Pesquisar este blog

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Patrulha do Espaço - Capítulo 15 - Nos Últimos Estertores, o Sonho do Álbum ao Vivo - Por Luiz Domingues


 
Nosso foco agora seria uma micro temporada no Centro Cultural São Paulo, a ser realizada em julho de 2004. E para animar tal perspectiva, foi de julho em diante que mais matérias e resenhas do novo álbum começaram a aparecer nas bancas de jornais. E também uma exótica aparição num programa exibido na TV aberta, mas sob um caráter absolutamente underground.

Chamado "Swing com  Syang", era um Talk-Show musical e que tinha uma nobre iniciativa, eu diria, pois sua proposta era a de dar espaço para artistas ligados ao Rock, principalmente, e sentenciados ao limbo do underground. Portanto, para bandas de Rock em geral, fora do mainstream, passou a ser uma opção de divulgação válida. Claro, a despeito de ser uma emissora de TV aberta que transmitia-o, fazia-o na alta madrugada, e eximia-se de sua produção. Era na verdade, um programa independente, e que simplesmente alugava espaço na grade dessa emissora aberta.
O canal em questão era a TV Gazeta de São Paulo, que é uma emissora na qual eu nutro declarada simpatia, desde que entrou no ar, no longínquo ano de 1970, contudo, sempre foi a emissora aberta na cidade, com a menor audiência, infelizmente. Não obstante tal fato, sendo exibido durante a madrugada, o referido programa tinha audiência tímida, mas dentro do patamar das emissoras abertas, ou seja, perto das líderes no setor, seus números eram inexpressivos, porém para a nossa realidade do underground, ter um ponto na cotação de audiência, significava estar atingindo cerca de 80 mil pessoas na cidade de São Paulo, um pouco menos na proporção do horário, mas muita gente, enfim.

Syang era (é) uma guitarrista muito famosa no mundo do Rock underground, contudo, sendo uma moça muito bonita, chamava a atenção pela sua beleza física e claro que a despeito dela ter uma carreira no mundo do Heavy-Metal e do Punk Rock, tocando guitarra em bandas como o "Detrito Federal" e "P.U.S.", sua beleza e porte de "centerfold" da revista "Playboy", chamavam muito mais a atenção e seu programa atraía alguns Rockers, mas certamente o grosso da audiência era formado por "solitários" de todas as faixas etárias, disso não havia dúvida. Para reforçar tal impressão, logo após a exibição do programa da Syang, entrava no ar outro programa ao vivo, realizado pela mesma produtora, e este sim, calcado na exploração da sensualidade, pois era um simulacro de gincana tola, onde os telespectadores eram convidados a participar e os telefonemas eram computados como receita para os seus realizadores. Mediante tais perguntas travestidas de culturais, várias moças bonitas e trajadas de forma sensual, exibiam-se dançando, caso o telespectador acertasse a resposta e claro, o objetivo era capitalizar o máximo de telefonemas, e a intenção dos participantes era ver as moças sensualizando na TV.

Nossos amigos do Golpe de Estado, participando do referido programa

Bem, sobre o programa da Syang, muitas bandas do métier underground estavam indo tocar e quando recebemos o convite, claro que aceitamos, e vinha a calhar para reforçar a promoção do novo disco, e dos três shows que faríamos no Centro Cultural São Paulo, logo a seguir. E lá fomos nós, na noite / madrugada de 4 de julho de 2004...


Chegamos ao endereço onde funcionava o estúdio em questão dessa produtora, por volta das 23 horas, com a antecedência pedida pela produção do programa. Ficava numa travessa da Avenida Washington Luiz, caminho para o autódromo de Interlagos.
Tratava-se de uma mansão outrora residencial, muito ampla e bonita, onde na parte de baixo da casa, estava o estúdio / palco do programa da Syang, e na parte de cima, funcionava outro estúdio, onde filmavam o programa das moças, e sua gincana infame, conforme citei anteriormente.

