma matéria em 2011 para o Blog do Juma. Eis a republicação em meu Blog próprio, em 2012, com o Link abaixo :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2012/01/hair-deixe-luz-do-sol-brilhar-por-luiz.html

Simonal, que eu já gostava desde 1966, ao vê-lo constantemente na TV, estava a explodir em 1969. E agora eu gostava ainda mais, porque ele estava ainda mais perto dos signos que estavam a influenciar-me. Mais perto da Soul Music do que do Samba-Jazz que notabilizara-o antes, ficava ainda mais atrativo ao meu gosto, fora o visual que também estava mais jovem, com bandana na cabeça, a parecer um Hippie. Gil e Caetano estavam em Londres, mas Tom Zé estava aí e foi o doido da vez na MPB contracultural.

Comecei a prestar atenção em uma cantora baiana com voz incrível e com uma postura super Hippie, chamada : Gal Costa. Adorava ver suas performances na TV, acompanhada por músicos freaks, sob uma loucura só.

Minhas primeiras alegrias advindas no futebol vieram em 1969...
A acompanhar conscientemente o futebol, enfim, foi nesse ano, tardiamente eu sei, que comecei a interagir com a bola, nas brincadeiras com amigos.

E estava bem atrasado em relação aos demais, pois a maioria dos meninos da minha idade já tinha uma técnica de domínio dos fundamentos, e eu não. Demorei para melhorar no trato à bola.
Em 1969 e 1970, eu fui considerado "grosso" pelos colegas e eles tinham razão, eu era mesmo. Só fui esboçar melhorias em 1971, por conta de ter esforçado-me para melhorar minha técnica,
e só lá por 1973, senti-me apto para competir em igualdade de condições, tecnicamente falando.

E em 1969, tive minha primeira alegria verde, conscientemente, também... Palmeiras, Campeão Brasileiro de 1969... e vamos para a Taça Libertadores de 1970... 

A notícia da morte de Cacilda Becker, uma atriz muito celebrada no meio teatral, teve grande projeção na imprensa. O fato de ter passado mal durante uma performance no palco, só engrandeceu o imaginário geral, ao dar conta de que morrera a exercer a sua arte com a máxima dignidade possível. Meu conhecimento sobre tal artista restringia-se aos teleteatros que a vira encenar na TV Bandeirantes no ano anterior, 1968, e através de reprises de um filme que ela protagonizou nos anos cinquenta (1954), "Floradas na Serra", que aliás, gosto muito.

"Perdidos no Espaço" havia saído da grade da TV, por ter encerrado sua 3ª e derradeira temporada. Mas em 1969, ainda era tão forte a sua fama entre crianças e adolescentes, que um álbum de figurinhas causou furor nas bancas de jornais e revistas.

Meu pai comprava pacotes e mais pacotes para o meu deleite e claro que a excitação pela expectativa em abrir cada pacotinho e achar uma figurinha rara, foi um dos prazeres infantis mais incríveis que guardo na memória. Colar uma a uma no álbum, em pleno uso da clássica "goma arábica", e assim cometer aquela sujeira incrível e deixar as mãos inteiramente meladas, fora o forte odor da cola que impregnava-se na roupa, para desespero da minha mãe, enfim, são lembranças muito queridas. Bem, acho que consegui estabelecer um panorama geral do que o ano de 1969, representou em minha vida. Agora, seria seguir em frente, um pré-adolescente com múltiplos interesses, em franca expansão cultural a encarar a chegada de 1970... pra frente, Brasil... mas... onde está o motor da "Variant", hein, Rogério Cardoso ?



Continua...

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