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sábado, 19 de dezembro de 2015

Patrulha do Espaço - Capítulo 17 - Pós-Patrulha / Póstumo Vivo - Por Luiz Domingues

Os primeiros momentos Pós / Patrulha, foram tensos no meu caso; também respingaram no Rodrigo Hid, a seguir, e cabe uma explicação. Não da parte do Junior, mas pessoas que gravitavam na órbita da Patrulha, porém forma superficial e a maioria delas nem tendo contato direto com a banda, por morarem em outras cidades, e até estados diferentes da federação, souberam da dissolução da nossa formação e a seguir surgirão notícias sobre a minha entrada numa banda nova que estava sendo articulada pelo guitarrista Xando Zupo, e menos de dois meses depois, com a entrada na mesma banda de Rodrigo Hid, tais boatos intensificaram-se. O grande problema é que houve um tremendo erro de avaliação da parte de algumas pessoas ao ligar os fatos apressadamente e daí imaginarem que eu, e logo a seguir o Rodrigo, havíamos saído da Patrulha do Espaço, para entrar numa nova banda de forma deliberada, mas não foi isso o que ocorreu. Fãs inveterados da Patrulha, tais pessoas sentiram-se "ofendidas" com o que interpretaram como a uma "traição" e foram para a internet que já estava bem popular na época, inclusive com o início da grande febre do Orkut, como primeiro grande fenômeno de Rede Social por aqui, e agrediram-nos com palavras fortes, acusando-nos sem nenhuma base verídica, apenas movidas pela maledicência. Eu pensei em contar tal episódio no capítulo do "Pedra", a banda em questão, e objeto de continuação na narrativa da minha autobiografia, após fechar a minha história com a Patrulha, mas ponderei e achei melhor narrar o episódio aqui na história da Patrulha, para deixar claro ao leitor, a verdadeira história.

Quando resolvi deixar a Patrulha do Espaço, conforme já narrei, estava exaurido em minhas forças e pensando seriamente em afastar-me definitivamente da música, enquanto carreira artística e dedicar-me de novo à pedagogia musical, ministrando aulas para sobreviver, mas sem fazer parte mais de nenhuma banda autoral formal. Comuniquei minha saída oficialmente ao Junior, no dia 6 de setembro de 2004. Só fui receber o telefonema do guitarrista Xando Zupo, convidando-me para conhecer o projeto de banda autoral nova que ele estava formando, quase no final de setembro, e ainda no telefonema, cheguei a dizer-lhe que estava cansado e pensando na aposentadoria da carreira artística. Só decidi ir à sua residência para ouvir a proposta e ver o material que ele já tinha em mãos, ensaiando com um time montado e só faltando baixista, nessa época, portanto, que fique claro, eu não deixei a Patrulha para entrar em outra banda. Mas o destino fez-me interessar-me pela proposta artística que o Xando estava articulando com Marcelo "Mancha"; Tadeu Dias e Alex Soares, cerca de vinte e poucos dias depois. Nesse ínterim, o Junior comunicou que haveria um último show em São Carlos, em outubro, e eu já havia aceitado a proposta do Xando Zupo e devo ter feito dois ensaios iniciais com essa banda que tornar-se-ia o "Pedra".

Portanto, para os desavisados de plantão, ficou a impressão de que eu "traíra" a Patrulha e largara-a para integrar outra banda, mas não foi o que ocorreu, de forma alguma. O convite para entrar no "Pedra" ocorreu muitos dias depois de eu ter desligado-me oficialmente da Patrulha, com lisura e ética. A súbita oportunidade surgida em forma de um convite inesperado, veio depois. E o fato do Rodrigo ter entrado no "Pedra", também reforçou a rede de boatos da parte dos maldosos desocupados, mas também sem cabimento algum, e no caso dele, o convite para entrar na banda veio no final de dezembro de 2004, mais tarde portanto. Tal onda de ataques gratuitos e alguns até de baixo nível que vimos na Internet, durou até o primeiro trimestre de 2005, e foi perdendo força, ainda bem. Assemelhava-se ao comportamento de membros de torcidas uniformizadas de clubes de futebol, tamanha a ignorância e truculência e além de serem completamente fora de propósito conforme aqui deixei bem explicado, vou além e digo que a Patrulha não precisa de fãs que tem esse tipo de atitude imbecil.
Esses sujeitos ouviram o Chronophagia, mas não entenderam nada, certamente.

A seguir, mais algumas matérias, resenhas e entrevistas que saíram ainda em 2004, e avançando nessa cronologia após meu desligamento da banda.

1) Rock Brigade nº 219 - outubro 2004

Numa entrevista só com o Junior, uma geral sobre o momento da Patrulha com o CD "Missão na Área 13" ainda repercutindo, mas nenhuma palavra sobre a dissolução da nossa formação foi proferida. Uma estratégia boa para a banda que já articulava reformulação e não carecia tornar isso público nesse instante, portanto, bem compreensível. 

