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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Patrulha do Espaço - Capítulo 2 - Fez da Nave de Novo uma Navegadora... - Por Luiz Domingues

Os responsáveis pelo salão não colocavam muita fé na nossa capacidade em movimentar um público melhor do que eles normalmente levavam só com som mecânico, portanto, a negociação foi lenta, arrastada, e com a nítida incredulidade por parte deles. Então, fomos diversas vezes lá. E a cada rodada de argumentações de nossa parte, a contra-argumentação era engraçada, quase em tom de pilhéria na forma de desculpas. Vendo que estávamos empenhados em fechar a data, foram convencendo-se e aí, coisas folclóricas começaram a acontecer. Por exemplo, o dono do estabelecimento dizendo ter um contato no "Programa do "Ratinho" (um comunicador mega popularesco na TV, naquela época), perguntou se nós aceitávamos participar, mas não garantia que fosse um número musical necessariamente, mas poderia ser em "outra circunstância" (???!!!)... como assim ? 

Um de nós teria que simular um teste de paternidade com alguma garota armada pela produção, para gerar um falso "barraco" ?
Ha ha ha !! E outra: aí o patriarca da família que era proprietária do estabelecimento, empolgou-se, e disse que bancaria o show. Por um segundo, chegamos a pensar que o homem falava sério, mas logo vimos que era uma empolgação vazia. E tem mais histórias bizarras sobre tais conversas que ouvíamos por parte daquelas pessoas, mas não vou contar, para não comprometer ninguém...
Eles pouco dimensionavam o nome ou a história da Patrulha. Para a compreensão deles, nós ou uma banda cover não tinha muita diferença. O importante para eles, era a capacidade de angariar público. Creio que foi no fim de junho de 1999 que o martelo foi batido definitivamente e aí, começou a batalha pela melhor divulgação possível.

                                      Acervo de Rodrigo Hid 

É evidente que contamos com o apoio de amigos nessa empreitada.
O Júnior arrumou um patrocínio de "lambe-lambe", com um futuro candidato a vereador. Não era um ano de eleições municipais, mas esse candidato a candidato queria popularizar seu nome previamente, e forjar sua imagem como um incentivador de artes em geral. Então era comum ver seu nome vinculado a shows musicais; teatro, e outras atividades artísticas. 



                                 Acervo de Rodrigo Hid

Os cartazetes e filipetas foram impressos por nós mesmos. A internet já tinha um certo peso nessa época, mas nós praticamente não a usamos. Não havia redes sociais de massa, como hoje em dia. Rádio e TV eram impossíveis. Desde meados dos anos noventa, já não havia programas da TV aberta dispostos a agendar bandas de fora do esquema do jabá. Dessa forma, com poucos cartazetes e filipetas, cobrimos o circuito óbvio do Rock em São Paulo, como a "Galeria do Rock" e as lojas de instrumentos da Rua Teodoro Sampaio. E filipetamos saídas de shows de Rock. 



                                Acervo de Rodrigo Hid

Lembro-me de levar amigos e alunos para filipetar um show do "Angra", no Palace, uma casa de shows em Moema, zona de sul de São Paulo. Um ex-aluno meu estava filipetando um dos flancos da rua, de onde o público saia, quando um garoto pegou a filipeta, e disse-lhe : -"Patrulha do Espaço ? Isso é do tempo do meu avô..."

Lidar com esse tipo de preconceito tolo era normal, e ainda por cima nesse público de Heavy-Metal, que parece ser obcecado pelo conceito do "Datado". Como se música fosse um remédio, e tivesse data de validade...
Outra ação engraçada, foi fazer entrevistas em programas de Rádio comunitárias. Era o que estava ao nosso alcance. Lembro-me de uma rádio no Tatuapé, zona leste de São Paulo, cujo contato era um boliviano, dono de uma banca de jornais. O rapaz tinha o apelido sugestivo de "Bolívia". Era um índio Hippie, com cabelo na cintura, uma figura, muito gente boa e rocker genuíno.



                               Acervo de Rodrigo Hid

Até aí, nada demais. A entrevista é que aconteceu num clima de filme policial, com o endereço sendo mantido em sigilo até quando eles confiaram em nós, e no dia em específico, o clima era de apreensão, pois essa rádio já havia sido lacrada pela Embratel, diversas vezes. Foi engraçado, mas o resultado para nós foi nulo, pois o alcance limitadíssimo de uma estação pirata, não despertou interesse algum. 




                              Acervo de Rodrigo Hid 

Não lembro-me mais o nome dessa rádio. Mas era algo absolutamente insignificante, mesmo, uma pena, pois a boa vontade em ajudar era total. Em relação às filipetas no show do "Angra", era o show mais próximo em termos de público, que havia nos dias que antecederam o nosso. Também acho que não valia a pena, mas entre "filipetar" para o público do Angra, ou da Ana Carolina, ou pior ainda, artistas brega, era preferível o Angra. 
                                    Acervo de Rodrigo Hid
 
Ineficaz, claro. Eu sempre procurei comandar equipes de divulgação com uma logística, e um foco definido. Nesse caso, foi uma tentativa de aproveitar o cenário menos ruim. Era o melhor que tínhamos na ocasião, ainda mais se pensarmos sobre a nossa infraestrutura, com nossos parcos recursos financeiros.
                              Acervo de Rodrigo Hid
 
Quanto aos meninos, não estavam deslumbrados, não. Estavam felizes, mas não havia nenhum exagero em sua postura. O período entre a divulgação e o primeiro show, foi bom, com exceção da semana do show, pois a "bruxa" voou solta nesses dias terríveis que antecederam a data. Por pouco, o show não teve de ser cancelado. 