Quando chegamos, fomos convidados pela produtora, a dirigirmo-nos à uma sala de maquiagem, numa estrutura parecida com um estúdio de TV convencional. Sem dúvida que eles tinham uma estrutura bacana, isso era louvável. Quando chegamos à sala de maquiagem, encontramos Sérgio Dias, que estava preparando-se também e sua simpática esposa, Lourdes, que eu conhecia também desde 2001, conforme já narrei em capítulos anteriores.

Simpáticos, ficaram conversando conosco, bastante amigavelmente. Nessa altura, Sérgio ainda centrava seus esforços em sua carreira solo, e sua participação no programa foi só com entrevista, falando de suas ações naquele momento em termos de carreira solo e os Mutantes só anunciariam uma "volta" em 2006, de fato. Quando já estávamos preparando-nos no estúdio, fazendo um rápido soundcheck com o técnico de áudio da TV, a produtora informou-nos que Syang sempre gostava de iniciar o programa tocando com a banda convidada, e que nós sugeríssemos alguma música para ela tocar conosco, preferencialmente uma música do Rock internacional, conhecida de todos.

Sabedores que seu apelido "Syang" é uma homenagem ao seu grande ídolo, o guitarrista escocês / australiano, Angus Young, do AC/DC ("Sy", de Simone e  "Yang", como corruptela de "Young"), sugerimos que tocássemos qualquer música do AC/DC. Passados cinco minutos, a produtora volta a abordar-nos e comunica-nos que a Syang estava cansada de tocar sempre AC/DC toda a noite, e gostaria de tocar "God Save the Queen", do famigerado "Sex Pistols...
Não teve jeito, ela cismou e quis porque quis tocar essa peça perpetrada dessa banda que abriu os portais do inferno e decretou a morte do Rock, mas, claro, são poucas as pessoas neste planeta que sabem dessa particularidade, e ali não era o momento para fazer nenhum discurso sobre o assunto, por isso, lá estava eu tocando a peça gravada por músicos de estúdio, pois os membros dessa bandinha infame orgulhavam-se de não saber tocar...
Bem, além da Patrulha como atração musical, e o Sérgio Dias como entrevistado, três atrizes divulgando sua peça teatral em cartaz, estavam presentes, também. Quando o programa começou, nos caracteres ficava passando o tempo todo observações feitas por telespectadores. 

Lamentavelmente, apesar de ser um talk show cultural, numa primeira instância, as observações que líamos ali eram em 99% dirigidas à pessoa da Syang, em tom de gracejos; cantadas; elogios baratos etc etc. De fato ela era (é) linda, e tinha (tem), porte de "coelhinha da Playboy", mas era lamentável que ninguém prestasse atenção nas bandas que ali tocavam e falavam de seus trabalhos, tampouco os demais entrevistados, todos geralmente ligados à arte & cultura. Dos pouquíssimos comentários que vieram mencionando-nos, só bobagens perpetradas por verdadeiros incautos que não faziam nem ideia de quem éramos, falando coisas rasas do tipo : "Da hora o som da banda"... ao que eu responderia se fosse o caso : -"obrigado e aproveite para acertar o seu relógio que está parado, garoto". Bem, a despeito disso tudo, demos o nosso recado e saímos contentes dali, fora a diversão que foi aquela aventura maluca numa madrugada gelada do inverno paulistano. Sobre o som, acho que ela saiu bem razoável e sempre era um terror equalizar banda de Rock em estúdio de TV, ao vivo. Quem mais sofreu ali foi o Junior, pois a proposta desse programa era que ele usasse uma bateria eletrônica, e claro que um baterista do nível dele, deparando-se com alguma coisa desse patamar, que mais assemelhava-se à um brinquedo, causou-lhe constrangimentos e irritação. E claro que era uma infâmia. Lembro-me de que logo no início, o pedal do bumbo dessa "coisa" falhou e uma ginástica teve que ser feita para adaptar um pedal tradicional, fazendo-o funcionar naquela estranha realidade. Não teve jeito e por sorte o Junior levara sua bateria, já prevendo uma pane, e o bumbo normal foi adaptado ao restante do brinquedinho. Ele tentou persuadir o técnico antes de que a bateria tradicional soaria melhor, mas o rapaz insistiu no conceito de que estava acostumado a lidar com a eletrônica blá blá blá... ok, moleques de cinco anos de idade também são super aptos na pilotagem de "joysticks"...
Fora isso, o som saiu a contento, apesar desse simulacro de bateria e amplificação fraca disponibilizada para os três homens das cordas. Vendo a filmagem já disponibilizada no You Tube, acho que ficou até que razoável. Tocamos as seguintes músicas ali ao vivo : "Rock Com Roll"; "Vou Rolar"; "One Nighter"; "Ser"; "São Paulo City"; e "Olho Animal". Obviamente que optamos por músicas mais no limiar do Hard-Rock, com duas guitarras e sem pensar em teclados, para facilitar toda a logística. Tocamos num cantinho, como se fosse uma sala de estar, acomodados em "puffs", dando uma aura informal ao Talk-Show.

