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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Pedra - Capítulo 1 - Convite Inesperado num Momento Difícil - Por Luiz Domingues


Eu estava esgotado no ano de 2004, pois a somatória da carreira, já longa, gerou um pequeno stress para o meu corpo e mente. Pensava seriamente em encerrar a carreira, sentindo-me sem forças para prosseguir. Nesse contexto, logo que comuniquei ao Júnior a minha decisão de sair da Patrulha do Espaço, recebi um inesperado telefonema alguns dias depois, do guitarrista Xando Zupo, convidando-me a conhecer seu novo trabalho, e se gostasse, integrá-lo. Conhecia o Xando desde 1984, mas de uma forma superficial, pois apenas cumprimentávamo-nos em bastidores de shows nesses anos todos.Mas só fui tocar com ele, quando em 2002, ele foi convidado pelo Júnior, a tocar duas músicas com a Patrulha do Espaço no Centro Cultural São Paulo, e em 2003, aí sim, foi quando tivemos um contato maior.

Isso porque ele estava gravando um disco solo, e convidou a Patrulha a participar em duas faixas. Então, entre ensaios e gravações, pudemos ter um convívio um pouco melhor. Nesse disco, que acabou sendo lançado só pela internet, e não foi prensado, a Patrulha do Espaço tocou um cover com ele ("Must Be Love" do James Gang - LP "Bang", de 1973); e uma própria, composta num ensaio, selando a parceria entre Xando e Patrulha, chamada "Livre como Você". Essa música, é um belo Hard-Rock, com fortes pitadas de Southern-Rock, onde o Xando e o Marcello fazem um ótimo trabalho de guitarras, e o Rodrigo pilotou o órgão Hammond, e cantou. Tal canção acabou ganhando uma dramaticidade muito grande, pois a mãe do Xando faleceu repentina e precocemente, de uma forma chocante, pois era muito jovem, cheia de vida e muito querida por vários músicos do meio Rocker de São Paulo, visto que era envolvida com publicidade e produção de shows, portanto conhecia muita gente do meio artístico. Inclusive tendo produzido shows de Hermeto Paschoal e Sivuca nos anos oitenta. Para homenageá-la, Xando acabou criando uma nova letra, não prevista nos ensaios, e acrescentou uma pequena participação dela dizendo algumas palavras ao final da canção, graças a uma fita K7 que ele tinha engavetada, desde os anos setenta, com tal locução espontânea de sua mãe.

Sim, a hipótese da música própria que citei anteriormente (a parceria entre Xando Zupo & Patrulha do Espaço), ser regravada pelo Pedra, foi ventilada logo no começo, mas chegamos à conclusão de que o material novo que estava sendo composto, deveria predominar (leia toda a história dessa parceria entre Xando Zupo & Patrulha do Espaço, para o seu disco solo "Z-Sides", lançado em 2003, no capítulo "Trabalhos Avulsos, no arquivo deste Blog). Mais tarde, por ocasião das gravações do CD Pedra II, foi lembrada de novo, mas o repertório já estava praticamente definido.

A música "Livre como você" é muito boa, mas particularmente, eu acho que música gravada não deve ser regravada. Ela já está lá naquele contexto de 2003, e não vejo o por quê em colocá-la em outro álbum com outra roupagem. A música "Trampolim" do disco "Missão na Área 13" da Patrulha, foi sugerida várias vezes como opção de regravação pelo Rodrigo, seu autor. Mas eu sempre votei contra, exatamente seguindo a mesma linha de raciocínio.

Então, poucos dias após ter desligado-me oficialmente da Patrulha do Espaço (comuniquei a minha decisão ao Júnior em 6 de setembro de 2004), ficou acertado que ainda faria um último show marcado em outubro (em São Carlos, no interior de São Paulo, no diretório acadêmico do campus da USP, naquela cidade).

