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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Pedra - Capítulo 6 - Sou Mais Feliz ! - Por Luiz Domingues

 
Iniciou-se aí, o que eu considero a fase mais estimulante, pelo menos do ponto de vista de resultados externos visíveis, do Pedra.
Foi uma fase de extrema confiança e união entre os quatro componentes, criando de fato, uma egrégora de força.
Muitos fatores conspiraram a favor nesse momento, iniciado com a entrada do Ivan e procurarei especificá-los com detalhes, para passar o mais fidedignamente possível. O primeiro ponto, obviamente era a própria entrada do Ivan e a maneira com a qual adaptou-se instantaneamente. Sem dúvida que esse fator foi preponderante para deixar-nos muito mais confiantes. Mas haviam outros elementos interessantes em vista. Por exemplo, o disco saindo do forno. 

Com a solução do Lay-out da capa / encarte definida, a preocupação agora era fazer um lançamento, promoções, divulgação e abordagem do material na mídia. No quesito shows, não havia nenhuma perspectiva glamorosa à vista, pois o show internacional onde atuaríamos, fora adiado para setembro. Contudo, conseguimos uma data para o Centro Cultural São Paulo, e que seria para só para julho, mas era uma perspectiva bacana. Nesse ínterim, outras oportunidades apareceram, abrindo a chance de apresentarmo-nos antes de julho. Uma delas, seria um show de choque na Feira da Vila Pompeia, e o outro, uma apresentação numa casa noturna, denominada "Café Aurora". Simultaneamente, surgiu a perspectiva de filmarmos um segundo vídeo clip. Isso cairia como uma luva em nossos esforços de divulgação.

Foi uma fase de muitas resoluções e ações práticas adotadas. Por exemplo, resolvemos criar uma embalagem especial que acompanharia o CD à imprensa. Com a ajuda criativa da Grace Lagôa, conseguimos chegar a um resultado bonito esteticamente, e bastante acessível, financeiramente falando. 

Era um Kit, que acompanhava o CD, contendo : uma camiseta estilo "Tie  Dye" (psicodélica), com o logo da banda; um adesivo, o release do disco e uma pedra, literalmente, que compramos numa loja de pedras semi preciosas. Era polida, de leve cor amarronzada e cujo nome científico vou ficar devendo, porque realmente esqueci-me. E para embalar o Kit, um saco rústico de tecido, provavelmente de sacas de grãos, porém estilizado e fechado com uma fita colorida para embrulhar presentes. Ficou realmente de bom gosto, e a julgar pelas reações das pessoas da imprensa que receberam-no, amplamente aprovado. 

          Tony Babalu e Marina Abramowicz, em foto de 2008

Como o disco sairia pelo selo Amellis Records de propriedade do guitarrista Tony Babalu, teríamos um apoio extra, mesmo tratando-se de um selo modesto de estrutura pequena. Havia uma jornalista que prestava apoio na parte de assessoria de imprensa, chamada Marina Abromowicz, e através da Amellis Records, também fechamos um acordo com a distribuidora Tratore, especializada no universo da música independente. 

Xando Zupo e Eduardo Xocante, em foto de 2005, por ocasião da produção do primeiro vídeo-clip do Pedra

Concomitantemente, a ideia do novo vídeo clip amadureceu. Com reuniões realizadas com o diretor Eduardo Xocante, fechou-se a ideia de que realizaríamos o clip de "Sou Mais Feliz" e desta feita, com inserções de dramaturgia proporcionadas por um casal de atores. Já no campo dos shows, demos enfim o pontapé inicial para o debut da banda nos palcos, com a marcação de três datas.
O primeiro seria ao ar livre, participando da Feira de Artes da Vila Pompeia; o segundo, no Café Aurora, e o terceiro, finalmente num palco grande, no Centro Cultural São Paulo.

A definição sobre o segundo vídeo clip andava paralelamente também. Ficou acertado então com o diretor Eduado Xocante, que filmaríamos um novo clip, desta feita utilizando a música "Sou Mais Feliz", intercalando cenas de dramaturgia, com a banda em ação.
Em princípio, as cenas da banda tocando estavam cogitadas para serem filmadas na cobertura de um prédio, com a "Selva de Pedra" paulistana como cenário. 