 
2) Revista "Guitar Player" nº 101 - 2004


Entrevistados por Gustavo Martins, Rodrigo e Marcello contaram sobre particularidades técnicas sobre a gravação das guitarras do álbum "Missão na Área 13". Muito bacana uma revista dessa categoria procurá-los para entrevistas, reiteradas vezes em todos os discos de estúdio que gravamos.

3) Jornal "Diário da Manhã" - Goiânia / GO - novembro 2004

Um misto de matéria geral, e resenha do novo disco, o jornalista Adauto Alves foi bastante feliz na sua análise. Enaltecendo a história e a luta da banda através dos anos e falando do novo disco, foi bastante elogioso em suas ponderações. Sua frase final diz tudo, referindo-se ao CD "Missão na Área 13" : "um disco para ser saudado com tiros de canhão"...

4) Revista "Rock Brigade" nº 218 - setembro 2004

Uma simpática resenha sobre os shows que fizemos no CCSP em julho de 2004 e apesar de não ter identificado a assinatura do resenhista, deduzo ser mulher, pois a observação feita ao meu figurino só pode ser observação feminina, pois perdoe-me se for um rapaz, mas foi algo bastante não usual numa resenha de um show de Rock, caso escrita por um homem. 

5) Revista "Super Interessante"

Exótico sair numa revista completamente desvinculada do universo musical, artístico, do Rock e até cultural. Mas uma menção generalizada sobre a Patrulha do Espaço saiu em nossa época e eis aí. Trata-se de um contexto falando genericamente sobre o Rock.

6) Revista "Dynamite" / versão On Line - 2006

"Este CD foi gravado num dos locais prediletos pelos rockeiros de Sampa : O Centro Cultural São Paulo, o famoso Centro Cultural Vergueiro. Nesta época, além de fundador da banda, Rolando Castello Junior (que também tocou no Inox), fazia parte da Patrulha, (que além da Patrulha , toca hoje no Carro Bomba), guitarra e Voz, Rodrigo Hid (hoje também no Pedra), e Luiz "ex-Tigueis" Domingues (hoje também no Pedra), no baixo. Como podem ver um time de primeira. A bolacha começa com "Não Tenha Medo", com guitarras a la AC/DC e no restante do CD vão desfiando preciosidades como Ser, com excelentes solos. Vou Rolar, a ótima São Paulo City, fechando com a perfeita Columbia. Tudo no maior Hard Rock, que esses quatro feras conseguem fazer de olhos fechados. O Patrulha mostra que é uma das bandas fundamentais do Rock nacional. As músicas foram gravadas sem overdubs. Ouvir este CD faz muito bem à saúde".

Marcello Teixeira

Boa análise, conheço o Marcelo Teixeira pessoalmente e sei que ele é do ramo, com uma percepção boa da nossa proposta.

7)  Revista "Rock Underground" - 2006

Acho que o rapaz que escreveu esta resenha teve boa impressão do trabalho e a seu modo, bastante peculiar eu diria, expressou-se no limiar da dubiedade para quem ainda interpreta textos dentro dos parâmetros ordinários da semiótica. Tomo como elogio a menção superficial de que "três garotos", ou "molecada" que uniu-se ao Junior, blá-blá-blá. Deveria ter pesquisado um pouco mais no entanto, e teria verificado que esse disco que ele resenhava, era o quinto da nossa formação, e que Rodrigo e Marcello já não eram tão garotos assim, e quanto à minha pessoa então... deixa para lá...
Dou o desconto que o sujeito certamente era fã de Heavy-Metal e isso caracterizou-se ao final quando ele mais citou a "canja" do Percy Weiss. Uma grande dúvida : será que ele ouviu o disco inteiro, ou só interessou-se pelas faixas que citou ?

8) Revista "Metal Vox" - 2006


Outra crítica que chega a ser engraçada, pois o rapaz fala bem do trabalho, mas igual ao outro rapaz de um outro site de internet cuja resenha acima comentei, enfatizou que três "garotos" eram questionados por seu público "metaleiro", se tinham o "direito" de tocar numa banda como a Patrulha.... é risível para não dizer outra coisa. Primeiro, não éramos uma banda de "Heavy-Metal"; segundo, porque não ouviu os discos antes de elucubrar asneiras desse porte ? Terceiro, no meu caso, quando eu comecei a tocar, provavelmente seus pais nem namoravam. Portanto, um pouquinho de pesquisa para não escrever besteira, teria sido louvável.


E depois perguntam-me por que eu não gosto de Heavy Metal... ora, o "malocchio" não representa-me, simples assim... e eu sou Rocker, ora bolas !! Ha ha ha !!  



