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domingo, 31 de janeiro de 2016

Pedra - Capítulo 15 - Trancos e Barrancos de um Fuzuê - Por Luiz Domingues



Luiz Domingues em ação com o Pedra, no Bourbon Street de São Paulo, em 2013. Foto : Bolívia & Cátia


Depois do show do Bourbon Street, as atenções voltaram-se para gravarmos uma nova safra de canções, finalmente, e finalizar o álbum cuja gravação fora iniciada em 2009, e interrompida em 2011. Mas antes disso, uma nova solicitação de entrevista para um Blog de Rock, surgiu. Tratava-se do Blog Rock Imortal, gerido pelo mesmo editor do Blog Planet Polêmica, onde eu era colaborador desde 2011. Tal boa entrevista, ainda que bem curta, saiu em maio de 2013, portanto, um pouco antes da banda entrar em estúdio para finalizar a gravação do disco empacado.

Eis o Link para lê-la :

http://rockimortal.blogspot.com.br/2013/05/entrevista-com-banda-pedra_8.html


Pedra no Bourbon Street de São Paulo, em 2013. Foto : Grace Lagôa

Foi então no mês de junho, que o Xando mobilizou-se, para abrir uma brecha no seu estúdio em relação aos clientes que usavam-no, e reservou algumas datas para nós podermos realizar esse esforço de gravação. Nessa altura, tínhamos muitas músicas novas para gravar e num dado instante, chegou-se a cogitar o lançamento de um álbum duplo, tamanha a quantidade de músicas compostas, e a maioria já arranjadas e prontas para gravar. Da parte do Xando, ele queria aproveitar algumas que compusera no hiato que o Pedra teve em 2011. Uma chamava-se "Furos nos Sapatos", um Hard Rock bastante vigoroso e que segundo dizia-nos, a letra tinha grande significado pessoal para ele. Sinceramente, nunca soube a razão por esse apreço especial em relação a essa letra, mas o Ivan Scartezini confirmou-me isso várias vezes, embora nunca tenham contado-me a real motivação disso. Portanto, deixo o convite ao ouvinte, que use a sua imaginação para tentar buscar a razão disso ou aguardemos que o Xando venha a público um dia e esclareça essa questão. Outra música que ele demonstrava ter muito apreço pessoal, chamava-se "Queimarás no Inferno". Gostei de ouvir a gravação que ele fizera com Ivan e Marcião Gonçalves a pilotar o baixo, em 2011. Mas claro que quando começamos a ensaiar, criei minha própria linha. Acho até que a linha de baixo do Marcião é melhor que a minha, mas não teria cabimento subtrair suas ideias, portanto, quando a gravei, coloquei a minha identidade, aliás, o mesmo caso de "Furos nos Sapatos", que ele também havia gravado antes, provavelmente como material da banda que fundaram, o “Mulad Trem”. Agora que o Pedra havia voltado, o Xando quis reaproveitar tais canções para o nosso trabalho e de fato, elas tinham potencial e muita qualidade para encaixarem-se na nossa obra.
Acima, a versão solo de Xando Zupo para "Queimarás no Inferno", lançada em 2016 
Eis o link para ouvir tal música no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=wSuBJZ-ffcw

Todavia, "Queimarás no Inferno" foi descartada na época, e recentemente (2016), o Xando lançou-a em caráter solo, com Ivan Scartezini na bateria e agora a acrescentar convidados especiais, caso do saxofonista superb, André Knobl; o histórico rocker, Norton Lagôa, no baixo, e Fernando Janson, no vocal. Havia uma terceira música nessas mesmas condições, mas o Xando, após alguns ensaios, suprimiu-a do repertório, alegando ter dúvida sobre  ela ter o mesmo padrão artístico em relação às demais do Pedra.  
"Não há Nenhuma Paz", canção descartada para o repertório do Pedra, mas que o Xando lançou em caráter de carreira solo, em 2016.
Eis o link para escutar essa música no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=VqtgxO6xI9I
De fato, era uma canção híbrida, parecendo-se com um Hard-Rock acelerado, quase no limiar do Heavy-Metal, e que em sua parte C, mudava completamente. Justamente essa parte era a que eu mais gostava, por ser bastante R'n'B sessentista, portanto, abria um campo excepcional para o baixo “swingar’ fortemente, com meu lado "Motown" impelindo-me para esse desfecho. Uma pena portanto, que ele tenha resolvido descartá-la, pelo aspecto musical, pois pelo teor da letra, essa, e a anterior que citei, "Queimarás no Inferno", também, são absolutamente antagônicas aos meus ideais pessoais.
As duas canções que ele lançou agora em 2016, são ótimas, super bem tocadas e arranjadas, com excepcionais participações e áudio exemplar. Posso até afirmar que as aprecio e é verdade, pelo aspecto meramente musical, mas o teor das letras; a mentalidade expressa; e até o título de ambas, em caráter explícito a afirmar com todas as letras a expectativa de vida sob o ângulo do desolador colapso humano, desagradam-me frontalmente, portanto, pensando nesse aspecto, ainda bem que não entraram no disco do Pedra, e eu não esteja envolvido com elas, diretamente.
Havia duas canções que eram da leva de 2010, mas que apesar de bastante ensaiadas, não foram gravadas na época, portanto a ficar engavetadas. Uma chamava-se, "Segunda-Feira", e a outra, "Luz da Nova Canção". Essa "Segunda-Feira" parecia um R'n'B mais modernoso, anos noventa para frente, e tinha muito do estilo do “Jamiroquai”. Eu gostava de tocá-la, pelo sabor funkeado que possuía. E "Luz da Nova Canção", que eu reputo ser uma das mais belas canções que o Rodrigo já compôs na sua carreira, e considere-se que ao comparar com o que ele fez para o Sidharta; Patrulha do Espaço e o próprio Pedra, realmente é inacreditável a qualidade de sua criação. Uma balada fortemente influenciada pelo R'n'B cinquenta / sessentista, e com toque “Beatle” acentuado, trata-se de uma canção que emociona e se fosse composta por Ray Charles, teria sido muito natural, também...
Rodrigo não só compôs uma pequena obra-prima, como arranjou-a nos "conformes" das tradições vintage, portanto, tinha tudo para ser uma das melhores faixas do disco e ao vivo, já estava incorporada ao set list dos shows, desde a volta da banda em 2012, a arrancar elogios rasgados das pessoas. A letra é do parceiro e amigo, Cezar de Mercês, que brindou-nos com uma poesia à altura da canção. Gosto muito das imagens inspiradas dessa letra e a frase de onde extraiu-se o título da música, é a meu ver, muito inspiradora : "Luz da Nova Canção". Chega a ser profético, para quem liga-se em esoterismo.
                Luiz Domingues & Rodrigo Hid, nos idos de 1996

Outra canção que demorou para decidirmos gravar, foi "Abstrato Concreto". Essa música tem uma longa história. Quando o projeto do Sidharta começou a avançar, ainda em 1997, tal canção foi a primeira que surgiu no esforço para dar início ao trabalho de criação dessa banda. Era uma canção que eu compus ao violão, levando-a para as primeiras reuniões de criação. Começamos a ensaiá-la numa primeira abordagem que eu imaginara-a, com forte influência de Soul Music sessentista. Tanto foi assim, que antes de ganhar letra e ter um título oficial, ela foi apelidada entre nós como "Jackson Five", fazendo alusão ao estilo dessa grande banda negra. Nós a ensaiamos assim por alguns meses, mas percebendo que não estava cem por cento do jeito que a desejávamos, radicalizamos, ao promover uma mudança drástica, nela. O Rodrigo acrescentou uma cadência harmônica antes inexistente e sugeriu que usássemos uma letra escrita pelo seu pai, Tufi Hid, nos idos de 1974, chamada "Abstrato Concreto". 
      Rodrigo & Tufi Hid : Talento que passa de pai para filho
Apreciamos as mudanças e a letra, a fazer um jogo de palavras muito interessante e de certa forma a evocar a loucura como percepção, ou seja, era "muito anos setenta" e encaixava-se como uma luva para o nosso projeto que buscava fortemente os signos retrô, para o trabalho dessa banda. Com tais mudanças, a música mostrou-se muito mais próxima ao trabalho dos Beatles, doravante, a ficar muito bonita, portanto. O Sidharta fundiu-se à Patrulha do Espaço, mas no momento crucial, das vinte e duas músicas que conduzimos a ser aproveitadas pela Patrulha, dez ficaram de fora dos planos iniciais, e essa foi uma delas. Foi quando da volta do Pedra, em 2012, que o Rodrigo sugeriu a incorporação dessa canção que era nossa em parceria e a contar com a letra do seu pai. Eu aceitei a ideia na hora, naturalmente. 
O Rodrigo fez uma terceira modificação na sua concepção e ela ficou muito parecida com o trabalho do Terço, o que agradou-me muito, e aos demais numa primeira impressão. Mas o tempo foi passando e o Xando foi mudando de ideia. Aquela "feição prog" que a canção ganhara, incomodava-o, e quando ela já estava para ser descartada, o Rodrigo teve um novo lampejo de criatividade e começou a improvisar um piano ultra R'n'B sessentista, num balanço incrível, e daí surgiu o formato de “Abstrato Concreto” como foi gravada, enfim, e que tem o estilo do Joe Cocker, e se ele, Cocker, tivesse-a conhecido, fatalmente a incluiria nos seus discos do final dos anos sessenta / início dos setenta. 
Parecendo-se uma canção do LP ”Mad Dogs and the English Men", só falta mesmo a voz do Cocker conduzindo-a, com aquela rouquidão e dramaticidade, à beira de um ataque epilético.