Contatos foram realizados pela produção, visando liberar o teto do edifício do Conjunto Nacional, na esquina da Av. Paulista com Rua Augusta. Trata-se de um espetacular conjunto arquitetônico dos anos 1950, e a visão de seu topo, é simplesmente de tirar o fôlego.
Mas infelizmente isso não foi viabilizado, e assim o Eduardo Xocante quis saber da nossa agenda, cogitando filmar a banda num show real. Particularmente, achava boa a ideia, pois no primeiro clip, de "O Dito Popular", feito em 2005, a banda foi filmada dublando num set de filmagem, e a possibilidade de retratarmos ao vivo com público e na realidade de uma banda viva e atuante, seria algo muito mais interessante. Por sorte, tínhamos agendado um show para o Centro Cultural São Paulo em julho, e assim, essa parte ficou garantida. Faltava roteirizar a parte da dramaturgia, agendar locação e definir o casal de atores, mas tudo isso andou depressa e praticamente ficou tudo certo, tendo como base a filmagem do show no CCSP.

Finalmente tínhamos as primeiras datas oficiais de shows, marcadas. Nossa estreia dar-se-ia num show de choque, durante um evento ao ar livre, dentro da Feira de Artes da Vila Pompeia, o tradicional bairro rocker da zona oeste de São Paulo.


A Feira da Pompeia é um evento gigantesco que faz parte do calendário oficial de atrações da cidade de São Paulo. São centenas de barracas expondo artesanato; comidas e bebidas; roupas; antiguidades; discos; livros, etc etc. Várias ruas do bairro da Vila Pompeia são fechadas, e diversos palcos temáticos são montados, com shows acontecendo o dia inteiro. O palco Rock é o mais concorrido tradicionalmente, e geralmente atrai uma multidão incrível na Rua Caraíbas, entre as ruas Venâncio Aires e Padre Chico. 



No dia em que tocaríamos, a atração principal seria o Tutti-Frutti do Luiz Carlini, mas lembro-me que o Tomada tocou no mesmo dia, além da guitarrista de Campinas, Marise Marra, e uma banda formada por garotos que num futuro próximo transformar-se-ia naquela banda pesada que o Júnior, ex-astro infantil da dupla Sandy & Junior, formou ("Nove Mil Anjos"). Ocorreu então no dia 21 de maio de 2006, por volta de 17:30 h. aproximadamente. 



 
1ª Foto : Xando Zupo no camarim de rua improvisado na Feira da Vila Pompeia e sua Fender Stratocaster. 2ª Foto : amigos reunidos no backstage. Da esquerda para a direita : José Eduardo Niglio; Marcelo "Pepe" Bueno (Tomada); Xando Zupo e Fabrizio Micheloni (Carro Bomba). 3ª Foto : Os dois Renatos, técnicos de som, Renato Sprada e Renato Carneiro.
  

Tivemos um luxo que poucos podem gabar-se, pois levamos dois técnicos de som amigos e ultra competentes, os dois Renatos, Carneiro e Sprada. Apesar da extrema correria para montar e preparar a banda, com direito à truculência de um manager da Feira, extremamente mal educado e prepotente, montamos o mais rápido possível e tocamos apenas três músicas, pois a pressão para encerrarmos era insuportável.

Isso porque o mesmo fenômeno ocorre todo ano : eles escalam muitas bandas para tocar e quando vai chegando o entardecer e as atrações principais vão apresentar-se, o tempo está estouradíssimo. Todo ano perdem-se na organização e descontam o nervosismo nas atrações principais do fim da tarde, castigando-as com o corte indecente de tempo, além do tratamento truculento e deprimente.

Tocamos então "Misturo tudo e Aplico"; "Vai Escutando" e "Sou Mais Feliz", na base da raça, pois estávamos sendo muito maltratados por essa besta prepotente. 

Mesmo assim, tocamos com extrema segurança e beneficiados pela pilotagem de nossos técnicos, apesar da loucura toda e da inexistência de soundcheck, o nosso som "encorpou", em relação aos outros artistas. 

Eu mesmo ouvi depoimentos de várias pessoas, músicos; amigos, e até estranhos que relataram esse diferencial. O grande termômetro não eram nem os músicos que entendem esse processo, mas o depoimento de pessoas leigas nessa matéria, que com suas palavras, descreveram-nos a sensação de que na hora do Pedra, o som mudou, ficou mais potente e definido. 

A reação foi excelente em termos de espontaneidade. Vi um mar de mãos aplaudindo e um esboço de bis chegou a ecoar, mas esse funcionário imbecil da Feira, não parava de gritar desesperado, dizendo-nos que mandaria cortar o som, expulsando-nos. 





Clima cordial e agradável nos bastidores... 1ª Foto - da esquerda para a direita :Luiz Carlini; Norton Lagôa e Rufino. 2ª Foto : Xando Zupo e Nelson Brito. 3ª Foto : Rodrigo Hid e Xando Zupo. 4ª Foto : Luiz Domingues, Rodrigo Hid e Xando Zupo. 