9) Anúncio de venda no "Site Submarino"



10 ) Site "Legalize"





Uma boa matéria assinada pelo Luiz "Barata", que é um conhecedor da matéria, fazendo um resumo da carreira da banda.



11) Site "Wiplash"


Não conheço esse rapaz (José Francisco), mas gostei de sua resenha. Um conhecedor da matéria, sem dúvida, pelo teor de suas observações, e fora o fato de que deixou-me lisonjeado pela comparação à um grande mestre. Milhas abaixo, mas certamente influenciado por Chris Squire, perfeito !!

12) Fanzine "Expresso Rock and Roll Nacional" nº 0


Escrito pelo meu amigo Marinho "Rocker", uma ótima análise, sem dúvida alguma, e que dispensa maiores comentários, pois sei que o Marinho entende da matéria, e muito.

13) Fanzine "Mega Rock" nº 40 - dezembro 2004




Passado o momento inicial quando a minha nova banda, o "Pedra" fora atacado na Internet por fãs da Patrulha, alvo de um falso boato, conforme já narrei em capítulo anterior, soube que o Junior anunciava shows em 2005, com uma nova formação e fiquei feliz por isso. Seriam shows pelo estado do Paraná, se não engano-me, e fiquei contente por saber que a banda continuaria sua saga, com novos componentes e desafios.

Fui acompanhando de longe e pela internet que ainda não acessava, mas via na casa de amigos, ou pelo relato do próprio Samuel Wagner, que continuou normalmente exercendo suas funções como roadie da banda e com quem mantive contato nos anos vindouros, igualmente pelo fato dele também ter se tornado roadie do Pedra nesses anos. Por volta do final de 2005, fui informado, assim como os demais ex-membros da nossa formação, que o Junior fizera esforços para mixar os tapes gravados no shows que fizéramos em 2004, nos estertores da nossa carreira com a Patrulha.

Não demorou muito e recebi seu telefonema solicitando-me dados pessoais para entrar com a documentação, visando a burocracia oficial para lançar um novo disco da Patrulha, o tão sonhado registro ao vivo que a banda e os fãs, sempre sonharam ter.
Ora, minha realidade era outra naquele instante de 2006, pois eu estava lançando um disco com outra banda, mas claro que fiquei contente com a notícia e mesmo antes de ouvi-lo e independente de seu resultado sonoro e produção de capa, fiquei "arrepiado" por ter um registro oficial ao vivo da nossa formação e possivelmente contendo músicas de todos os discos que gravamos, além de nossa interpretação peculiar do material pregresso e clássico da banda.
Apesar de póstumo, era algo vivo, e ao vivo, com o perdão do trocadilho infame.


Falando agora sobre o disco ao vivo que gravamos em 2004, nos últimos momentos de nossa formação, mas só lançado em meados de 2006. Como não acompanhei o processo posterior à gravação, em nada contribuí na pós produção, e quando recebi um lote de cópias do disco para o meu acervo de memorabilia, tudo era inteiramente surpresa para a minha percepção.

Sobre a capa e encarte :

Com fotos da nossa querida amiga Ana Fuccia, a capa e todas as lâminas do encarte mostram-nos em panorâmica ou individualmente, no palco do Centro Cultural São Paulo. Algumas foram clicadas no show da sexta-feira, dia 23 de julho de 2004, e outras, no domingo, dia 25 de julho de 2004. São belos clicks, todos e dignificam a grandeza da banda, não resta dúvida alguma.

Muito criativa a ilustração do silk do CD. Deduzo ser a figura do astronauta Yuri Gagarin, um pioneiro, e no capacete onde estava escrito "CCCP", a sigla da União Soviética, em alfabeto cirílico,  colocou-se "CCSP", significando : Centro Cultural São Paulo. Ou seja, super bacana fazer menção ao espaço, honrando as tradições da banda ao usar tal mote desde os seus primórdios. Sobre o texto do encarte, como de costume o Junior teceu ponderações sobre o contexto que envolveu esse trabalho e mais uma vez fez um belo trabalho. É fato, ele escreve muito bem e tem um talento extra além da música, apresentando-se muito bem como cronista e sua vasta cultura, não só do universo rocker, credencia-o para ser bem articulado como o é.

Mais que isso, o texto tem uma poesia implícita e lembra-me de certa forma a linha literária que encontrava nas páginas da revista "Rock, a História e a Glória", nos anos setenta, e que elevava o Rock a um patamar de Art-Rock e certamente que eu aprecio muito isso. Indo além e sem medo de cometer nenhum excesso, mas sendo bem realista, creio que Rock é isso o que o Junior trata quando descreve a história da Patrulha em seus textos de encartes, e não o que pensam os usurpadores, esses verdadeiros ogros trogloditas que tratam-no pela baixa estratificação subcultural. Definitivamente a bermuda e o "malocchio" não representam-me, e não, não "é ducaraio, véio"...  