Outra canção que o Rodrigo mostrou-nos, parecia um Blues-Rock numa primeira instância. Nós a arranjamos nesses termos, mas com o decorrer dos ensaios, uma parte "C" foi incorporada e aquele “looping” criado ficou tão impressionantemente progressivo e esotérico, que tornou-se puro “Yes”. De fato, ficou belíssima, e recebeu o nome de "Siga o Sol".
Mudando de assunto, quisera eu ter arrumado para o Pedra uma entrevista no Programa do Jô Soares, ou no Altas Horas do Serginho Groisman, em plena Rede Globo. Isso foi tentado quando consegui o apoio de Cida Ayres, minha velha amiga dos tempos do Língua de Trapo, em ação empreendida em 2010, mas não redundou em sucesso, infelizmente, e nem assim fiquei com mágoa da Cida que eu sei que esforçou-se para ajudar e se não logramos êxito, não era o caso de apontar "culpados". Portanto, se nos últimos tempos eu só arrumara uma entrevista na rádio CBN e entrevistas em Blogs de pouca expressão midiática, era o meu máximo ali, não por preguiça, mas pelo fato de esbarrar em barreiras intransponíveis naquela altura dos acontecimentos. A contrapartida mais realista e que nunca entrara na pauta do dia, seria o caso do Pedra adaptar-se à uma nova situação e encarar o mundo off do off, mas a banda abriria mão de a cada show levar um backline exagerado, como se fosse apresentar-se no Rock in Rio ? Abriria mão de não contratar roadies, a encarar a simplicidade dos seus próprios músicos carregarem e montarem seus equipamentos ? Aceitaria tocar em bares com palquinhos minúsculos e sem estrutura de som e luz adequadas ? Poderia encarar shows onde estivesse sem técnicos de alto padrão como Carneiro; Sprada & Molina ? Abriria mão de contratar equipes de filmagem para todo show ? Em suma, havia inúmeros aspectos que amarravam o Pedra, e mudanças profundas deveriam ter sido cogitadas a meu ver, mas nada disso veio à baila e sobrou apenas a insatisfação pelos resultados pífios que essa banda gerava, diametralmente opostos à sua qualidade artística. E essa avaliação não era justa na minha visão. Diante desse quadro pesado de insatisfação, sem perspectivas para shows em vista, a gerar uma gravação emperrada e tendo a sua atribuição técnica a avançar exclusivamente sobre os ombros de um componente apenas, Zupo, o clima ao final de 2013 era muito semelhante ao do período de 2010, que culminou com o fim da banda em 2011, e assim confirmava a minha suspeita de que a perspectiva de uma volta sob expectativa mais amena, fora mera retórica, pois ao chegar-se no gargalo estrutural dessa banda, a velha tensão voltaria. A diferença, era que agora eu não enxergava mais como a banda poderia sobreviver artisticamente, visto que essa tensão estava sobrepujando a criação, ao contrário de 2010, onde eu achava que a obra superaria as insatisfações pessoais. E ao perder a minha tenacidade, que sem dúvida alguma era o combustível vital da minha carreira, desde 1976, e da qual orgulhava-me muito, um sinal amarelo acendeu-se, em minha percepção, lastimavelmente. Assim encerrou-se o ano de 2013, com tensão no ar, e isso só não estava minando-me mais intensamente, pois minha vida estava dividida naquele instante e nos outros trabalhos que eu mantinha em paralelo, o clima era amistoso, e com alegrias até, portanto, a tensão no Pedra não tinha carga total sobre minha vida naquele instante. Infelizmente, aquilo estava a massacrar psicologicamente o Xando, que só tinha o Pedra na sua vida naquele instante, e eu lamento muito isso pelo aspecto humano, e também por considerar que a despeito de ninguém merecer isso, acrescento que muito menos o Xando, pela grande pessoa que ele é. Nesse aspecto, eu solidarizava-me com ele, embora não concordasse com a sua visão forjada sobre tal diagnóstico mau avaliado da situação da banda, naquele instante.

Rodrigo tinha outro tema progressivo, muito bom, mas que desdobrava-se em canção pop, o que era inusitado. Tal ideia fora uma que queria ter gravado num disco solo, que planejara lançar em 2004, assim que deixou a Patrulha do Espaço, mas como entrou no Pedra logo a seguir, tal projeto engavetou-se. Foi objeto de muitas discussões, pois o Xando oferecia enorme resistência em gravá-la, alegando que apesar de teoricamente não fosse contra temas progressivos, por outro lado, achava-o inviável comercialmente falando. Sendo assim, em sua ótica, em pleno 2013, conceber tal peça cheia de partes e enorme introdução sob virtuosismos instrumentais, era algo contraproducente. Ao raciocinar como um produtor de gravadora major, tinha razão, mas como o que fazíamos ali era arte e não produto de alto consumo para colocar na vitrine de uma padaria, eu e Rodrigo, principalmente insistimos em incluí-la no álbum. Mas, apesar das resistências inerentes, ela acabou sendo gravada, embora descartada sumariamente, assim que o álbum virtual foi lançado, infelizmente. 

