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sábado, 31 de dezembro de 2016

A Chave do Sol - Jornais do Fã Clube - 1984 / 1987

A Chave do Sol

Jornais do Fã Clube  -  1984 / 1987

A ideia da criação do jornal foi natural quando a banda viu-se num momento de franca expansão e isso concretizado nas manifestações que recebíamos da parte de fãs, pela mais prosaica, porém eficaz maneira de sentirmos tal temperatura, ou seja, pelas cartas que avolumavam-se na nossa histórica caixa postal, "19090, São Paulo"...

Portanto, um informativo contendo um apanhado de nossas atividades, visando alimentar os membros do Fã-Clube com tais informações, tornou-se uma necessidade premente e com o decorrer do tempo, tal expansão da banda, associada à demanda do próprio Fã-Clube, numa consequência direta, justificou tal esforço da nossa parte.
Claro, não dispúnhamos dos melhores recursos, pois apesar dos avanços nunca chegamos ao mainstream e consequentemente criarmos condições financeiras a gerar uma grande estrutura No entanto, houve época em que chegamos a ter um funcionário remunerado (o saudoso Eduardo Russomano), e planos para rodar o jornal em gráfica, tendo que contratar diagramador profissional etc etc. Um protótipo do jornal foi criado ainda em 1984, mas só a partir de 1985 é que o lançamos de fato e começamos a distribui-los ao associados do fã clube, em princípio gratuitamente, mas logo isso tornou-se inviável e passamos a cobrar pelo serviço.  

Eis abaixo, todos os seus exemplares :


Por volta de outubro de 1984, a ideia do jornalzinho do fã clube ganhou força e finalmente tornou-se real, com a criação do protótipo, com o número "0" a denotar o seu piloto. Essa é a capa do jornal, com lay-out super simples, e evidentemente, dadas as nossas parcas condições para produzir algo mais profissional que um fanzine ao nível infantojuvenil de diretório acadêmico de escola secundária, mas a intenção era ótima. Independente disso, dimensões a parte, imitava o lay out de qualquer revista, com manchetes secundárias e uma principal.


Eis a página 1, trazendo mais dados sobre o novo vocalista, o gaúcho Chico Dias e retratando-o com uma foto do acervo pessoal dele, mostrando-o numa cena dúbia, em sua casa, com nítida intenção de fomentar a polêmica. E também uma foto da banda em situação imediatamente anterior, mas muito atual naquela ocasião, falando da gravação do primeiro compacto, que estávamos divulgando a todo vapor, no decorrer de 1984.


A página 2, do número inaugural do jornalzinho do Fã Clube, chamado "piloto número zero". No canto direito central, uma brincadeira envolvendo o Rubens Gióia em termos de "Quiz" para os fãs, revela uma tentativa de não ser um fanzine sisudo, apenas dando notícias sobre o cotidiano e conquistas da banda, mas também com capacidade para brincar com os fãs e levávamos em consideração que um grande contingente de nossos fã era formado por adolescentes e jovens adultos recém saídos da adolescência.


A página três do jornal do fã clube, com mais informações e fotos. 


A "barra" pesou, monetariamente falando, pois não obstante o volume de associados crescer em proporção geométrica, nossos recursos mal conseguiam seguir um crescimento aritmético e sustentável. Portanto, quando decidimos lançar enfim o jornal de número 1, em junho de 1985, só o viabilizamos através de uma simplificação radical, fazendo uso de uma única página, mais parecendo-se com um "memorandum" de empresa corporativa. E nessa altura, já havíamos gerado mais novidades radicais, como a troca de vocalistas e a gravação de um novo álbum em curso. Com pouco espaço, a diagramação é sofrível, assemelhando-se a um trabalho escolar mal feito, mas era o que dava para fazer. Fora os erros crassos de português, e daí, não vou escorar-me no fato de que não tínhamos verba para contratar um revisor profissional, isso era um fato, sim, mas claro que como responsável pela elaboração do texto, isso era da minha inteira responsabilidade e ao falhar, peço desculpas generalizadas. 


Em setembro de 1985, a partir do jornal número 2, conseguimos enfim atingir uma meta, com a criação da periodicidade trimestral sendo cumprida. E abandonando o pudor ante a realidade dos fatos, começamos a cobrar pelo envio do jornal e com uma verba inteiramente gerada pelo próprio Fã Clube, viabilizamos o formato antigo, mais robusto, com duas páginas e muito mais textos e informações. Outra novidade, abolimos a ideia de uma capa com manchetes e otimizamos a página "1", com mais boxes e consequentemente, mais tópicos e informações sobre a banda. 