Segundo soube, e depois confirmei no encarte, o álbum foi mixado em Goiânia, num estúdio chamado Crystal Met. Ocorre que Gustavo Vasquez que foi um dos técnicos que gravou e mixou o álbum "Missão na Área 13", estava agora de volta ao seu estado de origem, Goiás (ele é de Anápolis, no interior). O Junior explicou bem o critério da escolha do repertório. Músicas clássicas da época do Arnaldo Baptista não puderam ser incluídas por que teria que pedir autorização na editora que detém seus direitos (Warner Chappell), e pagar uma boa nota sobre cada uma. Mesmo caso de "Meus 26 Anos", um clássico da Patrulha desde 1982, mas que na verdade era uma releitura do "Joelho de Porco", e precisaria passar pelo mesmo processo burocrático e oneroso.

O mesmo raciocínio para a nossa versão que era adorada nos shows, de "Ando Meio Desligado", dos "Mutantes", e com direito à inserção da menção de "In-A-Gadda-da Vidda", do "Iron Butterfly", que arrancava urros de Rockers mais antenados. Ele também ponderou que privilegiou mais músicas da nossa formação "chronophágica", como um registro da nossa fase e particularmente senti-me orgulhoso por essa escolha. Creio que existam outras tantas músicas boas para serem lançadas no futuro, e o Junior já lançou uma como bônus track no disco "Dormindo em Cama de Pregos" de 2011 ("Rock com Roll"), sinalizando assim, que a possibilidade de mais peças desse material de 2004, possam vir à tona. 

Por último, devo registrar que o Junior foi muito gentil em colocar uma palavra elogiosa à minha pessoa na descrição da banda.
Ao escrever : "Luiz Domingues - Baixos Soberbos e Vocais", acho que prestou-me uma homenagem e tanto, e claro que uma deferência dessas é para guardar-se para o resto da vida.

Sobre as Músicas :

Bem, vou analisar a performance ao vivo e não as composições em si, mesmo porque, em se tratando das músicas compostas, arranjadas e gravadas pela nossas formação, já as analisei amplamente em capítulos anteriores e concernentes à gravação oficial de cada uma em seus respectivos álbuns. E sobre o material mais antigo da Patrulha, gravado pelas formações anteriores, não cabe aqui comentário nesse sentido. Posto isso, vou à análise das canções que compõe o álbum "Capturados ao Vivo no CCSP em 2004" :

Antes de falar de cada faixa, já deixo duas ressalvas, para não ter que repetir isso a cada comentário : como todo bom disco ao vivo que preze-se, as músicas estão todas com andamentos mais acelerados. É mais do que normal que ao vivo a adrenalina do show faça com que os músicos empolguem-se com a performance, além da sinergia com o público e aí, o senso de pulsação normal altere-se. Portanto, nesse disco, isso aconteceu e reitero, ainda bem, pois somos humanos e somos Rockers, acima de tudo...
E o segundo ponto, é que acho que os solos de guitarras ficaram muito altos nessa mixagem. Talvez na audição de mixagem, estivessem num patamar um pouco acima do adequado e quando o pente fino da masterização passou, eles realçaram-se pelo acréscimo de agudo muito brilhante, portanto ficaram altos e estridentes. Mas mesmo assim, não desabona o resultado geral do álbum.

1) "Não Tenho Medo" 

Muito legal que o Junior a tenha escolhido para ser a primeira faixa do disco, pois era, desde 1999, a primeira música de nossos shows, noite após noite. Salvo raras ocasiões em que trocamos o início do show para variar, tal canção era a nossa tradicional entrada em cena e nunca esquecer-me-ei da reação que causava na primeira virada de bateria do Junior e que demonstrava-nos claramente se haveria sinergia com o público, pois se ouvíamos urros vindos da plateia, já sabíamos que seria um grande show. Nessa gravação, os timbres estão sensacionais de todos. Meu baixo dignifica a nobre linhagem do Fender Precision, pois está com um peso mastodôntico, além do timbre metálico de médio agudo, espetacular. Gosto muito de uma intervenção de dissonância que uma das guitarras faz. Já nem lembro-me quem a fazia, se Rodrigo ou Marcello, mas nessa versão ao vivo, é de arrepiar.

2) "Festa do Rock"

Outra canção clássica do repertório antigo da Patrulha, gostava muito de tocá-la e era tradicionalmente a segunda canção dos shows, emendada em "Não Tenho Medo". Timbres de todos, ótimos, e com a mesma performance energética com a qual a tocávamos nesses anos todos.