A Syang levava jeito para a coisa, e não usando de trejeitos para valer-se de ser "Rocker", tampouco sensualizando para explorar sua beleza, conduziu o programa com bastante dignidade, ao estilo de uma Talk-Show tradicional. Naturalmente que a produção devia filtrar coisas impublicáveis, mas mesmo assim, ela driblava os telespectadores mais "babões" com seus gracejos de insinuação sensual, com uma certa desenvoltura, mas ali no calor do estúdio, era nítido que isso a aborrecia muito, pois fora do foco da câmera ela reclamava acintosamente da situação. Recado dado, falamos dos shows no Centro Cultural São Paulo; do novo disco, e era isso o que importava. Ao final, na informalidade pós-programa, a Syang  disse-nos que havia ficado impressionada quando viu-nos chegando ao estúdio, com aquela aparência de banda setentista, parecendo o "Black Sabbath", palavras dela...

Particularmente, como artista militando a vida toda no underground da música, não fico bravo quando constato material pirata de alguma banda minha sendo vendido no mercado, mas a lastimar-se no caso da capa desse DVD citado acima, os erros ortográficos crassos na nomeação dos componentes da banda. 

Uma versão mais centrada na nossa participação, com pouca conversa dos demais convidados, tornou-se um "Bootleg" como DVD, e foi vendido na Galeria do Rock e outros pontos de vendas para colecionadores em todo o Brasil. Trata-se exatamente do DVD que está postado no You Tube. Antes de falar dos shows do Centro Cultural, um pouco sobre as matérias e resenhas que saíram nessa época...

Assista a participação da Patrulha do Espaço no referido programa "Swing com Syang", em 4 de julho de 2004 :


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=dyKsRHsGYvI


Eis algumas resenhas que foram saindo a partir de junho / julho de 2004 :

1) Jornal "Ponto Final" nº 314 - Semana 24 a 30 de junho de 2004

"Será que o Rock morreu ? Não estou falando do desse estilo musical cheio de misturas que tocam nas rádios de hoje, mas sim daquele Rock 'n Roll que encantou o mundo nos anos setenta, década na qual gigantes caminharam sobre a Terra. Se depender de Rolando Castello Junior (bateria), Rodrigo Hid (guitarra, vocal, teclados), Marcello Schevano (guitarra, vocal, teclados), e Luiz Domingues (baixo e vocal), esse estilo musical está longe de ser enterrado. Esses quatro rapazes formam uma das mais competentes bandas da atualidade : a Patrulha do Espaço, que está na estrada há 28 anos e chega ao seu 11º disco de forma espetacular. No álbum "Missão na Área 13", como o próprio grupo sugere, eles misturaram Rock com Roll e conseguiram realizar belo disco. Logo de cara, o grupo já manda um grande desabafo : "Rock com Roll" lembra da repressão da ditadura militar e de como é difícil fazer Rock tradicional no país do samba. 'Quando surgiu o AI-5, nós brasileiros e roqueiros perdemos muita coisa. A censura era ferrenha e não havia espaço para as bandas de Rock. Até mesmo os discos das grandes bandas internacionais eram proibidos aqui', relembra Junior. Uma das surpresas é "Anjos do Sol", uma linda música instrumental - repleta de teclados progressivos- coisa que a Patrulha não fazia desde o seu quarto disco. Já em "Vou Rolar", além de ótimos vocais, traz uma homenagem a algumas cidades pelas quais a banda passou. Outro ponto interessante é que esse álbum foi gravado no estúdio 'Área 13', em São José do Rio Preto e segundo Júnior, o clima do local foi muito favorável. 'Lá não havia as distrações de uma grande metrópole. Nós nos dedicamos ao disco em tempo integral', relata. Entretanto agora deve acontecer o contrário, como afirmou o próprio baterista. Nos dias 23, 24 e 25 de julho, a Patrulha se apresenta no Centro Cultural São Paulo, e os técnicos do Área 13 gravarão o que se tornará no primeiro disco ao vivo da banda. Para esse empreitada, Junior pede a ajuda dos fãs da Patrulha, pois eles podem sugerir ou pedir músicas através do novo endereço eletrônico (www.patrulhadoespaco.com.br). 'O legal é que poderemos tocar músicas que normalmente não fazemos ao vivo'
O próprio baterista diz que não será fácil fazer uma lista que abranja 28 anos da banda, que segundo ele, desde o início, está com sua missão traçada : 'manter vivo o sonho do eterno Rock'n Roll'