E cerca de duas semanas depois desse comunicado, recebi o telefonema do guitarrista Xando Zupo, convidando-me para um novo projeto que estava iniciando. E antes que eu formulasse algum juízo de valor, já disse-me que seria algo aberto à várias tendências, e não fechado no Hard-Rock. Disse-me que já tinha cinco ou seis músicas na manga, e um guitarrista além dele; baterista; vocalista, e se eu entrasse no time, ainda pensavam na hipótese de colocar um tecladista nessa formação.

Apesar de estar cansado e descrente na música, após tantos dissabores e também pelo somatório da carreira, além dos 44 anos de idade pesando sobre os ombros, fiquei contente com a lembrança dele em ligar-me e convidar, e nesses termos resolvi ir, para conhecer melhor o projeto. Ele já estava ensaiando há uns dois ou três meses, e sua escolha inicial para o baixo, houvera sido o Fabio Mulan, com quem tocava há anos na noite paulistana, em trabalhos cover. Mas o Fabio acabou não ficando, e daí sabendo através do Marcello Schevano, que a Patrulha do Espaço estava dissolvendo-se em sua formação Chronophágica, arriscou abordar-me.

Foto promocional do Big Balls, de 1996. Alex Soares é o primeiro a direita, com as mãos na cabeça.

O baterista era o Alex Soares. Muito bom músico, e companheiro na banda autoral que tiveram em 1996, o Big Balls.

                       O ótimo vocalista, Marcelo "Mancha"                

Marcelo "Mancha", era o vocalista. Cantor versátil e experiente também da noite, tocou covers com o Xando por anos. Ele cantou em várias faixas do disco solo do Xando, "Z-Sides", inclusive na versão de "Must Be Love", canção do James Gang, que a Patrulha atuou tocando.
                         O excelente guitarrista, Tadeu Dias

E na guitarra, Tadeu Dias, experiente side-man do Simoninha, e vários outros artistas desse ambiente da gravadora "Trama". Um bom time, sem dúvida, e capaz de fazer um som de nível excelente. Isso animou-me, além do fato de não estar fechado na ideia de ser só Hard-Rock. Os ensaios começaram a partir de outubro.

E assim, foi essa dinâmica nos meses de outubro e novembro de 2004. Ensaiávamos as segundas no estúdio Overdrive, e nesses primeiros ensaios, como o Xando vinha trabalhando com esse time desde agosto / setembro mais ou menos, já haviam algumas músicas bem adiantadas. Foi o caso de "O Dito Popular"; "Sou Mais Feliz"; "Vai Escutando"; "Se Agora eu pulo Fora", e "Me Chama na Hora". Alex Soares era um baterista técnico, firme e bom de andamento.

Xando Zupo & Tadeu Dias num ensaio, em janeiro de 2005. Foto de Grace Lagôa 

Tadeu Dias tinha grande conhecimento teórico e era um especialista em Black Music, justamente por estar acostumado a acompanhar artistas como Simoninha e Max de Castro. E o Marcelo "Mancha", tinha excelente impostação vocal. O Xando, apresentava um nível técnico excelente e logo notei que era minucioso na questão de timbres, tendo muito requinte na escolha de cada guitarra para ocasiões diferentes, angulações das caixas dos amplificadores, e no uso de seus pedais.

Fui colocando o meu baixo com total liberdade, e isso agradou-me, pois é a única maneira com a qual eu sei interagir numa banda, pois sinto-me inibido a criar, quando tolhido e limitado a seguir opiniões alheias. Minhas melhores linhas foram criadas dessa forma, sem interferência. Os ensaios transcorriam em clima de absoluta cordialidade, enquanto o Xando dizia-nos que teria um canal muito bom para viabilizar a produção de um vídeoclip, e assim que tivéssemos um quórum mínimo de músicas, poderíamos usar o estúdio para gravar o primeiro CD.