Chico Teixeira, um bom artista folk, sendo compositor; cantor e instrumentista
Outra canção que o Rodrigo tinha em mãos e na verdade estava gravada desde 2010, chamava-se "A Cara da Gente". Tratava-se de uma canção com forte apelo Folk e marca "Beatle", acentuada. Eu gostava da canção; do arranjo, e a linha de baixo que criei. Mas o Xando tinha forte rejeição por ela, desde que fora gravada em 2010. Rodrigo apreciava-a muito, e a letra era de seu amigo, Chico Teixeira, filho do compositor, Renato Teixeira. Xando não gostava da letra e também não apreciava a canção. No quesito letras, o Xando adotava postura de mão de ferro, e se em tais avaliações que estabelecia, não passasse em cem por cento do seu crivo, e entenda-se isso não como um critério literário, mas muito mais por uma questão de linguagem, baseada em seus signos oitentistas, onde as referências mais recorrentes de seu imaginário eram Lobão e Cazuza, dificilmente ele aceitava letras vindas de outros membros, onde não identificasse tais similaridades com seu espectro de entendimento; emoção e meio de expressão. E no caso dessa letra do Chico Teixeira, ele não aceitava-a e portanto, sua intenção não era incluí-la de forma alguma, e somente pela insistência do Rodrigo, que bancava-a e com meu apoio, ela foi ficando até que na guilhotina final, fosse descartada.
Mesmo caso de uma canção também gravada em 2010, e que ficara ótima, a revelar-se um Hard Rock "zeppelineano", cheio de climas, com muito órgão Hammond, a parecer-se de fato, com uma peça do álbum, "Led Zeppelin III", pronta para explodir. Era uma canção do próprio Xando; seu arranjo ficara ótimo e a gravação, idem. Mas ele tentara escrever uma letra para fechá-la, e não conseguira seu intento. E pelo menos cinco outras tentativas redundaram em fracasso, com ele mesmo descartando-as. Eu, Luiz, sou escritor, mas não sou poeta, embora já tenha elaborado letras para trabalhos anteriores, inclusive gravados oficialmente, caso de discos da Chave do Sol e da Patrulha do Espaço. Meu negócio é escrever crônicas; resenhas & matérias de cunho jornalístico, eminentemente, mas ao observar que tal música corria forte risco de ser descartada pela falta de uma letra, pedi uma gravação da canção e mediante a melodia entoada pelo Rodrigo nela contida, escrevi uma letra. Tal canção passou a chamar-se, então : "Ultrapasso", e tinha um forte apelo libertário, a questionar as convenções da sociedade, mas sem ficar piegas e / ou panfletária, na minha ótica. Lembrava de certa forma, o "Homem Carbono", da Patrulha do Espaço, pelo caráter de libelo, mas creio ter ficado imune à pieguice, assim como, "Homem Carbono".
Infelizmente, essa também foi descartada pelo Xando, que alegou não ter gostado da interpretação do Rodrigo, quando este gravou a voz oficial. Espero que o Xando reconsidere e lance-a no futuro, pois trata-se de uma bela canção e não merece morrer engavetada. Mesmo que descarte a voz do Rodrigo; também a minha letra, e a lance com outra versão.
Havia também muitas vinhetas, que sinalizavam ideias a ser desenvolvidas como músicas, igualmente. Com o tempo passando, chegamos à conclusão de que tais vinhetas poderiam ser gravadas nesse formato, mesmo. 
Uma delas, parecia um Country-Rock / Folk, bem no estilo sulista (referindo-me aos Estados Unidos da América, que fique claro), da Sheryl Crow, com forte apelo pop, também. Apreciamos muito gravá-la, e teria só um vocal que repetiria a palavra, "Xi", a fazer uma brincadeira com as duas línguas, português e inglês, simulando "She". Ficou muito legal essa gravação, e eu lamento que o Xando tenha-a descartado no momento crucial da elaboração do disco. Espero que lance-a um dia. Tem uma duração ínfima, sendo tratada como vinheta, mesmo. Seu swing é sensacional, e o arranjo, a destacar um slide bem caipira norteamericano, é ótimo.
Uma outra vinheta, baseava-se numa ideia que o Rodrigo havia trazido para a banda desenvolver em princípio como uma música, ao estilo do Funk-Rock setentista. Tal esboço inicial ele desenvolvera para compor uma música com o saudoso cantor / ator / poeta / letrista e compositor, Paulo de Tharso, ex-companheiro do Xando, na banda Big Balls. Mas como não logrou êxito a parceria entre ambos, Rodrigo trouxe a ideia para nós, contudo, após poucas tentativas, o Xando alegou não ter apreciado-a por ser “clichê” demais. 
Mas eu não conformei-me com esse descarte assim tão despropositado, e numa ocasião posterior, a sugeri como vinheta, a introduzir uma locução ao estilo dos seriados policiais americanos de TV, dos anos setenta e nesse sentido, o tema criado pelo Rodrigo aos teclados era perfeito, pois parecia tema de abertura de seriados setentistas tais como : “Kojak”; “Baretta”, “Starsky & Hutch” e tantos outros dessa década, a usar e abusar do Funk Rock, cheio de swing, a dar clima de urbanidade total. Eu mesmo gravei a locução, ao aproveitar o fato de que possuo uma voz muito grave, ao estilo dos locutores de rádio de antigamente, com aquela impostação formal, ao estilo do Cid Moreira etc.
Outra vinheta que estava cotada para entrar no disco, era uma brincadeira remota que havíamos gravado num ensaio, em 2009 ou 2010, não lembro-me ao certo. Tal ideia surgiu quando numa conversa informal, comentávamos sobre a extrema ruindade das bandas oriundas da cena "indie", quando em clima de absoluta pilhéria, sob improviso total, o Xando criou um riff horroroso a evocar o Punk Rock, e todos os demais seguiram-no, a tocar grotescamente cada um, no afã de satirizar a incapacidade musical atroz desses seguidores eternos de Malcolm Mclaren, e para intensificar o sentimento, o Xando improvisou uma letra absurda, em inglês. Isso motivou o ultrajante título de "Dad's Cum", e prefiro não traduzir, mas quem entende inglês, pode deduzir pelo título aviltante, a indecente rudeza em que isso transformou-se.
Por muito tempo, a ideia dessa gravação de ensaio, tosca, sem tratamento sonoro algum, e com todo mundo a tocar mal de forma proposital, seria em princípio, uma simples brincadeira interna da banda. Mas num dado instante, alguém aventou a hipótese de que fosse lançada como single de internet, assim, sem nenhum tratamento no áudio, para causar um rebuliço em público. Teria sido algo muito inusitado, pois os fãs da banda não entenderiam o propósito disso, mas nas entrelinhas, teria sido uma forma para ironizar a formação de opinião dos marqueteiros, há décadas a incensar bandas horríveis que fazem esse tipo de som, como se isso tivesse relevância artística. Seria uma forma divertida para desmascarar a desfaçatez desses malditos inescrupulosos, pois o que diriam diante de algo que geralmente afirmavam ser bom ?
Se execrassem-nos, ou se exaltassem-nos, seria a queda da máscara desses crápulas, pelas duas hipóteses. Claro que ríamos muito ao ouvir essa coisa horrorosa, e a ideia em lançar parecia um ato artístico corajoso até, mas no calor dos acontecimentos, ponderamos também que sem apoio por trás, mesmo precipitando com isso com que algumas máscaras caíssem, o poder oculto a comandar o mundo mainstream da difusão cultural, trataria de abafar o caso, e nosso "manifesto" teria efeito de um mísero "traque", diante da bomba atômica que gostaríamos que fosse detonada. Contudo, quando o disco começou a ser finalizado em junho de 2013, com a banda a entrar em estúdio para gravar a nova leva de canções, a ideia de lançar "Dad's Cum", com aquela gravação tosca de ensaio em meio a canções sérias e bem gravadas, ganhou força novamente. Quando o disco foi lançado em 2015, tal abominação não constava do repertório inserido nele. De fato, com a banda desmantelada e a lançar o disco sem alarde, não fazia sentido ter essa peça para causar provocação, e se tivesse entrado, não seria entendida por ninguém, provavelmente a passar a pecha de uma ação extremamente tola. Portanto, fez bem o Xando em não incluí-la, nessa nova circunstância.
Outras quatro ou cinco músicas foram descartadas, não chegando nem a ser arranjadas definitivamente. Gostava de um Blues-Rock que o Rodrigo havia proposto, que lembrava muito o "Humble Pie", e uma com forte apelo nordestino, esta ainda da safra de 2010, que era totalmente no estilo do Pepeu Gomes / "A Cor do Som". Uma pena que não seguiram adiante.
Sobre o início das gravações da bateria, lembro-me que ocorreram bem no início das manifestações de rua de 2013. Todos estavam eufóricos com as imagens que vinham da TV e nos intervalos da gravação, corríamos para ver as notícias que não paravam de mostrar cenas absurdas vindas de São Paulo, Rio e Brasília, principalmente. A Internet também estava abundando com notícias e o Brasil parecia estar a virar de cabeça para baixo. Tudo bem, não era só pelos vinte centavos do aumento da passagem dos ônibus e metrô em São Paulo, mas espalhara-se, a denotar insatisfação generalizada. Todos estavam eufóricos, menos eu, que via com tristeza tais cenas, porque aos meus olhos estava patente que havia uma manipulação clara a insuflar a massa, e o que parecia ser a "legítima demonstração de insatisfação do povo brasileiro", ao ver aquela cambada de vândalos a quebrar patrimônio público e privado, era óbvio que informação e contra informação digladiavam-se nas mesas dos marqueteiros e o povo, mais uma vez estava a fazer papel de palhaço ao ser usado sem parcimônia, na chamada, idiotia útil. Sendo assim, calei-me, claro, para não fazer-me mal compreendido pelos colegas. Nesse calor dos acontecimentos, a parecer que o Brasil entraria em estado de caos governamental, naquela noite inicial das "manifestações", surgiu a ideia de que o nosso disco tinha semelhança com essa suposta "revolução", pelo fato dele estar sendo preparado desde 2009, com direito a interrupção e portanto, sendo muito caótico em sua concepção. Daí, a palavra "Fuzuê" surgiu, e o Xando adorou-a. Não tenho nada contra o conceito e o nome, mas o que todos avaliaram a respeito daquela situação, eu pensava em contrário, ou seja, a óbvia constatação que setores radicais tanto da direita, quanto da esquerda, manipularam a opinião pública na tentativa de perpetrar revolução e contra revolução ao mesmo tempo, portanto, o país a entrar em convulsão como pensavam, não redundaria em nada, a não ser uma mera precipitação visando a troca de poder, exatamente como eu imaginei na hora, mas a guardar a minha opinião internamente, para não ser estigmatizado como "chato" e até mesmo "incauto", visto que até tentativa de incendiar o Palácio do Planalto ocorreu naquela noite, com transmissão ao vivo pela mídia, mas, calei-me...  
Portanto, ao indagarem-me se eu não percebia que algo muito grande estava a acontecer, talvez a querer denotar estupefação diante de algo tão "gritante" e ao verem-me com semblante triste, ao invés de demonstrar estar sob euforia, isso de certa forma mostrava como a minha sintonia com essa banda não existia mais, e talvez nunca tenha existido, em essência. O tempo passou, vieram mais manifestações, mais barulho, mais Black Bloc, e a ameaça de que o Brasil iria explodir a cada novo raiar do sol... mas o tal fuzuê no país não concretizou-se, porque tudo apenas culminou-se num presumível golpe branco, mediante muita manipulação midiática, e digo com tristeza que infelizmente, nem o nosso Fuzuê aconteceu...
Saindo dessa grande revolução pelos tais vinte centavos, uma ótima nova surgiu quando o produtor musical, Antonio Celso Barbieri, recolocou no You Tube, os dois vídeos que havia produzido para o Pedra em 2008, e que por conta de uma mal entendido de ambas as partes, foram retirados do ar, de forma abrupta a gerar o rompimento de relação entre ele e a banda. Muito positiva a atitude dele em acabar com essa rusga e recolocar no ar os dois ótimos vídeos que proporcionou-nos e dessa forma, a banda; seus fãs, e o Rock brasileiro, agradecem seu gesto.
Eis o link de seu site, onde anunciou o relançamento dos vídeos que estão novamente disponíveis no You Tube, desde então.
Eis o link para assistir o clip de Longe do Chão, produzido por Antonio Celso Barbieri, sob imagens do artista gráfico, Paul Whittington. Realizado em 2008, e repostado no You Tube, em 2013.
E também o clip da música “Projeções”, produção de Antonio Celso Barbieri sob imagens do artista plástico, Diogo Oliveira, de 2008, e relançado no You Tube, em 2013.
Com as sessões de overdubs da gravação do disco a ocorrer, tínhamos finalmente uma perspectiva para um show em vista. Graças a um contato do Rodrigo, que costumava apresentar-se nessa casa de espetáculos, com trabalhos em bandas cover que participava paralelamente ao Pedra, uma rara data aberta para uma banda autoral aconteceu no Café Teatro Piu Piu, no coração do Bexiga, na Rua 13 de maio. Apesar do nome ridículo (que só perde em fator de constrangimento para o salão de Rock, "Fofinho"), tal casa noturna era uma das, senão a única da Rua 13 de maio, que ainda mantinha uma tradição de agenda e público assíduo, nessa decadente rua, que há anos não era nem sombra do que fora nos anos setenta e oitenta. Bem estruturada, com palco; som, e luz dignos para uma artista apresentar-se bem, claro que aceitamos o desafio em tocar num domingo, um dia aparentemente ruim para movimentar público. 
Mas o fato é que a nossa divulgação funcionou bem e nós fizemos um bom show para uma plateia inteiramente interessada no Pedra, sem recorrer a habitues da casa e pelo contrário, a própria direção do Café Piu Piu, surpreendeu-se com a presença do público que era do Pedra, sob significativo número e em pleno domingo, aliás, uma noite de inverno e bem fria. Por um pedido da direção da casa, acostumada com bandas cover na maioria esmagadora de sua agenda habitual, pediram-nos para dividir o show em duas partes, a estabelecer uma pausa com cerca de vinte minutos. Prática recorrente em casas noturnas não acostumadas a abrir espaço para bandas autorais, não percebiam que quebrar o show no meio é contraproducente para um artista autoral, a aniquilar a “magia” do espetáculo. Algo imperdoável, portanto. Todavia, tudo bem, apesar de ser inconveniente, aceitamos seguir a orientação deles e de certa forma foi até bom, pois havia tantas pessoas amigas nossas na casa, que esse tempo foi importante para todos os componentes da banda visitar as mesas, a lembrar até a ação de noivos em festa de casamento, a cumprimentar os seus convidados. Encaramos portanto, como uma pequena vantagem, já que o show fora fragmentado, e assim resolvemos fazer as duas "entradas" mais robustas, portanto, a tocar mais músicas do que o tempo normal de um show padrão. 
Pedra em ação no Café Teatro Piu-Piu, de São Paulo, em setembro de 2013. Fotos de Deco Ferracini
Todo mundo gostou, banda & público e minha lembrança foi de um show bastante agradável e com a banda bem ensaiada, a emitir um recado forte no palco. O público aplaudiu bastante, e ali tocamos até músicas inéditas que entrariam no álbum "Fuzuê", em fase de conclusão de gravação, as quais nunca havíamos tocado anteriormente ao vivo, caso de "Abstrato Concreto”. Noite fria de 8 de setembro de 2013, com cem pessoas no Café Piu Piu, aproximadamente.
"Pra Não Voltar" no Café Piu Piu em 8 de setembro de 2013. 
Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=bwRl4p9AZLI
"Jefferson Messias" no Café Piu Piu em 8 de setembro de 2013. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=EQCBQzqZDYM