Vladimir José Ribeiro


Muito boa análise do disco novo e também mesclando com uma entrevista concedida pelo Junior já falando dos planos de gravação dos shows no CCSP, visando gravar um disco novo.

2) Revista "Rock Brigade" nº 216 - Julho 2004

"Na ativa desde os anos setenta, a Patrulha do Espaço é aquele tipo de banda que prova como se faz Rock na base da raça e da paixão. Mesmo nestes tempos em que o Rock está meio que restrito a dois ou três gêneros - e nenhum deles, diga-se, é auele Hard Rock setentista com toques psicodélicos que a Patrulha faz -, é no mínimo admirável que Luiz Domingues (baixo), Rodrigo Hid (guitarra, voz e teclados), Marcello Schevano (guitarra, voz e teclados), e Rolando Castello Junior (bateria) continuem mantendo uma produção de , no mínimo, um disco por ano - e, já que ninguém contrata a banda, vai no esquema independente mesmo. Mais digno de aplausos ainda é quando o disco é tão legal quanto este. Difícil dizer se isso se deve ao fato de "Missão na Área 13" ter sido gravado num estúdio encravado no meio da natureza, no interior de São Paulo, mas o fato é que há muito que a Patrulha não registrava músicas tão boas. "Rock com Roll" (título aparentemente nada a ver, tem que ouvir a letra pra entender) e "Vou Rolar" são alguns exemplos disso que se tentou demonstrar, num álbum, num álbum movido a ótimas interpretações vocais e muitos riffs de guitarra. E nem o fato de a batera do Junior - ainda um dos melhores no Brasil em seu instrumento - estar incrivelmente baixa em relação ao restante da banda, estraga este disco"

ACM


Bem, uma critica muito positiva e é claro que o ótimo Tony Monteiro optou por uma linha de resenha diferente, enxergando a banda como um todo e não atendo-se ao disco em si. Creio que essa linha foi plenamente válida, pois ele captou o esforço geral da banda nessa formação e quis salientar isso mais incisivamente.

3) Revista "Mosh" Nº 1

Entrevistando o Junior, o jornalista Arnaldo Bambini fez uma projeção da situação da Patrulha com o lançamento do disco "Missão na Área 13", mas indo além, falando também da produção independente no Brasil e a derrocada da indústria fonográfica que  mostrava-se muito visível naquele instante de 2004.


Mais matérias nesse período...

1) Revista "Modern Drummer" Nº 22  

"Há 26 anos Rolando Castello Junior comanda a bateria da Patrulha do Espaço com competência e vontade de tocar. Neste CD, logo na primeira faixa, "Rock com Roll", Junior começa com uma batida precisa do bumbo fazendo o papel do metrônomo, e a levada da bateria já está pronta para conduzir a música. Nos espaços entre um verso dos vocais e um solo de guitarra, Junior coloca o seu entusiasmo para preencher o vazio e logo volta a apoiar o restante do álbum. Ele pode determinar o caminho rítmico no início da música como em "Vou Rolar"; entrar junto com o segundo verso do vocal em "Tão Perto, Tão Distante"; reforçar a tônica dos versos em "Universo Conspirante", ou dar apoio como percussionista em "Quando a Paixão te Alcançar". Enfim, uma demonstração de que o Rock dá espaço para o baterista expor suas levadas com criatividade e evoluir dentro de cada música".

