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domingo, 1 de março de 2015

Trabalhos Avulsos - Capítulo 23 - T. Rex Cover, Bolan to Boogie...to Nothing... + Tributo à Janis Joplin (Uma Homenagem Bizarra...Chamem o Procon...) - Por Luiz Domingues

Após essa frustrada tentativa de fazer uma banda tributo do David Bowie, o Chris Skepis ligou-me a seguir, e disse que o produtor Geraldo D'Arbilly (ex-baterista do "Peso" nos anos setenta), que agendava shows na casa de espetáculos, "Aeroanta", ficara frustrado, pois queria fazer o tributo ao Bowie, por lá. Então, antecipando-se, perguntou ao Geraldo se aceitaria fazer um "T. Rex" cover, como outra alternativa "Glam" setentista. Como era fã de glitter Rock setentista, o Geraldo disse que sim, e só aí o Chris foi montar uma banda, num processo inverso.



Ligou-me, e eu aceitei o convite, pois também adoro o T.Rex.


Sugeri o baterista Paolo Girardello, com quem tinha tido a experiência da "Pinha's Band", meses antes, e já relatada aqui.



Fizemos alguns ensaios, e tiramos 16 músicas do T.Rex de Marc Bolan. Era um trio, com o Chris tocando guitarra e cantando.


Mas o Geraldo acabou tendo problemas em arrumar a data, e com o tempo passando, desanimamos. Uma pena, pois o som chegou a ficar bem ensaiado, e seria prazeroso tocar T.Rex ao vivo. Isso ocorreu logo a seguir da frustrada tentativa de fazer um David Bowie Cover, em 1991.



Passaram-se muitos anos sem que eu envolvesse-me novamente num trabalho fora de uma banda autoral oficial onde não fosse membro, até que recebi o telefonema de meu velho amigo, Laert Sarrumor.
Firme com o Pitbulls on Crack, desde o início de 1992, meu último trabalho avulso fora uma apresentação da banda tributo ao Black Sabbath, "Electric Funeral", em julho de 1992, no Aeroanta em São Paulo. Então, logo no início de 1996, recebi o telefonema do Laert Sarrumor, que convidou-me a participar de um show tributo à Janis Joplin, que ele estava organizando, e que seria realizado no mesmo Aeroanta, citado acima.


Com o Pitbulls em ritmo de gravações do primeiro CD, e poucos shows em vista, aceitei pela diversão, e oportunidade de rever amigos, principalmente o Laert que eu via pouco, e cuja última vez que estivemos num palco juntos, fora em julho de 1984, quando despedi-me do Língua de Trapo, pela última vez, encerrando minha participação, em minha segunda e derradeira passagem pela banda. 


Então combinamos um encontro, onde ele deu-me a lista do repertório que pretendia tocar.



Fiquei surpreso, pois haviam diversas canções, incluso o blues "Amor à Vista", pérola do repertório do Língua, por ocasião de minha segunda passagem pela banda entre 1983 / 1984. 


Mas (pasmem !!), só havia uma canção da Janis Joplin inclusa nesse set list, e era um tema instrumental (pasmem, novamente) !!! 


A grande jogada irônica desse tributo, era que homenagearíamos Janis Joplin, tocando um repertório de Blues autorais e só uma música era do repertório dela, e instrumental !! 



Tratava-se da canção : "Buried Alive In Blues", que está no LP "Pearl". Ela ficou sem vocal, pois a Janis faleceu antes de gravar sua voz, e o produtor bancou a colocação do tema, como uma homenagem à banda, e assim ficou no LP "Pearl". Mas nesse tributo, tornou-se uma ironia incrível tocar só esse tema do repertório dela, justamente uma canção instrumental, em meio à uma artista que notabilizou-se pela voz... 


Marcamos apenas um ensaio, super improvisado na minha casa, só para tirar dúvidas de harmonia e mapa das músicas. Foi super corrido, e num dia de semana a noite na minha sala de aulas.




  Gilberto "Giba San" na primeira foto e Zé Miletto, na segunda

A banda seria composta por Laert Sarrumor no vocal; Gilberto "Giba San" na guitarra, e Zé Miletto no teclado, além de minha presença no baixo, e o baterista Nahame Casseb, popular Naminha, outro velho companheiro do Língua 1983 / 1984, que eu não via há anos. 



Mas o Naminha não foi ensaiar, pois ainda não havia chegado de viagem. Ele morava em Tóquio há muitos anos, e estava chegando para visitar parentes e amigos, indo direto para o show, sabendo das músicas só por tê-las ouvido no Japão. Foi um ensaio divertido, com o prazer de estar com o Laert novamente, após tantos anos. O Zé Miletto também era gente boa, embora eu não tivesse intimidade alguma com ele, e o Giba "San" eu conhecia vagamente , pois é figura carimbada no mundo das bandas cover da noite paulistana.


Trata-se de um excelente guitarrista, muito requisitado como side man de vários artistas, e com participações em bandas cover. 


