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domingo, 1 de março de 2015

Trabalhos Avulsos - Capítulo 7 - Trio com Pitico Freitas & José Luiz Dinola (Segundo contato com o Dinola, no Pré- A Chave do Sol) - Por Luiz Domingues

Após a frustrada passagem com o Jungô, meu próximo trabalho paralelo foi uma tentativa de formar um trio de Jazz-Rock.
Foi assim : conforme já contei no capítulo do Língua de Trapo, eu fui gravar uma fita demo, visando tentar inscrever uma música para o vocalista Pituco Freitas participar do Festival FICO, como cantor solo.

Nesta foto de 1986, José Luiz Dinola estava em ação, num show da Chave do Sol
 

Fomos gravar no estúdio da banda "Contrabando", cujo baterista era um rapaz chamado José Luiz Dinola, e que contava com o Tony Babalu como guitarrista já muito experiente, e os demais membros eram bem garotos. O guitarrista Pitico Freitas, que era irmão do Pituco Freitas, era o elo, pois era amigo de escola do José Luiz Dinola (o famoso colégio estadual Fernão Dias, do bairro de Pinheiros), e conhecia o pessoal do Contrabando. Algum tempo depois dessa gravação, o Pitico Freitas chamou-me, convidando-me a ensaiar com ele, e José Luiz, pois estavam precisando de um baixista para um projeto.
                           Pituco Freitas, em foto bem mais atual                                                                     
O Pitico era o oposto do seu irmão, Pituco, em termos de influências musicais. Enquanto o Pituco tinha toda aquela formação de MPB tradicional, Bossa Nova etc, o Pitico era Rocker, gostava de Rainbow; Led Zeppelin; e Ted Nugent, por exemplo.
E o José Luiz era apaixonado por Jazz-Rock, e estava cansado do som do Contrabando, que era muito parecido com o Made in Brazil, ou seja, Rock tradicional, e bem simples. Então eu aceitei, e foi marcado ensaio num estúdio em Pinheiros, próximo à Praça Panamericana, que pertencia ao baixista de uma banda cover de Beatles, chamado Felipe.

Ensaiamos três temas meio "funkeados" que o Pitico tinha semi prontos. A intenção era fazer um som na linha do Jeff Beck, fase "Blow by Blow" / "Wired", ou seja, Jazz Rock instrumental com acento swingado de Funk & Soul, e pegada de Rock. Nenhum de nós três tínhamos condição para fazer isso com maestria, mas após o primeiro ensaio, vimos que por outro lado, não era de jogar-se fora, também. Mais dois ensaios foram realizados, mas aí os compromissos de cada um, inviabilizaram o projeto, pois no meu caso, eu estava a mil com o Língua de Trapo em seus momentos iniciais; o Terra no Asfalto ensaiava uma "volta", e nas horas vagas, tinha ensaios, na expectativa da gravação do LP do cantor Leandro (história já contada neste capítulo dos trabalhos avulsos). Sendo assim, esse projeto foi curto, e morreu com três ensaios, apenas.
Todavia, foi vital passar por isso, pois conheci o José Luiz Dinola, que dois anos depois tornar-se-ia cofundador de minha banda autoral, A Chave do Sol.


De fato, foram minhas primeiras performances com o José Luiz Dinola, que dois anos depois tornar-se-ia meu colega de Chave do Sol. Achava-o bem técnico já naquela época, mas fora esses ensaios de 1980, pouco conversamos a seguir. Tanto que quando esse projeto não andou mais, eu só fui falar com ele novamente em julho de 1982, quando convidei-o para tocar com A Chave do Sol.
Para você ver, leitor, preferi chamar o Edmundo para tocar com A Chave do Sol, antes, sem nunca tê-lo visto tocar, e tecnicamente ele era muito inferior ao Zé Luiz. Tudo porque eu era muito mais amigo do Edmundo nessa época, pois ele gravitava na órbita do Terra no Asfalto (como conheci o baterista Edmundo, já está contado no capítulo sobre o Terra no Asfalto). Pena que esse projeto de banda, nem nome conseguiu ter, pois as ideias do Pitico Freitas eram boas, e ele tocava uma guitarra cheia de swing, meio no estilo do Tommy Bolin.
A impressão inicial que tive do Zé Luiz era muito boa pela técnica, mas pelas conversas, achei que tínhamos pouca afinidade, pois ele só curtia Jazz-Rock, praticamente, e eu tinha um leque de preferências muito mais amplo. Já o Edmundo, era um amigo de identificação muito maior, haja vista a coleção de discos dele, que batia muito com o meu gosto musical, que era essencialmente Rock 1960 / 1970, em inúmeras tendências.

Depois que comecei a conhecer o Zé Luiz Dinola, melhor (quando entrou definitivo na Chave do Sol), ficamos muito amigos, embora na parte musical ele ainda fosse fechado na questão do Jazz-Rock.
Pois é...o Zé tinha essa característica muito forte naquela época, e mesmo com a Chave prosperando, foi duro lidar com essa visão fechada dele. No tempo do Sidharta (entre 1997 e 1999 e cuja história tem capítulo em específico, naturalmente), ele estava bem mais aberto, mas mesmo assim, acabou deixando o projeto por divergência musical. Foi assim a super efêmera carreira desse trio, supostamente voltado ao Jazz-Rock instrumental.


Depois dessa tentativa de formar uma banda, meu próximo trabalho avulso foi uma aventura grega...
Continua...

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