O meu "olhômetro" deu-me a estimativa de 5000 pessoas + ou -, quando tocamos. De fato, o público estava bem comprimido nesse quarteirão que mencionei e ia além, estendendo-se acima do cruzamento com a Rua Padre Chico, em direção à próxima transversal, Rua Ministro Ferreira Alves. 

Um fato inusitado também ocorreu nesse primeiro show. Como deve recordar-se o leitor, alguns dias antes, o Estado de São Paulo sofreu uma onda de atentados perpetrados por bandidos organizados contra as instituições policiais / governo estadual, ameaçando toda a sociedade, através de uma onda de terror, sem precedentes na história. O clima estava muito tenso na Virada Cultural que acontecera anteriormente, mas o Mega Evento aconteceu assim mesmo. Sendo assim, a Feira da Pompeia também foi confirmada, e houve um reforço da Polícia Militar para garantir a segurança, afinal de contas, essa Feira costuma reunir cerca de 150 mil pessoas no seu total. Nada aconteceu de anormal, mas o clima era bem tenso entre os policiais. 

Então, enquanto montávamos, o Ivan que é fumante inveterado, acendeu um cigarro e assim que começamos a tocar, alguns policiais que estavam próximos ao palco, ficaram alvoroçados, achando tratar-se de um baseado de maconha. Quando o show terminou, houve uma abordagem tensa, com um policial militar bem exaltado, dizendo-nos que num momento daqueles era inadmissível que provocássemos uma situação dessas etc e tal. Mas esclarecida a questão, tudo amenizou-se, enfim...

Não filmamos, tampouco gravamos esse show relâmpago, mas existem fotos. Não são muitas, pois a confusão foi muito grande na organização do palco Rock, e a fotógrafa Grace Lagôa não teve a vida facilitada para poder trabalhar de forma profissional, como está acostumada. Uma pena !! E assim foi o debut do Pedra nos palcos, oficialmente...

Chegamos enfim, ao segundo show oficial do Pedra, desta feita num ambiente fechado, e com a possibilidade de tocarmos nosso set completo, e sem pressões por parte de produtores estressados e mal educados, como ocorrera na Feira da Pompeia. Contudo, foi uma noite dividida com duas outras bandas, não tratando-se assim de um show exclusivo nosso. As outras bandas eram : Carro Bomba e Golpe de Estado.

O fato de serem duas bandas amigas, certamente deixou um clima descontraído e prazeroso, eliminando as tensões típicas de quando  lida-se com artistas estranhos. O show foi no Café Aurora e a data foi : 26 de maio de 2006, uma sexta-feira. Esse foi o primeiro de uma série de shows que fizemos com o Carro Bomba, numa parceria de esforços mútuos e divisão de despesas e lucros.

Pela amizade com o Marcello, Ricardo e o Fabrizio Micheloni, era um prazer, sem dúvida. Mas com a linha artística que eles adotavam, com um som muito pesado, eu não achava nada conveniente tocarmos juntos, pois tanto para um, quanto para o outro, não via possibilidade de um público em conjunto ser formado e muito pelo contrário, as disparidades entre as duas estéticas diametralmente opostas, dificilmente agregariam novos adeptos um ao outro. Pelo contrário, a possibilidade de um aficionado de uma banda entediar-se com o som da outra, era grande. O argumento de que nos anos 1960 e 1970 não havia público fechado em guetos, tribos e o mesmo sujeito que gostava de Acid Rock, poderia gostar de folk acústico, era cabível naquela realidade perdida.

Os tempos mudaram e dificilmente um fã do Carro Bomba, teria paciência de ouvir uma canção pop do Pedra, e vice-versa, quem gostava do som ameno do Pedra certamente assustar-se-ia com a volúpia quase metálica do Bomba. O clima na montagem, e no soundcheck foi muito agradável, naturalmente. As brincadeiras e a camaradagem em compartilhar equipamento eram ótimas, evidentemente. O nosso técnico de som, Renato Carneiro, não pôde comparecer ao show, mas demos sorte, pois o técnico da casa era muito solícito e competente, possibilitando-nos uma boa equalização de P.A. e monitor, dentro da realidade das dimensões do espaço, e equipamento disponível. O Carro Bomba tocou primeiro, ficamos em segundo lugar e o Golpe de Estado por ser muito mais tradicional entre as três, ficou como show principal de encerramento. Lembro-me que assisti o show do Carro Bomba, da metade para o final, assim que voltei ao Café Aurora, depois de ter passado em casa para tomar banho e jantar. O som deles não era a minha predileção, certamente, mas fiquei admirando a técnica dos três, excelente, e a firmeza que tinham no palco, pois já apresentavam quase dois anos de existência.

