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terça-feira, 3 de março de 2015

Trabalhos Avulsos - Capítulo 25 - Essex (Produção de Estúdio) : Os Irmãos Schevano - Por Luiz Domingues

Ao final de 1996, eu recebi de meu aluno Ricardo Schevano, um convite irrecusável : ele queria que eu produzisse em estúdio, o som de sua banda, chamada "Essex". O som do Essex não era inteiramente do meu agrado, pois tratava-se praticamente de um Heavy-Metal.

Ricardo Schevano em foto dos anos 2000, atuando com o "Baranga"

Mas, eu gostava de todos os membros da banda, que eram agregados de minhas aulas, e por afeiçoar-me a eles, torcia pelo seu desenvolvimento, e tinha vontade de ajudá-los. A banda era formada pelo Ricardo Schevano no baixo; Marcello Schevanno, seu irmão, na guitarra solo; Tony Peres (irmão de Alexandre Peres Rodrigues, meu aluno, e hoje líder do Klatu), na guitarra base e voz; e Marcelo Burani, sobrinho do baterista Diógenes Burani, ex-Moto Perpétuo, na bateria. Todos frequentavam as minhas aulas constantemente.

                   O genial multi instrumentista, Marcello Schevano

Éramos parceiros de futebol, e companheiros em idas a lojas de discos e shows de Rock, há muito tempo, portanto, ajudá-los nessa gravação, seria um prazer. E assim, no início de 1997, agendaram sessões de gravação no estúdio Spectrum, localizado no Ipiranga, zona sul de São Paulo. Eu conhecia bem o Spectrum, pois fora lá que o Pitbulls on Crack gravara o CD "Lift Off", de 1996. 


Portanto, conhecia os técnicos e o equipamento. Infelizmente, a mentalidade do estúdio era de interferência na produção de seus clientes, o que gerava atritos, naturalmente.
O edifício Essex, onde os irmãos Schevano, e Marcelo Burani moravam, e daí, a razão pelo nome da banda                      


Isso desgastava, claro, mas no frigir dos ovos, tinha uma negociação. Não era para ter, pois acho bastante invasivo interferir no som de um cliente. Se fosse eu, e tivesse uma sugestão muito boa, ainda sim, pediria licença e deixaria o artista e seu produtor livre para acatar ou não. Mas no caso daquelas pessoas, a mentalidade era a de manter um padrão de qualidade linear para tudo o que saísse de lá. E como os rapazes gostavam de pop oitentista, queriam timbrar todo mundo a la "Tears for Fears"; "Oingo Boingo"; "Men at Work"; "Inxs", e outros artistas desse naipe, ou seja... socorro !!! Todavia, uma tremenda atitude invasiva dessas tinha o lado conveniente : os preços eram muito bons... 


E dessa forma, artistas sem recursos submetiam-se a esse estado de coisas. O Pitbulls sofreu bastante nesse sentido, mas isso é assunto para aquele capítulo específico de tal banda. Aqui, o assunto neste momento é a minha participação como produtor da demo-tape do Essex.

Nessa época, os irmãos Schevano usaram o sobrenome materno, Rangel, como nome artístico, mas logo adotaram o Schevano, paterno, de forma definitiva.




Então, a produção foi prazerosa, pois conhecia bem todos os membros da banda, e tínhamos um clima de amizade muito bom. 
Como o som deles era pesadão, praticamente Heavy-Metal, eu decidi dobrar as guitarras base, para encorpar bem o som. Mas nessa operação, infelizmente perdemos tempo, e esse tempo faltou no final, com a mixagem não sendo com o capricho maior que eu desejaria.
                   O baterista Marcelo "Always" Burani
 
O orçamento era pequeno e faltou-me percepção na hora em que gravava o dobro da guitarra base, em abortar esse plano "A", partindo para o "B", mas enfim, foi o melhor que pude fazer à época.
Um fato curioso aconteceu nessa gravação. Eles queriam um reforço de um teclado, e por incrível que pareça, ninguém da banda sabia nem como achar as notas musicais no teclado, sendo assim, eu mesmo gravei um pequeno trecho, fazendo um ataque com um acorde cheio, sem desenhar, pois não tenho técnica alguma aos teclados. O engraçado disso, é que bem pouco tempo depois, o Marcello comprou um sintetizador, e menos de um ano depois, fazia solos complexos do Keith Emerson; tocava piano Honky-Tonk igual ao Elton John, etc etc...
Algum tempo atrás, o Ricardo contou-me que ele e o irmão planejavam resgatar esse material, lançando-o em CD, com pequena tiragem. Realmente era uma demo de luxo que poderia mesmo lançar-se em CD. Certamente na época, o Essex era uma banda obscura, e só conhecida entre os amigos, parentes etc. Mas hoje, com os irmãos Schevano tendo feito tantos trabalhos, certamente arrancaria mídia, e o interesse de fãs e colecionadores. O Essex teve vida curta após a gravação desta demo.
Logo a seguir, o Marcello Schevano entraria no "Soul Shine", embrião do que hoje é o "Tomada".
Depois entraria no "Sidharta", meu projeto com Rodrigo Hid e Zé Luiz Dinola (história contada integralmente em seu capítulo exclusivo, é claro).  O "Sidharta" fundiu-se com a "Patrulha do Espaço", e depois ele (Marcello), formou o "Carro Bomba", além de ter tocado como membro honorário do "Som Nosso de Cada Dia", e hoje em dia (2016), estar no "Casa das Máquinas", e no "Golpe de Estado", também. Ricardo Schevano substitui-me no "Pitbulls on Crack", onde ficou pouco tempo.
Tornando-se amigo do Deca (guitarrista do Pitbulls on Crack), e formou com Paulo Thomaz, e o Xande, o "Baranga". Hoje em dia, está no "Carro Bomba", também. Marcelo Burani formou o "Quarteto Hermeto", no início dos anos 2000, e toca pela noite até hoje. Antonio "Tony" Peres Rodrigues, trabalhou na gravadora Primal / Velas; foi roadie do Pitbulls on Crack, e formou bandas de Heavy-Metal, ao longo dos anos 2000. Foi assim a minha participação na gravação da demo-tape do Essex, em 1997.
Meu próximo trabalho avulso foi outro convite para produzir uma demo tape de estúdio para a banda de um aluno meu. E curiosamente, lidando, assim como no caso do Essex / Marcello Schevano, com outro futuro parceiro de trabalho...

Continua...

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