"Reflexo Inverso" no Café Piu Piu em 8 de setembro de 2013. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=F3anZkDu1oI

Agora, era focar na conclusão do disco e um próximo compromisso ao vivo só ocorreria em novembro. Mas antes disso, em setembro, o Barbieri procurou-nos internamente e propôs um possível show em Londres, na casa, “The Barbican”, onde ele tinha contatos e de fato, tal casa de espetáculos era bem aberta a receber artistas de toda parte do planeta, com um público específico que apreciava com muito interesse, buscar conhecer trabalhos não cantados em inglês, ligados ao Rock, mas também com a possibilidade em mostrar facetas regionais em sua música, que aos ouvidos britânicos, soavam "exóticas". Bem diante dessa possibilidade e vendo que Barbieri estava de bem conosco novamente, ainda bem, demos sinal verde para ele negociar, buscar a viabilidade com possíveis patrocínios etc. Em princípio, ele falou que desejava fazer uma noitada dupla de Rock brasileiro, a apresentar uma banda nova, e uma clássica, no caso, a Patrulha do Espaço. Negociações iniciaram-se, mas Barbieri teve que ir mudando o seu projeto, na medida em que os ingleses reagiam com contrapropostas e dessa forma, a ideia evoluiu para um possível festival de Rock brasileiro, com mais bandas, provavelmente cinco num momento inicial, mas que evoluiu para um número muito maior posteriormente. Talvez para o The Barbican, fosse conveniente tal predisposição, mas um número enorme de bandas inviabilizou completamente a captação de recursos para bancar avião; estadia, e toda a logística operacional para tal, a envolver tanta gente. Uma pena, pois eu conhecia o Barbieri desde os anos oitenta e confiava / confio nas produções em que ele propõe-se a fazer. Como tentativa para angariar simpatias e apoio, ele chegou a abrir petição pública para alavancar a produção, mas o projeto culminou engavetado, uma grande pena.

Eis abaixo, o link da petição que ele abriu : 
https://secure.avaaz.org/en/petition/ROCK_SAO_PAULO_THE_BARBICAN/?pv=0