3) "Ser"

Seguindo a mesma linha das anteriores, essa peça do álbum "Chronophagia" era tocada geralmente na terceira posição do set list. Essa versão tem a mesma energia de todas as suas execuções ao vivo, desde 1999. Dei meus "glissandos" com toda a saúde e como fico contente em ouvi-los com esse peso e carga de homenagem a um mestre que inspirou-me especificamente nessa faixa, o senhor Mel Schacher. Meu Fender Precision roncou igual ao desse velho mestre que colocou-me nos trilhos da grande locomotiva do Rock.

4) "Vou Rolar"

Acho que a escolha do Junior em colocar mais um Hard Rock ganchudo, privilegiou a ideia de aplicar um "nockout" ao ouvinte do disco. Impressionante e de tirar o fôlego, apesar de ser uma música nova no repertório da banda na ocasião, foi tocada com uma garra incrível. Como na versão de estúdio, a música surpreende pelo peso; um slide de arrepiar; bateria alucinante e o potencial de um refrão pop, bem cantado pela comissão de frente da banda. O Fender Precision rosnou ferozmente de novo, e ao final da música tem um improviso que fiz, que mostra o timbre espetacular que eu tirava ao vivo e nunca deixo de salientar aos baixistas em geral que elogiam-me : não tem segredo algum nessa receita. Anotem : baixo vintage (baixo e não "coisas" com mais de 4 cordas que pensam que é baixo); amplificação Ampeg; palheta e corda nova.

5) "São Paulo City"

Essa também era muito querida do público e nós a tocávamos ao vivo desde o fim de 2000, mesmo antes dela ter sido gravada oficialmente. Mais um petardo sonoro, esse Blues-Rock ultra setentista veio com o peso e o brilhantismo dos solos dos nossos dois guitarristas, mais a impressionante performance do Junior à bateria, honrando as mais belas tradições de Corky Laing; Carmine Appice e congêneres. O baixo mata com seu timbre arrasador, mais uma vez. Como queria ter esses timbres no álbum Chronophagia, mas tudo bem, nunca mais acato a ideia maluca de técnico pedindo-me equalização flat de amplificador... simples assim...
Os vocais melodramáticos soam bonito e como gostava de cantar junto com Rodrigo e Marcello, soltando a voz que na verdade não tenho, pela minha parca emissão, mas nessa canção, eu conseguia (obrigado, Jack Bruce)...

6) "Quando a Paixão te Alcançar"

Música nova no repertório, mais uma peça do álbum "Missão na Área 13", nós mal havíamos habituado-nos com ela, essa era a verdade. Mas creio que ela soou muito bem e justificou sua presença no disco. Um Funk-Rock cheio de balanço e sensualidade eu diria, creio que cumpriu sua função no show e no disco, quebrando o impacto inicial de tantos Hard-Rock's e Blues-Rock que iniciaram o álbum. Ao final, o Marcello substituiu sem problemas o solo que havia gravado na versão de estúdio, usando o saxofone, pela guitarra. E claro que ficou excelente. Como nas canções anteriores, usei novamente o Fender Precision e com um timbre dos sonhos... acho que tenho que dar toda a razão ao Junior quando disse que os baixos eram soberbos, mas com outra conotação, no entanto, referindo-me aos timbres arrasadores.

7) "Arrepiado"

Um outro clássico antigo da Patrulha, O trabalho de guitarras dos nossos guitarristas ficou excelente. Grande interpretação vocal do Rodrigo e mais uma vez, meu timbre de baixo ficou maravilhoso. Creio termos dignificado esse grande sucesso do início da carreira da Patrulha.

8) "Nave Ave"

Aqui começou a sessão temas progressivos da banda. Adorava tocar essa canção por vários motivos, e pelos quais creio já ter comentado amplamente em capítulos anteriores. Nesta versão, gosto muito da performance da banda, em geral. Logo no começo, fica a impressão que a performance vocal cruzou com a condução do piano acústico, mas se foi erro, passou como arranjo ousado e eu achei bonito o resultado num "flan" que soa intencional. O arranjo original da música previa um solo curto de órgão Hammond e é uma pena, pois tanto no estúdio, quanto nas versões ao vivo em que tanto a tocamos, merecia mais espaço, e nesta versão em específico, o timbre do órgão é espetacular. Nessa faixa e assim como em todos os outros temas progressivos desse disco ao vivo, usei o Rickenbacker e assim como nas faixas em que usei o Fender Precision, o timbre é devastador. Tanto em frases curtas, quanto nas mais rápidas, é impressionante o resultado sonoro desse baixo.

9) "Homem Carbono"

Falei anteriormente que a partir de Nave Ave começara a sessão progressiva do disco, mas não, ainda teríamos um Hard-Rock, e no caso, Homem Carbono, outra faixa muito querida nos shows da banda, desde 2001. "Ataquei" de Fender Precision novamente e com aquele "timbrão". Minha voz aparece com bastante evidência no backing vocal.