Mas a despeito dessas oportunidades, o que mais agradava-me nesses instantes iniciais, além do clima leve da banda, era a característica que delineava-se no tocante ao estilo. Agradava-me a ideia de ser pop o bastante para pleitear o mainstream, mas sem violentar-me com breguices ou apelações.

A formação nos primeiros ensaios do Pedra, ainda no final de 2004, da esquerda para a direita : Alex Soares; Xando Zupo; Marcelo "Mancha"; Tadeu Dias, e eu, Luiz Domingues. Foto de Grace Lagôa

Estávamos fazendo ali, uma música de alta qualidade, com variantes que passeavam pelo Rock; Soul, MPB etc. Ou seja, uma sonoridade aberta e pronta a angariar um público mais abrangente, fora do nicho do Rock underground, onde "martelei" tanto em bandas anteriores, onde atuei.

Eu diria que logo no primeiro instante, tratávamos essa diversidade como o nosso maior trunfo. O fato de ser uma banda aberta a várias sonoridades, dava-nos muita esperança de alcançar o mainstream, pois nosso espectro artístico estava aberto à um público muito mais abrangente do que nossas bandas pregressas mais recentes (Patrulha do Espaço e Big Balls, só para citar duas), essas sim, fechadas num nicho restrito do Rock underground. No início, almejávamos agregar os fãs menos radicais de nossas bandas de Rock mais recentes, mas poder atingir também fãs do Jota Quest; Skank; Nando Reis, e parcelas de público jovem adulto, seguidores de MPB "moderna" (Lenine; Zeca Baleiro, Marisa Monte etc), até Black Music.

Com o passar do tempo, essa extrema abertura estrangulou-nos ironicamente num outro sentido, eu diria, não artístico, nem midiático, mas no setor empresarial, pois sem conseguir alavancar voos mais altos, os espaços no underground mostraram-se mínimos para a nossa sonoridade. Esse fator foi decisivo para sufocar a banda e matá-la por inanição num momento futuro, mas uma volta seguir-se-ia mais para a frente (muito longe para falar disso ainda...). Todavia, acredito que no decorrer da narrativa, isso ficará ainda mais claro. Nesses primeiros ensaios o clima era de muita camaradagem e descontração. Era um bálsamo estar num ambiente de trabalho leve.

Convencionou-se que os ensaios dessa nova banda seriam as segundas, porque três de seus cinco membros, atuavam em trabalhos musicais paralelos ou como side-man de artistas da MPB, caso do guitarrista Tadeu Dias, com Simoninha, ou bandas cover na noite, caso de Alex Soares e Marcelo "Mancha". Eu já era bem experiente na época, e sabia que isso era um problema e uma verdadeira bomba relógio ativada para explodir na frente, mas levantar essa questão ali seria causar um tumulto desnecessário, visto que todos os que tinham esses impedimentos sentir-se-iam incomodados, e negariam que essa vida dupla poderia refletir negativamente no destino da banda autoral que estávamos criando.

Além do mais, eu era o último a chegar e indo além, não tenho essa característica de fazer cobranças, quem conhece-me, sabe que sou flexível e paciente. As primeiras músicas que praticamente já estavam prontas, fecharam-se com a minha entrada, e a definição de linhas de baixo. Os arranjos foram definidos e logo a seguir, mostrei uma ideia de balada que eu tinha, e deveria ter sido aproveitada pela Patrulha, mas não aconteceu naquele trabalho. O Xando desenvolveu-a, criou letra e nasceu assim: "Amanhã de Sonho".

O baterista Alex Soares em foto de Grace Lagôa, no final de 2004

Puxa... era uma balada pop, com condições de tocar no rádio, ser trilha de novela, mas ao mesmo tempo de um nível acima de qualquer suspeita, provando a nós mesmos, que poderíamos trilhar um caminho interessante, almejando voos maiores sem ter que apelar. No entanto, o clima ameno dos primeiros ensaios ficou um pouco tenso quando o Xando ligou-me após um ensaio para expor uma situação que estava incomodando-o, em relação ao vocalista Marcelo "Mancha". Essa situação não era pessoal, tampouco técnica, mas de ordem artística, no tocante à identidade dele com o trabalho. Após expor os seus motivos, entendi e concordei com a argumentação.