Começamos a semana felizes por ver "Lambe-lambes" com nosso show anunciado, mas dois fatos terríveis aconteceram. O show ocorreria no sábado, dia 14 de agosto de 1999.
                                 Acervo de Rodrigo Hid
 
Na quarta-feira anterior, fomos surpreendidos com a notícia de que o Marcello sofrera um acidente de carro, vindo da faculdade para a sua casa. Ficamos apavorados, mas apesar do carro ter tido perda total, ele sobreviveu, e não teve nenhuma contusão séria, só apresentando um quadro de dores nas costas, pois o caminhão que abalroou-o, o atingiu pela traseira. Ele estava parado no semáforo, quando ouviu o barulho de um caminhão freando e colidindo. 
Quanto ao seu estado de saúde, após exames, o médico constatou serem apenas hematomas e liberou-o. Todavia, pensávamos em cancelar, pois o susto havia sido enorme. Porém, no dia seguinte algo pior aconteceu...

Recebi um telefonema do Júnior, desesperado, pois um problema sério de saúde ocorrera com um familiar seu. Prefiro não entrar em detalhes para não expor ninguém desnecessariamente. Digo apenas, que era ainda mais dramático do que o acidente do Marcello. 
                                  Acervo de Rodrigo Hid
 
O ensaio de sexta, convocado para dar o último apronto, foi realizado só por eu e os garotos, pois o Júnior realmente não tinha condições de comparecer, entretido que estava em assistir seu ente querido no hospital. Tememos que ele não pudesse ir fazer o show no sábado, e até a hora de reunirmo-nos para ir ao salão, pairava essa dúvida. E assim, o clima estava pesadíssimo para a estreia, ou seja, algo diametralmente oposto ao que eu sonhava desde o Sidharta, quando formatamos essa banda, e esse repertório.


                     Acervo de Rodrigo Hid 
 
O Júnior estava enfrentando um problema gravíssimo de ordem familiar, e mesmo que tivesse telefone celular a época, não teria cabeça para ligar-nos. E o Marcello sentia ainda fortes dores nas costas. Apesar de tranquilizado pelos médicos quanto a não gravidade do seu quadro, a dor era muito forte, e só dava trégua mediante fortes analgésicos. Portanto, seu esforço de comparecer ao ensaio da sexta-feira, que precedeu o show, foi notável. 




Ainda havia agravantes. Tínhamos pendências de produção para tratar. Detalhes de ornamentos e equipamentos para reforçar o palco. O transporte foi feito de forma precária, também. Sem dinheiro para contratar nem ao menos uma Kombi, tivemos que transportar tudo nos nossos carros. 





Na volta, o contingente aumentou, com outros amigos colaborando.

Lembro-me dos carros dos amigos do meu exército de "Neo-Hippies", auxiliando também. Portanto, louvo a garra da banda para promover uma volta à cena artística, adequada à sua grandeza adquirida na história do Rock Brasileiro, a fazer das tripas coração para ter as melhores condições possíveis naquele momento, demonstrando grandeza de alma. E isso não é pouco... pelo contrário, é um mérito e tanto.





E chegou o grande dia... se por um lado havia um clima amargo diante do que passamos naquela semana, havia também a perspectiva de enfim aniquilar a expectativa em torno do primeiro show. Da parte do Júnior, havia uma velada ansiedade por conta de testar os meninos ao vivo. Se através dos ensaios, haviam conquistado a sua confiança por tocarem e cantarem demais, havia a dúvida no comportamento no palco, num show oficial.
De certa forma, eu deveria ter essa apreensão também, pois afinal de contas, era o primeiro show com os dois, após mais de um ano e meio de ensaios apenas, em se considerando o período do Sidharta.
Mas ao contrário do Júnior, eu estava tranquilo nesse aspecto, pois a despeito de ser a primeira apresentação para valer, confiava totalmente nos dois. O que não estava legal, era o clima ruim por conta dos percalços pessoais que enfrentamos naqueles dias.

A Revista Dynamite foi a primeira a dar nota sobre a volta da banda com nova formação, mas ainda citando-me pelo velho apelido que eu usava anteriormente como nome artístico, para designar-me. Não foi culpa deles, pois só firmei a ideia de cortar isso a partir da gravação do CD "Chronophagia", em 2000. Mas errou feio o sobrenome do Marcello, como observa-se na nota acima. 

Sim, o Marcello ainda sentia dores. Sua família estava apreensiva, e com razão. O prudente teria sido cancelar o show e repousar por alguns dias, mas ele bancou essa resolução de fazer o show, e foi valente. O Júnior apareceu para tocar bem abatido e tenso. O que ele estava passando era pesado, mas também encarou a determinação de seguir em frente. Chegamos no salão por volta das 17:00 h. 