10) Anjo do Sol -

Que pena que tocamos pouco essa música ao vivo, pois apesar de ser um tema progressivo e portanto de difícil assimilação para o público, normalmente, ela emocionava muito, principalmente na parte final. Meu timbre de Rickenbacker honra as mais belas tradições "Squireanas" de quem ama o Rock Progressivo setentista e o verdadeiro estrago, no bom sentido, que Chris Squire fez com a cabeça de quem enfeitiçou-se por essa sonoridade. Eu errei uma marcação de tempo, mas não vou falar onde... deixo para o leitor a missão de ouvir e descobrir onde eu falhei...
Aliás, é bom salientar, todos cometemos erros em várias faixas, mas foram mínimos e esse disco não teve nenhum overdub. É um autêntico disco ao vivo, sem nenhuma maquiagem de estúdio, mesmo porque, quando ele foi mixado pelo Junior, a nossa formação não existia mais há cerca de dois anos. Mas mesmo que estivéssemos unidos, não teríamos feito correções a posteriori. Até nisso éramos "vintage" por princípio...

11) "Véu do Amanhã"

Outra peça progressiva de uma complexidade tremenda, impressionante a performance da banda executando uma suíte desse tamanho, em andamento rápido e com força interpretativa forte. Sons de teclados muito legais, gosto de tudo; piano; Hammond; e intervenções de sintetizadores, sensacionais. Impressionante na parte mais climática de silêncio absoluto, como não houveram gritos a esmo vindos da plateia, parecendo que estavam hipnotizados pela nossa performance e eu achava que seriam inevitáveis as manifestações ruidosas, mas não...
O Rickenbacker gritou intensamente na música toda. Nas partes agressivas, em momentos mais amenos, e ao final dei-me ao luxo de improvisar, exagerando um pouco além do arranjo da versão de estúdio e tais frases tercinadas ficaram com um peso e timbre incríveis. Chris Squire nas alturas... salve, salve !!

12) "Sendo o Tudo e o Nada"

Nossa maior peça progressiva do álbum "Chronophagia", nessa versão saiu com muita emoção e garra, como nos velhos tempos em que a tocávamos com aquele orgulho de estarmos promovendo um resgate total das raízes do Rock, e da própria Patrulha. Tudo soa "gordo": órgão Hammond; guitarra toda pontilhada com maestria; vocais; bateria impressionante, e um Rickenbacker matador. O solo de sintetizador é incrível. Acho que foi muito importante a inclusão dessa música no disco ao vivo, pois ela marca muito bem nossos primeiros tempos dessa formação, em 1999, plena de convicções e princípios, fazendo um sonho virar realidade. Adorava fazer aquele vocal em contraponto e usando a técnica do falsete ao final da canção. "Teletransportava-me" aos anos setenta e sentia-me  de novo naquelas maratonas de shows de Rock que tanto apreciava assistir, mas desta vez, no lugar onde queria estar, no palco, e não na arquibancada de ginásios e arenas... Aum... namastê !!

13) "Tudo Vai Mudar"

Voltando ao Hard-Rock, nessa canção também dignificamos os primeiros tempos da nossa formação, sem dúvida alguma. Lembro-me que essa música nasceu de uma ideia original minha e justamente trata-se do refrão. O riff instrumental e a vocalização com os "uh uh uhs" e os "yeah yeah yeahs" é que deram o início à composição com o Marcello e o Rodrigo trazendo os outros elementos posteriormente. Portanto, que legal que ela entrou no disco, pois simboliza muito para nós todos, emocionalmente falando. Falando sobre a performance em si dessa versão, saiu com muita energia, vocais coesos e os timbrões já salientados e semelhantes de outras faixas. E o Fender Precision roncou bonito mais uma vez...

14) "One Nighter"

 
Bem bacana essa versão desse Funk-Rock cheio de swing. Impressionante o timbre das guitarras com um peso até incomum para a proposta da Patrulha em nossa formação, e meio que sinalizando o rumo que o Marcello daria à sua carreira doravante. Apesar desse peso extra de guitarra destoar do meu gosto pessoal, normalmente, creio que nesse caso ficou bem legal, não vou negar que aprecio. O Junior fez aquela intervenção vocal ao final, que está registrada na versão de estúdio, mas não exatamente igual, contudo desta vez, não despertou risadas ao final.

15) "Universo Conspirante"

Uma versão muito precisa dessa música com um "punch" de Hard-Rock, mas com muitos elementos de Jazz-Rock inseridos, e dessa forma, suscitando atenção, ainda mais em se considerando ser uma performance ao vivo. Belos solos, vocais em trio com uma linha de atuação semelhante à que fazíamos em São Paulo City.
E o Fender Precision honrando as tradições do mestre John Entwistle.