A questão que envolvia o Marcelo Mancha, não era técnica. Ele é um excelente vocalista; com afinação; alcance de oitavas; emissão; boa dicção; bom intérprete; tem ritmo; bom ouvido; divisão rítmica bem desenvolvida, e excelente presença de palco. Tampouco era de ordem pessoal, pois ele era (é) um rapaz bacana, honesto e trabalhador. O problema detectado pelo Xando, era no tocante à criação dele na interpretação, pois em todas as canções, tinha dificuldade em criar sua própria interpretação.

Isso ocorria devido aos anos e anos em que atuava na noite cantando covers. Infelizmente, esse esquema vicia o músico que perde o traquejo da criação, limitando-se a repetir a criação alheia.
Diante desse argumento, não havia como não pensar na banda, e sendo assim, dei meu aval para o Xando conversar com o Marcelo e daí, desligá-lo da banda. O Xando ficou com a incumbência de falar com ele, por ser amigo e companheiro de bandas na noite, há anos.
E o Marcelo aceitou sem ressentimento, pois não estava mesmo encaixando-se no trabalho. Saiu numa boa, e prosseguiu sua carreira na noite, até hoje, com o seu brilhantismo habitual.

Então o Xando teve uma ideia, de certa forma ousada, mas que poderia dar certo. Que tal convidar Rodrigo Hid ? Ele poderia cantar, tocar teclados e eventualmente, teríamos três guitarras, unindo-se ao próprio Xando e Tadeu Dias. E o que eu poderia achar dessa ideia ?  Ora, conhecia o Rodrigo desde 1993, convidei-o para fundar o Sidharta comigo, e isso desembocara na Patrulha do Espaço.  Quem mais poderia conhecer tanto o talento dele, após tantos anos ?

Rodrigo Hid, na época mais ou menos em que veio conhecer a proposta do Xando sobre a banda. Foto de Grace Lagôa

O Rodrigo estava desanimado em fazer parte de uma banda, desde que deixara a Patrulha do Espaço junto comigo, e Marcello. E desde então, dedicava-se a ensaiar um material para um disco solo que pretendia lançar. Estava ensaiando com dois músicos jovens, ex-membros do excelente "Quarto Elétrico": Thiago Fratuce no baixo (ex-aluno meu), e Ivan Scartezini na bateria (depois, tornar-se-ia baterista do Pedra). Ele aceitou conversar, mas em princípio relutou com a proposta. Após um pouco de insistência do Xando e minha, ele decidiu participar nessa condição inicial como vocalista, com alguma intervenção nos teclados, e talvez guitarra.
E assim, nos últimos dias de dezembro de 2004, tornamo-nos um quinteto, com a entrada de Rodrigo Hid.

Aqui num ensaio da banda já em 2005, assumindo inicialmente postura como vocalista e tecladista da banda. Foto de Grace Lagôa
Essa situação de contar eventualmente com três guitarristas era apenas uma hipótese (pois afinal de contas, apesar de ser multi instrumentista, a guitarra era o instrumento principal do Rodrigo, portanto sua especialidade), mas não queríamos cometer excessos.
Outro ponto importante é que esse tipo de formação com três guitarras, funcionaria bem se a banda fosse fechada no estilo do "Southern Rock". Em qualquer outra escola de Rock, ou de outros gêneros, é difícil concatenar três instrumentos de forma criativa, e observando o cuidado para que um não guitarrista não atrapalhe o outro, e a banda soe confusa, por conseguinte.

E logo mais, questão de apenas dois meses, o Rodrigo estaria assumindo seu posto de forma natural, com a saída do guitarrista Tadeu Dias, mas já chego lá. Só para constar, mas o Southern Rock também é influência.