O baixista do Carro Bomba nessa ocasião, Fabrizio Micheloni

Sou um admirador confesso do baixista Fabrizio Micheloni, que considero um virtuose. Se eles fizessem um som menos pesado, certamente o estilo dele sobressair-se-ia ainda mais, tornando-o uma espécie de Jack Bruce ou Tim Bogert brasileiro, mas a opção pelo quase Heavy-Metal que praticavam naquela fase (e depois disso, a banda foi ficando ainda mais pesada a cada disco lançado), explicitou-se nos trabalhos posteriores, não deixando que essa técnica apurada viesse à tona de forma adequada. Uma coisa curiosa ocorreu durante o show deles...

Eu estava encostado na parede da lateral esquerda em relação ao palco, quando o Marcello anunciou que o show deles estava encerrando-se, e que a seguir, o público assistiria o Pedra. Dois sujeitos que estavam próximos à minha presença caíram na gargalhada, talvez achando a palavra "Pedra" engraçada, e um disse ao outro, algo do tipo : -"Pedra ? Que merda é essa" ?

Claro que não ofendi-me, pois não havia cabimento em aborrecer-se com tal manifestação, nem que fôssemos famosos no mainstream. Apenas analisei em silêncio naquele instante, o quanto é duro começar um trabalho da estaca zero, tendo que tocar em lugares pequenos, e angariar público num trabalho de "formiguinha". Quanto ao comentário do sujeito, pareceu-me um desdém descabido, claro, mas também uma tendência normal na relação público x artista desconhecido, onde o grau de interesse do primeiro pelo segundo é zero, e daí, é mesmo difícil sair desse ponto inicial de inércia. Ainda mais num ambiente avesso para amantes da música e da arte, como era aquela casa noturna, e mais apropriada aos buscadores dos prazeres hedonistas, das dionisíacas "baladas".

Encerrado o show do Carro Bomba, montamos nosso set o mais rápido possível, com a ação de nossos roadies Samuel Wagner e Daniel Kid (sim, os roadies da Patrulha do Espaço que  acompanhavam-nos), mas cometemos um deslize imperdoável !!

O banner do Carro Bomba ficou exposto, portanto, muitas fotos e a filmagem do show, ficaram com essa falha. O próprio Marcello tocou-se disso, mas era tarde demais, e já estávamos tocando quando ele percebeu. O show foi muito bom. 


 


Estávamos muito bem ensaiados e tocando com uma segurança tão grande que essa credibilidade passou ao público. Tanto que enfrentando um público híbrido, metade esperando pelo Golpe de Estado e a outra metade formada por habitues da casa, acostumados a ouvir bandas cover, arrancamos muitos aplausos e ao final, um sincero pedido de bis, quando a tendência seria o silêncio educado ou até algumas hostilidades por parte de alguns fãs impacientes do Golpe de Estado. 


Presenças ilustres prestigiando-nos no Café Aurora, nessa noite de 26 de maio de 2006 : o staff da gravadora Amellis Records, em peso ! Da esquerda para a direita : Xando Zupo representando o Pedra, e pela Amellis, Tony Babalu; Marina Abramowicz e Suzi Medeiros.


Saímos satisfeitos com esse segundo show, onde apesar de ser uma noite dividida com outras duas bandas, tocamos o nosso set inteiro, com a execução das 11 músicas do primeiro CD. Ao final do show do Golpe de Estado, músicos das três bandas misturaram-se para um jam-session maluca, encerrando a noitada.

A despeito de termos estrado na Feira da Pompeia, cinco dias antes, claro que o sabor de uma real estreia ficou para essa segunda apresentação no Café Aurora, em 26 de maio de 2006, uma sexta-feira e com cerca de 450 pessoas no interior da casa.


Satisfeitos com esses dois shows iniciais, paralelamente já tínhamos a notícia de que alguns jornalistas tinham tido boa impressão sobre o nosso primeiro CD, e também pela forma criativa que encontramos para embalá-lo. 

Em off, um veterano critico musical que conhecíamos desde os anos oitenta, disse-nos que ficara impressionado com a diversidade sonora do trabalho, e também com a criatividade do encarte com inserções psicodélicas, e fotos com "atitude". 

Nesse quesito, acho que a necessidade foi realmente a mãe do invenção como dizia Frank Zappa, pois tudo em relação ao encarte foi precipitado pela urgência em definir um caminho e sobretudo pelo improviso, onde Rodrigo Hid teve o mérito de esforçar-se nesse sentido. 

Cabe aqui uma menção honrosa. Esqueci de mencionar, mas uma figura importante na conclusão desse lay-out final, que foi a do web designer e baixista, Fábio Mulan. Graças a ele, toda a formatação do texto, em termos de tipologia e diagramação, foi agilizada.

E o próximo show estava definido, aconteceria numa casa noturna chamada "Blackmore", localizada no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo.  