PC

Uma resenha baseada na performance do Junior como baterista e percussionista, pertinente portanto ao que espera-se de uma revista especializada em bateria e percussão, caso da "Modern Drummer". Gostei do enfoque, apesar de que numa lauda curta, o resenhista não tenha tido a chance de aprofundar-se. Cabia uma análise mais pormenorizada, mas tudo bem, achei bacana.

2) Revista "Cover Baixo" Nº 24

"Neste ano, a banda Patrulha do Espaço completa 27 anos de existência, o que em terras brasileiras é uma raridade para quem tem uma proposta de fazer um Rock'n Roll de ótima qualidade.
Lançado de forma independente, 'Missão na Área 13' vem firmar o nome da banda como uma das pioneiras do estilo no Brasil. Esse disco não difere muito dos outros trabalhos da banda. O que se ouve é o bom e velho Rock'n Roll, tocado por uma galera que entende do assunto. O baixista Luiz Domingues, segura a onda da cozinha juntamente com o batera, Rolando Castello Junior, que juntos formam linhas bem coesas e precisas. Destaques para a pesada 'One Nighter', para a balada 'Tão Perto, Tão Distante' e para as roqueiras ' Vou Rolar' e 'Rock com Roll'. O único senão ficou por conta da foto do encarte, em que os membros da banda e seus amigos aparecem fazendo caretas e gestos obscenos, totalmente desnecessários".

PC

Ao contrário do que esperar-se-ia de uma resenha numa revista especializada em baixo e baixistas, o resenhista quase não citou o meu trabalho em específico nesse disco, fazendo um elogio bem discreto nesse quesito e mais centrando sua atenção no disco em si, numa linha de resenha mais ampla e não setorizada. Sobre o que observou ao final da foto do encarte, concordo inteiramente com o ponto de vista dele e já havia comentado isso em capítulo anterior, ou seja, achei uma asneira que essa foto fosse a escolhida para figurar no encarte. E apesar de eximir-me disso e na foto estar de braços cruzados em sinal de não aceitação dessa ideia idiota proposta na hora em exibir-se o dedo médio, claro que a observação do jornalista incomoda-me, pelo fator da "vergonha alheia".

3) Revista da MTV Nº 39

"Grande banda que começou nos anos setenta e ainda continua na ativa fazendo um belo trabalho. O Rock'n Roll levanta voo em sons como "Vou Rolar", "Rock com Roll"; "Tão Perto , Tão Distante" / Tão Distante" e outras".

Como sempre, o bom jornalista Daniel Vaughan tinha espaço mínimo para escrever, diametralmente oposto à sua boa vontade em falar de bandas vintage como a nossa. Mais uma nota que uma resenha propriamente dita, mas super válida como força na divulgação. Na mesma edição da revista, uma nota falando também do disco, e uma especulação em torno de um DVD oficial e quiçá, com participação do Arnaldo Baptista. Pura especulação, mas bacana para nós enquanto rumor a se espalhar.

4) Revista "Comando Rock" Nº 7

"Com mais de 25 anos de estrada, a Patrulha do Espaço é referência do Rock and Roll nacional. O novo trabalho mantém o nível dos antecessores. 'Rock com Roll' e 'Vou Rolar' são pura animação com batidas agitadas e refrães marcantes. Também há espaço para baladas - 'Trampolim' e 'Tão Perto / Tão Distante' - e outras mais virtuosas como as instrumentais 'Anjo do Sol' e 'For Loonies Only'. Esta última apresenta um técnico solo de bateria e percussão'.