Outra boa nova em setembro, foi que um programa de Internet, recém lançado e comandado por dois jornalistas top no jornalismo cultural e especificamente Rock, chamado "Heavy Lero", falou de nós, a mostrar nossos discos no ar e a recomendar a nossa banda.
Era comandado por Gastão Moreira e Bento Araújo, dois experts no assunto e dos quais orgulho-me de ser amigo pessoal. Apesar do nome do programa ser infeliz a meu ver, a denotar conter relação como o Heavy Metal (mas na percepção deles a palavra "Heavy" ter a intenção em denotar uma "conversa da pesada"), o programa era ótimo, pela óbvia qualidade de seus apresentadores, a ostentar cultura avassaladora no assunto, e foi uma honra ser citado por ambos. Infelizmente esse episódio que cita-nos, foi retirado do ar no portal do You Tube. Fico devendo o link, mas se o leitor quiser arriscar procurá-lo, quem sabe encontra postado novamente nesse portal da internet, por outra via. Próxima parada : Teatro Olido...
Enquanto as sessões de overdubs da gravação do novo álbum transcorriam, o clima interno na banda estava azedando novamente, pois a agenda estava fraca e não havia perspectivas a curto prazo para sanar essa carência histórica, que essa banda ostentava. Foi quando uma pequena luz surgiu no final do ano de 2013, no entanto, quando o produtor / lojista, Luiz Carlos Calanca ofereceu-nos uma nova data no teatro da Galeria Olido, onde já havíamos tocado uma vez, em 2009. As condições seriam as mesmas de sempre, na base do "show sem cachet, como investimento de carreira"... sei que não era culpa do Calanca, um produtor honesto que admiro e considero um bom amigo, mas eu, naquela altura, com cinquenta e três anos de idade nas costas, a enfrentar pela “bilionésima” vez esse tipo de situação, era no mínimo risível, já que de tão acostumado a lidar com isso na carreira, eu já nem indignava-me mais. Cachets milionários são pagos a rodo em inúmeras ações culturais perpetradas pelas secretarias de cultura, municipal e estadual, para uma privilegiada rodinha de artistas que batem ponto em eventos múltiplos por elas patrocinados, mas outros que não são "amigos do Rei", realmente devem contentar-se com a "grande chance" em apresentar-se de graça, "a investir" na sua carreira. Pois é... vai que um mecenas poderia passar na calçada naquele momento e resolvesse entrar, a impressionar-se com a apresentação da nossa banda, e contratasse-nos para fazer uma turnê mundial abrindo os Rolling Stones ? Desta feita, porém, o Luiz Calanca garantiu-nos que não repetiria o erro de 2009, e só produziria o show com duas bandas. E para melhorar ainda mais as coisas, deu-nos carta branca para escolher a banda que participaria conosco, e nós indicamos o The Suman Brothers Band. Alguns dias antes do evento, eu e Xando fomos ao centro da cidade para olharmos o teatro, e o equipamento havia de fato melhorado, dando-nos a impressão de que poderíamos fazer um espetáculo ainda melhor que o de 2009, pelo aspecto técnico, pois o fato de haver mais tempo hábil desta vez, já seria uma garantia de melhora. Fizemos a nossa propaganda maciça de padrão internet, assim como Calanca e o pessoal do Suman Bro's, mas na véspera do show tivemos uma notícia constrangedora : a Secretaria Municipal de Cultura queria cancelar o espetáculo, e nem havia uma explicação plausível para tal. O Calanca ficou enfurecido, pois era o curador do evento e sentiu-se logicamente desprestigiado, totalmente. Com muita briga, manteve o evento confirmado, mas a Secretaria resolveu antecipar o início do show em uma hora. Essa demonstração unilateral da parte deles, era mais do que arbitrária, agindo à nossa revelia, mas revelara-se um empecilho impressionante para nós que estávamos a quinze dias esforçando-nos para promover a divulgação do show. Além de contrariar o serviço disponibilizado nos cartazes virtuais espalhados em mais de trinta redes sociais de Internet; sites e blogs, tornava a correção impossível quando fora anunciada na véspera. Isso geraria uma confusão tremenda e muita gente fatalmente perderia o show do The Suman Brothers Band, e grande parte do nosso. Isso fora subtrair-nos uma hora, o que certamente atrapalharia ainda mais o soundcheck, quase sempre caótico em teatros do poder público, e sua burocracia interna, massacrante. Calanca estava muito chateado, mas com o espírito de que o horário antecipado era uma grande palhaçada amadorística imposta-nos goela abaixo, mas era um mal menor diante da possibilidade real de que o show tivesse sido cancelado sumariamente, como desejavam. OK, ele tinha razão, melhor absorver esse prejuízo a engolir um cancelamento, no que teria sido muito pior. No dia do show, mobilizamo-nos para chegar cedo ao local, já prevendo a morosidade para abrirem o teatro e os técnicos chegar e colocar-se à nossa disposição. Desta vez, teríamos Molina & Sprada para operar luz e som, respectivamente, e isso dava-nos um alento e tanto. Contudo, o técnico de luz ficou bem incomodado com a presença do Molina e chegou a ir procurar o diretor do teatro para "reclamar" da situação, o que foi uma das coisas mais bizarras que eu já vi, pois de que planeta esse sujeito veio onde um profissional que trabalha exclusivamente para um artista não possa atuar, abrindo caminho para uma reclamação absurda dessas, com o elemento arvorando-se de ser "intocável" ali ? Já o rapaz do som agiu bem mais profissionalmente e atendeu bem o Renato Sprada, dando-lhe todo o tipo de apoio para poder operar o equipamento.
Com Will Dissidente, o hiper animado empreendedor cultural, durante o soundcheck do Pedra, no Teatro Olido, em 2013 
Recebi uma agradável visita no camarim, e já sabia que essa pessoa ali apareceria na hora do soundcheck, pois avisara-me pela Rede Social Facebook. Tratava-se de Will "Dissidente", o rapaz que administra o Blog "A Chave do Sol", que é um verdadeiro museu virtual dessa minha ex-banda dos anos oitenta. Ele tinha compromissos, e não assistiu o show do Pedra, mas foi bem agradável receber sua visita ali. Com Sprada a operar o P.A., tínhamos a certeza de que o show teria pressão de show de Rock e com Molina a providenciar a luz, claro que o visual estava garantido. Se bem que ele avisou-nos que graças ao clima péssimo que encontrara com o iluminador do teatro, nada disposto a colaborar com ele, não teria meios para fazer o melhor que ele sempre queria fazer para nós. Mesmo limitado por fatores alheios à sua vontade, Molina era sempre excelente, sendo muito acima da média de um iluminador comum. A convivência com o The Suman Brothers Band nos camarins, era ótima. Amigos e antenados nos mesmos ideais que os meus e agora tendo Diogo Oliveira, nosso amigo e parceiro em sua banda como componente, melhor ainda. 
Um pequeno vídeo dos bastidores desse show, a mostrar o clima de camaradagem entre as duas bandas e com Xando Zupo a receber um disco duplo e raro do Deep Purple como presente do Diogo, que voltara recentemente da Inglaterra.
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=AAwqPQf-Ub4
O The Suman Brothers Band em ação no show compartilhado com o Pedra, no Teatro Olido de São Paulo, em 2013
Nosso soundcheck foi eficaz e quando entregamos o palco para os irmãos Suman fazer seu apronto, o Victor acabou usando o meu baixo Fender Precision, e caiu-lhe tão bem pela sonoridade da sua banda, que ele usou-o no seu show, também. De fato, acho o estilo de Victor Suman, muito parecido com o do saudoso Rick Danko, e não por acaso, The Band era mesmo uma referência forte no trabalho deles, e coincidentemente, eles iriam tocar uma releitura de uma música dessa banda e que eu adoro, chamada : "Cripple Creek”. Quando estava encerrando-se o soundcheck, já estava quase na hora de abrir a porta para o público entrar, e isso comprovou a nossa tese de que a antecipação inventada pela Secretaria de Cultura, fora um grande erro, pois não havia muita gente na fila, exatamente porque a maioria esmagadora contava com o horário de uma hora mais tarde, conforme anunciado na divulgação que fizéramos.
Não quero parecer um sujeito chato, sempre a reclamar dos erros da mídia, mas convenhamos... de onde a jornalista que redigiu essa nota, tirou a ideia de que eu, Luiz Domingues, fosse um "ex-componente do Tomada" ? No "press release" que fornecemos-lhe, é evidente que essa informação estapafúrdia, não sairia. Então, o que justifica ? Pesquisa no Google ? É claro que em lugar algum isso seria afirmado. Enfim, uma falha lastimável... 
Mais uma vez o Xando mobilizou uma tropa de amigos para capturar imagens visando fazer um vídeo do show completo com muitas possibilidades para uma eventual edição. Medida correta, a meu ver, embora isso gerasse gastos para uma banda que tinha dificuldade para gerar receita. O show do The Suman Brothers iniciou-se, e todos nós assistimos da coxia. Estava muito bom o áudio de onde ouvíamos e a banda estava numa performance matadora. Sinceramente senti-me no auditório “Fillmore”, a assistir a “The Band” tocar para em seguida o “The Allman Brothers Band” entrar em cena e eu a tocar com Greg Allman; Dickey Betts & Cia...
Cheguei a falar isso para o Calanca, que concordou e apreciou o meu devaneio Rocker e do qual ele compartilhou das mesmas ideias, certamente. O The Suman Brothers Band terminou o seu ótimo show e sim, a versão de "Cripple Creek" da The Band, que executaram, foi adorável...
Só não estava gostando do público em pequeno número e claro, amaldiçoando os energúmenos que mudaram o horário do show na véspera, sabotando-o completamente.
"Cuide-se Bem" no Teatro Olido em 14 de novembro de 2013. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=1lecg4Myh98
"Longe do Chão" no Teatro Olido em 14 de novembro de 2013. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=wr9N63hRyYE


Subimos ao palco e o público havia melhorado, mas não lotava o teatro e pelo contrário, apresentava-me a visão de muitas cadeiras vazias em vários pontos do teatro. Não deixei que essa visão desalentadora prejudicasse a minha performance pessoal, mas claro que pensei que além da confusão de horário, o baixo comparecimento era quase uma afronta às duas bandas. Tratava-se de um show num sábado, no período da tarde; o ingresso era gratuito; o teatro todo arrumado; som e luz de bom nível; duas bandas de muita qualidade; localização no centro velho de São Paulo, cercado por duas estações de metrô bem próximas além de dezenas de linhas de ônibus, disponíveis na porta, e finalmente, era um dia quente de primavera, sem possibilidade de chuva e pelo contrário, um dia super ensolarado... ora, por quê aquele teatro não estava totalmente lotado, e com gente do lado de fora a tentar entrar ? 
Pedra em ação no Teatro Olido de São Paulo, em 2013. Fotos 1 a 4 : Grace Lagôa

Bem, conjecturas a parte, o show foi de uma energia incrível. Segundo o meu amigo, Rubens Gióia que estava ali presente, foi um autêntico "Concerto de Rock", como nos velhos tempos. José Luiz Dinola também foi visitar-nos, mas não assistiu nem uma música sequer, porque fora traído pela antecipação do horário, e assim chegou no fim, quando já estávamos no camarim a receber os amigos e fãs. Mais uma vez isento o Luiz Calanca totalmente pelos desmandos da Secretaria, e de fato, ele também fora vítima, tendo ficado muito aborrecido com os acontecimentos desagradáveis que precipitaram uma autêntica sabotagem do show, mas justiça seja feita, e não estou a contemporizar a estupidez na qual caracterizou-se essa antecipação a gerar anti clímax, mas corroborou o fato de que o público desapontou-nos, com antecipação ou não. Claro, no domingo, no Facebook da banda e nos perfis pessoais de todos nós, componentes, ficaram lotados por manifestações de pessoas a afirmar que haviam perdido um grande show das duas bandas e que queriam saber onde seria o próximo, e que dessa vez, não os perderiam... um fenômeno típico de internet, era um misto de preguiça com escárnio, que tornou-se comportamento padrão para muitos... aconteceu em 9 de novembro de 2013, no Teatro da Galeria Olido, em São Paulo. E cerca de duzentas pessoas sentaram-se nas suas poltronas vermelhas, para assistir e ouvir a nossa performance.

Show completo do Pedra no Teatro Olido, em 9 de novembro de 2013. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=DEVtfzCfjh0