A diagramação não melhorou muito, mas ao menos tentava ser funcional. Tudo feito na base da régua e canetinha esferográfica e texto sendo datilografado "na raça", sem nenhuma noção técnica de diagramação profissional, ou seja, tudo no "olhômetro", como um trabalho escolar feito por adolescentes, mas, servia e muito aos nossos propósitos !


Mais uma boa novidade, com a verba auto gerada, pudemos aumentar ainda mais o volume da publicação, voltando ao formato de quatro páginas com o qual concebemos o número "zero", em 1984.


E com o aumento de páginas, a possibilidade de criar-se mais boxes, com muito mais informação e também com a chance de criar-se muito mais boxes de teor lúdico, para brincar com a imaginação dos fãs da banda, a exemplo da sessão de fofocas, onde eu, como redator e editor do texto, divertia-me em imitar descaradamente o estilo de colunismo Sócio / Rocker que eu adorava ler nas páginas da revista "Rock, a História e a Glória", nos anos setenta, através do jornalista Ezequiel Neves, que assinava como "Zeca Jagger"


E como gostávamos de mudar de vocalista, hein ? Essa busca frenética pelo frontman adequado, prejudicou-nos em muitos aspectos, sem dúvida. E falando especificamente da página acima, a sessão "Stars', salvo comprovados depoimentos, agia como tabloide sensacionalista britânico, ou seja, publicava boatos como se fossem verdades absolutas, sem comprovação das fontes. Nunca inventamos nada, mas bastava tomarmos conhecimento de um rumor e sendo algo a favor da banda, publicávamos, sem checar nada. Não sendo jornalismo profissional e havendo o interesse na autopromoção, questão ética a parte, achávamos válido agir dessa forma...


Última página do fanzine número 3, de janeiro de 1986, e com os créditos dados a Eliane Daic (Lili) e Claudio de Carvalho. Lili de fato trabalhava para a banda como produtora e muitas vezes ajudou no fã clube, em várias tarefas mecânicas como envelopar cartas aos fãs, por exemplo, mas nunca foi dirigente ou responsável pelo fã clube, só emprestando o seu nome para disfarçar o fato de que os verdadeiros responsáveis eram eu, Luiz Domingues e o José Luiz Dinola. O mesmo caso do Claudio, que era um ótimo amigo da banda, e que ajudou-nos em tarefas "quebra galho" muitas vezes, mas nunca ajudou efetivamente no fã-clube, apenas emprestando o seu nome para tirar-nos a pecha de amadorismo pelo fato dos próprios membros da banda cuidarem do fã clube...


Bem,o jornal de número 4, apresentou-se com alvissareiras novidades para a banda e de fato, vivíamos um momento excepcional de oportunidades múltiplas que faziam o nosso telefone tocar, espontaneamente.


Muitas novidades nessa edição de abril de 1986...e a menção que eu participei de um debate promovido por uma renomada revista de circulação nacional, sobre o "Heavy Metal", é verdade, não vou omitir, mas pensando hoje em dia e eu já pensava isso fortemente na época... o que estava fazendo ali ??


Os vazamentos para caber sílabas do texto, impossíveis de alojarem-se pela falta de espaço, chegam a ser singelos, pela nossa falta de estrutura para lidar com isso com um mínimo de recursos gráficos adequados. A sessão fofoca é hilária com Luiz "Zeca Jagger" Domingues em ação embora eu afirme, nada era mentira, mas confesso, algumas coisas eram super valorizadas para dar um "clima extra"...


Só boas novas em abril de 1986...a próxima edição do jornal haveria de ser ainda mais animadora...


Eis o fanzine na sua edição número cinco, em julho de 1986. Realmente esfuziante com tantas boas novidades sobre o "momentum" da banda.  


Jet set do Rock...ha ha ha e dá-lhe Zeca Jagger !!


Nessa página, um curioso apanhado sobre os vocalistas anteriores que A Chave do Sol teve antes da entrada do Beto Cruz na banda. E a presença de vários detalhes ilustrativos colocados a esmo, tornou-se um tipo de ornamento bem usado, mas convenhamos, o que significa o crânio diabólico na margem direita inferior ? Não tínhamos nada a ver com o Heavy-Metal em voga naquela década, mas ele perseguia-nos...