Ensaiando com Rodrigo já fazendo parte da banda, e nos primeiros ensaios, mais se adaptando à vocalização das canções que tínhamos até então. Foto de Grace Lagôa

A música "Estrada", por exemplo, tem muito desse estilo em vários momentos, principalmente nos desenhos das guitarras, e da linha do baixo. Então, Rodrigo veio conhecer o trabalho. Aprendeu as primeiras músicas que tínhamos, e já trouxe ideias, como por exemplo o riff de "Estrada", que logo no início de 2005, seria concretizada, por exemplo.



Nos primeiros ensaios, tinha o semblante cansado, exatamente como eu estava no início quando comecei a ensaiar em outubro.
O que ele estranhava no início, era apenas tocar teclados, e em determinadas músicas só com a presença das guitarras, ter que atuar apenas como vocalista, sem um instrumento à mão. Definitivamente, ele sente essa falta, pois apesar de ser um excelente cantor, não estava acostumado a atuar com as "mãos vazias". Dava para sentir esse desconforto nos primeiros ensaios, mas essa situação seria consertada em apenas dois meses, sem que precisássemos fazer nada, pois o guitarrista Tadeu Dias deixaria a banda, infelizmente.

Interrompemos os ensaios por ocasião das festas de final de ano e entramos em 2005 com tudo, animados com a entrada do Rodrigo, e vendo novas músicas surgindo e aumentando o repertório. De pronto, vimos que a voz e jeito de interpretar do Rodrigo era o que  encaixava-se perfeitamente no som do Pedra. O segundo ponto foi que seus dotes como tecladista agregaram muita qualidade ao trabalho. O Xando conhecia e o admirava à distância, mas eu conhecia muito bem o potencial do Rodrigo como tecladista.

Ele pilota órgão Hammond; Moog; Fender Rhodes e piano, com desenvoltura, à moda dos tecladistas dos anos sessenta / setenta, ou seja, agregando valor, e não fazendo as sofríveis "caminhas", que tecladistas medíocres faziam.

A formação do Pedra, no início de 2005, em foto de Grace Lagôa nas dependências do estúdio Overdrive. Da esquerda para a direita : Xando Zupo; Alex Soares; Luiz Domingues; Tadeu Dias, e Rodrigo Hid

Mas mesmo assim, sabíamos que era um desperdício ele não tocar guitarra e violão acústico, outras de suas potencialidades múltiplas.
Nessa altura, músicas como "Vai Escutando", e "Me Chama na Hora", ficaram muito sofisticadas com o acréscimo dos teclados do Rodrigo. Tem momentos brilhantes de Soul Music nelas, graças aos seus arranjos, nos teclados.

Rodrigo Hid no início de 2005, em seu início na banda. Foto de Grace Lagôa

Então, no virar de 2004 para 2005, o clima na banda era de muita euforia em torno dessa nova formação. Logo fomos tratando de retomar os ensaios, após o enfadonho período de festas. Mediante sugestões de todos, escolhemos o nome "Pedra", para a banda.
Numa lista não tão comprida assim (como é a praxe desse tipo de ocorrência no começo de uma banda), afinal, "Pedra" e "Carranca", eram os mais cotados.

Mas eu de longe achava "Pedra" mais apropriado. Isso porque a sugestão de "Carranca" que viera do baterista Alex Soares, era regional demais na minha opinião. Esse foi o meu argumento para convencer os demais, visto que o Rodrigo que adora coisas regionalistas de raiz, estava propenso a votar nele. O Xando gostava dos dois, e o Tadeu Dias, também demonstrava isso.

Da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rodrigo Hid e Tadeu Dias, nos primeiros ensaios de 2005, com a nova formação da banda. Foto de Grace Lagôa

No fim, consegui convencer os indecisos, com o argumento de que "Carranca" realmente remetia a um tipo de espectro regionalista, que definitivamente o nosso som não tinha. Depois do lançamento do CD Pedra II, o Rodrigo imprimiu um pouco dessa vertente, sem dúvida, na sonoridade da banda, mas a grosso modo, sempre fomos muito urbanos para estigmatizar o nome com algo tão rural.