Daí em diante tivemos mais um longo hiato, onde as velhas tensões consumiram-nos novamente. Sempre que ficávamos sem perspectivas, tal tensão crescia e o clima azedava no interno da banda, lastimavelmente. De minha parte, sou péssimo em relações públicas. Portanto, minha ajuda nesse campo poderia resumir-se a passar contatos que estava conhecendo por estar atuando em outras bandas, com muito maior giro para tocar ao vivo, no entanto, eram contatos em sua maioria num circuito onde o Pedra não encaixava-se, e sempre que eu sugeria alguma coisa, era de pronto rechaçado, sob a argumentação de que tais estabelecimentos sugeridos não apresentarem estrutura adequada para a nossa banda. Tinham razão em observar isso, mas infelizmente era o que eu tinha a oferecer naquele momento. Minha ajuda mais significativa estava ocorrendo na internet, onde já mais familiarizado com esse universo e a atuar naquela ocasião em mais de trinta redes sociais simultaneamente, fazia muita divulgação de nossa banda, a angariar simpatias, agregando mais admiradores & fãs, além de eventualmente arregimentar entrevistas, caso da entrevista que viabilizei na Rádio CBN, graças a esse tipo de contato, mais entrevistas em Blogs etc. Mas eu entendia a insatisfação generalizada embora não concordasse com a visão que forjara-se, a considerar desinteresse em dar suporte à banda e o quanto a irritabilidade gerava-se se pensado dessa forma. Entendia também a sensação ruim sobre trabalhar sozinho por longos períodos (no caso do Xando), no sentido de que por nenhum dos demais ter conhecimento mínimo de operação do equipamento para prover a gravação e mixagem, isso deixava-o isolado nesse trabalho, que é por natureza, monstruosamente maçante, a subtrair-lhe horas e horas de sua vida. Nessa lógica, enquanto ele desgastava-se tremendamente dentro do estúdio, a perder semanas, meses até, e portanto a prejudicar significativamente a sua qualidade de vida, ficara a impressão de que não havia contrapartida alguma dos demais, e isso potencializara-se pelo fato de todos estar envolvidos em trabalhos paralelos, a agravar, portanto, a percepção de que havia desleixo e descaso da parte dos demais componentes. Não entrarei no mérito dos outros colegas, pois aqui eu retrato a minha autobiografia, e o ponto de vista é meu, portanto, a falar do meu caso, apenas. Entretanto, era claro na minha percepção que por ocasião em que resolveram acabar com a banda em 2011, como eu ficaria pessoalmente, doravante, não foi levado em consideração naquela ocasião, pelos colegas que tomaram tal decisão com firmeza absoluta. Esse é um ponto. E eu tive que aceitar a decisão e tocar a vida para frente. Agora, a banda voltara, mas eu tinha sim outros trabalhos e não abriria mão deles, predisposição que deixei clara desde o início da conversação sobre uma "volta", portanto, não podia aceitar isso como um ato deliberado de minha parte para prejudicar o Pedra, mas como uma contingência da vida, dadas as novas circunstâncias configuradas. Resumindo, não era aceitável que ninguém imputasse culpa, uns aos outros pelas dificuldades gerenciais que a banda atravessava, mas eu entendia, valorizava e era solidário ao Xando, na questão que já enfatizei, ou seja, pelo fato de que ele estava mesmo trabalhando sozinho e alucinadamente nessa produção, no tocante ao trabalho de estúdio. Nunca deixei de reconhecer isso e pelo contrário, achava que essa sobrecarga era injusta, opressiva e no caso dele que tinha uma personalidade ansiosa por natureza, estava a fazer-lhe um mal terrível. Por outro lado, sendo eu e os demais, Hid & Scartezini, completamente leigos nessa seara da gravação profissional e digital de áudio, nada podíamos fazer para auxiliá-lo. Com a falta de apoio que tínhamos do Renato Carneiro, que tão bem trabalhou nos discos anteriores e agora impedido em auxiliar-nos por conta de estar o tempo todo na estrada a operar ao vivo o áudio de uma dupla sertaneja mainstream (Bruno & Marrone), tal contingência precipitou essa carga inteiramente nos ombros de Zupo. 
         Xando Zupo, em foto de 2007. Click de Grace Lagôa
Uma lástima, portanto para a banda e para ele, pessoalmente. Uma solução humana para tirar-lhe desse inferno, teria sido contratar um técnico, mas com um caixa sempre baixo, devido à dificuldade em agendar shows com regularidade sustentável, essa hipótese era quase inviável e havia um componente a mais. Exigente, e isso era compreensível, não seria qualquer profissional que ele aceitaria, portanto, não seria uma coisa tão fácil, mesmo se houvesse recursos e não havia. Uma tentativa para resolver-se tal situação desconfortável, deu-se quando eu e Rodrigo sugerimos a participação de Kôlla Galdez, um técnico amigo nosso, e que operara a gravação do CD ".Compacto", da Patrulha do Espaço, em 2001. De fato, ele foi contatado e ajudou o Xando um pouco, a fazer trabalhos de automação de mixagem, mas isso não aliviou muito a carga pesada sobre a qual o Xando estava sendo submetido. Portanto, deixo claro mais uma vez que entendo que na ótica dele houvesse uma sensação ruim, que impelia-o a nutrir muita insatisfação em relação à situação, mas a equação dessa lógica que formulara, estava baseada em elementos errôneos, e pior, não ajudava a solucionar os problemas estruturais da banda. Enfim, o clima pesou e a gravação e finalização desse processo foi arrastando-se, pois o Xando estava sobrecarregado, muito cansado e sua ansiedade natural estava a minar-lhe o seu bem estar psicológico, a nutrir assim, uma mágoa generalizada, mas não levando em consideração os problemas estruturais da nossa banda e sua histórica inadequação para atuar num circuito off-mainstream; entrar num circuito mediano ao estilo Sesc; ou arregimentar um empresário minimamente preparado para ofertar-nos perspectivas melhores, como fatores gritantes que amarravam essa banda, tradicional e infelizmente. Além disso, não levava em consideração que nossos pequenos esforços de colaboração, principalmente de parte do Rodrigo e da minha parte, era o melhor que poderíamos oferecer, naquele instante. 
Luiz Domingues, no camarim do Avenida Bar, de São Paulo, em agosto de 2007. Foto : Grace Lagôa

Passados muitos meses em absoluto hiato de oportunidades, sem ao menos ações midiáticas que dessem-nos alentos, é claro que a tensão estava a intensificar-se, infelizmente. Foi quando surgiu enfim uma perspectiva, e seria uma nova aparição na casa de shows, Bourbon Street, inseridos que fomos na festa da revista Blues’n Jazz, mais uma vez. Ficamos curiosos, pois a apresentação que fizéramos em 2013, fora permeada por problemas, a começar pelas ameaças que tivemos em termos as portas cerradas para nós, doravante ali naquela casa, por conta de seu gerente artístico ter considerado que tocáramos num volume muito alto, além do padrão dos artistas que ali apresentavam-se normalmente, mas pior que isso, considerando que pensar que adotáramos postura de rebeldia infantojuvenil em não acatar as solicitações que fizeram-nos para abaixar o volume, e não foi nada disso, conforme já expliquei anteriormente, quando comentei sobre esse show. E para piorar as coisas, havíamos sido hostilizados por seguranças e funcionários desse estabelecimento ao final do show, portanto, achávamos que ali não tocaríamos nunca mais. Mas o dono da revista Blues’n Jazz, Helton, novamente convidou-nos a participar de sua festa mensal e supostamente baseada na promoção de sua revista. Aceitamos, pois desta vez ele sinalizou um cachet melhor, e diante do quadro difícil que enfrentávamos, nossa postura não podia ser outra a não ser aceitar. Naquela semana em que o show foi marcado, eu tinha um compromisso fixo que assumira em todas as quartas, graças ao surgimento de uma nova banda na minha vida, denominada "Magnólia Blues Band", portanto, a rigor, foi a primeira vez em que minha situação em acumular quatro trabalhos simultaneamente, gerou um conflito de agenda, mas que foi contornado, mediante aviso prévio, e a providência que adotaram em convidar um baixista como atração da noite em questão, a atuar como convidado especial, e no caso, tratou-se de um veterano famoso na história do Rock Brasileiro, sendo Rodolfo Braga, ex-Joelho de Porco. E para agravar, naquela semana em específico, minha agenda pessoal estava lotada, pois haveriam shows de todas as outras bandas onde atuava naquela ocasião, em dias diferentes, e até uma participação especial numa ex-banda, onde atuei no passado. Portanto, toquei como convidado especial em duas músicas no show da Patrulha do Espaço, no domingo, no Centro Cultural São Paulo; ensaiei com o Pedra na segunda; ensaiei com o “Nudes” de Ciro Pessoa na terça; toquei com o Pedra no Bourbon Street na quarta; fiz show com o Nudes, na quinta, no Teatro Parlapatões; e dois shows com os Kurandeiros em casas noturnas diferentes na sexta e sábado. Isso dava a dimensão do quanto o Pedra estava reduzido na minha vida nessa época, e falo isso sem nenhuma intenção em estabelecer qualquer margem que seja para o leitor interpretar como soberba de minha parte, tampouco manifestação de desdém pelo Pedra, em hipótese alguma, que fique bem claro !! Apenas estou reportando ao leitor, que a vida levara-me a diminuir a importância dessa banda na minha vida, e isso falando tecnicamente apenas, pois em nada tinha a ver com o respeito, orgulho e carinho que tinha pelo trabalho e respeito; consideração & gratidão por tudo o que essa banda representou / representa na minha carreira. Porém, acho que esse episódio de sobreposição de trabalhos, somado ao cansaço em deparar-me com o fato de que minhas opiniões não eram muito consideradas na condução dos rumos da banda e o clima sempre tenso que a falta de perspectiva rendia-nos, são elementos que explicam com clareza o meu distanciamento gradual dessa banda, infelizmente.
Bem, falando desse show em si, ponderei com os demais que era hora de minimizar gastos e esforço desmesurado, além do que, havia o clamor da parte do contratante para que tocássemos com menor volume. Fiz minha parte, e sabedor que a casa tinha um amplificador baixo, importado e com boa qualidade, mediante gabinete duplo de caixas da mesma marca, comuniquei aos demais que usaria o equipamento da casa. Claro que levar meu amplificador e minhas caixas era sempre maravilhoso por ser exatamente o som que eu estava acostumado, com um timbre sensacional que realçava o som particular de todos os meus baixos, mas não haveria nenhum prejuízo sonoro à banda em usar o bom aparelho disponibilizado pela casa, e assim, o transtorno seria mínimo. Ninguém falou-me nada diretamente, mas deu para sentir no ar um clima de descontentamento quando cheguei ao estúdio Overdrive, só com um baixo em mãos. Chegamos ao Bourbon, e sem levar nossos técnicos, aceitamos trabalhar com os profissionais da casa. Foram solícitos conosco, mas claro que trabalhar com Sprada e Molina, era uma outra situação bem melhor para os nossos anseios. Por outro lado, estava assegurada para a casa, a condução comedida da pressão sonora no P.A. no padrão que julgavam adequado. Haveria uma banda de abertura, que eu não conhecia e ao vê-los a realizar o seu soundcheck, gostei muito. Banda cover, não faziam nada autoral, mas a mostrar-se muito boa tecnicamente, e sob bom gosto para interpretar clássicos do Rock; Blues e Soul Music. Tal banda chamava-se “Black Coffee”, e seus componentes eram ótimos músicos e bastante gentis, a mostrar-se como batalhadores na música rodando por aí, como nós e tantos outros músicos bons que ficam no limbo da história, enquanto energúmenos são alçados ao estrelato indevido, mas aí é uma outra discussão. E haveria uma atração internacional naquela noite, mas que encaixar-se-ia numa atuação rápida, como convidado especial da banda, Black Coffee. Tratava-se de uma guitarrista norteamericano, chamado Bryan Lee. Figura razoavelmente conhecida no circuito de blues de New Orleans, Bryan era um guitarrista cego, com boa técnica, e já havia vindo ao Brasil muitas vezes para tocar no circuito de blues, principalmente em festivais temáticos, nas unidades do Sesc e diversas vezes no próprio Bourbon Street. Passado o som, encontrei a figura simpática do casal amigo, Pietro e Claudyana Buccaran. Jantamos juntos ali e agora era só esperar a noite iniciar-se. O Black Coffee foi chamado para atuar e nós assistimos pela coxia a sua ótima performance. Que legal terem tocado sons do “Sly and the Family Stone”, uma banda que faz-me a cabeça desde sempre...
Então, uma imensa confusão iniciou-se no camarim... eis que uma precipitação frenética irrompeu a mostrar funcionários apressados a abrir alas para a chegada do guitarrista norteamericano, Bryan Lee, que acabara de chegar, vindo num táxi. Ora, tudo bem que tratava-se de uma pessoa com sérias limitações de saúde, pois não obstante o fato de ser cego, estava idoso e muito debilitado, a usar um equipamento de respiração artificial, inclusive, e sendo amparado por uma enfermeira e uma senhora de sua nacionalidade, que acompanhava-o.
No entanto, mesmo levando em conta suas necessidades especiais ali, em estado de debilidade, fiquei pasmo com a subserviência de todos, a denotar que idade avançada e doenças a parte daquele artista, aquilo tudo era muito mais motivado só pelo fato do sujeito ser norteamericano. Para piorar as coisas, o referido senhor estava agoniado para trocar as cordas da sua guitarra, e sem um roadie pessoal, o Xando ofereceu-se para ajudá-lo na tarefa e já com o Black Coffee a tocar a todo vapor, pois a qualquer momento solicitariam sua presença no palco. Num camarim minúsculo, realmente foi um sufoco atender o senhor e este não parando de pedir guaraná aos funcionários da casa, visto que adorava o nosso refrigerante típico, por tantas vezes que viera ao Brasil. Finalmente chamaram-no e um clima de comoção instaurou-se, com muita confusão para levá-lo ao palco naquele estado debilitado em que estava, isto é, foi um sufoco. Ele tocou, tocou... e na coxia eu fiquei pensando que sim, era um bom guitarrista, mas eu conhecia pelo menos uns trinta guitarristas brasileiros com os quais toquei na minha carreira toda, muito melhores do que ele, e portanto, aquela subserviência idiota das pessoas em endeusá-lo, só porque era norteamericano, denunciava a tal "síndrome do cachorro vira-lata", preconizada por Nelson Rodrigues... enfim, vida longa e com saúde para Bryan Lee...
Fotos do show no Bourbon Street em junho de 2014 e uma posada na porta do estabelecimento. Clicks de Grace Lagôa