Para quem não conhece São Paulo, o "Blackmore" é mesmo referência ao guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore, e a casa tem tradição de fazer shows de Hard Rock e Heavy Metal, predominantemente, e até já promoveu shows internacionais (de memória, lembro-me de Joe Lynn Turner, ex-vocalista do Rainbow e com passagem rápida pelo Deep Purple; Nicky Simper, primeiro baixista do Deep Purple, e John Lawton, Ex-Lucifer's Friend e Uriah Heep). 



Novamente dividiríamos a noite com o Carro Bomba e fizemos um esforço interessante de divulgação, inclusive com inserções de chamadas radiofônicas, e um bonito cartaz que fizemos, bem colorido à moda psicodélica dos anos sessenta.



A casa tinha uma estrutura boa de palco; som e luz, e dessa forma, mesmo sem a presença de nosso técnico, Renato Carneiro, estávamos seguros de que entender-nos-íamos com o técnico do estabelecimento, e faríamos um bom show, como houvera sido no Café Aurora. 



Era um dia útil, mas como estávamos vivendo época de Copa do Mundo, o clima era de dias úteis relaxados; com aulas suspensas, comércio trabalhando em ritmo brando etc. Eu estava com um problema familiar já há alguns meses, com o caso de uma prima minha muito doente. O vai e vem ao hospital tinha intensificado-se desde março daquele ano de 2006, mas o que eu não imaginaria seria passar por uma situação limítrofe, bem no dia do show no Blackmore. O pior aconteceu infelizmente, e na madrugada daquele dia do show, minha prima faleceu, e com meus outros primos, irmãos dela, morando fora de São Paulo, eu tive que tomar a dianteira das providências funerárias, auxiliando meus tios, idosos e abalados, naturalmente. E eu também estava em frangalhos, pois apesar do estado dela nos últimos tempos ter degenerado-se ao ponto de não termos outra esperança, o choque da perda sempre atordoa e machuca, fora o fato de ser uma prima com quem tive estreita relação fraternal desde a infância, portanto, foi um soco no estômago. Em suma, pois não quero, e não vou entrar em detalhes aqui, obviamente, mas o fato é que o funcionário do hospital ligou-me por volta de 1:30 h da manhã para comunicar o ocorrido, e dali em diante, passei a madrugada cuidando dos trâmites e emendando no velório. Não pude acompanhar a cerimônia do crematório, pois seria no final da tarde, quando teria de estar no Blackmore, realizando o soundcheck. Pedi desculpas aos meus tios e primos; minha mãe; irmã e demais parentes e amigos da família presentes, e parti então, com a compreensão de todos. Claro, o cansaço era imenso, mas tiraria de letra após uma boa noite de sono. Contudo, o fato era que eu estava bem chateado com essa perda, e tive que fazer um esforço extra para não prejudicar a minha performance pessoal, tampouco a da banda, em meio à esse drama pessoal que enfrentava. Foi difícil, mas dei o meu melhor naquela noite. 

O Carro Bomba tocou depois de nós naquela noite, invertendo a ordem que cumpríramos no Café Aurora em maio. O show foi bom, temos muitas fotos e uma filmagem em Mini-VHS dele.  

Meu amigo, Marinho Rocker, de Lavras-MG, diante de sua estante de LP's, grande colecionador que é.

Destaco a presença de meu amigo Marinho Rocker (que foi o primeiro incentivador para que eu começasse a escrever esta autobiografia, dando início à narrativa abrindo ele mesmo, um tópico, para que eu pudesse usá-la como "rascunho", na extinta Rede Social, Orkut, em 2011), que veio de Minas Gerais, de sua querida cidade de Lavras, especialmente para assistir o show do Pedra, e também do Carro Bomba, do qual é fã, também. 


Esse show ocorreu no dia 14 de junho de 2006, com 60 pessoas na plateia, aproximadamente. Como último fato curioso, destaco que num dado instante do show do Carro Bomba, o baixista Gerson Tatini, ex-Moto Perpétuo e que era coproprietário da casa, assumiu o controle da mesa de P.A., tentando equalizar o som do "CB", mas como eles tocavam muito mais alto do que nós, e seu som era praticamente um Heavy-Metal, realmente estava difícil de fazer-se as vozes ficarem audíveis. Foi assim o terceiro show do Pedra, então. Um show bom, mas numa noite de muita tristeza pessoal para a minha pessoa, infelizmente.

