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sexta-feira, 13 de março de 2015

Trabalhos Avulsos - Capítulo 35 - Big Chico, uma Noite de Blues de Chicago no Jaguaré... - Por Luiz Domingues


Kim Kehl & Os Kurandeiros havia feito seu show no Festival "Hoje Tem Blues", mas havia uma missão a mais nessa noite a ser cumprida, no palco do teatro Ceu Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. Estávamos convocados a acompanhar o cantor / gaitista e guitarrista, Big Chico, um dos maiores expoentes da cena do Blues brasileiro naquela atualidade dos anos 10, do século XXI.
Acostumados a acompanhar artistas desse espectro, graças ao desdobramento em Magnólia Blues Band, na qual estávamos a atuar desde janeiro de 2014, não houve nenhum empecilho para a banda e ao subir o palco, bastava dizer-nos o tom e o andamento de cada canção a ser tocada, e a banda sairia a tocar e acompanhar a performance de Big Chico, sem problemas.

Nessa noite, estávamos reforçados pelo tecladista, Nelson Ferraresso, membro original dos Kurandeiros, mas nos últimos tempos, presença apenas sazonal, devido aos seus impedimentos pessoais. Mas com ele na banda, claro que o som encorpava e muito. Um mestre na escolha dos timbres setentistas interessantes, preenchia o som com o órgão Hammond em suas diversas matizes, indo do Draw bar adocicado de Jimmy Smith, à distorção de Jon Lord, e assim a escolher com precisão os momentos certos para timbres díspares entre si. O mesmo raciocínio dáva-se na escolha de timbres de pianos acústicos, elétricos e sintetizadores em geral, ao fazer dele, um músico completo, que qualquer banda sonha ter em seu time.
Marcião Pignatari ao ser entrevistado pelo comunicador, Jesse Navarro

Um reforço de última hora, o guitarrista, Marcião Pignatari, também subiu ao palco. Muito versado na arte do Blues e do Rock'n Roll, claro que sua guitarra estilosa ajudou a encorpar mais o som, ainda mais ao considerar-se que atuou com uma guitarra, Fender Stratocaster, assim a proporcionar um contraste colorido à Gibson SG que o Kim usou nesse dia. No meio da apresentação, os gaitistas, Edu Dias, e Michael Navarro, entraram no palco e fizeram suas intervenções, a agregar, naturalmente. Ao tocar, ambos, perto de minha presença no lado esquerdo do palco, pude interagir com os dois em improvisações muito felizes que fizemos juntos, gaitas e baixo. Em alguns momentos, apesar de tudo ter saído no improviso, pareceu que naipes estavam ensaiados por nós três, pois conseguimos estabelecer uma sincronia de frases, muito impactantes.

O show do Big Chico foi muito bom, mesmo porque ele era / é um artista versátil e carismático, e o público apreciou muito suas interpretações para clássicos dos blues; a cantar; tocar gaita; agitar a plateia como um entertainer; e tocar sua guitarra, também. Missão cumprida, com público a aplaudir de pé e com direito a pedido de bis, aconteceu no dia 18 de outubro de 2014, no teatro do Ceu Jaguaré, bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo.
A lamentar-se, somente a baixa presença de público... show gratuito com um micro festival e cinco atrações boas da cena blues; teatro todo arrumado com som e luz super dignas... qual a desculpa para o teatro não ter lotado em um sábado a tarde, longe do horário das novelas, futebol ou das baladas de rua ?

Acima, assista Big Chico + Os Kurandeiros + Convidados, a interpretar : "Everyday I Have the Blues" (Pinetope Sparks / Henry Townsend)

O link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=XxXWkG89Ty4

Reclamamos que o poder público pouco faz pela educação & cultura... aí cria-se uma escola nos padrões de uma High School americana, com estrutura maravilhosa a conter teatro; biblioteca; piscinas e quadras esportivas; tudo grátis para a criançada carente de um bairro simples; produzem atrações culturais gratuitas, e não vai ninguém ?

Acima, assista Big Chico + Os Kurandeiros + Convidados, interpretando "Hootchie Cootchie Man" (Willie Dixon)

O link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=qNCtp6T3Wbw

Confesso que fiquei chateado e convencido de que a contrapartida do desinteresse é enorme nesse processo de baixo estímulo à Educação & Cultura, mas enfim...


Ainda em 2014, um novo trabalho avulso surgir-me-ia, e dentro do espectro dos Kurandeiros de Kim Kehl, novamente...  

Continua...

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