Um medley do show, gravado e postado por Isidoro Hofacker Jr. no You Tube. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=OOuBvgP8-w0

Chegou a nossa vez e nosso show foi bastante firme, seguro e com foco, a manter boa dinâmica. Arrancamos aplausos e novamente havíamos levado um bom contingente de fãs da nossa banda e que fizeram coro ao final, a pedir bis. Desta vez, não houve um só pedido para abaixarmos o volume no palco e ao final, fomos cumprimentados pelo Pietro, meu amigo e gerente geral da casa, pelo volume praticado e ele disse-nos que o diretor artístico havia gostado e que as portas abrir-se-iam para outras oportunidades. Ótimo, que bom. Aconteceu na noite de 4 de junho de 2014, com cerca de duzentas pessoas na plateia.
Próxima oportunidade, só em agosto, com uma nova apresentação no Centro Cultural São Paulo, a convite do Tomada e a compartilhar o palco com eles. Em agosto, tínhamos enfim duas perspectivas agendadas para o mesmo mês, uma raridade para o Pedra, infelizmente.
A primeira oportunidade seria um show compartilhado com os amigos do Tomada, no Centro Cultural São Paulo. Finalmente estávamos voltando a esse espaço, e de fato, não tocávamos ali desde 2009, quando tratava-se de uma autêntica rotina realizar ao menos uma apresentação anual, naquele palco. Mas a Secretaria Municipal de Cultura que o controlava, havia mudado as regras e mesmo a manter o mesmo programador, que eu conhecia desde os tempos do Pitbulls on Crack, e que agendara todos os shows da Patrulha do Espaço que ali fizemos em nossa formação "Chronophágica". Mas os tempos haviam mudado e agora até para conversar com o programador que era um hippie da velha guarda, chamado, Nilson, e que anteriormente recebia-nos de forma muito coloquial, ficara difícil. Lembro-me até de uma visita que eu e Xando fizemos ali para tentar agendar um show e que ele tratou-nos de forma estranha, como se estivesse receoso com pessoas à sua volta que supostamente vigiavam-no e assim a exortar-nos a falar baixo, aos cochichos, mostrava-se não focado na conversa, olhando para todos os lados com ar de preocupação acentuada, causando-nos estranheza. Num dado instante, tratando de piorar ainda mais a estranha situação ali instaurada, convidou-nos a irmos com ele para outro ambiente onde concluímos a conversa, mas sem que nenhuma providência concreta fosse tomada para marcar-se enfim um show. Em épocas passadas, acostumáramo-nos a vê-lo abrir a agenda e perguntar-nos : -"que dias vocês querem tocar" ? Portanto, era uma diferença e tanto na forma de negociação, agora, e tendo mudado para muito pior, naturalmente. Mas o baixista do Tomada, Marcelo "Pepe" Bueno, havia conseguido a data e na obrigatoriedade em estabelecer apresentação compartilhada com outra banda, como condição sine qua non para fechá-la, indicou-nos, gentilmente. Enfim, não sob as condições normais a que habituáramo-nos antigamente, mas pelo menos um show marcado tínhamos e estaríamos de volta ao palco do Centro Cultural São Paulo, enfim. No dia, quando eu cheguei ao local, fui o primeiro a chegar e a seguir o Marcelo Bueno, apareceu. Ficamos ambos conversando por um longo período, a esperar o teatro ser liberado, porque à nossa revelia, e só descobrimos no dia, uma apresentação de música folclórica fora programada para o meio dia, portanto, até esta terminar e o palco ser liberado para nós, tal operação consumiu seguramente duas horas do tempo que achávamos que tínhamos para empreender nossos esforços de preparação.
Tais medidas arbitrárias sempre contrastavam com o rigor burocrático do Centro Cultural São Paulo, numa via dupla desigual, sem dúvida. Quando a pequena orquestra folclórica encerrou sua apresentação e o público formado por crianças e seus respectivos pais deixaram o teatro lentamente, já batia na casa das quatorze horas e se não fôssemos ágeis, o soundcheck arrastar-se-ia e inevitavelmente passaríamos pelo martírio em estar ainda terminando-o e com muitas pendências sonoras ainda não resolvidas, mas com um funcionário do CCSP a pressionar-nos para deixarmos o palco imediatamente porque abririam para o público. Em ritmo de cooperação total, o backline foi todo compartilhado entre as duas bandas, e na base do mutirão, conseguimos agilizar o processo a tempo de um soundcheck razoável. Não teríamos o Renato Sprada nessa tarde, mas o técnico do CCSP, que ali fora um assistente em anos anteriores, havia crescido na sua carreira e agora era o técnico oficial do teatro e dava conta do recado com qualidade. Sobre o Wagner Molina, era certeza que trabalharia e mais uma vez a iluminação foi ótima sob o seu comando.  
Camarim do Centro Cultural São Paulo, em agosto de 2014. Da esquerda para a direita : Laert Sarrumor e sua filha, Lígia Sarrumor; Luiz Domingues e Xando Zupo. Click : Grace Lagôa  
Antes do show começar, recebi a visita de Laert Sarrumor e sua filha, Lígia. Laert não poderia assistir o show por conta de um compromisso assumido naquela noite, mas sua filha, que também era grande fã de nossa banda, prestigiou-nos. O Tomada insistiu para tocar primeiro e lembro-me que assisti o início de seu show atrás do palco. A banda estava ótima e essa formação era de fato muito boa com Vagner na guitarra, e Matheus nos teclados. Aliás, este levara uma tecladeira incrível ao estilo anos setenta, mas tudo baseado em teclados brasileiros construídos por um luthier especializado em produzir teclados com design e sonoridade vintage. O Rodrigo usou tudo e eu gostei de fazer o show ouvindo aqueles timbres incríveis de bandas setentistas. Até um Theremin esteve à disposição, para dar ares psicodélicos aos dois shows.
"Furos nos Sapatos" no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=-pWL6EDEfAw