16) "Olho Animal"

Bem, essa era uma música que os fãs da Patrulha que apreciavam a fase da banda mais pesada, pós-Dudu Chermont e flertando com o Heavy-Metal adoravam. Já falei o quanto ela destoava do espírito Chronophágico em capítulos anteriores, mas é compreensível que tenha entrado no álbum, pensando nessa realidade inerente à nossa proposta da formação. Além do mais, Percy Weiss, vocalista e ex-membro da banda havia aparecido no show do domingo, dia 25 de julho e participando dessa canção, além de "Columbia", justificou-se a sua inclusão no álbum, também por isso. Claro que ele era um grande vocalista (Percy faleceu num acidente automobilístico em abril de 2015), e assim que abrilhantou o disco com sua voz que de fato, era extraordinária. Performance boa, com o Percy cantando muito bem e mesmo sem ensaios, dividindo bem com Rodrigo e Marcello, e até minha voz aparece no back, apesar dos demais terem muito mais emissão do que eu.

 
Abaixo, ouça a versão de "Olho Animal" desse álbum :
Eis o Link parta escutar no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=233OeiNicC4


17) "Columbia" 

Com a clássica introdução que fazíamos, para valorizar a intervenção da flauta executada pelo Marcello, não tivemos meios de ensaiar isso com o Percy, que cantou conosco como convidado, mas não houve nenhum comprometimento, e pelo contrário, sua voz de potência e timbre impressionantes, brilhou e ninguém atrapalhou-se com o fato dele desconhecer o arranjo inicial que era exclusivo da nossa formação e não o clássico do "disco branco" da Patrulha de 1982, e que ele estava habituado a cantar.
 
A versão de "Columbia" desse disco :  
Eis o Link para escutar no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=gRaRBgaW24g

Fechando com chave de ouro, honramos a tradição da banda e sobretudo de nossa formação com essa versão que tanto executamos, desde o primeiro show de 1999. Ao final, minha voz está registrada dizendo : -"boa noite, obrigado por terem vindo"...
Acho que foi sintomático, pois eu não pensei nisso na hora, é claro e só fiz uma intervenção simples agradecendo o público ao final daquele show de 25 de julho de 2004, mas ao ouvir no disco, é nítido que isso ganhou outro contorno e emblematicamente fechou um ciclo de vida. Marcou na verdade, o fim de um trabalho de quase seis anos, permeado de sonhos, mas que remontava na essência, a tempos ainda mais longínquos, e como se um filme passasse diante dos olhos, não eram apenas os anos da formação Chronophágica da Patrulha que estavam encerrando-se, mas também a labuta do Sidharta, iniciada em 1997; a lata psicodélica do Pitbulls on Crack, em 1996; meu estalo de vontade de voltar às raízes em 1988, vivendo tempos antagônicos na Chave "sem" Sol e em meio aos tenebrosos anos oitenta; Tocando "Amor à Vista" com o Língua de Trapo no Teatro Lira Paulistana hiper lotado e apegando-me naquela "casquinha" de Joe Cocker / Janis Joplin na interpretação "Woodstockiana" do Laert Sarrumor;  com uma imensa cabeleira hippie e proibitiva em 1983, na Fábrica do Som ou nos primórdios da Chave do Sol em 1982, tocando com um chapéu de bruxo e sentindo-me no "Rainbow Theatre" de Londres; nas noitadas perpetradas pelo Terra no Asfalto em 1980 / 1981, ainda sob fortes signos setentistas; e voltando ao princípio, ali no calor dos anos setenta, no Boca do Céu, onde as condições reais eram insípidas, mas a energia do sonho primordial, gigantesca...
Para o leitor que está lendo apenas este trecho, o parágrafo acima pode parecer deslocado do contexto. Mas se estiver lendo desde o início, creio que entender-me-á bem, no que quis explanar.
É bem verdade que quando o disco ao vivo da Patrulha foi lançado, eu estava em outra banda e motivado, com um ótimo álbum sendo lançado também etc etc.
Contudo, a minha frase proferida ao final do disco ao vivo, tendo sido gravada em julho de 2004, tinha outra conotação e naquele clima de ânimo baixo em que eu estava emocionalmente, poderia ter entrado para a minha história pessoal como o meu epitáfio.
Mas quis o destino que o disco fosse lançado dois anos depois e quando saiu, minha carreira prosseguia, e eu havia superado aquele momento de desilusão com a carreira artística; a música em geral; a arte; a cultura, e até o Rock, que é a amálgama de tudo para a minha vivência. Sábio foi o destino... estou aqui em 2016, vivo e feliz por estar ainda lutando e dando minha contribuição sincera para tudo o que elenquei acima e também nas entrelinhas do que tudo isso representa para um plano maior.