Sendo assim, com um ensaio apenas, fomos para o show, que prometia ser bastante divertido.



O show teve um esforço de divulgação razoável, pois foram feitos cartazes, filipetas, e até os "Lambe-Lambe", cartazes de grande porte para muros, e tapumes urbanos. Ocorreu no dia 19 de janeiro de 1996, mas infelizmente com pouco público. Apenas 60 pessoas passaram pela bilheteria, e além dessa banda tributo, haveria a apresentação de uma banda autoral muito interessante que eu já havia ouvido falar, chamada "The Tea House Band" .


A vocalista / baixista da banda era amiga do Laert, e pelo que pesquei de conversas no camarim, havia participado da produção do Língua de Trapo, por ocasião da retomada das atividades da banda em 1992. Assisti o show de abertura deles pela coxia, e gostei muito, pois era 100% calcado em bubblegum sessentista.



O visual deles remetia ao pop bubblegum dos anos 1960, e aquilo  impressionou-me muito positivamente, pois vivia uma fase em que estava muito imbuído de viver uma experiência retrô nesses moldes, e assim foi quando o Pitbulls on Crack lançou o CD "Lift Off", e posteriormente com a formação do Sidharta, e fusão com a Patrulha do Espaço. Conversei rapidamente com os membros do "The Tea House Band", e curti saber que eles realmente eram 100% influenciados pelos anos 1960. Era bom saber que eu não estava sozinho no mundo, e que não era apenas um turrão mergulhado numa idiossincrasia nostálgica, e portanto avesso ao mundo de "rockers de bermuda e com piercings por todo o corpo", panorama dos anos noventa. No camarim, foi um festival de risadas, com tantas piadas que surgiram. Principalmente quando o Laert vestiu a roupa que alugara especialmente para o show. 



Era um terno de cetim cor-de-rosa, com camisa colorida e cheia de babados e acessórios vintage, como um par de sapatos de salto carrapeta, e um chapéu espalhafatoso, com plumas enormes. 


Tudo bem, ele queria usar um visual Hippie Chic exagerado, mas ficou mais parecido com o Sly Stone do que Janis Joplin.


E quando nosso velho amigo, o ator Paulo Elias, outro ex-membro do Língua, viu aquilo, teve um ataque de riso e disse : - "Laert , você está parecendo um cafetão de filme policial americano...só fica faltando um cadillac conversível, e uma putas em sua volta..." 


Em princípio, o Laert  não gostou da piada, e respondeu : - "Pô Paulinho, não precisa esculhambar..." 


Aí, a reação foi ainda mais engraçada, com todo mundo no camarim caindo na risada, pois mais esculhambada que a fantasia que ele alugara, era impossível... 


Ele também caiu na risada e ficou tudo bem, então. Subimos ao palco e o show foi legal, embora curto.



Eram 8 ou 10 músicas apenas. Confesso que gostei muito de tocar ao vivo novamente "Amor à Vista", uma música que eu gostava muito, durante minha segunda passagem pelo Língua de Trapo. 


Era uma letra satírica, cheia de nuances absurdas, mas tratava-se de um belo blues, bem sessentista, com carga freak intensa. 


À medida que íamos tocando, eu notava no semblante daqueles 60 gatos pingados, um ar de frustração e expectativa, pois esperavam músicas da Janis Joplin, e nós ali só tocando canções estranhas aos seus ouvidos...



A última, foi "Buried Alive in Blues" e o público soltou-se, com alguns dançando no imenso espaço vazio do Aeroanta, com pouca gente. O Laert ficou dançando pelo palco e foi um misto de algo bonito pela homenagem sixtie, e engraçado também, pois sua veia humorística nunca sai de férias. Então encerramos, e muita gente do público chiou... 
Ouvi um rapaz falando que "queria o dinheiro de volta, pois fora enganado, já que aquilo não era tributo à Janis Joplin de jeito nenhum".



Um grupo de garotas também protestava, alegando que tinham vindo de Caieiras (um município da Grande São Paulo, relativamente longe da capital) etc. Realmente, foi um tributo estranho, quiçá irônico, mas por outro lado, não era um show cover. E uma coisa eu posso confirmar : o Laert é apaixonado pela Janis Joplin.



Desde que conhecemo-nos em 1976, eu sei disso. Portanto, a não inclusão de músicas da Janis Joplin, fora o instrumental, não tinha conotação de afronta, de forma alguma. E assim foi esse trabalho avulso, que valeu muito mais por reencontrar velhos amigos como o Laert; Naminha e Paulo Elias, por exemplo.


Depois de frustrar-me em não tocar as músicas do grande Marc Bolan e ter feito um bizarro show tributo à Janis Joplin sem tocar nenhum clássico de seu repertório, meu próximo trabalho avulso só ocorreria em 1997, mais uma vez auxiliando uma banda de um aluno meu a gravar num estúdio.

Continua...

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