Montamos o palco com um exército de ajudantes... vários dos meus alunos, meu pequeno exército de Neo-Hippies, ou de "Brancaleone", como queiram, estava ali colaborando. Nesse início, sem verba, não tínhamos como contratar roadies profissionais, portanto, contávamos com o apoio abnegado de amigos.
A montagem foi tensa, pois o Júnior estava muito nervoso, e irritou-se várias vezes com aquele contingente querendo ajudar na maior boa vontade, porém sem metodologia, mais atrapalhando a montagem. A nossa sorte foi ter contado com o técnico de som da casa, que era muito bom. Havia uma dificuldade técnica que o atrapalharia, mas se não fosse isso, o show teria sido perfeito.


O nome desse técnico era Thales de Meneses, um "freak" que gostava da nossa proposta de Rock Clássico, e era tecnicamente competente. Sendo assim, quando começamos a levantar a equalização da bateria, logo percebemos seu apuro na timbragem dos instrumentos. Passados todos os instrumentos, fomos tocar "Sexy Sua" para testar o retorno, e estava um "brinco" !
É muito raro na condição de estar trabalhando com um técnico estranho, obter um som dessa qualidade. Essa condição geralmente só é obtida se o técnico acompanha a banda em todos os shows.
Mas esse Thales surpreendeu, pois o som do palco estava sensacional.

Essa foto é de um ensaio no estúdio Alquimia, em maio de 1999. Acervo de Rodrigo Hid

O problema técnico que eu mencionei anteriormente, era que só havia uma mesa, e ela comandava o P.A e o retorno simultaneamente. O correto, é ter duas mesas, com direcionamentos diferentes. Uma comanda o P.A. , ou seja, o som que chega ao público, e a outra comanda o monitor, isto é, o som que o artista ouve no palco para poder guiar-se. Nesse caso, com uma única mesa operando as duas funções pelo mesmo técnico, não é uma situação ideal e para agravar, a mesa estava posicionada atrás das caixas do P.A, ao nosso lado no palco !!

Conclusão : o técnico não tinha condições humanas de checar na hora do show, a quantas andava o P.A. Ele equalizou durante a passagem do som, mas na hora do show, ficou preso na mesa, só ouvindo o som do palco. Isso não era culpa dele, mas da estrutura da casa. Satisfeitos pelo soundcheck, fomos arrumar os últimos detalhes da ornamentação e resguardar-nos no camarim, a espera da hora do show.

Como primeiro show, foi a primeira vez que preparamos toda aquela ambientação 1960 / 1970, com a qual eu sonhava desde que formei o Sidharta em 1997, mas na verdade, era o resgate do sonho primordial acalentado na adolescência, na década de setenta, mas atrapalhada pelo fato de ter entrado na música no momento em que essa estética começava a definhar, atacada violentamente por detratores, e apoiada pelos marketeiros de plantão, trabalhando para fomentar interesses antagônicos e escusos.

Portanto, foi bastante emocionante para a minha expectativa pessoal em particular (e sei que para o Junior, também), arrumar o palco com todos aqueles ícones visuais e até olfativos, vide o enorme número de incensos que faria o show ter o perfume dos grandes Concertos de Rock de outrora. Tínhamos um concorrente à altura naquela noite : por irônica coincidência, "O Terço" estava fazendo show de "volta", também. E para piorar, num salão de Rock concorrente do Fofinho Rock Club onde tocaríamos, e localizado na mesma avenida Celso Garcia, só que três Km adiante. Eles iriam tocar na Led Slay. Isso evidentemente atrapalhou um pouco a nossa vida, dividindo público. Sem o Terço tão perto, talvez tivéssemos angariado um público maior.


O som do P.A., na passagem de som, estava legal. Mas uma situação é fazer o soundcheck com a casa vazia, e outra completamente diferente, é quando lota com pessoas. Tudo muda !
Os corpos das pessoas influem decisivamente nas ondas sonoras emitidas e daí, é fundamental que o técnico de P.A. faça correções nas primeiras músicas.

Como ele poderia fazer isso, operando atrás do palco ?
O som no palco estava excelente, parecia um disco de tão bem mixado, mas recebemos várias reclamações de amigos, dizendo-nos que deixou a desejar para o público. O técnico era terceirizado. Ele só aparecia para operar shows ao vivo. No funcionamento normal de som mecânico, havia outro, este sim, funcionário da casa.

Azar total... foi a cereja em cima do bolo de desgraças que tivemos naquela semana : "O Terço" resolver "voltar" na mesma noite, e num salão rival e próximo, foi uma triste coincidência. Para brincar com a situação, incluímos "Hey, Amigo" no set list, e dedicamos a eles...
O clima que estava tenso por conta dos aborrecimentos ocorridos durante a semana, amenizou a medida que aproximou-se a hora do show. 

Camarim do Fofinho : Rolando Castello Júnior no centro; à esquerda, Samuel "Samuca" Wagner, que nessa época ainda não era roadie da banda, mas apareceu para assistir, e à direita, Nelsinho, um fã da banda desde o primeiro show, em 1977 ! acervo de Rodrigo Hid

Pedrinho "Wood" Ayoub, guitarrista do "Tomada" à época, e Marcello Schevano, no camarim do Fofinho, em 18 de agosto de 1999. Acervo e cortesia de Rodrigo Hid

O que tumultuou um pouco foi a desorganização que tínhamos naquele dia, em não contar com roadies profissionais.

Da esquerda para a direita : Marcello Schevano; Eduardo Donato, e Rodrigo Hid. Donato era colega de faculdade do Rodrigo, e pertencente portanto à uma nova geração de estudantes de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, com os quais eu teria amizade, repetindo a tendência iniciada com a safra de amigos que lá firmei em 1979, da qual fundou-se o Língua de Trapo... Acervo de Rodrigo Hid

Era tanta gente tentando ajudar entre os meus neo-hippies, que acabavam atrapalhando. Além de um sujeito que apareceu lá de última hora e queria ser roadie a todo custo. Não vou nomeá-lo, para não comprometê-lo, mas é figura carimbada em camarins de bandas de "dinossauros" setentistas. É gente boa e sabe trabalhar como roadie, mas quando bebe ou fica "doidão", torna-se inconveniente. Estava perturbando-nos fortemente, mas autosabotou-se ao enrolar-se numa fita "Silver Tape", e completamente atrapalhado, ficou imobilizado (fantasiou-se de "Imhotep", eu diria...), demorando para conseguir safar-se, e deixando-nos então, em paz...


Os irmãos Hid : Rodrigo e Renata, no camarim do Fofinho. Acervo e cortesia de Rodrigo Hid


 

Luciano"Deca" Cardoso e eu, Luiz Domingues, no camarim do Fofinho. Deca foi durante cinco anos, meu colega no Pitbulls on Crack, sendo bastante citado no capítulo dessa banda, naturalmente. Acervo de Rodrigo Hid



O camarim era pequeno, e o caminho para o palco muito perigoso, por ser sinuoso e com degraus perigosos. Na medida que chegava o horário do show, os problemas que tivemos ao longo da semana, com o acidente do Marcello, e o problema grave de saúde com um ente querido do Junior, saíram de nossas cabeças, e o foco foi para a nossa performance no palco. Claro que eu estava animado !


E lá  lá estava eu no camarim do Fofinho, todo "Flamboyant", feliz por estar iniciando uma jornada de resgate 60/70, enfim...Acervo de Rodrigo Hid



Aquele show era a concretização de quatro meses de trabalho, entre os ensaios, procura por um espaço, divulgação etc. Além disso, estarmos subindo ao palco era uma realização pela semana difícil que tivemos. E outra questão particular no meu caso : era o êxito por quase dois anos de trabalho no projeto Sidharta. 



                                Acervo de Rodrigo Hid

O show começou enfim... entramos com "Não tenha medo" e "Festa do Rock", sem interrupções. Seguiu-se "Ser" e "Tudo Vai Mudar". As músicas novas foram bem aplaudidas, e chegaram a arrancar assovios. Houve também uma quase comoção quando tocamos músicas do primeiro disco da Patrulha, da época do Arnaldo Baptista, e reconhecidas por fãs inveterados e antenados da banda, tais como "Sunshine"; "Sexy Sua", e "Raio de Sol". Músicas clássicas dos álbuns da Patrulha, como "Sai dessa Vida", com roupagem Funk-Rock bem setentista; "Ruas da Cidade"; "Depois das Onze", e "Espere Aqui por Mim", levaram os fãs ao delírio. Dava para sentir que não esperavam uma energia tão grande com a banda tocando seus clássicos, com três novos membros, e só o Rolando Castello Junior como remanescente da formação original. Tocamos também "Bruxas"; "Atenção"; "Bomba"; "Meus 26 anos", e "Columbia". Da safra nova, além das que já citei, tocamos "Retomada"; "Nave Ave"; "Terra de Mutantes", e "O Pote de Pokst", esta por sinal, arrancou gritos, pelo seu clima "zeppeliniano", com uma aura mística grande, envolta em brumas, que seriam apreciadas por Jimmy Page. O palco estava cheio de ornamentos, e dúzias de incensos queimando.



Todo o sonho do Sidharta de trazer o "religare" das chamas sessenta/setentistas estavam ali... acervo de Rodrigo Hid
 

Em cima dos amplificadores, estátuas de Divindades orientais; pedras coloridas, e incensos. Espalhados pelo palco, diversos símbolos hippies; em cima dos teclados, um porta retrato com a imagem de Timothy Leary...









O símbolo Hippie foi espalhado em vários pontos do palco ! Acervo e cortesia de Rodrigo Hid



E assim, seguiu-se a noitada, com músicas do repertório clássico da banda, mesclando-se às novas, e além de tudo, resgatando também a fase do Arnaldo Baptista, pois a Patrulha não tocava essas músicas, desde que o cofundador da banda fora-se, em 1978. 

Fora a surpresa irônica de tocarmos "Hey Amigo" do Terço, e uma dos Beatles ("She Came Through in the Bathroom Window"), mas com o arranjo da versão do Joe Cocker.



O show foi um sucesso, pois mostrou toda a versatilidade dos dois garotos revezando-se aos teclados; guitarras a mil por hora; vocalizações dos três da frente, flauta... era uma nova Patrulha surgindo. O público foi bom para os padrões do salão, mas aquém do que esperávamos, com 150 pessoas. Acabou dando tudo certo, apesar das agruras daquela semana !



Outra rara foto desse show de estreia da nova formação da Patrulha do Espaço, em 14 de agosto de 1999. Acervo e cortesia de Samuel Wagner

Semana terrível, sem dúvida, mas o show correu bem, apesar dos pesares, e o público que ali esteve presente, viu uma apresentação de garra, técnica e resgate da Patrulha às suas próprias raízes, libertando-se dos ranços de heavy-metal de seus últimos anos. Como sempre brincávamos nos intervalos dos ensaios, tocávamos clássicos do Rock. E nesses termos, costumávamos tocar "Hey, Amigo", com o Marcello pilotando o Hammond. Essa versão ficou muito boa, com os três cantando, e o Rodrigo solando a guitarra. 



Quando soubemos que o Terço iria fazer show de volta como nós, no mesmo dia, e num local rival da casa onde tocaríamos, resolvemos incluí-la no set list, como brincadeira. Mas sem ironia, pois gostávamos do Terço, claro. E mais um detalhe sobre esse show : ele foi filmado ! Não tem uma qualidade muito grande, pois era uma câmera de formato VHS, e o sujeito que filmou, não gravou o show inteiro, infelizmente. Estudo para breve lançar trechos desse material no You Tube.




Uma panorâmica do palco desse show de estreia da nova formação da Patrulha do Espaço, em 14 de agosto de 1999. Acervo de Rodrigo Hid.
 

Após essa boa estreia, confiantes e animados, prosseguimos ensaiando, agora sem a pressão inicial da estreia, e começando a criar algo já fora do material herdado do Sidharta. Lembro que ainda em agosto, o Marcello disse-nos que estava com algumas ideias para um tema progressivo, cheio de partes.

Marcello Schevano no ensaio da Patrulha do Espaço no estúdio do Paulo "P.A. Pagni, baterista do "RPM", e onde a banda formatou a pré-produção do CD " Chronophagia", ensaiando a partir de agosto de 1999.

Começamos a trabalhar nesse tema, que deu sim, bastante trabalho, pois a cada trecho que mostrava-nos, parávamos para arranjá-lo coletivamente.

   Rodrigo Hid pilotando os teclados dessa vez, no estúdio do P.A.

Foi de fato a primeira música nova criada pela formação, sem contar a herança do Sidharta, como já salientei. Recebeu o título de "Sendo o Tudo e o Nada", uma complexa suíte prog, bem influenciada pelo "Yes", e bandas italianas como "Premiata Forneria Marconi" e "Banco Del Muttuo Soccorso", principalmente. Mas a despeito dessa animação com o material estar ficando bom, após o show do Fofinho Rock Club, estávamos sem datas agendadas, e o Júnior que estava abatido pelo problema familiar que tivera recentemente, estava sem forças para movimentar-se nesse sentido.

Somente alguns dias depois é que surgiu um convite, mas não era nada muito animador. Uma casa noturna localizada na Vila Prudente, zona leste de São Paulo, estava organizando um show ao ar livre, com um palco montado na sua rua. Era tudo legalizado e apoiado pela prefeitura, portanto com uma infraestrutura razoável de som, palco decente etc. E abriu a possibilidade de agendar um show completo nas suas dependências, oferecendo bilheteria.
Como as coisas estavam difíceis, aceitamos tocar nesse micro-festival, gratuitamente, na esperança de podermos agendar um show remunerado, posteriormente. E assim, tocamos na tarde de um domingo, dia 5 de setembro de 1999, em frente ao bar "Fuzzy's", na Vila Prudente, zona leste de São Paulo.

Lembro-me de haver cerca de 100 pessoas presentes apenas, apesar de ser gratuito, infelizmente. E a outra atração, foi "Os Ostras", uma banda que tinha certa fama na MTV, no final dos anos noventa. Apesar de pouco público, o som no palco e no P.A. estava razoável. O show até que foi legal, com uma energia boa etc.
Na verdade, foi um "show de choque". Damos esse nome para shows curtos, e inseridos num contexto de vários artistas apresentando-se sucessivamente no mesmo palco, num evento só.

Lembro de apesar de ser um show curto, tocamos músicas de teclados também, como "Sexy Sua", e "Sunshine". Digno de nota, também teve o "Big Balls" de Xando Zupo, que nessa época só tocava covers. Recordo-me deles tocando "Deep Purple", por exemplo, além de outras bandas de garotos, irrelevantes num contexto maior da música. E o show dentro na casa, nunca aconteceu...


Rolando Castello Junior e Paulo P.A.Pagni no estúdio dele, P.A., e que seria o nosso QG, entre agosto e novembro de 1999

Seguiu-se a esse show ao ar livre na porta do Bar Fuzzy's, um período de ensaios que seguiram com todo o pique até meados de dezembro. Nesse ínterim, fizemos as primeiras fotos promocionais mais categorizadas enfim, pois a sessão realizada anteriormente foi amadorística, e nenhuma foto sequer foi aproveitada por falta de qualidade técnica, ou simplesmente por estarem sem "vida" alguma.


Parecia um bando de sujeitos "fantasiados de anos 1960", indo para um baile a fantasia e temático...
Nessa segunda sessão que aconteceu em setembro, fomos a um estúdio na Rua Nova York, no Brooklin, zona sul de São Paulo.
Esse fotógrafo (chamado Moa Sitibaldi), era um contato da Claudia Fernanda, namorada do Júnior, que nesta altura, estava trabalhando como produtora da banda. Ela tinha contatos no mundo das Artes Plásticas, pois trabalhava na produção de eventos dessa natureza, como exposições; vernissages, instalações etc.

As fotos ficaram boas, e foram usadas muitas vezes em publicações que tenho no portfólio. Não havia perspectiva de novo show a curto prazo. A próxima data agendada seria no Centro Cultural São Paulo, só em dezembro. Então, nesses meses de setembro, até o início de dezembro, pudemos afiar bem o repertório antigo da Patrulha, e trabalhar forte nas músicas novas.


 

Vários ângulos da "batcaverna" do Paulo "P.A." Antonio, onde ensaiamos no segundo semestre de 1999

Isso foi fundamental para chegarmos muito afiados aos shows de dezembro (seriam dois dias no Centro Cultural São Paulo), e principalmente no estúdio em janeiro, onde gravaríamos o primeiro álbum com essa formação, e primeiro de inéditas da Patrulha, desde 1985. Foram tempos difíceis, financeiramente falando, pela escassez de shows nesses meses, todavia produtivos pela oportunidade de ensaiarmos bastante.

Na porta da casa do P.A., com as presenças queridas de amigos em comum, nossos e do P.A. : O saudoso Hélcio Aguirra, e o percussionista Nobuga

E nessa fase em que estávamos ensaiando no estúdio do P.A. (Paulo Antonio, do RPM), na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, havia uma sinergia muito forte com o espírito dos ideais fomentados na época do Sidharta, pois usáramos bastante essa mesma sala de ensaio para compor e aprimorar aquelas canções novas, que agora seriam da Patrulha. Ali, que houvera sido o QG do Sidharta na maior parte do tempo, o ambiente hippie era adequado para a atmosfera que buscávamos nessa nova identidade que imprimiríamos na Patrulha do Espaço.


Mas a medida que os meses finais de 1999 foram extinguindo-se, a animação foi voltando, pois tínhamos duas datas agendadas no Teatro Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo. E como seriam os nossos primeiros shows num lugar mais categorizado, mesmo sem verba, decidimos caprichar na produção, ao máximo.

Uma das ideias que tivemos, foi a de ressuscitar a clássica "bolha psicodélica", como visual de fundo de palco. Mas como nossos recursos eram parcos, tínhamos que improvisar e de certa maneira sermos tão criativos quantos os primeiros hippies brasucas faziam para imitar o efeito que acontecia nos shows de Rock americanos e britânicos, dos anos sessenta. Então, o Júnior lembrou-se que o primeiro empreendedor que fez bolhas psicodélicas em shows de Rock em São Paulo, foi o artista plástico André Peticov, irmão do outro grande artista plástico, Antonio Peticov.

O grande artista plástico, e testemunha ocular da loucura contracultural hippie dos anos sessenta, André Peticov
 
Como o conhecia desde os anos setenta, acabou achando seu telefone, e pediu-lhe ajuda. Ele tinha compromisso, e não poderia estar presente nos shows para fazer as projeções (seria o máximo contar com ele !!). Mas enviando-nos  instruções, corremos atrás de um projetor de slides velho. A técnica era rudimentar, primitiva e cheia de "jeitinho brasileiro".

O "maquinário" consistia de : um projetor velho; lentes de câmera fotográfica; e refrigerante, de preferência guaraná ou soda limonada. As borbulhantes efeitos do refrigerante ampliados e projetados, mais gelatinas coloridas de celofane, faziam as bolhas psicodélicas lindíssimas. Era extremamente mambembe e artesanal, mas requeria uma atenção constante e uma inundação incrível em volta, o que seria um problema.

Então percebemos, fazendo testes caseiros, que o projetor que arrumáramos era muito fraquinho. Para projetar num diâmetro maior, precisaríamos de algo mais potente. O Rodrigo chegou a cotar preço de aluguel de projetores vintage, mas os preços eram absurdos. E havia também a questão da tela. Teria que ser um tecido adequado, e não horrendos lençóis brancos emendados... 


Em cima, foto de Moa Sitibaldi. Abaixo, acervo de Rodrigo Hid
 
Não tínhamos outra alternativa a não ser o "jeitinho", pois a verba era inexistente. Nos testes caseiros, o efeito da bolha era muito legal, mas numa tela improvisada de lençol branco. O nosso desafio era arrumar um projetor mais potente, e uma tela de maior dimensão, e com um tecido de qualidade superior, para melhorar a qualidade da projeção. 
Junior relaxando numa pausa de ensaio, e Claudia Fernanda, nossa produtora à época
 
A Claudia Fernanda que trabalhava com eventos, arrumou algumas peças de tecido que haviam sido usadas numa instalação de artes plásticas. Não era o tecido ideal para a projeção, mas era bonito como cenário. Então, ficamos com um cenário simples, mas do jeito que ela arrumou, ficou até chic. E no tocante da projeção, as bolhas ficaram muito sutis, longe do que sonhávamos, mas deu um pequeno efeito.
Mesmo porque, tivemos que conformarmo-nos em usar o projetor pequeno, e assim, o foco era pequeno, portanto inadequado para o que desejávamos. Dessa forma, ficou uma coisa bem comedida, mas de forma alguma comprometeu. E para dar suporte, aquele rede de amigos...
Foi o Eduardo Donato, que operou o projetor nos shows, e que havia entrado para o meu "exército de neo-hippies", mas não era oriundo da minha sala de aulas. Era um rapaz que o Rodrigo conhecera, quando entrou na Faculdade Cásper Líbero, em 1998. 

                                  Acervo de Rodrigo Hid
 
Aliás, as histórias cruzam-se... nesse ano de 1999, no mês de maio, o Laert "Sarrumor" convidou-me para ir à sua festa de aniversário. Estávamos já ensaiando com a Patrulha, e eu vivia aquela euforia pró resgate de anos 1960 / 1970 desde o Sidharta. Então, fomos eu; Rodrigo, e o Eduardo Donato à festa, todos vestidos de Rockers setentistas...
O Laert quando viu-nos começou a rir, vendo-nos daquele jeito...
E o Eduardo Donato surpreendeu-o completamente, pois levou no bolso, a fita K7 que o Língua de Trapo lançou em 1980, e cuja gravação eu participei como membro da banda !!
Ele havia achado essa cópia num sebo, e levou para o Laert autografar...

Patrulha do Espaço e Eduardo Donato, numa meditação de araque, em foto de janeiro de 2000
Na véspera dos dois shows que faríamos no Centro Cultural, corremos com a questão da produção, e divulgação do show.
Foi efetivamente, a segunda grande campanha de divulgação em que empenhamo-nos, pois o show ao ar livre que fizemos em setembro, não teve esforço de nossa parte.

Colocamos todos os cartazes que pudemos imprimir, e o mesmo em relação às filipetas. Mas tivemos uma ótima nova em termos de mídia, de forma inesperada ! Na véspera de nossas datas no Centro Cultural São Paulo, recebi um telefonema na minha residência, de um jornalista do jornal "Folha de São Paulo". Ele propôs-me uma entrevista por telefone, o que aceitei de imediato. Perguntou-me sobre a volta da Patrulha do Espaço; se teria a participação do Arnaldo Baptista; se tínhamos novas músicas; planos de gravar um novo álbum de inéditas; se era uma volta para valer, ou só para alguns shows nostálgicos etc etc. Mesmo surpreendido com esse interesse de um órgão mainstream, e historicamente avesso a egrégora a que pertencíamos, fui respondendo com o máximo de boa vontade, é claro. Ao final, falei sobre o resgate que a banda pretendia fazer de volta às suas próprias raízes sessenta / setentistas, e citei alguns estilos dessas décadas, que faziam parte de nosso espectro de novas composições. Encerrando, trocamos informações sobre a entrega de fotos promocionais, e finalizei contente, por achar que era algo extraordinário ver a Folha de São Paulo procurar-nos espontaneamente, denotando estar conferindo-nos estofo artístico, relevância etc. Providenciei pessoalmente a entrega de fotos, levando-as à redação da Folha, e fiquei esperançoso. De fato, a matéria saiu no caderno de cultura desse jornal, o tradicional "Folha Ilustrada". Qualquer artista no Brasil, sabe que sair na "Ilustrada", é sinal de status, e abre portas.
Mas mesmo sem eu ter mencionado de forma alguma, o jornalista inseriu a palavra "Heavy-Metal", em meio aos estilos que citei.
Ora, claro que não citei tal estilo, pois eu fugia disso, e queria extirpar esse ranço que a banda agregou na sua carreira pós /1985, mesmo não sendo um problema meu, visto que não era componente nessa época, mas isso incomodava-me. E infelizmente o jornalista "inventou", literalmente, e publicou, indevidamente.

Claro, apesar desse lapso, não podemos reclamar de termos saído no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, uma autêntica raridade para uma banda não coadunada com o pesadelo de 1977...
Quanto a produção, tivemos que correr atrás de algum equipamento extra para suprir as necessidades de palco, visando alimentar os teclados, principalmente. No quesito cenográfico, conseguimos os tecidos, e sob a supervisão da Claudia Fernanda, o cenário ficou bonito, dentro de sua simplicidade.

Infelizmente, pela tessitura quase transparente do tecido usado, a questão das projeções de bolhas psicodélicas ficaram prejudicadas.

Ficou bastante discreta a projeção, mais dando um colorido do que o que sonhávamos, mas é o tal negócio, fizemos o melhor que pudemos, diante de nossos parcos recursos.


O simpático Jornal do Cambuci & Aclimação deu força à banda, honrando sua tradição de apoiar a cultura, que vinha desde os anos oitenta, quando apoiava com entusiasmo o evento "Praça do Rock", que realizava-se no Parque da Aclimação. Um dado a mais para colaborar, foi a presença do super iluminador Wagner Molina, que o Junior convidou a iluminar o nosso show, quando conheci-o, e anos depois ele tornar-se-ia o iluminador do "Pedra".

Patrulha do Espaço, e um fã no camarim do CCSP. Dezembro de 1999

Ao contrário do show do Fofinho em agosto, o set list evitou as releituras, e focou no repertório próprio da banda, mesclando músicas de todos os discos, incluso fase Arnaldo Baptista, e as novas canções, que fariam parte do álbum "Chronophagia".

Foi nesses shows inclusive, onde executamos várias músicas ainda não tocadas ao vivo (algumas apenas foram tocadas no Fofinho), incluso "Sendo o Tudo e o Nada", um tema progressivo cheio de partes, com quase 9 minutos de execução.

Esses shows ocorreram nos dias 9 e 10 de dezembro de 1999, quinta e sexta-feira, portanto dias difíceis para levar-se bom  público no Centro Cultural, com a agravante de que o horário das 19:00 h. para realizar-se um espetáculo numa metrópole como São Paulo, é um disparate, com milhões de pessoas presas no trânsito, bem na hora do rush.


 

Mas, a despeito disso, levamos um público razoável : 90 pessoas na quinta, e 150 na sexta. Animados com esses dois shows que foram bons, e que geraram uma repercussão inesperada, tivemos a boa nova de que havia uma data marcada para fora de São Paulo, no meio de janeiro. Seria um show na cidade de Praia Grande, litoral sul de São Paulo.


 

Sendo assim, com o movimento de borderô dos shows do Centro Cultural São Paulo, mais a perspectiva de um show com cachet fixo para breve, o Júnior vislumbrou a possibilidade de entrarmos em estúdio para gravarmos o primeiro CD da nova formação.


Contatos começaram a ser feitos nesse sentido e aproveitando uma oportunidade vislumbrada de outro trabalho dele, uma visita a um estúdio foi programada para o final do ano de 1999...

Esses dois shows do Centro Cultural São Paulo foram filmados, não de forma integral, mas tenho planos de disponibilizar no You Tube, em breve. Bons shows que animaram-nos para virar o ano 2000 !

                                                Acervo de Rodrigo Hid
 
Chegando o final do ano, o Júnior agendou uma audição de um tape que ele havia gravado ao vivo de um show que fizera com o baterista Paulo Zinner, homenageando o baterista do The Who, Keith Moon. Esse show aconteceu em 1998 ou 1999, não lembro-me ao certo, e fora gravado no Espaço Camerati, que era uma charmosa casa de Shows na cidade de Santo André, no ABC paulista, e que possuía um estúdio acoplado. Daí a facilidade de gravar-se shows, microfonando tudo, e acoplando à mesa do estúdio. 
          Keith Moon, o grande e lunático baterista do The Who !!
 
Essa audição era uma questão particular dele, mas serviu para alinhavar o acordo com o Camerati, visando iniciarmos a gravação do nosso álbum, em janeiro de 2000. Bem, voltando à audição, lembro-me de irmos ao Camerati, que ficava no Bairro Jardim, no centro daquela simpática cidade do ABC paulista. Foi por volta das 22:00 h do dia 30 de dezembro de 1999. 
Lembro-me dessa noite por essas coisas que contei, e também por uma notícia que chocou e chateou-nos bastante : George Harrison havia sido esfaqueado por um maluco que invadira sua casa. Nessa visita ao Camerati, estavam eu; Júnior; Claudia Fernanda; Rodrigo; Paulo Zinner; René Seabra, e um amigo da banda, Roberto Garcia, ex-aluno meu, e entusiasta da causa. O técnico do Camerati, Zoroastro Barany, popular "Zôro", foi quem recebeu-nos, e operou a sessão, naturalmente. 

E como tinha plenos poderes dados pelo dono do estúdio nessa época (o compositor / cantor cearense, Belchior), agendou a nossa gravação para o final de janeiro de 2000. Saímos do estúdio Camerati, felizes, pois tínhamos a perspectiva de gravar em menos de um mês, e isso significava um grande passo para a banda.
Lançar um novo álbum, com canções inéditas, era muito importante no sentido de conferir-nos um impulso. 
Esse é um dilema para bandas veteranas que voltam à cena, após um grande hiato, porque sem a novidade de um material inédito, ou seja, sem ter o que dizer artisticamente, uma volta sempre é encarada sob judice pelos críticos, e até pelos próprios fãs, muitas vezes. E material fresco, com grande qualidade, era o que tínhamos de sobra, literalmente. A sessão de audição encerrou-se, e nós voltamos para nossas casas, falando do Harrison; bug do milênio, e Nostradamus...

Continua... 

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