Após esse show do Blackmore, as atenções voltaram-se ao show que faríamos no Centro Cultural São Paulo, no início de julho. 
Além de ser disparadamente o show de melhores condições que teríamos nesse início de caminhada, ele tinha uma importante missão embutida. Isso porque de comum acordo com o diretor Eduardo Xocante, nós aproveitaríamos o ensejo para capturar imagens da banda tocando ao vivo, que certamente seriam aproveitadas no novo vídeo clip que faríamos. Já definida a escolha de "Sou Mais Feliz", o diretor Eduardo Xocante prontificou-se a escolher um casal de atores para rodar as cenas da dramaturgia do vídeo clip.

Daniel Alvim, o ator que fora convidado e acertara a sua participação no nosso vídeo clip

O ator masculino era um ator jovem e amigo do Xocante, chamado Daniel Alvim, com um curriculum forte de peças teatrais e novelas de TV. Com passagens pela Globo e Record, naquele instante era contratado do SBT. Sua namorada na época, era Mel Lisboa, também famosa pelas atuações no teatro; cinema, e novelas na Globo.

Mel Lisboa, namorada de Daniel Alvim à época, e também atriz, mas que só não atuou no clip por estar com outro compromisso agendado.

Claudia Cavalheiro, a atriz que aceitou participar do vídeo clip

Em princípio, ambos estariam disponíveis, mas logo soubemos que a Mel Lisboa teria outro compromisso que inviabilizaria a sua participação, dando oportunidade então para a confirmação de Claudia Cavalheiro. Diante desses fatos, a nossa missão era caprichar na produção, pois seria de fato o show de lançamento do CD, e filmagem do novo clip.

Antes porém, tivemos uma entrevista cavada pelo Xando, no Jornal Pedaço da Vila, um dos muitos jornais de bairro da Vila Mariana, onde ele morava, e ficava o seu estúdio, "Overdrive". No afã de dar um mote publicitário mais atrativo, ele convenceu a editora do jornal, de que o seu estúdio aglutinava uma cena artística que fortalecia-se, e formada por bandas oriundas da Vila Mariana.
Era uma mentira "do bem", contudo, pois só o Pedra era uma banda da Vila Mariana, mas "pero no mucho", pois morador mesmo da Vila Mariana era só ele, pois eu morava no bairro vizinho, Aclimação (um ano depois, eu mudar-me-ia de fato para a Vila Mariana e moro a dois quarteirões da redação desse jornal, onde digo "boa tarde" para a tal editora, quase todo dia na padaria da esquina da minha rua); Rodrigo morava no Klabin, outro bairro vizinho, e o Ivan morava num bairro da zona leste, Itaquera, absolutamente nada a ver com a Vila Mariana. Pior ainda, as outras bandas arroladas (Carro Bomba; Tomada; Golpe de Estado e Baranga), cujos membros moravam em bairros diferentes e portanto, a ideia de uma "cena artística" oriunda desse bairro, era uma farsa. Enfim, mesmo sendo uma entrevista constrangedora sob esse aspecto, a editora engoliu a história e publicou uma matéria de página inteira, com o subtítulo de "Clube do Rock". Tal matéria lembrou-me de certa forma, a onda criada pelo empresário Mário Ronco em 1985, agrupando diversas bandas da cena pesada de São Paulo na época, e cavando matérias na mídia mainstream com sucesso, inclusive, para reverberar a dita "Cooperativa Paulista de Rock". Dessa turma de 2006 do falso "Clube do Rock", haviam três membros da Cooperativa Paulista de Rock de 1985, ali presentes : eu, Luiz Domingues; o hoje saudoso Hélcio Aguirra, e Paulo Thomaz. E claro, recordamo-nos desse fato e a semelhança com a situação de 2006, criada pelo Jornal Pedaço da Vila. Agora, a missão seria o show no Centro Cultural São Paulo, com direito a filmagens especiais visando o novo vídeo clip da banda. 

Na semana do show do Centro Cultural São Paulo, nós tínhamos um compromisso importante de divulgação, não só desse show, mas sobretudo do lançamento do primeiro disco.


Seria a nossa segunda participação no programa ao vivo da emissora Brasil 2000 FM, um dos mais tradicionais de São Paulo e do Brasil, em termos radiofônicos e centrados no Rock.

Já havíamos participado em 2005, ainda com Alex Soares na formação, mas agora a nossa missão era ainda mais importante, devido ao lançamento do disco, iminência de lançamento de mais um vídeo clip e um show num lugar muito tradicional de São Paulo.


Na segunda foto, Renato Carneiro operando a mesa no estúdio da Brasil 2000 FM, sendo observado pelo radialista, apresentador e produtor do programa, Osmar "Osmi" Santos Junior

Particularmente, eu estava habituado a participar desse programa, pois toquei ao vivo e fui entrevistado com o Pitbulls on Crack, duas vezes (1993 e 1997), e Patrulha do Espaço (2000), fora duas entrevistas com A Chave / The Key, em 1988.