ARJ

Bacana a resenha do rapaz, cujas iniciais não consigo decifrar de quem trata-se. Sucinto, deu o seu recado com deferência à banda, pela sua trajetória completa, e também pelo novo disco em si.
Interessante citar "For Loonies Only", uma vinheta instrumental só de bateria e de fato, uma peça criativa e que poucos jornalistas citariam.


Voltando à cronologia dos fatos, a ideia que o Junior teve para esse show foi uma grande sacada. Um antigo sonho da banda e de seus fãs, um álbum ao vivo sempre foi objeto de discussões internas na banda, desde muito antes da nossa formação, aliás. Naquela altura dos acontecimentos, com uma carreira prolífica de quase 27 anos; 11 discos oficiais; e várias formações formidáveis, o que não faltava para a banda era um repertório longo, repleto de sucessos das várias fases.  
Contatando o pessoal do estúdio Área 13, fez o convite para que eles viessem com a máquina de gravação, e demais componentes básicos para gravar-se em regime de "unidade móvel" e eles aceitaram o desafio. Seria uma oportunidade de ouro de gravar-se ao vivo, justamente por tratar-se de uma micro temporada, portanto, havia, chances para ter no mínimo três takes de cada música, fora eventuais repetições e captura durante as respectivas sessões de soundcheck ao longo dos dias de shows. Não seria a primeira vez que eu gravaria um disco ao vivo, mas no entanto, desta vez a circunstância era diferente, pois a minha experiência anterior houvera sido com um compacto simples, portanto, com uma responsabilidade muito menor.


Nota no site da Revista "Zero", já prenunciando os planos de um novo disco a ser gravado ao vivo

Desta feita, a ideia era um CD inteiro, e que numa conta grosseira, quase significaria o equivalente à um disco duplo de vinil, daqueles clássicos que quase toda banda setentista lançava no meio da carreira, quando já tinha uma quantidade bem razoável de sucessos acumulados. Indo além, era um alento para a banda num momento de baixo ânimo generalizado e claro, que a discussão sobre a escolha do repertório deu-nos um alento, e foi prazeroso pensar nesse set list. A ideia seria montar um set list básico a ser tocado nos três dias e pinçar algumas músicas diferentes para usar um pedaço do show em regime de rodízio, mudando assim a cada dia. Dessa forma, tocaríamos músicas surpreendentes para o público e estimulando-o assim a comparecer nos três dias, oferecendo opções diferenciadas. Portanto, a ideia era ótima e assim preparamo-nos nos ensaios, com cerca de 30 músicas para apresentar nos três dias da temporada no CCSP.

Recebemos os amigos de São José do Rio Preto com muita alegria.
Fora a amizade que já tínhamos de longa data com Junior Muelas e Alberto Sabella, também tornáramo-nos amigos de Gustavo Vasquez e Fabio Poles. Devidamente hospedados num apartamento vago dos irmãos Schevano, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo, e estrategicamente bem perto do Centro Cultural São Paulo, da parte deles estava tudo OK para no primeiro dia fazer o trabalho mais árduo, que seria de montar seu equipamento e acoplá-lo ao equipamento de P.A.

Estavam todos muito motivados e se o CD "Missão na Área 13" já despertava muitas resenhas positivas na mídia e elogios aos estúdio por nos proporcionar o melhor áudio de disco oficial em nossa formação, e quiçá da carreira toda da Patrulha, a perspectiva de gravar um disco ao vivo da nossa banda era uma oportunidade de ouro para eles terem em mãos um segundo cartão de visitas de alto padrão para alavancar o nome de seu estúdio. Então, no primeiro dia de show, que era o da sexta-feira, 23 de julho de 2004, o trabalho preliminar de montagem do backline e soundcheck ficou ainda mais pesado, com toda a parafernália da unidade móvel de gravação sendo montada e acoplada ao comando geral da mixagem ao vivo, na mesa do P.A. do Centro Cultural São Paulo.

Mesmo chegando bem cedo, dentro das possibilidades da logística interna do CCSP, faltou tempo e de antemão os amigos de Rio Preto já avisaram-nos que não tinham tudo pronto para gravar e que apenas fariam testes no primeiro dia. Haviam muitas incompatibilidades de mandadas e que demandava-se tempo para serem achadas soluções técnicas para o equipamento deles ajustar-se ao do CCSP.