No próprio encarte do disco, o Junior menciona que 25 músicas desses três shows, foram mixadas em 2006. 17 estão registradas oficialmente nesse disco. Uma foi lançada como bônus track no álbum posterior da banda, com outra formação. Portanto, o Junior deve ter engavetado sete canções dessa gravação, e que possivelmente vá lançar um dia...torço para que sim...(na verdade, nos estertores de 2016, isso consumou-se com mais um disco coletânea da banda sendo lançado, mas do qual falo depois).
Então foi assim que um "vivo póstumo" entrou para a minha galeria de álbuns gravados em toda a minha carreira. "Capturados Ao Vivo no CCSP em 2004"...


Não acompanhei direito a repercussão do nosso álbum ao vivo, mas pelo que observei, ele foi bem saudado pelos fãs e críticos. Creio que sua missão foi cumprida com galhardia, pois tem um áudio bastante convincente, apesar de algumas restrições que já fiz quando analisei-o com detalhes em capítulo anterior. Considerando as dificuldades que uma banda no underground sofre, esse disco é excepcional. Melhor, só se houvesse um caminhão de dinheiro oferecido por uma gravadora major, nos velhos tempos de bonança da indústria fonográfica, ou ofertados por um fortuito e utópico mecenas, desses que nem nos contos dos Irmãos Grimm acha-se...
Mais um hiato de tempo e vi que finalmente o Junior havia fechado um time mais fixo e não estabelecendo formações efêmeras para cumprir agenda tão somente. Que bom para a Patrulha, pois é o que a banda merece, ter mais uma formação fixa para entrar para a história, como a nossa entrou.


E sendo assim, em 2011 fui informado pelo Junior que a banda estava gravando um álbum novo de material inédito, mas precisava novamente de meus dados e assinaturas em papeis burocráticos para incluir nesse novo disco como uma faixa bônus, uma canção da nossa formação, tratando-se de um "out take" do nosso álbum ao vivo de 2004, a música "Rock com Roll".

Portanto, eu, Rodrigo e Marcello estamos nesse disco também com essa faixa ao vivo, e o Marcello toca e compôs outras faixas também desse disco da Patrulha de 2011. A última lembrança minha com a Patrulha foi em 2014.




Em fins de maio de 2014, o Junior abordou-me no "inbox" da Rede Social Facebook, e formulou convite para eu tocar duas músicas como convidado num show que a Patrulha faria no Centro Cultural São Paulo no início de junho. Ele deu-me a incumbência de escolher duas músicas e diante de tantas possibilidades pensando nos discos que gravamos, escolhi "Ser" e ele sugeriu "Rock com Roll". Sem previsão de ensaio, apenas ouvi as canções em casa e fui para o show.



Marcello Schevano também fora convidado, assim como Rodrigo Hid. Outros convidados também tocariam. Rodrigo não pode comparecer porque tinha compromisso no dia, mas o Marcello foi e tocou "Sunshine" ao piano com a atual formação da Patrulha (gosto muito do guitarrista Danilo Zanite, um tremendo músico e um sujeito ultra gente boa; a simpática vocalista Marta Benévolo, e o ótimo baixista, Daniel Delello). E tocando guitarra, atuou comigo em "Ser" e "Rock com Roll", com Danilo junto, foi uma farra no palco.


Fazia anos que eu não tocava com tamanha volúpia sonora, estava desacostumado com tal ímpeto Rocker, e certamente que foi bom ter esse momento de reencontro com a banda. O público emocionou-se ao ver três quartos da formação Chronophágica no palco, e com a presença do ótimo Danilo, a falta do Rodrigo foi suprida. Mas claro, teria sido genial tê-lo no palco para reviver a nossa formação.

Bem, foi a última interação direta que tive com a Patrulha do Espaço na minha história recente, mas a vida prossegue e a qualquer momento, mesmo não sendo membro oficial há anos, novos encontros podem acontecer.

Eu e Junior, a velha cozinha da Patrulha do Espaço em sua "Era Chronophágica" retratada pelo casal de fotógrafos e film makers, Bolívia & Cátia e fazendo parte de uma exposição em 2015

Indiretamente, em 2015, numa Exposição de fotos do casal de fotógrafos e film makers, Bolívia & Cátia, figuras conhecidas no métier Rocker de São Paulo, uma das fotos que tiraram de minha participação ao lado de Marcello Schevano tocando com a Patrulha em 2014, foi exposta e fiquei honrado com isso. Tal foto foi postada nas redes sociais "Facebook" e "Google+" e gerou muitos comentários sobre a nossa formação.  Em 2016, uma nova coletânea com algumas faixas ao vivo e inéditas de nossa formação, foi lançada e um show comemorativo de nossa formação foi realizado em novembro. Será esmiuçado como texto complementar nos meus blogs e possível reedição do livro impresso. Reta final do relato sobre a Patrulha do Espaço.

Fotos da minha participação e de Marcello Schevano com a Patrulha em 2114, no Centro Cultural São Paulo, são clicks de Bolívia & Cátia

Continua

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