Produzido e apresentado pelo dinâmico Osmar Santos Junior, popular "Osmi" (e nada a ver com o famoso locutor esportivo), o programa existe até os dias atuais (2016), mesmo tendo mudado de nome muitas vezes ("Clip Independente"; "Brasileiros & Brasileiras"), mas sempre mantendo o formato : banda tocando ao vivo, mesclado com entrevista comandada pelo Osmar e perguntas de ouvintes.


Fizemos um som muito legal no estúdio, teve bastante interação com os ouvintes, e foi importante para a divulgação do disco que estava saindo, além do show que faríamos e precisava ser alardeado.



A verdade é que a banda estava numa forma espetacular, muito bem ensaiada e a performance ao vivo no estúdio da emissora Brasil 2000 FM, manteve o padrão de qualidade que havíamos adquirido.

Pedra & equipe + Osmar Santos Junior + Nelson Brito, do Golpe de Estado

Fizemos todo o possível para caprichar na produção desse show no Centro Cultural São Paulo. Entre tantas ideias que tivemos, a do telão com projeções foi a mais viável como cenário.

O Xando produziu esse material que era simples, mas foi muito funcional, mesclando algumas montagens de fotos da banda, com fractais psicodélicos e efeitos similares. No tocante à divulgação, fizemos um cartaz bem psicodélico, também, nos moldes dos cartazes que estávamos desenvolvendo desde o início. 

A diferença, nesse caso, era que seria de fato nosso primeiro show sozinhos, sem compartilhar com outras bandas. Para o Clip, o Eduardo Xocante programou-se para fazer diversas tomadas, recrutando cinegrafistas que estariam na equipe técnica do clip. 

No camarim do CCSP : Xando Zupo com os atores Claudia Cavalheiro (primeira à esquerda); Daniel Alvim (blusa azul), e Mel Lisboa. Foto : Grace Lagôa

O show foi filmado sob vários ângulos, inclusive aproveitando a entrada do casal de atores, misturados à plateia. Tais cenas integrar-se-iam na edição final, dando a ideia dramatúrgica de que o casal fictício fora assistir o show do Pedra. E na parte musical, convidamos três percussionistas que tocariam conosco na música "Me Chama na Hora", reproduzindo a batucada de escola de samba contida na gravação do CD.


 

1ª Foto : Caio Ignacio; 2ª Foto : Roby Pontes; e 3ª Foto : Thiago Sam

Ensaiamos previamente com Caio Ignácio, que foi o músico responsável por toda a batucada no CD, mais o amigo Roby Pontes (hoje baterista do Golpe de Estado) e outro excelente percussionista chamado Thiago San (que participaria em 2008 da gravação do CD Pedra II, e anos depois, tornar-se-ia muito famoso no mainstream, como´vocalista / percussionista da banda "Sambô"). 

Com esse trio, a batucada ficou excelente, mesclando-se ao nosso baterista Ivan Scartezini. Estávamos afiados e o dia do show chegou...

Investimos forte na divulgação, dentro de nossas possibilidades, claro. Seria de fato o nosso mais importante show nesse início de atividades, e o momento era muito propício com a perspectiva de um novo clip, mais resenhas promissoras para sair e a boa repercussão dos primeiros shows. 


Animados, fomos para o Centro Cultural com essa determinação de fazer um bom show. 


Então, no dia 8 de julho de 2006, subimos ao palco do Centro Cultural São Paulo. Já na passagem do som, fizemos filmagens que posteriormente foram usadas num "promo" caseiro que foi lançado no final de 2006, contendo a música "Estrada". 

No telão, além de imagens aleatórias, o show era retransmitido como em estádios de futebol e uma câmera fixa filmou todo o show com qualidade muito boa. 

Algumas músicas desse show foram disponibilizadas separadamente no You Tube, ainda em 2006, como "Madalena do Rock' n'Roll", "Vai Escutando", "Reflexo Inverso" etc. Existe a ideia de lançar o show completo no YouTube, em algum momento. 

O diretor Eduardo Xocante chegou ainda no soundcheck, acompanhado de vários assistentes. Sob seu comando, todos fizeram várias tomadas com câmeras da marca "Bolex", uma câmera portátil e muito funcional que segundo o próprio Eduardo Xocante, era muito usada por repórteres de guerra. 

E uma câmera fixa também capturou imagens que foram levadas à edição final. Ao seu comando, o casal de atores (Daniel Alvim e Claudia Cavalheiro) fez uma tomada entrando no teatro com a banda já em ação, e posteriormente algumas tomadas do casal sentado na plateia, assistindo o show. O engraçado, é que a verdadeira namorada de Daniel Alvim na ocasião, a atriz Mel Lisboa, estava junto e sentou-se do outro lado dele, mas sem prejuízo algum à dramaturgia do clip.