"Pra Não Voltar" no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=AqGxw7CAQKA

Intro com menção à Jesus Christ Superstar + Madalena do Rock'n Roll no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=8VqnYjV2tD8

"Queimada das Larvas dos Campos Sem Fim", no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=AtRofjLcsvc

"Cuide-se Bem" no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=jRNre3-Be3A

"Filme de Terror" no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=MHGaaB2hxE0

"To Indo a Mil" no CCSP em 10 de agosto de 2014. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=qka1zgHaWPw

Um medley do show do CCSP em 10 de agosto de 2014, em filmagem de Bolívia & Cátia. 
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=JLRSWdsFqOc


Marcelo estava estreando um novo baixo recém adquirido, um Gibson Les Paul, dourado, muito bonito e ofereceu-me para eu usá-lo. Pensei até em usá-lo em duas músicas ao menos, mas acabei fazendo o show inteiro com meu Fender Precision, mesmo. 
Pedra no Centro Cultural São Paulo de São Paulo, em agosto de 2014. Fotos 1 a 3 : Grace Lagôa; Foto 4 : Bolívia & Cátia e foto 5 : Leandro Almeida                  
 

Nosso show foi bom, embora o recado tenha sido curto naquela noite, pelo fato do show compartilhado reduzir o set list de cada banda em apenas quarenta e cinco minutos para cada uma. Mas, tenho a ótima lembrança desse show, em sentir uma vibração muito boa vinda do público, embora mais uma vez eu achasse que num domingo de tempo bom; com estação do metrô acoplada ao local; som e luz legais; duas bandas autorais com carreiras longas e a tocar juntas, sob um valor irrisório no ingresso cobrado... enfim, nada justificou um público tão pequeno diante dessas tantas condições favoráveis que enumerei. Na minha carreira, em outros tempos, cheguei a tocar ali com mais de mil e trezentas pessoas presentes no teatro, nos anos oitenta, e agora, sinal dos tempos, apenas duzentas pessoas, era considerado um bom público...
Uma novidade boa veio em forma de convite, quando o produtor cultural, José André, ventilou o lançamento de um CD coletânea chamado, "Independente ou Morte" a representar o seu ótimo Site "Nave dos Deuses", um dos maiores baluartes em prol do Rock Brasileiro, em parceria com o selo "Lado B". Enviamos o fonograma da música, "P'ra Não Voltar", single gravado e lançado em 2010, para representar-nos nessa produção.
Nosso próximo compromisso aconteceria na cidade de Santo André, na região do ABC paulista. Como já disse anteriormente, eu sou péssimo em relações públicas. Não é por preguiça ou por maldade, mas não esperem de minha parte ações de empreendedorismo nesse campo das relações sociais e negócios. Dessa forma, fora da contribuição musical / artística, no extra / arte, minha contribuição para o Pedra poderia ter dado-se na parte de redação, onde tenho facilidade para atuar, e no esforço de divulgação, apesar de não enxergarem isso devidamente, desde que comecei a lidar com a internet, havia feito muita coisa para ajudar a popularizar a banda. Mesmo sendo inapto para tal vocação em termos de fechar shows, eu acabei agendando um show para a banda, mas naquelas condições simples, portanto fora dos padrões que a banda preconizava ser a sua logística operacional ideal para uma apresentação. Relutando para aceitar, finalmente meus companheiros fecharam com a ideia de tocar por bilheteria num pequenino, mas bastante ajeitado espaço em Santo André, no ABC paulista, chamado "Gambalaia". Eu conhecera-o através de um show que ali fizera com Os Kurandeiros, e achei que seria um dos poucos lugares onde os Kurandeiros tocavam regularmente, que o Pedra poderia tocar também, exatamente pelo velho paradigma autogerado na psiquê desta banda sobre inadequações x modus operandi de artista de grande porte, mas sem dinheiro para bancar seu staff & equipamento exagerado. Mesmo assim, como já disse, os colegas relutaram e até sinalizarem-me com seu sinal verde para eu fechar a data com o responsável pelo espaço, o simpático Alex Humberto, houve um trâmite cansativo em convencer os colegas. Avisei-os bem sobre a simplicidade do local; seu pequeno P.A. carecendo de reforços; a necessidade de tocar num volume baixo e a completa impossibilidade de pensar-se em fazer uso de um backline gigantesco, pois além de tudo, a escada que dava acesso ao auditório, era íngreme e carregar coisas pesadas ali seria um martírio, além de perigoso. Fizemos a melhor divulgação possível e no dia do show fomos em comboio ainda no período da tarde, para fugir do trânsito entre São Paulo e as cidades do ABC. Ao chegar ao local, a casa já estava aberta e o solícito, Alex Humberto, recebeu-nos bem. Para meu contentamento, o pessoal do Pedra gostou muito do espaço e de fato, ele era / é muito bonitinho e todas as vezes que ali toquei com os Kurandeiros, apreciei muito. Com boa vontade, arrumamos o palco; o Rodrigo trouxe um reforço de P.A. e o Xando levou microfones para garantir pelo menos as vozes dos quatro, e quiçá dois microfones na bateria. Passamos o som em regime de autosoundcheck, pois a casa não tinha técnico e o Alex não sabia atender-nos nesse aspecto. A iluminação era bem simples, e usada de modo contínuo, tornava qualquer show ali, intimista. Com tempo hábil, deu para relaxar por ali mesmo e quando o público começou a chegar, estávamos com tudo pronto. 
Pedra em ação no Espaço Cultural Gambalaia, em Santo André / SP, no dia 29 de agosto de 2014. Fotos de Grace Lagôa 

Foi um show muito bom, e acredito que melhor ainda que o do Centro Cultural São Paulo, que fizéramos dias antes. O público reagiu de forma extraordinária, a demonstrar gostar muito e até com direito a uma manifestação eloquente da parte de um rapaz que até então eu só conhecia virtualmente, proveniente da amizade virtual firmada numa Rede Social. Pois aconteceu que numa pausa entre as músicas, fez um inflamado discurso espontâneo e emocionante para nós, a elogiar-nos e lastimar nossa falta de apoio no mundo mainstream. Quisera eu ter mais gente com tal visão realista da situação, a mudar o paradigma cultural deste país...
 

"Meu Mundo é Seu" no Gambalaia em 29 de agosto de 2014, em filmagem da minha amiga Jani Santana Morales. 


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=iYvdFzX-2VQ

Lembro-me que tal manifestação mexeu com o Xando, em particular, que estava taciturno há meses por conta de suas insatisfações pessoais nutridas em relação aos fatos que envolviam a banda, mas nesse dia ele amoleceu o coração que estava endurecido e emocionou-se. Bem, o que o rapaz falou era uma grande verdade... o nosso trabalho era muito bom (perdão pela falta de modéstia, por favor), e merecíamos ter muito maior reconhecimento. Apesar de um público bem pequeno, ali presente, abaixo até da minúscula capacidade daquele simpático espaço cultural, creio que esse show foi ótimo, artisticamente falando, mas sob o ponto de vista monetário, um desastre, pois a féria da noite mal cobriu as nossas despesas operacionais, apenas. 


Mais fotos do Pedra, no Gambalaia, de Santo André / SP. Agosto de 2014. Clicks de Grace Lagôa 
 
Dia 29 de agosto de 2014, no Gambalaia de Santo André, com vinte e cinco pessoas entusiasmadas pela arte do Pedra. O que não imaginávamos ali, mas era de certa forma presumível, este foi o nosso último show com o Pedra. 


É bem verdade que haveria uma apresentação ao vivo em novembro, no estúdio da emissora Brasil 2000 FM, em São Paulo, com um contingente de público a assistir e poderia até ser considerado um show oficial, mas no Gambalaia, foi de fato, o nosso derradeiro. Sinto muito, não era nada hábil em negociações; péssimo em relações públicas, e esse show foi o melhor que pude prover como "agente" da banda. E na medida em que o Pedra tinha dificuldade em livrar-se de sua mentalidade de não abrir-se mais para a simplicidade, no início de 2015, ofereci aos companheiros, uma nova data no Gambalaia. Após falar com o Alex, seu proprietário, reservei uma data para a nossa banda, mas a relutância foi tamanha que tive de cobrar definição em cima da hora limite para confirmar ou não, e todos vetaram uma volta àquele espaço. Sempre três a um para os demais... e eu a cansar-me de sofrer derrotas, sistematicamente...

Luiz Domingues a atuar com o Pedra. Centro Cultural São Paulo, agosto de 2014. Foto : Leandro Almeida

Continua...

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