Fase boa com show anunciados e outros recentemente realizados...


Ostentando o selo do escritório de empresários artísticos que havia contratado-nos, estávamos mega animados em termos fechado contrato com eles e de fato, todos os indícios apontavam para o sucesso, com mãos profissionais a gerenciar nossa carreira que deslanchava espontaneamente por uma série de fatores ocorridos no decorrer de 1986, e certamente impulsionados pelos nossos esforços iniciados em 1982...


Rubens Gióia olhando para a bruxa em debandada...hilário


De fato, como diz a legenda da foto do Zé Luiz Dinola, nesse show do Teatro Mambembe, nós tocamos um repertório todo de músicas novas. Não é um expediente recomendável para nenhum artista, mas arriscamos e a resposta foi magnífica. Isso dá a dimensão de como essa fase da banda tem muitos admiradores, só perdendo em popularidade para a fase clássica do power-trio que realçamos muito entre 1983 e 1984, graças às cinco aparições que fizemos no programa "A Fábrica do Som", da TV Cultura de São Paulo.


Uma geral sobre a então recente viagem de Beto Cruz à Nova York e os equipamentos que ele trouxe na bagagem


Por força das circunstâncias, só alardeou-se mesmo a nossa associação com o escritório de empresários que contratou-nos, em janeiro de 1987, quando já estávamos profundamente descontentes com a condução da parte deles do nosso gerenciamento de carreira e a poucos passos do rompimento de contrato. Uma pena...mas mesmo assim, ainda tínhamos boas novas para divulgar.


O episódio da nossa apresentação na TV Record interagindo com o indefectível "Menudo" é contado bem rapidamente.


Que bom seria se o histórico TBC (Teatro Brasileiro de Comédia"), um teatro nobre da cidade de São Paulo, tivesse aberto suas portas de fato para shows de Rock com regularidade, mas não foi o que aconteceu, apesar de termos passado tal esperança no box dessa página acima.


Bravamente, após termos rompido com o escritório que empresariava-nos, tentávamos recuperar o fôlego perdido.


Ainda com boas novidades e todas geradas pelos nossos próprios esforços.


Bem, no Box "Fã Clube", foi totalmente desnecessário o desabafo e deselegante até, apelando feio em certas colocações, certamente. Reflexo de nossas frustrações pelas seguidas demonstrações de rejeição da parte das gravadoras, mas a despeito da banda ter razão em alguns aspectos, era inexorável que tirante algumas músicas com teor pop que possuíamos, para a cabeça dos produtores que davam as cartas no mercado naquela década, nosso espectro artístico não tinha chance alguma e ponto final...


Hilária a história do roadie Edgard Puccinelli Filho envolvendo a Roberta Close. De fato, eles conversaram na rua, mas a história foi bem edulcorada para ficar engraçada no box...


Esse foi o último número do jornal do fã clube e o teor das notícias publicadas reflete o clima de incertezas. O box a retratar a foto da banda no canto  inferior direito da foto, é mais que melancólico, mas quase denuncia o desespero da banda em sentir-se sem perspectivas, vendo as oportunidades que eram tão esplendorosas, indo para o ralo...


Tempos difíceis, o anúncio sobre os componentes ministrando aulas, só reforçavam os sinais. De fato, no meu caso, Luiz Domingues, foi em julho de 1987 que iniciei essa atividade paralela e que levei até 1999...


Triste o anúncio da suspensão do jornal aos fãs. Mais que uma derrota do fã clube, refletia o momento difícil da banda e ainda ninguém sabia nesse momento, apenas nós da banda, Zé Luiz Dinola estava deixando a banda e sua participação na confecção do próprio jornal fora mais a título de camaradagem, pois já nem sentia-se com vontade mais de empreender tal tarefa. 


Desabafo sincero no Box "Chave Situação", mas certamente muito triste. Reflexo de nossa situação naquele instante. A banda ainda lutaria até o final de 1987 e lançaria o seu derradeiro álbum. O fã clube continuaria junto, mas focado só em ações simples como responder cartas e enviar filipetas de shows, tocado só por um membro, eu mesmo, Luiz Domingues e sem o apoio fundamental do colega José Luiz Dinola...paciência era o que tínhamos e assim foi.
Portanto, o número 9, lançado em julho de 1987, foi efetivamente o derradeiro jornal do fã clube da Chave do Sol.

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