No soundcheck, o diretor Eduardo Xocante; eu, Luiz Domingues sentado no canto dos teclados, e Emmanuel Barretto (ao fundo, lendo uma anotação), que trabalhou nesse show como nosso roadie, e cinegrafista da equipe de Xocante, simultaneamente. 

Na parte musical, o Xocante gravou dois ou três takes da banda executando "Sou Mais Feliz", além da execução normal durante o show, ele pediu-nos que a tocássemos novamente num eventual bis, e assim o fizemos, garantindo mais imagens. 

Na parte musical, o show foi muito bom. Estávamos muito bem ensaiados e motivados. A performance ocorreu de uma forma bastante inspirada, com direito até a pequenos improvisos.
Na música "Me Chama na Hora", conforme já disse anteriormente, contamos com as presenças de três percussionistas (Caio Ignácio, Thiago San e Roby Pontes). 



Na parte da batucada, fizemos um adendo organizado no ensaio e bem funkeado e com aquela batucada, que lembrou a "Banda Black Rio". Isso foi muito valorizado pelo público, descartando qualquer possibilidade de fãs Rockers radicais rejeitarem tal manifestação musical híbrida. 



Comemoramos isso não só pelo fato em si, mas também por sentirmos que o Pedra começava a angariar um público diferente do que estávamos mais habituados em trabalhos anteriores de cada um, principalmente a Patrulha do Espaço, banda onde eu e Rodrigo tivemos longa passagem, e o Xando, uma mais curta.


200 pessoas passaram pela bilheteria do Centro Cultural São Paulo naquela noite de 8 de julho de 2006, deixando-nos contentes, pois era um número expressivo para uma banda iniciante, apesar de formada por músicos com carreiras pregressas de curriculum expressivo. 



Da esquerda para a direita : Claudia Cavalheiro; Xando Zupo; Daniel Alvim; Mel Lisboa, e Ivan Scartezini  


Rodrigo Hid e o baixista / guitarrista superb, Marcião Gonçalves


Não consigo lembrar-me apenas do nome da primeira mulher, da esquerda para a direita. Seguindo na nessa ordem, a segunda mulher, de blusa cinza é Silvia Helena (vocalista do Apokalypsis); Zé Brasil (vocalista / violonista / baterista e compositor do Apokalypsis); Diógenes Burani (baterista, Ex-Moto Perpétuo; Ex-Gal Costa); Carlinhos Machado (baterista e atualmente, 2016, toca comigo em : Kim Kehl & Os Kurandeiros); na sua frente, Amarilis Gibeli (radialista e agitadora cultural), e Jaques Sobretudo Gersgorin (Radialista e escritor, ex- programa Kaleidoscópio de 1975)  

              O excelente percussionista Caio Inacio e Rodrigo Hid

No camarim do pós-show, o clima era de muita alegria, onde além de familiares, parentes e amigos queridos, recebemos presenças ilustres como o vocalista do Língua de Trapo, Laert Sarrumor; o radialista mítico Jaques Sobretudo Gersgorin, do Kaleidoscópio (programa de rádio histórico no jornalismo cultural dos anos setenta); Zé Brasil & Silvia Helena, dupla de vocalistas do Apokalypsis; os atores Daniel Alvim, Claudia Cavalheiro e Mel Lisboa; e o grande Cezar de Mercês, ex-baixista do Terço, que dispensa apresentações. Foi o nosso melhor momento ao vivo, nesse início de carreira, mas o embalo positivo continuaria, conforme contarei a seguir.


Ficamos obviamente muito eufóricos com a nossa performance que foi muito segura, tecnicamente perfeita, com grande interação com o público e sinergia. Mas a alegria era por outras motivações, também.

A filmagem do show para compor imagens de apoio ao vídeo clip novo que lançaríamos, deixou-nos bastante animados.

Fora disso, apreciamos o apoio de mídia que tivéramos e simultaneamente, começavam a aparecer resenhas do nosso CD, primeiramente em órgãos de mídia on line, mas logo também começariam na imprensa tradicional impressa. Era um "momentum" bom para o Pedra, e essa euforia por vermos portas abrindo-se ainda continuaria por um período de mais três meses pelo menos, com fatos que ainda vou relatar para fechar esse mosaico.


Madalena do Rock'n'Roll" acrescida da introdução de "Jesus Christ Superstar", iniciando o show do Centro Cultural São Paulo, de 8 de julho de 2006.  

Eis o Link para assistir no You Tube :
http://www.youtube.com/watch?v=CXSRTF1qB3c&feature=relmfu



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