E de fato, "Carranca", caberia melhor numa banda pernambucana indie, de Mangue Beat...
Definido o nome, já imaginamos a questão de release, e as inevitáveis perguntas dos jornalistas : Por que "Pedra" ? Porque era uma palavra de fácil assimilação; pronúncia; memorização; e transmitia a ideia de solidez; coesão; matéria bruta primordial, com a qual faz-se tudo ou quase tudo na civilização, etc. Claro, poderiam perguntar se havia conotação com as drogas. Pedra de ácido; pedra de crack, pedra de cocaína ?

Nesse caso, a resposta seria a negativa naturalmente, ou deixar dúbio, convidando o ouvinte a pensar o que desejasse. Eu fiquei satisfeito, pois aprendi com a experiência adquirida ao longo de uma carreira extensa, que deveria evitar nomes compostos, com preposição e/ou artigo. E passou-me a ideia de um nome forte, sucinto e sonoro. Logo a seguir, saiu uma nota na revista "Batera e Percussão", falando da formação da nova banda, e para o nosso espanto, pois estávamos mantendo tudo em sigilo até então.

Todos tínhamos história na música, essa era a verdade, e diante dessa fato inexorável, estávamos sujeitos aos fuxicos da mídia, mesmo sendo artistas que a vida toda orbitaram o underground da música off-mainstream...



Notas em sites como Wiplash e Rock Brigade, começaram a especular e reitero, guardávamos sigilo absoluto sobre a formação da banda e tais manifestações, eram fruto de vazamento involuntário de informação, portanto.


Sim, com certeza, que essa informação vazou de forma involuntária. A ideia era manter sigilo do projeto até que tivéssemos ao menos um nome definitivo para a banda, mas como todos nós (Alex Soares e Tadeu Dias, bem menos), tínhamos carreiras longas, e com passagens por trabalhos anteriores significativos, era natural que houvesse especulações. E de fato, essa nota na revista "Batera e Percussão" foi a primeira na imprensa escrita tradicional, mas já estavam saindo na internet, várias notas, boatos, rumores.

No caso do site Wiplash, o infeliz título de "Ex-Patrulheiros montam nova banda", causou um mal-estar, pois o Júnior da Patrulha do Espaço, chegou a pensar que estávamos alardeando isso de propósito, para aproveitarmo-nos do nome da nossa Ex-banda, quando isso não era verdade, absolutamente.

          Foto de Grace Lagôa num momento de ensaio em 2005

Pelo contrário, de certa forma, queríamos deixar claro que o Pedra tinha uma outra proposta artística, muito mais ampla e desvinculada do nicho do Rock pesado. Mas era natural que houvesse mesmo boatos. Após tantos anos de luta, com tantas bandas, era um consolo constatar que meu nome provocasse especulações na imprensa especializada, pelo menos isso, se eu nunca conseguira militar no mainstream da música...


Continua...

2 comentários:

  1. Iniciando minha aventuras pelo Planeta Pedra com as ja grandes narrativas desse grande Musico , Luiz Domingues, do qual somos um grande fã.Da propria Banda Pedra que ja conhecemos muito bem , obrigado por existirem. .Obrigado mais uma vez pela Historia da sua grande Trajetoria e Jornada no Planeta Agua digo Rock.Ate as proximas leituras .

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  2. Exatamente, amigo Oscar !

    Quase encerrando o texto dessa minha narrativa, estou tratando do Pedra nesse momento e logo mais, entro nas bandas onde estou na atualidade, e portanto, com histórias ainda vivas sendo construidas no cotidiano.

    Muito feliz por saber que está acompanhando !!

    Grande abraço !!

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