E assim fizemos o primeiro show, um pouco chateados por saber que nenhuma gravação dessa noite poderia ser aproveitada posteriormente, e dessa forma, era um cartucho a menos que disporíamos. Mas, claro, era um show e o público tinha que ter de nós o máximo no palco, e tal abatimento não poderia transparecer de forma alguma. E vendo pelo lado positivo, claro que seria um fortalecimento a mais da performance e tocando ao vivo, diferentemente dos ensaios, teríamos um termômetro mais real de como as músicas sairiam. Era natural e esperado que os andamentos de todas as músicas estariam mais rápidos. A adrenalina do show ao vivo era um fator natural a fazer acelerar tudo e 99% dos discos ao vivo na história do Rock, seja de bandas internacionais ou brasileiras, apresentam esse fenômeno, pois é fator natural de todo ser humano. Foi uma boa estreia, apesar desse problema com a gravação do show e agradou o público que teve uma performance boa da banda. Aconteceu no dia 23 de junho de 2004, uma sexta-feira e com 80 pessoas na plateia.

No segundo dia da temporada, tudo ficou mais fácil, naturalmente, com todo o backline montado e carecendo de poucos ajustes pontuais para o segundo show. Mas sobretudo, houve tempo para o pessoal do "Área 13" poder adequar seu equipamento ao do P.A. do CCSP, e a gravação foi a todo vapor.

Com público muito maior, claro que a animação foi total para termos uma performance ainda melhor que a da noite anterior. Apesar da gravação da noite anterior não ter sido proveitosa (no calor dos acontecimentos, algum material da sexta foi aproveitado posteriormente no disco ao vivo), mantivemos a determinação de manter um repertório base e trocar algumas músicas, dia após dia.

Camarim do CCSP com Luiz "Barata" Cichetto e Rolando Castello Junior. Autor da foto, desconhecido

Com bastante assédio no camarim, o termômetro do show do sábado não poderia ter sido melhor, com muita empolgação. Assim foi em 24 de julho de 2004, com cerca de 250 pessoas na plateia.

Camarim no show do sábado, dia 24 de julho de 2004. Em pé, da esquerda para a direita : Luiz Domingues; Rodrigo Hid; a terceira pessoa não tenho certeza absoluta, mas creio ser o tecladista Guina; Rolando Castello Junior; uma fã que sempre aparecia nos shows, mas cujo nome fugiu-me; criança não identificada e Claudia Fernanda, a produtora da banda. Agachados : Marcello Schevano; Michel Camporese Teér e Luiz Albano (usando camiseta do Kiss), este último o rapaz que criou a comunidade "Luiz Domingues" na Rede Social Orkut, em 2006 e onde iniciei o texto da minha autobio, a partir de 2011.

No domingo, seguimos a mesma cartilha e a empolgação foi total, igualmente. Numa surpresa de última hora, o vocalista Percy Weiss apareceu e acabou tendo participação, cantando duas músicas conosco. Sua voz imortalizou-se no disco, posteriormente em "Columbia" e "Olho Animal". Sobre a gravação em si, falo mais para frente quando comentar sobre o álbum ao vivo. No domingo, dia 25 de julho de 2004, com cerca de 200 pessoas na plateia, encerramos a micro temporada no Centro Cultural São Paulo e as gravações do material que comporia o álbum ao vivo.

Foto do show do dia 25 de julho de 2004. Click; acervo e cortesia de Marinho "Rocker"

Mas também significou a reta final para a banda, pois representou o último show da banda na capital de São Paulo, com a nossa formação. Ainda não havíamos determinado isso oficialmente, mas os acontecimentos vindouros, de agosto e setembro, culminaram com essa resolução e assim, só haveria mais um show a cumprir na cidade de São Carlos, no interior, em outubro. Mas em 25 de julho de 2004, foi o derradeiro na capital, nossa cidade, a São Paulo Rock City...

Fotos do Show do CCSP, de julho de 2004, são de Ana Fuccia, com exceção da creditada a Marinho Rocker, e as de camarim, com crédito desconhecido.

Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário