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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Língua de Trapo - Capítulo 16 - As Grandes Temporadas e Mais Aventuras na Mídia - Por Luiz Domingues

Após essa aventura maluca em Águas Claras, teria início a fase mais regular de shows, nesta minha segunda passagem pela banda. 


Entramos numa temporada longa no Teatro Lira Paulistana, com o primeiro show ocorrendo no dia 8 de março de 1984, perante um público de 280 pessoas. No dia seguinte, 9 de março, levamos 320 pessoas. No sábado, dia 10 de março; 380 pessoas passaram pela bilheteria, e no domingo, dia 11 de março, 300 pessoas. 



Era um começo promissor demais para essa temporada, levando-se em conta que a capacidade oficial do teatro Lira Paulistana, batia na casa dos 200 espectadores. Dessa forma, conseguíamos então superlotar as dependências, num ótimo sinal de que a temporada seria vitoriosa.




A perspectiva era de ter bom público em dias improváveis, e super lotação nos finais de semana. E o mais extraordinário, em se comparando aos dias atuais (2016), é que não havia um grande esforço de divulgação. O boca-a-boca garantia esse sucesso, com pouco suporte de material de cartazes, filipeta ou lambe-lambe. 
Nem cogitava-se anúncios pagos em jornais e revistas, tampouco chamadas de rádio e claro, comerciais na TV, nem pensar pelos seus preços proibitivos. Logo no começo dessa temporada, lembro-me que fomos escalados para participar de um programa musical dito jovem, da TV Manchete.
A gravação foi realizada em locação, dentro de uma casa noturna "moderninha", localizada no Morumbi, zona sul de São Paulo. 
Apesar de não ter característica de banda de Rock, o Língua estava naquele contexto, e eu me recordo bem, participaram também daquela gravação, o Kid Abelha; Lobão e os Ronaldos; Paralamas do Sucesso, e mais próximo da nossa realidade, o Premeditando o Breque, igualmente uma banda de sátira e humor, e também egressa do movimento "Vanguarda Paulistana". 
Como de praxe, os membros da produção do tal programa, eram bem afetados. Excepcionalmente, algumas pessoas chamaram-me a atenção por serem afetadas além da conta. Era um festival de rispidez e nariz empinado de certas meninas produtoras, que impressionou-me.
Dava-se um desconto por serem estagiárias, e estarem naturalmente inebriadas por estarem trabalhando na TV, e lidando com artistas que estavam na "crista da onda", caso das bandas do BR-Rock oitentista, mas que era exagerado, isso era... 
O Língua gravou sua participação dublando a música "Vampiro S/A", do primeiro LP. Era um simulacro de Heavy-Metal, com o Laert entrando vestido de Drácula, e traçando toda uma ironia em torno do verdadeiro vampiro, que é o criminoso do colarinho branco, sugador do sangue do povo etc e tal.

Nos shows, essa encenação era engraçadíssima, com o ator Paulo Elias fazendo o assistente corcunda, muito genial como escada do sketch. Como tudo isso fazia sentido no contexto da sátira, claro que no show era incrível, mas jogado à esmo como uma apresentação normal de uma banda, causou estranheza naquele programa. Muita gente ali não percebeu o caráter de sátira e ficou com aquela carinha de desaprovação, não entendendo como "aquilo" estava em meio aos rockinhos insípidos ao frescor da "New Wave", dos artistas do BR-Rock 80's, presentes. Bem, isso não mudou a cotação do dólar, nem abalou as Nações Unidas, mas foi engraçado naquele momento.

Voltando à temporada no Lira Paulistana, a segunda semana foi assim : 
Dia 14 de março de 1984 : 100 pessoas
Dia 15 de março de 1984 : 200 pessoas
Dia 16 de março de 1984 : 300 pessoas
Dia 17 de março de 1984 : 320 pessoas
Dia 18 de março de 1984 : 400 pessoas 

Uma coisa curiosa ocorreu no dia 17, um sábado. Nesse mesmo dia fizemos dois shows, pois fizemos um show de choque no TUCA, no período da tarde, dentro de um evento com outros artistas. Nesse show, haviam cerca de 400 pessoas na plateia.
Mais uma nota sobre a temporada no Teatro Lira Paulistana na Folha de São Paulo. Acervo e cortesia de Julio Revoredo

Fizemos essa apresentação rápida, e fomos direto ao Lira, para a passagem de som, e pouco tempo depois, estávamos fazendo o show completo, para um ótimo público de 320 pessoas, conforme já descrevi acima. Tempo muito bom de vacas gordas, com shows todos os dias e às vezes, dois no mesmo dia...


Na foto acima, Fausto Silva ainda não famoso como nos dias atuais, conversando com Goulart de Andrade, o saudoso jornalista, nas dependências do Teatro Pimpão, no bairro de Santa Cecília, centro de São Paulo, onde apresentava ao vivo o programa "Balancê" da Rádio Excelsior / Globo, no início dos anos oitenta

Nessa época, continuamos fazendo muitas entrevistas para a imprensa escrita, e participando de programas de rádio e TV. Lembro-me de nossa primeira participação no programa de Rádio, "Balancê", da rádio Excelsior / Globo de São Paulo. O programa era um misto de noticiário esportivo, com variedades artísticas, e acontecia de segunda a sexta, no horário do meio-dia, considerado nobre no Rádio e na TV, para típicos programas esportivos.
Na foto acima, dos anos setenta, Fausto Silva atuando como repórter de campo da Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, entrevistado o ponta esquerda do São Paulo FC, José Carlos Serrão, possivelmente antes da partida iniciar-se. Assisti muitos jogos em estádios nessa década, vendo o Faustão entrevistando jogadores dentro do campo

O apresentador era um ex-repórter de campo de futebol, um sujeito robusto e desinibido, chamado Fausto Silva. Às vezes o locutor esportivo, Osmar Santos também apresentava-o. 
O grande Osmar Santos, locutor esportivo que brilhou muito nas décadas de setenta a noventa, principalmente 

E todo o apoio era dado pela equipe esportiva da casa, com os típicos boletins de cada clube paulistano, gravados nas chamadas "sonoras". Esses boletins com novidades do dia de cada clube, eram intercalados com as variedades artísticas. Geralmente haviam mais atrações musicais, e atores divulgando espetáculos teatrais. 
Mas tudo isso não acontecia no tradicional estúdio da rua das Palmeiras, no bairro Santa Cecília, centro de São Paulo, e sim, direto de um pocket-teatro localizado há um quarteirão apenas dos estúdios da Rádio. 
Esse pequenino teatro localizado na Rua Apa, travessa da Rua das Palmeiras, e próximo à praça Marechal Deodoro, chamava-se "Teatro Pimpão", mas na década de setenta, chamava-se "Teatro de Bolso", e costumava realizar temporadas de artistas da MPB, dita "maldita". Eu mesmo assisti um show do Jorge Mautner, em 1977, numa "sessão maldita", com o teatro completamente lotado, e aquele perfume de patchouli, peculiar daquela década, fortemente manifestado no ar... 
Voltando ao "Balancê", o programa, por ser apresentado dentro de um teatro, tinha público ao vivo, como nos moldes dos velhos programas de auditório, dos tempos de ouro do rádio brasileiro. 
O humorista Tata e Fausto Silva, do Balancê do rádio, direto para o Perdidos na Noite" na TV

A diferença, era que não havia estrutura alguma para tocar-se ao vivo, a não ser pequenas canjas acústicas, e sem compromisso com a qualidade sonora. Portanto, todo mundo que ia ali, dublava como se estivesse na TV, mas com um público muito próximo, vendo a constrangedora micagem dos artistas. Fora tudo isso, o programa era completamente anárquico, e parecia fazer parte desse script, a completa improvisação de todos. O público cativo era sui generis. Era formado em 90%  pelos funcionários do Metrô que trabalhavam na construção da Estação Marechal Deodoro, localizada ali na praça de mesmo nome. Os outros 10% eram preenchidos por caçadores de autógrafos, ou por fãs específicos de um ou outro artista anunciado.
No dia em que fomos, lembro-me que uma das atrações musicais era o cantor Markinhos Moura, que transitava pelo mundo brega. 
Entre uma entrevista com Biro-Biro do Corinthians, e Serginho Chulapa do Santos, fizemos a nossa apresentação, dublando "Concheta". Os operários costumavam assistir tudo comendo (pois era a sua hora do almoço, e o tempo, exíguo para fazerem-no), com suas marmitas deixando o cheiro de comida no ar, o que tornava tudo, ainda mais surreal. Mas o Fausto ainda não era nada famoso, e só quem acompanhava futebol (meu caso) lembrava-se dele como repórter de campo da Rádio Jovem Pan, na década de setenta. 
Sendo assim, era simples e atencioso com todos. O sonoplasta era um sujeito completamente carismático chamado "Johnny Black". Uma "figuraça", era esperto e não deixava a peteca cair. Demos o nosso recado, falando da temporada no teatro Lira Paulistana, e após a dublagem, fomos embora, mas voltaríamos em outras ocasiões, e posteriormente eu voltaria ainda mais vezes com A Chave do Sol.

Mais ou menos na terceira semana de março, ou na primeira de abril, o Língua recebeu um convite para criar uma trilha sonora, para um programa novo que a TV Cultura de São Paulo pretendia lançar. O Laert compôs um tema de abertura, e numa manhã de sábado, usamos o estúdio do MIS, Museu da Imagem e do Som, para gravar.
Era um tema de abertura com duração de um minuto e meio, aproximadamente, com uma melodia alegre, meio na onda das canções da Vila Sésamo. Lembro só de uma frase que dizia "O jogo é lúdico..." 
Eu, Naminha, e Lizoel estávamos nessa gravação. Não lembro-me da participação dos demais, Serginho Gama; Pituco e João Lucas. 
O programa não vingou, que eu saiba. Ficou só no piloto, pelo menos na minha percepção, e corrijam-me se eu estiver equivocado.
Veio então a terceira semana da temporada no Teatro Lira Paulistana. Mas antes, fizemos uma nova aparição no programa "A Fábrica do Som ", da TV Cultura. Ocorreu no dia tradicional das gravações do programa, na terça-feira, desta feita caindo no dia 20 de março de 1984.
Apresentamo-nos tocando três músicas, "Concheta"; "Pensamento Positivo, e "Crocodilo". Só "Crocodilo e "Pensamento Positivo"foram ao ar, no sábado subsequente. Lembro-me que usávamos o ridículo terno verde e amarelo que abria o show normalmente.
Still do vídeo do Língua de Trapo executando "Crocodilo", com a minha figura em destaque

Tem um vídeo no You Tube justamente com a performance de "Crocodilo". Eu estou em destaque nesse vídeo, porque quem o postou no You Tube, é um fã de outros trabalhos meus, e dessa forma, quis enfatizar isso, da maneira que o nominou. 
Foi uma apresentação energética, e quem não conhecia o Língua, poderia até confundir-nos com uma banda de Rock tradicional, e não perceber o caráter satírico da performance. Já ouvi gente dizendo que associava o Língua de Trapo ao Sha-na-na, banda satírica norte-americana, mas acho que essa comparação cabia mais ao "Joelho de Porco". Enfim, foi uma boa apresentação, certamente apoiando a divulgação da temporada no Lira Paulistana.
Acima, o vídeo do Língua de Trapo na "Fábrica do Som", apresentando "Crocodilo"
http://www.youtube.com/watch?v=ynI0qI_H6PI  
 

Como ocorrência off, lembro-me que os técnicos da TV Cultura enfrentavam algum  problema técnico, e pediram para que esperássemos um pouco para começarmos a tocar. 

Abaixo, o vídeo de Pensamento Positivo :
https://www.youtube.com/watch?v=3CdYCSyl18Q&feature=youtu.be
Link do vídeo no You Tube 


Claro, num show ao vivo com mais de mil pessoas na plateia, e a adrenalina a todo vapor, era difícil controlar a expectativa do público. Então, inocentemente eu toquei alguns riffs do Led Zeppelin, e o teatro entrou em ebulição. O Laert ficou bravo comigo, e pediu para que eu parasse imediatamente. Claro, era inconveniente atiçar a plateia dessa forma, e certamente abriria o precedente de muitas pessoas desviarem o foco do Língua, e ficarem pedindo que tocássemos Led Zeppelin, ou covers de outras bandas. Parei imediatamente, claro, e percebi que aquela atitude era inconveniente naquele instante.


Falando sobre a terceira semana da temporada no Teatro Lira Paulistana...
No dia seguinte à aparição no Teatro do Sesc Pompeia, onde gravamos nova participação no programa "A Fábrica do Som", seguimos com a nossa temporada no Teatro Lira Paulistana. 
Na quarta-feira, dia 21 de março de 1984, tocamos para um público de 120 pessoas, excelente para esse dia da semana. Na quinta, dia 22 de março, 180 pessoas passaram pela bilheteria. Na sexta-feira, dia 23 de março, 200 pessoas, e no sábado, 350 pessoas. 
Percebendo o fluxo crescente, o Jerome negociou com a direção do Lira para fazermos duas sessões aos domingos, potencializando a temporada. Dessa forma, fazíamos o primeiro show às 18:00 h, e a sessão regular das 21:00 h. Logo no dia 25, na sessão das 18:00 h, tivemos 120 pagantes e na segunda sessão, das 21:00 h, 300 pessoas nos assistiram.

Uma dessas sessões de domingo foi filmada por uma equipe da TV Abril Cultural. A TV Abril (ligada ao grupo Abril Cultural, da família Civita), batalhava para conseguir uma concessão do governo, para abrir seu canal próprio, mas enquanto isso não acontecia, estabeleceu uma parceria com a TV Gazeta de São Paulo, e passou a ocupar um espaço de 4 horas diárias na sua grade, desde o final de 1983. E sendo assim, oportunidades surgiram para o Língua de Trapo, uma banda oriunda de uma faculdade de jornalismo, e com simpatizantes na mídia. No caso dessa equipe de filmagem, o objetivo era um realizar um especial, intercalando cenas de show com entrevistas. 
Lembro-me dessa equipe filmar mais de um show, e realizar diversas entrevistas no camarim do Teatro Lira Paulistana. 
E mais ou menos nessa época, entre março e abril de 1984, esse especial do Língua foi exibido na TV Abril / Gazeta.
Ainda falando de TV Abril, lembro-me que também nessa época fomos participar de um programa que utilizava os estúdios da TV Gazeta, na Av. Paulista.
Era uma espécie de programa de variedades, misturando cultura; política, e atualidades sociais em geral. Era apresentado por um casal de jornalistas já famosos na época, Silvia Poppovic e Paulo Markun, que nos anos vindouros ficariam ainda mais famosos na TV. Nesse dia específico, a ideia seria dublar a música "Romance em Angra", mas a produção insistiu, e nós fomos preparados para tocar ao vivo, só que num formato acústico. 
Como tratava-se de um bolero, lembro-me que ao invés de tocar baixo, fui convocado a tocar "clave", um exótico instrumento de percussão, praticamente só usado nesse tipo de música.
São dois objetos de madeira cilíndricos, que são executados na base do atrito entre um e outro, produzindo um som de timbre incrivelmente agudo. É bastante fácil o seu manuseio e para tal finalidade, basta o músico ter uma mínima noção rítmica, mesmo não sendo um percussionista, portanto instrumentista especialista.
E o desenho rítmico típico do bolero é bastante fácil de ser executado, portanto, fui confiante para o estúdio da TV Gazeta / Abril Cultural. Uma particularidade exótica aguardava-nos, contudo... 
Justamente naquela noite, duas personalidades midiáticas estavam no estúdio, prontas para serem entrevistadas, e foram convidadas a  assistir-nos. 

O governador de São Paulo na ocasião, Franco Montoro, e o jogador do Corinthians / Seleção Brasileira, Sócrates. Foi hilário apresentarmo-nos com ambos vendo-nos, e fazendo expressão facial de "paisagem", pois sabiam que as câmeras focalizavam-nos o tempo todo à cata de expressões faciais. E como sempre acontecia com o Língua de Trapo, pelo fato de nem todo mundo ter o conhecimento de que o nosso trabalho era satírico, era óbvio que causava estranheza nessas circunstâncias. No caso específico dessa performance, será que o governador Franco Montoro, e o Dr. Sócrates ligaram-se que aquele bolero cafonérrimo era uma gozação, ou acharam que nós éramos representantes da fina flor da cafonália ?? 

E nessa mesma época, uma produtora de vídeos, ainda não conhecida, propôs-se a realizar um vídeoclip do Língua de Trapo. 
Chamava-se H2O essa produtora, e era tocada por jovens, que fariam muito sucesso a seguir no mercado publicitário, e na produção audiovisual em geral. Hoje em dia, a H2O é uma potência no Brasil, com repercussão em muitos direcionamentos internacionais, e um desses jovens em questão, é hoje um diretor de cinema com acesso ao cinemão blockbuster, um rapaz chamado Fernando Meirelles. 

Hoje consagrado como diretor de cinema internacional, Fernando Meirelles deu-nos a mão em 1984, e sou-lhe grato por isso !

Mas, entre março e abril de 1984 e longe desse prestígio que desfruta hoje em dia, tanto Meirelles quanto seu sócio, cujo nome era Fernando Rozzo, eram apenas garotões desconhecidos, e dando seus primeiros passos na produção audiovisual. Claro que aceitamos, e numa tarde de um dia de semana entre março e abril de 1984, participamos da filmagem desse clip, tendo como locação, a Praça da Sé, no centro velho de São Paulo. 
A ideia do clip era a mais simples possível. Usando a locação natural da praça, e a banda interagindo de improviso com populares, onde praticamente só o vocalista Pituco Freitas teria uma atuação mais interpretativa, por cantar a música. 
A música, aliás, escolhida, foi "Régui Espiritual", uma brincadeira com os falsos Gurus, meio inspirado no "Tim Tones", personagem criado pelo Chico Anísio. Então, várias cenas foram gravadas com o Pituco cantando nas escadarias da Estação Sé do Metrô, ou por recantos da praça.
Tem uma inclusive, onde ele canta perto de um chafariz e crianças abandonadas, moradoras de rua, jogam-se no tanque d'água, como se fosse uma piscina particular... 
A banda aparece em vários momentos, interagindo com o personagem central, vivido pelo Pituco.

É possível ver todos os membros, incluso o ator Paulo Elias, jogando bolhas de sabão em cima do "Guru", como sugere a letra da música, em dado instante. E também faz uma coreografia mezzo robótica, no absurdo coral da música, que diz de forma nonsense : "esse coral, não era pra ter... a gente pôs porque ficou legal..." 
Tudo foi feito de uma forma super despojada, na base de "uma ideia na cabeça e uma câmera na mão", sem roteiro e sem recursos.
E claro, populares foram agregando-se e no final, havia uma multidão participando, mesmo sem entender nada. Tem uma cena no final da música, onde veem-se muitos populares pulando euforicamente conosco, numa alegria natural, e estrategicamente fora de propósito. Esse clip acabou ficando engavetado por anos, mas recentemente, em 2012, veio à tona, sendo postado no You Tube, resgatando uma parte obscurecida da história da banda, e reforçando o meu vídeofólio pessoal, tão carente de material de minhas duas passagens pelo Língua de Trapo.

Assista acima o vídeo clip oficial de "Régui Espiritual", produzido em 1984. Abaixo o link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=FZixFi7Y-74

E encerrando, um fato exótico aconteceu na barraca de um camelô, que gentilmente deixou-nos usá-la como camarim improvisado de um set de filmagens. Dois pivetes que seguiam-nos, quase roubaram a carteira do tecladista João Lucas, quando foram surpreendidos pelo guitarrista Sergio Gama...
Assim que o clip foi postado no You Tube, nesse ano de 2012, um fórum de opiniões foi alimentado por diversos ex-membros do Língua, incluso eu, no Facebook, e esse episódio foi lembrado pelo próprio João Lucas.
Frame do Vídeo-Clip da música "Régui Espiritual", filmado na Praça da Sé, em 1984

Chegamos à conclusão de que, sobre o que era assustador com a criminalidade infantil que desde o final dos anos setenta preocupava a população, com os ditos "trombadinhas" agindo nas cidades brasileiras, hoje em dia piorou muito. Alguém disse : -"naquela época o pivete tentou furtar a carteira e ao ser surpreendido, disfarçou e saiu. Hoje, ele provavelmente mataria, para depois pegar a carteira, e sairia rindo..." 
Que chato ver as coisas retrocedendo à barbárie, trinta anos depois, ao invés de melhorarem...

Continua...

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